Semana On

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Gótica

E há a insondável escuridão
a transbordar das escarpas do mundo
para dentro de mim
em um contínuo fluxo de medo.
Há a inquisição em mim mesmo
a rasgar minha pele.

Sinto o eterno crepitar
de suas asas a me acossar,
a me empurrar ao abismo
que trago em meu peito.

Sinto teu eterno toque de gelo a pressionar,
na umidez de minha fronte, teu sinal.
Me arrepio com teu hálito sujo
em minha boca,
anjo negro, torpe.

Há a insondável escuridão
onde flutuo agrilhoado pelos olhos,
onde plano sustentado em suas mãos.

Mas há também a raiva.
E esta vem de mim.
Derrama-se ao chão a ira contida
em interminável gotejar.

Transpiro esta ira
e o medo que aniquila
perante tua sombra,
sob o teu olhar.

Escorre dos meus poros
esta raiva cega
que me faz cuspir teu nome,
anjo negro, torpe.

Há a insondável escuridão
a me sugar ao centro do enigma,
ao olho do furacão.

E é entre o tormento dos suspiros
que decifro minha insana lucidez.
Plana no ápice escuro do meu eu
a manter equilibrado num meio fio curto
o que me resta de sensatez.

Minha vida é o fruto de minha ira.
O rochedo que emerge
do redemoinho negro que propagas.
A rocha à qual me agarro
ao ouvir na bruma negra do ar
o crepitar das tuas asas,
o bradar histérico do teu nome,
anjo negro, torpe.

Victor Barone

Churnalismo

Sensacional o artigo O churnalismo e o submercado, de Marcelo Soares, publicado ontem no blog E você com isso. A partir da análise de dois textículos publicados nas versões virtuais de O Globo e do JB ele descasca a realidade do jornalismo hoje no que ele tem de pior. Vale a leitura.

Quentinhas sobre o “deproma”

“O problema não é o diploma, mas sim saber se as pessoas estão habilitadas para o exercício da profissão”
Ricardo Kotscho

“(com o advento da Internet) os jornalistas perderam o monopólio da produção de conteúdo e não vão recuperá-lo. Não há como proibir que qualquer ofereça o conteúdo que quiser. Não tenho nada contra quem faz curso de jornalismo, acho até bom que se tenha diploma, o que significa que alguém passou quatro anos da vida estudando, não sei se a sério, coisas que tenham a ver com o exercício da profissão. Mas não acho que o jornalismo exija um nível de especialidade tão grande. O jornalista não precisa de diploma, conheço várias pessoas oriundas de outras áreas que escrevem muito bem e são melhores que muitos já formados... as faculdades de jornalismo formam profissionais para atuarem em assessorias de imprensa, onde se faz tudo menos jornalismo. Se as empresas querem bons profissionais, há de se convir que ela vai procurar os melhores. Se estiverem entre os que se formam, eles serão escolhidos. Nossas escolas formam mal os jornalistas, continuo sem ver a necessidade do diploma”.
Ricardo Noblat

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Blogs

Levantamento realizado pelo Online Journalism Blog revela que os blogs já exercem forte influência na produção jornalística mundial. Em uma pesquisa com a participação de 200 jornalistas de 30 países diferentes, constatou-se que, em média, mais de 80% dos pesquisados são, de alguma forma, influenciados por essa ferramenta.

-

Falando em blogs, excelente o do jornalista Alessandro Martins. Batizado Quero ter um blog, traz dicas muito boas de como criar e gerir um.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Direita, esquerda? Volver...

Ditaduras não são privilégios de pensamentos de esquerda ou de direita. A história nos mostra exemplos de ditaduras dos mais variados matizes ideológicos. Ditaduras são, isso sim, resultado da intolerância e da fome de poder, do desejo nefasto - desenvolvido nesta interessante espécie que domina o planeta - de impor aos demais seus códigos morais e éticos. E isso ocorre com destros e canhotos.

É óbvio que a crítica que se faz à esquerda tem procedência. Afinal, todas as suas experiências práticas desaguaram em totalitarismos nefastos, indesculpáveis. A noção de ditadura do proletariado caiu por terra. Ficou muito claro o que sustentavam os velhos anarquistas, a idéia de que o socialismo não se impõe goela abaixo via conquista do Estado. É curioso observar que muitos discursos atuais - tanto de vertente socialista quanto neoliberal - usam resquícios do pensamento libertário: entre eles a autogestão, a radicalização da democracia etc.

O fracasso do dito socialismo real, no entanto, de forma alguma condena o pensamento socialista, em sua essência, aos patamares mais esquecidos e empoeirados da prateleira das ideologias abandonadas. Muitos valores seus podem ser resgatados e aplicados para o avanço das sociedades.

E a direita? Esta máquina que se reinventa e sobrevive a cada cataclisma. Bem, o neoliberalismo está aí, vivo. Não creio que a atual crise prenuncie o seu fim. Pelo contrário. Isso quer dizer que se trata de um bom sistema político-econômico? Respondo com uma afirmação: nenhum sistema político-econômico que leve seus dirigentes a despejarem bilhões de dólares para salvar a si mesmo (o sistema) quando se recusa a fazer o mesmo para oferecer melhor saúde, educação, moradia e cultura a população pode ser considerado sadio.

O pensamento de direita - o neoliberalismo, o capitalismo que seja - está longe de ser uma boa opção, assim como a democracia representativa nos moldes atuais também não resolve a vida de ninguém - a não ser dos que se contentam com o “menos pior” e com deixar nas mãos de terceiros as construções sociais.

Penso que vivemos um período interessantíssimo da história e o que vai surgir daqui para frente não ouso imaginar. Mas gosto de pensar que podemos misturar liberdade e igualdade de forma a expurgarmos de nossas sociedades as mazelas primais que nos assolam enquanto espécie - fome e ignorância - sem perdermos o direito de escolhermos o que é bom ou ruim para nós mesmos.

Victor Barone

O mundo secreto das universitárias de programa

Carla tem 21 anos de idade, corpo perfeito, rosto de menina, veste-se com as grifes da moda, o corte dos cabelos aloirados é moderno. Carla é o protótipo da menina de classe média, a "patricinha". Ela veio de uma cidade do litoral paulista para cursar enfermagem em uma universidade de Mato Grosso do Sul, divide uma casa com a irmã, tem namorado e vida social movimentada. Carla é "menina para casar", diriam alguns. Mas, por trás de tudo isso, ela esconde um detalhe que a diferencia das demais "patys" que compõem seu círculo de amizades na universidade. Ela é garota de programa.

Sentada em uma mesa de bar na Avenida Afonso Pena, pernas elegantemente cruzadas revelando pés bem tratados e detalhes de uma sandália cara, ela fala sem pudores de sua "opção". Diz que chegou a Campo Grande há dois anos e que acabou "caindo na vida" pelas mãos de uma colega de curso. Sim, Carla não é uma exceção. Através dela conversamos com outras meninas com as mesmas características: universitárias, jovens, bonitas, vindas de outros Estados para estudar na Capital de MS, profissionais do sexo.

Apesar da postura segura, Carla deixa transparecer no olhar um certo desconforto com a situação: "Não costumo conversar sobre isso com ninguém. Foi uma opção que eu fiz. Vou trabalhar nisso até o final do ano e depois paro", garante. O mesmo diz a paranaense Cristina, de 20 anos. Sem parar de mexer nos cabelos longos e bem tratados, a estudante de publicidade afirma que atuará "no ramo" por mais dois anos: "A princípio só até me formar. Meus pais não têm condições de me manter aqui. Escolhi este tipo de trabalho. Tenho uma filhinha de dois anos que deixei com minha família. Tenho que mandar dinheiro para ela", argumenta.

Carla e Cristina são dois bons exemplos da confusão psicológica a qual podem chegar meninas expostas a "prostituição de luxo", aceita em termos pela sociedade e incentivada até certo ponto por valores questionáveis passados pela grande mídia: "Me sinto como a Capitu daquela novela (referindo-se a personagem da atriz Giovanna Antonelli na novela Laços de Família, exibida em 2004 pela TV Globo)", resume Carla.

Com 19 anos de idade, a paulista Lúcia, uma morena de parar o trânsito, não trabalha a questão com tanta tranqüilidade. Estudante de fisioterapia, ela culpa a "sociedade" pelo tipo de vida no qual está inserida: "Não foi uma opção minha. Divido casa com amigas da mesma cidade que eu e todas elas têm condições financeiras melhores. Preciso pagar parte da faculdade, comer, me vestir, pagar transporte, viver. Não tenho condições de fazer isso tudo com um emprego normal. A situação do País é que me jogou nessa e agora não sei como sair", lamenta.

Apesar das justificativas, a possibilidade de ascensão social rápida é, também, um dos fatores que mais atrai as meninas para a profissão: "Elas se prostituem não por uma questão de sobrevivência, mas para poder consumir", sustenta o pesquisador Leandro Feitosa Andrade, doutorando em psicologia social da PUC de São Paulo. “É fácil nos julgar”, rebate Lúcia.

Vida dupla, sites e cafetões

Cuidadosas em manter suas identidades em sigilo, as garotas de programa de luxo não se expõem pelas esquinas escuras da cidade, ou em casas de prostituição chinfrins. A maioria exibe suas curvas quase adolescentes em sites especializados ou em books secretos oferecidos por cafetões e cafetinas cujos telefones são passados de mão em mão por clientes ávidos por aventuras: "Eu não me arriscaria nas ruas. Isso é coisa de piranha. Tenho minha foto em um site. Mandei apagar minhas tatuagens na foto e tirar meu rosto. Pode ser qualquer uma. Não me reconhecem de jeito nenhum", garante Carla, com um tom de certeza aliviada.

