Semana On

domingo, 27 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Poesia aos sábados

São Pedro da Serra

o enterro descia a rua
um homem carregava uma coroa de flores:
...Saudades: esposa, filhos e netos...

a chuva não incomodava o morto
as colinas não vigiavam o cortejo
ocupavam - se com o flerte frenético das nuvens

os carros parados na contramão
a vida seguia indiferente sem se importar com
o morto

os homens bebiam no bar
as mulheres arrumavam as vitrines
os meninos jogavam bola

o morto
não interrompia o curso das horas
não percebia - se nenhuma diferença no vento
ou na correnteza das águas pelas pedras

o morto era o único ausente
ninguém compartilhava da absoluta solidão que sentia.

Flávio Machado, esta semana, no Poema Dia

domingo, 20 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Poesia aos sábados

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Este poema/letra de Oswaldo Montenegro tem muito de mim. Por isso o escolho hoje, dia do meu aniversário, para ilustrar o sábado com poesia.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Liberdade e responsabilidade: uma breve e desimportante reflexão sobre o Jornalismo

A liberdade e a responsabilidade na imprensa devem caminhar lado a lado. Somente com liberdade a imprensa pode cumprir seu papel fiscalizador dentro de uma democracia. Somente com responsabilidade a imprensa pode cumprir este mesmo papel sem agredir direitos alheios. A liberdade se apóia sobre a responsabilidade e a última justifica a primeira. Sem uma ou outra o jornalismo fica manco, incompleto.

Nós, jornalistas, nos habituamos a exigir liberdade e este é um hábito benéfico ao apontar para uma compreensão dos profissionais da área sobre o papel do jornalismo. É muito bom, também, quando não só jornalistas, mas pessoas oriundas das mais variadas áreas de atividade se manifestam quando a liberdade de imprensa é ameaçada, como parece ter ocorrido recentemente com o site de notícias MidiamaxNews (veja aqui as explicações do dono do site sobre o caso), de Mato Grosso do Sul.

Assim como estamos sempre prontos a gritar, escrever e teclar por liberdade, nos esquecemos, muitas vezes, nós jornalistas, da responsabilidade para com a notícia. Não gostamos nem um pouco que nos digam isso, mas é a verdade. A verdade: tão subjetivo conceito, alvo constante de nossa labuta diária.

Não há verdade menos importante ou mais importante, assim como responsabilidade não pode ser mensurada de acordo com o objeto sobre o qual se aplica. Ou se fala a verdade ou não. Ou se é responsável ou não.

Faço esta reflexão diante de um fato ocorrido comigo hoje. Acompanhei pelo Twitter as muitas manifestações de apoio ao MidiamaxNews. Solidarizei-me com o veículo, com os profissionais que lá atuam, com seu proprietário, segundo quem o site foi alvo do ataque de hackers.

Como muitos outros, fui ao MidiamaxNews ler as novidades quanto o site voltou ao ar. Entre as muitas notícias deparei-me com uma inverdade publicada na coluna Bastidores. Uma nota intitulada “Craque Metido”, que reproduzo a seguir:

“O atacante Denilson, ex-Palmeiras, ex-seleção brasileira, recebeu R$ 11 mil para vir em Campo Grande para inaugurar a Cidade da Copa, nos altos da Afonso Pena, ponto de concentração dos torcedores em dias dos jogos do Brasil. Ele ficou uns 15 minutos no evento, afastado da imprensa, dos fãs, enfim, longe da “galera”. Ninguém conseguiu ao menos um autógrafo do craque, que foi logo alegando compromissos.”

Em meio à fome na África, aos conflitos sangrentos no Oriente Médio, a situação precária dos indígenas brasileiros ou a política indigente de nossos políticos, a simpatia ou antipatia de um ex-craque de futebol pode parecer assunto de pouca importância. É verdade. Não se trata de um tema central. No entanto, jornalista que sou, tenho ainda a urticária da verdade e da responsabilidade entranhada na epiderme.

Diante disso, não pude deixar de identificar que a nota, como disse anteriormente, era inverídica. Afinal, eu estava lá, com o sol batendo no cocuruto no momento em que o Denilson adentrou a Cidade da Copa até o instante em que ele de lá saiu. Testemunha ocular da história, deparei-me com uma incongruência entre a informação e o fato. É que o ex-craque, durante todo o tempo que esteve no circo armado pela Prefeitura de Campo Grande para o primeiro jogo do Brasil na Copa, atendeu à todos com presteza. Deu autógrafos adoidado, concedeu entrevistas a torto e a direita. Sempre com um sorriso estampado no rosto. O fato, então, não batia de forma alguma com a notícia publicada no site.

