domingo, 30 de novembro de 2008
Poema Dia estréia amanhã
Frases - XVII
Mino Carta
sábado, 29 de novembro de 2008
Poema para Mara
Vejo por dentro de ti
Ultrapasso teu olhar
Penetro seu sorriso
Seus cabelos, sua face
Olho por dentro da flor
Que em teu peito trazes
Quando olho para você
Ultrapasso o mar que me isola
Estanco esta dor que na aurora
Me faz despertar com medo
Olho por dentro da flor
E em sua boca me vejo
Quando olho para você
Mangueiras
por entre as letras embaralhadas
nesta estrada de sons e de palavras.
Vou navegar nestas águas ribeirinhas
que se entrelaçam como sonhos
na cabeça dum louco.
Vou me afogar na areia
que em meus olhos se espalha
nesta terra sem montes, sem mar.
Então vou rir de tanta coisura
a bailar pelas voltas e retas desta cidade.
E mesmo assim o nada me invade,
me inunda a alma com boca
escancarada, repleta de tardes.
Que ainda me pego cheirando
sal de oceano, enquanto nos olhos,
apenas uma nesga de chão.
Mas não me meço por saudades
E nem por olhar pelos ombros
Que tombos muitos levei assim.
Então me aquieto olhando mangueiras.
Ando saudoso do Rio de Janeiro. Neste poema, parte do livro Outros Sentidos, tentei apaziguar esta ausência de referências.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
As concessões
Novas formas de Jornalismo
O Xerife de MS
Odilon gosta de aparecer na mídia nacional, delicia-se sendo paparicado, aprecia ver seu nome citado por gente de renome – como tem ocorrido nesta semana. No entanto, com a mídia local é econômico.
O Xerife de MS, como gosta de ser chamado, construiu uma imagem de homem da Lei e a vende pelo interior em palestras e congressos. No entanto, há fatos e situações em sua biografia que deixam dúvidas quanto à legitimidade desta imagem.
Sugerimos, por exemplo, que o próximo jornalista que entreviste Odilon pergunte como é possível que ele combata o crime organizado e a corrupção no MS se seu filho, Odilon de Oliveira Junior, trabalha na Assembléia Legislativa por indicação do presidente da Casa, deputado Jerson Domingos, cunhado de Jamil Name, ambos notórios operadores do Jogo do Bicho no estado? Há aí, no mínimo, uma contradição profunda.
Artigo no Digestivo Cultural
Poema
Estendem as mãos
Em suave súplica
Guiam-me como pastores
Por caminhos antigos
Veredas escuras
Anjos negros, pastores de almas
Vagam na noite eterna
Rebentando o silêncio
Anjos de olhos escuros
Apontam ciladas
Em sorrisos ocultos
Guiam-me em meio ao vento
Por caminhos de pedra
Veredas de espinhos
Anjos negros habitam em mim
Sob meu olhar
Arranhando a retina
A morte do Jornalismo
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Maria da Penha
Concessões de tevê e rádio: velhas práticas políticas e o nosso conformismo
Em seu blog, o jornalista Flávio Ricco entrou no assunto nesta semana questionando o motivo pelo qual ninguém repercutiu o comentário feito pelo presidente Lula na sexta-feira passada. Disse o presidente: “Qual é o processo de educação que nós aprendemos quando ligamos uma televisão no Brasil? Nenhum. O que nós assistimos, em muitos casos, é um processo de degradação da estrutura da família brasileira”.
A preocupação de Lula remete ao discurso do jornalista Edward R. Murrow, proferido há 50 anos, e que foi alvo de artigo nesta semana, aqui no Escrevinhamentos (veja o dircurso aqui, em inglês, e aqui, em português). A preocupação de Murrow era de que o rádio e a TV fossem usados de maneira danosa à sociedade e à cultura. Sua análise sobre a TV parece premonitória ao projetar os caminhos trilhados pela mídia eletrônica hoje.
O interessante, no entanto, é o comentário de Ricco, que joga no ventilador aquilo que gato cobre com terra: “Mas quem dá as concessões? Quem renova essas concessões? Quais as exigências ou obrigações impostas a esses veículos?”, questiona o jornalista. A resposta como sabemos é óbvia. É o próprio Governo quem barganha as renovações e - de fato - são as próprias empresas quem estabelecem seus limites e obrigações.
