Semana On

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Um álbum às quartas


NEVER MIND THE BOLLOCKS, HERE'S THE SEX PISTOLS
SEX PISTOLS
Baixe o álbum AQUI
1. Holidays In The Sun
2. Bodies
3. No Feelings
4. Liar
5. God Save The Queen
6. Problems
7. Seventeen
8. Anarchy In The U.K
9. Submission
10. Pretty Vacant
11. New York
12. E.M.I.

“Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols” é o primeiro e único álbum de estúdio da banda inglesa Sex Pistols. Letras cruas e niilistas, aliadas a violentas performances ao vivo foram a base para que a banda revolucionasse o Rock’n’Roll na década de 70 e se firma-se como uma das principais influências do punk rock nas décadas seguintes.

Por trás de suas táticas de choque e do negativismo de sua postura anárquica, os Sex Pistols sustentavam uma consistente crítica social, cuidadosamente elaborada com o intuito de gerar altíssimo impacto sobre a sociedade inglesa. O álbum articulava com perfeição a frustração, a raiva e a insatisfação da classe trabalhadora inglesa para com o establishment.

“Never Mind The Bollocks” causou grande controvérsia na Inglaterra, processos, protestos. Parte do ultraje causado pela banda foi ocasionado pelas letras de "God Save the Queen" e "Anarchy In The U.K.", ataques diretos contra a monarquia inglesa, a sociedade civil, as instituições e a ordem social vigente. "God Save The Queen", especialmente, foi vista como uma afronta à rainha Elizabeth II.

Originalmente lançado em 1977, o disco não perdeu sua fúria ou originalidade com o passar do tempo. As músicas escritas por Johnny Rotten, Steve Jones, Glen Matlock, Paul Cook e Sid Vicious mantém-se visceralmente atuais. O vocal ácido, desarticulado, propositalmente dissonante e original de Johnny Rotten continua causando tanto espanto quanto suas letras destruidoras e sua postura freak.

O produtor Chris Thomas, que trabalhou o álbum, optou por um approach diferente do que seria escolhido pelas demais bandas de punk rock a partir do disco de debut dos Pistols, descartando na gravação a rudeza de um estilo ”ao vivo” e optando por uma sonoridade clara através de múltiplos overdubs de guitarra. Disse ele: “Anarquia é algo como doze guitarras. Eu preferi orquestrá-las, gravá-las em separado e depois juntar tudo na gravação. Foi um pouco trabalhoso. Os vocais foram trabalhados da mesma forma".

Reconhecimento

Logo após seu lançamento, “Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols” atingiu o primeiro lugar na “Official UK Albums Chart”, mas nos Estados Unidos chegou apenas a 106ª posição da “Billboard albums chart”. Apesar das fracas vendas iniciais fora da Europa, o álbum acabou ganhando força, chegando a 500 mil cópias em 1987 e 1 milhão quatro anos depois.

Em 1985, “Never Mind..” foi apontado pela NME como o 13º melhor álbum de todos os tempos e, em, 1993, pelo mesmo grupo, como o 3º álbum mais importante da história. Em 1987, a revista Rolling Stone apontou-o como o 2º melhor álbum dos últimos 20 anos, atrás somente de “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, dos Beattles. A mesma revista colocou o disco dos Pistols na 41ª colocação na sua lista dos “500 Greatest Albums of All Time”, em 2003.

Em uma entrevista em 2002, Charles M. Young, jornalista da Rolling Stone, disse o seguinte: “Never Mind The Bollocks mudou tudo. Nunca havia sido feito algo igual e nunca mais foi feito. O mais próximo ao disco dos Pistols foi, provavelmente, o material do Nirvana, uma banda muito influenciada pelos Sex Pistols”.

Em seu livro “The Alternative Music Almanac”, Alan Cross colocou o álbum na 6º colocação na sua lista dos “10 Classic Alternative Albums”. Em 1997, "Never Mind The Bollocks” foi apontado como o 24º melhor álbum do milênio em uma votação promovida no Reino Unido pelo HMV Group, Channel 4. Em 1998, os leitores da Q magazine o apontaram como o 30º melhor álbum de todos os tempos e, em 2000, a mesma revista apontou-o como o 10º colocado em sua lista dos “100 Greatest British Albums Ever”.

A VH1 nomeou-o como o 17º melhor álbum de todos os tempos em 2001. O disco também ocupou a 1ª colocação na lista "Fifty Greatest Punk Albums Ever", em votação dos leitores da Kerrang! magazine. Em 2006, foi escolhido pela revista Time um dos 100 melhores álbuns de todos os tempos e, no mesmo ano, a NME apontou-o como o 4º álbum inglês mais importante de todos os tempos.

2 comentários:

Rafael Belo disse...

È esta atitude que falta na música atual, principalmente a brasileira... Ótima resenha Barone. ABS

Barone disse...

É verdade. Difícil ver algo tão visceral na música hoje.