Cristina, mais temerosa, prefere trabalhar com uma cafetina: "Ela me liga quando tem um cliente. Vou para o motel indicado e aguardo a chegada dele. O cliente paga diretamente para ela e depois eu pego a minha parte. Me sinto mais segura assim, pois ela sabe onde e com quem estou". Nestes encontros às escuras, muitas vezes as meninas são surpreendidas: "Uma vez fui a um motel e quando entrei no quarto encontrei uma colega de universidade. O cliente havia contratado as duas ao mesmo tempo. Nunca imaginei que ela fizesse programa também", conta a paranaense.

Manter uma vida dupla é uma ginástica diária para elas. Todas possuem dois celulares. Um de trabalho, cujo número divulgam nos sites ou nos "books", outro particular, para a "vida real".

A banalização da prostituição, muitas vezes, é um refúgio: "Já saí com um cara que, depois encontrei em uma casa noturna. Ele me olhou, veio me paquerar. Gelei. Mas acabei descobrindo que ele não se lembrava de mim. Ele pediu meu telefone, eu esnobei e o deixei falando sozinho", revela Lúcia.

O preço do prazer

O comércio do sexo pode ser bastante lucrativo. O preço do prazer com as "universitárias de programa" varia de acordo com o mercado. Um programa de uma hora de duração pode custar de R$ 150 a R$ 350, "depende da cara do cliente, do que ele quer fazer e da minha situação financeira", explica Carla. Elas avaliam o valor do programa levando em conta, principalmente, o aparente poder aquisitivo do cliente: "Já tive um cliente aqui em Campo Grande, um cara casado, que me pagava R$ 500 por uma hora", conta Cristina, com uma ponta de orgulho. Carla garante que ganha de R$ 800 a $ 3.000 por mês, um valor atraente quando se leva em consideração os baixos salários pagos hoje no mercado de trabalho formal.

Uma jornalista recém formada, por exemplo, raramente encontrará em Campo Grande salário superior a R$ 1.000 por cinco ou seis horas de expediente diário: "No carnaval deste ano fui para o interior do Estado com uma amiga que também trabalha no ramo. Ganhei R$ 4 mil em dez dias. Onde eu ganharia tanto dinheiro assim?", questiona Cristina com um sorriso maroto.

A filosofia do dinheiro é marcante. A maioria das meninas traça um objetivo específico que serve como justificativa para sua condição: "Estou acabando de pagar a minha casa própria e o meu carro. Já mobiliei a casa todinha, com tudo do bom e do melhor. No final do ano que vem me formo e saio desta vida", determina Carla. Para Lúcia, a prostituição também tem data para acabar: "Não sei se agüento isso por muito tempo mais. Mas por enquanto não tenho opção. No máximo mais um ano". Cristina, por sua vez, não tem tanta certeza sobre seu futuro: "Hoje eu ganho em um mês ruim cerca de R$ 1.000. Se tiver que trabalhar como uma escrava para ganhar menos vou acabar colocando na balança. Não sei".

Taras e Aids

O rosto jovem destas meninas muitas vezes esconde experiências dignas de mulheres muito maduras. Para a grande maioria, o sexo não tem mais segredos. Com uma média de dois a oito programas semanais com clientes diferentes, cada qual com suas taras e desejos, elas já passaram por tudo: "Sexo anal, oral e vaginal. Já fiz de tudo. Neste mercado, se você é muito fresca, perde clientes", confessa Carla. Júlia, menos atirada, discorda: "Anal não. E oral, só com camisinha. A Aids está aí. É muito perigoso".

O medo de contrair doenças venéreas faz parte do dia a dia delas. Este medo, aliado a doses homeopáticas de conscientização, acaba gerando posturas preventivas: "Não transo de maneira alguma sem camisinha. Pode me oferecer o que quiser", dispara Carla. No entanto, há quem sinta prazer na "roleta russa". Segundo Cristina, alguns clientes jogam pesado na tentativa de convencer a parceira a dispensar o preservativo: "Já me ofereceram R$ 500 para fazer sexo sem camisinha. Fiquei balançada, mas lembrei da minha filha e disse não", conta.

Tudo menos beijo

Inseridas no mundo secreto da prostituição, as "universitárias de programa" tentam levar uma vida normal. A maioria evita relacionamentos afetivos fixos, mas há exceções: "Namoro há quase um ano. Ele era cliente meu, mas agora temos uma relação de namorados", diz Cristina.

Diante dos óbvios conflitos de relacionamento inerentes a atividade que exerce, ela argumenta com o coração: "Ele ficava revoltado. Mas agora aceita numa boa. Ele não pode me bancar, então sabe que eu tenho que continuar trabalhando. Quando estamos juntos esquecemos de tudo", explica.

Exibindo um corpo escultural emoldurado dentro de um jeans apertado, Lúcia é menos romântica: "Não consigo me relacionar com ninguém. Não dá. Como posso namorar alguém se a qualquer hora do dia o celular pode tocar?". Carla também prefere ficar sozinha: "Toda hora a gente recebe cantada, convite para sair, jantar. Eu até vou, mas fico só no papo. No máximo uns beijinhos. Enquanto estiver trabalhando com isso não quero me relacionar com ninguém".

A confusão de sentimentos é flagrante. Segundo Carla, Cristina e Júlia, a maioria das universitárias de programa impõe limites quando o assunto é o coração. Algumas evitam carinhos, outras renegam o prazer e a maioria evita o beijo: "Posso fazer de tudo, mas não beijo. É muita intimidade", diz Carla. Júlia concorda: "Beijo de jeito nenhum. Beijar é coisa do coração, não é só sacanagem. Beijo eu guardo para quem amo". Descolada, Cristina ridiculariza a situação: "Isso não tem sentido. Depois de fazer de tudo com um cara na cama você não vai beijar por quê? Nada a ver", opina.

Prazer - O mito de que a prostituição e o prazer feminino caminham separados não procede. Pelo menos é o que se conclui nos depoimentos da maioria das garotas de programa ouvidas nesta reportagem: "Não tem essa. Se o cara é atraente e você está afim, acaba gozando", dispara Carla. Cristina concorda: "É natural, às vezes sinto prazer, às vezes não. Mas já fiz muito sexo bom trabalhando", garante. Lúcia é a exceção: "Não sinto prazer de jeito nenhum. Só finjo. Na maioria das vezes torço para acabar logo".

Diferentes reações ao prazer, mas um propósito comum. Nenhuma das garotas ouvidas por esta reportagem disse procurar o orgasmo na relação profissional. O motivo é simples e quem explica é a prática Carla: "Se você goza fica toda molinha, com sono, fraca. E se aparecer um outro cliente? Não vou dar conta...".

Victor Barone

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Decreto pode destruir 80% das grutas e cavernas do País

Entre as belezas naturais da região Centro-Oeste, as grutas e cavernas possuem um papel muito importante atraindo turistas e gerando riquezas. No Mato Grosso do Sul, a principal referência é o município de Bonito, encravado na Serra da Bodoquena, no limite sul do Pantanal, onde a impressionante Gruta do Lago Azul encanta os que se aventuram ao local. Seu nome provém de um profundo lago de águas azuis-turquesa que proporcionam um espetáculo incomparável.

No Mato Grosso encontram-se as cavernas da Chapada dos Guimarães, um complexo em rocha arenítica/quartzítica de beleza singular, formada pelos lagos internos. O local é palco de importantes manifestações da arte pré-histórica do Brasil. No nordeste de Goiás, a 457 km de Brasília, encontra-se o principal conjunto de toda a região Centro-Oeste, com grutas enormes rasgadas por rios caudalosos, onde ainda há muita caverna a ser descoberta e explorada.

Tudo isso pode ser destruído pelo decreto 99.556, de 01/10/1990, do Governo Federal, que “dispõe sobre a proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no território nacional, e dá outras providências” e pretende facilitar a implantação de empreendimentos como a usina hidrelétrica de Tijuco Alto, no sul de São Paulo, e à exploração de minério de ferro em Carajás, no Pará, ameaçando potencialmente grutas e cavernas que, hoje, atrapalham o andamento destes projetos.

A preocupação das entidades ambientais e ligadas a espeleologia é que as mudanças que o Governo tenta fazer passar goela abaixo da sociedade sem muita discussão possam ser a porta de entrada para uma política de banalização da importância das grutas e cavernas brasileiras. Segundo avaliações iniciais, cerca de 80% das grutas e cavernas brasileiras estariam ameaçadas com as mudanças propostas pelo Governo.

A Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) está promovendo um manifesto contrário ao decreto.

Confira algumas reportagens sobre o tema:
“Projeto ameaça 70% das grutas do país” Folha de S. Paulo
“De volta ao tempo das cavernas” O Eco
“Contra o decreto cavernoso” O Eco
Quase nenhuma notícia sobre o decreto das cavernas” Laudas Críticas

Maus pagadores na área

Campo Grande é um terreno fértil para mau pagadores da área da comunicação. Proliferam por aqui jornalecos de todos os tipos, formatos e periodicidades. Apesar de díspares entre si, dividem a mesma má intenção em relação aos profissionais que contratam. São muitos os casos de calote. O profissional trabalha e não recebe pelo seu trabalho. Simples assim. Esqueçam o Ministério do Trabalho. Os maus pagadores são profissionais neste quesito. As chances de receber na justiça são poucas, nulas diria.

Portanto o que nos resta é denunciar.
Inicio aqui uma lista de veículos nos quais trabalhei ou para os quais prestei serviço e que ficaram me devendo. Se algum veículo, agência, etc ficou lhe devendo, poste aqui.

