Semana On

sábado, 18 de julho de 2009

Poesia aos sábados

crônica de uma ausência anunciada

dizer-te o quanto é duro estar assim
(se tudo em quanto crera se desfaz)
se o tu que em ti eu via era em mim:
que verei mais?

dizer-te o quão difícil foi ouvir-te
se em tudo o que dizias — por demás —
buscava o tu que eu via destruir-me:
que ouvirei mais?

dizer-te que eu — então — mal entendia
a ira que alterava a tua voz
e a treva que teu negro olhar vertia
por sobre nós.

dizer-te que — talvez — entenda agora
(embora tu te percas em bemóis)
evitas-me a resposta e peroras
falseando a voz.

dizer-te que é assim — neste momento —
(clareiam-se os motivos por detrás?)
não peças que me esquive ao sentimento
de não ser mais.

e deixa que esta dor se espraie e fique
um tempo impreciso dentro em mim
amor que vem faz outro ir a pique:
diz-se então fim.

não sei dizer-te — hoje! — o que virá
(pois disso se encarrega o amanhã)
qual tu dos teus em mim firmar-se-á
noutra manhã?

portanto não estranhes se eu sumir,
(de todo bem-querer eu me ausentar)
se um tempo há de ser e um de partir:
por que ficar?

dizer-te: guarda tudo o que tivemos
(talvez bem te compraza tê-lo ainda)
um pouco há do tanto que nos demos
que não se finda.

e segue adiante e cuida — sê feliz.
prossegue o teu caminho a céu aberto.
se um gesto te lembrar quanto eu te quis
: estarei perto.

Márcia Maia, esta semana, no Poema Dia

2 comentários:

Ma disse...

lindo

Rafael Belo disse...

"Estarei perto" sempre mesmo sem estar "qual tu dos teus em mim firmar-se-á
noutra manhã?" melhor verso -pra mim. Bla dinâmica poética com tamanho entreelaçar. ABraços .alv Márcia MAia :D