Hoje, as concessões públicas de rádio são válidas por dez anos e as de televisão por 15. Findo este prazo, o Governo deve avaliar o conteúdo veiculado nas emissoras, a responsabilidade social das empresas e a regularidade fiscal, conforme determina a Constituição. Se o presidente não está satisfeito deveria questionar as regras do jogo mais claramente e propor mudanças.
“Se é chegada a hora de cobrar melhor comportamento das emissoras, vamos começar investigando a origem do dinheiro que paga essas sublocações. Todo mundo sabe que existe um mercado negro e mal cheiroso por trás disso”, afirma Ricco, com razão. Ocorre que peitar esta prática tão enfronhada no modus operandi da política brasileira é como jogar açúcar no próprio feijão. Pois, não atuou da mesma forma que seus antecessores o Governo Lula?
Muitos pesquisadores já apontaram o problema. Israel Fernando de Carvalho Bayma, em 2001, com o artigo “A concentração da propriedade dos meios de comunicação e o coronelismo eletrônico no Brasil”, e Daniel Herz, Pedro Luiz Osório e James Görgen, em 2002, com a reportagem “Quem são os donos”, comprovaram a concentração da mídia nas mãos de alguns, em especial de gente ligada aos políticos.
A investigação de Herz, Osório e Görgen revelou, na época, que as seis principais redes privadas nacionais abrangiam 140 grupos afiliados (os principais de cada região) e um total de 667 veículos de comunicação entre emissoras de tevê, rádios e jornais. “Os grupos cabeças-de-rede, que geram a programação de televisão, buscam nos afiliados sustentação nas regiões e amplitude de presença no mercado. Em troca, dão fôlego econômico e uma face institucional a projetos empresariais e políticos regionais”, afirmavam os autores.
Bayma, por sua vez, analisou o surgimento do chamado “coronelismo eletrônico” sob a luz de Sylvio Costa e Jayme Brener, que assim o diferenciaram do coronelismo arcaico: “Se as raízes dos velhos coronéis remontam ao Império, os coronéis de agora emergiram principalmente a partir do regime militar. Os primeiros são expressão de um Brasil predominantemente rural, enquanto os novos coronéis são atores políticos de um país majoritariamente urbano. O coronel de hoje mantém práticas típicas do antigo coronel, como usar a sua influência junto ao governo para arranjar emprego para os apadrinhados ou levar obras e melhoramentos para as suas bases eleitorais, mas mudou muito a forma de fazer política. Se antes os métodos de cabala de votos se resumiam às instruções dadas aos cabos eleitorais e aos comícios, é inegável que a televisão [e o rádio – inclusão dos A.] se tornaram um novo e decisivo cenário da batalha política estadual e municipal.”
Bayma complementa: “A literatura política brasileira tem utilizado o termo coronelismo como uma forma peculiar de manifestação do poder privado, com base no compromisso e na troca de proveitos com o poder público. A ciência política trata como coronelismo a relação entre os coronéis locais, líderes das oligarquias regionais, que buscavam tirar proveito do poder público, no século XIX e início do século XX e não há como deixar de se associar esse termo aos atuais impérios de comunicação mantidos por chefes políticos oligárquicos, que têm, inclusive, forte influência nacional. O compadrio, a patronagem, o clientelismo, e o patrimonialismo ganharam, assim, no Brasil, a companhia dos mais sofisticados meios de extensão do poder da fala até então inventados pelo homem: o rádio e a televisão.”.
Nostra Culpa
Mas, voltemos as preocupações de Lula e Murrow. Afinal, as mazelas do jornalismo eletrônico não podem ser totalmente atribuídas ao jogo político que coloca nas mãos dos poderosos as ferramentas de comunicação de massa. Muito desta culpa recai sobre nós mesmos, profissionais de imprensa, que não mechemos uma palha para modificar a estrutura das programações. Na verdade, este debate nem mesmo está posto, a não ser aqui e ali, nas rodinhas acadêmicas.