Credor: Victor Barone
Jornal Diário do Pantanal
Periodicidade: diário
Proprietário: Adair Martins:
Me deve: R$ 900,00 + Fundo de Garantia de dois anos.
Jornal JDC
Periodicidade: devezquandário
Proprietário: Humberto Brugeff
Me deve: R$ 900,00

um poema

Corro por estas estradas
sem tocar os pés no asfalto
sem perceber o vento quente
que lambe meu rosto

Para trás, escárnio e fúria
gargalhadas e garras
palavras que se agarram ao ar
como sal cortando pele

Corro por estas estradas
sem entregar os olhos ao ar
sem perceber a verve suja
a macular minha boca

Victor Barone

Lixo

Podemos ser um bando de omissos, indolentes, conformados e incultos, mas ao menos não temos por aqui (de forma organizada) esta corja covarde e energumena que baseia no conceito de raça o seu olhar sobre o mundo e sobre os outros. O estúpido acima é Daniel Cowart, neonazista preso por planejar com um colega o assassinato de Barack Obama, candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, e matar a tiros ou decapitar outros 102 negros em uma onda de assassinatos no Tennessee.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Caçador de plágios

Os que tremem de raiva ao identificarem um texto seu plagiado ganharam uma ferramenta muito interessante. Trata-se do plagiarismdetect, um site onde é possível fazer uma varredura na rede em busca de plágios. O jornalista Alec Duarte deu a dica em seu blog, webmanario, e eu reproduzo aqui.

Gaúchos nervosos

O jornalista Graciliano Rocha é um dos expoentes da nova geração de jornalistas saídos de Mato Grosso do Sul. Atualmente correspondente da Folha em Porto Alegre, já mostrou aos gaúchos que não foi para lá passar férias. As primeiras cicatrizes estão na pele. Graciliano foi agredido na rua por simpatizantes de José Fogaça quando ia cobrir uma entrevista coletiva do prefeito reeleito de Porto Alegre no domingo. Levou um soco no olho e alguns chutes. O motivo: matérias que denunciavam a distribuição de bônus-habitação em período eleitoral por agentes da Prefeitura (gerou um processo contra o prefeito, sob a acusação de compra de votos) e que apontavam uma investigação do TCE relativa à compra de dois imóveis de luxo efetuada pelo coordenador da campanha de Fogaça, Luiz Fernando Záchia, que foi afastado. Ossos do ofício.

domingo, 26 de outubro de 2008

Arquivo de entrevistas

Entre 2002 e 2007 fui responsável por entrevistas semanais publicadas no jornal O Estado de MS (2002/2004) e no semanário A Crítica (2003/2007). Foram mais de uma centena de entrevistas com personalidades locais e nacionais. Muito deste material está disponível apenas em versão impressa. Portanto, estou começando a digitalizar as entrevistas que considero mais interessantes como a que fiz com o presidente Lula em janeiro de 2003, com o senador Cristovam Buarque em outubro de 2005 e com o ex-deputado federal Roberto Jefferson em setembro de 2007. Paulatinamente estarei acrescentando novas entrevistas no blog conforme tiver tempo para digitar o material. Para os que se interessam por política, são fontes interessantes, em especial se comparadas aos posicionamentos que estas personalidades adotam hoje em determinados assuntos. Confira na barra à direita sob o tópico Entrevistei.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais "fichas-sujas"

O site Congresso em Foco publicou ontem uma matéria sobre os candidatos "fichas-sujas" que disputam o segundo turno das eleições municipais. Um total de 71,6% respondem a processos judiciais (confira a lista). Para quem não conhece alguns dos “fichas-sujas” sul-mato-grossenses, vale a pena conferir nosso artigo do dia 16.

A opinião

Em tempos onde pessoas se agarram a conceitos sobre os quais apenas arranham a superfície, defendendo-os com unhas e dentes, mais afeitas a “vencer” o interlocutor do que a estabelecer um debate onde a troca de idéias sirva como desenvolvimento pessoal, Diego Viana escreveu um maravilhoso artigo denominado “A opinião: bunda ou apêndice?” em seu blog Para ler sem olhar. Um dos melhores artigos que li nos últimos tempos.

A coerção ao exercício do jornalismo no Mato Grosso do Sul

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou neste ano, em seu estudo sobre a liberdade de imprensa no mundo, o crescimento de 244% na taxa de mortes de jornalistas nos últimos cinco anos. Segundo o levantamento, 86 profissionais de imprensa perderam a vida no exercício da profissão - ou em decorrência dele - durante o ano passado, a maior cifra desde 1994. O Brasil aparece na lista com uma morte, a de Luiz Carlos Barbon Filho. O cenário fica mais grave quando o estudo aponta que 90% dos crimes cometidos contra jornalistas seguem sem punição. Estes são números subjetivos, pois pelos menos outras duas dezenas de mortes ainda estão sendo investigadas.

O uso de coerção (física, econômica e psicológica) pra reprimir o trabalho jornalístico não é raro no Brasil, embora muitas vezes passe desapercebido, imerso nos índices de violência colhidos na sociedade como um todo. Pinçados deste contexto, estes relatos demonstram claramente que o jornalista (em especial àquele que opta por um jornalismo investigativo) trabalha constantemente no fio da navalha. Trazendo o foco para o Mato Grosso do Sul (MS), o panorama não se modifica. Nos últimos onze anos, seis jornalistas perderam a vida de forma violenta no estado.

O registro de mortes de jornalistas no MS teve início em 1997, com o assassinato do radialista Edgar Lopes de Faria (conhecido por Escaramuça), ocorrido em 29 de outubro daquele ano, em Campo Grande (capital do MS). Em 9 de junho de 2003 o jornalista Edgar Ribeiro Pereira de Oliveira, do jornal Boca do Povo, foi executado com quinze tiros, também em Campo Grande. Ambos eram conhecidos por denunciar esquemas de corrupção no estado. Em 20 de abril de 2004 foi assassinado o jornalista paraguaio Samuel Román, no município de Coronel Sapucaia (MS). Dois anos depois, o radialista Fábio Soares Barbosa, da Amambay FM, foi morto a tiros em Ponta Porã (MS). Seu sócio, José Késsio Proença Garcia (DJ JK), morreu em março de 2006 com onze tiros, na mesma cidade. Finalmente, durante a campanha eleitoral deste ano, o radialista e vereador Flávio Roberto Godoy, o Ratinho, foi assassinado em Bela Vista (MS).

É fato que o estado tem uma tradição pouco honrosa no que se refere a um jornalismo marrom “que bate para cobrar ou cobra para não bater”, o que leva alguns a questionar se algumas das vítimas fatais no estado teriam “cavado a própria cova”. No excelente artigo “O caso Tim Lopes: o mito da `mídia cidadã'”, a jornalista carioca Sylvia Moretzsohn trata o tema sob um prisma similar a este. Há que se dizer, no entanto, que seja qual for o tipo de jornalismo exercido por um profissional da área, nada justifica a ameaça, a violência. A justiça existe para sanar qualquer tipo de abuso cometido por jornalistas.

Em recente entrevista a um site de notícias de Campo Grande, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo, disse que os jornalistas combativos, que investigam, denunciam, correm sérios riscos no Brasil, em especial fora dos grandes centros.

“... o exercício da profissão de jornalista (em especial fora das capitais dos grandes centros) é uma atividade temerária. Se você desagrada os donos do poder político, os donos do poder econômico, você fica sujeito à pressão, à represália e à violência que, em alguns casos, desembocam no assassinato desses profissionais... o exercício da liberdade de imprensa fora desses centros é muito difícil e conseqüentemente a atividade de jornalismo nestes locais é uma atividade de altíssimo risco”, afirma o presidente da ABI.

Apesar de chocantes e definitivos, os atentados contra a vida de jornalistas não são as únicas formas de amordaçamento da imprensa e, em conseqüência, de uma democracia sadia. A ONG Project Censored aponta algumas outras como a “pressão política (de oficiais governamentais ou indivíduos poderosos), pressão econômica (de anunciantes) e pressão legal (ameaça de advogados que estão no bolso de indivíduos, corporações ou instituições).

Em MS, a coerção contra a imprensa é realizada de forma mais incisiva através de estratégias econômicas, visto que a quase totalidade dos veículos de comunicação do estado têm no poder público um importante vetor de receita. No entanto, a coerção física e psicológica estão longe de ser raras em MS. Nos últimos oito anos pelo menos dez casos do gênero podem ser identificados com facilidade. O mais recente – cujo ápice ocorreu nesta semana - envolve o diretor da TV Educativa de Mato Grosso do Sul (TVE), jornalista Carlos Voges, e o vereador campo-grandense Paulo Pedra (PDT).

Também neste ano (setembro) índios da tribo Terena agrediram uma equipe da MS Record, afiliada da emissora no Mato Grosso do Sul. O repórter Edson Godoy, o repórter cinematográfico Cleiton Bernardi e o auxiliar Erick Machado foram ameaçados e tiveram o material de trabalho confiscado enquanto gravavam uma reportagem sobre a ocupação indígena da fazenda Petrópolis (no município de Miranda), de propriedade do ex-governador do estado, Pedro Pedrossian.

Maurício Azedo considera que os jornalistas devem se precaver nestes tempos “bicudos” sem, no entanto, se acovardarem diante dos percalços da profissão. Ele aconselha: “Penso que o profissional de imprensa não tem outra opção senão mergulhar fundo na apuração dos fatos, porque o jornalismo tem um compromisso com a busca da verdade e com a busca do que é ético e adequado ao interesse público. Apesar dos riscos, os jornalistas têm que perseverar nesse caminho. Evidentemente cercando-se de cautelas”.

A seguir, um resumo dos principais casos de coerção ao exercício do jornalismo em Mato Grosso do Sul nos últimos oito anos

2000: O prefeito de Três Lagoas, Issam Fares, fez ameaças aos jornalistas de todos os veículos de comunicação da cidade, tentando com isso impedir críticas à sua administração em meio à campanha eleitoral para reeleger-se prefeito.

2005: A Missão Salesiana de Mato Grosso do Sul iniciou uma campanha de perseguição contra as jornalistas Edilce Mesnerovicz e Suki Ozaki por terem publicado - na revista Metrópole número 65 - reportagem denunciando casos de pedofilia por parte de um Bispo católico da região.

2005: O jornalista Paulo Fernandes (jornal O Estado de MS) foi vítima de agressão física (teve seu gravador quebrado) e verbal praticada pelo deputado estadual Raul Freixes (PDT) dentro da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O deputado se irritou com denúncias feitas pelo jornal.

