Semana On

Mostrar mensagens com a etiqueta net. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta net. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Tuitando sem parar

Para dar espaço ao Twitter, que atividades você sacrificou? Fiz esta pergunta aos meus companheiros de microblog entre os dias 13 de novembro e 13 de dezembro. Sessenta e um tuiteiros responderam, lançando um pouco de luz sobre uma curiosidade que me espicaçava. Durante este período, acompanhei alguns perfis e descobri que há gente que fica, literalmente, o dia todo conectada.

O que será que toda esta gente está deixando de fazer para dedicar seu tempo aos 140 caracteres? Uma pesquisa realizada pelo departamento de mídia digital da Bullet, concluiu que 46,2% dos tuiteiros deixaram de atualizar outras redes sociais por conseqüência do tempo dedicado ao Twitter.

Mas será só isso? Minha micro-pesquisa revelou que 36% dos tuiteiros ouvidos sacrificaram alguma atividade para tuitar. Destes, 21% (13) disseram ter diminuído as visitas a outros sites da internet; 9% (6) passaram a assistir menos tevê e a ouvir menos rádio e 6% (4) diminuíram o ritmo da leitura de livros, revistas e jornais. A maioria, no entanto, 62% (32), afirmou não ter sacrificado atividades em detrimento do Twitter.

Apesar disso, considerei interessante o espaço ocupado pelo microblog na vida dos seus usuários. A instantaneidade da ferramenta pode ser algo tentador para quem já usa a internet com assiduidade. Segundo uma pesquisa recente feita pela E.Life em parceria com a InPress Porter Novelli, 38,5% dos entrevistados consideram o Twitter como seu principal serviço de mídias sociais; 63% desses tuiteiros ficam mais de 41 horas por semana online e 81,7% acessa o Twitter em cinco ou mais dias por semana.

Será vício?

Para o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, uma pessoa só é considerada “viciada em internet” quando não consegue ter controle de seu hábito online. Segundo ele, o vício não pode ser medido por horas online, e sim, por comportamento fora dos computadores: “O indivíduo dependente não consegue aplicar as lições do mundo da internet, que é mais moldável, no real. É uma conexão quebrada. Quando não consegue manipular a realidade a seu favor, a internet vira escape”.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Políticos no Twitter: sabemos o que eles querem... mas o que queremos deles?

No primeiro semestre de 2009, milhões de pessoas descobriram o Twitter. A ferramenta já ultrapassou o 45 milhões de usuários, com um crescimento de 1.460% apenas no último ano. Inevitável que o espaço fosse invadido pelos políticos. Com a aproximação de 2010 e das eleições, eles chegaram e, como todos os demais, estão aprendendo a utilizar as redes sociais.

Pai da criança, Biz Stone disse recentemente que esta simbiose é muito natural: “Os políticos precisam estar conectados com seus eleitores. Como o Twitter permite a conexão direta, é natural que tenha se tornado uma ferramenta presente nas campanhas políticas. Não há nada de errado nisso. Quanto mais pessoas compartilharem informações, melhor para todos.”, afirmou.

Falei sobre o tema em detalhes no artigo “Política em 140 caracteres” (publicado também no Observatório da Imprensa e no twitterportugal). “Vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e governadores aderiram ao microblog, ao lado de uma miríade de pré-candidatos às eleições de 2010. A maioria ainda não entendeu a vocação e o potencial das mídias sociais, mas os que compreenderem os seus meandros poderão obter vantagens ao estreitarem de forma transparente as suas relações com a população.

O fato é que eles vieram para ficar. Usarão as mídias sociais para divulgar suas plataformas, compromissos e idéias. Os mais antenados darão um passo além, procurarão interagir com os demais usuários, incorporar sugestões, responder críticas, navegar pela plataforma entendendo que, como disse o jornalista e blogueiro Marcelo Tas, “o Twitter é uma ferramenta de ouvir”. Nós sabemos o que eles querem, nosso voto, mas afinal, o que os usuários do Twitter querem dos políticos?

Para tentar desvendar esta questão, realizei entre 10 de outubro e 10 de novembro, uma pesquisa no blog. Perguntei "Seguir um político no Twitter é válido se ele... ". Dei cinco opções de respostas que, em minha opinião, resumiam os principais motivos que poderiam ser elencados, possibilitando que os participantes pudessem escolher mais de uma resposta. Cem internautas participaram da enquête e o resultado foi o seguinte:

"Seguir um político no Twitter é válido se ele... "

- Se posicionar sobre assuntos polêmicos – 68 votos, 66%
- Prestar contas de suas atividades políticas – 60 votos, 58%
- Consultar a opinião dos tuiteiros – 46 votos, 44%
- Responder a todas as críticas – 44 votos, 42%
- Falar de sua vida particular – 6 votos, 5%

As duas opções mais votadas deixam crer que o tuiteiro espera que o político use o Twitter para esclarecer sua opinião a respeito de assuntos dos quais, normalmente, se esquiva e para tornar pública sua atuação parlamentar. A consulta popular através da ferramenta também recebeu boa votação, insinuando que o usuário quer ter voz ativa, quer dar o ser recado a respeito de assuntos que dizem respeito ao seu dia a dia, fortalecendo a idéia de que a internet possa, um dia, se transformar em uma ágora virtual com toques de democracia direta (para aprofundar o conceito leia o artigo “O ciberespaço e as possibilidades de democracia participativa”).

O que menos o tuiteiro quer de um homem público, segundo a pesquisa, é que ele utilize a ferramenta para falar de sua vida particular. Postagens como “Vou almoçar com fulano”, ou “Estou saindo para me reunir com beltano” não estão no rol das informações que os usuários do Twitter querem ver no perfil de seus representantes.

Apesar das críticas que permeiam a rede a respeito do uso político das redes sociais, a presença de vereadores, deputados, senadores, secretários, prefeitos e governadores nestes ambientes é uma oportunidade única de o eleitor interagir com eles verticalmente, sem intermediários. Mesmo os que se utilizam de assessorias para atualizar seus perfis, estão na linha de tiro, deram a cara a tapa ao se colocarem no ambiente virtual. Cabe a nós, “simples usuários”, utilizarmos estes espaços como ferramenta de cobrança e de chamada de nossos representantes as suas responsabilidades.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Se quer permanecer jornalista, viva online o quanto puder

Infelizmente, falo do ponto de vista americano. Você não terá esse trabalho (de jornalista) para sempre. Não conheço as especificidades do Brasil. Nos Estados Unidos, muitos migraram para organizações públicas, para o governo. Muitos atuam como detetives particulares. Se quer permanecer jornalista, viva online o quanto puder. Esse é o conselho mais valioso que posso dar. Faça um blog sobre aquilo que você se interessa, dissemine isso no Twitter. Aprenda a trabalhar com multimídia, aprenda a usar flash, programação. O número de pessoas que fazem isso hoje é pequeno. Se você conseguir isso, estará um passo à frente”.

Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, ontem, no Media On 09. Interessante também a entrevista concedida por ele ao jornal Folha de S.Paulo, sobre o jornalismo contemporâneo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Política em 140 caracteres

O Twitter tem se configurado como uma importante ferramenta de interação e de manifestação política. No Irã, em junho, a plataforma sustentou os opositores do presidente Mahmoud Ahmadinejad, driblando a censura e levando ao mundo imagens da repressão. No Brasil, um movimento pela renúncia do presidente do Senado, José Sarney ganhou espaço a partir da tag #forasarney. Grupos sociais dos mais diversos matizes têm usado o microblog para divulgar suas idéias, angariar aliados, debater suas propostas. Trata-se de uma ágora virtual que, em meio à babel de mensagens em 140 caracteres, possibilita que “cada um seja o seu próprio Roberto Marinho”, conforme definiu o jornalista/blogueiro Marcelo Tas recentemente, durante o Seminário INFO – Twitter, Orkut e Flickr.

Um estudo da agência americana Interpret - citado em reportagem do Wall Street Journal – revela que os usuários do Twitter são mais receptivos a publicidade que os integrantes de outras redes sociais. Segundo o levantamento, os tuiteiros fazem mais resenhas, dão mais notas a produtos através da internet (24% contra 12% dos usuários de outras redes sociais), visitam mais perfis online de empresas (20% contra 11%) e clicam em mais anúncios ou patrocínios (20% contra 9%). Uma mina de ouro para quem quer promover um produto, ou a si mesmo.

O resultado é que esta imensa rede, na qual multidões circulam diariamente, tem atraído a atenção de políticos e instituições governamentais. Vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e governadores aderiram ao microblog, ao lado de uma miríade de pré-candidatos às eleições de 2010. A maioria ainda não entendeu a vocação e o potencial das mídias sociais, mas os que compreenderem os seus meandros poderão obter vantagens ao estreitarem de forma transparente as suas relações com a população.

O Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, deu um importante passo ao liberar o uso de redes sociais pelos servidores e ao possibilitar a criação de perfis das secretarias no Twitter - seu perfil principal, o @governosp, já acumulou mais de 10 mil seguidores. O grande incentivador do uso da ferramenta é o próprio governador José Serra. Ele alimenta diariamente sua página que tem mais de 108 mil seguidores. Uma característica do perfil do governador é a informalidade: uma das condições para que um político obtenha bons resultados com a ferramenta.

Para Bruno Caetano, secretário da Comunicação do Governo de SP, “o uso do Twitter encurtou a distância entre o governo e as pessoas”. Para ele, “agora é mais simples interagir, dizer o que não está sendo feito ou até alertar sobre algo que deveria estar funcionando e não está”.

Um exemplo dessa aproximação está no perfil da Secretaria de Agricultura. O objetivo é atingir quem está dentro e fora da internet. “Muitos dos nossos seguidores são estudantes de agronomia. Eles levam para os pais, que muitas vezes são agricultores, as dicas que damos no perfil”, afirma Vinícius Dias, responsável por gerenciar os perfis de mídias sociais da secretaria. No Twitter há links para o perfil do Flickr, que exibe espécies de peixes com descrições científicas, e do Youtube, com vídeos com explicações práticas de como plantar mudas, por exemplo.

O governo paulista ainda está aprendendo a se relacionar de uma maneira mais interativa com os cidadãos, diz Roberto Agune, coordenador de inovação do Governo José Serra. “A idéia é criar um espaço para o cidadão comunicar do ponto de vista dele como estão os resultados dos nossos serviços. É preciso estar inserido onde a população se relaciona. Desde janeiro, 23 órgãos do governo de São Paulo criaram seus blogs. Trata-se de uma mudança cultural que surge com estas novas ferramentas, novas formas de falar com a população e ouvi-la”.

Para Agune, a presença do governo nas redes sociais é um caminho sem volta: “Se você não está presente, outros farão isso por você”, afirma e vai além: “Ou o governo entra e usa estas linguagens ou se afasta da sociedade. Temos que usar estas ferramentas para nos aproximarmos do cidadão e para ouvi-lo. Isso é importante”.

Outro exemplo é o Governo da Bahia, que inaugurou sua conta no Twitter em maio do ano passado divulgando notícias sobre o Estado. De acordo com a assessoria de imprensa do Estado, o profile passou por uma fase de testes e só começou mesmo a ser divulgado a partir de dezembro de 2008. Hoje, conta com mais de 10 mil seguidores.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande (MS) também está prestes a adentrar o espaço virtual com um perfil no Twitter. O prefeito da cidade, Nelson Trad Filho (PMDB-MS), já tem o seu. Com cerca de 1800 seguidores, Trad Filho recebe elogios e sugestões e responde - via assessoria - críticas, sugestões e reclamações de seus munícipes. De olho no perfil, a assessoria – que auxilia o prefeito no microblog - identifica as dúvidas e reclamações dos followers, encaminha para as secretarias responsáveis – ou para o próprio prefeito quando necessário – e responde o mais rápido possível. “Isso cria um vínculo entre a administração pública e a população plugada. É importante na medida em que o internauta sente que não está falando para o vazio”, explica o coordenador de comunicação da Prefeitura de Campo Grande, Ico Victorio.

O deputado estadual Paulo Duarte (PT-MS) também aposta na interatividade. Usuário contumaz do Twitter, vai se reunir na próxima terça-feira, 13, com um grupo de seguidores para debater um projeto de sua autoria que prevê a proibição do uso de sacolas plásticas no estado: “Em função das manifestações dos tuiteiros, quero ouvir suas sugestões sobre o projeto. Quero mais ouvir do que falar”, disse Duarte, para quem o microblog é uma ferramenta que possibilita às pessoas “opinar sobre assuntos que dizem respeito diretamente às suas vidas”.

Talvez esteja aí, na interação com a população, o grande segredo das mídias sociais para políticos. Mas, é preciso muito mais que informalidade para criar uma relação de confiança entre um político e a população via Twitter. Mais importante é a transparência. Marcelo Tas diz que o Twitter é uma “ferramenta de ouvir”. Correto.

Tiago Cordeiro, analista de mídias sociais da consultoria Pólvora, aposta nisso: "Há muitos políticos que usam o Twitter como megafone, como se fossem celebridades, querendo contar o que quiserem. Mas ele funciona melhor, sim, como uma espécie de telefone, que te permite conversar e trocar idéias e não apenas ficar recebendo conteúdo que você muitas vezes não vai nem ler direito. O político que esperar até 2010 para abrir seu Twitter já terá perdido espaço”, afirma.

Eles descobriram a mina

Um bom exemplo de uso do Twitter por político foi dado pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) – cujo perfil acumula mais de cinco mil seguidores. Em maio, durante viagem inaugural do Trem do Pantanal, o senador usou o próprio celular para contar o que acontecia no vagão das autoridades, fechado à imprensa, onde viajava o presidente Lula. As mensagens acabaram divulgadas em blogs e sites do estado que cobriam a visita do presidente.