Em seu artigo O poder da TV, publicado segunda-feira (24) na agência Carta Maior, o sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho vai direto ao ponto: “As empresas de radiodifusão conseguiram acabar com um dos quatro fusos horários existentes no Brasil, só para não ter que alterar muito suas grades de programação. Mexeu-se com a vida diária de milhões de pessoas que passaram a acordar de madrugada e sair de casa no escuro, apenas para não resvalar nos interesses das emissoras”, espeta, mostrando que, antes do interesse do telespectador, as emissoras tendem a olhar sempre suas próprias conveniências. Esta prática se espalha por todo os meandros do sistema, desembocando em uma programação pensada única e exclusivamente para entreter e somar pontos de audiência.
É inevitável o paralelo entre o que dizem Laurindo, Murrow e Lula. O primeiro sustenta que a TV, como única alternativa cultural para 150 milhões de brasileiros, “reduz a possibilidade do surgimento de espíritos mais críticos em relação ao conteúdo transmitido, geralmente próximo à indigência”. O segundo, em trecho pinçado de seu célebre discurso “Cabos e Luzes em uma Caixa", dizia o mesmo, referindo-se a realidade da tevê estadunidense da década de 50: “Há, é verdade, programas informativos ocasionais apresentados no gueto intelectual das tardes de domingo. Mas durante os períodos de pico diários, a televisão nos isola das realidades do mundo em que vivemos.”. Finalmente surge o nosso Lula com seu arroubo de preocupação com a qualidade da nossa programação.
Não sei se a saída para esta crise moral e qualitativa de nossa mídia eletrônica está em novos modelos regulatórios, da forma como sugere Dilma Roussef e o próprio Laurindo em seu artigo, onde expõe a falta de critérios das emissoras: “Diante da impunidade, as emissoras sentem-se à vontade para exercer seu poder sobre o Estado e a sociedade.”.
O fato é que, do jeito que a coisa vai, nossas tevês e rádios continuarão servindo como porta-vozes do poder e transmissoras de programação de baixa qualidade – para quem pensa a tevê e o rádio como veículos de construção cultural e de cidadania.
Escavando a verdade
Muita gente já tratou da relação entre políticos e meios de comunicação de massa. Tudo começou em 1978, quando a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação (Abepec) encomendou uma pesquisa nacional sobre o mercado de televisão. Coordenados pelo Centro de Estudos e da Pesquisa da Comunicação da PUC do Rio Grande do Sul, mais de 350 professores e alunos fizeram o primeiro levantamento sobre a estrutura das grandes redes nacionais de TV. Os resultados desta pesquisa foram publicados no livro Televisão e Capitalismo no Brasil, de Sérgio Capparelli (L&PM Editores, 1982).
Cerca de dez anos depois, o jornalista Daniel Herz e sua equipe analisaram a liberação de outorgas de rádio e TV promovida pelo governo de José Sarney. Em menos de três anos o presidente havia liberado 527 concessões e permissões, a maior parte para parlamentares que posteriormente votaram pela aprovação do quinto ano de seu mandato. Era a comprovação de que as licenças de veículos de comunicação eram usadas como moeda de troca no Congresso Nacional. O relatório resultou em uma denúncia pública que embasou matérias jornalísticas e um manifesto público da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Em 1994, Célia Stadnik esmiuçava a questão com seu trabalho de conclusão de curso e, em 2002, o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) atualizou seu trabalho condensando-o em uma base digital que deu origem ao projeto Donos da Mídia.
Jornalismo sem sabor
Excelente reflexão de Alberto Dines sobre o Jornalismo. Ficamos presos a tecnicismos e perdemos a essência do ofício. Na academia fala-se com orgulho de um Jornalismo isento, que se traduz em um Jornalismo “despersonalizado, esterilizado, desprovido de crença, fervor”. Temos que olhar o passado para projetar o futuro.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Mais uma matéria de O Estado no Deu no Jornal
Juventude perdida
O estudo mostra que o Brasil é o oitavo país do mundo em mortes violentas, com uma taxa de 49,1 óbitos por 100 mil, segundo dados de 2005. Comparado a outros 82 países, o Brasil é o quarto com a maior proporção de jovens (de 15 a 24 anos) mortos de forma violenta, uma taxa de 79,6 por 100 mil.
