Semana On

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poesia

É quase maio
E meus dias se esparramam
Repletos de um gosto de sal
Semeados de pássaros

É quase maio
E o amor se entorta em mim
Como cavalo guernica
Rabisco traçado em tela

É quase maio
E tua boca de rosas
Exala silêncio

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um álbum às quartas


HERE´S LITTLE RICHARD
LITTLE RICHARD
Baixe o álbum AQUI

1. Tutti Frutti
2. True Fine Mama
3. Can't Believe You Wanna Leave
4. Ready Teddy
5. Baby
6. Slippin' and Slidin' (Peepin' and Hidin')
7. Long Tall Sally
8. Miss Ann
9. Oh Why?
10. Rip It Up
11. Jenny, Jenny
12. She's Got It

Here's Little Richard é o álbum de estréia de Little Richard, lançado em março de 1957. Foi seu álbum mais festejado, tendo alcançado a 13º posição na Bilboard Pop Álbuns. Em 2003, o disco foi ranqueado como o 50º na lista dos 500 álbuns mais importantes de todos os tempos da Rolling Stones. O disco contém dois dos maiores clássicos do cantor, “Long Tall Sally” – que alcançou a 6º colocação na U.S. Pop charts – e “Jenny, Jenny”, que alçou a 10º colocação na mesma lista.

A história deste disco sensacional começou em 1956, quando Ricardinho emplacou seis canções nos Top 40, uma época na qual o rock´n´roll era movido quase que integralmente por singles. Este sucesso chamou a atenção da Specialty Records, que trouxe Richard para seu cast, reunindo seus principais singles de 56 neste álbum épico. Até hoje, mais de 50 anos depois, Here's Little Richard permanece seu mais importante e vital álbum, além do seu maior sucesso comercial.

Wop Bop A Loo Bop A Lop Bam Boom. As vocalizações que permeiam as interpretações de Little Richard eram tão inusitadas quanto o seu visual andrógino de topete imenso, maquiagem forte e paletó. Homossexual assumido, pastor protestante e dono de um gigantesco ego, dizia ser um presente de Deus para a humanidade.

Little Richard

Little Richard nasceu Richard Wayne Penniman no dia 5 de dezembro de 1932 em Macon, no estado da Georgia. Terceiro de uma família de doze irmãos, era o filho preterido pelo pai e que sofria deboches dos irmãos por já demonstrar uma sensibilidade exacerbada. Teve uma infância triste, afastado dos garotos de sua idade, também por causa de um defeito na perna esquerda, mais curta que a direita, o que impedia que ele brincasse normalmente. Aos sete anos sapateava nas ruas para ganhar trocados, aos oito ganhou um concurso local de talentos.

Como a maioria dos negros de sua época, aprendeu a cantar em uma igreja evangélica, e no processo aprendeu também a tocar o piano. Cansado de ser motivo de deboche, fugiu de casa aos 14 anos para se juntar a um grupo de músicos andarilhos chamados de Dr. Hudson's Medicine Show, trabalhando como cantor, dançarino e pianista.

Nesta época mudou seu nome para Little Richard, o "Little" (pequeno) em função de quê, segundo ele, "todos os bluseiros que ele conhecia usavam 'Little' no nome" como Little Walter. Uma vez em Alabama, passou a viajar com Sugar Foot Sam em outro típico Medicine Show, um show de variedades que no final tentava lucrar com a venda de algum remédio, geralmente um tônico feito de ervas.

Em 1951, ganhou um concurso de talentos no 81 Theater, na cidade de Atlanta, capital do seu estado, Georgia, o que lhe permitiu gravar seu primeiro disco pela gravadora Victor (antes de se unir à RCA), um compacto que não provocou nenhuma mudança em sua vida artística. A esta altura, estava lavando pratos em uma lanchonete ligada a uma estação de ônibus. Teve a oportunidade de gravar um segundo compacto que igualmente não lhe trouxe maiores perspectivas. Mesmo assim, tinha montado uma banda própria, para apresentações ocasionais.

Em 1952 juntou-se ao grupo Tempo Toppers, capitaneado por Raymond Taylor e baseado em Nova Orleans, com apresentações constantes no Club Tijuana. Entre 1953 e 54 gravaram quatro músicas para o selo Peacock, em Houston, inicialmente como The Tempo Toppers e depois já como Little Richard and the Deuces of Rhythm. Entre essas gravações, principalmente durante o ano de 1953, Little Richard voltou a sua cidade natal trabalhando fora do âmbito artístico, novamente como Richard Penniman, onde casou e teve um filho.

Em 1955, já com uma nova banda, sua música demonstrava fortes influências não só do gospel que ele trazia da Geórgia, mas também do rhythm & blues de gente como Roy Brown, Jay Hawkins e Fats Domino. Sua postura artística também já amadurecera para incluir um topete imenso e uma maquiagem facial pesada. Lloyd Price, autor de, entre outras preciosidades, "Lawdy Miss Clawdy", ao assistir a uma apresentação, sugeriu que Richard mandasse uma demo para a Specialty Records.