É uma forma muito mais direta de se comunicar com as pessoas. Abre um amplo espectro para a conversa sobre as atividades do dia-a-dia e até para falar de música, política, esportes. Sou um cara que gosta de compartilhar isso com as pessoas”, diz.

O líder do Democratas na Câmara Federal, deputado Ronaldo Caiado (GO), tem mantido atualizado o perfil no Twitter. “É muito importante, principalmente para nós da oposição, para expor nossos argumentos. O Twitter é um resumo sucinto. Não detalha, mas pauta as matérias. E depois, as pessoas buscam mais detalhes no blog”, diz.

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) também está no microblog e considera o espaço imprescindível para estreitar o contato com os eleitores: “Com o nível de acessibilidade do eleitor nestas eleições, não há a menor chance de nós, candidatos, ficarmos camuflados. Quem não entender isso vai ficar para trás. Estou contratando dois assessores só para me ajudar a alimentar esses instrumentos”.

Outro senador presente no Twitter é Cristovam Buarque (PDT-DF) - mais de 20 mil seguidores em seu perfil. Ele também não abre mão das mídias sociais: “Já tenho equipe e estou usando todos os instrumentos que posso. Torpedo eu recebo mais do que mando. Mas tuito toda hora que posso. Recomendo livros, comento notícias”.

O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), acha que a chave do bom uso do Twitter está na polêmica e no bom humor. "Quando você põe uma frase mais polêmica e sacaneia um adversário, tem resposta. Tem que ter bom humor, sem agressividade, mas é uma ferramenta que se encaixa bem para quem quer ser mais econômico. Os comentários ganham atenção na mídia também porque às vezes você está em casa, pensando na vida, e vem uma idéia boa. O Twitter te permite usá-la.", disse, em entrevista a Maurício Savarese do Uol Notícias.

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), também em entrevista ao Uol, apostou na descontração: "Pelo dinamismo, é algo que te força a ser conciso, te permite ironias, provocações e reflexões. Dá capacidade uma de interação muito grande, sem dúvida vamos utilizar nas eleições e será uma arena importante".

Pela culatra

Seja qual for a estratégia, sem o binômio transparência/informalidade, usando estratégias estranhas às mídias sociais, o Twitter pode se transformar em uma armadilha para o político. Exemplos recentes foram protagonizados pelo líder do Partido dos Trabalhadores no Senado, Aloízio Mercadante, e pelo governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB).

O mico de Mercadante ocorreu às 12h15, do dia 20 de agosto, quando tuitou a seguinte mensagem: “Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável.” Às 12h28, a Folha Online publicava a notícia: Mercadante usa Twitter para anunciar renúncia à liderança do PT. Às 14h16, o Estadão divulgou a mesma informação (Mercadante diz que deixará liderança do PT em twitter) que, três minutos depois, foi reproduzida pelo G1: Mercadante diz que deixará liderança do PT em twitter. No dia seguinte, voltou atrás patrocinando o primeiro efeito cascata negativo de um político brasileiro no Twitter.

"O erro foi meu, não foi do Twitter. Depois usei a ferramenta para explicar as razões que me demoveram. Houve manifestações boas, outras que foram duras, mas acho que são válidas. Me expor no Twitter é o mesmo que me expor à rua. Eu não deixo esse expediente para minha assessoria de imprensa, como fazem alguns. O Twitter está para a modernidade como a praça estava para a Grécia antiga. As reações estão em um nível normal", afirmou Mercadante posteriormente, mostrando que é possível aprender com os erros na net.

O exemplo do governador André Puccinelli, por sua vez, exemplifica como um político não deve usar um perfil de Twitter. No turbilhão gerado por suas ofensas ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a quem chamou de “viado” e “maconheiro”, Puccinelli foi alvo de críticas e pedidos de esclarecimento em seu perfil no microblog. Alheio ao estilo e necessidades das redes sociais, limitou-se a responder com “frases oficiais”. Resultado: o perfil está abandonado desde o dia 30 de setembro.

Segundo Roberto Agune, administrar as críticas recebidas no Twitter é fundamental: “Há críticas interessantes, construtivas, e há quem extrapole.” Para ele, os críticos trazem ferramentas, informações necessárias para fazer ajustes em procedimentos de governo. “É fundamental criar espaços onde se possa ouvir o cidadão. A sugestão de um cidadão pode nos ajudar a melhorar nosso trabalho”, afirma.

Este duplo pilar de sustentação, transparência/informalidade, esta ausente na maioria dos perfis políticos no Twitter. O erro está em se relacionar com as mídias sociais da mesma forma como se relaciona com as mídias tradicionais: na qual o discurso era uma via de mão única. “Antes nós falávamos com um milhão de pessoas. Hoje, um milhão de pessoas falam com você num instante”, resumiu Rodrigo Byrro, gerente de produtos da HTC América Latina, durante o Seminário INFO – Twitter, orkut e Flickr.

É como diz Edney Souza, gestor do Interney.net, referindo-se a políticos que se armam das mídias sociais sem prepararem-se para isso: “Ter a oportunidade de falar não significa nada se não tiver avanços”. Para ele, apesar das iniciativas para aproximar população e esfera política, ainda é cedo para dizer que há algum tipo de proximidade. “Tudo que temos são indícios de boas intenções que na prática parecem mais campanha eleitoral antecipada do que algo de efetivamente produtivo para o cidadão brasileiro. Não bastam iniciativas isoladas para ouvir a população, é preciso começar a priorizar, dar satisfações e entregar resultados. Tudo isso acompanhado de uma comunicação contínua e bilateral.“.

Babel Inútil?

Há quem questione a presença de políticos no Twitter. O diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, é um deles. No artigo “Babel inútil”, resume estes perfis como um “nunca acabar de trivialidades, auto-elogios, roteiros de visitas, elogios aos companheiros de partido e espetadelas previsíveis nos adversários”.

O cientista político da Universidade Federal Fluminense (UFF), Afonso de Albuquerque, em entrevista ao jornal O Globo, alerta para a repercussão instantânea de "gafes virtuais" à Mercadante. Outro problema é a dificuldade em se adaptar o discurso a espaços onde a informalidade é a regra. “Neste caso, o efeito pode ser contrário: em vez de atrair, afasta o eleitor”, afirma.

Para Albuquerque, o Twitter pode servir para mostrar o lado humano, mas até isso é complicado para o político. “Na política é preciso tomar decisões que contrariam princípios pessoais. O jogo político não é centrado na opinião pública. É preciso muitas vezes tomar atitudes que surgem nos bastidores”, argumenta.

A força da rede

Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília, o professor Venício A. de Lima explicitou recentemente, no artigo “Internet e eleições: só não vê quem não quer”, o inevitável avanço da rede sobre a política. Citando duas pesquisas, Lima traça um panorama desta presença inexorável.

