Caros. De hoje a domingo estarei ausente, vou a Bonito, participar do Festival de Inverno. Hoje à noite assisto Seu Jorge e, amanhã, Caetano. Até segunda.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Coluna do Capssa - "Edward W. Said: o verdadeiro arabista"
Edward W. Said não foi o único intelectual palestino de renome mundial, como afirmou certa vez a revista Veja (edição nº 1808 de 25/06/2003). No entanto, foi o mais coerente, o mais inteligente e o que é mais importante, o mais engajado politicamente na luta pelo estabelecimento legal e irrestrito do Estado Palestino.
Um homem que gozou de prestígio internacional, professor de literatura inglesa comparada na Universidade de Colúmbia, crítico musical do jornal The Nation (EUA), autor de inúmeros livros, muitos publicados no Brasil, Said teve a coragem de levantar a voz contra o sionismo em uma época em que os Estados Unidos oferecia total apoio às políticas israelenses. Sobre Ariel Sharon disse o seguinte: “É um terrorista que mata mais gente que qualquer garoto de 18 anos que se explode com uma bomba”.
Ao contrário, do que se possa pensar, Edward W. Said não preconizava a violência, mas sim a paz negociada, com bom senso, defendia o fortalecimento das instituições democráticas palestinas e israelenses, destacando as novas lideranças com talento suficiente para mudar a história do Oriente Médio.
Tinha na oratória sua maior arma, uma verdadeira “intifada” de palavras. Embora ácido, amargo, dissecou a questão palestina com elegância, clareza, discernimento e erudição, expondo seus pontos nevrálgicos.
O que mais se admira em Edward Said é o despojamento, o seu quase desprezo pela condição intelectual. Despido de vaidade, desconcertava seus interlocutores com respostas incontestáveis, logicamente consubstanciadas.
Said foi o verdadeiro arabista, ao contrário do “decano arabista” Bernard Lewis. Nu, translúcido, se contrapôs a este, argumentando de uma maneira didática contra a noção de “choque de civilizações“ (civilizações fechadas, lacradas, alheias a qualquer tipo de troca), defendendo a idéia de que as civilizações se forjam na inter-relação e na fertilização mútua, ou seja, as civilizações se fundem numa infinita troca. Oriente e Ocidente se entrelaçam.
Edward Said, não quis a cor de cerejas, nem de amoras grudadas de carne nas paredes de casas palestinas e israelenses. Quis o cheiro da romã.
Em setembro, dia 24, completam-se seis anos de seu falecimento. Edward W. Said se foi aos 68 anos de idade, vítima da leucemia, doença com a qual lutou por dez anos. Uma perda irreparável para o povo palestino, para todos os povos árabes e, também, porque não, para o mundo todo.
Luiz Carlos Capssa Lima
Um homem que gozou de prestígio internacional, professor de literatura inglesa comparada na Universidade de Colúmbia, crítico musical do jornal The Nation (EUA), autor de inúmeros livros, muitos publicados no Brasil, Said teve a coragem de levantar a voz contra o sionismo em uma época em que os Estados Unidos oferecia total apoio às políticas israelenses. Sobre Ariel Sharon disse o seguinte: “É um terrorista que mata mais gente que qualquer garoto de 18 anos que se explode com uma bomba”.
Ao contrário, do que se possa pensar, Edward W. Said não preconizava a violência, mas sim a paz negociada, com bom senso, defendia o fortalecimento das instituições democráticas palestinas e israelenses, destacando as novas lideranças com talento suficiente para mudar a história do Oriente Médio.
Tinha na oratória sua maior arma, uma verdadeira “intifada” de palavras. Embora ácido, amargo, dissecou a questão palestina com elegância, clareza, discernimento e erudição, expondo seus pontos nevrálgicos.
O que mais se admira em Edward Said é o despojamento, o seu quase desprezo pela condição intelectual. Despido de vaidade, desconcertava seus interlocutores com respostas incontestáveis, logicamente consubstanciadas.
Said foi o verdadeiro arabista, ao contrário do “decano arabista” Bernard Lewis. Nu, translúcido, se contrapôs a este, argumentando de uma maneira didática contra a noção de “choque de civilizações“ (civilizações fechadas, lacradas, alheias a qualquer tipo de troca), defendendo a idéia de que as civilizações se forjam na inter-relação e na fertilização mútua, ou seja, as civilizações se fundem numa infinita troca. Oriente e Ocidente se entrelaçam.
Edward Said, não quis a cor de cerejas, nem de amoras grudadas de carne nas paredes de casas palestinas e israelenses. Quis o cheiro da romã.
Em setembro, dia 24, completam-se seis anos de seu falecimento. Edward W. Said se foi aos 68 anos de idade, vítima da leucemia, doença com a qual lutou por dez anos. Uma perda irreparável para o povo palestino, para todos os povos árabes e, também, porque não, para o mundo todo.
Luiz Carlos Capssa Lima
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Hotel em ruínas mostra fosso entre discursos de Obama e Israel
Interessante a reportagem “Jerusalem Hotel Divides US, Israel”, dos jornalistas Juliane von Mittelstaedt e Christoph Schult, publicada dia 28 de junho pelo jornal alemão Der Spiegel e traduzida ao português por George El Khouri Andolfato. A reportagem trata do milionário judeu-americano Irving Moskowitz e seus financiamentos de expansão de colônias em Jerusalém Leste, a parte árabe da cidade. Moskowitz comprou o Hotel Shepherd em 1985 e planeja derrubá-lo para construir ali um prédio com 20 apartamentos e um estacionamento com três andares subterrâneos para automóveis. Construído nos anos 30 como residência do grão mufti de Jerusalém, Mohammed Amin al Husseini, o hotel foi, posteriormente, usado como quartel-general da polícia de fronteira israelense.Ocorre que o Shepherd está localizado na parte leste da cidade e a comunidade internacional considera como assentamentos a construção de bairros judeus na região, além de frisar que estes assentamentos representam um obstáculo ao processo de paz entre israelenses e palestinos ao complicarem ainda mais uma possível divisão da cidade. Israel não considera que os bairros judeus em Jerusalém sejam assentamentos, porque anexou a área após tê-la capturado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Anexação que não foi reconhecida pela comunidade internacional.
Para o governo de Israel, a ocupação de setores da área árabe da cidade se dá devido ao “crescimento natural” da atual população. Atualmente, 300 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia e outros 180 mil vivem nos bairros judeus de Jerusalém Leste.
“Moskowitz nasceu em Nova York de pais que imigraram da Polônia para os Estados Unidos. Os nazistas mataram muitos membros de sua família, o que ajuda a explicar por que é tão passional a respeito de Israel. Ele deixa claro que deseja desenvolver o país em um lugar seguro para os judeus de todo o mundo e é consistente no cumprimento de sua promessa. Moskowitz doa muito dinheiro -seus críticos estimam US$ 100 milhões até o momento- para colonos religiosos, frequentemente radicais, em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.”, explica a reportagem da Der Spiegel.
Nos anos 90, Moskowitz causou polêmica ao oferecer apoio financeiro para colonos radicais que estavam comprando casas no setor árabe da Cidade Velha de Jerusalém. Depois disso, ajudou a adquirir terras no Monte das Oliveiras, perto do bairro palestino de Ras al Amud, causando ainda mais inquietação. Ele apoiou projetos subseqüentes em outros bairros árabes em Jerusalém Oriental, incluindo Silwan e Sheikh Jarrah, onde centenas de israelenses vivem atualmente, em constante tensão com seus vizinhos árabes.
O principal objetivo destes investimentos é impedir a partição da capital israelense. “Moskowitz não faz segredo de seus motivos. Ele comparou os Acordos de Oslo, que visavam encorajar a acomodação entre israelenses e palestinos, com as políticas de apaziguamento das potências ocidentais em relação a Hitler. Moskowitz se refere às negociações de paz como ‘suicídio israelense’”, lembram von Mittelstaedt e Schult.
A construção do prédio e do estacionamento no terreno do velho hotel beneficiaria o grupo de colonos Ateret Cohanim ("Coroa dos Sacerdotes do Templo"), um grupo radical sionista que está construindo casas nos setores árabes da Cidade Velha e as distribuindo para judeus.
Um fosso político
Tudo isso poderia passar despercebido, não fosse o atual fosso entre as políticas adotadas pelo governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com relação aos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Leste. Este fosso pode fazer com que um prédio em ruínas como o Shepherd Hotel adquira repentinamente importância política.
Ainda não se pode dizer com segurança se Obama fala sério ou joga para a torcida quando diz que Israel deve deter os assentamentos como parte de um acordo amplo para garantir a paz no Oriente Médio. O jogo de palavras tem, de fato, incomodado os sionistas, mas, por outro lado, a ação estadunidense ainda não passou disso: um jogo de palavras. Recentemente, o escritor Ali Abunima, co-fundador do site The Electronic Intifada disse o seguinte sobre esta nova postura que os Estados Unidos têm adotado para com Israel: “A menos que estas posições sejam seguidas por ações decisivas – talvez limitando os subsídios estadunidenses a Israel – não há razão para acreditarmos que posturas que falharam no passado serão efetivas agora”.
Ocupação e colonização
Os assentamentos israelenses em territórios palestinos são, de longe, os maiores empecilhos para a paz na região. Em longo prazo, eles significam a implantação de uma cultura de subjugação de um povo por outro, a construção de uma mentalidade de revanchismo por parte dos subjugados e de domínio e desprezo por parte dos subjugadores.
Para Phyllis Bennis, integrante do Institute for Policy Studies e membro do U.S. Campaign to End Israeli Occupation “o conceito de ocupação é de difícil entendimento para os ocidentais”. Ela explica: “ocupação é quando um exército estrangeiro ocupa sua terra e controla todos os aspectos da sua vida”.
“Os palestinos estão sob ocupação e é por isso que há tanta violência. É o que ocorre com eles há décadas. Eles não são cidadãos, não têm direitos civis, nascem, crescem e morrem sob lei marcial”, afirma Allegra Pacheco, advogada e ativista israelense pelos direitos humanos.
No mesmo tom, Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel, destaca o caráter opressivo dos assentamentos israelenses frente aos palestinos: “Há cerca de 190 assentamentos israelenses espalhados na Cisjordânia. São colônias estratégicas construídas por Israel, conectadas por estradas, e que separam as comunidades palestinas uma das outras impedindo sua reintegração aos proprietários originais e confirmando a intenção expansionista israelense”.
O bispo católico da diocese Washington, Allen Bartlett, Jr, reforça: “Os assentamentos israelenses são áreas palestinas, as melhores terras e recursos hídricos, que são selecionadas, destruídas e substituídas por uma nova cidade para abrigar os colonos judeus.”.
Os assentamentos são construídos próximos as melhores terras e recursos hídricos. São cercados por arame farpado e seus moradores recebem equipamento militar, sendo defendidos externamente pelo próprio exército israelense. “O seu principal propósito é manter o controle israelense sobre o território ocupado”, afirma Pacheco. Para o antropólogo Jeff Halper, membro do Comitê israelense contra a demolição de casas, “a finalidade é fazer com que os palestinos saiam do país”, e vai além: “Sei que este é um termo duro, mas trata-se de limpeza étnica”.
“O governo e os militares israelenses não estão lidando com o povo palestino como iguais. Acho que este é o principal problema. Os israelenses não consideram os palestinos seus iguais”, opina Yael Stien, do grupo israelense de direitos humanos B'Tselem. “Penso que, moralmente e praticamente, a única forma de parar toda esta violência é tratar de sua causa primária, a ocupação”, sustenta Adam Keller, membro do Gush Shalom, grupo israelense que luta pela paz na região.
Para a Rabbi Rebecca Lillian, da organização Jewish Alliance for Justice and Peace, os israelenses não percebem a desigualdade entre os colonos e os palestinos nas regiões ocupadas: “No lado israelense, nos assentamentos, há comida, luz, água, gás, lazer, coleta de lixo, tudo o que seus vizinhos palestinos não têm por causa da ocupação militar”. Lingüista e professor do Massachusetts Institute of Technology, Noam Chomsky relata a sensação do gueto vivida pelos palestinos: “Em Hebron, por exemplo, uma cidade árabe onde há alguns judeus, os colonizadores andam com fuzis como se fossem donos da cidade. Vão às vilas palestinas, queimam suas plantações, destroem suas casas, agridem os palestinos”. Kathleen Kamphoefner, afirma que é comum mulheres palestinas serem açoitadas pelos colonos nas ruas sem motivo aparente para a agressão, se é que há motivo para se açoitar uma mulher.
O governo não tenta conter os colonos. De todos os casos em que estes mataram palestinos os acusados acabaram recebendo anistia ou penas curtas. Em muitos casos o exército simplesmente acoberta os abusos. “Muitos palestinos se sentem reféns dos colonos”, resume Yael Stein. “A finalidade é tornar as coisas tão difíceis para os palestinos que qualquer um que queira um futuro para seus filhos, que queira viver bem, que queira viver uma vida normal será obrigado a sair”, resume Jeff Halper.
Segundo Adam Keller, há dois tipos de colonos. Os ideológicos, que pensam que todo o território foi prometido por Deus aos judeus, e que cada lugar mencionado na Bíblia pertence a eles. Estes consideram que não têm apenas o direito, mas o dever de ocupar o território e acabar pela força com qualquer um que se oponha a isso. O outro tipo, que representa a maioria dos colonos, são israelenses comuns que vem para os assentamentos simplesmente por que o governo oferece moradia barata e vantagens financeiras, tais como a suspensão do pagamento dos empréstimos governamentais adquiridos para sua instalação nas terras aos que permanecerem na região por mais de dez anos.
Leis mais sobre este tema
- Maquiavel, Obama e os assentamentos que não encolhem
- Israel insiste no erro e se recusa a desmantelar assentamentos ilegais
- Sionistas promovem pogroms na Cisjordânia
- Obama fala sério ou endurecimento com Israel é para "palestino ver"?
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Fotojornalismo
Françoise Demulder foi a primeira mulher a ganhar um World Press Photo, em 1976, com a foto acima, feita durante a guerra do Líbano. Ela é uma das 55 fotojornalistas da agência francesa Gamma, que ameaça fechar as portas. Fico na torcida para que a crise seja revertida.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Fervor casto
Acabo de ler um texto maravilhoso de Leonardo Cruz sobre a hipocrisia por detrás do fanatismo e do golpismo religioso. O artigo, "Fervor casto" foi publicado dia 23 no blog do Lelec, A terceira margem do Sena, cujo acompanhamento recomendo a todos que buscam boa leitura na blogosfera.
