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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Novembro de 63 – Stephen King



Sou suspeito para falar de qualquer livro de Stephen King. Para mim, o maior romancista de literatura pop das últimas décadas. Quem imagina que o autor navega apenas pelas fórmulas batidas do terror trash está enganado. King singra as águas do absurdo na mais pura tradição lovecraftiana. Porém, com um delicioso toque contemporâneo onde paisagens, sons, cheiros, tendências se misturam para tornar o irreal assustadoramente real.

O passado não quer ser mudado, garante Stephen King em seu mais recente livro, “Novembro de 63”, cuja leitura finalizei ontem. A obra começou a ser formulada em 1973, a partir de uma ideia baseada no conceito de viagem no tempo. Nesse projeto, um homem voltava ao passado para interromper o assassinato de Kennedy. A ideia ficou engavetada por três décadas até que foi retomada em 2009 e transformada em brochura em novembro passado.

O enredo, como tudo que sai da mente de King, mistura realismo e fantasia em doses cavalares. Jake Epping é um professor de inglês que, certo dia, se depara com a possibilidade de uma viagem no tempo a convite do amigo Al Templeton, prosaico dono de uma lanchonete que descobre em sua despensa uma “bolha” que o leva sempre ao dia 9 de setembro de 1958. Cada vez que alguém atravessa esse portal, é como se fosse pela primeira vez. Ou seja: todas as alterações que este alguém fez no passado serão desfeitas no momento que essa pessoa voltar para o futuro e tentar voltar ao passado.

Isso é o que Al Templeton acredita. No entanto, a cada viagem, rupturas ocorrem na realidade e o “presente” do viajante pode ser modificado radicalmente com as mais simples alterações.

A partir desta premissa King constrói uma história empolgante em pouco mais de 800 páginas recheada de tudo o que o autor costuma oferecer aos seus leitores fiéis: lirismo e absurdo.

1 comentário:

Rafael Belo disse...

é fascinante. O melhor neste cinquentenário sobre o assassinato de Kennedy. Devorei também em outubro rs na pré-venda. King sempre se supera e me surpreende.