Semana On

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Toda brasileira é bunda?

Realizado em Madri (Espanha) entre os dias 5 e 8 de dezembro, o evento Integra Madrid - uma feira de serviços e produtos para imigrantes – foi palco de uma situação que trafegou entre o cômico e o trágico e que remete a um triste aspecto de nossa sociedade: a forma como a mulher brasileira é vista no exterior.

O caso foi o seguinte: no stand da revista Periodista Latino, um cartaz promocional exibia uma modelo colombiana de biquíni, saindo do mar. A peça publicitária alterou os ânimos de alguns participantes do evento, provocando protestos. O cartaz foi apontado como fruto do chauvinismo e quase despedaçado. Foi preciso a ação da polícia para dispersar os revoltosos. Responsável pela publicação, Paul Monzón, reclamava: “E estas brasileiras dançando no meio da feira?”, referindo-se a dançarinas de funk que, em trajes sumários, se exibiam em frente ao stand da revista.

Pronto, chegamos ao ponto. Ao optar por apresentar o Brasil por meio da sexualidade feminina inerente ao funk, os expositores brasileiros no evento colaboraram para o fortalecimento de uma imagem pouco lisonjeira da mulher brasileira. À primeira vista pode parecer uma reflexão exagerada, mas, de fato, a exploração da imagem da mulher com intuitos turísticos ainda é uma realidade traiçoeira no Brasil.

Apesar dos esforços no sentido de coibir o turismo sexual, em especial o que violenta crianças e adolescentes, ainda pecamos por alçar a mulher como atrativo turístico. É que, como já disseram Fernando Carrazedo Feijó e Flávio Mário de Alcântara Calazans no artigo “A imagem internacional do turismo sexual no Brasil: o ‘prostiturismo’ no marketing turístico”, “o turismo sexual é muito maior, pois não se trata apenas de uma pessoa em busca de uma simples aventura sexual, ele se constitui numa verdadeira indústria de serviços, que apesar de inúmeros esforços de alguns governos e ONGs, continua crescendo e muito”.

Esta indústria é alimentada especialmente pela visão deturpada com a qual a mulher brasileira é apresentada no exterior. Esta prática ocorre por diversos meios, de forma oficial ou não. Um exemplo é a campanha publicitária da cachaça Cabana, veiculada nos Estados Unidos, que mostra mulheres exibindo o que lá fora eles chamam de "depilação brasileira".

Laura Martinez, em artigo no site Advertising Age, diz o seguinte sobre o assunto: “A campanha de verão da Cabana, que foi chamada de ‘mais quente que o Rio no verão’ inclui um vídeo sexual e explícito, que qualquer pessoa (maior de 21 anos, claro) pode ver aqui. Ele termina com um close-up na modelo mostrando sua Brazilian wax (sic), aparentemente uma outra característica típica das mulheres no país da América do Sul”. A blogeira e feminista Denise Arcoverde aprofunda o caso em seu blog e alerta: “...não se iludam. Essa imagem não ajuda em nada nem à mulher brasileira, nem ao país, é um insulto e só estimula o país como um paraíso do turismo sexual.”.

Não é de hoje

A conotação pejorativa sobre a mulher brasileira não é novidade. O próprio Pero Vaz de Caminha, em 1º de Maio de 1500, foi quem deu início a ela em carta a El Rei. Diz o escriba, admirado com a “falta de vergonha” das índias: “Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras... E uma daquelas moças era toda tingida de baixo a cima, daquela tintura e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela...".

Bem depois, em "Casa Grande & Senzala" (1961), Gilberto Freyre também apontava para a sexualidade acentuada das brasileiras. No segundo capítulo do primeiro tomo da obra, ele descreve o relacionamento do colonizador com as índias que faziam lembrar a figura mitológica da "moura encantada" de longos cabelos negros a banhar-se nos rios. No quarto capítulo do segundo tomo, intitulado "O escravo negro na vida sexual e da família do brasileiro", Freyre descreve as relações dos colonizadores com as escravas negras e com as índias.

Fazendo um paralelo com as funkeiras brasileiras presentes ao Integra Madrid, podemos continuar citando Freyre e os aspectos erotizados das danças brasileiras que, segundo ele, “podem representar muito mais uma necessidade de estimulação do que a voracidade sexual”. Para o autor de "Casa Grande & Senzala", as danças eróticas desempenham “funções de afrodisíaco, de excitante ou de estímulo à atividade sexual”.

