Semana On

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Nós, os omissos...

O brasileiro é um povo muito interessante. Sabemos que vivemos em um estado de direito no qual àqueles que deviam manter a retidão insistem em andar por caminhos tortuosos. Reclamamos de tudo, do preço da banana ao cacho de impostos que somos obrigados a deglutir. Reclamamos do salário, das dificuldades, da saúde, da educação, reclamamos, enfim, da vida.

Somos insaciáveis quando o assunto é reclamar. No entanto, quando o brasileiro se vê cara a cara com a necessidade de tomar iniciativa frente a esta enxurrada de problemas, sua primeira reação é não ter reação. A passividade e a omissão são a mola mestra de nossa sociedade. Empurramos para o lado a responsabilidade de efetuar as mudanças necessárias, que são a única forma de colocar este País nos eixos.

Um bom exemplo desta reflexão ocorreu no dia 21 de maio em 16 cidades brasileiras durante o Dia da Dignidade Nacional. Um protesto que pretendia mostrar a indignação da população frente “a tudo isso que esta aí”. Não tenho em mãos os números da mobilização, mas, certamente, foram escassos. Aqui em Campo Grande, algumas dezenas de pessoas deram as caras sob uma chuva fina e não deixaram o dia passar em branco.

Ao que parece, reclamamos por hobby. Não há ninguém realmente indignado a ponto de sair debaixo das cobertas em um domingo chuvoso para gritar em altos brados que o Brasil não pode mais continuar do jeito que está.

Parece mesmo, então, que aquela gente lá do Congresso, que desfia discursos vazios em tom de escárnio, tem mesmo razão. Pasmem. Eles têm razão. Não há povo, não há opinião pública. O que há, parece, é uma imensa massa de manobra guiada pelos caprichos da mídia e pelo tom de voz emocionado ou consternado que, volta e meia, é vomitado pelo Plantão do Jornal Nacional.

A passividade da população assusta. Assusta ainda mais a passividade da juventude, que há alguns anos pintou a face de verde e amarelo e foi às ruas para derrubar um presidente. Onde estão estas pessoas? Onde está a geração “cara pintada”, que hoje já ultrapassa os 30 anos de idade? Está acomodada, sentada, como diria Raul Seixas, no sofá da sala “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Onde está a juventude de hoje? Transformados em zumbis da tecnologia, desligados de tudo quanto ocorre à sua volta, caminhando lentamente para um processo de “imbecilização”, que pode transformar este País em um grande deserto intelectual.

2 comentários:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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