Semana On

sábado, 29 de novembro de 2008

Mangueiras

Então vou nadear como Manoel
por entre as letras embaralhadas
nesta estrada de sons e de palavras.

Vou navegar nestas águas ribeirinhas
que se entrelaçam como sonhos
na cabeça dum louco.

Vou me afogar na areia
que em meus olhos se espalha
nesta terra sem montes, sem mar.

Então vou rir de tanta coisura
a bailar pelas voltas e retas desta cidade.

E mesmo assim o nada me invade,
me inunda a alma com boca
escancarada, repleta de tardes.

Que ainda me pego cheirando
sal de oceano, enquanto nos olhos,
apenas uma nesga de chão.

Mas não me meço por saudades
E nem por olhar pelos ombros
Que tombos muitos levei assim.

Então me aquieto olhando mangueiras.

Ando saudoso do Rio de Janeiro. Neste poema, parte do livro Outros Sentidos, tentei apaziguar esta ausência de referências.

3 comentários:

Adriana disse...

Muito lindo, muito lírico. " Então me aquieto olhando mangueiras". Adorei. Bj.

Mauro Castro disse...

Barone, agora sou seu vizinho de porta. O Taxitramas mudou para o blogspot. Se achar que mereço, atualize o seu link, e visite a nova casa.

Barone disse...

Obrigado Adriana. Volte sempre.