Em um primeiro momento, cogitei fazer um comentário no Twitter apontando este desacerto. Mas pensei: “ora, é assunto de pouca importância. A quem interessa se o Denilson foi ou não foi simpático, se deu ou não entrevistas. Embora ele tenha sido simpático com todos e tenha concedido entrevistas a tantos quanto assim solicitaram. Embora o que havia sido publicado fosse uma inverdade”. Pensei, também: “ora, hoje atuo na assessoria de imprensa da Prefeitura. Se eu tocar no assunto, já já aparece um espírito de porco dizendo que estou falando em causa própria”. Desisti, então.

Mas continuei com aquela coceirinha, incomodando. É que sou jornalista, sabe? As joças da verdade e da responsabilidade me perseguem.

Então, para me livrar do incômodo, liguei para uma querida amiga que atua lá no Mídia. Comentei minha inquietação, mas como resposta ouvi o seguinte: “Não fomos só nós que dissemos isso...”. É aquela velha história: uma mentira dita muitas vezes pode se transformar em verdade. Não era importante, em um primeiro momento, se o que dizia a nota “Craque Metido” fosse ou não verdade. O que importava é que a verdade ou a mentira dita ali não havia sido proferida em solidão, apenas pelo Mídia.

Como a amiga me é muito querida e a loucura da redação se fazia ouvir nos bastidores da ligação, preferi não estender a conversa – embora adorasse fazê-lo em uma mesa de bar se ela topar.

Assim, mais uma vez, tentei deixar de lado o desimportante comportamento de Denilson.

Não por muito tempo. Coceira desgraçada.

Peguei o telefone e liguei para o proprietário do site. Minha idéia era dizer a ele que uma inverdade havia sido publicada no seu veículo de comunicação, com a certeza de que, assim como para mim, para ele a liberdade de imprensa é tão importante quanto a responsabilidade sobre a notícia.

Assim como ouvi ao fundo a loucura da redação ao conversar com minha amiga, identifiquei no tom de voz de meu interlocutor e no atropelo com que fui atendido, a mesma loucura, a roda viva do mundo da comunicação online, onde não há tempo para detalhes, em especial os pouco importantes.

Então, antes mesmo que eu pudesse dizer o motivo de minha ligação, ouvi a seguinte pergunta (em um tom de quem está louquinho para desligar): “É importante o que você tem a me dizer agora? Estou bastante ocupado”.

Lembrei-me, então, do que era importante para mim, como jornalista – verdade, responsabilidade e liberdade (a mesma que o Midia, justamente, defende)-, mas calei-me diante da pressa, torcendo do fundo do meu coração para que o que eu tinha a dizer a ele fosse, sim, algo importante.

domingo, 13 de junho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

Poesia aos sábados

"Aureolada"

Eu tão anjo tenho andado,
que em mim nasceram asas.

O que me perde pro céu
é esse meu grande rabo
endemoniado
e minhas coxas grossas.

Flá Perez, esta semana, no Poema Dia.

domingo, 6 de junho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Poesia aos sábados

Mapa do Deserto

o fim do mês encontrava
meu carpete todo empoeirado
no raio de sol formigava
a multidão de pontos brancos no ar

meus olhos ressecam no fundo do mar

o chão da minha casa é o mapa do deserto
de um lugar qualquer

o fim do dia se agita
leva embora o que ali morava
o escuro se precipita
e desintegra

a multidão de pontos brancos no ar

o chão da minha casa é o mapa do deserto
de um lugar qualquer

Victor Meira, esta semana, no Poema Dia

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Israel - um Estado terrorista

"A colonização sionista deve ser completada e cumprida, mesmo que contra a vontade da população nativa. É importante falar hebreu, mas, mais importante, é ser capaz de fuzilar.“

Vladimir Jabotinsky, 1939.

O ataque a frota pacifista, onde foram assassinados pelo menos 15 ativistas, é mais uma prova do que sempre Israel foi: um estado terrorista, fora da lei. Esteve sempre acima da lei. Israel faz e desfaz do direito internacional sem sequer merecer uma ação de julgamento da Corte Internacional pelos crimes de guerra e massacres cometidos.

O fato da ação terrorista de Israel ter acontecido em águas internacionais não representa fato inédito, pois o Mossad já cometeu centenas de ações ilegais e terroristas em várias partes do mundo, fora da jurisdição do que se pode chamar de “fronteiras” de Israel.

Também vários pacifistas palestinos e de outras nacionalidades foram assassinados nos territórios palestinos ocupados em ocasiões de manifestações pacíficas de solidariedade e protesto contra as políticas sionistas de ocupação, racismo e opressão que Israel impõe ao povo palestino.