Os países com piores taxas de homicídio juvenil são El Salvador, com 92,3 mortos em 100 mil; Colômbia, com 73,4; Venezuela, 64,2; Guatemala, 55,4; e Brasil, onde 51,6 adolescentes de cada 100 mil são assassinados.
O Brasil é o terceiro país do mundo em índice de vitimização juvenil no quesito homicídios: a taxa de jovens mortos por assassinato é 170% maior do que a de brasileiros com menos de 15 e mais de 24 anos. Segundo o estudo, a desigualdade de renda explica 63,5% das morte de brasileiros jovens. Para o conjunto da população, a concentração de renda explica 59,7% das taxas de homicídio.
Mondo muito bizarro
Oito jovens judeus israelenses foram condenados ontem a penas entre um e sete anos de prisão por pertencer a um grupo neonazista e atacar brutalmente usuários de drogas, homossexuais, imigrantes e religiosos vestidos com o tradicional chapéu judaico kipá.
Perdoem a grosseria, mas me lembra aquela história que diz que o Brasil é o único país onde puta goza, cafetão se apaixona e traficante é viciado.
Veja aqui a reportagem de setembro, quando eles foram indiciados, e aqui a reportagem de ontem, falando da condenação.
Frases - XVI
Muhammad Yunus
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Artigos no OI
Também foi publicada hoje no Observatório da Imprensa a entrevista que fiz com o professor Pasquale Cipro Neto, postada aqui no Escrevinhamentos dia 18.
Financiando o Jornalismo
O ócio
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Idosos agredidos
Entrada permitida
Emprego para médicos
Lições do passado
O discurso (veja aqui em inglês e aqui em português), que ficou conhecido posteriormente como "Cabos e Luzes em uma Caixa", completou 50 anos, mas continua atual. Nele, Murrow expressava receio de que o rádio e a TV fossem usados de maneira danosa à sociedade e à cultura. Sua análise sobre a TV parece premonitória ao projetar os caminhos trilhados pela mídia eletrônica hoje.
Ao focar a briga comprada por Murrow em seu programa See It Now (da CBS), quando questionou os métodos do Senador Joseph Maccarthy - que em 1953 promovia uma campanha de perseguição e difamação contra supostos esquerdistas e comunistas - Good night, and good luck faz uma crítica incisiva e atual do Jornalismo.
São muitos os momentos memoráveis do filme dos quais podemos tirar lições para a profissão e, também, a partir dos quais poderíamos discuti-la. É especialmente interessante perceber que Murrow e sua equipe estavam dispostos a arriscar em prol de reportagens que pudessem somar na (como ele mesmo frisou em 1958) “decisiva batalha a ser travada contra a ignorância, a intolerância e a indiferença”.
Ao bancar uma reportagem deste porte (sempre mal recebida pela direção da CBS e pelos patrocinadores que queriam apenas entreter a audiência), sabiam que teriam que compensar a ousadia com dez outras “babas” comerciais - além de estarem arriscando seus empregos.
É exatamente esta posição que, creio, deve ser adotada na atualidade pelos jornalistas conscientes, aprisionados nas redações pautadas pelo poder econômico. O grande objetivo do jornalista, hoje, é driblar o patrão e emplacar uma boa reportagem em meio aos interesses que regem o noticiário. Quem não faz isso está, na verdade, fazendo assessoria de imprensa para o patrão e para o anunciante.
É fascinante perceber como algumas idéias permanecem vigorosas mesmo após muitos anos e como outras, apesar de novas, remetem ao obscurantismo. Good night, and good luck nos mostra isso se o assistirmos com olhos atentos e dispostos a pensar – especialmente nós, jornalistas brasileiros.
Não me estendo mais, recomendo o filme, não só a quem tem interesse em Jornalismo, mas também para os que têm interesse por questões como ética e coragem.
Para finalizar, trechos do discurso de Murrow – proferido, friso, há 50 anos - que considero mais importantes sob o ponto de vista do Jornalismo que fazemos hoje.
