Semana On

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Poesia

o avesso do desejo

te encontraria
no deserto
às dez e meia
tonto de luz
passos trôpegos sobre a areia movediça

eu te desnudaria
meio-dia
sol a pino
e te manteria prisioneiro
até que tingisse
a tua pele
o mais negro ou rubro tom
e cegasse os teus olhos, o sol da tarde.

te abandonaria então
nu e insone
meio às sombras
sem sonhos
onde te escondias das noites quentes
de antigos janeiros.

por fim partiria
liberta
de ti
e do cárcere gelado
dos interditados verões do teu amor

desejo ao avesso
ainda pulsando em mim

Márcia Maia

1 comentário:

Adriana disse...

Belo poema.