2005: O jornalista Honório Jacometo (TV Morena) foi mantido em uma sala do Centro Especializado de Polícia (Cepol) por três horas, teve o celular confiscado e ficou incomunicável durante o período. Os policiais queriam que ele revelasse as suas fontes relacionadas ao “Caso Motel”, que resultou na morte de um casal em Campo Grande.

2006: O jornalista Ginez Cesar (jornal O Progresso) cobria a inauguração do campus II da Uniderp quando foi agredido verbalmente pelo prefeito de Dourados, Laerte Tetila, insatisfeito com reportagens sobre sua administração veiculadas pelo jornal e pela TV Morena (onde Ginez era repórter e apresentador do telejornal). Irritado, o prefeito acusou o profissional de fazer “jornalismo terrorista”.

2006: Cerca de 20 soldados do quartel da Polícia do Exército do centro de Campo Grande agrediram os repórteres fotográficos Adriano Hany (site Campo Grande News) e João Carlos Castro (jornal Folha do Povo). Hany foi imobilizado pelos militares e Castro levou socos e um pontapé no rosto. O equipamento dos jornalistas foi apreendido inicialmente e depois devolvido. Eles cobriam a morte do soldado Péricles Simões Dias.

2006: O editor de Geral do jornal Correio do Estado, Fausto Brites, foi condenado a dez meses de detenção e ao pagamento de multa de cinco salários mínimos devido à queixa-crime do ex-prefeito de Campo Grande (atual governador do estado), André Puccinelli (PMDB), que o processou depois de uma reportagem publicada no dia 11 de março de 2005 sobre lavagem de dinheiro no Esquema do Lixo ocorrido em 1999.

2007: O guarda municipal (funcionário ligado à Prefeitura de Campo Grande) Benedito Nominando Xavier agrediu a jornalista Lucyana Cabral e o repórter fotográfico Waldemir Barbosa (Jornal Ultima Hora) quando estes apuravam informações sobre o caos na saúde pública. O fato ocorreu em posto de saúde no bairro Guanandi. A equipe foi ameaçada e trancada em um quarto escuro.

Victor Barone

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Os ingleses estão vendo

O jornalista Marcelo Soares postou a pouco em seu blog um artigo publicado hoje no site do jornal inglês Economist, sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil.. A seguir o artigo traduzido por Marcelo:

Uma das várias coisas que permaneceram iguais no Brasil depois do fim do regime militar em 1985 foi a necessidade de os jornalistas obterem um diploma e um registro junto ao ministério do trabalho. Quando a lei que estipulou isso foi criada, em 1967, ela criou uma forma útil de evitar que encrenqueiros dessem sua opinião. Ela sobreviveu porque o Brasil costuma ser lento em desfazer tais anacronismos, mas também porque convém aos sindicatos de jornalistas manter a lojinha fechada.

Agora, o Supremo Tribunal Federal vai decidir se elimina essa lei. Ao mesmo tempo, o ministério da educação pondera se qualquer brasileiro com grau universitário poderia obter um diploma que lhe permita escrever (um pré-requisito que, de saída, ainda excluiria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva).

"A qualidade do jornalismo no Brasil sofreria se as regras mudassem", afirma Celso Schröder, da Federação Nacional dos Jornalistas. Isso é questionável. Boa parte do jornalismo do Brasil é boa e robustamente independente, particularmente quando se comparado com a mídia do México ou da Argentina. Mas isso tem menos a ver com os diplomas brandidos pelos profissionais do que com a competitividade do mercado de jornais e revistas. Embora haja apenas poucos canais de TV disponíveis para todos, eles fazem um trabalho bastante bom de cobrir o que está acontecendo para aqueles que assistem às notícias, ao invés de lê-las.

A maior falha na mídia brasileira tem a ver com a propriedade de emissoras de rádio e jornais de província. Segundo o Donos da Mídia, um grupo de monitoramento, 271 políticos (definidos como legisladores estaduais ou federais, ou prefeitos) são ou diretores ou sócios de empresas de mídia. Surpreendentemente, os dois estados com a maior incidência de donos-políticos são Minas Gerais e São Paulo, no desenvolvido sudeste. Nenhum diploma pode garantir jornalismo independente da parte desses mini-Berlusconis.

Para Rogério Christofoletti pesquisadores não produzem informação

O debate sobre a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão está suscitando o que de pior há no espírito corporativista dos profissionais que atuam nos cursos superiores de Comunicação Social e nos sindicatos ligados à profissão no Brasil.

Em um primeiro momento eu havia identificado uma falha argumentativa no discurso destas pessoas no que o manual de “Introdução à Lógica” (Azeredo, Vânia Dutra de; Unijuí, 1997)” classifica como argumentum ad hominem, arma tradicional na retórica barata onde o argumentador rebate os argumentos contrários atacando o argumentador oponente e não o argumento proferido.

No entanto, nesta semana, o jornalista Rogério Christofoletti, professor de jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), foi mais fundo na banalização do tema ao sugerir - como argumento para a exigência do diploma de Jornalismo - que a produção de informação é área específica dos jornalistas. Para Rogério Christofoletti, portanto, professores, cientistas, especialistas de diversas áreas não produzem informação nenhuma.

Tudo começou quando o acadêmico publicou o artigo “Discussão sobre o diploma está muito ideologizada”, em seu blog Monitorando. O jornalista Maurício Tuffani rebateu algumas incongruências de Christofoletti com o artigo “O diploma de jornalismo e o estreitamento da razão”, publicado no seu blog, Laudas Críticas, e no Observatório da Imprensa.

Devido à ausência de argumentos teóricos de peso – em especial para a demonstração da imprescindibilidade do curso superior para a formação de jornalistas – os que defendem a exigência do diploma no Brasil apelam pra qualquer coisa. Foi o que fez Christofoletti com o artigo “Um estrabismo insistente estreita mais a razão”, publicado no Monitorando.

A asneira contida no artigo – a idéia absurda de que apenas jornalistas formados podem produzir informação – é compreensível se tiver origem em uma pessoa pouco afeita a produção de conhecimentos, a pesquisa e a contemporaneidade da comunicação, mas é inaceitável que seja proferida por um professor universitário, assessor do Ministério da Educação para o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) na área de jornalismo e membro de Comissão Verificadora de Curso do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina.

Felizmente, o absurdo sustentado por Christofoletti – que poderia colocar jornalismo e jornalistas em ridículo perante profissionais e pesquisadores das demais profissões – foi prontamente rebatido por Tuffani no artigo “Só jornalistas produzem informação?”.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Jornalista x Vereador

O jornalista Carlos Voges, gerente da TV Educativa de Mato Grosso do Sul (TVE), não está na minha lista de amizades e nem de pessoas a quem admiro e prezo, mas isso não é motivo para deixar passar em branco um caso que deve ser investigado à fundo e, se confirmado, execrado publicamente.

Ocorre que Voges alega estar sendo alvo de agressões por parte do vereador Paulo Pedra (PDT) devido à publicação de notas no site do jornalista, segundo as quais o vereador – durante a campanha eleitoral – teria descumprido as regras do TRE ao patrocinar reuniões políticas regadas a churrasco e cerveja. As notas causaram indignação ao vereador que usou a tribuna do legislativo municipal para negar as acusações e desacatar o jornalista.

Desde então Voges tem passado por maus bocados. A primeira agressão teria ocorrido a duas semanas quando ele saía da TVE. Segundo o Boletim de Ocorrência, um assessor do vereador o teria interpelado com agressões verbais e físicas. Ontem, 22, um filho de Pedra teria causado constrangimentos ao jornalista em uma padaria de Campo Grande ao abordá-lo no caixa do estabelecimento.

Mato Grosso do Sul tem uma tradição pouco honrosa focada em uma imprensa marrom que gosta de bater e cobrar – ou cobrar para não bater. Não digo que este fato se aplique a situação acima. Mas, mesmo que se aplicasse, não seria motivo para agressões e ameaças. A justiça existe para isso.

Turismo abortivo

Além das belezas naturais, Mato Grosso do Sul, agora, oferece aos viajantes uma outra opção de turismo, o abortivo. Reportagem da edição de hoje do Jornal da Praça (Ponta Porã – MS) mostra que é cada vez maior o número de mulheres dos municípios sul-mato-grossenses de Maracaju, Jardim, Dourados, Campo Grande - e de outros estados - que procuram o comércio da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero (fronteira seca com Ponta Porã) para comprar a droga abortiva Cytotec.

Como resultado, muitas destas mulheres acabam nos hospitais locais com indicações de aborto natural (cerca de 150 ao mês, segundo médicos de Ponta Porã). O medicamento é indicado para problemas estomacais como úlcera, gastrite e outras complicações, mas tem o poder de causar o aborto nas primeiras semanas de gestação. Com venda proibida no Brasil o Cytotec pode ser comprado livremente no Paraguai.

Os resultados do relatório Aborto e Saúde Pública, elaborado por pesquisadores de duas universidades brasileiras - de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - confirmam a posição do Ministério da Saúde de que a interrupção induzida da gravidez é um problema de saúde pública. A informação mais relevante do estudo é que a quantidade de mulheres que abortaram no país, cerca de 3,7 milhões, está bem acima da estimada em pesquisas anteriores, em torno de 1,5 milhão, e foi obtida a partir de questionamentos diretos às mulheres.

Victor Barone

Pele

A fina pele de seus dedos
Desliza na aspereza do meu peito
Escrevendo partituras perdidas

Embrenhada em minha pele
Tateias seu caminho em finas linhas
Buscando respostas em mim

Pérolas lascivas cobrem a noite outonal
Antes que sua língua lambuze de vida

Victor Barone

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O fim do jornalismo

Os rumos do jornalismo foram debatidos na Universidade de Bedfordshire (Inglaterra). Vale conferir os artigos (em inglês) que resultaram do encontro.

