Semana On

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Todos os cariocas são desonestos, diz o Oráculo de MS

O colunismo social não faz parte das minhas leituras diárias. No entanto, respeito quem o faz e quem o lê. Cada um usa seu tempo como quer. Aqui em Mato Grosso do Sul há muitos colunistas sociais e também leitores (de coluna social). Um, em especial, Dácio Corrêa, gosta de expor em suas colunas as viagens que faz Brasil afora e (pasmem os provincianos) até para o exterior!

É aquele tipo que pupula nos grandes centros, vivendo à sombra do poder e dos poderosos, tirando casquinhas aqui e ali e vendendo uma imagem que adoraria ter de fato. Sabe aquela história? Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Mas Dácio não é rei e, ontem, em sua coluna semanal no jornal O Estado de MS, cometeu uma indelicadeza digna de um bufão da corte para com os cariocas (leia as três notinhas acima) ao contar uma historinha estranha e, a partir dela, concluir que estes não são pessoas confiáveis.

Não costumo usar este espaço para assuntos mundanos, mas meu amigo Fabio Pellegrini, jornalista, carioca de nascimento e sul-mato-grossense de coração, sentiu-se ofendido e enviou uma carta para a direção do jornal (reproduzida abaixo) cobrando um posicionamento. Tem meu apoio. Até agora o jornal não se manifestou.

Pede desculpas Dácio...


“De extremo mau gosto a coluna do senhor Dácio Corrêa publicada hoje (28 de dezembro de 2009). Penso que este renomado diário deveria rever o espaço dedicado a este senhor que publicou termos como “É por essas e outras razões que não devemos levar os cariocas a sério”.

Na ocasião o sr. Dácio Corrêa denigre a imagem de meus conterrâneos baseado num suposto fato ocorrido com um também suposto “amigo carioca” dele. Ora, em vez de falar mal das pessoas que nascem em determinada região geográfica com base em um fato ocasional, tal colunista deveria, sim, rever os amigos que tem. Ou não devemos acreditar em aquidauanenses porque são uns insolentes, preguiçosos e cachaceiros?

Talvez falte inteligência e bom senso a ele para saber que pessoas de má índole existem em todo lugar, seja no RJ ou em MS. Se for me basear em um caso isolado para exemplificar, tipificar ou até mesmo estereotipar determinada classe, então eu poderia dizer que os colunistas sociais de Mato Grosso do Sul são meros fofoqueiros e não sabem nada de gramática da Língua Portuguesa. Mas isso não é verdade. Não posso dizer que os outros colunistas são tão ruins quanto ele.

Da forma como o fez, esse tal colunista, que em outras ocasiões tanto idolatra minha cidade - tanto que utiliza uma ilustração baseada nos calçadões pavimentados do Rio de Janeiro em sua logomarca (se é que se pode chamar de logomarca) – está dizendo ao povo sul-mato-grossense que não deve confiar nos cariocas. Isso demonstra mal uso de um espaço tão importante de um veículo de comunicação. Tudo bem, não sou obrigado a ler o jornal, mas o que esta pessoa faz não é correto, afirmando inverdades em busca de uma auto-promoção. Jornais formam opiniões.

Aos meus 32 anos de idade, carioca de nascimento, sendo 20 desses anos de “sul-mato-grossense de coração”, informo que sempre fui um cidadão honesto e cumpridor de meus deveres e me senti ofendido ao ler um comentário tão estúpido como o dele. Não deveria nem mesmo ter parado meus ofícios diários por dez minutos para escrever este texto, mas penso que às vezes precisamos alertar às pessoas que utilizam espaços publicitários para divulgar informações cretinas como essa.

Sugiro que o tal colunista reveja seus conceitos de amizade e também de colunismo social, e, apesar dele não ser jornalista, deveria saber que o espaço que tem nesse importante veículo de comunicação deveria ser utilizado por uma boa causa e não por meras “fofoquinhas de comadres”. Basta sair de seu “mundinho socialite de vaidades e fantasias” em que vive e descobrir coisas boas do mundo que deveriam ser repassadas aos leitores.

A este renomado veículo de comunicação, sugiro que troque o espaço dedicado a tal colunista por um passatempo, que será mais interessante do o atual.

Fabio Mateus Coelho P. Freitas
Carioca há 32 anos, sul-mato-grossense há 20 e leitor assíduo do O Estado de MS.”

6 comentários:

Clown disse...

Sei lá...

Mas acho que esse tipo de esperto tem em qualquer lugar...

