Semana On

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Turismo abortivo

Além das belezas naturais, Mato Grosso do Sul, agora, oferece aos viajantes uma outra opção de turismo, o abortivo. Reportagem da edição de hoje do Jornal da Praça (Ponta Porã – MS) mostra que é cada vez maior o número de mulheres dos municípios sul-mato-grossenses de Maracaju, Jardim, Dourados, Campo Grande - e de outros estados - que procuram o comércio da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero (fronteira seca com Ponta Porã) para comprar a droga abortiva Cytotec.

Como resultado, muitas destas mulheres acabam nos hospitais locais com indicações de aborto natural (cerca de 150 ao mês, segundo médicos de Ponta Porã). O medicamento é indicado para problemas estomacais como úlcera, gastrite e outras complicações, mas tem o poder de causar o aborto nas primeiras semanas de gestação. Com venda proibida no Brasil o Cytotec pode ser comprado livremente no Paraguai.

Os resultados do relatório Aborto e Saúde Pública, elaborado por pesquisadores de duas universidades brasileiras - de Brasília (UnB) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - confirmam a posição do Ministério da Saúde de que a interrupção induzida da gravidez é um problema de saúde pública. A informação mais relevante do estudo é que a quantidade de mulheres que abortaram no país, cerca de 3,7 milhões, está bem acima da estimada em pesquisas anteriores, em torno de 1,5 milhão, e foi obtida a partir de questionamentos diretos às mulheres.

Victor Barone

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