Semana On

domingo, 31 de maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Susan Boyle

Susan Boyle subiu ao palco do “Britain’s got talent” neste sábado (30) para a grande final do programa de calouros que a tornou na maior celebridade recente da música mundial. Vestindo um elegante longo prateado –bem diferente do estilo simples apresentado na primeira etapa da da competição–, ela cantou a mesma música que a consagrou: “I dreamed a dream”, do musical “Les misérables” (veja a apresentação no site oficial do programa). O resultado do "Britain’s got talent" sai a qualquer momento.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Obama fala sério ou endurecimento com Israel é para "palestino ver"?

Ao fim de sua primeira reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que Israel deve deter os assentamentos na Cisjordânia como parte de um acordo amplo para garantir a paz no Oriente Médio. Obama disse também que os palestinos devem fazer sua parte, proporcionando segurança na Cisjordânia e reduzindo o sentimento anti-israelense em escolas e mesquitas.

A reunião foi realizada um dia depois que Israel rejeitou o pedido americano para que fossem congeladas todas as construções nos assentamentos judaicos da Cisjordânia. O governo israelense argumenta que precisa permitir a construção de novas casas para abrigar o crescimento natural das famílias judaicas que moram na região, apesar de os assentamentos serem considerados ilegais pela comunidade internacional e pala ONU.

Obama tem sido menos explícito que seu antecessor, George W. Bush (2001-2009), quanto ao apoio estadunidense a Israel. No entanto, o presidente dos Estados Unidos tem marcado a primeira fase de sua gestão por posicionamentos dúbios, como ocorreu em relação às denúncias de tortura e desrespeito a direitos civis básicos sob o manto do combate ao terror.

Conversando com o jornalista palestino Sameh Akram Habeeb há pouco pelo MSN, fiquei sabendo que o sentimento que impera entre os ativistas palestinos é de pessimismo quanto aos resultados do encontro entre Abbas e Obama. Para Habbeb, que coordena de Londres o jornal eletrônico The Palestine Telegraph, o motivo é simples: “Obama não tem como pressionar os israelenses”.

O jornalista Gustavo Chacra, no entanto, apontou em seu blog uma situação contrária, citando outros ativistas palestinos que têm expressado confiança no novo discurso de Washington, como Walid Salim, diretor do Centro de Disseminação da Democracia, em Jerusalém Oriental, que se disse “encorajado” pelo discurso de Obama após o encontro com o premiê israelense, Binyamin “Bibi” Netanyahu. Outra fonte citada por Chacra foi o analista político Ali Jarbawi, “um dos principais intelectuais palestinos, morador de Ramallah”, para quem "as palavras de Obama fizeram os palestinos ficarem otimistas”. Apesar das boas perspectivas, Jarbawi afrima que é “hora de ele agir para que sejam desmantelados os assentamentos na Cisjordânia".

O jornal israelense Haaretz sustenta o mesmo otimismo. Reportagem publicada hoje cita o negociador palestino Saeb Erakat, segundo quem os “palestinos fora encorajados pelos compromissos que o presidente Obama e sua administração tem assumido para com a paz no Oriente Médio”.

No entanto, outras leituras estão mais carregadas de um sentimento de suspeita para com as intenções dos Estados Unidos. O discurso de endurecimento para com as políticas israelenses de expansão territorial seria apenas fachada? O escritor Ali Abunima, co-fundador do site The Electronic Intifada, aponta algumas questões importantes que colocam em suspeição as intenções de Washington .

Segundo ele, assim como seu antecessor, Obama tem expressado apoio pela criação de um Estado Palestino, no entanto vêm se eximindo de criticar o bombardeio de janeiro sobre a Faixa de Gaza – quando mais de 1.400 palestinos morreram, a maioria civis – apesar das evidencias de crimes de guerra cometidos pelos militares israelenses segundo a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e as Nações Unidas. Obama também se calou a respeito do bloqueio imposto sobre a Faixa de Gaza, onde um milhão e meio de palestinos, grande parte crianças e adolescentes, vive como prisioneiros, privados de suas necessidades básicas.

Obama exortou firmemente Netanyahu a interromper a implantação e ampliação de assentamentos em terras expropriadas de palestinos na Cisjordânia, mas estas palavras já foram pronunciadas por seus antecessores e não se transformaram em ações concretas. “A menos que estas posições sejam seguidas por ações decisivas – talvez limitando os subsídios estadunidenses a Israel – não há razão para acreditarmos que posturas que falharam no passado serão efetivas agora”, afirmou Abunima.

Somos obrigados a aceitar o catolicismo como religião oficial?

O Knesset (Parlamento de Israel) aprovou inicialmente uma lei que punirá com um ano de prisão os cidadãos israelenses que negarem o direito de Israel de existir como um Estado judaico, segundo o diário Haaretz. É como se o governo brasileiro tenta-se obrigar todos os cidadãos – e os punisse com prisão caso negassem - a adotarem o catolicismo como religião oficial do Estado, independente de sas crenças. Que tal?

A medida precisará passar por mais três votações e uma revisão antes de se tornar lei. Integrantes do partido do ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, também querem transformar em crime as comemorações do que os palestinos chamam de Nakba (tragédia), que marca a expulsão de cerca de 700 mil refugiados palestinos – incluindo cristãos e muçulmanos – quando foi criado o Estado de Israel, em maio de 1948.

Sammi Michael, presidente da Associação para Direitos Civis de Israel, condenou a atitude em entrevista ao Financial Times. “É uma opressão brutal do direito de livre expressão. Celebrar a Nakba não ameaça a segurança do Estado de Israel. É um direito humano de qualquer pessoa expressar dor diante de um desastre que eles experimentaram”, afirmou.

A informação foi pinçada do blog Diário do Oriente Médio.

Fotojornalismo

Foto de André Leão mostra a barragem de Algodões I, no município de Cocal, no Piauí, cujo rompimento, ontem, causou a morte de pelo menos quatro pessoas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Israel insiste no erro e se recusa a desmantelar assentamentos ilegais

O Governo de Israel rejeitou o pedido do governo estadunidense para dar um basta aos assentamentos judaicos na Cisjordânia (território palestino ocupado desde 1967) e vai permitir a continuidade de obras de ampliação destes locais, segundo afirmou hoje o porta-voz do governo israelense, Mark Regev. Segundo ele, o futuro dos assentamentos judaicos na Cisjordânia deverá ser decidido somente quando forem feitas negociações de paz com os palestinos.

Cerca de 500 mil colonos judeus vivem em mais de 500 assentamentos (segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU – OCHA) espalhados pela Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Alguns são verdadeiras cidades, como Maaleh Adumim e Ariel. Outros são menores, com centenas de moradores. Ainda há os "postos avançados" - trailers estacionados em pontos isolados.

Os assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, mas Israel rejeita essa determinação. De acordo com o plano de paz para a região apresentado pelos Estados Unidos em 2003, Israel é obrigado a interromper todas as atividades relacionadas aos assentamentos, incluindo o crescimento natural.

Hoje, Israel exerce um controle total sobre mais de 40% da Cisjordânia. O território é dividido em áreas A, B e C. Somente a área A está sob controle absoluto da Autoridade Nacional Palestina (ANP). A área B fica sob jurisdição israelense e - ainda que limitada - palestina. A área C, por sua vez, é totalmente controlada por Israel.

Os israelenses controlam também cerca de 87% do aqüífero da Cisjordânia, deixando 2,5 milhões de palestinos sobrevivendo com o restante, o que representa uma ameaça para a saúde das duas nações. “Os colonos judeus consomem até 200 litros diários de água por pessoa, enquanto os palestinos da Cisjordânia sobrevivem com 30 a 60 litros”, afirma Jamil Mtoor, subdiretor da Autoridade Ambiental Palestina.

Legais e Ilegais

Hoje Israel tem dois tipos de assentamentos os ilegais e os autorizados pelo Estado. Os ilegais são um dos grandes problemas do governo, porque nos últimos anos surgiram mais de duas dúzias de novos assentamentos não reconhecidos pelo Estado de Israel. Os assentamentos autorizados pelo governo israelense, por sua vez, também são ilegais, porque foram erigidos no território palestino.

No entanto, mesmo nos assentamentos “legais”, há abusos. Cerca de 75% das construções nos assentamentos judaicos na Cisjordânia foram erguidas sem licença ou em desacordo com as permissões emitidas pelas autoridades israelenses, segundo um relatório secreto do Ministério da Defesa de Israel publicado pelo jornal Haaretz. Segundo o estudo, em 30 colônias a construção de "prédios e infraestrutura, incluindo estradas, escolas e delegacias, foram realizadas em terras privadas de palestinos".

O pensador Noam Chomski, assim define a situação: “Os assentamentos ilegais na Margem Ocidental são construídos para a criação dos batustan (‘guetos’ para os palestinos, a exemplo do modelo da África do Sul, durante o período do apartheid), de acordo com o termo utilizado por Ariel Sharon, arquiteto da política colonialista. Isso significa que Israel toma o que quer, tornando o que sobrou da Palestina em regiões não viáveis.”.