A mulher oficialmente desconstruída

Foi entre os anos 70 e 80, quando o turismo começou a ser apontado como a “indústria do futuro”, que o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) – criada pelo decreto-lei n. 55 de 18 de novembro de 1966, dois anos após o golpe militar de 1964 – deu início a campanhas publicitárias com a intenção de “vender” o Brasil como destino para o turismo mundial. Estas campanhas enalteciam as belezas naturais do país e, também, a sexualidade da mulher brasileira.

Foi nesta época que o material oficial do turismo brasileiro – cartazes, folders, filmes publicitários e até a participação em congressos mundiais – passou a explorar a imagem da mulher, sempre em trajes sumários, expondo sua sensualidade inerente como um produto a ser consumido. Também teve início neste período a transmissão via satélite dos desfiles de carnaval, onde as mulatas eram os principais focos de atenção, assim como a transmissão pela tevê de bailes de carnaval do Rio de Janeiro, onde a pouca roupa das mulheres era o principal atrativo das câmeras.

Segundo Feijó e Calazans, técnicos da própria Embratur apontavam o órgão como um dos responsáveis pela consolidação do Brasil como rota do Turismo Sexual. “Através da sua política de propaganda, associando a imagem da mulher nativa às paisagens naturais, bem como às festas populares (o Carnaval é o maior exemplo delas), a Embratur teria atraído a atenção, tanto de turistas quanto de agenciadores nacionais e internacionais, para as potencialidades de exploração desse mercado".

Na década de 80, um estande da Embratur em Nova York (EUA) exibia uma modelo brasileira com roupas de banho desfilando na frente de fotos do país. Os atuais cartões-postais da praia de Copacabana, por exemplo, ainda estampam quatro mulheres de biquíni na areia.

Em sua dissertação de mestrado intitulada “Embratur: Formadora de imagens da nação brasileira”, orientada pelo professor Omar Ribeiro Thomaz e apresentada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Louise Prado Alfonso também sustenta que a divulgação deste tipo de imagem da mulher brasileira por organismos oficiais de turismo levou uma mensagem negativa e equivocada que contribui para o aumento do turismo sexual. Para Louise, os aspectos depreciativos da divulgação da mulher brasileira como atrativo turístico poderiam ter sido previstos pela Embratur.

No artigo “A exploração das mulheres na dinâmica do turismo sexual”, Maria Jaqueline de Souza Leite, do Centro Humanitário de Apoio à Mulher (CHAME), completa o quadro, ampliando os agentes propagadores desta imagem desconstruída de nossas mulheres: “A imagem de sensualidade, erotismo e liberdade sexual que alimenta as fantasias dos homens no exterior a respeito das mulheres brasileiras, sobretudo negras e mulatas... é projetada não apenas através de propaganda turística, mas também da literatura e cinema nacionais”

Novas estratégias

Como já foi dito anteriormente, as estratégias de combate ao turismo sexual implementadas pelo poder público e pela sociedade civil limitam-se – em grande parte - a exploração da criança e do adolescente. Ocorre que, aliado a isso, é preciso também agir para reconstruir a imagem da mulher brasileira lá fora. É necessário unir os programas que combatem à exploração sexual de nossa juventude a outras ações que reforcem outra imagem de nossas mulheres além da mulata e do biquíni.

Enquanto a preocupação com o turismo sexual no Brasil estiver apenas focada sobre sua modalidade infanto-juvenil o nosso turismo permanecerá ligado a uma sexualidade feminina esteriotipada, focada no mito da “orla caliente", atraindo turistas sexuais e perpetuando a imagem negativa da mulher brasileira - uma imagem que construímos e que pode parecer inocente à primeira vista, mas que é perniciosa ao extremo.

É o que revela a documentarista italiana Silvia Capucci, uma das organizadoras da campanha Stop Sexual Tourism. Para ela, é difícil mudar o comportamento do turista europeu que enxerga no Brasil uma fonte de mulheres bonitas e fáceis de conquistar. Em entrevista à jornalista Fabrina Martinez, em 2005, ela disse que esta noção está arraigada no pensamento europeu.

“Essa questão está no condicionamento da gente e a publicidade brasileira no exterior reforça essa imagem. Assim como acontece na Tailândia e em Cuba, muitos turistas já viajam com o intuito de ficar com a mulher brasileira, que muitas vezes, já está incluídas no pacote que eles compram. Esses clientes não são pedófilos, mas homens normais, casados e com filhos”, afirmou.