O que temos de novo nesse ato de terror contra a frota pacifista é o fato desta reunir mais de 800 pessoas de diversas nacionalidades, com apoio institucional e bandeiras desfraldadas de países que não estão em estado de armistício com Israel. Quando o sangue é palestino é mais do que normal, é comum, não chama mais tanta atenção assim. E quando chama atenção e acontecem os protestos nas ruas e nos fóruns internacionais, as conseqüências políticas são desprezíveis e acabam servindo para amenizar e aliviar o peso da consciência das potencias ocidentais, culpadas pela criação da tragédia palestina.

Israel alega legitima defesa dizendo que os soldados foram agredidos ao invadir o navio. E quem convidou Israel a invadir com tanta cortesia e fineza um navio que se encontrava em águas internacionais? Quer dizer que a raposa faz um grande favor e presta um enorme serviço humanitário quando invade o galinheiro? Realmente nada mais indigno e nojento que as farsas e mentiras dos governantes israelenses e seus lacaios de plantão. Israel já ultrapassou a tempo a fase da insanidade. Talvez agora, com esse ataque, os líderes mundiais comecem a levar mais a sério o perigo que Israel representa para a paz mundial.

As fontes que alimentam o terrorismo de Israel são: sua origem sionista, a ajuda externa dos EUA, seu poder militar e a impunidade.

SIONISMO

O Sionismo é uma ideologia racista, já que um dos seus lemas, um mito propagado aos quatro ventos, “Palestina, uma terra sem povo para um povo sem terra” equivale ao que temos lido, falado e visto ao longo de sua fundação em 1898: a limpeza étnica da Palestina, a eliminação de todas as condições que objetivem a implantação do Estado da Palestina soberano e independente e a desqualificação de todas as manifestações históricas e culturais da essência nacional árabe, muçulmana e cristã do povo palestino.

Desde a sua origem o sionismo se articula com as grandes potencias para obter apoio no seu projeto de colonizar a Palestina, substituindo os habitantes nativos, os palestinos, por uma população de maioria judaica, nem que para isso se cometam massacres, expulsões, destruição de vilas e aldeias (foram destruídas mais de 430 durante o período da guerra de 1948). Hoje, o maior numero de refugiados, reconhecido pela ONU, são de palestinos, com aproximadamente 5 milhões espalhados pelo mundo, sem ter o direito ao retorno as suas terras e lares na Palestina.

Um movimento pela paz em Israel procura ampliar forças para se contrapor as correntes políticas sionistas que sustentam o regime fascista de Israel, mas atualmente esse movimento não reúne apoio suficiente para alterar a correlação de poder.

AJUDA EXTERNA

A ajuda externa norte americana para Israel, coordenada pelo lobby sionista nos EUA, de mais de quatro bilhões de dólares anuais em dinheiro e armas, é resultado da aliança estratégica entre os dois países estabelecida pelos interesses mútuos no contexto da guerra fria, que teve como objetivos principais impedir que a União Soviética tivesse influencia real na região e o controle das fontes, refino e comercialização do petróleo.

O debate nos Estados Unidos sobre se ainda vale a pena pagar tanto a Israel para que cidadãos e soldados americanos morram no Iraque, no Afeganistão e em toda a região, está acontecendo em várias instancias governamentais e não governamentais. Não só pela vida dos seus filhos, mas também pela falta de racionalidade em continuar sendo um império utilizando-se da força bruta, enquanto a China se estabelece mundialmente por meios mais competentes e indolores! “Porque tirar do meu bolso (impostos) para pagar Israel se tenho que mandar meu filho para a guerra lá no oriente médio, para, no fim das contas, acabar protegendo Israel”: simples e poderoso argumento de uma mãe, e que começa a permear as instancias governamentais norte americanas.

O PODER MILITAR

O governo é o exército e o exército é o governo: essa é, de fato e de direito, a democracia israelense. Democracia é fazer de Gaza o maior campo de concentração a céu aberto do mundo, democracia é cercar a Cisjordânia com o muro do apartheid, da vergonha. O presidente Lula em sua recente visita a Palestina declarou: “um muro dentro de Israel, são 750 quilômetros passando por ruas, cercando. Não é uma coisa nobre para o século XXI. Eu me senti dentro de uma eclusa, eu me senti dentro de uma eclusa, tanto para ir para a Palestina quanto para voltar. Você para num local, fecha as portas, você desce do carro, entra num outro carro, e aí você atravessa. Ou seja, é como se nós não estivéssemos vivendo num mundo civilizado, no século XXI! Onde está o grande aprendizado que esses homens que dirigem o mundo aprenderam na universidade? Será que essas pessoas não percebem que o ser humano não pode, não foi feito para involuir, mas sim para evoluir?”

Quando os EUA e outras potencias aliadas questionam o projeto de enriquecimento de urânio para fins de geração de energia elétrica e outros fins pacíficos que o Irã desenvolve, Israel se mantém calada, silencio quase absoluto sobre o tema, se não fossem as evidencias que o mundo já tem sobre o arsenal nuclear israelense. Para justificar a invasão do Iraque a CIA “fabricou” um relatório mostrando provas da existência de armas de destruição em massa. Aguardemos então que os Estados Unidos invadam Israel!