“Nossa história será o que fizermos dela. Se houver historiadores daqui a cinqüenta ou cem anos e tiverem sido preservados filmes de uma semana de nossas três redes, eles irão encontrar gravadas em preto e branco, ou cor, provas da decadência, escapismo e alienação das realidades do mundo em que vivemos.”
“Eu chamo sua atenção para a grade de programação de todas as emissoras no horário de 8 a 11 da noite, na Costa Leste. Vocês encontrarão apenas referências passageiras e espasmódicas ao fato de que esta nação está em perigo mortal. Há, é verdade, programas informativos ocasionais apresentados no gueto intelectual das tardes de domingo. Mas durante os períodos de pico diários, a televisão nos isola das realidades do mundo em que vivemos.”
“Se Hollywood ficasse sem índios, a programação ficaria completamente desorganizada. Então alguma alma corajosa com um orçamento modesto poderia ser capaz de fazer um documentário contando o que, de fato, nós fizemos – e continuamos a fazer – com os índios neste país. Mas isso seria desagradável. E nós temos que, a todo custo, proteger os sensíveis cidadãos de qualquer coisa que seja desagradável.”
“Até onde diz respeito ao rádio – o mais satisfatório e gratificante veículo –, o diagnóstico para suas dificuldades é algo simples. E obviamente eu me refiro apenas a notícias e informações. Para progredir, é preciso somente voltar atrás. Ao tempo em que comerciais cantantes não eram permitidos em boletins de notícias, quando não havia comercial em um segmento de 15 minutos de notícias, quando o rádio era algo imponente, alerta e ligeiro. Eu recentemente perguntei a um funcionário de emissora: "Por que estes apressados boletins de notícias de cinco minutos (incluindo três comerciais) nos fins de semana?" Ele respondeu: "Porque isso parece ser a única coisa que podemos vender".”
“Se as notícias de rádio são consideradas bens de consumo, apenas aceitas quando vendáveis, então eu não me importo como as chamam – mas digo que não são notícias.”
“Um dos problemas básicos do rádio e da televisão é que ambos os veículos cresceram como uma combinação incompatível de show business, publicidade e jornalismo.”
“Com poucas exceções notáveis, a mais alta administração das emissoras é treinada em publicidade, pesquisa, vendas e show business. Pela natureza da estrutura corporativa, ela também toma as decisões finais e cruciais sobre as notícias. Mas, com freqüência, ela não tem o tempo ou a competência para fazê-lo.”
“Às vezes há um conflito entre o interesse público e o interesse corporativo. Uma chamada telefônica ou uma carta de região particular de Washington é tratada mais seriamente do que uma manifestação de um telespectador irado, mas politicamente impotente.”
“Qual é, então, a resposta? Continuamos em nossos confortáveis ninhos, concluindo que a obrigação destes veículos é quitada quando eles cumprem a função de informar o público por um tempo mínimo? Ou acreditamos que a preservação da República é um trabalho de sete dias por semana, que requer mais atenção, melhores habilidades e mais perseverança do que jamais esperamos?”
“Eu fico assustado com o desequilíbrio, com a constante luta para atingir a maior audiência possível a qualquer preço; pela falta de um estudo contínuo do estado da nação. Heywood Broun disse certa vez: "Nenhum organismo político é saudável até que comece a coçar". Eu gostaria que a televisão produzisse algumas pílulas de coceira no lugar desta efusão sem fim de tranqüilizantes. Isso pode ser feito. Talvez não seja, mas pode.”
“O patrocinador de um programa de televisão de uma hora não compra meramente os seis minutos devotados à mensagem comercial. Ele está determinando, dentro de limites amplos, a soma total do impacto da hora inteira. Se ele sempre, invariavelmente, tenta alcançar a maior audiência possível, então este processo de alienação, de fuga da realidade, continuará a ser pesadamente financiado, e seu apologista continuará a fazer discursos cativantes sobre dar ao público o que ele quer, ou "deixar o público decidir". Eu me recuso a acreditar que os presidentes e chefes dos conselhos destas grandes corporações queiram que sua imagem corporativa consista exclusivamente em uma voz solene em uma câmara ecoante, ou em uma menina bonita abrindo a porta da geladeira, ou em um cavalo que fala.”
