Semana On

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Homem da Lua

Tive o prazer de participar na noite de ontem do lançamento do livro “O Homem da Lua”, do amigo Arlindo Fernandez. A obra reúne 22 contos que trafegam pelo realismo fantástico e ilustrações criadas pelo autor. Arlindo foi premiado em dois concursos de contos neste ano: um realizado pela Fundação Municipal de Cultura e outro pela Academia Sul-mato-grossense de Letras.

Acho que quando se escreve um livro, o que ali está escrito passa a ser propriedae de cada leitor. Cada um faz o que quer com as letras ali embaralhadas, dando sentidos e interpretações que mais lhe agradam. O segundo parágrafo do primeiro conto – que dá nome ao livro – é, para mim, exemplo maravilhoso de prosa poética. E assim ele se traduziu sob minha leitura:

“Então, coloquei meu traje azul de mangas leves,
porque o que chegou foi a noite
e, com ela, não vieram só estrelas e grilos,
mas um vento frio que acumulou folhas
na varanda de minha casa;

veio, enfim, uma absoluta certeza
de que não haverá mais invernos,
nem as andorinhas
e o cheiro dos tomilhos
na beira do lago.

A canção no juke-box
nunca mais será ouvida,
as imagens desaparecerão,
então, esquecerei o gosto da comida
e os vermes vão beber
cabernet sauvignon
em minha boca.”

2 comentários:

Adriana disse...

A releitura que você fez traduzida nesse poema é boam demais. Se o conto for desse naipe,deve ser ótimo! Bj

Alice Salles disse...

Creio também que o livro vira uma obra de cada leitor e seu prisma... As palavras são o que são, um todo que no fim podem ser qualquer coisa.