Poeta lança livro em Campo Grande



O poeta curitibano Altair Oliveira lança o livro "O lento alento" em Campo Grande netsa quinta-feira, 23, a partir das 20h30, no Tenda Bar, rua Salgado Filho, 625b. Vale a pena conferir.

A irresponsabilidade nossa de cada dia

Na noite domingo, ainda sob o impacto do desenrolar desastroso do seqüestro em Santo André, escrevi um breve desabafo sobre a transformação da notícia em espetáculo. Em seguida, o Observatório da Imprensa publicou uma série de artigos que, com muita propriedade, expõem as feridas de nossa profissão, onde a preocupação social é destruída pela fome desmedida por pontos de audiência. Vale a pena ler os artigos a seguir:

A imprensa em cárcere privado
Luciano Martins Costa
Quem matou Eloá?
Nelson Hoineff
O fantástico show da morte
Carlos Brickmann
Por que tudo acabou mal
José Paulo Lanyi

Ainda o "deproma"

“Repito aqui: o ensino de jornalismo nada tem a ver com a exigência ou não de um diploma para exercê-lo. Eu, assim como muitos de vocês, quero uma faculdade melhor, preocupada com a discussão acadêmica sim, mas dona de recursos humanos capazes de gerir as necessidades técnicas do ensinamento deste trabalho”.

Assim o professor Alec Duarte finaliza mais um interessante artigo sobre a imbecilidade da exigência do diploma para exercício do jornalismo no Brasil. Vale a pena checar no blog webmanario.

-

Sobre o mesmo tema, vale ler o artigo de Rogério Christofoletti no blog Monitorando. As mesmas ladainhas de sempre, com uma capa mais amena. Repliquei nos comentários.

Em tempo: o jornalista Maurício Tuffani acaba de rebater Christofoletti em artigo devastador no Laudas Críticas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Muito glamour

A estudante Nayara Silva, de 15 anos, fez um pedido nesta segunda-feira (20) aos médicos do Centro Hospitalar de Santo André, no ABC. Ela pediu uma visita do atacante do Milan Alexandre Pato, segundo a assessoria de imprensa do hospital.

É sério ou estão de sacanagem?

Um poema

Houve tempo em que céu
se abria em nesgas de luz
a vazar retinas negras adentro

Fechadas agora
retinas fachadas
se movem em mim

Houve dias em que fel
escorria de nuvens
a inundar minha boca sedenta

Calada agora
a boca travada
se enche de ti

Victor Barone

Poesia na net e no rádio

Estréia no próximo sábado, 25, às 21h30, na rádio Cultura Brasil (1200khz) - também dá para escutar pela internet - o programa Ondas Literárias, produzido pela poeta Andréa Catropa. O primeiro entrevistado é o poeta maranhense Celso Borges. Para saber mais sobre o programa acesse o blog.

Pode gastar

O presidente Lula deu ontem autorização para que a população gaste pelos cotovelos. Com objetivo de manter o mercado interno aquecido e amenizar os efeitos da crise financeira na economia nacional o presidente disparou durante comício eleitoral em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo: "Continuem comprando as coisas que precisam". E foi além: "Este negócio de crise é assim... fala-se uma vez, duas, três e vão criando um certo medo na sociedade; depois um pânico; e depois as pessoas param de comprar. Mas eu duvido que alguém tenha sentido essa crise na empresa que trabalha".

Lula se esqueceu, ou não foi avisado, que 53% das famílias paulistanas estão endividadas e 35% destas estão com contas em atraso, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Entre os consumidores com rendimento de até três salários mínimos, 58% têm algum tipo de dívida. Na faixa de renda de quatro a dez salários, 56% estão endividados, enquanto famílias que ganham mais de dez salários mínimos o percentual de endividamento alcança 37%.

Mais argumentos

Sensacionais os dois posts do jornalista Everton Maciel, de Pelotas, no Blog do Capeta, publicados no sábado e domingo. Mais uma vez o tema é a obrigatoriedade do "deproma" para o exercício do jornalismo.

No primeiro posto, intitulado Extra! Extra! Não existe um diploma de jornalista!, Maciel desmistifica o tema mostrando que, de fato, o tal diploma de jornalista é um mito criado por sindicalistas e professores.

No segundo post, O protecionismo não tem um sentido sustentável II , o jornalista pelotense demonstra por a mais b que não há argumentos plausíveis para a exigência.

domingo, 19 de outubro de 2008

O espetáculo no lugar do jornalismo

Às 19h22 deste domingo (19 de outubro) ligo a TV e zapeando acabo estacionando no Domingo Espetacular da Record. Um jornalista fala no estúdio sobre a morte de Eloá Cristina Pimentel, 15, assassinada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, 22, em Santo André. Após ter sido levada ao Centro Hospitalar Santo André, a menina teve morte cerebral decretada e os pais em seguida autorizaram a doação de seus órgãos.

O jornalista da Record faz o link com uma repórter de plantão no hospital para que ela dê todos os detalhes sobre a autorização dada pela família. A jornalista avisa que os médicos responsáveis pela retirada dos órgãos farão uma coletiva e diz que o principal fato a ser esclarecido é sobre quem irá receber os órgãos da menina...

Ou seja: findo o caso que gerou centenas de horas de gravação por parte da maioria das emissoras, milhares de toques em intermináveis laudas em jornais impressos e sites de notícia, o interesse da mídia se volta para o destino dos órgãos de Eloá.

A fome por pontos de audiência não tem limites.

Pergunto: a quem interessa de fato uma cobertura segundo a segundo sobre o destino dos órgãos da jovem Eloá? O que isso trará de novo ao caso? O que acrescentará ao entendimento de um fato que ultrapassa os limites da compreensão?

Peço que não respondam de imediato. Pensem um bocadinho, deixem esfriar nos miolos os argumentos e na ponta da língua a ardência da vontade de dizer: é nosso direito informar e direito da população ser informada.

Bem, se vocês agüentam esperar, parabéns. Eu não agüento e respondo ainda com a língua quente e o cérebro atormentado por tanta hipocrisia. Uma ova! O único interesse por trás disso é vencer a luta pelo telespectador, pelos pontos na audiência.

Navegando para lá e para cá em busca de alguma base, encontro artigos, livros e teses sobre o tema. Seguem algumas coisas pinçadas desta selva.

Em seu livro Showrnalismo - A notícia como espetáculo, o jornalista José Arbex Jr. já apontava para onde caminhávamos, nós jornalistas, entorpecidos pelo "poder narcótico" da mídia.

“Os estudiosos de comunicação classificam essa exposição excessiva de alguns casos na mídia como espetacularização da notícia. Na realidade, a isso nada mais é do que a atribuição de um caráter teatral ao fato, com o acréscimo das técnicas do suspense, o que acentua a curiosidade popular, aumenta a venda de jornais e revistas e a audiência das emissoras de televisão e rádio”, afirma a jornalista Manuela Martinez em seu artigo Notícias ou Espetáculo.

Falando da cobertura política no artigo As raízes da espetacularização da notícia, Laurindo Lalo Leal Filho mostra que esta tendência de destruir a notícia em prol do espetáculo é comum a outras editorias, em especial na TV: “Há duas explicações básicas para que isso ocorra: o lucro como objetivo único das emissoras comerciais e, em decorrência, a visão da TV como fonte prioritária de entretenimento. Comecemos destrinchando a primeira explicação. No Brasil, diferentemente da maioria dos países europeus, a televisão foi concebida desde a sua origem como um empreendimento comercial, voltado para a obtenção de riquezas. Aqui não se pensou na TV como serviço público, com a responsabilidade social de, em primeiro lugar, se dirigir ao cidadão e dar a ele instrumentos para viver melhor na sociedade”.

Fico pensando se estamos ajudando a desconstruir nossa sociedade a partir da banalização da informação. Sim, pois se por um lado há os “jornalistas-animadores de auditório”, do outro há um público ávido a assistir esta demolição moral e ética.

O público parece preferir esta espetacularização da notícia na qual a televisão “registra cenas (...) apenas imaginadas nos filmes de ficção” [1], criando um ciclo vicioso que leva o leva a consumir apenas as produções sensacionalistas em detrimento das reportagens imparciais e com qualidade, pois a televisão transformou-se em “um fenômeno de massa de grande impacto na vida social” [2].

Sinceramente não sei onde vamos parar. Enquanto sindicatos e acadêmicos se esforçam por reduzir a profissão a um canudo, assuntos que realmente deveriam estar sendo debatidos à exaustão ficam perdidos nas entrelinhas.

Sei lá...

OBS: Vale checar alguma reações de jornalistas e outros profissionais no Observatório de Imprensa

[1] BARBEIRO, Herótodo & LIMA, Paulo Rodolfo de. Manual de telejornalismo: Os segredos da notícia na TV. 4ª reimpressão, editora Campus. Rio de Janeiro: 2002. Página 13.
[2] BARBEIRO & LIMA: 2002. Página 15.

Victor Barone

FM do Barone

A internet tem coisas deliciosas e um cara como eu, nascido nos anos 60, criado nos 70 e 80, sempre encontra umas coisinhas que muita gente já conhece, mas que é uma tremenda novidade para os filhos do vinil.. como eu. Adicionei hoje uma ferramenta que adorei, o LastFM. Com ele pode-se construir uma rádio só com os artistas e estilos que curto. Portanto, a partir de hoje, na barra ao lado, meus visitantes encontrarão minha rádio... só com gente que eu gosto. Aviso que me empolguei no ecletismo. E como meu gosto musical vai do samba ao punk rock, tem um pouquinho de tudo ali.

sábado, 18 de outubro de 2008

Resultado de uma tarde ouvindo Ira!

