Semana On

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Democracia caudilhesca

Antonio Ledezma, eleito prefeito de Caracas com apoio de uma coligação de pequenos partidos, governa a capital da Venezuela de uma sala alugada em um prédio comercial. Não pode entrar na Prefeitura, invadida por chavistas. Motivo: recusou-se a renovar o contrato de 8 mil funcionários fantasmas.

4 comentários:

Adriana disse...

Putz!!! Que merda é essa? É triste quando a "esquerda" se suja tanto assim. É mais uma atitude para se perder de vez a esperança em uma América Latina Melhor.

Pedro Ayres disse...

Adriana
Reza a boa regra informativa que toda notícia tem quer ter uma fonte. No caso do Antonio Ledezma, da Acción Democrática, eleito por uma aliança dos partidos que governaram a Venezuela (Ação Democrática e a Democracia Cristã), mais alguns partidos surgidos de divisões desses dois poderosos grupos (Primero Justicia e Nuevo Tiempo), ex-prefeito de Caracas antes de Chávez, a fonte são os jornais de Caracas ou de Espanha(País, ABC, El Mundo)que não engoliram a derrota do Golpe de abril de 2002, ou seja, a história é sempre contra o atual governo. Os 8 mil que eles falam, na realidade apenas 2 mil, são compostos por pessoas con várias deficiências físicas e com contratos especiais.
Estes são os fatos. O resto é apenas queixa de uma direita incapaz de aceitar o real jogo democrático.
Aconselho a ver pela Internet todos os canais de TV e jornais da Venezuela. Haverá uma grande surpresas, o grau de liberdade de expressão que por lá existe é muitíssimo mais alto que nos EUA, por exemplo.
Ë bom comparar o noticiário das televisões (Telesur x CNN, VTV x Globovisión).
Adriana não é necessária nenhum imprecação, pois, houve apenas uma informação truncada.

Barone disse...

Olá Ayres,

Antes de comentar seu comentário, quero agradecer sua presença no Escrevinhamentos. Suas argumentações têm sido elegantes e dentro do que se espera do bom debate. Volte sempre com suas “provocações”.

Sobre fontes e informação. É fato que vivemos, hoje, imersos em uma cacofonia midiática. Informações jorram aos borbotões sobre nós e pinçarmos fontes fidedignas – especialmente quando a fonte primária não nos é acessível – é um desafio constante.

Você tem razão sobre as fontes críticas à Chavez e também sobre as que lhe são simpáticas. De um lado, a oposição, de outro os que o apóiam (seja por convicção política ou pressão).

Tens razão, também, em colocar dúvidas sobre a fidedignidade das fontes detratoras do governo Chavista. Mas, lhe pergunto: da mesma forma, não sofrem desta mesma falta de fidedignidade as fontes que o apóiam? Onde está a verdade além de equilibrada sobre as convicções de quem lê, absorve a informação e – diante de seu cabedal de conhecimento – procura chegar a um meio termo entre fato e propaganda?

É o que tento fazer.

Sobre os 8 mil “fantasmas” (ou “pessoas com várias deficiências físicas e com contratos especiais”), você diz serem 2 mil e eu não tenho motivos para desacreditar. Que sejam mil. Não são nos números que repousam a crítica, mas no fato em si.

Será uma prefeitura municipal o melhor local para realizar assistência social? Que direito tem estas pessoas de impedir um prefeito eleito democraticamente de governar? Qual seria a reação dos que apóiam Chavez se os que não o apoiaram invadissem a sede do governo? Pesos e medidas. O jogo democrátivo vale para uns e não para outros?

Acho perigoso demais, também, passar a régua sobre todas as opiniões e conceitos políticos de forma maniqueísta jogando para a direita todos os que condenam Chávez e para a esquerda os que o apóiam.

Grosso modo (há exceções), os que apóiam o caudilhismo, o culto à personalidade e empunham a bandeira da esquerda vêm de uma tradição stalinista, que, em minha modesta concepção, nada tem de esquerda. Está muito mais próxima ao fascismo e seu endeusamento do Estado.

Assim como os Reinaldo Azevedos da vida expõem-se ao ridículo ao chamar de stalinistas todos os que expõem conceitos de esquerda, ou de terroristas e anti-semitas todos os que criticam as políticas israelenses e defendem um Estado Palestino, também os esquerdistas que enxergam reacionarismo em todas as críticas à esquerda são anacronismos ambulantes.

Levando o papo para um caminho pais pessoal: minha formação política desde a adolescência levou-me pelas veredas do socialismo libertário. Esta esquerda em que creio não é a que empodera o Estado, que usa a máquina a ser combatida para alcançar vitórias “democráticas” ou a que elege semi-deuses, iluminados que devem ser adorados como timoneiros de uma nova sociedade.

Minha crítica ao chavismo, portanto, é pontual: se dirige ao culto à personalidade, ao empoderamento do Estado, ao uso da máquina como ferramenta para “guiar” as massas, a criação de uma elite revolucionária que - a história mostra com folga - transforma-se em uma elite dominadora e privilegiada.

Minha esquerda está mais à esquerda?

Adriana disse...

Barone, sua resposta ao Ayres está bem fundamentada e compartilho da mesma ideia. Acho interessante esses diferentes pontos de vista, pois nos clareiam mais o horizonte. Vale repetir: admiro-o cada vez mais. Bj