Outro caso que demonstra as estratégias equivocadas do turismo tupiniquim, que colaboram ainda hoje para a construção de uma imagem deturpada das nossas mulheres foi abordado pela jornalista Elaine Chrysostomo, no artigo “Desrespeito lá fora, despudor aqui dentro”, publicado em 2004 no Observatório da Imprensa. Ela relata “o episódio do desembarque dos passageiros do navio Queen Mary 2 no Rio de Janeiro, em que mulatas-sambistas, indignamente ‘vestidas’, agarraram um turista velhinho (e furibundo), de bengala, na saída do Cais do Porto, só para posar para foto”. “O pior é que essas iniciativas recebem apoio do governo do estado e da Prefeitura, para desrespeitar a imagem da mulher brasileira”, finaliza Elaine.

Entre as estratégias que poderiam ser adotadas em um processo de recuperação da imagem das brasileiras no exterior está o combate à prostituição que leva milhares de brasileiras a vender o corpo no velho mundo. Não pretendo construir uma imagem de pudico exacerbado e nem condeno quem opta pela prostituição para ganhar a vida. Mas, é fato que este grupo constrói uma imagem negativa do Brasil e das brasileiras em especial.

A criação de mecanismos que evitem o aumento deste contingente é importante e, certamente, ajudaria a mitigar a idéia que permeia as mentes de muitos “gringos” de que o Brasil é um paraíso de praias e de sexo fácil e barato.

E não adianta adotar discursos fáceis, calcados em noções pseudo-liberais, para refutar isso, como fez, em junho, Alex Castro em seu blog ao ridicularizar o desabafo de uma brasileira residente em Londres exposta – em uma reunião social - ao assédio de estrangeiros que, movidos pelo álcool, mostraram como, de fato, enxergam a mulher brasileira. Diz ela:

“Um babaca com uma risadinha sacana me perguntou se as mulheres andavam peladas no Brasil porque era muito quente. Um imbecil francês disse que seria bom ir participar de uma reunião no Brasil para poder ‘catar’ as mulheres, afinal, as mulheres no Brasil estão assim disponíveis como qualquer mercadoria barata e descartável, bastando escolher. O outro concordou e imaginou e descreveu uma cena bizarra dele saindo do aeroporto e sendo agarrado por três mulheres desesperadas querendo levá-lo para cama. Um teve a cara de pau de dizer que se fosse ia voltar com umas três para casa. Nessa hora meu sangue ferveu mas infelizmente não poderia falar muita coisa pois eh isso que o Brasil vende aqui fora - TURISMO SEXUAL E BARATO.”.

Para Alex e muitos de seus leitores (e leitoras, pasmem), o desabafo não passa de “uma verdadeira antologia de todos os preconceitos das brasileiras bem-nascidas contra a invasão das oportunistas - ou seja, aquelas que não tiveram as mesmas vantagens que elas e precisam usar o próprio corpo pra se virar”.

Penso que cada um deve fazer com seu corpo o que quiser. Ponto. Mas daí a “glamourizar” a prostituição é, para dizer o mínimo, inocência. Defendo com unhas e dentes o direito de todo ser humano fazer o que bem entender com seu próprio corpo – inclusive vendê-lo sexualmente. Considerar esta prática saudável ou exemplar, no entanto, é outra questão.

Quem sustenta que prostituição é "uma profissão como outra qualquer" está, lamentavelmente, prestando um desserviço às mulheres e colaborando de forma perigosa para o fortalecimento da visão estereotipada sobre nossas “Marias e Clarices”.

Como bem disse Rita Lee, “nem toda brasileira é bunda”.

6 comentários:

felipe disse...

Eu já ouvi falar, e não é de agora, que o Itamaraty não costuma apoiar nenhuma iniciativa cultural para promover o Brasil, lá fora, que não esteja relacionada agora a futebol e samba (bunda).

Vivemos de preconceitos tranquilamente, se de algum lucro disto tiramos.

Adriana disse...

Ótima a sua reportagem sobre essa questão que parece fazer parte da cultura brasileira para agradar os estrangeiros. É degradante vender a imagem do país com esse tipo de propaganda. Gostei de sua referência a Caminha e a G.Freire. Parabéns pelo texto. Abraço. Adriana Godoy

Alex Castro disse...

olha, eu to rindo até agora...

aquele comentário altamente reacionário da brasileira no exterior demonizando as putas destila os TODOS os preconceitos mais conservadores e pequeno-burgueses da historia... e a minha critica a ele é que é "pseudo-liberal"? hahahhhahhahaha

eu é que glamurizei as prostitutas? hahahaha! onde? me dá um exemplo? ou vc acha q dizer que é uma profissao como qualquer outra é glamurizar? se eu disse q ser garçom é um trabalho como qualquer outro, vc vai dizer que estou glamurizando ser garçom? serio mesmo??

a gente tem uma definicao diferente tanto de "liberal" quanto de "glamurizar"...

eu só acho repugnante que os branquinhos bem-nascidos (como a moça q citei e talvez como vc) subam no pedestal na moralidade pra criticar moças trabalhadoras que fazem o que precisam pra sobreviver... não enxerguem os problemass q elas enfrentem e as joguem pra debaixo do tapete e pra fora das vistas.... mas, hey, eu sou um pseudo-liberal!

vc deveria ler os dois posts q eu fiz antes desse q vc cita, e tentar responder às perguntas q eu coloco.