Enquadrado em mim
Espremido sob o fel
Repleto de Ira!
E tardes vazias

Na cabeça um sol
Emparedado em lençóis
Repleto de cinzas
E noites tardias

Trovoadas sobre sua voz
Esta ponta de chuva
A te lavar de mim

Sigo uivando Kadish
E outros poemas
Em meu novo estéreo

Victor Barone

Mais uma peça na máquina de fazer "deproma"

Para quem acha que escola forma jornalista, mais uma entre as centenas de opções: desta vez no Senac.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Para encerrar a sexta com pé direito

Wont be long - Aretha Franklin

Entre o martelo e a bigorna

Não sou adepto da cultura dos vigilantes, das milícias, da justiça pelas próprias mãos, dos esquadrões da morte. Mas não sou adepto também da irresponsabilidade e da hipocrisia dos que esperam as tragédias acontecerem para entoarem loas aos direitos humanos, em especial os direitos humanos dos que possuem pouco ou nenhuma humanidade.

Agora perguntarão por que motivo a polícia militar de São Paulo deixou a situação chegar ao ponto que chegou em Santo André. Porque não tomaram alguma atitude que evitasse que duas meninas de 15 anos fossem baleadas por um seqüestrador. É fácil perguntar isso agora.

Fico imaginando o que teria acontecido se a polícia tivesse usado atiradores de elite (por exemplo) para mandar para o inferno este lixo humano. Certamente, neste momento, os policiais estariam sendo chamados de assassinos, despreparados, estariam aguardando inquérito, condenados pela mídia e pela nossa intelectualidade confortavelmente sentada em suas salas de estar.

Vivemos entre o martelo e a bigorna.

O transeunte em meio a guerra

"O transeunte passa a ser um estorvo na guerra particular entre policiais e bandidos – na qual, ao que tudo indica, a segurança pública tornou-se um mero pretexto.
Numa conjuntura como esta, a imprensa tem a obrigação de ir além daquilo que todos estamos vendo na tela da TV ou nas fotografias. É preciso buscar o contexto dessa crise por que, senão, para que serve a imprensa? A população está perdida no meio desta guerra e o único recurso que ela tem para reverter o quadro é a informação contextualizada."

Constatação apavorante e verdadeira do jornalista Carlos Castilho em seu artigo Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia, publicado hoje no Observatório de Imprensa.

Diploma

"Diploma de jornalismo? Vão ler Fernão Capelo Gaivota e parem de encher o nosso saco"
Veja o artigo completo aqui.

Reinaldo Azevedo, 20 de Julho de 2006

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Fechando a quinta...

Clara: Canto das três raças

Emprego bom

O diretor do presídio de segurança máxima de Bangu 3 (RJ), o tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, foi assassinado com 30 tiros na manhã de quinta-feira na avenida Brasil. Em 2006, homens armados mataram o diretor do presídio Ary Franco, em Água Santa, Aílton dos Santos, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Em março de 2004, o subdiretor do presídio de segurança máxima de Bangu 1, Wagner Vasconcellos da Rocha, foi morto a tiros em São João de Meriti. Em 2003, o então diretor Bangu 3, Abel Silvério, foi assassinado também na avenida Brasil. Duas semanas antes, o coordenador de segurança do complexo penitenciário de Bangu, Paulo Roberto Rocha, também havia sido morto a tiros.

Alguém quer estes empreguinhos?

Os "ficha-suja"

A lei complementar 64/1990 diz que são inelegíveis (por determinado tempo) candidatos condenados em processos já transitados em julgado (quando não há mais possibilidade de recursos para instâncias superiores), em casos de crimes contra economia popular, fé pública, administração pública, patrimônio público e mercado financeiro, além de tráfico de entorpecentes e crimes eleitorais.

Em junho passado os defensores da tese da ficha limpa tentaram ampliar esta penalidade baseando-se no princípio da moralidade para estender a inelegibilidade a quem ainda está respondendo processos: "Para fazer um concurso de merendeira no estado, é exigida uma ficha limpa. Um vereador ou um prefeito, que vai fiscalizar a coisa pública, como vai ser eleger com a ficha suja?", questionava o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas, Antônio Sapucaia, quando o tema ainda não tinha sido alvo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – que rejeitou a tese.

No dia 10 de junho, o TSE decidiu por um placar apertado que, sem condenação definitiva, não há como impedir a candidatura de alguém que tenha uma “ficha suja”. Em seu voto, o ministro Eros Grau, avaliou que não é competência do Poder Judiciário “estabelecer critérios de avaliação da vida pregressa de candidatos para fim o fim de definir situações de inelegibilidade”.

Adepto da restrição de elegibilidade para candidatos com pendências judiciais relacionadas a delitos de maior potencial ofensivo, o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, não conseguiu ver sua tese consolidada como um posicionamento da Corte.

De positivo ficou a ação de algumas entidades que se apressaram a tornar público, através de sites e publicidade, a vida pregressa dos candidatos que disputaram a última eleição. Projetos como o Excelências (lista de políticos com condenações na Justiça e Tribunais de Contas), o Às Claras (financiamento eleitoral) e o Deu no Jornal (noticiário sobre corrupção), são exemplos salutares.

O fato é que não há como aceitar que alguém cuja vida pública ou privada tenha sido manchada por uma condenação possa disputar o direito de representar o povo, seja no executivo ou no legislativo. Uma condenação em primeira instância deveria ser o suficiente para afastar alguém de uma eleição. Diante da lerdeza da justiça no Brasil, a lei complementar 64/1990 parece uma brincadeira visto que, levado até o último grau de apelação (e com o auxílio de competentes bancas de advogados), um político corrupto pode beneficiar-se da impunidade por longos anos.

Mato Grosso do Sul

Se a regra da inelegibilidade de políticos condenados em primeira instância fosse vigente no País, muitos políticos sul-mato-grossenses estariam afastados da vida pública (mesmo que por um tempo determinado).

O deputado estadual Diogo Tita (PMDB) – ex-prefeito de Paranaíba - por exemplo, tem algumas dezenas de condenações e citações sobre irregularidades no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) e uma condenação do Tribunal de Contar da União (TCU). O mesmo ocorre com o vereador campo-grandense Jorge Martins (PDT), condenado pelo TCE por irregularidades em contratos do Fundo de Previdência Social de Mato Grosso do Sul, referentes ao período em que era diretor do instituto.

Os “ficha-suja” da política sul-mato-grossense se espalham pelas Câmaras Municipais dos 78 municípios do estado, pela Assembléia Legislativa, Câmara Federal e só não aparecem entre os três senadores que estado mantém no Congresso Nacional.

Confira a seguir a lista dos políticos da Câmara Municipal de Campo Grande, Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul e seus representantes no Congresso Nacional (com mandato) cujos nomes aparecem no levantamento do site Excelências sobre políticos citados na Justiça e Tribunais de Contas.

Câmara Municipal de Campo Grande
- Jorge Martins (PDT)
TCE-MS Decisão Nº 146/1997 e TCE-MS Decisão Nº 147/1997 - Multado em 10 UFERMS por irregularidades em contratos do Fundo de Previdência Social de Mato Grosso do Sul, referentes ao período em que era diretor do instituto.

Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul
- Antônio Carlos Arroyo (PR)
TCU Acórdão Nº139/1995 - Prestação de contas do exercício de 1992 do Partido Democrático Social (PDS), sob sua presidência, julgada irregular.
TCU Acórdão Nº474/1994 - Prestação de contas do exercício de 1991 do Partido Democrático Social (PDS), sob sua presidência, julgada irregular. Condenado ao pagamento de multa de R$ 1.733,00.
- Coronel Ivan (PSB)
TJ-MS Ação Penal Nº2008.010402-7 - É acusado de haver atestado informação falsa em benefício de outra pessoa, atentando contra a administração militar, e de haver deixado de observar a legislação no exercício do cargo (artigo 314 e 324 do Código Penal Militar).
- Diogo Tita (PMDB)
TCU Acórdão Nº386/2002 - Foi multado em R$ 3.000,00 em virtude de irregularidades em convênios firmados entre a prefeitura de Paranaíba e o Governo Federal.
TCE-MS Acórdão Nº399/2007 - Foi considerada irregular a prestação de contas da aplicação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério no município de Paranaíba, referente ao exercício de 2004. O ex-prefeito foi condenado a pagar multa de 50 UFERMS (sigla para Unidade Fiscal Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul). Uma UFERMS equivale a R$ 13,56 (quantia válida para conversões em julho e agosto de 2008)
TCE-MS Acórdão Nº533/2004 - Foi considerada irregular a prestação de contas do Fundo Municipal de Saúde de Paranaíba, referente ao exercício de 2002. Diogo Tita foi multado em 100 UFERMS.
TCE-MS Acórdão Nº532/2004 - Foi considerada irregular a prestação de contas do Fundo Municipal de Esporte, Cultura e Lazer de Paranaíba, referente ao exercício de 2002. Diogo Tita foi multado em 100 UFERMS.
TCE-MS Acórdão Nº531/2003 - Foi aprovada com ressalva a prestação de contas do Fundo Municipal de Assistência Social de Paranaíba, referente ao exercício de 2001, mas Diogo Tita foi condenado a multa de 50 UFERMS.
TCE-MS Acórdão Nº494/2003 - Foi aprovada com ressalva a prestação de contas do Fundo Municipal de Saúde de Paranaíba, referente ao exercício de 2001, mas Diogo Tita foi condenado a multa de 50 UFERMS.
TCE-MS Decisão Nº374/2007 - Multado em 200 UFERMS em virtude de irregularidades verificadas por inspeção ordinária, referentes ao exercício de 2002 da prefeitura de Paranaíba.
TCE-MS Decisão Nº60/2007 (2ª Câmara) - Multado em 50 UFERMS, em virtude de irregularidades na aplicação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério no município de Paranaíba.
TCE-MS Decisão Nº67/2006 - Multado em 100 UFERMS, em decorrência de irregularidade no Orçamento-Programa do Município de Paranaíba do exercício de 2004.
TCE-MS Decisão Nº16/2006 - Multado em 50 UFERMS em virtude de irregularidade em relatório de execucação orçamentária da prefeitura de Paranaíba, referente ao exercício de 2003.
TCE-MS Decisão Nº92/2002 - Foi multado em 100 UFERMS e condenado a ressarcir o montante de R$ 27.994,73 aos cofres públicos, em virtude de pagamentos indevidos durante sua gestão à frente da prefeitura de Paranaíba.
Contratos firmados pela prefeitura de Paranaíba durante a gestão de Diogo Tita em que foram apontadas irregularidades ou falhas formais pelo Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso do Sul:
TCE-MS Decisão Nº752/2007; TCE-MS Decisão Nº718/2007; TCE-MS Decisão Nº623/2007; TCE-MS Decisão Nº314/2007; TCE-MS Decisão Nº284/2007; TCE-MS Decisão Nº787/2006; TCE-MS Decisão Nº786/2006; TCE-MS Decisão Nº682/2006; TCE-MS Decisão Nº609/2006; TCE-MS Decisão Nº440/2006; TCE-MS Decisão Nº399/2006; TCE-MS Decisão Nº399/2006 (2ª Câmara); TCE-MS Decisão Nº269/2006; TCE-MS Decisão Nº165/2006; TCE-MS Decisão Nº111/2006; TCE-MS Decisão Nº506/2005; TCE-MS Decisão Nº28/2005; TCE-MS Decisão Nº27/2005; TCE-MS Decisão Nº23/2005; TCE-MS Decisão Nº521/2004; TCE-MS Decisão Nº549/2003; TCE-MS Decisão Nº442/2000; TCE-MS Acórdão 242/2002 (reformou a Decisão Nº142/2001); TCE-MS Decisão Nº31/2001; TCE-MS Decisão Nº29/2001; TCE-MS Decisão Nº368/2000; TCE-MS Decisão Nº541/1998.
Convênios firmados pela prefeitura de Paranaíba durante a gestão de Diogo Tita como prefeito e
julgados irregulares pelo TCE-MS:
TCE-MS Acórdão Nº3/2007; TCE-MS Acórdão Nº67/2006; TCE-MS Acórdão Nº29/2006; TCE-MS Acórdão Nº110/2005; TCE-MS Acórdão Nº105/2005; TCE-MS Acórdão Nº103/2005.
- Londres Machado (PR)
TRF 3ª Região Ação Penal Pública Nº93.03.102975-5 - Ação de estelionato e crimes contra o patrimônio público.
STF Ação Cível Originária Nº743/2004 - É um dos réus em ação movida pelo Ministério Público por improbidade administrativa.