Seria importante os Estados Unidos, França e Inglaterra reverem suas políticas em relação a Israel ao invés de criticarem o acordo nuclear que o Presidente Lula promoveu entre Brasil, Irã e Turquia, demonstrando que quando as intenções das partes são baseadas no mutuo respeito entre as partes, no reconhecimento de suas aspirações legais e legítimas e na soberania dos países envolvidos, o diálogo se presta a alcançar resultados que as potencias não alcançaram até o momento por razoes óbvias: não querem negociar, dialogar, querem impor e dominar.

IMPUNIDADE

O estado israelense é um estado sionista, racista, militar e antidemocrático, protegido e financiado pelas potencias ocidentais, tendo como aliado principal os Estados Unidos da América.

Seria demasiado repugnante aceitar que um país por ser aliado do Império não lhe cabem as imposições e restrições do direito internacional. Essa seria a lógica de um sistema unipolar e a ONU, teoricamente, não foi criada para gerir esse tipo de sistema. Ou se muda a ONU para torná-la oficialmente e inteiramente submissa ao império ou o império deixa de ser império, submetendo-se, como país soberano, às regras e leis que regem a existência e a convivência multipolar e civilizada das nações, sob o comando da ONU.

A Assembléia Geral e o Conselho de Segurança da ONU, desde a votação da partilha da Palestina em 1948 até os dias de hoje, votaram tantas outras centenas de resoluções sobre a questão palestina, direitos nacionais do povo palestino ao retorno e autodeterminação, ilegalidade das ocupações israelenses e tantos outros temas relativos ao conflito árabe palestino israelense. Israel cumpriu apenas uma resolução: aquela que a aceitou como membro da ONU! E o Estado da Palestina aguarda até hoje para que possa ser cumprida igual resolução.

O Holocausto dos Judeus não dá permissão para Israel se colocar acima da ordem e da lei. As vitimas de ontem não tem o direito, nem bíblico, nem de costume, nem de qualquer interpretação jurídica do direito internacional, de se considerarem herdeiros eternos de uma compaixão ocidental que os cegam de suas obrigações perante os palestinos e a humanidade. Não é justo, nem moral, nem ético e muito menos humano que os palestinos paguem em sangue, suor e lágrimas, pelo fato de terem nascido na palestina ou de pais palestinos. Os palestinos lutam pelo seu direito, um direito universal e aceito por todos: liberdade e cidadania.

SOLIDARIEDADE

Para fortalecer e ampliar a solidariedade com o povo palestino pelo seus direitos nacionais inalienáveis ao retorno a sua terra e ao estabelecimento de um estado Palestino livre e soberano, tem-se que atuar nessas frentes que são a base do terrorismo de Israel:

- Esclarecer o que é o sionismo e combater seus conceitos racistas, colonialistas e antidemocráticos.

- Ajuda externa - Fomentar ações de solidariedade, tratados comercias, científicos e comerciais, projetos culturais, educacionais e socias com os palestinos a fim de fortalecer suas instituições e sua resistência contra a ocupação. Monitorar e denunciar os Tratados de Livre Comercio de países ou Blocos que pretendam ser firmados com Israel. Produtos israelenses fabricados, montados ou provindos dos territórios ocupados são ilegais e devem ser proibidos.

- Poder militar – Denunciar o projeto nuclear israelense. Pressionar governos para que busquem acordos, tratados e resoluções para tornar o Oriente Médio e região livre de qualquer arma de destruição em massa. Apoiar todos os movimentos em Israel que recusam o serviço militar israelense. Monitorar e denunciar toda a compra de equipamentos militares e armas israelenses por parte de qualquer governo. Monitorar e denunciar empresas israelenses no Brasil que usam uma fachada sócio-juridica brasileira para fabricar partes e componentes de armamentos militares. O lema “A paz mundial depende de alcançarmos a paz no Oriente Médio” nunca foi tão forte e atual como nos dias de hoje.0

- Impunidade – Denunciar os massacres, crimes, assassinatos cometidos por Israel nas cortes internacionais, debates, fóruns, etç. Criar Júris Populares para simular julgamentos dos crimes de guerra de Israel.

HOMENAGEM

Em 15 de maio ultimo, comemorou-se 62 anos da criação do estado de Israel e 62 anos da Nakba – a tragédia palestina, que continua, diariamente, a tirar vidas e mais vidas . Demorou muito menos para o mundo, através das sanções econômicas , boicotes e pressões políticas, apressar o fim do regime do apartheid na África do Sul, regime racista e segregacionista, ex-aliado de Israel.