A Questão da Prostituição: http://www.interney.net/blogs/lll/2008/06/17/a_questao_da_prostituicao/

A Questão do Turismo Sexual:
http://www.interney.net/blogs/lll/2008/06/16/a_questao_do_turismo_sexual/

em todo o seu texto, vc jah presume q ter uma fama de pais do turismo sexual é ruim, q ser prostituta é ruim, etc etc, e nunca elabora o porquê. se a prostituição é legal e liberada no Brasil, pq deveriamos tratá-la (como vc faz) como se fosse uma atividade escusa, feia, suja, imoral, subversiva? vc já se colocou esses questionamentos? já tentou colocar seu moralismo de lado?

isso sim é que é um tremendo moralismo pequeno-burguês pseudo-liberal...

Barone disse...

Olá Alec,

antes de qualquer coisa digo que te considero um cara de posições corajosas e que compactua com muitas delas. No entanto, falando especificamente da questão da imagem da mulher brasileira no exterior e da prostituição estamos, sim, em campos opostos, o que é salutar para o debate.

Veja. Como deixei claro no meu artigo (mais de uma vez), não condeno de forma alguma quem vende o corpo como profissão. Disse e repito, acho que cada um tem o direito de fazer o que quiser da própria vida.

No entanto, o fato de eu respeitar este direito não significa que eu acredite que ele é bom (para quem opta por ele e para os demais) ou correto. Da mesma forma, defendo a descriminalização das drogas - quem quiser usar que use - mas não considero que o consumo de muitos delas sejam uma escolha inteligente e que beneficie a alguém.

Sim, faço um paralelo entre prostituição e uso de drogas (aqui me refiro as drogas realmente impactantes como cocaína, crack, heroína etc). Tanto a droga quanto a prostituição destroem uma parcela do ser humano. A droga arrebenta aquele tino que nos leva a discernir entre o que é ou não passível de ser limitado. Penso nisso sempre que me deparo com relatos de gente que agrediu parentes, que vendeu tudo em casa para saciar o vício etc. A prostituição, por outro lado, banaliza o afeto, coloca no mesmo nível amor (seja com conotação sentimental ou sexual) e comércio, duas coisas incompatíveis.

Não concordo de forma alguma com o argumento de que a questão social é o motor de arranque da prostituição. Fosse assim estaríamos dizendo que não há opções, quando há. Quem escolhe sair do Brasil para se prostituir na Europa passa longe de ser um “excluído”. Trata-se de uma opção, que eu respeito, mas não compactuo. Sobre quem opta por se prostituir aqui no Brasil a questão é mais além. É claro que o fator social incentiva uma opção pela prostituição, mas não pode ser apontado como o fator preponderante.

Ao invés de olharmos a prostituição e pensarmos “ok, temos que ganhar dinheiro, vamos então incentivar nossas mães, irmãs, filhas e mulheres a fazer fila nos aeroportos para caçar gringos”, seria mais produtivo cobrar dos governantes o que eles deveriam fazer para que o País crescesse e gerasse mais empregos.

Sim, acho péssimo que o Brasil seja visto como paraíso para o turismo sexual, sim, acho péssimo ser prostituta. (Repito para não ter minhas palavras truncadas por confusão ou má intenção. Acho péssimo, mas respeito a decisão de quem opta por isso)

O motivo está implícito em todo o texto (embora o enfoque do meu artigo seja o reflexo da prostituição e da exploração da imagem da mulher para fins turísticos e não a prostituição em si). O turismo sexual é uma praga que deve, sim, ser combatida com rigor e execrada pela sociedade. Faz com que a mulher se transforme em uma mercadoria (barata), cria profundos obstáculos para o entendimento do afeto, cria a falsa imagem de que tudo é permissível e, pior, cria um modelo a ser seguido por menores de idade.