Câmara Federal
- Dagoberto Nogueira (PDT)
TJ PR Processo Nº001.06.022759-2 - Condenado em ação civil pública a reparar os danos patrimoniais e morais causados à administração pública estadual, mediante o ressarcimento integral do prejuízo consistente nos gastos com a publicidade da chamada Lei Seca.
- Vander Loubet (PT)
TJ-MS Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande - Ação Popular Nº001.04.008338-2 - Condenado em primeira instância a ressarcir aos cofres públicos estaduais o prejuízo decorrente de contrato de transferência de concessão do Porto Murtinho firmado entre o governo estadual e o consórcio Comport. A sentença também determinou a anulação do contrato. Foi protocolada apelação à decisão.
TJ-MS Agravo Nº2008.027547-4 - Referente a ação civil pública (TJ-MS Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande - Ação Civil Pública Nº001.06.049707-7) que tramita em primeira instância, relacionada ao contrato de concessão do Porto Murtinho ao consórcio Comport.

Senado
Não há citações contra senadores de MS.

Victor Barone

Pérolas aos porcos

Muito interessante o material publicado hoje pelo jornalista Alec Duarte em seu blog WebManário. A questão que me chamou a atenção é a ilusão de muitos professores universitários de cursos superiores de Jornalismo de que podem incutir em seus alunos valores humanistas ou, como disse Duarte, “o ideal de melhorar o mundo e defender os oprimidos”. O autor segue apontando a distensão entre este objetivo e a realidade propondo uma situação onde “o público (nosso leitor) não quer que o mundo melhore nem que os oprimidos sejam defendidos”.

Vou mais longe. Em minha experiência recente em sala de aula de um curso de jornalismo pude perceber que este desinteresse parte dos próprios candidatos a “jornalistas encanudados” (leia-se jornalistas com curso superior na área). Salvo raras exceções, o que prevalece é a total ausência de cidadania e da noção do papel que a profissão deve ter perante a sociedade no sentido de regular o poder e a própria sociedade por meio da identificação e exposição de suas mazelas e deslizes.

Prevalece entre esta garotada a noção do jornalismo de espetáculo, uma confusão entre informação e entretenimento – em especial entre aqueles que, desde cedo, optam pelo glamour da TV. É flagrante a ausência de uma visão social e transformadora, até porque a maior fatia destes acadêmicos é alheia ao que ocorre a sua volta, aos meandros ideológicos, religiosos, econômicos e políticos que constroem o tecido social e aos fatos que nos trouxeram a contemporaneidade.

Victor Barone

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Escárnios

Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes,
entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas
esses que sob a árvore nutriz escavam com seus focinhos as raízes.

Maiakovski (tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

As pantomimas da MMX e do poder público

A conversão de minério de ferro em ferro ou aço ocorre por meio da sua reação com carbono, sob elevadas temperaturas, em indústrias siderúrgicas. No Brasil, muitas siderúrgicas empregam carvão vegetal para este processo. Para cada tonelada de ferro produzido, são consumidos mais de 600 quilos de carvão vegetal ou, aproximadamente, uma tonelada de árvores. O problema é que as florestas cultivadas para este fim não têm sido suficientes para o fornecimento de todo o carvão vegetal consumido no país.

Este fato está por trás da pantomima apresentada ontem (14) pelo empresário Eike Batista, do grupo EBX, e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e digerida pela grande mídia sem muitos questionamentos. Em julho, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou uma das empresas de Batista em R$ 25 milhões, sob a alegação de que 90% dos fornecedores de carvão da mineradora operavam na ilegalidade. Ciente de que a pecha de mutilador ecológico não cai bem pra a imagem da MMX Mineração e Metálicos S/A o empresário assinou um acordo de cooperação de R$ 11,4 milhões para investimentos nos parques nacionais de Fernando de Noronha (PE), Lençóis Maranhenses (MA) e Pantanal mato-grossensse (MT).

A ação, por si só, merece aplausos. No entanto, é necessário observar o que há por trás dela. Eike Batista conhece os meandros da política e da imagem pública que deve construir para manter-se no topo da pirâmide. Sua estratégia de “bater e assoprar” já foi bem abordada no ano passado em bela reportagem de Alice Sampaio – que aponta as relações promíscuas entre o empresário e políticos do alto escalão sul-mato-grossense, como o governador André Puccinelli (PMDB) e o senador Delcídio do Amaral (PT).

A relação da MMX com as carvoarias ilegais no Brasil, na Bolívia e no Paraguai não é recente. Em outubro de 2005 o então ministro do Meio Ambiente do Paraguai, Alfredo Molinas, disse que “os contrabandistas brasileiros (de carvão) são os responsáveis de grande parte da devastação das florestas paraguaias”. Em 2006 a empresa foi expulsa pelo governo boliviano sob a alegação de que ocasionaria desmatamentos naquele país.

Em fevereiro de 2007 a MMX deu início a um projeto de plantio de eucalipto para atender ao programa de reflorestamento do Sistema MMX Corumbá, com o objetivo de suprir sua demanda de carvão vegetal. O objetivo é de atingir em sete anos 38 mil hectares cultivados (área necessária, segundo estudos da empresa, para garantir a auto-suficiência de carvão vegetal para a operação plena da unidade de Corumbá). A mineradora estaria investindo R$ 350 milhões no processo, com a pretensão de estender o reflorestamento aos municípios sul-mato-grosenses de Dois Irmãos do Buriti e Anastácio em um total projetado de 1.500 hectares. Não há, no entanto, levantamentos atualizados sobre o desenvolvimento deste projeto.

Oito meses depois, em novembro do ano passado, o Ibama desencadeou a “Operação Ouro Negro”, interrompendo um desmatamento de floresta nativa na reserva indígena dos índios kadiwéus que chegou a mil hectares. A madeira era transformada em carvão e parte do produto comercializado (pasmem) com a MMX. Grande parte da mata derrubada era composta de essências florestais, aroeira e quebracho, espécies protegidas por lei.

O desmatamento ocorreu numa área da reserva situada no Pantanal do Nabileque, ao sul do município de Corumbá, divisa com os municípios de Bodoquena e Porto Murtinho. No local foram encontrados 40 fornos, apreendidos 12 motosserras e 500 m3 de carvão. O Ibama informou que o desmatamento ocorreu em uma região de extrema importância ambiental, contemplada por espécies da flora da Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.

Seja lá qual for à área plantada pela empresa, todo carvão utilizado por enquanto (antes que o eucalipto possa ser usado) terá de vir das carvoarias espalhadas pelo Mato Grosso do Sul, Bolívia e Paraguai. É aí que reside o problema. É notório que as carvoarias ilegais proliferam na região. No ano passado a Polícia Militar Ambiental (PMA) fechou 101 delas. De acordo com dados do Ibama existem 1.226 carvoarias cadastradas e cinco mil carvoarias ilegais no Mato Grosso do Sul, diversas delas no Pantanal. Os municípios mais visados pelos criminosos são Bonito, Aquidauana, Jardim e Bodoquena. Ednilson Queiroz, capitão da PMA, define o caos: “A produção e comércio do carvão vegetal devem ser encarados como crime organizado”.

Holocausto das matas nativas

A professora Sonia Hess, engenheira química e coordenadora do curso de engenharia ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) tem feito constantes apelos, preocupada com o futuro das matas nativas no estado. Hess, que presta assessoria voluntária ao Ministério Público Estadual e Federal sobre questões relacionadas ao meio ambiente, traça um quadro temerário. Ela garante que as matas nativas de Mato Grosso do Sul poderão ser devastadas devido à ação das siderúrgicas.