Em janeiro passado, o jornalista Gustavo Chacra fez por duas vezes o trajeto entre as cidades de Nablus e Ramallah, e sentiu na pele as dificuldades que os palestinos têm para circular em suas próprias terras retalhadas por pontos de checagem e pelo Muro da Cisjordânia.

Em suas palavras:

Os palestinos que viajem de Nablus para Ramallah precisam passar todos os dias cerca de duas horas no checkpoint de Hawara. Após esperar na fila, abrir a mochila e passar por um detector de metal, os palestinos são obrigados a apresentar documentos para soldados israelenses. Alguns falam hebraico melhor do que os militares, muitas vezes recém chegados a Israel, enquanto estes jovens de Nablus são de famílias árabes que há séculos habitam o território. E, mesmo assim, correm o risco de ser mandados de volta, sem poder completar a viagem até Ramallah, que seria feita o tempo todo dentro da Cisjordânia, que é uma área palestina.

Se tiverem permissão para cruzar a barreira israelense, ainda passarão de carro ou ônibus por outros checkpoints de Israel no trajeto de carro até a cidade sede da Autoridade Palestina. Obviamente, um deles pode estar fechado por motivos nunca divulgados e os palestinos terão que buscar caminhos alternativos para chegar a Ramallah, aumentando em uma hora o tempo da viagem. Em algumas partes, os palestinos são impedidos de usar as mesmas estradas dos colonos judeus.

Ao longo do trecho Nablus-Ramallah, o palestino poderá observar ao menos dez assentamentos israelenses. De acordo com a ONU, todos são ilegais. Nenhuma construção de Israel na Cisjordânia está dentro das leis internacionais. E também são um desrespeito aos acordos firmados por governos israelenses desde Oslo, no início dos anos 1990. E as colônias não param de crescer.

O grupo pacifista israelense Paz Agora afirma em relatório divulgado ontem que 1.257 estruturas foram construídas na Cisjordânia em 2008, um crescimento de 57% em relação a 2007. Alguns dirão que Israel retirou 7.000 colonos da Faixa de Gaza. Mas este número equivale a 2% do total da Cisjordânia. O correto era ter retirado todos os assentamentos. Ocupação civil de forma alguma justifica questões de segurança. Na verdade, apenas prejudica.
”.

Fotojornalismo

O líder norte-coreano, Kim Jong-Il, que apavora o mundo com a ameaça nuclear, passa tropas em revista em foto divulgada em 2007. (Foto: AFP)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Israel divulga mapa turístico incorporando territórios palestinos: mas não foi a primeira vez

Navegando pelos meus ancoradouros prediletos na noite de ontem me deparei com uma notícia de arregalar os olhos no blog Fronteira Livre: uma campanha deliberada do Ministério do Turismo israelense para tirar os territórios palestinos do mapa. Isso mesmo.

A propaganda (você já viu a foto acima), afixada no metrô londrino, incentivava o turismo em Israel mostrando um mapa do país englobando os territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, além das Colinas de Golã, território sírio ocupado durante a guerra de 1967.

Os cartazes foram retirados após uma série de protestos feitos junto à Britain’s Advertising Standards Authority (ASA), que regulamenta a publicidade na Inglaterra. Os grupos The Palestine Solidarity Campaign (PSC) e Jews for Justice for Palestinians comemoraram a decisão diante da tentativa do Ministério do Turismo israelense de “deliberadamente negar a existência da Palestina”.

As propagandas tiravam a Palestina do mapa. É particularmente grotesco usar este tipo de mapa em uma propaganda turística, visto que, sob o bloqueio israelense, nem mesmo ajuda humanitária pode entrar nos territórios ocupados”, disse o PSC em comunicado oficial.

Os cartazes, que começaram a aparecer em Londres há menos de duas semanas - onde foram encontrados em pelo menos 150 localidades - custaram cerca de 40 mil libras, segundo o jornal Jewish Chronicle.

Vale lembrar que o Ministério do Turismo israelense tem no comando Stas Misezhnikov, membro do partido Yisrael Beitenu, cujo líder, o ministro das Relações Exteriores de Israel Avigdor Liberman (que deve visitar o Brasil em julho), defende, entre outras barbaridades, a segregação dos árabes. Coincidência?

Não foi a primeira vez

Para quem acha que o caso não passou de um mal entendido, como quis fazer crer o Governo de Israel, é bom não esquecer que esta não foi a primeira vez que o Ministério do Turismo israelense tenta promover o turismo na terra dos outros.

Em 2007, um anúncio na Radio Times magazine também divulgava mapas onde os territórios palestinos ocupados eram apresentados como parte de Israel.

Em 2002, uma reportagem da BBC denunciava o incremento dos investimentos em turismo feitos pelo Governo israelense nos territórios ocupados, apesar de protestos de palestinos e israelenses antenados: “Parece que nem balas, nem bombas – e nem a lei internacional – podem deter os planos do Ministério do Turismo de incrementar o turismo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza”, afirmava a reportagem. Suspeito que nada mudou nestes sete anos.

Ahmadinejad, não. Karimov também. E Liberman?

Pedro Doria levanta em seu blog uma questão pertinente: Ahmadinejad, não. Mas Karimov pode? Ele quer saber o motivo pelo qual alguns se levantaram contra a visita (abortada) do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, mas nada falam sobre o encontro que o presidente Lula terá com o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, na próxima quinta-feira. Islam, pelo que circula, costumava ferver seus adversários políticos além de ordenar massacres de civis.

Assim como Doria quis saber sobre o uzbeque, eu tento entender por que ninguém se manifestou até o momento sobre a visita que o racista ministro das relações exteriores de Israel, Avigdor Liberman, fará ao Brasil em julho. Escrevi sobre o tema recentemente no artiguito “Liberman vem aí... em que ele se difere de Ahmadinejad?”.

Fotojornalismo

Ativista suja com sangue falso, protesta contra as touradas diante de uma arena, em Madri.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Assessoria de imprensa é uma coisa, Jornalismo é outra

Ontem (26) a noite, tive a oportunidade de conversar com os alunos do quarto ano do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O bate-papo, convite do professor Mário Luiz Fernandes, versou sobre o trabalho da assessoria de imprensa em órgãos públicos, em especial sua relação com os veículos de comunicação.

Como nos últimos três anos tenho atuado nesta área (como chefe de redação da equipe de asessoria de imprensa da Câmara Municipal de Campo Grande - 2007/2008 - e chefe de reportagem da assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande - desde janeiro de 2009) me senti à vontade para o desafio. Durante a conversa, um detalhe em especial me chamou atenção: a dificuldade que os alunos tem para separar as atribuições de jornalismo e assessoria de imprensa, tema que tratei aqui em outubro passado no artigo “Jornalismo e assessoria de imprensa: ética e realidade”.

Há – em especial no campo teórico - quem considere ambas as atividades similares. Estou do outro lado. Penso haver diferenças marcantes entre a assessoria de imprensa e o jornalismo. Estas diferenças esbarram, inclusive, no Código de Ética da profissão.

Façamos, portanto, uma análise de alguns pontos do Código sob o ponto de vista de um caso hipotético envolvendo a assessoria de imprensa de, digamos, um governo estadual.

Exemplo de Caso: O Governo do Estado está lançando um conjunto habitacional e há pressão para que a obra seja entregue em tempo da comemoração do aniversário do Estado. O assessor de imprensa conversa com o secretário da pasta responsável pelo projeto, com técnicos, visita o canteiro de obras e apura as informações que considera relevantes para a composição do release. Durante este processo, o assessor descobre que A) as casas não serão entregues no prazo, embora o governador e o secretário insistam em que a data estabelecida seja divulgada. Descobre também que, B) para realizar a obra, algumas famílias foram removidas do local de forma inadequada, com uso de truculência. Ao tocar no assunto com o secretário, recebe uma explicação pouco convincente e um aviso de que este fato deve ser deixado de lado. Finalmente, o assessor apura que C) as unidades habitacionais serão construídas em um local com pouco acesso ao transporte coletivo. Ele procura o secretário responsável pela pasta de Transportes e o governador, e descobre que não há previsão para a ampliação de linhas de ônibus para a região e é alertado para não tocar no assunto.