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Preconceito de opção sexual se reflete nas salas de aula
Um estudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) feito com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários de 501 unidades de ensino de todo o país, aponta que 87% da comunidade escolar têm algum preconceito contra homossexuais, mostrando que a homofobia está fortemente presente nas escolas do país, afetando diretamente o desempenho dos alunos.
O preconceito contra os homossexuais nas escolas – mais forte em relação aos travestis e transexuais - foi corroborado recentemente por uma pesquisa feita pela socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abromovay. O estudo coordenado por ela e divulgado este ano indica que nas escolas públicas do Distrito Federal 44% dos estudantes do sexo masculino afirmaram que não gostariam de estudar com homossexuais. Entre as meninas, o índice é de 14%. A socióloga acredita que o problema não ocorre apenas no DF, mas se repete em todo o país.
Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora-geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação (MEC), Rosiléa Wille, considera que o problema está na dificuldade das escolas em aceitar diferenças. “Você tem que estar dentro de um padrão de normalidade e, quando o aluno foge disso, não é bem-compreendido naquele espaço.”. O problema, no entanto, também é causado pelo despreparo dos profissionais da área, que misturam ao ensino e ao trato com os alunos seus valores pessoais – como a religião.
O debate incipiente sobre diversidade sexual nas escolas atinge também os materiais didáticos. Segundo pesquisa da doutora em psicologia Tatiana Lionço, da Universidade de Brasília (UnB), os livros usados em sala de aula pelos alunos da rede pública ignoram a temática da homossexualidade. Seu estudo, financiado pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), analisou 67 das 99 obras mais distribuídas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) - responsável por fornecer os materiais a todos os estudantes da educação básica da rede pública. “Falta diversidade”, opina.
Fora das escolas
Em maio, outra pesquisa apontou que um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra homossexuais e assume sua rejeição às identidades que compõem esta população. A pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, realizada pela Fundação Perseu Abramo em pareceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung, foi realizado entre os dias 7 e 22 de junho de 2008 em 150 municípios brasileiros e apontou que o grau de aversão ou intolerância aos transexuais atingia 24% dos entrevistados, travestis (22%), lésbicas (20%), gays (19%) e pessoas com Aids (9%).
A pesquisa centrou-se, então, no tema do preconceito contra LGBTs, a partir de conhecidas afirmações preconceituosas, formuladas para medir o grau de concordância ou discordância dos entrevistados:
84% concordaram que “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos”
58% concordaram que “A homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus”
38% concordaram que “Casais de gays ou de lésbicas não deveriam criar filhos”
29% concordaram que “Quase sempre os homossexuais são promíscuos”
29% concordaram que “A homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”
26% concordaram que “A homossexualidade é safadeza e falta de caráter”
23% concordaram que a “Mulher que vira lésbica é porque não conheceu um homem de verdade”
21% concordaram que “Os gays são os principais culpados pelo fato da Aids estar se espalhando pelo mundo” (neste último, embora 21% das pessoas entrevistadas tenham concordado plenamente, outros 12% concordaram em parte, o que alcança um índice de concordância de 33%. Há também um aumento em relação às outras perguntas se levado em conta os que afirmaram “concordar em parte”).
O preconceito contra os homossexuais nas escolas – mais forte em relação aos travestis e transexuais - foi corroborado recentemente por uma pesquisa feita pela socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abromovay. O estudo coordenado por ela e divulgado este ano indica que nas escolas públicas do Distrito Federal 44% dos estudantes do sexo masculino afirmaram que não gostariam de estudar com homossexuais. Entre as meninas, o índice é de 14%. A socióloga acredita que o problema não ocorre apenas no DF, mas se repete em todo o país.
Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora-geral de Direitos Humanos do Ministério da Educação (MEC), Rosiléa Wille, considera que o problema está na dificuldade das escolas em aceitar diferenças. “Você tem que estar dentro de um padrão de normalidade e, quando o aluno foge disso, não é bem-compreendido naquele espaço.”. O problema, no entanto, também é causado pelo despreparo dos profissionais da área, que misturam ao ensino e ao trato com os alunos seus valores pessoais – como a religião.
O debate incipiente sobre diversidade sexual nas escolas atinge também os materiais didáticos. Segundo pesquisa da doutora em psicologia Tatiana Lionço, da Universidade de Brasília (UnB), os livros usados em sala de aula pelos alunos da rede pública ignoram a temática da homossexualidade. Seu estudo, financiado pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), analisou 67 das 99 obras mais distribuídas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) - responsável por fornecer os materiais a todos os estudantes da educação básica da rede pública. “Falta diversidade”, opina.
Fora das escolas
Em maio, outra pesquisa apontou que um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra homossexuais e assume sua rejeição às identidades que compõem esta população. A pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, realizada pela Fundação Perseu Abramo em pareceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung, foi realizado entre os dias 7 e 22 de junho de 2008 em 150 municípios brasileiros e apontou que o grau de aversão ou intolerância aos transexuais atingia 24% dos entrevistados, travestis (22%), lésbicas (20%), gays (19%) e pessoas com Aids (9%).
A pesquisa centrou-se, então, no tema do preconceito contra LGBTs, a partir de conhecidas afirmações preconceituosas, formuladas para medir o grau de concordância ou discordância dos entrevistados:
84% concordaram que “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos”
58% concordaram que “A homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus”
38% concordaram que “Casais de gays ou de lésbicas não deveriam criar filhos”
29% concordaram que “Quase sempre os homossexuais são promíscuos”
29% concordaram que “A homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”
26% concordaram que “A homossexualidade é safadeza e falta de caráter”
23% concordaram que a “Mulher que vira lésbica é porque não conheceu um homem de verdade”
21% concordaram que “Os gays são os principais culpados pelo fato da Aids estar se espalhando pelo mundo” (neste último, embora 21% das pessoas entrevistadas tenham concordado plenamente, outros 12% concordaram em parte, o que alcança um índice de concordância de 33%. Há também um aumento em relação às outras perguntas se levado em conta os que afirmaram “concordar em parte”).
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terça-feira, 28 de julho de 2009
Cardiovascular
Deitado na penumbra, observo meu coração pulsando na máquina. Com os olhos semi-cerrados, estudo no rosto do médico algum sinal de anomalia. Ele vibra, o músculo, enquanto eu me encolho diante do tempo.
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Obama e o biocombustível II
O influente senador republicano Charles Grassley, do Estado agrícola de Iowa, grande produtor de milho, advertiu hoje que poderá atrasar a confirmação, no Senado, do nome do futuro embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, escolhido pelo presidente Barack Obama, devido a seu suposto apoio à eliminação das tarifas sobre as importações de etanol.
“Como senador e candidato presidencial, o presidente Obama defendeu a manutenção das tarifas sobre a compra de etanol. Agora, a pessoa designada pelo presidente como embaixador no Brasil diz que a supressão da tarifa será 'benéfica'. É importante saber se o governo mudou de posição antes que a nomeação siga seu curso", disse Grassley, que integra a comissão de Finanças do Senado.
O governo do Brasil espera que Washington levante a tarifa imposta, o que representaria um maior acesso de suas exportações de etanol ao mercado americano. Iowa é o principal produtor americano de milho, planta a partir da qual se pode fabricar esta alternativa para a gasolina.
A votação acontecerá ainda nesta terça-feira.
Falei sobre Obama e o etanol em novembro passado no artigo “Obama e o biocombustível”.
“Como senador e candidato presidencial, o presidente Obama defendeu a manutenção das tarifas sobre a compra de etanol. Agora, a pessoa designada pelo presidente como embaixador no Brasil diz que a supressão da tarifa será 'benéfica'. É importante saber se o governo mudou de posição antes que a nomeação siga seu curso", disse Grassley, que integra a comissão de Finanças do Senado.
O governo do Brasil espera que Washington levante a tarifa imposta, o que representaria um maior acesso de suas exportações de etanol ao mercado americano. Iowa é o principal produtor americano de milho, planta a partir da qual se pode fabricar esta alternativa para a gasolina.
A votação acontecerá ainda nesta terça-feira.
Falei sobre Obama e o etanol em novembro passado no artigo “Obama e o biocombustível”.
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Fotojornalismo
Um simpatizante do presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, senta em uma estrada em frente aos soldados das forças de segurança do país a 22 km da fronteira com a Nicarágua. Na cidade nicaragüense de Ocotal, Zelaya organiza uma resistência pacífica após ter fracassado em sua segunda tentativa de regressar ao seu país. Foto da EFE.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
O mundo sem nós - Alan Weisman
Qualquer um cuja mente seja açodada por um mínimo de imaginação já conjeturou um mundo sem seres humanos. O que aconteceria se nós, humanos - cuja passagem pelo planeta Terra ocupa um ínfimo espaço no calendário global - simplesmente desaparecêssemos? Que catástrofes adviriam desta ausência? E que benefícios? É este o pano de fundo do livro “O Mundo Sem Nós” (The World Without Us), do jornalista Alan Weisman (veja aqui o site do livro).Weisman traça um cenário aterrador sobre a influência daninha que o homem exerce sobre o planeta. Em suas 382 páginas, o livro deixa claro que, longe de ser o provedor que se imagina, o homem tem colaborado para o envenenamento contínuo de sua casa e, extinto, apenas interromperia este processo, fazendo com que a natureza, pouco a pouco, voltasse a ocupar os espaços da qual foi expulsa pelo “progresso”.
Diante da nefasta ação humana sobre o meio ambiente, há quem defenda que os seres-humanos tomem a iniciativa de deixar em paz a natureza. É o caso do “Movimento de Extinção Humana Voluntária” (VEHMT), que pretende suprimir a raça humana ao, voluntariamente, deixar de procriar, permitindo à biosfera terrestre retornar à boa saúde. Pode parecer maluquice, mas o movimento é sério e, diante da destruição que proporcionamos, tem fundamento. “Fazer tornar a Terra ao seu esplendor natural e encerrar o sofrimento inútil da humanidade são pensamentos positivos”, afirma o VEHMT.
Boa parte do livro se dedica a explicar o que aconteceria com o mundo caso os seres humanos fossem extintos. A partir de entrevistas com zoólogos, biólogos, engenheiros e paleontólogos, Weisman mostra que pouca coisa resistiria à ação do tempo e das forças da natureza, e revela como nosso “lixo tecnológico” continuará envenenando o meio ambiente nos milhões de anos vindouros.
Com uma narrativa recheada por pesquisas de campo, Weissman explica como nossa imensa infra-estrutura irá entrar em colapso e, finalmente, desaparecer juntamente com qualquer vestígio de nossa presença no planeta; como nossos artefatos do dia a dia se transformarão em fósseis; como canos e fios de cobre serão transformados em veios minerais; porque algumas de nossas construções poderão ser os últimos vestígios de arquitetura e como o plástico, as esculturas de bronze, as ondas de rádio e algumas moléculas criadas pelo homem poderão ser os últimos sinais de nossa presença no universo.
Em “O mundo sem nós”, descobrimos como as selvas de asfalto serão substituídas por selvas verdes em meios às cidades em ruínas; como as fazendas tratadas de forma orgânica ou química irão se transformar em áreas selvagens; como bilhões de pássaros surgirão e baratas sucumbirão sem nossa presença. Em lugares esquecidos ou abandonados pelos humanos (como um pequeno fragmento das florestas primevas da Europa, uma zona desmilitarizada entre as Coréias e Chernobyl), Weisman revela a tremenda capacidade de recuperação de nosso planeta.
Sem a presença humana, em dois dias o metrô de Nova Iorque seria inundado devido à paralisação do bombeamento de água. Sete dias depois, a reserva de emergência dos geradores a diesel que mantém em funcionamento o resfriamento de usinas nucleares chegaria ao fim. Passado um ano, um bilhão de pássaros deixaria de ser abatidos quando as luzes de sinalização das torres de rádio e comunicação apagassem e parassem de interferir em seu sistema de orientação. Dez anos depois de o homem desaparecer, o teto de celeiro com um buraco de meio metro quadrado, que já estava vazando na década anterior, já teria desaparecido há tempos. Passados cem anos, populações de pequenos predadores, guaxinins, doninhas e raposas diminuiriam graças à competição com um legado humano: s imensamente bem-sucedidos e ferozes gatos domésticos. Em mais 200 anos, as grandes pontes teriam desabado e barragens em todo o mundo destruídas. Cidades localizadas na foz de rios teriam sido destroçadas. Depois de alguns milhares de anos, qualquer parede de pedra que ainda estivesse de pé no hemisfério norte finalmente cederia ao frio.
Seriam necessários 35 mil anos para que o chumbo depositado durante a “era das chaminés” finalmente fosse removido do solo (para o cadmium serão necessários 75 mil anos). Pelo menos 100 mil anos depois da Terra ter se livrado de nós, o gás carbônico (CO2) terá voltado a níveis pré-humanos. O plástico, que tão orgulhosamente ostentamos em embalagens e produtos de todos os gêneros, precisará de pelo menos 100 mil anos para ser devorado por micróbios. Milhões de anos terão se passado antes de nossa presença física ter sido totalmente apagada. Esculturas de bronze ainda serão reconhecíveis em 10,2 milhões de anos. Ainda assim a vida na terra continuará em formas que jamais sonhamos pelos próximos bilhões de anos, até que nosso pequeno planeta seja queimado por um sol agonizante que, ao se expandir, englobará os planetas que o circundam (o que deve ocorrer daqui há cerca de cinco bilhões de anos). Ainda assim, o legado humano permanecerá para sempre em nossos programas de rádio e TV, cujas ondas, fragmentadas, ainda estarão viajando pelo universo.
O mundo sem nós
1 dia Combustível fóssil continuará alimentando usinas (em sua maior parte, automatizadas) por algumas horas. Também em algumas horas, a energia elétrica começará a entrar em colapso. Praticamente todas as usinas dependentes de combustível fóssil irão desligar.
