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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

8ª Parada da Diversidade Sexual acontece hoje em Campo Grande, apesar da intolerância

A 8ª Parada da Diversidade Sexual de Campo Grande, conhecida popularmente como Parada Gay, será realizada nesta sexta-feira, com programação ao longo de todo o dia, a partir das 8h, na Ary Coelho, com a entrega de preservativos e materiais didáticos, pedagógicos e preventivos. No ano passado a parada reuniu 30 mil pessoas.

Organizado pela Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS), o evento contará, ainda, com a 1ª Gincana da Diversidade, com a arrecadação de alimentos não-perecíveis, além de coleta de sangue para teste de HIV.

Às 15 horas, também na praça, começa a concentração para a marcha pela cidadania e pela diversidade com início previsto para uma hora depois. A passeata irá percorrer as ruas 14 de Julho, Marechal Rondon, 13 de Maio e Barão, terminando a Praça do Rádio Clube.

O evento continua às 18h com o show na Praça do Rádio Clube com drags de São Paulo, go-go boys, Michele e Banda, Unidos da Vila Cruzeiro e Banda Fascínio. O último evento será a festa oficial no Bistrot, na rua Pimenta Bueno, 127.

O governador André Puccinelli, que recentemente chamou o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de viado e disse que, se caso o encontrasse, o estupraria em praça pública, está entre os convidados e patrocinadores.

Campo Grande tem um histórico de homofobia pouco honroso. No ano passado, a Câmara Municipal, inflamada pelas bancadas evangélica e católica, negou a concessão de um título de utilidade pública para a ATMS. Agora, a mesma histeria surge em ações que procuram “proteger” o cidadão.

A juíza da Vara da Infância, Juventude e Idoso, Katy Braun do Prado, por exemplo, proibiu a participação de crianças e adolescentes menores de 16 anos de idade na parada.

A Câmara Municipal, que poderia ter evoluído, volta a mostrar que permanece na idade das trevas. O presidente da Casa, Paulo Siufi (PMDB), criticou a realização do evento, afirmando que o mesmo vai prejudicar o comércio. Em aparte, o vereador Carlão (PSB) criticou o apoio da Fundação Municipal de Cultura, afirmando que o movimento “não vai agregar em nada” e que “pode virar baderna”. Paulo Pedra (PDT) e Flávio César (PT do B) afirmaram que são favoráveis a manifestações, mas que são contra a realização do evento em dias da semana. “Aqui nesta Casa nenhum vereador esta se posicionando de forma preconceituosa, mas está defendendo o interesse do comércio da cidade”, disse Flávio César.

Pois sim... Falta verdade interior para assumir que a preocupação tem fundamento no preconceito e na intolerância. Lamentável.


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4 comentários:

Gui disse...

É uma discussão que inspira muito cuidados, Barone. seu relato descreve situações revoltantes. É quando sinto saudades de Fortaleza, não pela Parada Gay que reune 1 milhão de indivíduos na Av. Beira Mar, mas, pela sensação de liberdade...

Barone disse...

Aqui a coisa é mais complicada Gui. Há um preconceito incubado, reforçado pelo baixíssimo nível intelectual e moral dos nossos representantes. Há exceções, é claro, mas estas apenas confirmam a regra.

Adriana Godoy disse...

Lamentável mesmo. bj

Anónimo disse...

Vou pegar uma carona. Como sempre a "minha" questao eh a indigena (desculpe, mas o meu teclado eh 'estranja' e nao sei configurar...). Senhores, os mesmos vereadores que bradam em defesa do comercio da capital, nao sao capazes de olhar para o lado, e dizer se eh ou nao desonroso matar um professor indigena, na fronteira, aas duras penas formado e prestando servicos a sua comunidade. Os mesmos eleitos que condenam a diversidade sexual, estimulam o assassinato de indigenas, com suas falas arrogantes e agressivas. Licenca para matar, eh o que provocam. Licenca para impedir pessoas diferentes de serem diferentes. Licenca para o preconceito, a dor, a violencia sem fim...hoje o dia era de Zumbi, mas foi de Genivaldo Vera, da Parada, de quem tem coragem de lutar. E ainda, na imprensa, nos deparamos com a seguinte afirmacao surreal, de um perito criminal: nao sabemos se ele foi assassinado; havia uma fratura no torax, e foi encontrado boiando no corrego Ypo'i, mas nao sabemos se ele foi assassinado. So as investigacoes dirao...Kafka perde. Em Mato Grosso do Sul tudo (menos a delicadeza) eh possivel...abraco, Adriana