“Por que cada uma das 20 ou 30 grandes corporações que dominam o rádio e a televisão não decide abrir mão de um ou dois de seus programas regulares anualmente, entregar o tempo para as emissoras e dizer verdadeiramente: "Isso é um pequeno dízimo, apenas um pouquinho de nosso lucro. Nesta noite específica não iremos tentar vender cigarros ou automóveis; isso é meramente um gesto para indicar nossa crença na importância das idéias". As redes deveriam, e eu acho que poderiam, pagar pelo custo de produção do programa. O anunciante, o patrocinador, teria seu nome creditado mas não teria nada a ver com o conteúdo do programa. Isso mancharia a imagem corporativa? Teriam os acionistas objeções? Eu acho que não.”
“Apenas de vez em quando deixem-nos exaltar a importância das idéias e informações. Deixem-nos sonhar ao ponto de dizer que em uma determinada noite de domingo o horário normalmente ocupado por Ed Sullivan seja entregue a uma pesquisa sobre o estado da educação americana, e uma semana ou duas depois o horário normalmente usado por Steve Allen seja dedicado a um estudo aprofundado sobre a política americana no Oriente Médio. Seria a imagem corporativa dos seus respectivos patrocinadores danificada? Reclamariam em sua ira os acionistas? Aconteceria algo além do que alguns milhões de pessoas sendo esclarecidas em temas que podem determinar o futuro desta nação, e conseqüentemente o futuro das corporações? Este método também criaria uma competição real entre as emissoras, que tentariam sobrepujar as outras com uma agradável apresentação das informações. Também forneceria uma saída para os jovens hábeis, e alguns até dedicados, interessados em fazer algo mais do que criar métodos de alienar enquanto vendem.”
“Atualmente, somos abastados, gordos, confortáveis e complacentes. Desenvolvemos uma alergia a informações desagradáveis ou perturbadoras. Nossos meios de comunicação de massa refletem isso. Mas, ao menos que levantemos nossos excessos de gordura e reconheçamos que a televisão, em grande parte, é usada para distrair, iludir, divertir e alienar, ela e aqueles que a financiam, aqueles que a assistem e aqueles que trabalham nela verão uma imagem completamente diferente apenas quando for tarde demais.”
“Para aqueles que dizem que as pessoas não assistiriam, não se interessariam, pois são muito complacentes, indiferentes e alienadas, posso apenas responder: há, na opinião deste repórter, consideráveis provas contrárias a esta argumentação. Mesmo que estejam certos, o que têm a perder? Porque se estiverem certos, e este instrumento for bom apenas para entreter, divertir e alienar, então a televisão já está vacilante e nós veremos em breve que toda esta luta estará perdida. Este veículo pode ensinar, iluminar; sim, pode até inspirar. Mas só pode fazê-lo se os seres humanos estiverem determinados a usá-lo para estes fins. De outro modo, são meramente cabos e luzes em uma caixa. Há uma grande e talvez decisiva batalha a ser travada contra a ignorância, a intolerância e a indiferença. Esta arma, a televisão, poderia ser útil.”
Frases - XV
Muhammad Yunus
domingo, 23 de novembro de 2008
Facas Voadoras
Para quem curte um rock’n’roll com traços de psychobilly, uma novidade bacana é a banda sul-mato-grossense Facas Voadoras. Conheci o som deles hoje, pinçando a dica do blog Blamemame.Não há santos
Pinçado do artigo "A análise equivocada de Luís Nassif sobre Dantas, mensalão, Mainardi, sua participação na época disso tudo etc", de Gravataí Merengue, postado ontem em seu blog Imprensa Marrom, mostrando que nada é como parece na imprensa e no Brasil de forma geral. Brilhante texto.
Não há santos, pasmem.
Às vezes me sinto imerso naquele filme Johnny Darko.
Combatendo a corrupção
Frases - XIV
Pedro Doria
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Frases -XIII
De um médico (e professor universitário) amigo meu
Ah, tá, agora entendi - VI
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Um financiamento público para o Jornalismo?