2 dias Após 48 horas, os reatores de usinas nucleares entrarão em modo de segurança automaticamente. Turbinas de todos os tipos começarão a falhas devido a falta de lubrificação. Apenas áreas dotadas de energia provida por hidrelétricas ou energia solar contarão com eletricidade.
3 dias Metrôs que precisam operar com sistemas de bombeamento de água estariam inundados em menos de 36 horas.
10 dias Comida começaria a apodrecer nas prateleiras de supermercados e nos refrigeradores. Enquanto houver água derretida proveniente de refrigeradores e comida deixada à vista, os animais de estimação permanecerão nas proximidades de suas casas. Logo, no entanto, eles terão de procurar alimento em outros lugares. Àqueles que conseguirem sair de casa irão competir pela sobrevivência. Cães e gatos criados por meio de manipulação genética não encontrarão um nicho neste competitivo ambiente e estarão entre os primeiros a perecer. Por exemplo, as pernas curtas e boca pequena de bulldogs e terriers serão problemas para estas raças. Animais aprisionados em zoológicos morrerão de fome e sede.
6 meses Pequenas formas de vida selvagem não vistas com freqüência em meio à civilização – coiotes, gatos selvagens, lobos, veados etc – começarão a habitar os subúrbios das cidades. Os ratos já terão consumido nossos suprimentos estocados e começarão a deixar as áreas urbanas rumo às áreas selvagens.
1 ano Plantas começarão a brotar em meio a rachaduras no asfalto de estradas, ruas, passeios e construções. As últimas áreas com eletricidade cederão espaço a escuridão.
Barragens começarão a transbordar e se romper. Incêndios causados por raios terão destruído grandes áreas urbanas e selvagens. Várias espécies de animais terão avançado sobre as cidades.
5 anos A flora terá coberto a maioria das áreas urbanas com grama e árvores. Estradas serão cobertas por vegetação e, devido a falta de manutenção, desaparecerão.
20 anos As ruínas de Prypiat, na Ucrânia, abandonadas em 1986 após o desastre de Chernobyl, têm sido usadas como exemplo para demonstrar a decadência de áreas urbanas abandonadas após 20 anos sem a presença humana. Apesar dos altos níveis de radiação, muitas populações de animais, além de uma vasta flora, têm florescido nestas áreas.
25 anos O mar terá avançado sobre algumas áreas urbanas como Londres e Amsterdã, que são mantidas secas graças à engenharia. Janelas em prédios altos terão sido destruídas devido ao ciclo de frio e calor e devido à falta de manutenção nos seladores. Devido à falta de ajustes, satélites começarão a cair de volta à Terra.
40 anos Muitas construções de madeira terão se incendiado, apodrecido, ou consumidas por cupins. Árvores e vinhas terão se infiltrado e crescido em meio ao que restasse das construções de alvenaria, já bastante enfraquecidas pela ação dos elementos.
50 anos Estruturas de metal começarão a mostrar sinais de negligência. A pintura, que normalmente protege estas estruturas, já não existirá, expondo o metal aos elementos e permitindo a corrosão.
75 anos Muitos dos 600 milhões de automóveis que se espalham pelo globo terão sido reduzidos a escombros irreconhecíveis. Alguns veículos localizados em áreas de clima mais ceco não terão sofrido o efeito da corrosão de forma tão flagrante e ainda serão reconhecíveis.
100 anos Grandes pontes terão desabado devido à corrosão dos cabos de suporte. Muitas estruturas construídas pelo homem terão desabado em um período de 100 a 10 mil anos.
150 anos Muitas estradas e metrôs começarão a desabar sobre túneis inundados. Edifícios terão sido totalmente tomados por plantas, criando uma paisagem selvagem em um ecossistema vertical. Descendentes dos cães domésticos terão cruzado com lobos.
200 anos Grandes estruturas como o Empire State Building e a Torre Eifel terão desabado devido à ação da corrosão, das plantas e da água que terá desestabilizado suas fundações. Todos os livros e vídeos terão desaparecido sob a força do mofo.
500 anos Itens feitos com concreto começarão a ruir devido à expansão das barras de ferro que os reforçam.
1000 anos A maioria das cidades modernas terão sido destruídas e/ou cobertas pelas florestas. Os amontoados de escombros se transformarão em montanhas e colinas. Rios voltarão as suas margens originais. Haverá poucas evidências de que uma civilização humana tenha existido a Terra. Certas estruturas feitas de tijolos de pedra ou concreto, como as Pirâmides do Egito ainda estarão de pé com danos mínimos.
10.000 anos As construções de concreto cederão devido à erosão e aos efeitos cumulativos da ação sísmica.
Neste período, qualquer evidência substancial da humanidade terá desaparecido. Apenas algumas coisas ainda permanecerão, como os pedestais de granito ou concreto sólidos da Estátua da Liberdade. As Pirâmides de Gizé ainda estarão de pé, embora bastante enterradas na areia do deserto. Porções do Grande Muro da China também permanecerão visíveis. As faces do Monte Rushmore ainda estarão reconhecíveis por centenas de milhares de anos. Nossos ossos, escombros, plástico e poliestireno (isopores) poderão ser os últimos sinais da humanidade.
Alan Weisman é autor de cinco livros, incluindo “O mundo sem nós”. Seu trabalho já apareceu na Harpers, New York Times Magazine, Los Angeles Times Magazine, Discover, Atlantic Monthly, Condé Nast Traveler, Orion e Mother Jones. Weisman tem um programa na National Public Radio e na Public Radio International e é produtor sênior da Homelands Productions, organização jornalística que produz séries independentes de documentários para a rádio pública. Ele leciona jornalismo internacional na University of Arizona.
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domingo, 26 de julho de 2009
Música aos domingos
Sultans of Swing - Dire Straits
Ouça no volume máximo!
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sábado, 25 de julho de 2009
Poesia aos sábados
O mundo se abastece de mim
Eu, enfado de mundo...
Não convém mais saboreá-lo
tamanha a natureza das
imperfeições que se interpõe
sob tão néctar vista...
Hercília Fernandes, esta semana, no Poema Dia.
Eu, enfado de mundo...
Não convém mais saboreá-lo
tamanha a natureza das
imperfeições que se interpõe
sob tão néctar vista...
Hercília Fernandes, esta semana, no Poema Dia.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Coluna do Capssa - Tyniánov e Turguêniev: dois grandes entre os russos
A literatura russa do final do século XVIII e durante o século XIX é uma das mais belas do mundo, delicada, sensual, nos enebria com sua prosa delirante, numa mistura agridoce em que o amargo e o dócil fundem-se, e, em que, confusos, acreditamos estar levemente embriagados de vodka em uma dacha, completamente enamorados.
Não pretendo fazer desta coluna um ponto referencial de literatura, e sim de “dicas” de leitura para aqueles que apreciam a leitura, não simplesmente como fonte de informações, mas como algo que nos faz deixar levar por sonhos que, embora com vontade, nunca tivemos a coragem de viver.
Entre os inúmeros escritores russos podemos citar Puchkin, Tchekhov, Tolstoi, Dostoiévski, Gogol, Turguêniev e outros tantos que marcaram a literatura mundial.
Neste texto analisaremos, duas obras “menores” na dimensão física, mas imensas na sua abrangência e importância: “O Tenente Quetange”, de Iúri Nikoláievitch Tyniánov (95 páginas – Ed. Cosac & Naify) e “Assia” de Ivan Serguêievitch Turguêniev (119 páginas – Ed. Cosac & Naify).
Em O Tenente Quetange, temos uma narrativa curta em que, com maestria, o autor (1894 –1943) tece uma sátira à Rússia do final do século XVIII, em uma história sobre o reinado de Paulo I (1796 –1801). Tyniánov, num texto deliciosamente cômico, retrata a distração de um escrivão sonolento que acaba por “inventar” a existência de um tenente designado para o corpo da Guarda Imperial. Para que o Tenente Quetange existisse, era necessário que alguém “morresse”. O exército, então, “matou” o tenente Siniukháiev, um oficial sem importância, para dar lugar ao fruto de uma distração. O Tenente Quetange faleceu como General no mesmo ano em que foi sepultado o Imperador Paulo I. Com humor sarcástico, o autor debocha da burocracia e da autocracia de todas as Rússias.
Em Assia, surge a genialidade de Turguêniev (1818 – 1883) - considerado o terceiro russo, precedido por Tolstoi e Dostoiévski – contemporâneo e desafeto cordial dos dois maiores nomes da literatura russa do século XIX. Enquanto os dois primeiros soam como sinfonias majestosas, Turguêniev é, como um quarteto de cordas, lacônico e delicado. No texto, com sua narrativa distante, desapaixonado e levemente irônica, o autor traça um paralelo entre a fraqueza e a letargia do personagem – em franco contrataste com a energia, ação e decisão de Ássia (diminutivo de Ana) – com a força e a fraqueza dos tipos sociais capazes de encarnar o futuro revolucionário russo. Trata-se de uma história que, aparentemente, trata de um amor frustrado pelo preconceito e o medo dos sentimentos espontâneos. A beleza da prosa de Turguêniev levou, anos mais tarde, Anton Tchekhov a exclamar: “Que assombro de linguagem !”.
Luiz Carlos Capssa Lima
Não pretendo fazer desta coluna um ponto referencial de literatura, e sim de “dicas” de leitura para aqueles que apreciam a leitura, não simplesmente como fonte de informações, mas como algo que nos faz deixar levar por sonhos que, embora com vontade, nunca tivemos a coragem de viver.
Entre os inúmeros escritores russos podemos citar Puchkin, Tchekhov, Tolstoi, Dostoiévski, Gogol, Turguêniev e outros tantos que marcaram a literatura mundial.
Neste texto analisaremos, duas obras “menores” na dimensão física, mas imensas na sua abrangência e importância: “O Tenente Quetange”, de Iúri Nikoláievitch Tyniánov (95 páginas – Ed. Cosac & Naify) e “Assia” de Ivan Serguêievitch Turguêniev (119 páginas – Ed. Cosac & Naify).
Em O Tenente Quetange, temos uma narrativa curta em que, com maestria, o autor (1894 –1943) tece uma sátira à Rússia do final do século XVIII, em uma história sobre o reinado de Paulo I (1796 –1801). Tyniánov, num texto deliciosamente cômico, retrata a distração de um escrivão sonolento que acaba por “inventar” a existência de um tenente designado para o corpo da Guarda Imperial. Para que o Tenente Quetange existisse, era necessário que alguém “morresse”. O exército, então, “matou” o tenente Siniukháiev, um oficial sem importância, para dar lugar ao fruto de uma distração. O Tenente Quetange faleceu como General no mesmo ano em que foi sepultado o Imperador Paulo I. Com humor sarcástico, o autor debocha da burocracia e da autocracia de todas as Rússias.
Em Assia, surge a genialidade de Turguêniev (1818 – 1883) - considerado o terceiro russo, precedido por Tolstoi e Dostoiévski – contemporâneo e desafeto cordial dos dois maiores nomes da literatura russa do século XIX. Enquanto os dois primeiros soam como sinfonias majestosas, Turguêniev é, como um quarteto de cordas, lacônico e delicado. No texto, com sua narrativa distante, desapaixonado e levemente irônica, o autor traça um paralelo entre a fraqueza e a letargia do personagem – em franco contrataste com a energia, ação e decisão de Ássia (diminutivo de Ana) – com a força e a fraqueza dos tipos sociais capazes de encarnar o futuro revolucionário russo. Trata-se de uma história que, aparentemente, trata de um amor frustrado pelo preconceito e o medo dos sentimentos espontâneos. A beleza da prosa de Turguêniev levou, anos mais tarde, Anton Tchekhov a exclamar: “Que assombro de linguagem !”.
Luiz Carlos Capssa Lima
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Israel tenta apagar a memória da nakba
"O que os palestinos viveram em 1948 (ano da guerra e da criação do Estado de Israel) foi uma catástrofe do ponto de vista humano, social, político e nacional. Famílias foram destruídas e expulsas ou fugiram, casas foram destruídas, pessoas foram mortas. Aqueles que acham que, apagando a narrativa e impedindo o estudo da nakba, podem apagar a memória e a história nacional dos palestinos, estão muito enganados", disse hoje o deputado Ahmed Tibi, do partido árabe-israelense Raam-Taal.
A declaração foi uma reação à decisão do ministro da Educação de Israel, Gideon Saar, de excluir a narrativa palestina sobre o conflito entre israelenses e palestinos do currículo escolar. De acordo com as instruções do ministro, a explicação sobre a nakba (catástrofe), termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel, será retirada dos livros escolares.
O estudo da nakba foi introduzido nas escolas árabes de Israel em 2007, durante o governo de Ehud Olmert, pela ministra da Educação, Yuli Tamir, do Partido Trabalhista, segundo quem "os alunos árabes, que fazem parte do povo palestino, devem ter acesso às informações relevantes para a sua história".
A decisão do ministro da Educação ocorre 10 dias depois da decisão do ministro dos Transportes, Israel Katz de alterar a grafia dos nomes das cidades do país em todas as placas de trânsito. As placas, que eram escritas em três idiomas - hebraico, árabe e inglês - passarão a mostrar apenas os nomes hebraicos das cidades, escritos em caracteres hebraicos, árabes e latinos.
A declaração foi uma reação à decisão do ministro da Educação de Israel, Gideon Saar, de excluir a narrativa palestina sobre o conflito entre israelenses e palestinos do currículo escolar. De acordo com as instruções do ministro, a explicação sobre a nakba (catástrofe), termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel, será retirada dos livros escolares.
O estudo da nakba foi introduzido nas escolas árabes de Israel em 2007, durante o governo de Ehud Olmert, pela ministra da Educação, Yuli Tamir, do Partido Trabalhista, segundo quem "os alunos árabes, que fazem parte do povo palestino, devem ter acesso às informações relevantes para a sua história".
A decisão do ministro da Educação ocorre 10 dias depois da decisão do ministro dos Transportes, Israel Katz de alterar a grafia dos nomes das cidades do país em todas as placas de trânsito. As placas, que eram escritas em três idiomas - hebraico, árabe e inglês - passarão a mostrar apenas os nomes hebraicos das cidades, escritos em caracteres hebraicos, árabes e latinos.
