Semana On

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Jovens são vítimas da violência. Em MS também

Mais de 33,5 mil jovens de 12 a 18 anos deverão perder a vida por homicídio entre 2006 e 2012, caso os índices de violência no país não se alterem nos próximos anos. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), pesquisa realizada em conjunto pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e organização não governamental Observatório de Favelas, foi divulgado na terça-feira.

Em MS, os jovens também estão na mira da violência. Entre setembro e outubro do ano passado, este blog acompanhou as editorias de polícia de dois sites de notícia de Campo Grande. Das 105 pessoas que foram assassinadas ou sobreviveram a tentativas de homicídio em Mato Grosso do Sul no mês de outubro de 2009 (e cujas histórias chegaram aos jornalistas), 87 tiveram a sua idade informada nas reportagens checadas pela pesquisa. Destas, cerca de 66% apresentavam idade variando entre 10 e 29 anos. Cerca de 46% dos casos vitimaram pessoas com idade variando entre 20 e 29 anos e 20% das ocorrências (17) foram protagonizadas por jovens entre 10 e 19 anos de idade.

Estes percentuais chocantes apontam para um problema típico dos grandes centros no País, a falta de perspectivas dos jovens, que acaba levando-os a situações extremas que colocam em risco as suas vidas e as vidas de outras pessoas.

Este fato não é novidade e tem sido confirmado por diversos estudos e pesquisas de campo nos últimos 20 anos, como o Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil da Unesco, que analisou as causas da mortalidade juvenil na década de 1993/2002 no Brasil e concluiu que quase 30% destas mortes são causadas por armas de fogo.

Leia mais:
- Violência em MS aumentou em outubro
- A face da violência no Mato Grosso do Sul

4 comentários:

Hélder disse...

Só para não passar em branco: na pesquisa do Índice de Homicídios na Adolescência, a lista de cidades traz "Cuiabá - MS" por duas vezes (p. 44 e 49). Caro Barone, quando nem o governo federal sabe diferenciar os dois Estados, a quem devemos recorrer? Ao presidente Lula? A Deus?

BAR DO BARDO disse...

Tenho uma filha adolescente e fico apavorado com os números "em vermelho".

Para a violência, não há mais a necessidade de se viver numa cidade cosmopolita, basta apenas estar vivo...

Bom texto, Barone!

Barone disse...

Helder, é complicado...

Meu Bardo. Apavorante é a palavra. Ainda vivemos em uma redoma na qual a violência não fica tão clara. Imagino como será em São Paulo, Rio de Janeiro etc. Não consigo mais viver em um grande centro. Paranóia à flor da pele.

Lelec disse...

Oi Barone,

Eu, aqui nessa lonjura, fiquei desacostumado a toda essa tragédia. Os dados me chegam e sempre me causam espanto.

Incluo nas causas dessa chaga brasileira a leniência legal para com os infratores. Homicidas têm que passar umas boas décadas na cadeia. Criminoso tem que pagar pelo crime. Mas hoje falar isso soa "fascista", "direitista" ou "reacionário". Enquanto for assim, nossos problemas com violência vão persistir.
Abraço