Chato mesmo são as generalizações...

Mas vem k...

Que a otária da garota merecia . isso merecia, vai ser boba e interesseira assim lá longe...

Luiz Felipe Vasques disse...

Pô, Dácio, só agora que você reparou nisso? ;-) Tem carioca legal sim, mas eles se mudam rápido, que nem pra MS e outros lugares.

Um pouco mais a sério, agora: Dácio, filho, cuidado com os preconceitos. Se isso, por exemplo, passou-se com um amigo seu, segundo você mesmo, o que poderia se maldizer de *você*? Afinal, 'diz-me com quem andas, que te direi quem és'...

Periquita do Bigode Loiro disse...

Brodis...
ja tem mais de dez anos que eu ouvi essa em uma anedota, dissertada pelo Costinha, triste. Ri de novo, agora com mais graça que a primeira vez. Esse "bufão da corte" nem foi sabe contar direito. O contexto era um brasileiro passeando em Portugal. Esse Dácio que tem um olho só, querendo se passar por rei, mas usa indevidamente esse olho, tornando-se mais cego que os cegos que habitam o outro lado da ponte de Aquidauana... Aftosa não mata capivara?

Anónimo disse...

Aproveito para mostrar-lhes uma lista de alguns cariocas ilustres:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_cariocas_ilustres

BAR DO BARDO disse...

Meu apoio aos cariocas, embora eu seja apenas sul-fluminensezinho, com muita honra.

Mas não nos iludamos, colunistas como um Zózimo,por exemplo, talvez em outra encarnação... Mesmo assim, até ele tinha lá as suas afetações de vez em quando.

O gênero textual "colunismo social" é, provavelmente, um dos mais vendidos do jornalismo e também dos mais bem pagos no mundo, ainda que não seja em espécie, não é verdade? Se fôssemos puxar o fio com mais força, teríamos muito o que falar...

Não falem mal dos cariocas, fiquemos acordados assim. Tampouco dos sul-mato-grossenses!

- Pimenta

Sergio Maidana disse...

Grande Barone,

Vou deixar meus escrevinhamentos pro Dácio, conterrãneo de Aquidauana. Pois é... nasci lá, mas com um ano fui embora pra Miranda.

Voltamos...o Dácio acredita que é colunista e acredita que é lido, mas, se olharmos a sua coluna, veremos que está decadente (pobre Dácio...) só publicando fotos de velhinhos de Cpo Gde...(eu, heinn! tô fora)

Mas, insultar os outros com piadinhas sem-graça, não tem nada a ver..coisas de Jeca, brega e provinciano...dias atrás quase mandei um email para O Estado, que assino e tem uma equipe de jornalismo nota 10 com Fernadna Brigatti a frente (Destemida e inteligente), mas, pensei que não valia a pena perturbar o pessoal com "as besteiras do Dácio".

O meu protesto era quanto a sátira que ele reproduziu de email que rodam na net sobre o "churrasco de rico x churrasco de pobre". Numa parte acho que muitos cariocas ficariam aborrecidos quando ele reproduziu que "pobre" vai a churrasco com chinelo Raider e camisa do Flamengo no ombro, por sentirem muito calor. Por outro disse que em churrasco de pobre têm vinagrete, pão, mandioca, e churrasco de rico tem "picanha argentina", etc.

Bom... das coisas que ele falou, só não gosto do Flamengo, mas costumo a ir em churrasco com a camisa do Operário FC (Coisa nossa) ou do Verdão do Parque Antartica, além de gostar mais de picanha brasileira (a melhor do mundo) e também comer no Rubayat em Sampa (muito boa carne argentina, que é produzida em Dourados...rsrs).

Mas, dei pouca bola para o Dácio, pois, como disse Neruda em seus Versos: "Quando eu morrer, quero estar com os pobres, que não tiveram tempo de comprar uma parcela no céu que prometiam os metafisicos, enquanto o espacavam e espoliavam os que tem o céu dividido e arrumado".

Será que meu conterrâneo sabe quem foi Neruda? Será que ele já leu CONFESSO QUE VIVI? Será que ele sabe que a nossa picanha é a melhor do mundo? Bom...enquanto os trouxas continuarem a achar graça das suas piadinhas preconceituosas, na certa ele não vai parar e tomar uma atitude de ler...mas deixa pra lá...ele já é passado...do velho matogrosso demodê...

Abraço ao poeta carioca-matogrossês, Victor Barone.

Maidana