A gravadora ficou satisfeita e Richard assinou um contrato, mas a primeira sessão deixou a desejar. Em um intervalo para o almoço, ao ver um piano em um canto da lanchonete, Little Richard, com sua eterna necessidade de chamar atenção, sentou-se ao piano e começou a tocar uma canção extremamente obscena para a época e cheio de seus "woooo's", que se tornaria parte de sua marca ou assinatura musical. "É isso que queremos nos seus discos", falou o produtor, e assim, surgiu a canção "Tutti Frutti", gravada com uma letra menos picante. E Little Richard nasceu para o mundo.

A letra original dizia: A wop bop a loo mop, a good goddam! Tutti Frutti, good booty! (boa bunda).

Pela Specialty Records, entre 1956 e 57, Richard gravou diversas músicas que viriam a ser clássicos do rock, como “Long Tall Sally”, “Rip It Up”, “Tutti Frutti”, “The Girl Can't Help It”, “Good Golly Miss Molly”, “Slippin' and Slidin'”, “Jenny, Jenny”, “Keep a Knockin'” e “Lucille”, entre outras. Participou de filmes como “The Girl Can't Help It”, “She's Got It” e “Mister Rock And Roll”, que reforçaram sua imagem e ajudaram a divulgar sua música internacionalmente. É apenas justo que parte do seu sucesso seja também creditado à sua banda, composta de excelentes músicos de Nova Orleans, como Lee Allen no sax tenor, Alvin Tyler no sax barítono e de seu baterista favorito, Earl Palmer, que gravou e excursionou com ele por quase toda a carreira.

Vocalista mais virtuoso da primeira fase do rock and roll, Little Richard influenciou com seus falsetes, seu piano e seu temperamento extrovertido, os grandes nomes da história do rock, de Paul McCartney a Robert Plant, de Jerry Lee Lewis a Billy Preston, de Otis Redding a Freddie Mercury, de Elvis Presley a Prince. Sua performance explosiva e insinuação em palco agitavam e levavam o público à loucura, chegando a causar tumultos. Sempre o centro das atenções, sua música ajudou a promover a desmistificação entre brancos e negros, uma vez que os jovens brancos passaram a invadir os espaços reservados aos negros, diretamente em frente ao palco, para dançarem juntos. Assim, jovens brancos puderam perceber melhor a discrepância do tabu racial vinda dos mais velhos e em que eram obrigados a acreditar.

Foi um dos primeiros artistas a levar o rock 'n' roll para a Austrália. Durante sua viagem de volta desta excursão, meses depois do acidente mortal de outra lenda, Buddy Holly, seu avião teve problemas e Richard em pânico implorou a Deus que, se ele sobrevivesse, largaria a vida artística e voltaria suas energias para espalhar a palavra de Deus. Ele diria depois que o chamado já estava lhe incomodando fazia tempo e que entendeu o incidente no aeroplano como um ultimato de Deus.

Após terminar alguns compromissos restantes, Ricardinho abandonou a profissão em 1958, tornando-se novamente Richard Penniman, e passou a cursar a Oakwood Collage Seminary School em Huntsville, Alabama, formando-se em 1961 como bacharel em Teologia. Foi ordenado ministro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, renegando seu passado mundano e se afastando do show business. A gravadora Speciality não gostou nada desta decisão e procurou forçá-lo a se manter como performer, ameaçando forçá-lo a assinar um acordo abrindo mão de todos os seus direitos sobre suas canções. Little Richard, porém, estava convicto sobre sua crença religiosa e prontamente abriu mão de todos os direitos que detinha sobre sua música. Em 1961 gravou discos religiosos e excursionou pelo sul de igreja a igreja, pregando e cantando hinos religiosos.

Mas Richard não conseguiu ficar mais de três anos longe do rock. Em 1962, viajou para Europa, onde em Hamburgo conheceu os Beatles, seguiu para o Oriente e depois para a Austrália. Em 1963 tocou na Inglaterra, a nova Meca do rock, para se juntar à excursão dos Everly Brothers, que incluía apresentações dos Rolling Stones e Bo Diddley. A TV Granada fez, na ocasião, um especial sobre sua carreira. Os tempos mudaram, mas as apresentações de Little Richard eram uma das poucas atrações da já velha guarda que ainda encantavam o público.

Em 1964, bandas como os Beatles e os Rolling Stones, com diversas entrevistas fazendo questão de frisar a importância dos artistas negros americanos na sua música, ajudaram Little Richard a conseguir um hit moderado com a canção "Bama Lama Bama Loo".

Em 1965 Richard fez temporada no Paramount Theater de Nova York. É neste período que teve como guitarrista o então desconhecido Jimi Hendrix. Acorrentado pela obrigação de tocar de modo simples, com afinação tradicional e sem distorção de qualquer espécie, Hendrix foi dispensado pouco antes de Little Richard seguir para uma excursão européia.