Os resultados da pesquisa realizada pelo DataSenadorevelam que a internet (19%) já é o segundo meio de comunicação mais usado pelo eleitor brasileiro para informar-se sobre política, atrás apenas da TV (67%). Jornais e revistas aparecem em terceiro lugar, com 11% e o rádio é preferido por apenas 4% dos entrevistados. Além disso, quase metade dos eleitores (46%) acredita que a principal vantagem da internet nas eleições será a troca de informações e idéias. A possibilidade de facilitar a comunicação entre candidatos e eleitores aparece em segundo lugar, com 28%. Os entrevistados que disseram usar a internet diariamente somaram 58%; 78% acessam sites de notícias e 53% participam de alguma rede social, como Orkut ou Twitter.

Outra pesquisa, realizada pelo Vox Populi, mostra que a proporção de eleitores que usam a internet para se informar sobre política já chega a 36%: "Quase dois terços dessas pessoas se informam exclusivamente em sites de notícias e blogs jornalísticos, enquanto que 7% utilizam somente as redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter com essa finalidade. Os 29% restantes combinam as duas possibilidades. São eleitores que acessam a rede com muita intensidade: cerca de 70% dos que procuram nela essas informações dizem que navegam `todo dia ou quase todo dia´ com esse intuito."

Não há volta.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Participo hoje, em SP, do seminário Info: Twitter, Orkut e Flickr

Participo nesta segunda-feira, 21, em São Paulo, do seminário Info: Twitter, Orkut e Flickr, que pretende analisar o impacto da nova geração de redes sociais no mundo dos negócios. O evento acontece das 8h às 18h, no Blue Tree Towers Morumbi (Avenida Roque Petroni Jr, 1.000, Brooklin), com palestras bem interessantes para quem quer se aprofundar nestas novas ferramentas. Estarei de volta a Campo Grande amanhã pela manhã.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Participo, na 2ª, em SP, do seminário Info: Twitter, Orkut e Flickr

Participo na próxima segunda-feira, 21, em São Paulo, do seminário Info: Twitter, Orkut e Flickr, que pretende analisar o impacto da nova geração de redes sociais no mundo dos negócios. O evento acontece das 8h às 18h, no Blue Tree Towers Morumbi (Avenida Roque Petroni Jr, 1.000, Brooklin), com palestras bem interessantes para quem quer se aprofundar nestas novas ferramentas. Embarco na madrugada desta sexta para SP e fico até a manhã de terça-feira. Se algum colega blogueiro estiver por SP e quiser papear, meu celular é o 8113-1292. Até lá o blog ficará à deriva. Abraços.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Congresso decide hoje se apóia liberdade de expressão na internet

O Senado adiou para as 13h (de MS) desta quinta-feira a votação dos pontos polêmicos da reforma eleitoral, como as restrições para os sites jornalísticos atuarem no período das eleições. A votação estava prevista para a manhã de hoje, mas, por falta de quorum, o plenário vai analisar somente à tarde mais de 80 emendas ao texto principal da reforma eleitoral - que foi aprovado ontem pelos senadores. Para valer já para as eleições em 2010, o projeto precisa de sanção presidencial e publicação no Diário Oficial até o dia 3 de outubro.

Os senadores vão analisar hoje emenda dos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE) que restringe a atuação de sites jornalísticos durante o período eleitoral. A emenda proíbe sites e portais de jornalismo de "fazer propaganda eleitoral de candidato, partido político ou coligação". Pela emenda, fica vedado aos sites "dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique". Proíbe, também, que sites divulguem pesquisas eleitorais com "manipulação de dados, ainda que sob a forma de entrevista jornalística". A multa para quem desrespeitar a regra varia de R$ 5.000 a R$ 30 mil.

A emenda não explica, porém, como será realizada a propaganda eleitoral ou tratamento privilegiado na internet. Também não diz o que seria motivo jornalístico justificável para privilegiar numa reportagem ou entrevista um determinado candidato. Isso poderá dar margem a que a Justiça Eleitoral restrinja a cobertura jornalística na rede. O texto concede ampla liberdade aos blogs e sites de relacionamento, como o Twitter, para a livre expressão de pensamento durante as campanhas.

Uma emenda apresentada pelo líder do PT, Aloízio Mercadante (SP), retira do texto qualquer restrição à web. “Na democracia, a internet é como a praça, a rua. Não temos que tentar controlar o que não se pode e o que não se deve controlar. A nova proposta (dos relatores) continua tentando controlar, restringir. Eu prefiro acreditar na liberdade da informação”, disse o petista.

Mercadante comparou a votação sobre a internet às Diretas Já, quando se discutiu, em plena ditadura militar, a eleição direta para presidente da República. “Assim como nas Diretas Já se dizia que o povo não estava preparado para votar, agora o argumento é que o eleitor não está preparado para ter acesso à informação”.

O líder do PT argumenta ainda que as restrições aos portais proposta pelos relatores não atende nem aos objetivos deles. “O problema da internet não são os grandes portais. As questões de calúnia, injúrias e difamações vão acontecer em blogs, em outros sites, como é próprio da rua, da praça. Temos que ter tolerância e fazer o debate. O homem público que não aprender a conviver com as críticas da internet é como um guarda noturno que não quer trabalhar à noite. Tem que procurar outra coisa para fazer”.

Romero Jucá (PMDB-RR), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Marina Silva (PV-AC) são alguns dos senadores que já declararam posições semelhantes à de Mercadante. “É irreal é inexequível querer cercear a internet. Não adianta tentar proibir. Eu defendo a liberação total da internet”, disse Jucá.

O texto-base dá liberdade total aos candidatos na internet. Fica permitido a eles utilizar todas as ferramentas, como blogs, mensagens instantâneas e redes sociais. Será permitido também que os candidatos à Presidência da República comprem espaço em portais de conteúdo jornalístico.

A proposta permite também a doação eleitoral por meio da internet e do telefone. Os candidatos poderão receber recursos por cartões de crédito e débito, transferências on-line, boletos bancários e até pode desconto em conta telefônica. As doações poderão ser feitas diretamente aos candidatos ou de forma indireta, por meio dos comitês partidários.

Em julho, quando a possibilidade de restrição à liberdade de expressão na internet já dava seus primeiros sinas, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, definiu a situação. “Entendo que não há como regulamentar o uso da internet... A imprensa regula o Estado, e a internet se contrapõe à própria versão da imprensa sobre as coisas. A internet é o espaço da liberdade absoluta, para além da liberdade de imprensa”.