Diante do caso exposto, veja o que diz o Código de Ética do jornalista e, em vermelho, meus comentários:

Capítulo I - Do direito à informação

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:

I - a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
Ocorre que está no cerne do trabalho de assessoria de imprensa filtrar as informações que são prejudiciais ao seu cliente. Qualquer assessor de imprensa que divulgue uma informação diretamente prejudicial ao seu cliente estará fazendo qualquer coisa, menos assessoria de imprensa. No exemplo acima, o atraso da obra, a remoção truculenta das famílias e a escassez de linhas de ônibus serão sumariamente suprimidas do release, embora sejam ganchos obrigatórios para um jornalista atuando em um veículo de comunicação. O jornalista Ricardo Noblat aponta esta dicotomia de interesses entre jornalismo e assessoria de imprensa em seu artigo “Assim é, se lhe parece”, publicado na revista Comunicação Empresarial nº 47, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje): “... quem paga o salário do jornalista é o público que consome o que ele apura e divulga. Quem paga o salário do assessor de imprensa é a empresa, entidade, governo ou figura pública que o contratou. No dia em que um assessor de imprensa for capaz de distribuir notícias contra seus clientes, estará fazendo jornalismo - e deixará de ser assessor de imprensa...”.

II - a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
Uma assessoria de imprensa de órgão governamental encontra diariamente momentos em que interesse público é deixado de lado a partir da omissão de informações que seriam prejudiciais ao cliente.

IV - a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as nãogovernamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
Deveria, mesmo. Mas, neste caso, o salário destes assessores deveria ser pago diretamente pela sociedade a fim de garantir o cumprimento desta obrigação. Se for pago através do intermédio do poder público a obrigação deste assessor passar a ser com seu patrão e não com o leitor. A outra saída para quem quer manter-se dentro de uma ética jornalísitica estrita é pedir demissão e mudar de emprego.

V - a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Somos todos passíveis de um processo ético. Todo assessor de imprensa obstrui informações que não são do interesse do contratante.

Capítulo II - Da conduta profissional do jornalista

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
O compromisso fundamental do assessor de imprensa é com o interesse e a preservação da imagem de seu cliente. A verdade acaba sendo uma questão secundária no processo.

Art. 6º É dever do jornalista:

II - divulgar os fatos e as informações de interesse público;

VII - combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
Ora, ambos os artigos acima são nobres e corretos, embora quixotescos na prática cotidiana de assessoria de imprensa. A saída, mais uma vez é a demissão.

XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;

XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Recentemente, a Câmara Municipal de Campo Grande perdeu a oportunidade de dar um exemplo de tolerância aprovando o projeto de Lei 6353/07, de autoria do vereador Athayde Nery (PPS), que concederia o título de utilidade pública para a Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS) - que já possui o mesmo título nos âmbitos estadual e federal. Integrantes da bancada evangélica e católica da Casa impediram a aprovação do projeto sem nenhum argumento técnico. Prevaleceu a homofobia. Durante este episódio eu integrava a assessoria de imprensa da Casa. Obviamente não pude dizer o que de fato estava acontecendo ali, embora tenha feito isso em meu blog (aqui, aqui e aqui).

Art. 7º O jornalista não pode:

II - submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
Diante do que já foi dito acima não há motivo para comentar este parágrafo.

III - impedir a manifestação de opiniões divergentes
Não cabe a assessoria de imprensa dar espaço ao contraponto. Quando isso ocorre, serve apenas de gancho para uma seqüência que reforce o ponto de vista do cliente.

O que foi dito acima pode chocar muitos colegas, mas este é um choque recheado de uma falsa inocência. Pode também confundir a cabeça de quem gostaria de ver a ética jornalística aplicada à assessoria de imprensa, embora este seja um desejo repleto de equívocos. O jornalista Ricardo Kotscho, por exemplo, diz o seguinte em seu artigo “1964-2009: 45 anos de reportagem”:

Não é a função ou o cargo que faz o profissional, é o contrário: em qualquer cargo ou função, seja numa redação ou numa assessoria de imprensa, a nossa ética tem que ser a mesma. Era assim que pensava e agia quando trabalhei como Secretário de Imprensa no governo. Nós, afinal, prestamos um serviço ao público, para o conjunto da sociedade, e não para quem eventualmente nos paga o salário, seja uma empresa privada ou o governo.”.

Em outro artigo, “Imprensa: os dois lados do balcão”, Kotscho faz uma defesa de fé da ética jornalística estendida a assessoria de imprensa para no final jogar uma pá de cal sobre tudo o que falou.

Segundo ele: “Na função de Secretário de Imprensa e Divulgação (no Governo Lula), procurei agir exatamente como esperava que os assessores agissem comigo quando era repórter: nunca tirá-los do caminho certo, mesmo quando a pauta era inconveniente ao governo, e ajudá-los na apuração das suas matérias. Posso não ter sido muito eficiente neste meu papel de assessor-repórter, não fornecendo todas as informações que eles queriam, mas posso garantir a vocês que nunca passei uma informação errada a nenhum deles.

Kotscho diz também que: “Não devemos nunca confundir divulgação jornalística com propaganda, um erro muito comum em todos os meios e latitudes... Jornalismo é, por natureza, uma atividade crítica, investigativa, que procura denunciar o que há de errado para que seja consertado.".

E que: “Toda informação passada a um jornalista não pode ser de interesse apenas do governo ou da empresa. Esta informação tem que ser, necessariamente, de interesse de toda a sociedade. Precisa apresentar um fato de interesse jornalístico.”.

Tudo isso para, no final, contradizer o que dissera antes ao concluir o artigo da seguinte forma: “Antes que me perguntem se no governo poderia fornecer todas as informações de que dispunha, inclusive as que eram contra os interesses do governo, já vou logo respondendo que não. Também nunca escrevi nada contra os interesses do Estadão, do JB, da revista Istoé, da Folha, da Globo, da Bandeirantes, do SBT, da revista Época, nem de nenhum outro veículo onde já tenha trabalhado. Por isso é que continuo amigo de todo mundo dos dois lados do balcão e sei que tenho as portas abertas para voltar quando quiser.

Ora bolas...

Esta confusão entre o fazer jornalístico e o ofício de assessorar não atinge apenas gente graúda com Kotscho (cuja trajetória profissional, diga-se, é invejável e digna de nota), mas todos os jornalistas que porventura tenham sido lançados em uma assessoria de imprensa achando que ali fariam jornalismo.

Diante disso é bom lembrar o professor Eugênio Bucci. Em seu artigo “Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes” ele vai direto ao ponto: “Jornalismo e assessoria de imprensa são duas profissões diferentes e não podem ser regidas por um mesmo Código de Ética.”.

Citando o Código de Ética e a afirmação de que “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautará pela abertura às mais variadas opiniões sobre os fatos, pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação", Bucci questiona:

Em se tratando de uma equipe de repórteres e editores de uma revista ou de uma emissora de rádio ou de qualquer instituição jornalística, cumprir à risca esse artigo é um dever óbvio, não há o que se discutir. Mas, aí vem a pergunta: isso vale para um assessor de imprensa? Será que um assessor de imprensa da Coca-Cola deve ouvir a Pepsi-Cola antes de divulgar um release? E um assessor da Igreja Universal do Reino de Deus, terá de ouvir sempre a Assembléia de Deus quando preparar notas sobre o fenômeno evangélico no Brasil? Se alguém aqui me disser que esse artigo vale para os que trabalham em redações, mas vale ‘mais ou menos’ para quem é assessor de imprensa, pois é isso o que se diz nos corredores, eu pergunto: como uma categoria pode pretender ter um código de ética cujos artigos valem para alguns de seus integrantes e não valem para outros?

E finaliza de forma que eu não poderia superar e, portanto, cito na íntegra para encerrar este artigo:

A profissão de jornalista tem como cliente o cidadão, o leitor, o telespectador. Nesse sentido, o jornalista se obriga – em virtude da qualidade do trabalho que vai oferecer – a ouvir, por exemplo, lados distintos que tenham participação numa mesma história. Ouvir todos os envolvidos, buscar a verdade, fazer as perguntas mais incômodas para as suas fontes em nome da busca da verdade é um dever de todo jornalista.

O assessor de imprensa, cuja atividade, eu repito, é digna, necessária, ética e legítima, tem como cliente não o cidadão, não o leitor, mas aquele que o emprega ou aquele que contrata os seus serviços. O que o assessor procura, com toda a legitimidade, é veicular a mensagem que interessa àquele que é o seu cliente, àquele que o contrata, e não há nada de errado com isso. É um ofício igualmente digno, mas não é jornalismo. A distinção entre os dois clientes estabelece uma distinção que corta de cima a baixo os dois fazeres.
”.

Fotojornalismo

Gartotos filipinos tentam trazer moedas até a boca sem usar as mãos durante um jogo realizado domingo, em festa em Baclaran, subúrbio de Manila.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tenho medo da Coréia do Norte, mas também de Israel, da Índia, do Paquistão, dos Estados Unidos, da Rússia, etc, etc...

Durante a eclosão da crise atômica iraniana, em 2007, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um infográfico no qual pretendia dar aos seus leitores respostas para questões pertinentes ao tema. Uma destas respostas explicava o motivo pelo qual “a comunidade internacional tem uma posição diferente em relação a Israel”, que possui armamentos nucleares. Segundo o Estadão, isso ocorreria, pois “Israel não é membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP - que permite aos países signatários enriquecerem seu próprio combustível nuclear apenas para fins de geração de energia) e, portanto, não tem obrigação de obedecê-lo”.