Foi somente em 1969, após a psicodelia, com um rivaval rock simples do passado, que Little Richard conseguiu novamente atenção. Entre todos os velhos roqueiros que reapareceram neste "revival", como Gene Vincent, Everly Brothers, Fats Domino e Chubby Checker, entre tantos outros, Little Richard e Chuck Berry foram os únicos a realmente sobressair. É só a partir desta fase que Richard passa a ser visto como uma autêntica mega-estrela de todos os tempos pelo público americano. Ele se auto-pronunciou o "Arquiteto do Rock", seguido por outros títulos como “O Criador”, “O Emancipador”, “O Inventor”, e é claro, nada menos do que "O Verdadeiro Rei do Rock 'n' Roll". Outro apelido curioso que ele recebeu foi "O Liberace de Bronze". Richard ainda conseguiu em 1970 outro hit moderado com "Freedom Blues". Passou o restante da primeira parte da década de 70 aparecendo em "talk-shows", dando entrevistas e fazendo pequenas apresentações em eventos nostálgicos.

Ao final de 1976, em eterno duelo com seu "outro lado", Little Richard sucumbiu novamente para a respeitabilidade de Reverendo Richard Penniman. Mas como passou a ser visto como um ícone do rock 'n' roll, seus sermões apareceram nos jornais fora de contexto. Em tais sermões, ele pregava a força absoluta da fé com frases como "Se Deus pode salvar um velho homossexual como eu, ele pode salvar qualquer um". Em jornais sensacionalistas, a frase foi explorada indevidamente e a opinião pública o viu como um traidor decadente.

Com o tempo e a idade, o artista Little Richard e seu alter ego, o Reverendo Richard Penniman, aparentemente aprenderam a conviver em paz dentro do corpo desta personalidade tão complexa.

Little Richard reapareceu em 1986 para a filmagem de "Down And Out In Beverly Hills", uma comédia com Richard Drefuss e Betty Midler, onde ele rouba o espetáculo como o vizinho que se irrita facilmente. O filme abriria caminho para o seu último hit até o presente, a canção "Great Gosh O' Mighty". Ainda em 1986 ele foi convidado a entrar para o Rock 'n' Roll Hall of Fame, o chamado Corredor da Fama, misto de museu e título de honra para seus membros. Em seu discurso de agradecimento, declarou que este tipo de reconhecimento é como um sonho se realizando. Pouco depois Penniman voltou a pregar a palavra de Deus enquanto processava a Speciality Records, querendo reaver o dinheiro dos direitos das vendas de seus discos. Infelizmente, depois de o processo correr por quase um ano, a Justiça considerou o documento que ele assinou legal e ele fica mesmo sem direito àquela fortuna.

Durante a década de 90, novamente como Little Richard, passou a freqüentar a televisão americana constantemente, entre participações em seriados como Miami Vice, a documentários como "A Tribute To Woody Guthrie And Leadbelly", e propagandas como a do McDonald’s. Gravou uma participação no disco infantil da Disney "For Our Children", fez backing vocals para o dueto entre Bono Vox e BB King, "When Love Comes To Town", apareceu no Vila Sésamo participando do quadro "Kurmit Unpigged", sátira à série Unplugged da MTV, cantando "She Drives Me Crazy" e contracenando com Caco, o sapo.

Recebeu outros prêmios na década de 90, como o “Lifetime Achievement Award”, da National Academy of Recording Arts and Sciences, o “Pioneer Award”, da Rhythm & Blues Foundation, em 1994, e em reconhecimento por todas as suas contribuições e vasta influência em tantos artistas posterior ao seu auge, foi presenteado com o extremamente prestigioso “Award of Merit” pela American Music Awards, em 1997, outro momento de intensa emoção em sua carreira.

A partir de 1997, Little Richard voltou a excursionar pelo mundo com incrível disposição para um homem acima de sessenta e sete anos de idade, mantendo intacta sua imagem de roqueiro selvagem. Com incrível bom humor, ele explica que está em paz não só com sua persona artística como também com o verdadeiro Richard Penniman que existe atrás deste artista. Antes de ele poder ajudar os outros, ele precisava chegar a este meio-termo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Poesia

Quem dera crer
Que em minha pele
Teu fogo então se instalará
E o verbo passará por minha boca
Semeando teu sabor na minha língua
Ávida

Quem dera crer
Que em meus lábios
Teu olhar então se amansará
E dedos arrancarão minha calma
Suavizando a aridez que em minha alma
Atormenta

domingo, 25 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Poesia aos sábados

Meu rosto era tão limpo
Tão claro
Tão lavadinho...
E foi empoeirando-se aos poucos...
Cobriu-se de nódoas e fungos
virou essa mancha escassa
que foge do meu espelho.
Minha alma era tão limpa,
Tão clara
Tão lavadinha...
E foi desfazendo-se aos poucos...
Desmanchou-se em brumas e fumaças
Virou essa nuvem suspensa
Desalentada, enfraquecida.
Meu sonho era tão limpo,
Tão claro
Tão lavadinho...
E foi sumindo-se aos poucos...
Transfigurou-se, leve e mofino,
Virou bafio de coisa velha,
Indefinidamente à espera.