Que esta data fatídica e trágica de 31 de maio de 2010, no mês da Nakba palestina, essa data do ataque terrorista israelense contra a frota pacifista, seja lembrado anualmente dentro das comemorações da Nakba.

Presto minha mais profunda e comovida homenagem a cada homem e mulher que estava nos navios da frota, a cada um que tombou vitima do terror israelense, homens e mulheres que deram suas vidas pelos mais dignos e nobres valores da existência humana: a solidariedade para que outros seres humanos sejam livres. Deram suas vidas por uma Palestina livre. Deram suas vidas para que o mundo possa ter uma paz justa e duradoura. Minhas condolências a todos os familiares, amigos e companheiros dessas valiosas e corajosas pessoas que não tombaram em vão, porque essa página da liberdade, escrita a sangue, ficará marcada num lugar de honra no memorial de libertação e independência nacional do povo palestino e de todos os povos que lutam por sua liberdade.

“Apesar de esmagadora superioridade militar de Israel, possuímos algo até maior: a força de justiça.”
Yasser Arafat- NY Times – 1/3/2002

Emir Mourad
Ativista da solidariedade ao povo palestino

Participe da campanha da Jewish Voice for Peace para romper o cerco à Gaza


Quando tive conhecimento do ataque israelense contra a Flotilha de Gaza, ás 2h30 do dia 31 de maio, me senti enjoado. Imediatamente entrei em contato com uma amiga querida em Jerusalém, uma das mais comprometidas ativistas que eu conheço. Através do oceano eu pude ouvir por sua voz que ela estava em lágrimas. “O pior de tudo”, ela disse, “é que nada vai mudar”.

“Não”, eu respondi, “Não podemos acreditar nisso. As coisas têm que mudar”.

“Então”, ela disse, “isso terá de partir de você, os estrangeiros.

Ela está certa. Cabe a nós, os estrangeiros, tanto aqui nos Estados Unidos quanto no resto do mundo, tomar a iniciativa.

É por isso que eu peço que você envie um a mensagem ao presidente Obama, se você vive fora dos Estados Unidos, e para Obama e o Congresso norte-americano se você mora nos Estados Unidos, pedindo a imediata libertação dos ativistas pelos direitos humanos, pelo fim do cerco à Gaza, por uma investigação imparcial sobre o ataque a Flotilha e pela suspensão da ajuda norte-americana até que Israel se curve às leis internacionais.

Nós ainda não sabemos ao certo o que ocorreu com a frota que carregava cerca de 700 ativistas dos direitos humanos provenientes de todo o mundo e cerca de 10 toneladas de ajuda humanitária à Gaza – Israel tem mantido os ativistas sob um total bloqueio midiático enquanto espalha sua inverossímil versão dos eventos. O que sabemos até agora é que comandos israelenses abordaram os navios em águas internacionais e mataram pelo menos dez ativistas e feriram outras dezenas.

Israel insiste em que seus bem treinados comandos foram forçados a usar força letal contra os ativistas, criando uma nova definição de legítima defesa. Em um dos primeiros relatos, um membro do parlamento israelense e um câmera da Al Jazeera que estavam a bordo dos navios descreveram uma cena de caos, com civis acenando bandeiras brancas e os comandos usando armas de choque, balas de borracha e gás lacrimogêneo. Seja o que for que tenha ocorrido quando os comandos armados abordaram os navios, o assassinato de civis por parte do exército israelense é inaceitável.

Ainda não sabemos os nomes daqueles que foram mortos ou feridos, e de onde eles são. Não sabemos também o paradeiro e o estado de saúde dos mais de 400 ativistas que encontram-se detidos em Israel.

Estas mortes, e o ataque aos navios, atingiram a todos nós ao redor do mundo. Ali havia pessoas de 40 países, incluindo israelenses e palestinos. Israel enviou comandos armados sobre civis, em águas internacionais, em um ato flagrantemente ilegal com o intuito de justificar os cerca de três anos de cerco ilegal a Gaza – um cerco que tem deixado 1,5 milhão de pessoas – homens, mulheres e crianças – vivendo como prisioneiras, com dietas racionadas, privados de coisas simples como batatas chips, instrumentos musicais e brinquedos. A Flotilha não pretendia apenas sanar esta carência. O objetivo era assegurar os direitos dos palestinos às suas rotas marítimas, terrestres e aéreas, sua ligação com o resto do mundo e reafirmar a necessidade do fim do bloqueio.

Eu sei que há um momento na vida em que você simplesmente precisa fincar pé em uma decisão. Você não pode se sentar em silêncio e observar a destruição da vida, tacitamente apoiada por governos mundo afora, e simplesmente não fazer nada.

A Flotilha estava ocupada por pessoas como você e eu, que finalmente decidiram que era hora de arriscar suas vidas e tomar posição para quebrar os muros desta prisão. E nós agradecemos a elas.