A análise do Estadão continua argumentando que “O mesmo ocorre com a Índia e o Paquistão, que também desenvolveram armas nucleares”, e finaliza dizendo que “A Coréia do Norte deixou o tratado e anunciou que adquiriu capacidade de produzir armas nucleares no final do ano passado (2006)”.

Ao justificar o motivo pelo qual o Brasil, que também enriquece urânio (condição básica para o desenvolvimento armas nucleares), e, assim como o Irã, é signatário do TNP, receberia um tratamento diferente do oferecido aos iranianos, o Estadão diz que “o Brasil não é visto como uma ameaça e todos acreditam no propósito pacífico deste projeto”.

O infográfico diz também que os iranianos garantem estar enriquecendo o urânio para fins pacíficos, dentro do que apregoa o TNP, mas que, segundo as potências ocidentais, “não é possível confiar no Irã”.

Resumindo, Israel não é signatário do TNP, portanto não precisa seguir suas orientações e restrições. Ora, a Coréia do Norte também não é signatária do tratado, no que ela se difere de Israel? A leitura feita pelo jornalão paulista é a síntese do pensamento ocidental: nós somos confiáveis, eles não. Ora, a noção de quem somos “nós” e de quem são “eles” varia de acordo com as alianças. De fato, a confiabilidade depende exclusivamente de que lado do tabuleiro geopolítico cada nação se encontra.

Hoje, a Coréia do Norte anunciou ter realizado com sucesso um novo teste nuclear, provocando reações alarmadas dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, Japão, China, Alemanha, Coréia do Sul e União Européia. Na onda dos protestos já surgiram ilações sobre uma possível relação entre o programa nuclear norte-coreano e o do Irã, dando – apesar das negações do presidente do Irã, Mamhoud Ahmadinejad - munição para que Israel volte a alimentar planos de um ataque “preventivo” contra os iranianos.

A proliferação de armas nucleares é preocupante. Em 2007, o Boletim de Cientistas Nucleares afirmava que “o fim do mundo pode estar próximo”. Segundo os especialistas, a humanidade está à beira de uma segunda era nuclear e terá que tomar rapidamente as decisões mais drásticas desde o lançamento das bombas de Hiroxima e Nagasaki. A organização também apontava os perigos de um terrorismo nuclear e a existência de um mercado negro de material físsil que poderia armar grupos radicais mundo afora.

Esta questão não é nova. Em novembro de 2001 – em plena onda de pavor gerada após o 11 de setembro - a revista Veja destacava uma reportagem intitulada “Ameaça nuclear do Islã” (aqui para assinantes), onde alertava para o perigo de o Paquistão, um dos poucos “aliados” muçulmanos dos Estados Unidos, servir de arsenal atômico para grupos fundamentalistas islâmicos que porventura viessem a tomar as rédeas do país.

No entanto, a questão é mais ampla, e não pode estar restrita a demonização deste ou daquele país baseando-se apenas nos temores do ocidente. O fato é que a questão nuclear envolve todos os países que mantém ogivas nucleares.

De acordo com o relatório “Global nuclear stockpiles, 1945-2006” (Estoques nucleares globais, 1945-2006), a distribuição das armas nucleares no mundo é atualmente a seguinte:

EUA – aproximadamente 10.000 ogivas, das quais mais de 5.000 operacionais
Rússia – aproximadamente 5.000 ogivas operacionais
França – cerca de 350 ogivas operacionais
Grã-Bretanha - cerca de 200 ogivas operacionais;
China – aproximadamente 200 ogivas operacionais;
Índia e Paquistão – cerca de 110 ogivas operacionais, considerados os dois arsenais;
Israel* – entre 150 e 190 ogivas operacionais;
Coréia do Norte – cerca de 10 ogivas operacionais.

* Outras fontes estimam que Israel possui entre 200 e 500 ogivas, além de um sofisticado sistema de lançamento. Para saber mais sobre o programa nuclear israelense, leia o artigo de John Steinbach, “Israeli Weapons of Mass Destruction, A Threat to Peace: Israel's Nuclear Arsenal”.

Limitar a questão ao medo do terrorismo e ampliá-la para o temor quanto ao destino que este ou aquele país pode dar ao seu arsenal nuclear devido ao seu posicionamento político é limitar a questão. O debate deve ser focado na eliminação total das ogivas nucleares, este sim um argumento de peso para proibir o desenvolvimento de armas nucleares por qualquer país. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu recentemente um passo nesta direção, ao menos no discurso.

A eliminação da ameaça nuclear não será possível enquanto prevalecer o discurso que divide os países quanto a sua confiabilidade, como defende Oliver Meier, representante internacional da Associação de Controle Armamentista, segundo quem não é possível juntar num mesmo grupo todos os países que possuem armas nucleares.

Uma primeira categoria incluiria a França, o Reino Unido e a China, nações reconhecidas pelo TNP e com as quais seria mais fácil negociar. Outro grupo incluiria Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte, países não reconhecidos formalmente pelo mesmo tratado. Das potências nucleares oficiais, o Reino Unido e a China tendem a ser mais abertos ao desarmamento nuclear global, enquanto a França tem uma postura mais relutante. A coisa muda de figura quando se trata das potências nucleares não oficiais. “Nesse caso, trata-se de um assunto de segurança regional. Em se tratando de Israel, haverá naturalmente o problema do Oriente Médio, do Irã, e tudo vai depender dos progressos na região. A Índia e o Paquistão têm o problema da rivalidade entre si. E, no caso da Coreia do Norte, ninguém sabe que política eles estão seguindo no momento", afirma Meier.

No entanto, quem é confiável quando o assunto é a ameaça nuclear? Melhor, quem é mais confiável? Os Estados Unidos ou a Rússia? Israel ou o Irã? Paquistão ou a índia? A Coréia do Norte ou a China? A Inglaterra, a França ou a Alemanha?

Não há como apostar as fichas neste o aquele país, pois tudo se resume a quem tem nas mãos o poder de escrever a história. Aos derrotados caberá apenas as cinzas de um inverno nuclear. Devemos acreditar em um deles, ou brigar pela eliminação total das armas nucleares em médio e longo prazo?

Fotojornalismo

Garota japonesa lê edição extra de jornal que informa sobre o teste nuclear norte-coreano

domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

Fotojornalismo

Imigrante atira pedra em policiais em protesto em Atenas (Grécia) contra suposta profanação do Alcorão. Foto de Simela Pantzartzi/Efe.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Soldados israelenses acham normal agredir palestinos

Reportagem da agência Efe publicada quarta-feira (e reproduzida na Folha Online) – com base em uma reportagem do jornal israelense Yedioth Ahronoth - expôs a brutalidade do exército de Israel contra os palestinos. A matéria reproduz depoimentos de soldados e oficiais sobre seus procedimentos nos territórios palestinos ocupados ilegalmente por Israel.

Entre os procedimentos considerados normais pelos militares citados na reportagem estão:

- Tapas no rosto, para que o palestino "entenda e fique quieto".
- Agressões como safanões, chutes e socos durante interrogatórios a civis suspeitos (o que pode ser qualquer um).

Além da brutalidade física, há a brutalidade contra a cidadania, como ocorreu recentemente durante a visita do Papa Bento XVI à Cisjordânia, quando menores de 35 anos foram proibidos pelos israelenses de participar dos eventos. Esta brutalidade se repete também na proibição que palestinos viajem para fora dos territórios ou quando cidadãos (e jornalistas) israelenses são impedidos de entrar nos territórios palestinos.

Um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra pessoas LGBT

Um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneras (LGBT) e assume sua rejeição às identidades que compõem esta população, revelou a pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, realizada pela Fundação Perseu Abramo em pareceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung, e apresentada pelo sociólogo da USP Gustavo Venturi, no Rio de Janeiro, no último dia 15, durante lançamento da pesquisa na Academia de Polícia do Rio de Janeiro (ACADEPOL).

O estudo foi realizado entre os dias 7 e 22 de junho de 2008 em 150 municípios brasileiros. Foram feitas 2014 entrevistas domiciliares, com aplicação de questionários estruturados, somando 92 perguntas. A primeira delas buscou medir o grau de aversão ou intolerância a diversos grupos sociais, como gente que não acredita em Deus (42%), usuários de drogas (41%), garotos de programa (26%), transexuais (24%), travestis (22%), fanáticos religiosos (22%), ex-presidiários (21%), gente muito rica (20%), lésbicas (20%), gays (19%), pessoas com Aids (9%), judeus (11%), muçulmanos (10%) e índios (2%), entre outros.