O fato de a prostituição ser legal e liberada no Brasil não a exime de crítica e nem significa que seja algo bom. Citando exemplos bem fáceis, o cigarro e o álcool são legalizados, isso significa que não há nada de ruim neles? Na verdade o fato de ser legal ou liberado pouco importa. Não me atenho ao que é permitido pela sociedade, ou ao que o Estado julga melhor para quem quer que seja. Mas sim de respeito para consigo mesmo.

Mas, se consideras a prostituição algo dignificante para quem a pratica então nenhum dos meus argumentos será bom para você.

Voltando ao ponto principal do artigo - o reflexo da prostituição e do uso da imagem da mulher com fins turísticos sobre a forma como a mulher brasileira é vista no exterior - os casos de brasileiras que passaram por constrangimentos como o relatado em seu blog são muitos. Particularmente, por ter parentes e amigas morando na Europa, poderia citar vários deles.

De forma alguma considero o sentimento destas mulheres como o reflexo de um moralismo pequeno-burguês (como você diz). Trata-se de uma reação legítima de quem não quer ser tratada como objeto de consumo, de quem quer ser respeitada pelo que é e não pelo que carrega no meio das pernas.

No entanto, novamente, se consideras a prostituição algo dignificante para quem a pratica então nenhum dos meus argumentos será bom para você.

Para finalizar, não estou rindo... aliás, em nenhum momento achei graça do tema. Nem quando comecei a escrever sobre ele, nem quando li a reflexão que você fez em seu blog. Respeito sua opinião, apesar de discordar dela ate às entranhas.

Alice Salles disse...

Eu acho um absurdo, um cúmulo só como a mulher brasileira é vendida lá fora. Sou daquelas que torce o nariz quando algum "gringo" me pergunta sobre o meu biquini e sobre carnaval. Não entendo como um protesto verdadeiramente importante nunca existiu contra esse abuso de qualquer que seja a "beleza da mulher brasileira", que pode ser poético e usado como tal, ou pode ser como aquelas pobre funkeiras de frente pro stand que não fazem IDÉIA do que estão alimentando.

No fim, o que precisamos mesmo é de educação, de verdade.

ALF disse...

Achei um tema relevante pelo fato de ano que vem estar me formando turismólogo. Como futuro profissional da área e cidadão, esse assunto me entristece e revolta.

Não é de hoje que o Brasil é estereotipado como um país de mulheres bonitas. Acaba distorcendo a imagem de um país tão rico culturalmente e repleto de paraísos naturais. O país não precisa de campanhas apelatórias. Tem recursos sobrando para serem trabalhados e bem explorados. A amazônia é um imenso potencial, mas é pouco e mal utilizado. Muitas cidades são ricas em história, no seu desenvolvimento e por terem legados culturais que por si só são atrativos fortes.
Aí é que entra o litoral brasileiro. Tudo bem, o país é tropical, tem um litoral imenso e praias lindas. Mas acabam explorando as mulheres de biquíni, as bundas e etc.
O marketing do Brasil precisa ser trabalhado direito, com mais bom senso, levando em consideração a imagem do país.

Não se deve explorar a beleza da mulher a ponto de tornar sua sexualidade algo tão vulgar. Não é assim que se resolve, explorando de forma perniciosa a imagem da mulher brasileira.

Isso me enoja. Toda essa imagem tão distorcida que os estrangeiros têm da gente. E o culpado? Somos nós mesmos que divulgamos nossa própria imagem assim.

Queria frisar só uma coisa. O termo "Turismo sexual" não existe,
apenas se popularizou. Na verdade é uma falsa modalidade e segmento do turismo que andam pregando. Já depois de assistir algumas palestras debatendo sobre isso, sempre bateram na mesma tecla.

Todos os profissionais e afins falam justamente que não se deve elencar uma atividade assim como diretamente ligada ao turismo.

O que afirmam é que existe a exploração sexual por meio do turismo. O que de fato muda em aspecto.

É conscientizado que é preciso combater a exploração sexual e que o turismo não seja utilizado pra fins como esse, tão repudiantes
e que denigrem a imagem da atividade e do país.

Olha, de fato cada um faz com o seu corpo o que quiser. Mas daí a se utilizar disso pra estampar uma campanha publicitária turística de um país é horrendo.
O pior é estereotipar todas as mulheres brasileiras por isso. Mas sei que é ingênuo pensar que não saibam separar as coisas. Sempre generalizam. Mas que é patético é. Precisamos deixar de condicionar nossa imagem a prostituição.

Olha, sei que farei o que puder e o que estiver ao meu alcance, pra poder mudar esse aspecto tão negativo do nosso turismo. Não só como atuante da área, mas essencial por ser cidadão desta terra que tanto amo.

Abraço.