Daisy Melo, esta semana, no Poema Dia.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um poema

Te sonhei esta noite
Seus olhos desenhados
Me guiavam
Caminhávamos de mãos dadas
Tua pele fina
Em minha face calejada
De marasmo

Te sonhei esta noite
Teu corpo branco
Enlaçado em lençóis
Nossas bocas mordendo
O vento
Mãos se apertando
Em orgasmo

Me sonhei menino
Em teus braços alvos
Perdido em seus lábios
jasmins

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um álbum às quartas

ALUCINAÇÃO
BELCHIOR
Baixe o álbum AQUI.

1. "Apenas Um Rapaz Latino Americano"
2. "Velha Roupa Colorida"
3. "Como Nossos Pais"
4. "Sujeito de Sorte"
5. "Como o Diabo Gosta"
1. "Alucinação"
2. "Não Leve Flores"
3. "A Palo Seco"
4. "Fotografia 3x4"
5. "Antes do Fim"

Segundo disco de Belchior, “Alucinação” traz clássicos deste grande cancioneiro popular, nosso Bob Dylan cearense que com tanta paixão cantou a juventude, o sonho, a estrada. As canções que compõem a obra estão impregnadas da década de 70, de seus sonhos, utopias, desejos de liberdade e um lirismo melancólico, mas rebelde.

A canção que abre o disco é “Apenas Um Rapaz Latino Americano", uma das muitas letras onde Belchior antecipa os samplers, incluindo aqui e ali citações, versos, momentos de outros cantores, compositores e escritores. A canção, uma das grandes da década de 70, é uma das mais importantes da carreira do bardo de Sobral.

Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém...


A segunda canção do disco, “Velha roupa colorida”, uma de minhas prediletas, foi eternizada na voz de Elis Regina. Mas é em “Alucinação” que ela surge pela primeira vez. Uma letra explosiva, também repleta de citações (Poe, Dylan), aliada a uma melodia bem encaixada (mais lenta e melódica que a versão de Elis).

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer


Outra canção de Belchior eternizada pelo furacão Elis é “Como nossos pais”, terceira faixa de “Alucinação”. O que dizer desta canção-manifesto? Um retrato do inconformismo dos anos 70, já impregnado pelo mofo das utopias não realizadas. A canção retrata as angustias e incertezas da juventude da época, suas dúvidas, sonhos e frustrações diante da mesmice, do enquadramento. Apesar de retratar o pensamento de uma geração, “Como nossos pais” se mantém atualíssima. Um retrato da esperança e da rebeldia inerente a jovens e velhos que questionam.

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...


Canção que dá nome ao disco, “Alucinação” traz uma letra consistente, novamente mostrando a verve questionadora de Belchior. A letra, um imenso poema musicado, traz uma das marcas características do autor: a leitura da realidade, a tentativa de compreender o mundo através da realidade do dia a dia. Violência, drogas, gente comum, gente abandonada, rock´n´roll, rebeldia.

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais...


Quando Belchior solta sua característica voz fanhosa no primeiro dos dois refrões de “A palo seco”, não há – entre quem viveu os anos 70 e suas repercussões nos 80 – quem não se emocione. Eu, particularmente, me arrepio com esta canção.

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava.
De olhos abertos, lhe direi:
- Amigo, eu me desesperava.
Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 76.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português:

Tenho vinte e cinco anos de sonho e
De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 76.
E eu quero é que esse canto torto,
Feito faca, corte a carne de vocês.


Outra grande canção, arrepiante como “A palo seco”, é “Fotografia 3x4”. Poema maravilhoso, cru, sem floreios, apenas uma história de vida seca, emocionante, aliada a uma das mais belas melodias da moderna Música Popular Brasileira. Talvez esteja exatamente aí, no poder poético, o grande destaque de Belchior entre os músicos de sua geração.

A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
e pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas
coisas novas pra dizer

Belchior

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral (CE), em 26 de Outubro de 1946. Durante a infância foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou musica coral e piano com Acaci Halley. Foi programador de radio em Sobral, e em Fortaleza começou a dedicar-se a musica, após abandonar o curso de medicina.

Então, ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos – Fagner, Ednardo, Rodger, Teti, Cirino e outros – conhecidos como o Pessoal do Ceará. De 1965 a 1970 apresentou-se em festivais de musica no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro RJ, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a musica Na hora do almoço, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana.

Em São Paulo, para onde se mudou, compôs trilhas para alguns curtas, continuando a trabalhar individualmente e com o grupo do Ceará. Em 1972 Elis Regina gravou sua composição Mucuripe (com Fagner).

Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciarias, fabricas e televisões, gravou seu primeiro LP em 1974, na Chantecler. O segundo, Alucinação (Polygram, 1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como Velha roupa colorida, Como nossos pais (depois regravadas por Elis Regina) e Apenas um rapaz latino- americano.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Poema para uma amiga

Teu olhar surreal
Não cabe esta face fechada
Não combina este verso rimado
Repleto de cansaço e fel.

Teus olhos riscados
O que cabe é o brilho da vida
Apenas um raio, faísca, lampejo
Cruzando escuridão.

Suas retinas meninas
Escondem mulher que não cabe
Em sorriso tão largo.

Então, amansa estas pálpebras pesadas
Segura a paisagem nas tuas mãos.

domingo, 18 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

Bebidinhas: Laranjinha Xperta

Laranjinha Xperta

Para começar:
Este é um drink que, na minha modesta opinião, combina perfeitamente com um dia ensolarado, beira de piscina (ou, no meu caso, chuveirão), churrasqueira ativa e bate papo. Simples, rápido e refrescante.

Componentes:
- 1 Copo alto e largo, de preferência de 500 ml.
- 2 doses rombudas de vodka
- Suco de laranja (de preferência às mais ácidas)
- 1 ramo de hortelã
- Gelo filtrado

Mão na massa:
1 - Tenha à mão todos os componentes. Eu optei por uma vodka Smirnoff devidamente caramelizada nas produndezas do freezer. O copo, suco de laranja, um raminho de hortelã e muito gelo.











2 - Complete o copo com gelo filtrado em cubos até a borda e despeje lentamente duas boas doses de vodka. Aprecie a beleza do líquido sagrado escorrendo pelas encostas geladas e repousando sossegadamente no fundo do vale.












3- Complete o copo com o suco de laranja. lembre-se: quanto mais ácida a laranja, melhor. Se não considerar o suco suficientemente ácido, exprema meio limão e acrescente.












4- Para finalizar, esfregue uma folhinha de hortelã na borda do copo e acrescente um raminho da planta no copo. Salute!

Poesia aos sábados

Em frente ao mar,
com sol sem acesso à minha pele.

Só com o vento a fatigá-la,
e o moletom sobre a camisa puída,
o chinelo com areia entre meus dedos,
um café nas mãos,
sob aquele céu nublado.

E mais ninguém,
e mais nada,
além disso.

Além de tudo,
que me basta.

Diego Rodrigues, esta semana, no Poema Dia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um álbum às quartas

NEW YORK
LOU REED
Baixe o álbum AQUI.

1. Romeo Had Juliette
2. Halloween Parade
3. Dirty Blvd.
4. Endless Cycle
5.There Is No Time
6. Last Great American Whale
7. Beginning of a Great Adventure
8. Busload of Faith
9. Sick of You
10. Hold On
11. Good Evening Mr. Waldheim
12. Xmas in February
13. Strawman
14. Dime Store Mystery

Esperamos 3 anos para que Reed, em 1989, nos entregasse sua quarta obra-prima, ‘New York’: outro disco conceitual - que usa a premissa de Tolstói, que diz que ‘basta você falar de sua aldeia para falar do mundo’. Reed fala de sua aldeia, a globalizada Nova Iorque, para falar do mundo todo. Um disco que só não é perfeito para mim porque tem ‘Last American Whale’, música que eu acho um grande porre.”, diz o grande Biajoni em seu blog ao analisar a discografia do compositor e cantor Lou Reed. Concordo com a análise quando ela eleva “New York” ao status de obra-prima, embora discorde de sua análise sobre “Last Great American Whale”, para mim uma das melhores canções do álbum.

Ouvi “New York” pela primeira vez em 1990, entre goles de cerveja e bom papo no Tricopa, o “Mosca”, boteco na Rua Vinícius de Morais, em Ipanema, ponto de encontro dos alunos da antiga Faculdade da Cidade. Fui apresentado ao álbum pelo parceiro de cerveja Adolfinho Stoffel que costumava cantarolar as canções da bolacha no auge da madrugada.

Atarracado, cabelos loiros escorridos, Marlboro aceso em uma mão e uma ampola gelada em outra, ele exercia sua fluência no inglês interpretando os versos que Reed imortalizou.

Pedro lives out of the Wilshire Hotel
He looks out a window without glass
The walls are made of cardboard
Newspapers on his feet
His father beats him
'Cause he's too
tired to beg

Nós, atônitos em plenos 90’s, ouvíamos o alemão sussurrar em meio a névoa entorpecida: “And fly fly away, from this dirty boulevard, I want to fly, from dirty boulevard”

As aventuras de beira de bar regadas à boa música foram importantes para a minha educação musical. Bons tempos. “New York”, até hoje, freqüenta minha vitrolinha e é sempre uma sensação nova quando ouço suas 14 canções. Lançado em 1989, o álbum marcou um retorno de Reed a um estilo mais próximo do “The Velvet Underground”, grupo fundado por ele nos anos 60 e que deixou um poderoso legado.