A partir daí a pesquisa centrou-se no tema do preconceito contra LGBTs, a partir de conhecidas afirmações preconceituosas, formuladas para medir o grau de concordância ou discordância dos entrevistados:

84% concordaram que “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos

58% concordaram que “A homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus

38% concordaram que “Casais de gays ou de lésbicas não deveriam criar filhos

29% concordaram que “Quase sempre os homossexuais são promíscuos

29% concordaram que “A homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada

26% concordaram que “A homossexualidade é safadeza e falta de caráter

23% concordaram que a “Mulher que vira lésbica é porque não conheceu um homem de verdade

21% concordaram que “Os gays são os principais culpados pelo fato da Aids estar se espalhando pelo mundo” (neste último, embora 21% das pessoas entrevistadas tenham concordado plenamente, outros 12% concordaram em parte, o que alcança um índice de concordância de 33%. Há também um aumento em relação às outras perguntas se levado em conta os que afirmaram “concordar em parte”).

A pesquisa mediu ainda o grau de tolerância para a convivência com gays e lésbicas nas relações de trabalho e vizinhança, nas relações pessoais, com médicos e com professores.

Ao medir o grau de tolerância entre os pais, 72% afirmaram que não gostariam de ter um filho gay, mas procurariam aceitar, enquanto 7% afirmaram que o expulsariam de casa.

O estudo enfocou ainda o preconceito assumido versus o chamado preconceito velado. Embora entre 69% e 72% das pessoas entrevistadas tenham afirmado não ter preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, 26% admitiram preconceito contra o primeiro grupo, 27% contra o segundo e o terceiro e 29% contra os dois últimos.

Ao medir o índice de homofobia por sexo (um para cada 3 homens e uma para cada 5 mulheres), o estudo dá conta de que os homens são mais homofóbicos do que as mulheres.

Entre os LGBTs, foi perguntado como estes se sentem em relação a sua identidade sexual: 65% afirmaram se sentir à vontade, 26% orgulhosos. Perguntados se alguma vez já sofreram discriminação, 22% afirmaram já terem sido discriminados pelos pais, 27% na escola, 31% na família, 24% por amigos, 11% por policiais na rua, 9% por policiais na delegacia e 7% por professores.

Para o antropólogo Sergio Carrara (IMS/CLAM), a pesquisa pode ser lida como uma espécie de termômetro de como as cosias estão acontecendo no Brasil atual. “Os dados revelam a presença forte da homofobia, mas também revela uma sociedade mais tolerante. Podemos olhar esses dados com um pouco mais de otimismo”, analisou.

Leia mais sobre este tema:

- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay

Fotojornalismo

James Maki, 59, que passou por um transplante de face devido a acidente de metrô que desfigurou-lhe o rosto, em 2005, em Boston, em sua primeira aparição em público. Foto de Josh Reynolds/AP.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hackers

O Escrevinhamentos foi alvo nesta quinta-feira da ação de hackers. Muitos elementos do blog foram danificados. Vou demorar um pouco para acertar os ponteiros. Peço desculpas aos meus dois ou três leitores.

Jornalista diplomado?

Terminei. Ontem obtive meu certificado de conclusão de curso. Sou, como dizem, jornalista diplomado. Grande bosta (com o perdão da palavra). Depois de 21 anos atuando na profissão sem o canudo, não me sinto um milímetro mais jornalista do que já era. Para saber o que penso sobre a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil basta procurar sobre o tema no blog. Escrevi recentemente sobre o meu caso no dia 30 de abril: Na semana em que pedi a colação de grau o STF pode derrubar o diploma".

Poema Dia no Noblat, novamente

Mais uma vez o Poema Dia foi destacado no Blog do Noblat. Quem não conhece o projeto e aprecia poesia, não deve deixar de visitar o blog, que reúne poetas de todo o Brasil (de Portugal e Angola).

Fotojornalismo

Em reunião, ontem, com o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, representantes do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) ficaram em uma saia justa quando o prefeito foi avisado de que o site mantido pela assessoria de imprensa que atende a entidade havia divulgado em seu site promocional, Copa 2014, uma notícia "chutada" assegurando que Cuiabá já havia sido escolhida pela Fifa com sub-sede do mundial. O prefeito pediu explicações no ato e o pessoal do sindicato deu um "alô" para seus assessores que, rapidamente, editaram a matéria. Foto de Denilson Secreta.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Depois de "pito", Mandarim edita release sobre a Copa

Alertado por sua assessoria de imprensa sobre o “furo” da Mandarim Comunicação, o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, cobrou do pessoal do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) – com quem estava reunido até a pouco – uma posição concreta sobre a informação de que Cuiabá já teria sido escolhida pela Fifa como sub-sede da Copa. Ouviu dos representantes do sindicato um pedido de desculpas e contradições. Um telefonema para São Paulo fez com que a matéria fosse editada. Para quem não viu, logo acima.

Como uma assessoria de imprensa pode detonar um cliente?

A assessoria de imprensa pode ser uma importante ferramenta de comunicação. Se bem utilizada, contribui para a construção da imagem do cliente e facilitar a abertura e a manutenção de canais de comunicação. Mal utilizada, no entanto, pode colocar em sérios apuros clientes incautos.

Foi que ocorreu hoje em Campo Grande, durante reunião entre o prefeito Nelson Trad Filho e empresários do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco), que estão fazendo uma peregrinação pelas cidades que disputam o direito de sub-sediar a Copa do Mundo de 2014. O sindicato tem promovido reuniões nestas cidades com o objetivo de “debater a infraestrutura necessária para as cidades brasileiras sediarem jogos da Copa de 2014”, conforme explica em seu site.

Ocorre que a Sinaenco é cliente da Mandarim Comunicação, empresa sediada em São Paulo, responsável pelo site Copa 2014, um portal com informações variadas sobre o mundial a ser disputado no Brasil, evento que terá inúmeros projetos de interesse do Sinaenco.

Ontem, o portal trazia a “notícia” de que, em reunião com arquitetos (provavelmente os representantes da Sinaenco), o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, revelara que a Fifa já teria definido as capitais brasileiras que sediarão os jogos da Copa de 2014. “No Centro-Oeste, a capital escolhida é Cuiabá”, assegura o autor da matéria, Rodrigo Prada, que, não por acaso, integra a equipe da Mandarim Comunicação.

Fico imaginando a cara dos representantes do Sinaenco ao serem interpelados pelo prefeito Nelson Trad Filho - com quem estão reunidos neste momento - sobre a notícia espalhada pela sua assessoria de comunicação. Afinal, se para eles Cuiabá já foi escolhida, o que diabos vieram fazer aqui?

Wiesel e Veja no OI

Meu artigo “Elie Wiesel: o discurso da hipocrisia venceu”, publicado aqui no dia 12, foi reproduzido hoje no Observatório da Imprensa. Quem não leu aqui pode fazê-lo por lá. Clique aqui.

Estava demorando, agora sou anti-semita

Ontem, um colega jornalista que considero inteligente e bem informado me parabenizou por minha “cruzada anti-semita”. Ele disse estar acompanhando com atenção meus artigos relativos à questão palestina e a política israelense. Fui pego de surpresa, pois não defendo nenhuma cruzada, muito menos uma cruzada anti-semita.

O anti-semitismo, assim como qualquer outro preconceito de credo, raça e opção sexual deve, em minha modesta opinião, ser combatido sem trégua. Meu colega certamente quis se referir as minhas críticas ao sionismo, política que defende que Israel seja um Estado majoritariamente judeu, tendo na religião e na raça – e não no conceito de nação democrática – seus pilares.

A confusão entre semitismo e sionismo está no cerne dos debates evolvendo Israel. Alguns querem mesclar ambos os conceitos, de modo a que qualquer crítica ao sionismo seja imediatamente identificada como racismo. Trata-se de uma estratégia baseada em uma falácia. Sionismo não é o mesmo que semitismo. Pode-se ser judeu sem ser sionista e isso é confirmado pelas diversas críticas feitas por judeus a este pensamento político que defende a segregação racial e o expansionismo.

Já falei muito deste tema aqui. Para entender, cito os artigos abaixo.

- Liberman vem aí... em que ele se difere de Ahmadinejad?
- Quem vaia Ahmadinejad aplaudiria Lieberman?
- As similaridades entre Sionismo e Nazismo
- Vitimização judaica
- Asneiras de Ahmadinejad absolvem Israel?
- Afinal, que horrores disse o presidente do Irã?
- Os "mocinhos" abandonaram a Conferência
- Quem é Lieberman, Ministro das Relações Exteriores de Israel?
- A visão distorcida de Nonie Darwish sobre islamismo
- É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância?
- A transformação autoritária de Israel
- Chomsky: Terrorismo de Estado ameaça a segurança de Israel
- O holocausto como propaganda
- Historiador de origem judaica faz crítica ao movimento sionista
- O que ocorre em Gaza é genocídio?