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Sionismo não é judaísmo
Ontem publiquei um artigo sobre os pogroms patrocinados por sionistas na Cisjordânia e em Jerusalém. Fiz um paralelo entre a covardia perpetrada contra os judeus europeus no início do século passado e o que ocorre hoje no Oriente Médio. Recebi o seguinte comentário de um leitor anônimo.
“Pogrom só com 2 feridos???? Cade as mulheres estupradas??????/Cade os mortos??????//Cade os enforcados e jogados na fogueira??????Cade os arrastados pelos cavalos???Cade a política de estado por trás???Fala sério, pra pogrom ainda falta MUITO, ou voce pensa que sabe o que é pogrom. Além disso, voce é racista e sensacionalista, pois generalizar "sionistas" em geral, quando se trata de um grupo de malucos isolados... A sua mente não está cheia de sonhos. Está cheia de meldas. E na melda voce ficará, por mais que escrevinha. coitado”
Respondo. Desde a década de 40 o SIONISMO vem implantando o terror no Oriente Médio. No seu rastro, houve agressões, torturas, estupros, assassinatos, massacres, expropriações. Quem quiser os números desta covardia pode relembrar a história do Haganah, do Irgún, do grupo Stern, da política de limpeza étnica patrocinada pelos sionistas. Pode-se encontrar ali muitos atos de terrorismo no seu sentido estrito.
Agora, um detalhe... SIONISMO não pode ser confundido com judaísmo.
O sionismo é uma política que defende que Israel seja um Estado majoritariamente judeu, tendo na religião e na raça – e não no conceito de nação democrática – seus pilares. Dentro desta concepção, as fronteiras de Israel se estenderiam sobre diversos países árabes. É isso - entre outras barbaridades de teor racista - que defendem os sionistas. O judaísmo, por sua vez, é uma religião, que como todas as demais deve ser respeitada. O anti-semitismo, portanto, assim como qualquer outro preconceito de credo, raça e opção sexual deve, em minha modesta opinião, ser combatido sem trégua.
Ocorre que a confusão entre judaísmo e sionismo está no cerne dos debates evolvendo Israel. Alguns querem mesclar ambos os conceitos, de modo que qualquer crítica ao sionismo seja imediatamente identificada como racismo (assim, como o "anônimo" tentou fazer aqui) ou preconceito. Trata-se de uma estratégia baseada em uma falácia. Sionismo não é o mesmo que semitismo ou judaismo. Pode-se ser judeu sem ser sionista e isso é confirmado pelas diversas críticas feitas por judeus a este pensamento político que defende a segregação racial e religiosa e o expansionismo territorial.
Para informação do “anônimo” e outros sionistas de plantão, sugiro alguns artigos e textos:
- A “fúria virtuosa” de Israel e suas vítimas em Gaza
- As similaridades entre Sionismo e Nazismo
- Vitimização judaica
- Quem é Lieberman, Ministro das Relações Exteriores de Israel?
- É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância?
- A transformação autoritária de Israel
- Chomsky: Terrorismo de Estado ameaça a segurança de Israel
- O holocausto como propaganda
- Historiador de origem judaica faz crítica ao movimento sionista
“Pogrom só com 2 feridos???? Cade as mulheres estupradas??????/Cade os mortos??????//Cade os enforcados e jogados na fogueira??????Cade os arrastados pelos cavalos???Cade a política de estado por trás???Fala sério, pra pogrom ainda falta MUITO, ou voce pensa que sabe o que é pogrom. Além disso, voce é racista e sensacionalista, pois generalizar "sionistas" em geral, quando se trata de um grupo de malucos isolados... A sua mente não está cheia de sonhos. Está cheia de meldas. E na melda voce ficará, por mais que escrevinha. coitado”
Respondo. Desde a década de 40 o SIONISMO vem implantando o terror no Oriente Médio. No seu rastro, houve agressões, torturas, estupros, assassinatos, massacres, expropriações. Quem quiser os números desta covardia pode relembrar a história do Haganah, do Irgún, do grupo Stern, da política de limpeza étnica patrocinada pelos sionistas. Pode-se encontrar ali muitos atos de terrorismo no seu sentido estrito.
Agora, um detalhe... SIONISMO não pode ser confundido com judaísmo.
O sionismo é uma política que defende que Israel seja um Estado majoritariamente judeu, tendo na religião e na raça – e não no conceito de nação democrática – seus pilares. Dentro desta concepção, as fronteiras de Israel se estenderiam sobre diversos países árabes. É isso - entre outras barbaridades de teor racista - que defendem os sionistas. O judaísmo, por sua vez, é uma religião, que como todas as demais deve ser respeitada. O anti-semitismo, portanto, assim como qualquer outro preconceito de credo, raça e opção sexual deve, em minha modesta opinião, ser combatido sem trégua.
Ocorre que a confusão entre judaísmo e sionismo está no cerne dos debates evolvendo Israel. Alguns querem mesclar ambos os conceitos, de modo que qualquer crítica ao sionismo seja imediatamente identificada como racismo (assim, como o "anônimo" tentou fazer aqui) ou preconceito. Trata-se de uma estratégia baseada em uma falácia. Sionismo não é o mesmo que semitismo ou judaismo. Pode-se ser judeu sem ser sionista e isso é confirmado pelas diversas críticas feitas por judeus a este pensamento político que defende a segregação racial e religiosa e o expansionismo territorial.
Para informação do “anônimo” e outros sionistas de plantão, sugiro alguns artigos e textos:
- A “fúria virtuosa” de Israel e suas vítimas em Gaza
- As similaridades entre Sionismo e Nazismo
- Vitimização judaica
- Quem é Lieberman, Ministro das Relações Exteriores de Israel?
- É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância?
- A transformação autoritária de Israel
- Chomsky: Terrorismo de Estado ameaça a segurança de Israel
- O holocausto como propaganda
- Historiador de origem judaica faz crítica ao movimento sionista
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Jovens são vítimas da violência. Em MS também
Mais de 33,5 mil jovens de 12 a 18 anos deverão perder a vida por homicídio entre 2006 e 2012, caso os índices de violência no país não se alterem nos próximos anos. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), pesquisa realizada em conjunto pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e organização não governamental Observatório de Favelas, foi divulgado na terça-feira.
Em MS, os jovens também estão na mira da violência. Entre setembro e outubro do ano passado, este blog acompanhou as editorias de polícia de dois sites de notícia de Campo Grande. Das 105 pessoas que foram assassinadas ou sobreviveram a tentativas de homicídio em Mato Grosso do Sul no mês de outubro de 2009 (e cujas histórias chegaram aos jornalistas), 87 tiveram a sua idade informada nas reportagens checadas pela pesquisa. Destas, cerca de 66% apresentavam idade variando entre 10 e 29 anos. Cerca de 46% dos casos vitimaram pessoas com idade variando entre 20 e 29 anos e 20% das ocorrências (17) foram protagonizadas por jovens entre 10 e 19 anos de idade.
Estes percentuais chocantes apontam para um problema típico dos grandes centros no País, a falta de perspectivas dos jovens, que acaba levando-os a situações extremas que colocam em risco as suas vidas e as vidas de outras pessoas.
Este fato não é novidade e tem sido confirmado por diversos estudos e pesquisas de campo nos últimos 20 anos, como o Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil da Unesco, que analisou as causas da mortalidade juvenil na década de 1993/2002 no Brasil e concluiu que quase 30% destas mortes são causadas por armas de fogo.
Leia mais:
- Violência em MS aumentou em outubro
- A face da violência no Mato Grosso do Sul
Em MS, os jovens também estão na mira da violência. Entre setembro e outubro do ano passado, este blog acompanhou as editorias de polícia de dois sites de notícia de Campo Grande. Das 105 pessoas que foram assassinadas ou sobreviveram a tentativas de homicídio em Mato Grosso do Sul no mês de outubro de 2009 (e cujas histórias chegaram aos jornalistas), 87 tiveram a sua idade informada nas reportagens checadas pela pesquisa. Destas, cerca de 66% apresentavam idade variando entre 10 e 29 anos. Cerca de 46% dos casos vitimaram pessoas com idade variando entre 20 e 29 anos e 20% das ocorrências (17) foram protagonizadas por jovens entre 10 e 19 anos de idade.
Estes percentuais chocantes apontam para um problema típico dos grandes centros no País, a falta de perspectivas dos jovens, que acaba levando-os a situações extremas que colocam em risco as suas vidas e as vidas de outras pessoas.
Este fato não é novidade e tem sido confirmado por diversos estudos e pesquisas de campo nos últimos 20 anos, como o Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil da Unesco, que analisou as causas da mortalidade juvenil na década de 1993/2002 no Brasil e concluiu que quase 30% destas mortes são causadas por armas de fogo.
Leia mais:
- Violência em MS aumentou em outubro
- A face da violência no Mato Grosso do Sul
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Sionistas promovem pogroms na Cisjordânia
O termo pogrom desenvolveu-se na Europa a partir de atos de extrema violência contra judeus e outras minorias étnicas e difundiu-se internacionalmente após a onda de ataques que varreu o sul da Rússia entre 1881 e 1884, levando à emigração maciça dos judeus. Durante o período do nazismo na Alemanha e no leste europeu, assim como havia acontecido na Rússia Czarista, os pogroms continuaram sustentados por ressentimentos econômicos, sociais e políticos. Estupros, assassinatos, vandalismo e expropriações foram marcas desta prática odiosa, exacerbada pelo preconceito racial e religioso, do qual os judeus foram os principais alvos.
Seria de se esperar que os que sentiram na pele a injustiça e a violência se levantassem contra qualquer forma de pogrom moderno, alçando seu sofrimento como testemunho de que a barbárie do homem contra o homem não pode ser justificada, em especial levando em conta a fé e a raça. Ledo engano.
O ataque promovido entre segunda e terça-feira por cerca de 30 colonos sionistas contra propriedades palestinas e motoristas palestinos em Nablus foi apenas uma macabra mostra do que vem acontecendo na região. Judeus fundamentalistas, que consideram que o Velho Testamento é algo como uma escritura de propriedade sobre toda a região a que chamam Eretz Israel, têm promovido violência gratuita contra árabes-israelenses dentro do território de Israel, contra palestinos no território ocupado da Cisjordânia e até mesmo contra judeus que se opõem a ocupação.
No episódio, os vândalos - alguns deles montados em cavalos - incendiaram campos de cultivo e cerca de 1500 oliveiras (atitude que está se tornando comum por parte do governo israelense) nas vilas de Burin e Asira al-Kabaliya, na área de Yitzhar, além de apedrejaram carros de palestinos. Eles protestavam contra a remoção de um posto ilegal de um assentamento judaico situado nos arredores. Pelo menos dois palestinos ficaram feridos e um jornalista que cobria as agressões foi espancado pelos fanáticos.
“Colonos linha-dura geralmente atacam propriedades palestinas como retaliação por seus assentamentos demolidos e evacuados, uma tática que eles chamam de ‘etiqueta de preço’ (price tag).”, informa a reportagem do Estadão. Vale lembrar que os “colonos linha-dura” são, na verdade, fundamentalistas que fazem diferenciação entre seres humanos. Para eles, os palestinos (e qualquer um que os contrarie) estão em uma categoria inferior. Vale lembrar também que os assentamentos demolidos ou evacuados são considerados ilegais até mesmo para o Governo de Israel.
Ponta do iceberg
Este não foi um incidente isolado. O radicalismo religioso e o sionismo têm promovido nos últimos anos posturas de extrema agressividade. Em setembro passado, Zeev Sternhell, professor da Universidade Judaica, sentiu na pele os resultados deste pogrom às avessas quando uma bomba caseira explodiu de fronte a sua casa, em Jerusalém, ferindo-o levemente.
Sternhell é conhecido por suas críticas veementes aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. As autoridades encontraram folhetos nas proximidades da casa nos quais eram oferecidos US$ 300 mil a quem matasse um integrante do Peace Now, grupo israelense que condena a ocupação dos territórios palestinos.
As ações dos sionistas parecem estar se adensando nos últimos meses. Em março, um grupo de colonos extremistas atacou dezenas de casas e lojas palestinas em Jerusalém Leste. Os colonos marcharam pela cidade gritando palavras de ordem contra árabes e palestinos, pedindo sua expulsão da Cidade Santa. No dia 2 de junho, a ação da polícia israelense contra um pequeno assentamento ilegal localizado próximo à cidade palestina de Nablus e do assentamento de Elon Moreh, um dos primeiros fundados na Cisjordânia, causou reação imediata. Veículos com placas da Palestina foram apedrejados, estradas de acesso a Jerusalém e Tel Aviv foram bloqueadas com pneus queimados e campos de cultivo palestinos foram incendiados. Ao menos seis pessoas ficaram feridas, uma delas gravemente.
Uma simples busca no google revela a banalização destes ataques que, na maioria das vezes, é acompanhada de longe pela polícia e pelo exército de Israel.
O fascismo religioso
Gabriel Paciornik, blogueiro e estudante de desenho industrial que vive em Israel há 12 anos, explica quem são os radicais de direita que patrocinam a violência contra os palestinos e os ativistas que lutam pela paz entre os dois povos.
“Existem vários tipos de radicais de direita. Na base da pirâmide estão os colonos radicais. São os que sustentam com ações toda a gama de pensamento teórico e teológico a respeito da relação com os palestinos, povos árabes e a terra. Eles se baseiam em duas importantes mentalidades. A primeira é a do ‘Halutz’, ou pioneirismo dos velhos tempos de Ben-Gurion. É uma forma de nostalgia num mundo já tão menos radical e romântico do que naquela época. A outra é de base teológica: esta terra pertence aos judeus. Por motivos religiosos, históricos e, por que não? Por usucapião (seguindo o chavão ‘quando aqui chegamos não havia nada, vocês não cuidaram dessa terra, nós viemos e fizemos milagres’). Consideram qualquer um que não pense desta maneira como traidores e anti-sionistas. Acreditam num estilo de vida preso à terra e são a grande maioria, se não todos, profundamente religiosos e místicos. Servem exército e são normalmente os mais disciplinados soldados.”
Para Paciornik, os mais perigosos representantes da direita israelense são as lideranças politico-religiosas dos colonos. “São, a maioria deles, adeptos da expulsão dos palestinos de tudo que foi um dia historicamente pertencente a Israel. Isso inclui parte da Jordânia, Egito, Síria e Líbano. Para eles não existe política internacional, acordos e o inimigo é qualquer um e qualquer coisa que se oponha a sua ideologia. E, recentemente, incluem aqui outros judeus também (a quem chamam não de inimigos, mas de traidores, o que, pela Torá, é tão ruim ou pior que um inimigo). Não escondem esses objetivos e recentemente não escondem tampouco seus métodos.”.