“New York” alia uma poderosa estrutura melódica a letras ácidas, cuidadosamente trabalhadas, repletas de uma crítica social inteligente, consistente. Os 57 minutos do álbum são como um filme, uma peça teatral cujos capítulos, linkados, transformam o trabalho de Reed em um dos discos mais conceituais dos anos 80. Não foi à toa que a revista Rolling Stone o ranqueou como o 19º melhor álbum daquela década e que a Q magazine o apontasse como o 26º na sua lista dos "40 Best Albums of the '80s".

Abrindo o álbum está “Romeo Had Juliette”, uma “história de amor” shaekspeareana, transportada para a realidade latina. Nesta leitura de Reed, Romeo Rodriguez e Juliette Bell se desencontram nas esquinas violentas da Big Apple.

Romeo Rodriguez
Squares his shoulders and curses Jesus
runs a comb through his black pony-tail
He's thinking of his lonely room
the sink that by his bed gives off a stink
Then smells her perfume in his eyes
And her voice was like a bell

Na faixa seguinte, “Halloween Parade”, quase podemos ver Reed parado em uma esquina do submundo novaiorquino observando os muitos tipos, paródias humanas, drug dealers, vagabundos, prostitutas e travestis desfilando pelas ruas da cidade enquanto ele canta sua saudade. A melodia, uma de minhas prediletas, tem um toque quase melancólico.

There's a girl from Soho
With a teeshirt saying "I Blow"
She's with the "jive five 2 plus 3"
And the girls for pay dates
Are giving cut rates
Or else doing it for free
The past keeps knock
knock knocking on my door
And I don't want to hear it anymore

Uma das melhores faixas do álbum, “Dirty Blvd.” é uma verdadeira porrada nos sentidos. Por quatro semanas encabeçando a lista Billboard Modern Rock Tracks, a canção conta a história de Pedro, um jovem pobre que vive com sua família em um cortiço, enquanto sonha com uma vida melhor em meio a cultura do consumo norte-americana. Com referências jocosas sobre a Estátua da Liberdade e ao conceito de sociedade livre que permeia o inconsciente coletivo da nação, “Dirty Blvd.” é como uma bofetada estalada na cara da hipocrisia.

Pedro lives out of the Wilshire Hotel
He looks out a window without glass
The walls are made of cardboard
Newspapers on his feet
His father beats him
'Cause he's too
tired to beg

Sétima faixa do álbum, “Beginning of a Great Adventure” tem uma batida fantástica que, aliada a voz rascante de Lou Reed e a letra inteligente e crítica, a transforma em uma das melhores canções do álbum. A música fala da paternidade de um jeito muito próprio, uma análise seca e sem nenhum romantismo barato da grande aventura que é colocar neste mundo doido mais um ser humano. Mais uma vez, Reed dispara a sua metralhadora giratória para todos os lados, atingindo múltiplos alvos em meio a caretice norte-americana.

Why stop at one,
I might have ten, a regular TV brood
I'd breed a little liberal army in the wood
Just like these redneck lunatics
I see at the local bar
With their tribe of mutant inbred piglets
With cloven hoovers

Finalmente, outra canção que elenco entre minhas prediletas em “New York” é “Last Great American Whale”. Para mim, uma das mais instigantes letras de Lou Reed, aliada a uma melodia hipnótica. Ouvir “Last...”, assim como diversas outras canções deste álbum, transmite a sensação de conteúdo, como um bom filme, um bom livro. A verve poética de Reed está afiada. Seu gume, cortante. “Last Great American Whale” é uma crítica feroz à pasmaceira do estadunidense comum, tendo como pano de fundo questões ecológicas. Os últimos versos da canção são, para mim, antológicos.

Americans don't care too much for beauty
They'll shit in a river, dump battery acid in a stream
They'll watch dead rats wash up on the beach
and complain if they can't swim

They say things are done for the majority
Don't believe half of what you see,
And none of what you hear
It's a lot like what my painter friend Donald said to me
"Stick a fork in their ass and turn them over,
They're done"

domingo, 11 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

Poesia aos sábados

Lapela dos paradoxos impotentes

1 – Lá ao longe
na lapela dos paradoxos impotentes
o deserto esticado
e os arbustos natimortos dos umbrais favelados
de homens com macieza arrefecida
― Nas ventas dos tumores malignos
o pouso aéreo das borboletas de programa,
o trajeto das coisas redivivas,
o transe das pessoas dormindo
com o cobertor em pane...

2 – Lá no quaradouro dos astros cômodos
a renque de estalos de palavras
vomitando sob o dormitório da memória
― A prima face da relva
rende a súbita resposta dos óbolos metafísicos
esculpindo o rugido com hálito
e útero sem dobra.