Agora, como cidadãos do mundo, nós devemos isso ao povo da Palestina e aos israelenses que querem viver em paz, às bravas pessoas da Flotilha. Devemos criar um movimento para fazer Israel aceitar as leis internacionais e os padrões mais simples de decência humana – especialmente porque nosso governo falhou neste intento.

A resposta do governo dos Estados Unidos tem sido totalmente inadequada, com uma declaração morna de “lamento pela perda de vidas”, sem estabelecer qualquer crítica pelo fiasco, sem adotar quaisquer sanções pelos atos de Israel. Por favor, junte-se a mim na tentativa de dizer ao presidente Obama e ao Congresso que basta, basta.

Os impostos norte-americanos financiam a ocupação israelense e, ao lado do suporte diplomático, faz parecer que qualquer ato israelense, não importa o quão tolo, será apoiado pelo poder norte-americano.

É hora de dar um fim a esta situação.

Temos que continuar construindo um movimento global pela justiça, em todos os níveis. As pessoas precisam superar as ações inefetivas de seus governos e usar a pressão econômica (por meio de boicotes) para fazer o governo de Israel se curvar às leis internacionais.

É hora dos Estados Unidos, como aliado de Israel e nação mais poderosa do mundo, parar com o suporte incondicional ao governo israelense. Fazendo isso protegeremos israelenses e palestinos, cidadãos americanos e de todo o mundo.

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR UMA MENSAGEM AO PRESIDENTE BARACK OBAMA E AO CONGRESSO AMERICANO PEDINDO O IMEDIATO FIM DO BLOQUEIO À GAZA, UMA INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL E IMPARCIAL SOBRE A TRÁGICA MORTE DE CIVIS EM UMA MISSÃO HUMANITÁRIA E A SUSPENSÃO DA AJUDA MILITAR A ISRAEL ATÉ QUE SEJA ASSEGURADO QUE ESTA AJUDA NÃO SEJA USADA PARA COMETER ABUSOS.

Rebecca Vilkomerson,
Executive Director,
Jewish Voice for Peace

terça-feira, 1 de junho de 2010

Líderes do Ocidente são covardes demais para ajudar a salvar vidas

Por Robert Fisk
Tradução de Victor Barone

É fato que pessoas comuns, ativistas, chame-as como quiser, são, agora, os que tomam as decisões para mudar as coisas.

Como Israel não percebeu isso? Será que a Guerra de Gaza em 2008-09 (1.300 mortos), a Guerra do Líbano em 2006 (1.006 mortos), todas as outras guerras e, agora, a matança de ontem significará que o mundo não aceitará mais a lei de Israel?

Não prenda seu fôlego.

Só o que você precisa é ler a fraca declaração emitida pela Casa Branca – que a administração Obama está “trabalhando para entender as circunstâncias que cercam a tragédia”. Nem uma simples palavra de condenação. É isso. Nove mortos. Apenas outra estatística a ser adicionada na sanha do Oriente Médio.

Mas não é do que se trata.

Em 1948, nossos políticos – americanos e britânicos – estabeleceram uma ponte aérea em Berlin. Uma população faminta (nossos inimigos há apenas três anos) estava cercada por um exército brutal, o russo, que havia erigido uma cerca a volta da cidade. A ponte aérea berlinense foi um dos grandes momentos da Guerra Fria. Nossos soldados e pilotos se arriscaram e deram suas vidas por estes alemães famintos.

Incrível não é? Nestes dias, nossos políticos tomavam decisões; nossos líderes tomavam decisões de salvar vidas. Attlee e Truman sabiam que Berlin era importante não só em termos políticos, mas morais e humanos.

E hoje? São as pessoas – pessoas normais, europeus, americanos, sobreviventes do Holocausto – por Deus, sobreviventes do nazismo – que tomam a decisão de ir a Gaza, pois seus políticos e seus homens de Estado falharam em tomá-la.

Onde estão nossos políticos de antigamente? Bem, temos o ridículo Ban Ki-moon, a patética declaração da Casa Branca e a expressão do querido Sr. Blair de “profundo lamento e choque pela trágica perda de vidas”. Onde está o Sr. Cameron? Onde está o Sr. Clegg?

De volta a 1948, eles teriam ignorado os palestinos, é claro. Trata-se, no final das contas, de uma terrível ironia que a ponta aérea de Berlin tenha coincidido com a destruição da Palestina Árabe. Mas é um fato que as pessoas comuns, ativistas, chame-as como quiser, são quem agora tomam as decisões para mudar as coisas. Nossos políticos são muito frouxos, muito covardes para tomar decisões que salvam vidas. Por quê? Por que nós não ouvimos palavras corajosas do Sr. Cameron e de Clegg ontem?