No artigo “O fascismo? Pode, sim, acontecer em Israel” (aqui em inglês), o jornalista israelense Uri Avnery aponta o destino a que os israelenses, subjugados pelos radicais sionistas, estarão sujeitos.
“No plano das idéias, há duas visões em confronto, em Israel, dois modos de ver, tão distantes um do outro quanto o Oriente é distante do Ocidente. Por um lado, há uma Israel culta, moderna, secular, liberal e democrática, que vive em paz e em parceria com a Palestina, vendo-a como parte integrante e integral da Região. Por outro lado, há uma Israel fanática, religiosa, fascista, que se auto-exclui, tanto quanto se auto-exclui da humanidade civilizada, gente que ‘duela sozinha e não será reconhecida entre as nações’ (Números, 23:9), onde a ‘espada devorará para sempre’ (2, Samuel 2:26)."
Diz Avnery: “Durante os últimos meses, aumentou muitíssimo o número de incidentes nos quais colonos atacam soldados, policiais e ‘esquerdistas’ palestinos. São atos cometidos abertamente, para aterrorizar e intimidar. Colonos vandalizam as vilas palestinas cujas terras cobiçam ou invadem; ou agem por vingança. São pogroms no sentido clássico da palavra: atos de vandalismo, executados por grupos armados, intoxicados de ódio contra população civil desarmada; e o exército e a polícia apenas observam. Os Pogromchiks destroem, ferem e matam.”.
Tudo isso ocorre sem que o Estado tome atitudes concretas. Sob o nazismo, os agentes da lei na República de Weimar passavam a mão na cabeça de criminosos nazistas a quem classificavam como “patriotas equivocados”. Em Israel o mesmo fenômeno ocorre hoje.
Seria de se esperar que os que sentiram na pele a injustiça e a violência se levantassem contra qualquer forma de pogrom moderno, alçando seu sofrimento como testemunho de que a barbárie do homem contra o homem não pode ser justificada, em especial levando em conta a fé e a raça. Ledo engano.
O ataque promovido entre segunda e terça-feira por cerca de 30 colonos sionistas contra propriedades palestinas e motoristas palestinos em Nablus foi apenas uma macabra mostra do que vem acontecendo na região. Judeus fundamentalistas, que consideram que o Velho Testamento é algo como uma escritura de propriedade sobre toda a região a que chamam Eretz Israel, têm promovido violência gratuita contra árabes-israelenses dentro do território de Israel, contra palestinos no território ocupado da Cisjordânia e até mesmo contra judeus que se opõem a ocupação.
No episódio, os vândalos - alguns deles montados em cavalos - incendiaram campos de cultivo e cerca de 1500 oliveiras (atitude que está se tornando comum por parte do governo israelense) nas vilas de Burin e Asira al-Kabaliya, na área de Yitzhar, além de apedrejaram carros de palestinos. Eles protestavam contra a remoção de um posto ilegal de um assentamento judaico situado nos arredores. Pelo menos dois palestinos ficaram feridos e um jornalista que cobria as agressões foi espancado pelos fanáticos.
“Colonos linha-dura geralmente atacam propriedades palestinas como retaliação por seus assentamentos demolidos e evacuados, uma tática que eles chamam de ‘etiqueta de preço’ (price tag).”, informa a reportagem do Estadão. Vale lembrar que os “colonos linha-dura” são, na verdade, fundamentalistas que fazem diferenciação entre seres humanos. Para eles, os palestinos (e qualquer um que os contrarie) estão em uma categoria inferior. Vale lembrar também que os assentamentos demolidos ou evacuados são considerados ilegais até mesmo para o Governo de Israel.
Ponta do iceberg
Este não foi um incidente isolado. O radicalismo religioso e o sionismo têm promovido nos últimos anos posturas de extrema agressividade. Em setembro passado, Zeev Sternhell, professor da Universidade Judaica, sentiu na pele os resultados deste pogrom às avessas quando uma bomba caseira explodiu de fronte a sua casa, em Jerusalém, ferindo-o levemente.
Sternhell é conhecido por suas críticas veementes aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. As autoridades encontraram folhetos nas proximidades da casa nos quais eram oferecidos US$ 300 mil a quem matasse um integrante do Peace Now, grupo israelense que condena a ocupação dos territórios palestinos.
As ações dos sionistas parecem estar se adensando nos últimos meses. Em março, um grupo de colonos extremistas atacou dezenas de casas e lojas palestinas em Jerusalém Leste. Os colonos marcharam pela cidade gritando palavras de ordem contra árabes e palestinos, pedindo sua expulsão da Cidade Santa. No dia 2 de junho, a ação da polícia israelense contra um pequeno assentamento ilegal localizado próximo à cidade palestina de Nablus e do assentamento de Elon Moreh, um dos primeiros fundados na Cisjordânia, causou reação imediata. Veículos com placas da Palestina foram apedrejados, estradas de acesso a Jerusalém e Tel Aviv foram bloqueadas com pneus queimados e campos de cultivo palestinos foram incendiados. Ao menos seis pessoas ficaram feridas, uma delas gravemente.
Uma simples busca no google revela a banalização destes ataques que, na maioria das vezes, é acompanhada de longe pela polícia e pelo exército de Israel.
O fascismo religioso
Gabriel Paciornik, blogueiro e estudante de desenho industrial que vive em Israel há 12 anos, explica quem são os radicais de direita que patrocinam a violência contra os palestinos e os ativistas que lutam pela paz entre os dois povos.
“Existem vários tipos de radicais de direita. Na base da pirâmide estão os colonos radicais. São os que sustentam com ações toda a gama de pensamento teórico e teológico a respeito da relação com os palestinos, povos árabes e a terra. Eles se baseiam em duas importantes mentalidades. A primeira é a do ‘Halutz’, ou pioneirismo dos velhos tempos de Ben-Gurion. É uma forma de nostalgia num mundo já tão menos radical e romântico do que naquela época. A outra é de base teológica: esta terra pertence aos judeus. Por motivos religiosos, históricos e, por que não? Por usucapião (seguindo o chavão ‘quando aqui chegamos não havia nada, vocês não cuidaram dessa terra, nós viemos e fizemos milagres’). Consideram qualquer um que não pense desta maneira como traidores e anti-sionistas. Acreditam num estilo de vida preso à terra e são a grande maioria, se não todos, profundamente religiosos e místicos. Servem exército e são normalmente os mais disciplinados soldados.”
Para Paciornik, os mais perigosos representantes da direita israelense são as lideranças politico-religiosas dos colonos. “São, a maioria deles, adeptos da expulsão dos palestinos de tudo que foi um dia historicamente pertencente a Israel. Isso inclui parte da Jordânia, Egito, Síria e Líbano. Para eles não existe política internacional, acordos e o inimigo é qualquer um e qualquer coisa que se oponha a sua ideologia. E, recentemente, incluem aqui outros judeus também (a quem chamam não de inimigos, mas de traidores, o que, pela Torá, é tão ruim ou pior que um inimigo). Não escondem esses objetivos e recentemente não escondem tampouco seus métodos.”.
No artigo “O fascismo? Pode, sim, acontecer em Israel” (aqui em inglês), o jornalista israelense Uri Avnery aponta o destino a que os israelenses, subjugados pelos radicais sionistas, estarão sujeitos.
“No plano das idéias, há duas visões em confronto, em Israel, dois modos de ver, tão distantes um do outro quanto o Oriente é distante do Ocidente. Por um lado, há uma Israel culta, moderna, secular, liberal e democrática, que vive em paz e em parceria com a Palestina, vendo-a como parte integrante e integral da Região. Por outro lado, há uma Israel fanática, religiosa, fascista, que se auto-exclui, tanto quanto se auto-exclui da humanidade civilizada, gente que ‘duela sozinha e não será reconhecida entre as nações’ (Números, 23:9), onde a ‘espada devorará para sempre’ (2, Samuel 2:26)."
Diz Avnery: “Durante os últimos meses, aumentou muitíssimo o número de incidentes nos quais colonos atacam soldados, policiais e ‘esquerdistas’ palestinos. São atos cometidos abertamente, para aterrorizar e intimidar. Colonos vandalizam as vilas palestinas cujas terras cobiçam ou invadem; ou agem por vingança. São pogroms no sentido clássico da palavra: atos de vandalismo, executados por grupos armados, intoxicados de ódio contra população civil desarmada; e o exército e a polícia apenas observam. Os Pogromchiks destroem, ferem e matam.”.
Tudo isso ocorre sem que o Estado tome atitudes concretas. Sob o nazismo, os agentes da lei na República de Weimar passavam a mão na cabeça de criminosos nazistas a quem classificavam como “patriotas equivocados”. Em Israel o mesmo fenômeno ocorre hoje.
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Frases
“Fim da história, não. Fim do besteirol, talvez. Fim da ingenuidade que imaginava a salvação do Brasil pelo Lula, pelo PT e pela esquerda, certamente. Quem tem de nos salvar de nossos problemas somos nós.”
Do o antropólogo e professor Roberto DaMatta, respondendo, em entrevista à Luciano Trigo, a seguinte pergunta: "Considera que é possível um renascimento das ideologias de esquerda e direita? Ou, ao contrário, estamos mesmo vivendo o que se chamou de 'fim da História'?"
Do o antropólogo e professor Roberto DaMatta, respondendo, em entrevista à Luciano Trigo, a seguinte pergunta: "Considera que é possível um renascimento das ideologias de esquerda e direita? Ou, ao contrário, estamos mesmo vivendo o que se chamou de 'fim da História'?"
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Solcat desrespeita mulher brasileira, mais uma vez
Mais uma vez a Editora Solcat Ltda colabora para reproduzir no exterior uma imagem estereotipada da mulher brasileira, desta vez com a ajuda da justiça. A Justiça Federal negou pedido da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) para tirar de circulação a revista Rio For Partiers (Rio para festeiros). O “guia turístico” se refere às brasileiras como "máquinas de sexo" e "popozudas" e classifica os bailes de carnaval como "atividades de semi-orgia".
A publicação diz ainda que as brasileiras podem ser classificadas em quatro tipos: "Britney Spears", "Popozuda", "Hippie/Raver" e "Balzac". As primeiras seriam as "filhinhas de papai", avessas a cantadas. As segundas, as "máquinas de sexo", com as quais, de acordo com a revista, "ir ao motel é sempre uma boa possibilidade". As "Hippies/Ravers" são definidas como garotas "difíceis de beijar", mas "fáceis de ir para a balada", enquanto as "Balzac" como as que, tratadas "como uma dama", retribuirá o companheiro tratando-o "como um rei, talvez não hoje à noite, mas amanhã com certeza".
A Embratur afirmou no pedido que a publicação usou de má fé o símbolo Marca Brasil, de promoção do turismo, e disse que o guia promove a exploração do turismo sexual, ao classificar as mulheres, além de violar a Política Nacional de Turismo. O juiz José Luis Castro Rodriguez, no entanto, negou o pedido, afirmando ainda que classificar as mulheres não afronta os "princípios norteadores da Política Nacional de Turismo ou violação à dignidade da pessoa humana" e não promove o turismo sexual.
Talvez o nobre juiz mude de idéia no dia que sua mãe, esposa ou filha for abordada por um turista com os adjetivos sugeridos pela Solcat.
Esta não é a primeira vez que a Solcat reduz a mulher brasileira a uma caricatura sexualizada. Já havia feito o mesmo em janeiro, em uma edição na qual recomenda que o turista não “tente pegar sua brasileira na praia", principalmente no fim de semana, além de aconselhá-lo a não tentar a abordagem na rua: “Tente derretê-la com uma aproximação suave. Tente começar a beijar o mais rápido possível”. Outra recomendação: o turista não deve insistir para ir a casa dela, e sim sugerir um passeio por onde estão os melhores motéis.
A Solcat segue uma tradição pouco honrosa da indústria do turismo brasileira que ainda responde pelas estratégias equivocadas das décadas de 70 e 80, quando o material oficial do turismo brasileiro – cartazes, folders, filmes publicitários e até a participação em congressos mundiais – passou a explorar a imagem da mulher, sempre em trajes sumários, expondo sua sensualidade inerente como um produto a ser consumido.
Falei a fundo sobre este tema no artigo “Toda brasileira é bunda?”.
Leiamais:
- Editora Solcat desrespeita mulheres brasileiras
- Toda brasileira é bunda?
A publicação diz ainda que as brasileiras podem ser classificadas em quatro tipos: "Britney Spears", "Popozuda", "Hippie/Raver" e "Balzac". As primeiras seriam as "filhinhas de papai", avessas a cantadas. As segundas, as "máquinas de sexo", com as quais, de acordo com a revista, "ir ao motel é sempre uma boa possibilidade". As "Hippies/Ravers" são definidas como garotas "difíceis de beijar", mas "fáceis de ir para a balada", enquanto as "Balzac" como as que, tratadas "como uma dama", retribuirá o companheiro tratando-o "como um rei, talvez não hoje à noite, mas amanhã com certeza".
A Embratur afirmou no pedido que a publicação usou de má fé o símbolo Marca Brasil, de promoção do turismo, e disse que o guia promove a exploração do turismo sexual, ao classificar as mulheres, além de violar a Política Nacional de Turismo. O juiz José Luis Castro Rodriguez, no entanto, negou o pedido, afirmando ainda que classificar as mulheres não afronta os "princípios norteadores da Política Nacional de Turismo ou violação à dignidade da pessoa humana" e não promove o turismo sexual.
Talvez o nobre juiz mude de idéia no dia que sua mãe, esposa ou filha for abordada por um turista com os adjetivos sugeridos pela Solcat.
Esta não é a primeira vez que a Solcat reduz a mulher brasileira a uma caricatura sexualizada. Já havia feito o mesmo em janeiro, em uma edição na qual recomenda que o turista não “tente pegar sua brasileira na praia", principalmente no fim de semana, além de aconselhá-lo a não tentar a abordagem na rua: “Tente derretê-la com uma aproximação suave. Tente começar a beijar o mais rápido possível”. Outra recomendação: o turista não deve insistir para ir a casa dela, e sim sugerir um passeio por onde estão os melhores motéis.