Uma análise superficial sobre os canais de discussão do Jornalismo brasileiro deixa nítida a insatisfação de profissionais e gente interessada em boa informação com o que hoje está sendo feito nos “jornalões” e nas emissoras de TV. Um jornalismo de qualidade duvidosa, comprometido com o poder econômico, seduzido pela “espetacularização” da notícia, pouco comprometido com a essência do ofício.
Há saídas? Arrisco dizer que não há saídas fáceis. Para encontrá-las é preciso despir-se de dogmas e verdades absolutas sobre a profissão.
Algumas propostas têm surgido, em especial nos Estados Unidos. Se elas se adaptam a realidade brasileira, é algo a ser analisado com cuidado. O debate local já teve início em alguns blogs de cunho jornalístico como o Gjol e o Webmanario.
De imediato, o que estas propostas sugerem é que é possível estabelecer uma prática jornalística diferente do que está posto como única alternativa, do que é oferecido como prato feito aos milhares de recém formados e profissionais que gravitam um mercado de trabalho saturado.
É fato que já há algum tempo jornalistas incentivam seus leitores a colaborarem financeiramente com seus blogs. Lá fora, Josh Marshall, Andrew Sullivan, Jason Kottke e Jim Hopkins adotaram esta tática com sucesso. Da mesma forma, o jornalista Chris Allbritton levantou US$ 15 mil entre seus leitores para financiar sua viagem ao Iraque em 2003, que rendeu o blog Back to Iraq blog. No Brasil, jornalistas como Pedro Doria e Alex Castro – para citar alguns - também descobriram o caminho das pedras. A novidade é a sistemarização deste conceito como opção para o mercado.
Entre as propostas já em andamento está o jornalismo representativo, preconizado pelo professor Leonard Witt - da Kennesaw State University - e o jornalismo financiado (crowdfunding journalism), defendido por David Cohn. Ambos propõem um modelo no qual jornalistas sejam financiados diretamente por parcelas da população para desenvolverem pautas do interesse destas comunidades.
Uma das primeiras experiências concretas de um jornalismo financiado pela população – ainda que mesclado com o chamado citizen journalism - ocorreu ano passado por meio de uma parceria entre Cohn e Jay Rosen, professor da New York University. Ambos desenvolveram o projeto Assignment Zero, que não vingou. Hoje, duas experiências de jornalismo financiado estão em andamento, o Spot.us e o Representative Journalism.
No Spot.us, jornalistas freelancers são alimentados por sugestões de pauta e recursos financeiros provenientes da população residente na Bay Area de San Francisco. O Representative Journalism (ou RepJ), testa a idéia em Northfield (Minnesota), a partir de um jornalista fulltime que cobre assuntos de interesse da comunidade local e publica o material no site Locally Grown.
O Spot.us é fruto do trabalho de David Cohn, que investiu no projeto os U$ 340 mil que ganhou como bolsa da Knight Foundation.
Assim trabalha o Spot.us:
1. Qualquer pessoa sugere uma pauta que gostaria de ver transformada em reportagem.
2. Jornalistas freelancers se propõem a escrever estas reportagens, propondo um valor por este trabalho.
3. Uma vez que um jornalista tenha sido designado para uma determinada reportagem, as pessoas pode doar recursos para viabilizá-la (mas ninguém pode doar mais que 20% do custo total dela).
4. Quando a reportagem tiver angariado recursos suficientes para ser viabilizada, o jornalista a escreve. Neste momento 10% do valor angariado é pago para custos de edição e revisão.
5. Com a reportagem pronta, veículos de comunicação têm uma oportunidade de adquirir os direitos exclusivos de sua publicação, pagando o custo integral por ela. Neste caso, os fundos adquiridos como doação popular são devolvidos aos doadores. Caso nenhum veículo se interesse em publicar a reportagem exclusivamente, ela é postada na Internet (no site Spot.us) e qualquer veículo de comunicação passa a ter o direito de reproduzi-la gratuitamente.