Pois, é fato que se os europeus (sim, os turcos são europeus, não são?) tivessem sido abatidos pelo exército de qualquer outra nação do Oriente Médio (o exército israelense representa uma nação do Oriente Médio não é?) teria havido ondas de ultraje.

E o que isso tudo diz sobre Israel? A Turquia não é um aliado de Israel? É isso que os turcos devem esperar de Israel? Agora, o único aliado de Israel no mundo islâmico diz que houve um massacre – e Israel parece não se importar.

Mas Israel não se importou, também, quando Londres e Canberra expulsaram seus diplomatas após passaportes britânicos e australianos terem sido forjados e entregues aos assassinos do comandante do Hamas Mahmoud al-Mabhouh. Não se importaram em anunciar novos assentamentos judeus no território ocupado de Jerusalém Oriental enquanto Joe Biden, vice-presidente de seu aliado, os Estados Unidos, encontrava-se na cidade. Por que Israel deveria se importar agora?

Como nós chegamos a este ponto? Talvez devido ao fato de termos crescido vendo os israelenses matando árabes, talvez porque os israelenses tenham crescido acostumados a matar árabes. Agora eles matam turcos. Ou europeus. Alguma coisa mudou no Oriente Médio nestas últimas 24 horas – e os israelenses (dada sua extraordinariamente estúpida resposta política ao massacre) parecem não ter compreendido o que ocorreu. O mundo está cansado destes ultrajes. Apenas os políticos estão silenciosos.

Tempestades diplomáticas

* Relatório Goldstone, novembro de 2009
Israel lançou a Operação Chumbo Derretido em Dezembro de 2008 com a intenção declarada de interromper o lançamento de foguetes de Gaza contra Israel. Mais de 1.400 palestinos e 13 israelenses foram mortos nas três semanas do conflito. O jurista sul-africano Richard Goldstone declarou que tanto Israel quanto o movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza, eram culpados de crimes de guerra, mas focou sua crítica com mais força sobre Israel. Israel recusou-se a cooperar com Goldstone e descreveu seu relatório como distorcido e tendencioso.

* O assassinato de al-Mabhouh, janeiro-maio de 2010
Britânicos e australianos expulsaram diplomatas israelenses após concluírem que Israel forjou passaportes dos respectivos países usados pelos assassinos do comandante do Hamas em Dubai. Israel não negou nem confirmou sua participação no assassinato de Mahmoud al-Mabhouh em seu quarto de hotel, em janeiro. Os britânicos declararam que a utilização do passaporte foi “intolerável”. A Austrália disse que este não era o comportamento de “uma nação com a qual nós temos tão próximo, amigável e colaborativo relacionamento”.

* Assentamentos, março de 2010
Israel anunciou, durante a visita do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, a intenção de construir 1.600 casas para judeus em uma área na Cisjordânia anexada por Israel. O anuncio suscitou uma crítica incomum por parte dos Estados Unidos. Washington disse que o fato prejudicou os esforços de retomar os processos de paz no Oriente Médio. A secretaria de Estado Hillary Clinton disse que o projeto era um insulto. Netanyahu respondeu dizendo ter sido surpreendido por burocratas e pediu desculpas a Biden. O encontro de hoje com Barack Obama na Casa Branca, cancelado pelo Sr. Netanyahu para que ele pudesse voltar para casa e lidar com a crise da flotilha, parece ser outra crise entre os dois aliados.

* Segredo nuclear, maio de 2010-06-01

Israel não assume possuir o único arsenal nuclear do Oriente Médio, tem sido confrontado com repetidas convocações para assinar o tratado global de não proliferação de armas nucleares (NPT). Os signatários do tratado lançaram nesta semana uma conferência em 2012 para discutir o banimento das armas de destruição em massa em todo o Oriente Médio. A declaração foi adotada por todos os 189 membros do NPT, incluindo os Estados Unidos. Isso obriga Israel a assinar o pacto e colocar suas instalações nucleares sobre a vigilância das Nações Unidas

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Assassinato de dez deteriorará ainda mais imagem de Israel

Por Gustavo Chacra

Israel assassinou dez pessoas de uma frota que levava ajuda humanitária para Gaza. A ação ocorreu quando os militares israelenses tentavam obstruir os barcos que seguiam para a costa do território palestino. Segundo o governo de Israel, os comandos teriam sido vítimas de linchamento por parte dos membros da denominada “frota da paz” que utilizavam “barras de ferro e facas”, segundo o Haaretz. Neste caso, onde supostamente haveria risco de os soldados morrerem, o Exército autoriza os disparos.

De acordo com os primeiros relatos, não houve uso de armas de fogo por parte dos ativistas, aparentemente. Mas não tenho condições de saber quem diz a verdade ou se as informações são corretas. Apenas sei que pelo menos dez pessoas morreram, assassinadas pelos militares israelenses.