3 – Há e há o cio geométrico
por traz dos olhares imbuídos de milagre
resguardando o suspirar da faca
― Na boca
os restos de alimentos reconvexos
hesitam em endeusar o avesso da vida
para saborear a partida à noite.

4 – Na hesitação das falas obscenas
a física do trajeto
e o vinhedo clandestino dos mortos
fazendo sexo de mãos à cabeça
― Eu sei: há no gozar sem cautela
a armadinha de reinventar
feita de mendicâncias.

5 – Ai! Rogo à vida
as súmulas dos pastos,
as fagulhas de umbigos cálidos,
os mantos de escolhas e vindas,
o sim dos homens insones
― Eu sei: há desperdícios de tardes ocas
gotejando
gotejando
as ondinas gramaticais dos poetas
em lágrimas.

Benny Franklin, esta semana, no Poema Dia

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Comidinhas: Carreteiro de Costelinha de Porco Defumada

Carreteiro de Costelinha de Porco Defumada

Para começar:
Esta receita começou a ser desenvolvida há alguns anos atrás como uma alternativa para o arroz de carreteiro tradicional. Com o tempo foi sendo aperfeiçoada e hoje é uma das paneladas mais apreciadas pelos amigos que volta e meia nos visitam nos finais de semana. As fotos que acompanham a receita foram tiradas no último sábado, durante o aniversário de um grande amigo, aqui em casa. Deliciaram-se cerca de 12 pessoas.

Ingredientes:
- 1 pacote de Costelinha Defumada para cada 3 pessoas (eu uso a costelinha do Mister Pig)
- 1 cebola grande para cada 3 pessoas
- 1 cabeça de alho para cada 3 pessoas
- 1 chícara de chá de arroz para cada 2 pessoas
- 1 maço de salsa e cebolinha
- NÃO leva gordura alguma a não ser a da própria costelinha
- NÃO leva sal

Mão na massa:
1- Primeiro, corte as costelinhas em pedaços e reserve.









2- Corte a cebola grosseiramente e pique o alho. Reserve.









3- Coloque a costelinha em uma panela grande e deixe fritar em fogo alto mexendo sempre com uma colher de haste longa. Atenção: Não acrescente nenhum tipo de óleo pois a própria carne soltará gordura suficiente para a fritura.









4- Quando a costelinha estiver bem frita você vai precisar retirar o excesso de gordura. Incline a panela, afaste a costelinha e retire o óleo com uma concha até que reste apenas um pouco de gordura no fundo da panela.









5- Retirado o excesso de gordura, jogue a cebola e o alho sobre a costelinha e continue mexendo com a colher para que ambas se misturem bem à carne enquanto douram.









6- Quando a cebola e o alho estiverem bem dourados, jogue o arroz e frite-o por alguns minutos, sempre mexendo bem a mistura para não queimar.









7- Agora despeje água fervente de modo que toda a mistura seja coberta com pelo menos dois dedos de água. Abaixe o fogo ao mínimo e deixe o arroz cozinhar. Não é preciso acrecentar sal pois a costelinha é salgada suficientemente para a necessidade da receita.









8 - Quando o arroz estiver cozido desligue o fogo e lance sobre ele a salsa e a cebolinha bem picadinhas.









9 - Agora é meter uma pimentinha e degustar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um álbum às quartas

Olá pessoal. A partir desta quarta-feira iniciarei uma nova brincadeira aqui no Escrevinhamentos, comentando e disponibilizando para download os meus álbuns prediletos. Começo com o disco de debut dos Talking Heads, “Talking Heads: 77”. Aproveitem.

TALKING HEADS: 77

Baixe o disco AQUI

1. Uh-Oh, Love Comes to Town
2. New Feeling
3. Tentative Decisions
4. Happy Day
5. Who Is It?
6. No Compassion
7. The Book I Read
8. Don’t Worry About the Government
9. First Week/Last Week…Carefree
10. Psycho Killer
11. Pulled Up
12. Love → Building on Fire
13. I Wish You Wouldn’t Say That
14. Psycho Killer (Versão Acústica)
15. I Feel It in My Heart
16. Sugar On My Tongue

TALKING HEADS: 77 (1977) é o primeiro álbum da banda nova-iorquina Talking Heads. Atingiu a #97 posição na Bilboard e teve o single "Psycho Killer" alçado ao #92 lugar. Em 2003, a revista Rolling Stone nomeou o álbum como o 290ª maior de todos os tempos, como parte da Lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. Em seu livro "The Alternative Music Almanac" (1995), Alan Cross cravou o álbum na quinta posição em sua lista dos “10 Classic Alternative Albums”.

