Semana On

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Obama joga para a torcida

O discurso do premiê israelense Benjamin Netanyahu, ontem, não causou surpresas. Pressionado pelos Estados Unidos a demonstrar um pouco de jogo de cintura sobre a questão palestina no melhor estilo “me ajuda a te ajudar”, “Bibi” falou o que Obama queria ouvir, mas, de fato, não disse absolutamente nada. Ao condicionar a criação de um Estado Palestino a imposições que dizem respeito à soberania dos palestinos, deixou o debate encalacrado no mesmo atoleiro em que sempre esteve. O mais grave não foi o que disse ou deixou de dizer Netanyahu, mas a reação de Obama que, segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, celebrou o discurso do premiê israelense. É um sinal grave de que – assim como ocorreu com Guantanamo e a tortura – o presidente dos Estados Unidos joga mesmo é para a torcida.

2 comentários:

Fatima disse...

Victor,
Sem querer ser chata e já sendo, qual a reação correta deveria ser a do presidente Obama,na sua opinião, em um asssunto tão delicado sobre política externa?
(meus comentários parecem aquela parte do programa "Escrivinhamentos"
Pergunte ao professor Barone!)rsrsrs
Bjs.

Barone disse...

Oi Fátima, que chata nada. O melhor de um blog é o debate que ele proporciona. Penso que um dos motivos pelo qual Obama tem recebido crédito mundial foi a possibilidade que ele apresentou de quebrar práticas autoritárias estabelecidas pelo governo Bush - como as prisões sem julgamento de “supostos suspeitos” e as torturas em Guantanamo – e outras, estabelecidas bem no fundo da prática política de Washington – como o apoio incondicional a Israel. Muita gente apostou que Obama quebraria estes paradigmas com uma visão mais moderna do mundo. Não foi o que ocorreu na prática. A diferença entre o discurso e Obama e esta prática é muito profunda. Diante do seu discurso no Cairo, Obama poderia ter endurecido o tom agora, pois o pronunciamento de Benjamin Netanyahu foi claramente político. Para inglês (no caso, americano) ver. O premiê israelense aceita apenas um Estado Palestino desmilitarizado (o que não existe), não aceita interromper a ampliação dos assentamentos instalados ilegalmente na Cisjordânia, não admite a volta dos refugiados expulsos de suas terras etc, etc, etc. Foi um discurso vazio. Se é isso o que Obama quer, a política do vazio, no qual a encenação chega ao ápice com apertos de mãos inócuos, então ele deve aplaudir o discurso de Netanyahu. Mas do presidente dos Estados Unidos se espera mais que espetáculo, pelo menos foi para isso que ele foi eleito. Ou não?