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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Há monstros entre nós

Há monstros entre nós

Volta e meia somos despertados de nossa apatia por casos de violência extrema como o assassinato dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, ocorrido na noite do último dia 30 de agosto, em Campo Grande (MS). Primeiro há uma sensação de incredulidade diante do horror, depois a revolta, seguida por campanhas nas mídias sociais, passeatas pela paz. Finalmente vem o medo de que o impensável aconteça conosco, com nossos entes queridos.

É exatamente este pavor que nos move. O pavor de sermos vítimas dos monstros. E então, nos perguntamos, apavorados, o que podemos fazer para que nossos filhos, nossas esposas e maridos não caiam nas mãos de gente para quem a vida humana vale pouco ou nada. Clamamos por prisão perpétua, desafiamos uma cláusula pétrea da Constituição pedindo por pena de morte. Mas, lá no fundo, sabemos muito bem que isso não resolverá o problema.

Sabemos que a solução está em uma educação de qualidade, em distribuição de renda, no despertar da consciência cívica dos brasileiros, na criação de perspectivas políticas que nos possibilitem vislumbrar um futuro de verdade para este país. Somente assim, casos como o assassinato destes dois jovens serão momentos muito raros em nossas vidas.

Todos nós sabemos disso, e ainda assim não podemos fechar os olhos. Nos trancamos em nossas casas, olhamos de soslaio de dentro de carros selados, rezamos para que alguém ou algo afaste de nós todos os males. Pois há monstros entre nós.

O discurso inócuo e paternalista de nossa herança humanista nos transformou em vítimas de nossa própria civilidade. A política de “passar a mão na cabeça” de menores infratores – muitos facínoras sem recuperação, de privilegiar os direitos humanos do criminoso e não os da vítima está invertendo valores e tornando possível e permissível qualquer tipo de perversidade.

Sim, é preciso evitar que novos monstros nos engulam e para isso é necessário educação e cidadania. Não há dúvidas quanto a isso. Mas enquanto isso, o que faremos com as aberrações que já estão entre nós? O que faremos com estas pessoas capazes de torturar dois jovens, fazê-los deitar em uma vala e simplesmente atirar contra suas cabeças?

Não há mais limites para esta turba de degenerados que, na verdade, são humanos como nós: o que é mais assustador. Ainda que não seja a solução para o problema, a sociedade precisa sentir que a mão do Estado pode vingar-se por ela. Prisão perpétua e pena de morte são vinganças a altura? Muitos as rejeitam, seja por excesso de civilidade ou por questões de cunho religioso. Muitos a aceitam, pois precisam tirar de dentro de si e entregar ao Estado aquela centelha de mal que pode levá-los a se transformarem, eles próprios, em algozes de suas próprias consciências.

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