A Solcat segue uma tradição pouco honrosa da indústria do turismo brasileira que ainda responde pelas estratégias equivocadas das décadas de 70 e 80, quando o material oficial do turismo brasileiro – cartazes, folders, filmes publicitários e até a participação em congressos mundiais – passou a explorar a imagem da mulher, sempre em trajes sumários, expondo sua sensualidade inerente como um produto a ser consumido.
Falei a fundo sobre este tema no artigo “Toda brasileira é bunda?”.
Leiamais:
- Editora Solcat desrespeita mulheres brasileiras
- Toda brasileira é bunda?
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Racista convicto, Lierberman inicia hoje visita ao Brasil
Chega ao Brasil nesta terça-feira (21) o chanceler de Israel Avigdor Lieberman. Representante do que há de mais retrógrado no atual prisma político israelense, ele prega um Israel apenas para judeus, expatriação de árabes-israelenses, juras de fidelidade ao “Estado Judeu” entre outras barbaridades baseadas na intolerância racial e religiosa.Em março de 2008, um relatório da ONG israelense Mossawa já o apontava como um dos ícones do racismo judeu. No documento, onde eram citados ministros e parlamentares que "baseiam sua força em posições de ódio e incitam ao racismo", o nome que mais aparece é o do chanceler israelense.
E o que defende o ministro das Relações Exteriores de Israel?
Em suas próprias palavras: "Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno", afirmou.
Para Lieberman, Israel deve "trocar" as aldeias árabes israelenses pelos assentamentos nos territórios ocupados, ou seja, as aldeias árabes passariam a fazer parte de um estado palestino e os assentamentos seriam anexados a Israel. Importante dizer que os árabes israelenses a que se refere o ministro são cidadãos israelenses, da mesma forma que eram cidadãos alemães os judeus expulsos de suas casas por Hitler e enviados para o exílio forçado e para os campos da morte.
O jornalista Paulo Moreira Leite, no artigo “Ministro israelense tem ideias que lembram nazismo”, fez, recentemente, uma brilhante relação entre o que está ocorrendo em Israel e um passado tenebroso. “Em 1935, dois anos depois da ascensão de Hitler ao poder, foram aprovadas as primeiras leis de Nuremberg. Elas não criaram campos de concentração nem câmaras de gás, mas dividiam a população alemã em duas categorias. A dos cidadãos de ‘puro sangue alemão’, que tinham todos os seus direitos assegurados. Os outros, que não tinha a mesma origem, eram considerados ‘súditos do Estado’.”. Qualquer semelhança com as políticas de "purificação relisiosa" do estado de Israel não são mera coincidência.
Líder dos racistas xenófobos do partido ultranacionalista Yisrael Beiteinu, Lieberman advoga abertamente o banimento dos árabes-israelenses de Israel. O partido declara em sua plataforma a intenção de fazer de Israel um Estado puramente judeu e, ao mesmo tempo, “aumentar a Presença Judia em Yehuda, Shomron, (Cijordânia em outras palavras), Golan (Colinas de Golas, território sírio ocupado) e Jerusalém Leste, assim como trabalhar para a separação entre Gaza e Cisjordânia".
Ele é conhecido por suas constantes incitações racistas contra palestinos com ou sem nacionalidade israelense. Em uma recente coletiva de imprensa organizada pelo seu partido em Haifa, ele impediu a participação de jornalistas árabes. Como o jornal israelense Haaretz noticiou em 6 de fevereiro, ao visitar escolas no norte de Israel, Lieberman foi saudado com gritos de “morte aos árabes” e propostas de “revocar a nacionalidade israelense dos árabes”. O Haaretz revelou também que Lieberman foi seguidor do movimento Kahane Kach, de extrema-direita, banido em 1988.
O chanceler israelense não está sozinho nesta sanha fascista. Yehiel Hazan, do partido Likud, referiu-se aos árabes como "vermes". O atual ministro da Habitação e Construção, Zeev Boim, do partido Kadima, disse que o "terrorismo islâmico poderia ter razões genéticas". O deputado do partido de direita Ihud Leumi, Efi Eitam, defendeu a expulsão dos palestinos da Cisjordânia e a exclusão dos cidadãos árabes israelenses da política do país. "Eles (os cidadãos árabes) são uma quinta coluna, traidores, não podemos permitir a permanência dessa presença hostil nas instituições de Israel", declarou. O rabino Dov Lior, líder dos assentamentos ilegais de Hebron e Kiriat Arba, proibiu seus seguidores de alugar casas a árabes ou de empregar funcionários árabes.
É este o pano de fundo ideológico de Avigdor Lieberman, que em sua passagem pelo Brasil deve ser recebido pelo presidente Lula e pelo chanceler Celso Amorim.
Ele é melhor que Ahmadinejad?
Em maio, quando o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ensaiava sua vinda ao Brasil, setores da mídia e da sociedade civil fizeram um tremendo burburinho. O Brasil deveria repudiar a vinda do facínora, do anti-semita, do persa louco, do “anão de jardim”. Afinal, ele era um racista convicto, um defensor da “destruição de Israel”. O professor e blogueiro Idelber Avelar fez em seu blog um belo resumo desta ópera bufa, no artigo “A histeria da direita com a visita de Ahmadinejad”.
Certo... Ahmadinejad não é exemplo a ser seguido por ninguém. No entanto, quem é Avigdor Lieberman para acusar quem quer que seja de racista? Ele, que em seu currículo ostenta a segregação racial em Israel como bandeira, entre outras ignomínias.
Leia mais:
- Quem é Avigdor Lieberman, Ministro
- Quem vaia Ahmadinejad aplaudiria Lieberman?
- O roto e o maltrapilho
- Israel volta a negar compromisso com criação de Estado palestino
- As similaridades entre Sionismo e Nazismo
- É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância?
- A transformação autoritária de Israel
- Somos obrigados a aceitar o catolicismo como religião oficial?
- Chomsky: Terrorismo de Estado ameaça a segurança de Israel
- Sob a sombra do fascismo
- Racistas podem comandar o governo em Israel
- Israelenses mantém o caminho da direita
- O que ocorre em Gaza é genocídio?
- Terrorismo de Estado
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Fotojornalismo
O chanceler israelense Avigdor Lieberman inicia hoje sua visita ao Brasil. Defensor de um estado "puramente Judeu", ele representa o que há de mais lamentável e retógrado no prisma político israelense: a idéia de que o país deve "se livrar" de seus cidadãos árabes.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
A “fúria virtuosa” de Israel e suas vítimas em Gaza
Por Ilan Pappe (Site oficial http://ilanpappe.com/)
Tradução de Vinicius Valentin Raduan Miguel
Nota do tradutor
O presente texto foi originalmente publicado em inglês como editorial do site Electronic Intifada (http://electronicintifada.net) no dia 2 de janeiro de 2009. Ilan Pappé nasceu em 1954, Haifa, Israel. É filho de judeu-alemães que escaparam da perseguição nazista nos anos 1930 e é um dos mais renomados especialistas do conflito Israelo-Palestino tendo publicado 9 livros, sido co-autor em outros 3 e escrito centenas de artigos para jornais acadêmicos.
O mais famoso de seus livros, A Limpeza Étnica da Palestina (The Ethnic Cleansing of Palestine. Oneworld Publications, 2006; sem tradução para o português) denuncia que a guerra de 1948 foi uma sistemática e elaborada estratégia para expulsão dos palestinos, destruição das áreas construídas, objetivando a eliminação de não-judeus para a criação de Israel - um Estado para um só grupo étnico-religioso e/ou cultural-lingüístico. Um processo racista e colonial, eliminando a população tradicional para a instalação de grupos estrangeiros.
Em 1999, foi candidato ao parlamento israelense em uma aliança entre os partidos comunistas Maki e Hadash e apóia a criação de um só Estado não-étnico/confessional como solução do conflito. Em 2007, depois de dar aulas de Ciência Política por 23 anos, foi obrigado a pedir demissão da Universidade de Haifa por apoiar publicamente o boicote acadêmico contra Israel em razão de suas políticas opressivas e discriminatórias.
Este texto é uma tentativa de preencher o vazio editorial sobre o Oriente Médio na língua portuguesa e, desta forma combater a injustiça que é o apagamento e marginalização desta tragédia em curso contra o povo palestino.
16.07.2009
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Minha visita à minha casa, na Galiléia (Israel) coincidiu com o genocida ataque israelense contra Gaza. O Estado de Israel, através de sua imprensa e com a ajuda de suas universidades, transmitiu uma voz unânime – desta vez, ainda mais alta que aquela ouvida durante o ataque criminoso contra o Líbano, no verão de 2006. Israel é mais uma vez engolido por sua “virtuosa fúria” que se traduz nas políticas destrutivas contra a Faixa de Gaza. Esta terrível auto-justificação para práticas desumanas e sua impunidade, não é apenas irritante; é um assunto que devemos explicar melhor para entendermos a imunidade internacional para com o furioso massacre que arrasa Gaza.
É baseado, antes e acima de tudo, em mentiras absolutas transmitidas em uma ambígua linguagem remanescente dos negros dias da década de 1930 na Europa. A cada meia hora os noticiários no rádio e na televisão descrevem as vítimas de Gaza como “terroristas” e o assassinato em massa promovido por Israel é chamado de “ato de legítima defesa”. Israel apresenta a si mesmo para seu povo como uma virtuosa vítima que se defende contra um terrível mal. Acadêmicos do mundo inteiro são recrutados para explicar como a luta palestina, quando liderada pelo Hamas, é demoníaca e monstruosa. Estes mesmos acadêmicos que demonizaram o líder palestino Yasser Arafat em tempos precedentes e atacavam a legitimidade do Fatah durante a segunda intifada palestina.
Mas as mentiras e representações distorcidas não são a pior parte disso. O pior e ainda mais revoltante é o direto ataque contra os últimos vestígios de humanidade e dignidade do povo palestino. Os palestinos em Israel que demonstraram sua solidariedade com o povo de Gaza e agora são rotulados de quinta coluna no Estado Judeu; o direito destes em sua terra natal é transmitido como duvidoso em decorrência da falta de seu apoio à agressão israelense. Aqueles entre eles que concordam – erradamente em minha opinião – em aparecer na mídia local são interrogados ao invés de entrevistados, como se fossem prisioneiros nas prisões do Shin Bet, o serviço secreto israelense. Sua aparição é antes antecedida e seguida por humilhantes comentários racistas e eles enfrentam acusações de ser uma quinta coluna, irracionais e fanáticos. E isto não é tudo. Existem poucas crianças palestinas dos territórios ocupados tratadas de câncer em hospitais israelenses, por exemplo. E só Deus sabe o preço que essas famílias pagaram para serem admitidas aqui! E a rádio de Israel vai diariamente ao hospital para exigir que os pobres pais dessas crianças declarem para a audiência israelense o quão correto e justo é o ataque de Israel e o quão terrível é o Hamas, embora se defendendo.
Não há limites para a hipocrisia produzida pela virtuosa fúria. O discurso de generais e políticos transcorre entre erráticos auto-elogios à humanidade do exército israelense e seus ataques “cirúrgicos” e, ao mesmo tempo, para a necessidade de destruir Gaza de uma vez por todas, de uma maneira “humana” é claro.
A virtuosa fúria é um fenômeno constante na antiga sionista e hoje israelense prática de expulsão da Palestina. Todo ato, seja limpeza étnica, ocupação, massacre ou destruição sempre foi apresentado como moralmente justo e puramente um ato de legítima defesa relutante perpetrada por Israel em uma guerra contra o pior tipo de seres humanos.
No excelente volume The Returns of Zionism: Myths, Politics and Scholarship in Israel (O retorno do sionismo: mitos, política e academia, 2008), Gabi Piterberg explora as origens ideológicas e a progressão histórica desta fúria virtuosa. Hoje, em Israel, da esquerda à direita, do Likud ao Kadima, da academia à imprensa, todos podem ouvir a fúria virtuosa do Estado mais engajado em destruir e expulsar a população tradicional do que qualquer outra nação neste mundo.
É crucial explorar as origens ideológicas desta atitude e obter as necessárias conclusões políticas da sua persistência. A fúria virtuosa protege a sociedade e políticos israelenses de qualquer censura ou criticismo externo. Ainda pior é que isto é sempre traduzido em destrutivas políticas contra os palestinos. Sem mecanismos internos de crítica e sem pressão exterior, cada palestino se torna um potencial alvo desta fúria israelense. Dado o poder de fogo do Estado Judeu, é inevitável que isto só possa causar ainda mais assassinatos em massa, massacres e limpeza étnica.
A exaltação da própria moralidade é um poderoso recurso de autonegação e justificação. Isto explica as razoes da sociedade judaico-israelense não se mover por palavras de sabedoria, lógica, persuasão ou diálogo diplomático. E se alguém não quer endossar esta violência de tal modo a se opor à ela, há apenas uma solução: desafiar abertamente esta ideologia maligna da virtuosidade israelense objetivando acobertar atrocidades. Outro nome para esta ideologia é sionismo e, uma condenação internacional ao sionismo e não apenas à políticas particulares de Israel, é a única maneira de enfrentar esta fúria virtuosa. Nós temos tentado explicar não apenas para o mundo, mas também para os próprios israelenses que o sionismo é uma ideologia que apóia a limpeza étnica, ocupação e agora, enormes carnificinas. O que é preciso agora é não apenas uma condenação do presente massacre, mas também tirar a legitimidade da ideologia que produziu estas práticas e que as justifica moralmente e politicamente. Vamos manter a esperança de que vozes significativas no mundo irão dizer ao Estado Judeu que esta ideologia e sua conduta geral é intolerável e inaceitável e enquanto persistir, Israel será alvo de boicotes e sujeito à sanções.
E mais, nós não podemos permitir que 2009 se torne um ano menos significante que 2008, o ano comemorativo da Nakba, que não preencheu nossas grandes esperanças de uma transformação dramática na atitude do Ocidente em relação à Palestina e palestinos.