Leia mais sobre este tema:
- Ele fala, mas não ouve
- O poder e seu pesado olhar sobre a internet
- Rede de espionagem do Irã na internet conta com tecnologia ocidental
- A internet é o espaço da liberdade absoluta, para além da liberdade de imprensa
- Ahmadinejad sucumbe ao pavor da internet
- Iranianos apelam para a internet

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O poder e seu pesado olhar sobre a internet

Para que tanto controle, tanta ganância, será que não percebem que quanto mais fecham a mão, mais lhes escorre entre os dedos.
Stella Croesy Caribe

A recente decisão da Amazon de apagar determinado conteúdo do kindle sem informar seus clientes traz à tona um temos comum a quem vê na internet e no mundo digital um mecanismo democrático e de liberdade de expressão. George Orwell, no livro “1984”, traça um panorama sombrio de uma sociedade baseada no controle. Em um futuro por ele imaginado, censores do governo apagavam quaisquer traços de artigos que fossem constrangedores para o Grande Irmão, colocando-os em um incinerador chamado "buraco da memória". Foi exatamente o que fez a Amazon com 1984 e outro livro de Orwell, "A Revolução dos Bichos".

Mais emblemático, impossível. Impossível.”, diz meu amigo Luiz Felipe Vasques no excelente O Mal Humorado. Eu concordo.

A Amazon garantiu que os livros foram adicionados à loja Kindle pela MobileReference, uma empresa que não detinha os direitos autorais das obras, utilizando uma função "self-service" e que, ao serem notificados pelos detentores dos direitos, removeram as cópias ilegais dos sistemas e dos aparelhos dos consumidores, reembolsando-os.

A explicação parece lógica, mas suscita uma questão interessante: a Amazon tem o direito, a autoridade, ou mesmo a capacidade de deletar algo que alguém já havia comprado? Qual o limite para este controle exercido por uma empresa sobre um aparelho particular que utiliza a rede para fazer circular obras literárias?

Não é a primeira vez que a Amazon “tropeça” na manipulação de conteúdo adquirido por seus clientes. Em abril, "um erro de catalogação embaraçoso e grosseiro" havia levado milhares de livros em seu site a perder sua classificação no ranking de vendas, o que os tornou mais difíceis de ser encontrar em buscas. Ocorre que o problema parecia ter tido efeito desproporcional sobre livros com temas homossexuais, o que gerou protestos quanto a uma possível censura por parte da empresa.

As explicações da Amazon não convenceram a todos. Daniel Mendelsohn, escritor cujas memórias, “The Elusive Embrace”, estavam entre as obras “desaparecidas” questionou, em entrevista ao New York Times: "Há erros e erros. Em algum ponto do processo, que eu não compreendo por não ser um gênio da computação, as palavras 'gay' e 'lésbica' foram classificadas como se fossem pornografia. E eu me pergunto se gostaria que alguém considerasse meu livro como pornográfico, e a resposta é não".

O controle do conteúdo do que circula pelo meio virtual é um pavor que permeia meus sonhos mais obscuros. E ele é possível. Basta lembrar o que ocorreu recentemente no Irã, quando o regime desenvolveu, com o auxilio de empresas de telecomunicação européias, um dos mais sofisticados mecanismos de controle e censura para a internet, que permite ao governo examinar o conteúdo de comunicações individuais online em escala maciça. Uma monitoração de conteúdo que vai muito além do simples bloqueio de acesso a sites ou do corte de conexões.

Reportagem publicada recentemente no Wall Street Journal cita especialistas segundo os quais o governo iraniano adquiriu a capacidade não apenas de bloquear as comunicações, mas, também, monitorá-las a ponto de colher informações individuais dos usuários, além de alterá-las em uma guerra de contra-informação. Ou seja, o controle sobre a rede e sobre os mecanismos que provém dela é uma realidade.

Meu amigo Luiz Felipe revela em seu blog um temor que é também o meu. Diz ele: “Recebi, com entusiasmo até, a notícia de que na Califórnia, por decreto do Governator, todo o sistema público de ensino iria adotar uma forma semelhante ao kindle como livro didático. A idéia é: assim que confirmadas fossem novas descobertas, a disponibilização in promptu aos alunos. Achei isso muito legal, mesmo. Mas comecei a divagar, pelas obscuras ruelas mal-iluminadas dos meus achismos, de que um belo dia os alunos poderiam ligar seu kindle e ‘plim’: ‘A Terra tem 6.000 anos de idade. Tenha um bom dia, cidadão’.

João Carlos Caribe, que coordena o coletivo Ciberativismo, complementa: “Imagine agora que os governos resolvam criar dispositivos de vigilância típicos da obra 1984 de George Orwell, basta que ele intercepte esta nova artéria da sociedade, a Internet, mas ainda bem que a Internet é um mundo de pontas, e os controles só se dão nas pontas, e rapidamente são entendidos como defeitos e rapidamente são roteados. Mas este controle nas pontas é possível”.

O outro lado da net

Não resta dúvida de que a expansão maciça das comunicações por meio da internet constitui uma importante revolução nas relações sociais. Trata-se, também, de uma importante ferramenta política. Se por um lado as possibilidades que a internet oferece têm permitido a organização social com propósitos importantes, também possibilitam um aspecto obscuro ao converter-se em instrumentos de vigilância e repressão.

Assim como o Irã tem desenvolvido mecanismos para controlar o livre fluxo de informação na rede, muitos outros países também têm investido nesta questão. A China, por exemplo, possui um sofisticado sistema de vigilância e censura na internet conhecido como “A grande muralha de fogo da China”. Todos os computadores vendidos no país após 1º de julho incluem um software chamado “Green Dam”, que dará ao governo ainda mais controle sobre os usuários da rede.

Na Malásia, denúncias dão conta de que o governo implementou um filtro similar ao “Green Dam” para vigiar blogs e sites de seus cidadãos. O governo alega que o mecanismo será utilizado para bloquear sites de pornografia. No entanto, a oposição garante que o objetivo é controlar a dissidência política.

No Iraque, após a onda de liberação nas comunicações pós-queda de Saddan Hussein, as portas da internet começam a se fechar novamente. Medidas do governo têm sido adotadas para bloquear sites considerados prejudiciais ao público e cibercafés precisam ser registrados junto às autoridades. O governo, que vinha trabalhando discretamente nas novas leis de censura, diz que as proibições são necessárias porque o material atualmente disponível no país tem o efeito de encorajar a violência sectária, em meio a uma democracia ainda frágil, e pode perverter as mentes dos jovens. Em julho, um comitê do governo recomendou que fosse acelerada a redação de uma lei que permite vigilância oficial da internet e processo contra quem viole as normas oficiais. Entre os sites proibidos, de acordo com o relatório do comitê, estariam aqueles com temas como "drogas, terrorismo, jogos de azar, declarações negativas sobre o islamismo e pornografia".

Controle

No artigo “Ameaça à Liberdade de expressão dos usuários de Internet no Brasil”, que Caribé assina com Ana Paula Gravina, há uma definição muito clara de privacidade, liberdade de expressão e direitos civis e dos limites que o poder constituído deve observar no controle a estes direitos básicos.

Liberdade de expressão é o direito de manifestar opiniões livremente. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral. O discurso livre é também apoiado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, especificamente no seu artigo 19, e pelo artigo 10 da Convenção Européia dos Direitos Humanos, embora esse direito não seja exercido em vários países e, em geral, não seja ilimitado.

