Semana On

domingo, 28 de dezembro de 2008

Tarás Bulba - Nikolai Gógol

Terminei de ler Tarás Bulba, de Nikolai Gógol. Presente do amigo Cacho. O livro narra aventuras e desventuras de um coronel cossaco nos idos do século 18. Com um toque épico, a novela expõe características interessantes da sociedade ucraniana da época e seu sentimento em relação à vida. A seguir algumas frases e trechos interessantes aos meus olhos.

“As estrelas da noite olharam diretamente para eles.”

“Mas um jovem impetuoso não combina com um velho. Ambos têm uma natureza distinta e vêem a mesma coisa com olhos diferentes.”

“Mas o futuro é desconhecido; ele fica diante do homem semelhante à névoa de outono que se levanta dos pântanos. Nele as aves voam loucamente, para cima e para baixo, rasando com as asas e sem que umas percebam as outras – a pomba não vê o gavião, o gavião não vê a pomba – e ninguém, sabe a que distância está voando de sua perdição...”

“Os zarapogos são como crianças: se há pouco, comem tudo; se há muito, não deixam nada”

“Ela jogou o lenço, afastou os longos cabelos de sua trança que lhe caíam sobre os olhos e se desmanchou em palavras de lamento, falando em uma voz bem baixa, igual à brisa que se levanta num lindo anoitecer e corre de repente por um denso caniçal: sons finos e desolados começam a murmurar e vão ressoando e se propagando, e então um viandante pára e apanha-os com uma tristeza incomensurável, sem sequer perceber a tarde que vai sumindo, as alegres canções entoadas pelo povo que volta da ceifa e do trabalho no campo, ou mesmo o ruído distante de alguma telega que vai passando.”

“Quem disse que minha pátria é a Ucrânia? Quem me deu a Ucrânia como pátria? A pátria é aquilo que busca a nossa alma, aquilo que é mais caro para ela. Minha pátria é você! Aí está minha pátria! E levarei esta pátria em meu coração enquanto eu tiver vida, e veremos se algum cossaco vai tirá-la daqui! Por esta pátria eu vou vender, entregar e destruir tudo que tenho!”

“Não é muita sabedoria dizer palavras de censura; a grande sabedoria é dizer palavras que, sem tocar na desgraça do homem, incentivam-no e dão ânimo a seu espírito, tal como esporas animam o espírito de um cavalo que se refrescou numa fonte.”

“Mas estas palavras não agradaram a Tarás Bulba, e ele franziu ainda mais as suas sobrancelhas carregadas e grisalhas, que se pareciam como moitas crescidas no alto de montanhas escuras, cujo topo fora coberto pela geada cortante do norte.”

“Não há laços mais sagrados que os do companheirismo! O pai ama seu filho, a mãe ama seu filho, e o filho ama o pai e a mãe. Mas não é a mesma coisa, irmãos: também uma fera ama seu filho. Porém, estabelecer parentesco pela alma, e não pelo sangue, é algo de que só o homem é capaz.”

“Pois tudo que acontece de ruim sempre cai em cima do judeu; todo judeu é tomado por um cachorro; todo mundo pensa que, se é judeu, então não é gente.”

“Algumas pessoas discutiam acaloradamente, outras até faziam apostas; mas a maior parte era daqueles que olham para o mundo e seus acontecimentos cutucando o nariz com o dedo.”

4 comentários:

Adriana disse...

Esses trechos do livro você deve ter escolhido a dedo. Muito poéticos e fortes. Pode ser que eu o coloque(o livro) entre os que vou ler em 2009. Beijo.

Adriana disse...

É, Barone, esse poema nos remete a tantas coisas... Belo.

BAR DO BARDO disse...

De acordo com a sua visada, com os olhos de lítero-neurocirurgião, dá até a vontade de ler. Mas "Amsterdã SM", do Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, e "O que é uma escola justa? A escola das oportunidades", do François Dubet, não me permitem...

Barone disse...

Sim, Adriana. Fui pinçando momentos interessantes. O livro é bom. Henrique, nós e nossas pilhas de livros...