Israel teria condições de usar armas de efeito moral, e não letais. Há como evitar ataques de faca sem matar uma pessoa. Além disso, os israelenses haviam invadido uma embarcação e os tripulantes normalmente tendem a resistir em qualquer lugar do mundo. De qualquer maneira, eu não estava no barco, não sei como estava o cenário e até que ponto era questão de vida ou morte para os israelenses. Pode ser que sim, poder ser que não. Apenas o tempo, a análise das imagens e uma investigação independente poderá nos dizer.

Claramente, o episódio não precisava ter chegado ao ponto da confrontação. Conforme afirmou o jornal israelense Haaretz, o Exército de Israel poderia ter chegado a um acordo antes para apenas verificar a carga em alto mar e deixado eles passarem, e não obrigá-los a desembarcar na costa israelense. Seria uma iniciativa pró-paz e, certamente, a frota, que levava um Nobel da Paz, parlamentares europeus e um sobrevivente do Holocausto, não carregava mísseis para o Hamas. Sem falar que não são apenas armamentos que os israelenses banem de Gaza, mas também alguns alimentos banais.

O vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Danny Ayalon, diz que membros da Al Qaeda estavam no barco. Neste caso, não consigo acreditar. A Al Qaeda nunca se envolveu com a questão palestina (nunca realizou um atentado em Israel), é inimiga do Hamas, odiada pelos palestinos e, acima de tudo, a Turquia, integrante da OTAN e radicalmente contra o terrorismo islâmico, não permitiria a entrada de membros da rede de Bin Laden no barco.

Independentemente do que tenha ocorrido, a imagem de Israel já se deteriorou ainda mais em países da Europa e de todo o mundo, onde o governo israelense aos poucos começa a ser tratado como pária. A alta comissária da União Européia para Assuntos Internacionais pediu o fim imediato do bloqueio a Gaza. Dois integrantes da ONU dizem que a operação israelense foi realizada em águas internacionais – não sei se é verdade. A França e a Alemanha se disseram “chocadas” e os EUA lamentaram as mortes. Outros países convocaram embaixadores israelenses para prestar esclarecimento.

Jornais de São Paulo a Nova York, de Paris a Beirute, dão manchete para “Israel mata ativistas” nas suas edições na internet. É isso que os israelenses querem? A imagem de assassinos?

A frota era uma tática de propaganda de organizações pró-Palestina. Eles pretendiam mostrar ao mundo como funciona o bloqueio israelense. Em vez de lançar foguetes, como o Hamas, optaram por um ato de resistência pacífica – caso realmente não tenham usado armas, mas seria impensável um grupo de civis querer lutar contra os bem treinados soldados israelenses.

Não imaginavam, certamente, que Israel se superaria e mataria dez pessoas. No fim, os israelenses multiplicaram a importância do episódio. Na cabeça de muitos ao redor do mundo, Israel passou a ser “o mau” do conflito com os palestinos. Os ataques de foguetes realizados por organizacões palestinas são ignorados, mesmo porque, na Guerra de Gaza, o Hamas matou menos israelenses – por sua incapacidade, que fique claro – do que Israel ontem no ataque à frota da “paz”.

Segundo reportagem de capa da revista New York Review of Books, uma das mais prestigiadas dos EUA, as ações de Israel (sem incluir a de ontem, claro) estão levando à apatia dos jovens judeus liberais americanos, que não se identificam mais com os israelenses. Pesquisa do Comitê Judaico Americano indica que apenas 16% dos judeus adultos não-ortodoxos dos EUA se sentem “muito próximos” a Israel. O número cresce para 79% entre os ortodoxos. Entre os jovens, diz o texto, a diferença é ainda maior.

“Os governos israelenses vêm e vão, mas a coalizão de Netanyahu é produto de uma tendência de longo prazo na sociedade de Israel – uma população ultra-ortodoxa que cresce dramaticamente, um movimento de colonos crescente e envolvido na burocracia e no Exército de Israel e uma comunidade de imigrantes russa que é anti-árabe”, escreveu o professor Peter Beinart na revista, lida pela elite judaica de Nova York. E os jovens judeus liberais de Nova York não têm nada a ver com o Avgdor Lieberman. Esta figura radical, na chancelaria israelense, não representa a comunidade judaica americana, sempre defensora da democracia e da liberdade e, atualmente, eleitora de Barack Obama.

Uma pena que a Israel idealista, do kibutz, ficou para trás. Hoje a imagem de Israel é dos assentamentos e do Exército. O marco teria sido a Guerra de 1967.

Lembro que Israel retirou seus assentamentos de Gaza, mas mantém o controle aérea e marítimo. Também, com a ajuda do governo de Hosni Mubarack, do Egito, isola Gaza pela via terrestre.