Segundo a pesquisadora, a lacuna de tempo entre o plantio de eucaliptos com fins de produção de carvão e sua maturação para o primeiro corte será ocupada pela utilização de carvão de todas as procedências: “O alimento para os fornos será retirado de onde é possível, das matas nativas, por exemplo. O empresário do campo, hoje, está apertado, não é difícil para os carvoeiros chegarem em uma fazenda e oferecerem o serviço de limpeza do pasto, retirar tudo, para depois o proprietário plantar cana ou criar gado. Em troca eles levam as árvores, a mata nativa”, explica.

Maior consumidor do carvão sul-mato-grossense, o estado de Minas Gerais compra no estado o que já não pode produzir devido à devastação de suas áreas florestais. As indústrias mineiras perceberam que é mais barato se instalarem em MS do que comprar o carvão e levá-lo para MG. A Sideruna (instalada em Campo Grande) é mineira. A atual produção de carvão no estado é de cerca de 2 milhões de metros cúbicos, sendo a maior parte, 1,3 milhão de metros cúbicos, consumidos por Minas Gerais.

É desesperador. Quem viaja pelo Pantanal vê que as áreas estão sendo dizimadas. Os prejuízos relacionados a esta destruição não podem ser calculados. No momento em que perdemos esta biodiversidade, perdemos fertilidade do solo, perdemos a possibilidade de explorar o turismo e produtos úteis como medicamentos, alimentos. Além disso, trata-se de condenar gerações futuras a viverem num ambiente degradado”, lamenta Hess.

Seria óbvio imaginar que as empresas que dependem do carvão vegetal, ao se instalarem, desenvolveriam de imediato uma estratégia de plantio de árvores para serem consumidas em sua produção. Mas isso não é tão óbvio assim. O diretor da área de metálicos da MMX, Dalton Nosé, explica que a empresa tem prazo legal de 10 anos para se tornar independente do carvão vegetal de terceiros.

Como o mercado consumidor existe hoje, não houve tempo para preparar uma estrutura para atendê-lo. Então, o que se está fazendo é implantar as indústrias para depois tentar plantar árvores. Mas isso não é o pior, em muitos casos nem mesmo se está plantando árvores, estão mesmo contando com a mata nativa”, conclui a pesquisadora da UFMS.

A preocupação não é fruto de um alarmismo descabido. Desde 2005, pesquisadores e organizações não-governamentais ligadas ao meio-ambiente alertam para o aumento excessivo do desmatamento de matas nativas no estado. A organização Conservação Internacional apresentou no final de 2005 um estudo apontando que 17% da cobertura vegetal original do Pantanal já foi destruída. A taxa de desmate, que era de 0,46% nos anos 90, subiu para 2,3% em 2004. Em janeiro de 2006, o IBAMA multou a maior siderúrgica de MS (Vetorial) em R$ 23 milhões, devido ao uso de carvão proveniente de matas nativas.

Audiência pública sobre o tema, realizado na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul em abril do ano passado, concluiu que as florestas cultivadas não têm sido suficientes para o fornecimento de todo o carvão vegetal consumido no estado. Documento tirado dos debates apontou que “a demanda em Mato Grosso do Sul para o consumo de madeira de reflorestamento, contando somente o parque industrial já instalado, ou em vias de ativação, como é o caso da maior parte do pólo minero siderúrgico de Corumbá, é suficiente para consumir quase cinco vezes a produção atual...”.

O presidente da Associação Sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore – MS), Luiz Ramirez Júnior, afirma que as indústrias do setor siderúrgico, mínero-siderúrgico, papel e celulose do estado devem consumir, em curto prazo, cerca de 500 mil hectares de florestas. A produção atual é de 120 mil hectares, segundo a entidade.

A saída, propõe Sônia Hess, além de uma fiscalização eficaz, seria uma moratória na implantação de siderúrgicas em Mato Grosso do Sul. “Empreendimentos que consomem a partir de 10 mil toneladas de árvores ao mês deveriam obter permissão de instalação somente após terem plantado árvores suficientes para a sua demanda”.

Um emprego vale o futuro

Em nome do desenvolvimento vale tudo para aqueles que nada tem e para os que querem mais do que já possuem. A MMX representou um salto significativo para o município de Corumbá, que passou do 7º para o 2º lugar na arrecadação de impostos estaduais. Os investimentos na cadeia do minério de ferro vão gerar não apenas recursos tributários para os municípios e para o estado, como também qualificação profissional e geração de emprego. A Planta de Metálicos de Corumbá, ainda durante as obras, gerou 450 empregos diretos e 2.700 indiretos somente na mineração, além de 246 empregos diretos e 1.260 indiretos na siderurgia. Esta realidade, quando confrontada com os danos ambientais, se agiganta e serve de argumento para que o estado feche os olhos para a devastação que já ameaça o futuro da região.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Donos do Poder

Muito interessante o Projeto Donos da Mídia, elaborado pelo jornalista Daniel Hertz, que reúne dados públicos e informações fornecidas pelos grupos de mídia para montar um panorama completo da mídia no Brasil. O projeto disponibiliza um amplo e exclusivo quadro da comunicação social brasileira, onde não apenas as relações econômicas entre os grupos privados foram listadas e relacionadas, mas os regimes de informação, aos quais as populações estão submetidas, aparecem identificados e analisados de forma preliminar.

Argentina, diploma e jornalismo

No momento em que o STF está na iminência de votar a obrigatoriedade (ou não) de um diploma específico para o exercício do jornalismo, e aproveitando que sigo aqui pela Argentina, procurei consultar jornalistas amigos para saber como a questão é tratada aqui.

Pasmem: para ser jornalista na Argentina não é preciso nem sequer um diploma universitário. Isso mesmo, qualquer um, de qualquer área. Basta, apenas, comprovar que se trabalha (ou se trabalhou) na profissão, inclusive em atividades correlatas _como diagramador ou fotógrafo, por exemplo.

Radical demais, mas não deixa de colocar uma boa pitada nesta discussão. Afinal, que atire a primeira pedra quem considera _e pode sustentar essa opinião com argumentos sólidos_ o jornalismo brasileiro superior ao argentino. No mínimo, diria que estão no mesmo nível (sendo benevolente conosco, para dizer a verdade).

O fato de não existir exigência de diploma não significou o fim da carreira como uma disciplina acadêmica, pelo contrário. No país, há centenas de opções de cursos (que duram os mesmos quatro anos que os cursos brasileiros). E estas faculdades estão cheias de gente em busca de informação que possa auxiliar seu trabalho futuramente nas redações.

Entrementes, no Brasil, a Fenaj segue sua campanha pró-diploma sustentada no fragilíssimo pilar da regulamentação. Ora, a regulamentação nada tem a ver com o diploma em si, mas sim com metodologias de acesso e controle profissional que muito bem poderiam ser supridas por um órgão que fiscalize as práticas dos jornalistas militantes (especificamente no campo da ética).

Como vimos, as faculdades de jornalismo não acabaram nem perderam alunos apenas porque um diploma não é necessário para se trabalhar na profissão. O caso argentino prova isso e derruba mais uma das bobagentas argumentações dos que defendem a obrigatoriedade de um pedaço de papel para exercer esta função altamente técnica.

Alec Duarte, jornalista (WebManário)

De Leandro Bierhals




segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Falando em ética...

Certa vez, em um evento da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), os jornalistas presentes se reuniram em um cantinho para apreciar de longe as homenagens e demais lenga-lengas que compunham a programação. Como é comum, o bate-papo eclodiu entre os coleguinhas e acabou vindo à tona a malfadada exigência do diploma para o exercício da profissão.

Como sempre, me posicionei contra a obrigatoriedade. Os ânimos não ficaram muito amenos e, presente ao bate-papo, uma colega com quem já havia trabalhado na TVE, integrante do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul, fez o que fazem os defensores do diploma: ao invés de debater perguntou-me de chofre se eu era diplomado. Respondi que não e ela, imediatamente, encerrou a discussão como se o fato de eu não ser diplomado fosse, por si só, argumento final contra meu posicionamento.

Não preciso dizer que a tal coleguinha caiu muito no meu conceito...

A estratégia de desqualificar a opinião dos que são contra a obrigatoriedade do diploma é uma das mais lamentáveis facetas desta encruzilhada em que vive o jornalismo no Brasil. Mostra a incapacidade de nossos sindicalistas (e de parte da academia) em debater de fato o tema. Lamentável.

Trago este assunto, pois o mesmo argumento que minha amiga jornalista usou naquela oportunidade foi usado esta semana para contrapor meu posicionamento em sites de notícia locais, onde deixei clara a minha opinião sobre o tema, sugerindo um debate mais aprofundado sobre o tema.

Eis que no em um espaço dedicado a opinião do leitor de um destes sites um colega de profissão chamado Carlos Cunha (não o conheço pessoalmente) sugeriu que meu posicionamento contra a exigência do diploma era fruto de minha condição de jornalista não diplomado. Sugeria o Carlos que eu assim procedia por “receio” de perder meu registro precário.

A precisão na checagem de informações é condição básica no exercício do jornalismo e Carlos Cunha pecou neste sentido.

Pecou pois não sabia que, apesar de não ser diplomado, eu cursei a Faculdade de Jornalismo de 1988 a 1992, tendo abandonado o curso por motivos particulares. Pecou por não saber que retomei os estudos em 2006 na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e que já defendi meu projeto final, estando cursando a última matéria para a conclusão do curso. Pecou por ser apressado em condenar meu posicionamento sem argumentos legítimos.

Pois bem. Posso ser acusado de corporativismo em minha opinião? Eu que cursei a faculdade de 1988 a 1992 e que retomei os estudos depois de velho estando prestes a concluí-los? Acho que não...

Victor Barone