Os governos podem, sob a égide das Organização das Nações Unidas e dos países que dela fazem parte, limitar formas particulares de expressão, tais como aquelas que promovam o incitamento ao ódio racial, nacional ou religioso ou ainda o apelo à violência contra um indivíduo ou uma comunidade (o que coloca em contradição de legitimidade o próprio conceito desta, visto que não existe liberdade sem a plenitude das livres idéias; o direito mais básico de um ser humano é o de gostar ou não de algo em específico, e algo tão instintivo não pode ser sequer oprimido pelo estado anti-natural de coisas; a censura parcial e a censura plena são partes de um mesmo todo; duas faces de uma mesma moeda neuropressoróide - facto).

Segundo a legislação internacional, as limitações ao discurso livre devem atender a três condições: ser baseadas na Lei, perseguir um objetivo reconhecido como legítimo e ser necessárias à realização desse objetivo.

Dentre os objetivos considerados legítimos está a proteção dos direitos e da integridade moral de outros (proteção contra a difamação, calúnia ou injúria); a proteção da ordem pública, da segurança nacional, da saúde e do bem comum.


No Brasil

A decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, de suspender a veiculação dos arquivos de áudio relacionados à Operação Faktor no portal do jornal O Estado de S.Paulo é exemplo de como as oligarquias também podem ingerir na rede. Trata-se de censura. Ponto. Proibiu-se um site de manter no ar o áudio das negociatas da família Sarney, amplamente divulgadas em todos os principais veículos de comunicação do país.

O professor da Universidade do Texas e diretor do Knight Center para o Jornalismo nas Américas, Rosental Calmon Alves, disse que a censura ao Estadão é o "retrocesso em uma democracia em construção". Para Alves, especialista em liberdade de expressão na América Latina, a ação é uma amostra de que parte do Judiciário vive no passado. "Está difícil das autoridades judiciais brasileiras entenderem, tanto que algumas vezes caíram no ridículo de tentar bloquear o YouTube, o que acaba virando piada".

Em entrevista ao jornal paulista, destacou que a a internet possui uma arquitetura feita para contornar a censura e alertou: “Os chineses têm aperfeiçoado a tecnologia da censura, mas essa é uma guerra que nunca acaba. Eles criam a censura, e as pessoas criam jeitos de burlá-la. A ideia de censurar os áudios no site do Estadão não vai impedir que as pessoas saibam ou recebam os áudios através de outros meios, outros servidores em outros países, o que torna inócua a decisão judicial”.

Outro aspecto que remete a tentativa de controlar o que vai pela rede se deu recentemente, com a aprovação pela Câmara Federal das regras da propaganda política na internet. Na avaliação de profissionais de comunicação e estudiosos das campanhas eleitorais elas se aproximam da censura e estão longe da realidade da rede mundial de computadores. Embora permita a criação de sites e blogs em defesa de candidaturas e ampla discussão nos portais de relacionamento, como Facebook, Orkut e Twitter, a lei cria amarras tão rígidas quanto as válidas para rádio e TV, que são concessões públicas.

O AI5-Digital

Em 2001, diversos países da Europa fundamentaram a chamada Convenção de Budapeste, apresentando um modelo de legislação que institui um rígido controle no acesso à Internet, ferindo a liberdade de expressão, direitos civis e a privacidade. No Brasil, em 2005, o Senador Eduardo Azeredo reuniu três projetos que tramitavam no Senado, e os adaptou de acordo com a Convenção de Budapeste. Hoje, o texto do PL 84/1999 (a Lei Azeredo) tem sido apontado como uma grave ameaça à liberdade de expressão na internet brasileira. Gente mais qualificada do que eu já expôs as armadilhas que podem estar escondidas sob um manto de boas intenções.

João Carlos Caribe, que é responsável pela petição online que já reuniu mais de 145 mil assinaturas contra o projeto, diz que “os artigos previstos no substitutivo do senador Azeredo implantam uma situação de vigilantismo que não impede a ação dos hackers, mas abrem espaço para violar direitos civis básicos, reduzir as possibilidades da inclusão digital e transferir para toda a sociedade os custos de segurança que cabem aos que lucram com a eficácia proporcionada pela rede.”.

Em recente entrevista ao Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), disse o seguinte: “Na prática, o projeto de lei afetaria a política de ampliação das redes abertas de banda larga; a liberdade de compartilhamento; a liberdade de expressão; a liberdade de criação; a liberdade de acesso; a privacidade e o anonimato. Mais do que isso, a criminalização de milhares de jovens e adultos que compartilham MP3, imagens, fotos; centenas de ativistas e pesquisadores da cibercultura; qualquer pessoa que queira abrir o sinal Wireless em seu condomínio; pessoas comuns que tiveram suas máquinas 'escravizadas' por rackers e não possuem conhecimento técnico para se defender.”.

A jornalista guatemalteca Carol Zardetton no artigo “La cara oscura del internet”, define as perspectivas: “O sistema legal dos países onde prevalece o estado de direito terá que desenvolver ferramentas para a proteção dos direitos dos cidadãos a livre expressão do pensamento e de sua privacidade. Onde o estado não se sujeita às limitações que lhe deveriam impor as liberdades civis e os direitos humanos, a internet pode se constituir em um grave risco.”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A internet é o espaço da liberdade absoluta, para além da liberdade de imprensa

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, criticou hoje, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, alguns pontos da reforma eleitoral aprovada pela Câmara dos Deputados na última semana. O ministro abordou em especial a tentativa de regulamentar a internet chamando a regra de “provinciana”. “Entendo que não há como regulamentar o uso da internet... A imprensa regula o Estado, e a internet se contrapõe à própria versão da imprensa sobre as coisas. A internet é o espaço da liberdade absoluta, para além da liberdade de imprensa”, afirmou Ayres Britto.

De acordo com o ministro, a reforma beneficia em alguns pontos a cúpula partidária e diminui a transparência. Para ele, no caso da internet, a capacidade que a rede mundial de computadores possui de mobilizar a sociedade de forma interativa deve ser aproveitada durante o período eleitoral, e não intimidada.

Em seu editorial de ontem, o Estadão também condenava um aspecto da reforma que equiparou a internet - “com sua inesgotável profusão de sites, blogs, comunidades de relacionamento e ferramentas para a transmissão de micromensagens a telefones celulares” - às emissoras de rádio e televisão. Entre os nós apontados pelo jornal está a regra que obrigará portais, sites e blogs a reunir pelo menos 2/3 dos candidatos para a realização de debates eleitorais (da mesma forma como será feito em rádios e tevês); a proibição de os provedores de conteúdo apoiarem ou oporem-se explicitamente a este ou àquele candidato; e os mecanismos que limitarão a livre expressão na rede.

O projeto cria ainda condições para que um candidato se considere injuriado – e exija reparação pela presumível ofensa – por críticas recebidas nesse meio que se caracteriza pela mais desinibida expressão do pensamento, humor e irreverência (não raro, além dos limites da civilidade). O político que se sentir atingido por palavras ou imagens terá direito de resposta e à remoção do material que o desagradou, tudo como se o sistema já não embutisse naturalmente espaços para o contraditório.”, alerta o editorial.