Nossos excelentíssimos

“Atualizando-se o currículo dos ocupantes da Câmara, agora se sabe que: há deputado acusado de estupro, há deputado dono de castelo, há deputado que embolsa dinheiro da verba indenizatória, há (muitos) deputados que viajam pelo mundo com dinheiro público. Há também deputado que se lixa para a opinião pública. Esse, no entanto, se deu mal. Sérgio Moraes, do PTB gaúcho, descobriu na semana passada que seus sentimentos em relação ao que pensam os eleitores e os contribuintes que lhe pagam o salário e as mordomias são correspondidos. Relator do processo de cassação do deputado Edmar Moreira, aquele que escondeu do Fisco um castelão de 25 milhões de reais, Moraes havia sugerido que iria pedir o arquivamento do caso: "Estou me lixando para a opinião pública! Vocês batem, batem e nós nos reelegemos mesmo assim". O desprezo do deputado é compartilhado, em segredo, por numerosos parlamentares. Moraes pecou por sua verborrágica sinceridade. Seus colegas mais ladinos – e hipócritas – perceberam que a opinião pública ficou magoada e queria que o deputado se lixasse. Na quarta-feira, eles afastaram Moraes da relatoria do caso. Episódios assim não acontecem por acaso. Os deputados sabiam que Moraes era o homem certo no lugar certo. Sabiam que ele já foi processado por agressão, favorecimento à prostituição e outros crimes pesados. Eles também se lixam para o eleitor. A diferença é que não são sinceros.”

Diego Escosteguy, fazendo uma radiografia de nossos parlamentares, na Veja.

Fotojornalismo

Fóssil da criatura que está sendo aponada como o elo perdido dos primatas, exibido em museu de Nova York e fotografado por Mary Altaffer/AP

terça-feira, 19 de maio de 2009

Coisas de peladeiros

Vai, vai, avança, corre! Volta, volta, volta! Mandei voltar!!”, gritava ele, enquanto da arquibancada alguns subversivos provocavam: “Cala a boca, tira o microfone deste cara”.

Sem se importar com a reação da platéia, ele comandava o time usando o sistema de som do evento, como se não bastasse o gogó. Microfone sem fio em mãos, corria pela beirada do campo, ensandecido, embalado pelos gritos de guerra proferidos pelos gatos pingados da raça rubro-negra campo-grandense: “Oh, meu mengão, eu gosto de você...”.

Em campo, os ex-craques Adílio e Rondineli (ele mesmo, o Deus da Raça), se esforçavam para fazer jus ao cachê.

Os provocadores, confortavelmente sentados a menos de 10 metros do alambrado, não perdoavam: “Este goleiro é seu sobrinho?”, e ele não perdia a pose. Sem tirar os olhos da movimentação de seu excrete de ouro, rebateu, correndo pelo gramado, sua voz reverberando pelas caixas de som: “Ele é nosso goleiro titular, em mais de 300 jogos perdemos apenas seis, é goleiro profissional”.

Tira o microfone deste mala”, rebatiam alguns, na réplica.

E a charanga da Raça insistia: “Olê, olá, a raça vem aí e o bicho vai pegar”.

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Reminiscências de uma pelada de fim de semana (Foto de Denilsion Secreta)

Frases

"A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso"

Poesia

“Mas a lucidez agride
cada sonho que elaboro

Acode-me a náusea”

Trecho de poema de Iriene Borges, em seu blog.

Fotojornalismo

Estiagem em Campo Grande, aliada ao hábito de usar terrenos baldios como depósitos de lixo, aumenta o número de queimadas na área urbana da cidade. Foto de Denilson Secreta.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Jefferson, Lula e o mensalão

Autor das denúncias sobre o mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse na semana passada, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sabia do esquema antes de ser denunciado. A declaração foi dada durante a gravação do "É Notícia", exibido pela RedeTV!. Em de 2006 tive a oportunidade de entrevistá-lo durante uma visita ao MS. Na oportunidade, Jefferson afirmou ter arrolado o presidente como testemunha no processo.

Apresentei um requerimento na Casa Civil, cujo prazo de resposta se esgota na próxima semana, indagando do presidente quais as medidas que ele tomou a partir de janeiro, quando eu o informei da existência provada e comprovada do mensalão. Quero saber que atitudes ele tomou na prática. Ele vai confirmar. Ele já disse isso à imprensa. Ele não pode fugir à verdade em seu depoimento.”, me disse o ex-deputado.

Poesia

"porque em seus olhos brilhavam dois sóis
e o chá que ela me trazia
tinha o aroma da minha infância"


Trecho de poema de Adriana Godoy, em seu blog.

Fotojornalismo

Soldado estadunidense durante operações militares na província de Paktya, leste do Afeganistão. Foto de João Pina (Kameraphoto), premiada na categoria Reportagem Notícia do Prêmio Fotojornalismo 2008. Veja mais fotos desta série aqui.

domingo, 17 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

Genes

Meu sobrinho Luan, 10 meses e muita saúde. Filho de minha irmã Cláudia e do Andy.



Poesia

"os vícios compuseram uma série de obras-primas em mármore e cintilâncias de mahatma"

Trecho de poema de Henrique Pimenta, em seu blog.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Olho por olho, pedra por pedra e todos se lixando

O Supremo Tribunal Federal (STF) “se lixou” para o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que queria voltar a relatar o processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) depois de ter dito que “está se lixando” para a opinião pública.

Liberman vem aí... em que ele se difere de Ahmadinejad?

O ministro das relações exteriores de Israel, Avigdor Liberman, visitará o Brasil em julho. O anúncio foi feito ontem pelo chanceler Celso Amorim. Liberman é o líder do partido ultra-direitista Yisrael Beitenu (Israel é nosso lar), que prega abertamente a segregação dos árabes, entre outras barbaridades, e que tem no sionismo a sua base ideológica ao defender o caráter judaico de Israel como um país governado por judeus para judeus e não um país no qual a diversidade – base de qualquer democracia – seja cultivada.

Como o Paquistão e a Arábia Saudita, Israel é um Estado cujo mundo mental é, em larga medida, limitado pela religião, pela raça e pela origem étnica. Israel é produto do nacionalismo estreito do século 19, um nacionalismo fechado e excludente, baseado na origem étnica e racial, em sangue e terra. Israel é um ‘Estado judeu’ e só é judeu quem nasça judeu ou converta-se conforme a lei judaica (Halakha)”, disse recentemente o jornalista israelense Uri Avnery, no artigo "On The Wrong Side" (aqui, em português). Para ele “o partido de Liberman, que em qualquer país normal seria identificado como partido fascista, cresce” na preferência dos israelenses, pois "Liberman fala como Mussolini, oferece a imagem de um Mussolini israelense, odeia árabes, é capaz de todas as brutalidades.”, explica o jornalista.

Avnery não esta sozinho nesta análise. Logo depois das eleições de fevereiro, Shulamit Aloni, 80 anos, veterana da guerra de 1948 (que levou à criação de Israel), fundadora do partido social democrata Meretz e ministra da Educação no governo de Itzhak Rabin disse disse à jornalista basileira Guila Flint, correspondente da BBC em Tel Aviv, que a força adquirida por Liberman e seu partido é um pesadelo. "O resultado das eleições me deixaram com raiva, medo e vergonha, ao ver que um fascista e racista como Liberman tem as chaves para a composição do novo governo. Em 1948, eu lutei para construir um país democrático, com igualdade de direitos para todos os cidadãos. É como um pesadelo para mim ver que um discurso fascista como o de Mussolini passa a ter tanta legitimidade no nosso mapa político".

Também entrevistado por Guila, o sociólogo Lev Grinberg, da Universidade Ben Gurion, afirmou que "Liberman baseou toda a sua campanha em sentimentos de medo e ódio aos árabes, e foi favorecido pelo clima de guerra que se criou em Israel durante a recente ofensiva à Faixa de Gaza. Como um fascista clássico, ele se aproveitou dos medos da população e incentivou o ódio".

Liberman representa uma tendência preocupante da opinião pública israelense, que tem adotado uma postura permissiva e até mesmo simpática aos discursos belicistas e racistas. Recentemente apontei este fato no artigo “É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância?”, no qual citei um relatório (de março de 2008) da ONG israelense Mossawa, que já destacava este fenômeno.

Além de acusar líderes políticos israelenses de criarem um clima de "legitimação ao racismo" contra os cidadãos árabes - que representam 20% da população do país – o relatório mostrava que 75% dos cidadãos judeus israelenses não estavam dispostos a morar no mesmo prédio com um vizinho árabe e que 61% deles não receberiam a visita de árabes em sua casa. O estudo indicava também que 55% dos entrevistados defendiam a separação entre judeus e árabes nos espaços de lazer e 69% dos estudantes secundários achavam que os árabes "não são inteligentes".

No documento são citados ministros e parlamentares que "baseiam sua força em posições de ódio e incitam ao racismo". O político mais citado é Avigdor Liberman.

E o que defende o ministro das Relações Exteriores de Israel?

Em suas próprias palavras: "Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno".

Para Liberman, Israel deve "trocar" as aldeias árabes israelenses pelos assentamentos nos territórios ocupados, ou seja, as aldeias árabes passariam a fazer parte de um estado palestino e os assentamentos seriam anexados a Israel.