Aparentemente, mesmo o mais horrendo dos crimes, como o genocídio em Gaza, é tratado como um evento discreto, desconectado de tudo que aconteceu no passado e não associado a uma ideologia ou sistêmico processo. Neste novo ano, temos que tentar realinhar a opinião pública à história da Palestina e os males da ideologia sionista como o melhor método para explicar as operações de genocídio (como as que ocorreram em Gaza) e como uma forma de impedir que coisas ainda piores ocorram.
Academicamente, isto já foi feito. Os maiores desafios são como encontrar formas eficientes de explicar a conexão entre a ideologia sionista e as políticas de destruição do passado para assim, explicar a presente crise. Pode ser que seja mais fácil fazê-lo durante as mais terríveis circunstancias, quando a atenção mundial se volta para a Palestina mais uma vez. Talvez seja mais difícil em momentos em que a situação aparenta “calma” e menos dramática. Em momentos de “tranqüilidade”, a pouca atenção da mídia ocidental dedicada só serve para marginalizar ainda mais a tragédia palestina e desprezá-la em parte por causa dos horríveis genocídios na áfrica, crise econômica ou apocalípticos cenários para o meio ambiente. Apesar de a mídia ocidental não estar interessada em nenhuma leitura do passado, é apenas através de avaliação histórica da magnitude dos crimes cometidos contra o povo palestino ao longo dos últimos 60 anos que é possível entender a questão palestina. Deste modo, é papel da academia militante e imprensa alternativa em insistir no contexto histórico.
Estes agentes não deveriam ignorar a importância de educar a opinião pública e influenciar atores políticos conscientes a encararem eventos em uma ampla perspectiva histórica.
Similarmente, nós devemos achar uma forma popular – distinta dos templos acadêmicos – de explicar claramente que as políticas israelenses nos últimos 60 anos partem de uma ideologia hegemônica racista chamada sionismo, ideologia esta que se acoberta sob intermináveis camadas de fúria pretensamente justa. Apesar da previsível acusação de anti-semitismo e argumentos do tipo “o que você fez”, já é tempo de associar à mentalidade pública que a ideologia sionista está vinculada a importantes marcos históricos: a limpeza étnica de 1948, a opressão dos palestinos em Israel durante os dias de governança militar, a brutal ocupação da Cisjordânia e, agora, o massacre de Gaza. Muito da ideologia da apartheid pôde explicar as opressivas práticas do governo sul-africano. Esta ideologia (da apartheid) em uma forma mais consensual e simplista variedade permitiu que os governos israelenses do passado e do presente desumanizassem os palestinos não importando onde eles estivessem e então, tentar todos os esforços necessários para destruí-los. Os métodos empregados se alteraram de período em período, de local em local, como se alteraram as narrativas para acobertarem estas atrocidades. Mas há um claro padrão, este padrão não pode ficar restrito ao mundo acadêmico, mas deve se tornar parte do discurso político na realidade contemporânea sobre a Palestina hoje.
Alguns de nós, principalmente aqueles comprometidos com a justiça e paz na Palestina, inconscientemente evadem do debate histórico – e isto é compreensível – e se concentram nos territórios ocupados (Cisjordânia e Gaza). Lutar contra políticas criminosas é uma missão urgente. Mas isto não deve transmitir o equivocado sinal – como com sucesso fez Israel - de que a Palestina é apenas os territórios da Cisjordânia e Gaza e palestinos são apenas aqueles que vivem nestes locais. Nós devemos expandir a representação geográfica e demográfica da Palestina apresentando a narrativa histórica dos eventos de 1948 e desde então demandar direitos humanos iguais para todos os povos que vivam ou viveram no que hoje é Israel e os territórios palestinos ocupados.
Vinculando a ideologia sionista às políticas do passado e às presentes atrocidades, nós seremos capazes de apresentar uma clara explicação lógica para a campanha de boicote, não-investimento e sanções contra Israel. Um Estado que apoiado por um mundo silencioso permitirá em si mesmo, ajudar à expulsão e destruição do povo nativo da Palestina. Mas desafiá-lo por meios não-violentos e mesmo na esfera ideológica é uma causa justa e ética. É ainda uma forma efetiva de difundir à opinião pública não apenas contra a presente política genocida em Gaza, mas também prevenir futuras atrocidades. E mais importante que tudo isso, é perfurar o balão da retórica da “justificada fúria” israelense que sufoca os palestinos toda vez que é inflado. Este processo de desmonte da ideologia sionista ajudará a terminar com a imunidade e impunidade de Israel garantida pelo ocidente. Sem esta imunidade, espero que mais e mais pessoas em Israel começarão a reconhecer a verdadeira natureza dos crimes cometidos em seus nomes e a ira destes começará a ser direcionada contra aqueles que os prendeu juntamente com os palestinos nesta armadilha desnecessária provocando ciclos de violência e atrocidades.
- Ilan Pappe é doutor em História pela Universidade de Oxford, 1984. Atualmente detém uma cadeira no Departamento de História na Universidade de Exeter, Inglaterra, onde é co-diretor do Centro para Estudos Etno-Políticos. O presente texto foi originalmente publicado em inglês como editorial do site Electronic Intifada (http://electronicintifada.net) no dia 2 de janeiro de 2009.
Ilan Pappé nasceu em 1954, Haifa, Israel. É filho de judeu-alemães que escaparam da perseguição nazista nos anos 1930 e é um dos mais renomados especialistas do conflito Israelo-Palestino tendo publicado 9 livros, sido co-autor em outros 3 e escrito centenas de artigos para jornais acadêmicos.
O mais famoso de seus livros, A Limpeza Étnica da Palestina (The Ethnic Cleansing of Palestine. Oneworld Publications, 2006; sem tradução para o português) denuncia que a guerra de 1948 foi uma sistemática e elaborada estratégia para expulsão dos palestinos, destruição das áreas construídas, objetivando a eliminação de não-judeus para a criação de Israel – um Estado para um só grupo étnico-religioso e/ou cultural-lingüístico. Um processo racista e colonial, eliminando a população tradicional para a instalação de grupos estrangeiros.
Em 1999, foi candidato ao parlamento israelense em uma aliança entre os partidos comunistas Maki e Hadash e apóia a criação de um só Estado não-étnico/confessional como solução do conflito. Em 2007, depois de dar aulas de Ciência Política por 23 anos, foi obrigado a pedir demissão da Universidade de Haifa por apoiar publicamente o boicote acadêmico contra Israel em razão de suas políticas opressivas e discriminatórias.
Tradução de Vinicius Valentin Raduan Miguel
Nota do tradutor
O presente texto foi originalmente publicado em inglês como editorial do site Electronic Intifada (http://electronicintifada.net) no dia 2 de janeiro de 2009. Ilan Pappé nasceu em 1954, Haifa, Israel. É filho de judeu-alemães que escaparam da perseguição nazista nos anos 1930 e é um dos mais renomados especialistas do conflito Israelo-Palestino tendo publicado 9 livros, sido co-autor em outros 3 e escrito centenas de artigos para jornais acadêmicos.
O mais famoso de seus livros, A Limpeza Étnica da Palestina (The Ethnic Cleansing of Palestine. Oneworld Publications, 2006; sem tradução para o português) denuncia que a guerra de 1948 foi uma sistemática e elaborada estratégia para expulsão dos palestinos, destruição das áreas construídas, objetivando a eliminação de não-judeus para a criação de Israel - um Estado para um só grupo étnico-religioso e/ou cultural-lingüístico. Um processo racista e colonial, eliminando a população tradicional para a instalação de grupos estrangeiros.
Em 1999, foi candidato ao parlamento israelense em uma aliança entre os partidos comunistas Maki e Hadash e apóia a criação de um só Estado não-étnico/confessional como solução do conflito. Em 2007, depois de dar aulas de Ciência Política por 23 anos, foi obrigado a pedir demissão da Universidade de Haifa por apoiar publicamente o boicote acadêmico contra Israel em razão de suas políticas opressivas e discriminatórias.
Este texto é uma tentativa de preencher o vazio editorial sobre o Oriente Médio na língua portuguesa e, desta forma combater a injustiça que é o apagamento e marginalização desta tragédia em curso contra o povo palestino.
16.07.2009
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Minha visita à minha casa, na Galiléia (Israel) coincidiu com o genocida ataque israelense contra Gaza. O Estado de Israel, através de sua imprensa e com a ajuda de suas universidades, transmitiu uma voz unânime – desta vez, ainda mais alta que aquela ouvida durante o ataque criminoso contra o Líbano, no verão de 2006. Israel é mais uma vez engolido por sua “virtuosa fúria” que se traduz nas políticas destrutivas contra a Faixa de Gaza. Esta terrível auto-justificação para práticas desumanas e sua impunidade, não é apenas irritante; é um assunto que devemos explicar melhor para entendermos a imunidade internacional para com o furioso massacre que arrasa Gaza.
É baseado, antes e acima de tudo, em mentiras absolutas transmitidas em uma ambígua linguagem remanescente dos negros dias da década de 1930 na Europa. A cada meia hora os noticiários no rádio e na televisão descrevem as vítimas de Gaza como “terroristas” e o assassinato em massa promovido por Israel é chamado de “ato de legítima defesa”. Israel apresenta a si mesmo para seu povo como uma virtuosa vítima que se defende contra um terrível mal. Acadêmicos do mundo inteiro são recrutados para explicar como a luta palestina, quando liderada pelo Hamas, é demoníaca e monstruosa. Estes mesmos acadêmicos que demonizaram o líder palestino Yasser Arafat em tempos precedentes e atacavam a legitimidade do Fatah durante a segunda intifada palestina.
Mas as mentiras e representações distorcidas não são a pior parte disso. O pior e ainda mais revoltante é o direto ataque contra os últimos vestígios de humanidade e dignidade do povo palestino. Os palestinos em Israel que demonstraram sua solidariedade com o povo de Gaza e agora são rotulados de quinta coluna no Estado Judeu; o direito destes em sua terra natal é transmitido como duvidoso em decorrência da falta de seu apoio à agressão israelense. Aqueles entre eles que concordam – erradamente em minha opinião – em aparecer na mídia local são interrogados ao invés de entrevistados, como se fossem prisioneiros nas prisões do Shin Bet, o serviço secreto israelense. Sua aparição é antes antecedida e seguida por humilhantes comentários racistas e eles enfrentam acusações de ser uma quinta coluna, irracionais e fanáticos. E isto não é tudo. Existem poucas crianças palestinas dos territórios ocupados tratadas de câncer em hospitais israelenses, por exemplo. E só Deus sabe o preço que essas famílias pagaram para serem admitidas aqui! E a rádio de Israel vai diariamente ao hospital para exigir que os pobres pais dessas crianças declarem para a audiência israelense o quão correto e justo é o ataque de Israel e o quão terrível é o Hamas, embora se defendendo.
Não há limites para a hipocrisia produzida pela virtuosa fúria. O discurso de generais e políticos transcorre entre erráticos auto-elogios à humanidade do exército israelense e seus ataques “cirúrgicos” e, ao mesmo tempo, para a necessidade de destruir Gaza de uma vez por todas, de uma maneira “humana” é claro.
A virtuosa fúria é um fenômeno constante na antiga sionista e hoje israelense prática de expulsão da Palestina. Todo ato, seja limpeza étnica, ocupação, massacre ou destruição sempre foi apresentado como moralmente justo e puramente um ato de legítima defesa relutante perpetrada por Israel em uma guerra contra o pior tipo de seres humanos.
No excelente volume The Returns of Zionism: Myths, Politics and Scholarship in Israel (O retorno do sionismo: mitos, política e academia, 2008), Gabi Piterberg explora as origens ideológicas e a progressão histórica desta fúria virtuosa. Hoje, em Israel, da esquerda à direita, do Likud ao Kadima, da academia à imprensa, todos podem ouvir a fúria virtuosa do Estado mais engajado em destruir e expulsar a população tradicional do que qualquer outra nação neste mundo.
É crucial explorar as origens ideológicas desta atitude e obter as necessárias conclusões políticas da sua persistência. A fúria virtuosa protege a sociedade e políticos israelenses de qualquer censura ou criticismo externo. Ainda pior é que isto é sempre traduzido em destrutivas políticas contra os palestinos. Sem mecanismos internos de crítica e sem pressão exterior, cada palestino se torna um potencial alvo desta fúria israelense. Dado o poder de fogo do Estado Judeu, é inevitável que isto só possa causar ainda mais assassinatos em massa, massacres e limpeza étnica.
A exaltação da própria moralidade é um poderoso recurso de autonegação e justificação. Isto explica as razoes da sociedade judaico-israelense não se mover por palavras de sabedoria, lógica, persuasão ou diálogo diplomático. E se alguém não quer endossar esta violência de tal modo a se opor à ela, há apenas uma solução: desafiar abertamente esta ideologia maligna da virtuosidade israelense objetivando acobertar atrocidades. Outro nome para esta ideologia é sionismo e, uma condenação internacional ao sionismo e não apenas à políticas particulares de Israel, é a única maneira de enfrentar esta fúria virtuosa. Nós temos tentado explicar não apenas para o mundo, mas também para os próprios israelenses que o sionismo é uma ideologia que apóia a limpeza étnica, ocupação e agora, enormes carnificinas. O que é preciso agora é não apenas uma condenação do presente massacre, mas também tirar a legitimidade da ideologia que produziu estas práticas e que as justifica moralmente e politicamente. Vamos manter a esperança de que vozes significativas no mundo irão dizer ao Estado Judeu que esta ideologia e sua conduta geral é intolerável e inaceitável e enquanto persistir, Israel será alvo de boicotes e sujeito à sanções.
E mais, nós não podemos permitir que 2009 se torne um ano menos significante que 2008, o ano comemorativo da Nakba, que não preencheu nossas grandes esperanças de uma transformação dramática na atitude do Ocidente em relação à Palestina e palestinos.
Aparentemente, mesmo o mais horrendo dos crimes, como o genocídio em Gaza, é tratado como um evento discreto, desconectado de tudo que aconteceu no passado e não associado a uma ideologia ou sistêmico processo. Neste novo ano, temos que tentar realinhar a opinião pública à história da Palestina e os males da ideologia sionista como o melhor método para explicar as operações de genocídio (como as que ocorreram em Gaza) e como uma forma de impedir que coisas ainda piores ocorram.