No mesmo tom, Cláudio Weber Abramo também criticou a equiparação de regras. “Se, num rasgo de ingenuidade, o eventual visitante imagina que a intervenção dos deputados no assunto veio para melhorar o estado de coisas, pense de novo. Conforme é de seu feitio, os políticos intervieram na legislação não para tornar o processo mais visível e para melhorar o fluxo de informação política para o eleitor, mas para torná-lo mais impenetrável.”.

Manifestações como estas pupularam na internet neste final de semana. Ao tentar amarrar a rede, vinculando-a nas mesmas características que regem as demais mídias eletrônicas, tenta-se, de alguma forma, controlar esta ferramenta que, de forma alguma, tem vocação para a regulamentação. É como tentar conter um tsunami com castelos de areia. Como regulamentar o que será feito na rede durante as eleições de 2010 se, por exemplo, uma rápida busca no Google sobre o nome José Serra apresenta quase 285 mil citações – apenas em blogs... Como controlar esta tempestade de informações que circula livremente na internet? Espero que as cabeças coroadas nunca descubram...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Morin e a internet

A internet hoje dá uma possibilidade de multiplicação de informação e comentários, que é muito útil, por que a vida de uma democracia é a pluralidade das opiniões, visões, sem a homogeneidade da imprensa. Não há muitas diferenças na grande imprensa. É muito útil a internet, o que não significa que não há coisas falsas que venham dessas redes. Mas é a educação que dá à pessoa condição de ver e confrontar o que vê na internet e na televisão. Penso que hoje a internet dá uma possibilidade de mudança muito grande, por exemplo, pela complexidade. No México, há um curso de complexidade da educação virtual, com 25 países.

Do filósofo francês Edgar Morin, que está no Brasil para uma série de palestras e seminários, em entrevista ao jornalista Lincoln Macário.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Rede de espionagem do Irã na internet conta com tecnologia ocidental

Por Christopher Rhoads em Nova Iorque e Loretta Chao em Beijing
Tradução de Victor Barone
Publicado originalmente no
Wall Street Journal

O regime iraniano desenvolveu, com o auxilio de empresas de telecomunicação européias, um dos mais sofisticados mecanismos de controle e censura para a internet, que permite ao governo examinar o conteúdo de comunicações individuais online em escala maciça.

Segundo especialistas em tecnologia do Irã e de outros países, os esforços do governo iraniano em monitorar o conteúdo da internet vão muito além do simples bloqueio de acesso a sites ou do corte de conexões.

Segundo estes especialistas, para confrontar a instabilidade política que consome o país desde a semana passada, o governo iraniano se engajou em práticas que permitem as autoridades não apenas bloquear as comunicações, mas, também, monitorá-las a ponto de colher informações individuais dos usuários, além de alterá-las em uma guerra de contra-informação.

Este monitoramento foi viabilizado, ao menos em parte, a partir do segundo semestre de 2008, por uma joint venture chamada Nokia Siemens Networks, reunindo a Siemens AG, um conglomerado alemão, e a Nokia Corp, companhia finlandesa de telefonia celular, garante Bem Roome, porta voz da joint venture.

Segundo Roome, o centro de monitoramento, instalado junto à empresa estatal iraniana de telecomunicações, é parte de um grande contrato com o Irã que inclui tecnologia de rede de telefonia celular. “Se você vende redes, você também pode vender a capacidade de interceptar qualquer comunicação feita a partir dela”, afirmou.

A venda destes equipamentos ao país já havia sido divulgada no ano passado pelo web site Futurezone, dedicado à tecnologia de informação.

O governo iraniano fez, recentemente, breves experiências com o equipamento, mas ainda não havia usado suas capacidades ostensivamente até os recentes distúrbios.

Não sabíamos que eles podiam fazer tanto com estes equipamentos”, disse um engenheiro de redes em Teerã. “Agora sabemos que eles têm equipamentos poderosos que permite que eles façam rastreamentos muito complexos pela rede”.

Estas capacidades envolvem rastreamento de dados online de e-mails e chamadas de telefone virtuais, imagens e mensagens feitas por meio de redes sociais com Facebook e Twitter. Cada pacote de informações é desconstruído, examinado com palavras–chave e reconstruídos em milésimos de segundos. No caso do Irã, esta pesquisa é feita em todo o país por meio de um único provedor, segundo os engenheiros de rede familiarizados com o sistema do país.

Todos os olhos estão voltados para a internet nesta crise iraniana, assim como para as tentativas governamentais de combater a troca de informações online entre os dissidentes. A infiltração no tráfico de informações online no Irã pode explicar a razão pela qual o governo permitiu que a Internet continuasse a funcionar – e, também, porque a velocidade de acesso caiu pela metade nos dias seguintes a divulgação dos resultados da votação presidencial que impulsionou os distúrbios no país.

Usuários iranianos da internet reportaram esta diminuição na velocidade do acesso a uma proporção de décimo do normal. A análise de dados por meio dos mecanismos de espionagem atrasa a transmissão de dados online a não ser que seja acompanhada por um grande aumento no poder de processamento, dizem os analistas.

O Irã está “escavando sua opinião pública”, afirmou Bradley Anstis, diretor de estratégia técnica da Marshal8e6 Inc., uma companhia de segurança em internet situada em Orange, Califórnia. Ele e outros especialistas entrevistados examinaram o fluxo do tráfico online entrando e saindo do Irã e concluíam que ele possui características de monitoramento: “Parece que eles estão um passo à frente do que qualquer outro país esta fazendo, inclusive a China”, afirmou.

A China gaba-se de seu “Grande Firewall”, considerado o mais avançado e caro programa de censura à internet no mundo, e que também envolve inspeções nos moldes do que foi desenvolvido pela Nokia Siemens Networks. No entanto, na China, estas técnicas estão sendo desenvolvidas de forma mais descentralizada, ao nível dos provedores de acesso à internet, ao invés de um único centro de filtragem, dizem os especialistas. Isso sugere que esta filtragem não seja tão uniforme quanto a que acontece no Irã.

A diferença, ao menos em parte, tem a ver com a escala: a China possui cerca de 300 milhões de usuários de internet, mas que qualquer país. O Irã, onde se estima um contingente de 23 milhões de usuários, é capaz de rastrear toda a comunicação online em um único lugar, o Telecommunication Infrastructure Co., parte do monopólio estatal de telecomunicações iraniano. Todos os links internacionais rodam por meio desta companhia.

Filtros

Paralelamente ao que ocorre no Irã, membros da embaixada estadunidense em Beijing encontraram-se na sexta-feira com representantes chineses para expressar sua preocupação quando as novas exigências de que todos os computadores vendidos na China a partir de 1º de julho sejam equipados com software de filtragem de dados.

