Semana On

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um guerrilheiro vale a vida de 10 civis?

No Afeganistão, assim como em Gaza e em Israel, a vida de civis não vale muito, em especial se estes vivem entre militantes palestinos, guerrilheiros islâmicos ou soldados israelenses. Disparar um míssil contra uma casa palestina repleta de civis para matar um militante do Hamas é tão odioso quanto explodir o próprio corpo entre civis em um ônibus em Tel Aviv. Bombardear um abrigo antiaéreo no qual poderia estar escondido Saddam Hussein e de quebra matar 400 civis inocentes é tão revoltante quando lançar um avião contra um prédio e matar três mil pessoas.

Embora este raciocínio seja compartilhado por muitos, civis continuam morrendo como moscas no Oriente Médio, esmagados entre guerrilhas armadas com foguetes e kalishnikovs e exércitos dotados de tanques e mísseis guiados por laser. Na última segunda-feira, foi a vez de mais um punhado de afegãos pagarem o preço da insanidade.

O grande número de civis mortos e feridos durante operações militares contra o Taliban e outros grupos islâmicos são, hoje, um dos principais pontos de tensão entre as autoridades afegãs e militares dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estacionados no Afeganistão.

Autoridades afegãs e vítimas atribuíram aos bombardeios aéreos realizados nesta semana pela Otan a morte de seis civis e ferimentos em outros 14 no Afeganistão. Os militares disseram, por sua vez, que oito “soldados inimigos” foram mortos no ataque. "Entre quatro a oito soldados inimigos foram mortos" durante uma operação na província de Kunar, afirma um relatório da International Security Assistance Force (ISAF).

Segundo a ISAF, “fontes de inteligência forneceram identificações positivas de insurgentes” em uma área conhecida por abrigar guerrilheiros afegãos na região nordeste do Afeganistão. “Interceptações da inteligência indicaram posições hostis com intenção de atacar postos da ISAF. Devido à localização remota dos alvos, a ISAF pediu suporte aéreo e eliminou a ameaça inimiga”, afirma o relatório.

No entanto, o governador do distrito de Watapour, Zalmai Yousufzai e o chefe da polícia local, Mirza Mohammad afirmaram que os alvos atingidos foram residências de civis, localizadas a 15 km a noroeste da capital da província, Asadabad. “Entre os seis mortos há duas crianças, uma mulher e três homens”, garantiu Yousufzai. Sete crianças, uma mulher e seis homens foram feridos, todos civis, segundo o governador e o policial.

Um repórter da AFP ouviu uma mulher de 25 anos, um menino de 14 e dois homens, todos feridos, no hospital de Asadabad. “Nós estávamos dormindo e de repente o teto desabou”, disse Zakirullah, de apenas 14 anos. “Não lembro de nada. Fiquei sabendo aqui que meu pai, minha mãe, meu irmão e minha irmã foram mortos e eu ferido”.

"Estávamos dormindo e ouvimos um barulho estranho e então o teto desabou sobre nós. As pessoas me tiraram dos escombros e algumas continuam aqui. Me disseram que nove pessoas da minha família foram mortas ou feridas. Não sei ainda quem morreu ou quem se feriu”, disse uma mulher, identificada como Shahida.

Segundo a Otan, o caso será investigado: “Nós sentimos profundamente qualquer possível ferimento a civis causados por nossas operações contra o inimigo. Vamos investigar e, se for verdade, proveremos assistência para as pessoas afetadas”, disse o porta voz da IASF, capitão Mark Durkin.

As denúncias de mais civis mortos e feridos surgem quatro dias depois das forças armadas dos Estados Unidos terem admitido que tropas sob seu comando mataram cinco civis – duas mulheres, uma criança e dois funcionários do governo - durante um ataque a província de Khost, no leste do Afeganistão, na semana passada.

Revolta

As constantes mortes e ferimentos de civis causaram reação ácida do parlamento afegão. Senadores da província de Khost querem que os responsáveis pelas agressões sejam julgados por cortes internacionais. Os senadores afegãos acusam as tropas da Otan, lideradas pelos Estados Unidos, de violar os tratados assinados para prevenir baixas entre não-combatentes.

No final do ano passado, o Ministério da Defesa do Afeganistão e a ISAF chegaram a um acordo para evitar alvos que pudessem causar baixas civis durante as operações militares contra os guerrilheiros muçulmanos.

2 comentários:

TATIANA SÁ disse...

Bota insanidade nisso!!!

Tathy Panziera disse...

Tenho um amigo afegão e outro paquistanes...
Eles odeiam essa disputa da tal "Terra Santa".

Você ganhou um selo.
Espero que goste.

Tathy