Importante dizer que os árabes israelenses a que se refere o ministro são cidadãos israelenses, da mesma forma que eram cidadãos alemães muitos dos judeus expulsos de suas casas por Hitler e enviados para o exílio forçado e para os campos da morte.

O jornalista Paulo Moreira Leite, no artigo “Ministro israelense tem ideias que lembram nazismo”, faz uma brilhante relação entre o que está ocorrendo em Israel e um passado tenebroso. “Em 1935, dois anos depois da ascensão de Hitler ao poder, foram aprovadas as primeiras leis de Nuremberg. Elas não criaram campos de concentração nem câmaras de gás, mas dividiam a população alemã em duas categorias. A dos cidadãos de ‘puro sangue alemão’, que tinham todos os seus direitos assegurados. Os outros, que não tinha a mesma origem, eram considerados ‘súditos do Estado’.”.

Quem é melhor, Liberman ou Ahmadinejad?

Diante de um currículo como este, seria interessante questionar aos que levantaram cartazes e publicaram artigos contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, se não seria de bom tom fazer o mesmo agora, em relação à visita de Liberman.

A pergunta é apenas uma provocação, pois estes que condenaram a vinda de Ahmadinejad, costumam usar dois pesos e duas medidas e certamente encontrarão caminhos tortuosos para demonizar o iraniano e absolver o israelense. Mas, por mais que se tente, é tarefa hercúlea apontar diferenças éticas entre os dois.

Ahmadinejad preside um país onde os direitos humanos não são respeitados, onde minorias religiosas, homosexuais e mulheres são discriminadas. Lierberman integra um governo que não respeita os direitos humanos dos palestinos, que lhes nega o direito a um Estado e que prega a ampliação de assentamentos ilegais.

No entanto, fechar as portas ao debate é vantagem apenas para os que precisam maquiar a história para atingerem seus objetivos. O isolamento nunca foi uma boa estratégia para quem busca os fatos. Portanto, que venham os dois. E que nossos jornalistas sejam hábeis com as perguntas, que lhes dirijam questionamentos sobre assuntos que lhes são ingratos, e não se transformem em assessores de imprensa de seus entrevistados, como ocorreu com André Petry na edição da revista da Veja desta semana, em sua entrevista com Elie Wiesel.

Conselho de Segurança mostra preocupação com relatório da ONU sobre Gaza

O Conselho de Segurança (CS) da ONU expressou nesta quarta-feira preocupação com as conclusões do relatório de uma comissão do organismo no qual se acusa a Israel de "negligência e imprudência" pelo bombardeio de instalações da organização durante o conflito de Gaza. Veja mais na Folha.

Fotojornalismo

Tirei esta foto em 2002, no ponto de checagem de Al-Ram, na Cisjordânia. Todos os pontos de checagem haviam sido fechados por tropas israelenses e estas mulheres protestavam pela sua abertuta, de modo que comida e medicamentos pudessem ser transportados. Uma hora antes, um grupo de homens havia protestado, mas os soldados sacaram seus bastões. Então, as mulheres – palestinas e israelenses – tomaram a dianteira.

À esquerda há uma linha de soldados israelenses; o homem que está à frente, com as mãos nos bolsos, é um policial. Eu estava atraído pela segunda jovem do lado direito, com a mão erguida formando com os dedos um V de vitória. Ela manteve o braço erguido desta maneira por um longo tempo, ao menos 30 minutos – até que os soldados começaram a disparar gás lacrimogêneo.

Pode-se ver a imprensa ao fundo. Não gosto de trabalhar em posições seguras como esta. Tenho fotografado em Israel e na Cisjordânia desde 1967. Esta foto é simbólica para mim e no ano passado eu a inclui em meu filme Nakba (Catástrofe), que reúne centenas de fotografias e entrevistas com palestinos desalojados após 1948.

Como estudante, no Japão, eu era muito idealista. Li o filósofo judeu Martin Buber e decidi trabalhar em um kibbutz israelense. Um dia, achei alguns projéteis em um campo nas proximidades do kibbutz e perguntei de onde eles teriam vindo. Ninguém soube responder – então um jovem judeu mostrou-me um velho mapa que apresentava um nome palestino para o local onde nós estávamos trabalhando.

Comecei a fotografar as ruínas dos vilarejos palestinos e exibi as fotos em Jerusalém, em uma mostra chamada “Segurança”. Houve uma resposta raivosa: pessoas queriam saber sobre a segurança de quem eu me referia. No entanto, um registro no livro de visitas da mostra, de autoria de um estudante israelense, dizia: "Em israel nós só ouvimos um lado da história; estas fotografias nos mostram o outro lado”. Estive na Palestina 30 ou 40 vezes, mais recentemente em Gaza, em janeiro. Isso é o que tenho tentado mostrar.


• O trabalho do fotógrafo Ryuichi Hirokawa esteve exposto em Londres este mês, como parte do Palestine Film Festival. O texto acima foi publicado originalmente no The Guardian.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amira Hass é presa ao deixar Gaza: ela estava em um “país inimigo”

A polícia israelense prendeu na noite de segunda-feira a correspondente do jornal Haaretz, Amira Hass, no momento em que ela saia da Faixa de Gaza, onde vivia e trabalhava nos últimos meses. Hass foi detida e interrogada com base em uma lei que proíbe que israelenses mantenham residência em “países inimigos”. Ela foi liberada após se comprometer a não voltar a Faixa de Gaza pelos próximos 30 dias.

O fato é curioso, visto que não há, de fato, um Estado Palestino, e corrobora a idéia de que o governo de Israel se vê em guerra com os palestinos enquanto povo, e não em conflito com grupos extremistas. Esta filosofia pode explicar o pouco caso que o exército e o governo de Israel têm para com a morte de civis durante os conflitos nos territórios palestinos ocupados.

Hass é a primeira jornalista israelense a entrar na Faixa de Gaza nos últimos dois anos, desde que as Forças de Defesa de Israel impuseram a proibição após o seqüestro do soldado israelense Gilad Shalit, em 2006, durante uma incursão militar contra militantes palestinos.

Em dezembro passado, ela já havia sido presa no ponto de checagem de Erez, ao tentar retornar à Israel após ter entrado na Faixa de Gaza a bordo de um navio guiado por ativistas europeus que trabalham pela paz na região.

Dalia Dorner, do Conselho de Imprensa de Israel, disse que “mesmo jornalistas são sujeitos à lei e que o Conselho não pode defender uma jornalista que viola as leis. Interessante o conceito”.

Novamente fico curioso, desta vez em saber o que pensariam desta frase os jornalistas sul-africanos que combateram o regime do apartheid, ou os brasileiros que atuaram durante a ditadura.

Para um jornalista, obediência cega às leis pode não ser um bom negócio.

Papa defende criação de Estado Palestino e o fim do Muro de Israel

O Papa Bento XVI expressou ontem o seu apoio à criação de um Estado Palestino autônomo e independente. No terceiro dia de visita à Terra Santa, ele reuniu-se a Cisjordânia com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, onde também condenou o polêmico muro de separação construído por Israel, que isola os povoados palestinos dos assentamentos ilegais (de acordo com a ONU e a Lei Internacional) construídos nos territórios ocupados por Israel depois da guerra dos Seis Dias, em 1967.

"Senhor presidente, a Santa Sé apóia o direito do povo a uma pátria palestina soberana na terra de seus ancestrais, segura e em paz com os vizinhos, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas... Atualmente este objetivo está longe de ser alcançado, eu os convido com força a manter a chama da esperança, a esperança de que se pode encontrar o meio de satisfazer as legítimas aspirações, tanto de israelenses como de palestinos, a paz e a estabilidade", afirmou o Papa.

O presidente da ANP também ressaltou a necessidade de "dois Estados soberanos, que vivam um ao lado do outro, em paz e estabilidade, e pediu uma solução para o problema dos refugiados".

"Queremos a paz e temos a esperança de que amanhã não haverá ocupação, postos de bloqueio, prisioneiros ou refugiados, mas somente convivência e bem-estar", disse Abbas, que mais uma vez reivindicou Jerusalém Oriental como capital do Estado palestino.

Fotojornalismo

Com seu irmão nas costas, uma jovem refugiada cruza com um tanque M-26 em Haengju, Coréia, em 9 de junho de 1951. Foto do major R.V. Spencer, UAF. A foto faz parte de um interessante acervo sobre o tema que pode ser acessado aqui.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Não vadeia...

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), chamou de “vagabundo” o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) do estado, Paulo Flávio Carvalho, durante discurso proferido na noite de segunda-feira, na cidade de Nova Andradina, onde participou de solenidade de entrega de viaturas policiais.

Esta não é a primeira vez que Puccinelli perde a compostura ao usar as palavras. Em 2005, pouco antes de ser eleito governador, disse que iria “chutar na bunda dos deputados vagabundos”, provocando a ira da bancada petista na Assembléia Legislativa de MS.