Se um governo quiser controlar o fluxo de informações através de suas fronteiras é necessário mais que bloquear o acesso a web sites localizados em outros locais. Agora, com a troca de dados por meio das redes sociais se tornando cada vez mais populares, regimes repressores estão se voltando para tecnologias que permitem analisar as informações produzidas e recebidas por seus cidadãos, mensagem por mensagem.

Grupos de direitos humanos têm criticado a venda deste tipo de software ao Irã e a outros regimes considerados repressores, pois eles podem ser usados para controlar dissidentes, com evidencia a crise iraniana. Questionado sobre o tema, Roome disse que a companhia “não pode escolher com quem faz negócios” e que “acredita ser melhor proporcionar às pessoas, onde quer que elas estejam, os meios de se comunicar do que deixá-las sem opção de serem ouvidas”.

Países com governos repressores não são os únicos interessados neste tipo de tecnologia. A Inglaterra tem uma lista de sites bloqueados, e o governo alemão está considerando medidas similares. Nos Estados Unidos, a National Security Agency tem esta capacidade – utilizada durante o Governo Bush por meio do "Terrorist Surveillance Program". A Casa Branca não comenta oficialmente se o programa tem sido usado pelo Governo Obama.

O governo da Austrália está experimentando filtros de internet para proteger seus jovens da pornografia online e tem recebido críticas dos que consideram a ação uma tentativa de censura.

Tecnologias de análise de conteúdo e filtragem já são comuns entre corporações, escolas e outras instituições, como parte dos esforços para bloquear spams e vírus, assim como de assegurar que os empregados e estudantes sigam as diretrizes de uso estabelecidas por estas entidades. Famílias também usam filtros em suas casas, para proteger seus filhos de sites indesejados, como os dedicados à pornografia e ao jogo.

A censura à internet no Irã foi desenvolvida com esta justificativa inicial, de bloquear a pornografia online, entre outros materiais considerados ofensivos pelo regime, segundo os que têm estudado o histórico da censura online no país.

O Irã tem apertado o cerco deste controle desde que a internet ampliou sua presença no país para além das universidades e das agências de governo no final dos anos 90. Neste período, o governo tentou limitar a vibrante blogosfera do país obrigando os blogeiros a obterem uma licença governamental. A medida provou-se de difícil implantação, segundo a OpenNet Initiative, uma parceria entre universidades que estudam a filtragem e vigilância sobre a internet (integram a parceria as seguintes instituições: Harvard University, University of Toronto, University of Cambridge e University of Oxford).

A partir de 2001, o governo do Irã requisitou aos provedores que instalassem sistemas de filtragem e também que todas as conexões internacionais fossem dirigidas a uma única gateway controlada pelo monopólio estatal de telecomunicação, segundo a OpenNet. Desde então o país bloqueou mais de cinco milhões de sites, de acordo com estimativas da ONG Repórteres sem Fronteiras.

Nas eleições presidenciais de 2005, o governo derrubou a internet por horas, responsabilizando um cyber ataque vindo de fora do país, que mais tarde provou-se ser uma acusação falsa de acordo com engenheiros de Teerã.

Alguns anos depois, uma pesquisa da OpenNet descobriu que o governo iraniano estava usando equipamentos de filtragem provenientes da empresa estadunidense Secure Computing Corp, apesar do embargo de comércio imposto pelos Estados Unidos ao Irã, em vigor desde a revolução islâmica de 1979. A Secure Computing Corp, agora incorporada pela McAfee Inc. negou, na época, qualquer conhecimento sobre uso de seus produtos no Irã. A McAfee, por sua vez, afirmou ter realizado diligências antes da aquisição da empresa, não tendo observado nenhum contrato com o Irã.

A construção de uma estrutura online de alcance nacional e coordenada de um ponto central requer imensos recursos, incluindo técnicos capazes, grande poder de processamento de dados e energia, garantem especialistas em internet.

A Nokia Siemens Networks proveu o Irã com equipamentos no ano passado, dentro do conceito internacionalmente aceito de "lawful intercept", afirmou Roome. A interceptação de dados para fins de combate ao terrorismo, pornografia infantil, tráfico de drogas e outras atividades criminosas exercidas pela internet é algo que muitas, senão todas as companhias de telecomunicação, possuem, afirmou o porta-voz.

O centro de monitoramento que a Nokia Siemens Networks vendeu ao Irã é descrito no catálogo da empresa como capaz de “monitorar e interceptar todos os tipos de comunicação por voz ou dados em todas as redes”. A joint venture deixou o ramo dos equipamentos de monitoramento, classificados como “soluções inteligentes”, em fins de março, vendendo o negócio para a Perusa Partners Fund 1 LP, uma empresa de investimentos baseada em Munique. Segundo Roome, a companhia decidiu que o ramo não seria mais parte de seus negócios.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ahmadinejad sucumbe ao pavor da internet

Incapaz de conter as manifestações em massa da oposição, o governo iraniano ampliou nesta quarta-feira o cerco à veiculação dos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. A Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e usuários de outras ferramentas de mídia online exigindo que todo conteúdo que "crie tensão" seja eliminado de suas páginas na Internet. O ambiente virtual tem sido o refúgio das centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.

Muitos iranianos estão usando o Twitter para disseminar informações sobre os protestos, apesar dos esforços das autoridades iranianas em bloquear notícias e dados sobre o assunto. Tags como "#iranelection", "#Tehran", "#Iranians" e #Change_for_Iran estão entre os mais comentados do Twitter. Segundo medição do site twist.flaptor.com, na manhã de ontem a tag "iranelection" estava presente em 1,29% dos textos publicados no Twitter - no pico, esse índice já foi de 2,03%. Já "Teheran" chegou a 0,95% dos posts e "Iranians", a 0,8%. Por meio destes tags é possível acompanhar momento a momento o confronto no Irã.

O governo iraniano também entrou na guerra cibernética e, além de coagir os cidadãos a não exporem suas opiniões, tem tentado confundir o diálogo entre manifestantes e o resto do mundo agindo diretamente sobre as ferramentas de interação. Diante disso, houve quem elaborasse estratégias para driblar esta cacofonia digital patrocinada pelos hackers de Ahmadinejad.

Como eu disse recentemente, o pavor que os poderosos e os totalitários nutrem pela informação livre e sem rabo preso é terrível. A informação deve ser livre, gostemos dela ou não, e livres devemos ser para constituir veículos de comunicação, desagrade A ou B. O “postal” acima é parte de uma interessante campanha da International Society for Human Rights que ilustra muito bem o que deve estar sentindo Ahmadinejad neste momento.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Iranianos apelam para a internet

,Interessante a reportagem da BBC Brasil sobre o uso das redes sociais, em especial o twitter, durante a crise institucional no Irã. O jornalista Tariq Saleh (que escreve de Beirute) mostra que os “iranianos adotaram a postura de utilizar ferramentas online para tentar driblar a censura do governo e propagar informações, imagens e vídeos do clima de tensão no país”. Vale a leitura.