Produzido pela banda, em parceria com Lance Quinn e Tony Bongiovi, TALKING HEADS: 77 foi lançado nos Estados Unidos e na Inglaterra pela Sire Records e no restante do continente europeu pela Philips Records. Em 2005 foi remasterizado e relançado pelo Warner Music Group com cinco faixas bonificadas no CD ("Love → Building on Fire," "I Wish You Wouldn't Say That," "Psycho Killer (Versão Acústica)," "I Feel It in My Heart," e "Sugar on My Tongue.")

O que torna TALKING HEADS: 77 um clássico é a sonoridade consistente, suingada e vibrante, sustentada por David Byrne (guitarra e vocal), Jerry Harrison (guitarra, teclados e vocal), Chris Frantz (bateria) e Tina Weymouth (baixo). O álbum traz faixas que se tornariam clássicos da banda, como “Psycho Killer” e “Happy Day”, além de outras composições com a marca registrada dos Talking Heads. É daqueles discos que, do início ao fim, impossibilitam a pasmaceira.

A Banda

A trajetória do Talking Heads começou em Nova Iorque (EUA), no dia 8 de setembro de 1974, entre os movimentos punk e new wave. No início, o grupo – batizado de "The Artistics" mas jocosamente chamado de "The Autistics" - era formado apenas por Byrne e Frantz, então colegas na “Rhode Island School of Design”. Pouco depois, a namorada de Chris, Tina, juntou-se a eles e então David mudou o nome da banda para Talking Heads.

A primeira grande apresentação ocorreu no dia 8 de junho de 1975, quando fizeram a abertura do show dos Ramones no lendário “CBGB's Club”, em Nova Iorque. Em 1976 acrescentaram mais um membro, Harrison, ex-membro dos "The Modern Lovers" outra grande referência do rock’n’roll novaiorquino. Rapidamente o grupo se articulou e conseguiu fechar um contrato como a “Sire Records” (associada alemã da Warner Bros).

“TALKING HEADS: 77” surgiu neste caldeirão cultural, misturando rock e punk a outras sonoridades. Em 1978 chegou o segundo trabalho do grupo, “More Songs about Buildings and Food”, numa colaboração com o produtor ingles Brian Eno (conhecido pelo seu trabalho com os Roxy Music, David Bowie e Robert Fripp). Eno se tornou uma espécie de “quinto elemento virtual” do grupo, sucitando experiências musicais que continuaram com o trabalho de 1979, “Fear Of Music”, cujo foco estava no flerte com o clima dark do pós-punk rock.

A partir de 1980 o grupo passa a ter uma maior influência da world music. O trabalho “Once in a Lifetime” marca esse processo. Após lançar quatro LPs em 4 anos o Talking Heads fica 3 anos produzindo apenas um e nesse ínterim lançam o trabalho ao vivo “The Name of This Band Is Talking Heads”.

Neste período, David Byrne lança dois trabalhos solo: "My Life in the Bush with Ghosts", com Brian Eno; e a trilha sonora do espetáculo de balé "The Catherine Wheel". Chris Frantz e Tina Weymouth, influenciados pelo soul, dance e funk também formam um projeto alternativo, o Tom Tom Club, e lançam o primeiro álbum, que leva o nome da banda.

Nessa época o grupo perde o produtor Brian Eno, que passa a se dedicar à banda irlandesa U2. Em 1983 lançam o CD Speaking in Tongues, um trabalho mais comercial que gerou o seu primeiro grande sucesso no Top 10 americano, "Burning Down the House". A turnê desse trabalho, intitulada "Stop Making Sense" e considerada uma das melhores da história do rock, foi a última da banda. O documentário da tour foi filmado pelo então novato Jonathan Demme que anos depois ganharia o Oscar de melhor diretor por O Silêncio dos Inocentes. Em Stop Making Sense além de Burning Down The House temos uma poderosa versão para PsychoKiller. Em 1985 lançam “Little Creatures”, em 1986 “True Stories” e em 1988 “Naked”.

No dia 2 de dezembro de 1991 David Byrne anunciou o fim do grupo durante uma entrevista ao Los Angeles Times.

David Byrne

Byrne nasceu em Dumbarton, Escócia, no dia 14 de maio de 1952, e além do trabalho com o grupo, compôs trilhas para artistas como Twyla Tharp e Robert Wilson, nomes da dança e do drama respectivamente, além do filme “O Último Imperador” (de 1987, realizado por Bernardo Bertolucci) pelo qual ganhou um Oscar. Também dirigiu o filme “True Stories” (de 1986) e produziu diversos álbuns de música caribenha e brasileira (incluindo trabalho com Tom Zé e Margareth Menezes), notadamente “Rei Momo” (de 1989) e um vídeo documentário sobre o candomblé chamado “The House of Life” (também de 1989).

domingo, 4 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Poesia aos sábados

alguns pássaros são monogâmicos

Um canto
ao faro sabor,
no relé labor
do manto:

A similar
tentação
do coração
a falar.

Nos desapegos
de apaixonar
-voar o momento-

esquecimento
sempre aproximar
o casal de pregos.

Felipe Marques, esta semana, no Poema Dia