No dia 21 de novembro do ano passado, em entrevista à Rede Brasil de Televisão e à Agência Brasil, definiu como “vadiagem” as reivindicações de aumento do tempo de planejamento de aulas para 1/3 da carga horária de trabalho dos professores. Na época, poucos veículos de comunicação deram a notícia, justiça seja feita ao sites de notícias Midiamax e Cassilândia News (que reproduziu o material do Mídiamax). Os demais veículos preferiram o silêncio.

Desta vez, o Midiamax e o BBC News noticiaram os impropérios do governador.

Fotojornalismo

O fotógrafo Wank Carmo registra o movimento humano em Boa Vista- Roraima – Amazônia - , com suas festas juninas, a Festa do Divino Espírito Santo 2008 e o Tambor-de -Crioula na adocicada praia grande, em São Luis do Maranhão, além das festas religiosas em Cuiabá. Veja a série aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Elie Wiesel: o discurso da hipocrisia venceu

A revista Veja desta semana trás em suas páginas amarelas uma entrevista com o intelectual Elie Wiesel (aqui, para assinantes). Laureado em 1986 com o Nobel da Paz por sua luta para manter viva a memória do holocausto judeu perpetrado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, Wiesel é conhecido também por se omitir sistematicamente sobre a questão palestina.

Considerado em alguns círculos como um “grande humanista”, ele parece guardar sua compaixão apenas para os seus. Ícone do que Norman Finkelstein classificou como Indústria do Holocausto (em seu livro homônimo), o nobel da paz já foi classificado pelo pensador estadunidense Noam Chomsky como uma “terrível fraude”.

Certa vez Wiesel disse que “o oposto do ódio não é a violência, mas a indiferença”. No entanto, na entrevista cometida por André Petry a tônica foi exatamente a indiferença. Indiferença por parte do entrevistado, que mais uma vez usou dois pesos e duas medidas para tratar da questão que envolve israelenses e palestinos, indiferença por parte do jornalista, que se omitiu.

O mesmo Elie Wiesel para quem a Veja levantou uma bola atrás da outra em um jornalismo de quinta categoria, mantém-se em silêncio cômodo quando o assunto permeia a criação de um Estado Palestino, as políticas ilegais de expansão colonial sobre territórios palestinos ou as constantes violações de direitos humanos básicos nos territórios ocupados por Israel, como o de ir e vir.

O Wiesel que gostaríamos de ver entrevistado pela Veja é aquele que, apesar de condenar com veemência a indiferença que semeia a terra para os totalitarismos, mantém-se indiferente para com a questão palestina; o que, apesar de se regozijar ao ser apontado como “um dos primeiros oponentes ao apartheid” sul-africano, mantém-se em silêncio conveniente para com o apartheid promovido por Israel.

O que levou André Petry a eximir-se de perguntar a Wiesel os motivos pelos quais ele deplora o terrorismo sem, no entanto, posicionar-se sobre os atos terroristas perpetrados, por exemplo, pelo Irgun e pela Stern Gang? Sobre o massacre no vilarejo palestino de Deir Yassin, em 9 de abril de 1948? Sobre os milhares de civis mortos em Gaza e na Cisjordânia? Por qual motivo Petry deixou de questionar Eli Wiesel sobre sua mudez em relação a estes crimes?

Ao que podemos atribuir o silêncio de Wiesel – e a conivência de Petry – sobre sua recusa a tratar do genocídio promovido contra outros povos que não o judeu? Em 1982, por exemplo, uma conferência sobre o tema foi promovida em Israel, com Wiesel na presidência honorária. Seria mais um evento no qual o mais famoso sobrevivente do holocausto judeu exporia sua indignação, não fossem os grupos armênios que solicitaram um espaço para expor o seu próprio holocausto nas mãos dos turcos.

Assim Noam Chomsky narrou os acontecimentos: “O governo de Israel pressionou (Wiesel) para que ele não fortalecesse a história do genocídio armênio. Ele foi pressionado pelo governo a recuar (a não participar da conferência) e, sendo ele um comissário leal, recuou... pois o governo israelense havia deixado claro que não queria ver o genocídio armênio ganhando espaço.”.

Wiesel foi ainda mais longe, apelando para o famoso historiador do holocausto judeu, Yehuda Bauer, a quem pediu que boicotasse a conferência. “Isso deu uma indicação do modo como pessoas como Elie Wiesel estavam atuando em sua função de servir aos interesses de Israel... ao ponto de negar um holocausto”, explica Chomsky.

Por que não receber os armênios? Há dois motivos que se inter-relacionam: a necessidade de monopolizar a imagem do holocausto e a realidade geopolítica que colocava a Turquia (responsável pelo genocídio armênio) como um raro e necessário aliado muçulmano de Israel.

Wiesel defende que Auschwitz "representa um sério desafio teológico para o cristianismo”. A implicação desta afirmação é de que os cristãos criaram o holocausto judeu e devem se desculpar para com eles repetidamente, sem jamais criticar ou questioner Israel. Esta é a essência do pensamento de Wiesel: nós, judeus, podemos, um dia, perdoar o que vocês, cristãos, fizeram a nós (e somente a nós) durante o holocasto (de preferência soletrado com H maiúsculo), se vocês prometerem ignorar o que fizemos e continuamos fazendo com os palestinos em nossa missão sionista de construir um Estado puramente judeu.

Wiesel apoia o direito de retorno para os judeus, mas somente para eles. Um judeu brasileiro que possa rastrear seus ancestrais até suas origens judaicas tem o direito de retornar a Israel, obter dupla nacionalidade, financiamento governamental para construir sua casa em território expropriado de palestinos e dirigir em estradas privativas onde apenas judeus podem trafegar. Um palestino que pode rastrear a presença de seus ancestrais nestas mesmas terras por séculos, que possuem um título de propriedade – e até mesmo a chave – da casa de que foi expulso em 1948, não conta com o apoio de Wiesel para retornar ao lar. Por que não? Porque, como explica Wiesel, isso “é impensável; a face dos jovens palestinos é contorcida pelo ódio; seria suicídio para o Estado judeu”. Trata-se de uma posição de extrema hipocrisia, em especial para um ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

É mais que provável que já não seja factível para todos os palestinos retornarem para as suas casas perdidas em 1948. Mas isso não pode servir de pretexto para que Wiesel mantenha um discurso mentiroso sobre as causas da diáspora palestina. Ele continua disseminando o mito insidioso, sustentado pelos sionistas, segundo o qual “incitados por seus líderes, 600 mil palestinos deixaram o país convencidos de que, uma vez que Israel fosse destruído, eles poderiam voltar para as suas casas”.

Wiesel sabe que os líderes árabes jamais disseram ao seu povo para partir, mentira apontada por muitos historiadores. Ele sabe que pelo menos 750 mil palestinos fugiram de suas terras em 1948, sendo que um terço deles não fugiu, de fato, mas foi expulso pelos grupos terroristas para quem Wiesel trabalhou como propagandista. O massacre de Deir Yassin foi um ato emblemático deste período de terror.

Mesmo quando Wiesel esteve em Jerusalém, hospedado no Hotel Rei David, não encarou seus fantasmas (o que ele pensou ao encostar a cabeça no travesseiro, no hotel explodido por seus amigos do Irgun, onde dezenas de ingleses e 15 judeus inocentes perderam a vida?). Quando foi ao mais importante memorial sobre o holocausto judeu, o Yad Vashem, regozijavasse por estar em uma Jerusalém judia? Ou era assombrado pelo fato de o museu ter sido construído sobre as terras árabes de Ein Karem? Ao caminhar através do tunnel de Yad Vashem para emergir sob a luz do sol e deparar-se com o assentamento judeu de Har Nof, não teria lembrado das casas do vilarejo de Deir Yassin? Ele lembrou-se dos rostos dos palestinos empilhados e queimados na pedreira localizada do outro lado do museu? E quando ele foi ao assentamento de Gilo, teria conversado com Moshe Ben Eitan, o homem que ordenou que uma mulher e uma criança árabes, feridas, fosem executadas para que não dissessem ao mundo o que os companheiros terroristas de Wiesel haviam feito ali?

Estas são algumas das perguntas que André Petry poderia ter feito a Elie Wiesel. Mas a Veja colaborou para a manutenção de um silêncio incompreensível vindo de um homem que escreveu uma trilogia (Against Silence) na qual, apaixonadamente, incentivou seus leitores a lutarem contra todas as formas de opressão.

Wiesel dedicou sua vida a escrever sobre a opressão contra o povo judeu, sobre o genocídio e a desumanidade promovida pelo homem contra outros homens. No entanto, sempre que argüido sobre a opressão e as desumanidades cometidas por Israel ele se absteve, descartando o debate. Parafraseando Daiel A. McGowan, diretor do grupo Deir Yassin Remembered, Elie Wiesel se tornou um símbolo da hipocrisia que envolve a questão israelense-palestina.