Conversando ontem com uma amiga querida - e colega de profissão - levantei esta lebre e ela me respondeu dizendo que “eu deveria estar muito chateado” com isso. Respondi-lhe que não, que apesar de ter concluído o curso, mantinha minha opinião sobre a obrigatoriedade do diploma. Sou contra. Mudar minha forma de enxergar este tema agora seria assinar um atestado de hipocrisia, seria compactuar com a visão corporativista (e burra) que sustentou parte dos argumentos de quem crê que diploma é garantia de um Jornalismo ético e tecnicamente qualificado.
Agora, recém-formado, olho para trás e relembro cada momento dos meus 21 anos de profissão, iniciados em 1988, pelas mãos do jornalista Luiz Paulo Coutinho (Jornal do Brasil), precursor do jornalismo comunitário que floresceu na Barra da Tijuca nas décadas de 80 e 90. Nos anos que se seguiram passei por todos os nichos do Jornalismo. Fui repórter de Geral, Polícia e Esportes em veículos de bairro e em diários cariocas, editei meus próprios jornais e revistas, fiz assessoria de imprensa. Mudei-me para Campo Grande (MS) em 2000 e aqui participei das equipes que fundaram dois jornais diários da capital (Diário do Pantanal e O Estado de Mato Grosso do Sul), onde atuei como repórter e editor; passei pelo site de notícias Midiamax e pelo semanário A Crítica, trabalhei na TV Brasil Pantanal (antiga TVE) e em secretarias estaduais, assessorei associações, empresas, políticos, o legislativo e o executivo campo-grandenses.
Posso dizer, portanto, que conheço cada cantinho desta nossa profissão e a conclusão mais latente que tiro destes anos dedicados ao Jornalismo é que minha formação se deu no dia a dia, na lida das redações e, principalmente, se construiu sobre uma curiosidade apaixonada a respeito do mundo e uma eterna vontade de questionar o estabelecido.
Não foram os três anos e meio de curso no Rio de Janeiro – interrompido por problemas que já se perderam no tempo – ou o período que passei na UCDB, quando resolvi retomar os estudos, que me fizeram jornalista. E agora, digo isso de cadeira, sem o incômodo de ter que conter a língua como fiz algumas vezes no passado, quando alguns coleguinhas menos dotados intelectualmente sugeriam que meu posicionamento contra a obrigatoriedade do canudo tinha como base o fato de eu não ser formado.
A estes dedico meu diploma. Ele estará dependurado na parede do escritório lá de casa para que, a cada vez que meus olhos o encontrem, eu me lembre que durante 21 anos me posicionei contra a hipocrisia.
Diante disso, lembro que o STF deve votar hoje (quinta-feira, 30) – salvo qualquer imprevisto - a proposta de extinção da Lei de Imprensa, “parte do chamado ‘entulho autoritário’ herdado da ditadura militar”, como bem disse o jornalista Alberto Dines em artigo fresquinho disponível no Observatório da Imprensa. Como venho dizendo há anos, mantido ou não o diploma – que é apenas um dos pontos bizarros desta Lei – nada mudará em nossa profissão, visto que não é este o ponto a ser debatido se quisermos, de fato, encontrar um caminho novo para esta antiga e nobre profissão.
Repito, então, os últimos parágrafos do artigo “Com ou sem diploma?”, que publiquei aqui em março (e que foi reproduzido no Observatório da Imprensa no dia 14 de abril), com os quais gostaria de convidar para um novo (e mais produtivo) debate todos os jornalistas (diplomados ou não):
O fato é que, mantida ou não a exigência do diploma específico para o exercício do Jornalismo no Brasil, os graves problemas éticos, econômicos e profissionais que permeiam o ofício se manterão inalterados. A manutenção ou queda desta exigência não mudará o fato de que nos encontramos em um momento no qual até mesmo a existência da profissão está em jogo diante das novas tecnologias e – em conseqüência – das novas formas do fazer jornalístico que aproximam o cidadão comum das ferramentas necessárias para tal.
A exigência ou não do canudo nada modificará na relação promíscua que mantemos com os donos do poder, na nossa subserviência que transforma jornalistas em “assessores de imprensa” dos barões da mídia. Não é o diploma que garantirá uma ética de base sólida, que formará cidadãos conscientes de seu papel social, que apontará os caminhos de um Jornalismo transformador ao invés de um jornalismo circense no qual o sensacionalismo, o entretenimento e a superficialidade tomaram o espaço da informação relevante.
Para mudar tudo isso e transformar o Jornalismo em algo mais que um amontoado de apresentadores perfumados e escribas de aluguel será preciso que enxerguemos nesta bela profissão uma ferramenta de avanço social, de combate à corrupção, de transformação. E isso exige uma formação muito mais complexa do que oferecem as centenas de cursos de Jornalismo que se espalham hoje pelo país.












No Afeganistão, assim como em Gaza e em Israel, a vida de civis não vale muito, em especial se estes vivem entre militantes palestinos, guerrilheiros islâmicos ou soldados israelenses. Disparar um míssil contra uma casa palestina repleta de civis para matar um militante do Hamas é tão odioso quanto explodir o próprio corpo entre civis em um ônibus em Tel Aviv. Bombardear um abrigo antiaéreo no qual poderia estar escondido Saddam Hussein e de quebra matar 400 civis inocentes é tão revoltante quando lançar um avião contra um prédio e matar três mil pessoas.
Vale assistir o que Susan Boyle - uma mulher escocesa simples, de 47 anos, feia com voz de um anjo - fez aos duros apresentadores do programa Britain’s Got Talent (A Grã-Bretanha Tem Talento). Mesmo a platéia desacreditou ao vê-la, assim como os apresentadores. Todos riram ao ouvir seu sonho de ser uma cantora profissional. Tudo caminhava para um desastre, até que a ouviram. Clique
Terminei de ler no domingo o livro “