Academicamente, isto já foi feito. Os maiores desafios são como encontrar formas eficientes de explicar a conexão entre a ideologia sionista e as políticas de destruição do passado para assim, explicar a presente crise. Pode ser que seja mais fácil fazê-lo durante as mais terríveis circunstancias, quando a atenção mundial se volta para a Palestina mais uma vez. Talvez seja mais difícil em momentos em que a situação aparenta “calma” e menos dramática. Em momentos de “tranqüilidade”, a pouca atenção da mídia ocidental dedicada só serve para marginalizar ainda mais a tragédia palestina e desprezá-la em parte por causa dos horríveis genocídios na áfrica, crise econômica ou apocalípticos cenários para o meio ambiente. Apesar de a mídia ocidental não estar interessada em nenhuma leitura do passado, é apenas através de avaliação histórica da magnitude dos crimes cometidos contra o povo palestino ao longo dos últimos 60 anos que é possível entender a questão palestina. Deste modo, é papel da academia militante e imprensa alternativa em insistir no contexto histórico.
Estes agentes não deveriam ignorar a importância de educar a opinião pública e influenciar atores políticos conscientes a encararem eventos em uma ampla perspectiva histórica.
Similarmente, nós devemos achar uma forma popular – distinta dos templos acadêmicos – de explicar claramente que as políticas israelenses nos últimos 60 anos partem de uma ideologia hegemônica racista chamada sionismo, ideologia esta que se acoberta sob intermináveis camadas de fúria pretensamente justa. Apesar da previsível acusação de anti-semitismo e argumentos do tipo “o que você fez”, já é tempo de associar à mentalidade pública que a ideologia sionista está vinculada a importantes marcos históricos: a limpeza étnica de 1948, a opressão dos palestinos em Israel durante os dias de governança militar, a brutal ocupação da Cisjordânia e, agora, o massacre de Gaza. Muito da ideologia da apartheid pôde explicar as opressivas práticas do governo sul-africano. Esta ideologia (da apartheid) em uma forma mais consensual e simplista variedade permitiu que os governos israelenses do passado e do presente desumanizassem os palestinos não importando onde eles estivessem e então, tentar todos os esforços necessários para destruí-los. Os métodos empregados se alteraram de período em período, de local em local, como se alteraram as narrativas para acobertarem estas atrocidades. Mas há um claro padrão, este padrão não pode ficar restrito ao mundo acadêmico, mas deve se tornar parte do discurso político na realidade contemporânea sobre a Palestina hoje.
Alguns de nós, principalmente aqueles comprometidos com a justiça e paz na Palestina, inconscientemente evadem do debate histórico – e isto é compreensível – e se concentram nos territórios ocupados (Cisjordânia e Gaza). Lutar contra políticas criminosas é uma missão urgente. Mas isto não deve transmitir o equivocado sinal – como com sucesso fez Israel - de que a Palestina é apenas os territórios da Cisjordânia e Gaza e palestinos são apenas aqueles que vivem nestes locais. Nós devemos expandir a representação geográfica e demográfica da Palestina apresentando a narrativa histórica dos eventos de 1948 e desde então demandar direitos humanos iguais para todos os povos que vivam ou viveram no que hoje é Israel e os territórios palestinos ocupados.
Vinculando a ideologia sionista às políticas do passado e às presentes atrocidades, nós seremos capazes de apresentar uma clara explicação lógica para a campanha de boicote, não-investimento e sanções contra Israel. Um Estado que apoiado por um mundo silencioso permitirá em si mesmo, ajudar à expulsão e destruição do povo nativo da Palestina. Mas desafiá-lo por meios não-violentos e mesmo na esfera ideológica é uma causa justa e ética. É ainda uma forma efetiva de difundir à opinião pública não apenas contra a presente política genocida em Gaza, mas também prevenir futuras atrocidades. E mais importante que tudo isso, é perfurar o balão da retórica da “justificada fúria” israelense que sufoca os palestinos toda vez que é inflado. Este processo de desmonte da ideologia sionista ajudará a terminar com a imunidade e impunidade de Israel garantida pelo ocidente. Sem esta imunidade, espero que mais e mais pessoas em Israel começarão a reconhecer a verdadeira natureza dos crimes cometidos em seus nomes e a ira destes começará a ser direcionada contra aqueles que os prendeu juntamente com os palestinos nesta armadilha desnecessária provocando ciclos de violência e atrocidades.
- Ilan Pappe é doutor em História pela Universidade de Oxford, 1984. Atualmente detém uma cadeira no Departamento de História na Universidade de Exeter, Inglaterra, onde é co-diretor do Centro para Estudos Etno-Políticos. O presente texto foi originalmente publicado em inglês como editorial do site Electronic Intifada (http://electronicintifada.net) no dia 2 de janeiro de 2009.
Ilan Pappé nasceu em 1954, Haifa, Israel. É filho de judeu-alemães que escaparam da perseguição nazista nos anos 1930 e é um dos mais renomados especialistas do conflito Israelo-Palestino tendo publicado 9 livros, sido co-autor em outros 3 e escrito centenas de artigos para jornais acadêmicos.
O mais famoso de seus livros, A Limpeza Étnica da Palestina (The Ethnic Cleansing of Palestine. Oneworld Publications, 2006; sem tradução para o português) denuncia que a guerra de 1948 foi uma sistemática e elaborada estratégia para expulsão dos palestinos, destruição das áreas construídas, objetivando a eliminação de não-judeus para a criação de Israel – um Estado para um só grupo étnico-religioso e/ou cultural-lingüístico. Um processo racista e colonial, eliminando a população tradicional para a instalação de grupos estrangeiros.
Em 1999, foi candidato ao parlamento israelense em uma aliança entre os partidos comunistas Maki e Hadash e apóia a criação de um só Estado não-étnico/confessional como solução do conflito. Em 2007, depois de dar aulas de Ciência Política por 23 anos, foi obrigado a pedir demissão da Universidade de Haifa por apoiar publicamente o boicote acadêmico contra Israel em razão de suas políticas opressivas e discriminatórias.
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domingo, 19 de julho de 2009
Música aos domingos
When I come around - Green Day
Ouça no volume máximo!
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sábado, 18 de julho de 2009
Poesia aos sábados
crônica de uma ausência anunciada
dizer-te o quanto é duro estar assim
(se tudo em quanto crera se desfaz)
se o tu que em ti eu via era em mim:
que verei mais?
dizer-te o quão difícil foi ouvir-te
se em tudo o que dizias — por demás —
buscava o tu que eu via destruir-me:
que ouvirei mais?
dizer-te que eu — então — mal entendia
a ira que alterava a tua voz
e a treva que teu negro olhar vertia
por sobre nós.
dizer-te que — talvez — entenda agora
(embora tu te percas em bemóis)
evitas-me a resposta e peroras
falseando a voz.
dizer-te que é assim — neste momento —
(clareiam-se os motivos por detrás?)
não peças que me esquive ao sentimento
de não ser mais.
e deixa que esta dor se espraie e fique
um tempo impreciso dentro em mim
amor que vem faz outro ir a pique:
diz-se então fim.
não sei dizer-te — hoje! — o que virá
(pois disso se encarrega o amanhã)
qual tu dos teus em mim firmar-se-á
noutra manhã?
portanto não estranhes se eu sumir,
(de todo bem-querer eu me ausentar)
se um tempo há de ser e um de partir:
por que ficar?
dizer-te: guarda tudo o que tivemos
(talvez bem te compraza tê-lo ainda)
um pouco há do tanto que nos demos
que não se finda.
e segue adiante e cuida — sê feliz.
prossegue o teu caminho a céu aberto.
se um gesto te lembrar quanto eu te quis
: estarei perto.
Márcia Maia, esta semana, no Poema Dia
dizer-te o quanto é duro estar assim
(se tudo em quanto crera se desfaz)
se o tu que em ti eu via era em mim:
que verei mais?
dizer-te o quão difícil foi ouvir-te
se em tudo o que dizias — por demás —
buscava o tu que eu via destruir-me:
que ouvirei mais?
dizer-te que eu — então — mal entendia
a ira que alterava a tua voz
e a treva que teu negro olhar vertia
por sobre nós.
dizer-te que — talvez — entenda agora
(embora tu te percas em bemóis)
evitas-me a resposta e peroras
falseando a voz.
dizer-te que é assim — neste momento —
(clareiam-se os motivos por detrás?)
não peças que me esquive ao sentimento
de não ser mais.
e deixa que esta dor se espraie e fique
um tempo impreciso dentro em mim
amor que vem faz outro ir a pique:
diz-se então fim.
não sei dizer-te — hoje! — o que virá
(pois disso se encarrega o amanhã)
qual tu dos teus em mim firmar-se-á
noutra manhã?
portanto não estranhes se eu sumir,
(de todo bem-querer eu me ausentar)
se um tempo há de ser e um de partir:
por que ficar?
dizer-te: guarda tudo o que tivemos
(talvez bem te compraza tê-lo ainda)
um pouco há do tanto que nos demos
que não se finda.
e segue adiante e cuida — sê feliz.
prossegue o teu caminho a céu aberto.
se um gesto te lembrar quanto eu te quis
: estarei perto.
Márcia Maia, esta semana, no Poema Dia
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Frases
"Assim como a suástica, estrelas vermelhas levam ao desastre, quando se decide obedecer, cegamente, a um projeto de poder."
Fernando Gabeira, hoje, em artigo na Folha.
Fernando Gabeira, hoje, em artigo na Folha.
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Coluna do Capssa - O sentimento de superioridade judaica
O filme israelense “O Pequeno Traidor”, de Lynn Roth, baseado no romance “Pantera no Porão” de Amos Oz, que trata da amizade de Proffy, um menino judeu, em 1948, com um oficial inglês, nos mostra nas cenas iniciais, um diálogo do menino com seus pais na mesa de jantar:
Proffy: Por que todo mundo odeia os judeus?
Mãe: Porque sabemos muito.
Charles Silberman, em “A Certain People: American Jews and Their Lives Today”, afirma: “Os judeus seriam inferiores entre os humanos se tivessem aberto mão de qualquer noção conjunta de superioridade e, é extremamente difícil para os judeus americanos se desfazerem do sentimento coletivo de superioridade”.
Philip Roth, ótimo escritor, disse - em um sentido crítico, penso:: “O que uma criança judia americana herda, não é um corpo de leis, um corpo de ensinamentos, uma língua e, finalmente, um Deus (...) mas uma espécie de psicologia que pode ser traduzida em quatro palavras: ‘os judeus são melhores’.”.
Elie Wiesel não é menos incisivo sobre o caráter único dos judeus: “Tudo que nos diz respeito é diferente”.
Efraim Karsh, sionista de extrema direita, ex-major do exército israelense, hoje historiador e chefe do departamento de estudos mediterrâneos no King’s College, da Universidade de Londres, em uma resenha sobre o livro “The Iron Cage”, de Rashid Khalidi, faz questão de mencionar T.E. Lawrence (o Lawrence da Arábia), dizendo assim: “O campeão ocidental mais influente do pan-arabismo, descreveu os seus protegidos árabes como: ‘eles são um povo limitado e de mente fechada, cujo intelecto inerte cai em não curiosa resignação...eles apenas conhecem verdade e mentira, crença e descrença, sem nossa hesitante visão mais refinida’.”.
Pois é... e por aí vai. Pergunto: qualquer similaridade com a “pureza e superioridade da raça ariana” preconizada pela detestável figura do Hitler seria uma mera coincidência? Concluo citando um poema de Aimé Césaire, de que Edward Said gostava muito.
mas o trabalho do homem está apenas começando
E resta ao homem conquistar toda
a violência entrincheirada nos recantos de sua paixão.
E nenhuma raça possui o monopólio da beleza,
da inteligência, da força,
e há lugar para todos
no encontro da vitória.
Fontes:
A Indústria do Holocausto – Norman G. Finkelstein
Cultura e Resistência – Edward W. Said
O Pequeno Traidor – filme disponível na internet
Efraim Karsh – autor com obras disponíveis na internet (não tem livros publicados no Brasil)
Luiz Carlos Capssa Lima
15/07/2009
Proffy: Por que todo mundo odeia os judeus?
Mãe: Porque sabemos muito.
Charles Silberman, em “A Certain People: American Jews and Their Lives Today”, afirma: “Os judeus seriam inferiores entre os humanos se tivessem aberto mão de qualquer noção conjunta de superioridade e, é extremamente difícil para os judeus americanos se desfazerem do sentimento coletivo de superioridade”.
Philip Roth, ótimo escritor, disse - em um sentido crítico, penso:: “O que uma criança judia americana herda, não é um corpo de leis, um corpo de ensinamentos, uma língua e, finalmente, um Deus (...) mas uma espécie de psicologia que pode ser traduzida em quatro palavras: ‘os judeus são melhores’.”.
Elie Wiesel não é menos incisivo sobre o caráter único dos judeus: “Tudo que nos diz respeito é diferente”.
Efraim Karsh, sionista de extrema direita, ex-major do exército israelense, hoje historiador e chefe do departamento de estudos mediterrâneos no King’s College, da Universidade de Londres, em uma resenha sobre o livro “The Iron Cage”, de Rashid Khalidi, faz questão de mencionar T.E. Lawrence (o Lawrence da Arábia), dizendo assim: “O campeão ocidental mais influente do pan-arabismo, descreveu os seus protegidos árabes como: ‘eles são um povo limitado e de mente fechada, cujo intelecto inerte cai em não curiosa resignação...eles apenas conhecem verdade e mentira, crença e descrença, sem nossa hesitante visão mais refinida’.”.
Pois é... e por aí vai. Pergunto: qualquer similaridade com a “pureza e superioridade da raça ariana” preconizada pela detestável figura do Hitler seria uma mera coincidência? Concluo citando um poema de Aimé Césaire, de que Edward Said gostava muito.
mas o trabalho do homem está apenas começando
E resta ao homem conquistar toda
a violência entrincheirada nos recantos de sua paixão.
E nenhuma raça possui o monopólio da beleza,
da inteligência, da força,
e há lugar para todos
no encontro da vitória.
Fontes:
A Indústria do Holocausto – Norman G. Finkelstein
Cultura e Resistência – Edward W. Said
O Pequeno Traidor – filme disponível na internet
Efraim Karsh – autor com obras disponíveis na internet (não tem livros publicados no Brasil)
Luiz Carlos Capssa Lima
15/07/2009
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