Semana On

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Apesar do golpe, quem apóia Zelaya?

Um golpe que põe abaixo um governo eleito democraticamente não pode ser legitimado. Ponto pacífico. O que segue é apenas uma curiosidade: quem apóia Manuel Zelaya em Honduras?

Segundo o jornalista Gustavo Chacra, que está cobrindo os eventos em Tegucigalpa, “os participantes das manifestações pró-Zelaya são integrantes de sindicatos, movimentos estudantis, professores e simpatizantes de diferentes classes sociais”. Estas manifestações, segundo o jornalista, não reúnem mais participantes do que reúnem as manifestações pró-governo. Ou seja: não se pode dizer que há uma mobilização popular majoritariamente anti-golpista. Na imprensa local, o presidente deposto conta apenas com o “apoio de algumas rádios”.

Por outro lado, o presidente empossado pelos golpistas, Roberto Micheletti, conta com o apoio “da Suprema Corte, das Forças Armadas, do Congresso, da Igreja Católica, da Evangélica, de empresários e da maior parte da imprensa... Os parlamentares, incluindo os integrantes do Partido Liberal, ao qual pertencia Zelaya, permanecem leais a Micheletti, que faz parte da mesma legenda. O Partido Nacional, outra força política em Honduras, tampouco se solidariza com a posição do presidente”, diz Chacra.

Afinal - independente da ilegitimidade do golpe – será que a sociedade hondurenha (e aí falo da sociedade enquanto conjunto, não de setores) quer mesmo a volta de Zelaya? E se ela não quiser? Quem somos nós para impor isso a ela?

2 comentários:

Daniel "Gargula" Braga disse...

Ontem mesmo vi o relato na TV, de uma brasileira que vive lá e que dizia claramente que não existia golpe militar algum e que o povo mesmo não quer a volta do presidente!

Se criou em Honduras uma situação, acredito eu, única, onde um presidente é deposto e pouco se fala a seu favor, em seu próprio país. Se nem carismático ele é para levantar seu povo, tenho minhas dúvidas, como simples espectador, que ele estivesse sendo um bom presidente.

É a famosa mosca do cocô do cavalo do bandido ou seja, nada!

Rui Ventura disse...

Não Amigos, eles não querem, Lá há lei, há uma suprema corte e as leis se cumprem, como aliás em grande parte do mundo, Os desmandos são punidos, senão leiam:

Em Honduras não houve “golpe militar”, eles não se apossaram do poder mas sim simplesmente acataram a decisão do Departamento de Justiça:

(Blogue Coturno Noturno )
Mais um argumento está sendo apresentado pela Justiça hondurenha para comprovar que não houve golpe de estado: Zelaya, ao ser detido, já não era presidente do país. Já estava automaticamente impedido. Já havia, ao descumprir a constituição no seu mais pétreo artigo, o de número 239, renunciado a qualquer direito. O artigo é claro:

El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Designado. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos, y quedarán inhabilitados por 10 años para el ejercicio de toda función pública”.