Em reportagem assinada pelo jornalista Mark Glaser, publicada no Mediashift, David Cohn assegura que esta é apenas uma forma de viabilizar este modelo de jornalismo. “Nunca tentei vender o Spot.us como fórmula para todas as organizações de mídia, embora possa vê-la ajudando a mostrar que é possível fazer algo além dos meios já estabelecidos. O Jornalismo baseado na comunidade repousa sobre dois pilares básicos. Primeiro: o leitor tem que pensar o Jornalismo como um bem público, como arte, algo que pode sustentar com seu próprio dinheiro. Segundo: os jornalistas têm que se envolver e dar sua marca pessoal para conquistar o público”, afirma.
O RepJ trabalha de outra forma. Ao invés de jornalistas freelancers designados e pagos por cada reportagem, optou-se por um jornalista contratado para trabalhar para uma determinada comunidade ou para desenvolver um assunto específico. Leonard Witt sugeriu a idéia para a Harnisch Family Foundation e obteve um investimento de US$ 51 mil para estabelecê-la na comunidade de Northfield, em Minnesota.
Para financiar o projeto, pretende-se reunir mil pessoas (ou grupos) que se comprometam a pagar anualmente a quantia de US$ 100. Para isso, o jornalista Bonnie Obremski iniciou um trabalho de imersão na comunidade, cuja população chega a 17 mil pessoas. "Temos que trabalhar em três fronts. 1) temos que prover jornalismo de alta qualidade; 2) temos que fazer nosso jornalista conhecido pela comunidade; e 3) a comunidade tem que sentir que o seu jornalista e as notícias e informações que ele produz possuem valor parelho ao suporte financeiro provido por ela”, afirma Witt.
Experiências do gênero, com diferenças sutis em seu formato, têm surgido com frequência. Nelson de Sá publicou ontem (19), no blog Toda Mídia, uma nota intitulada “Os novos cães de guarda?”, onde cita reportagem do jornalista Richard Pérez-Peña, publicada no New York Times, sobre o site Voice of San Diego, um dos mais vigilantes veículos de comunicação no que diz respeito a fiscalização sobre o estado. O Voice of San Diego funciona no estilo “nonprofit”, vive de doações, assim como o Propublica e o pequenino Crosscut.
Há quem critique estas propostas sob a égide da ética. Discutível, em especial frente ao direcionamento gerado por interesse econômico que vemos na grande mídia. Será pior escrever mediante o interesse de um setor da comunidade? Além disso, pode-se dizer que um “financiamento público do Jornalismo” teria características semelhantes à de uma assessoria de imprensa. Ocorre que, no Brasil, diferentemente de outros países como os Estados Unidos, a assessoria de imprensa é atribuição do jornalista. Portanto...
Outras objeções questionam se haverá público disposto a pagar pelas reportagens, ou se o alcance delas - se limitadas aos sites das próprias organizações – valerá o dinheiro investido. São questões importantes e que – creio - serão analisadas durante as experiências em vigência e em outras que virão. O importante é percebermos que há alternativas para o “fazer jornalístico” além das tradicionais e saturadas redações.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Entrevista: professor Pasquale e o Jornalismo
Pasquale Neto tem um forte envolvimento com o Jornalismo. É consultor de língua portuguesa do Departamento de Jornalismo da Rede Globo, em São Paulo, desde 1996, e colunista dos jornais Folha de S. Paulo e Diário do Grande ABC, entre outros. Também assinou o anexo gramatical do Manual de Redação da Folha, onde trabalha há dezoito anos no Programa de Qualidade e na Editoria de Treinamento.
Após a palestra – realizada na Câmara Municipal – tive a oportunidade de conversar rapidamente com ele sobre a qualidade do uso da língua portuguesa no Jornalismo tupiniquim. Veja a seguir.
O senhor tem um envolvimento forte com o jornalismo, convive com profissionais da área diariamente. Diante disso, como os jornalistas estão tratando a língua portuguesa?
Com altos e baixos. A coisa depende muito do veículo e, dentro dos próprios veículos, também existem altos e baixos. O jornalista tem uma particularidade que não pode ser desprezada nesta análise, que é o tempo. O jornal é feito de agora para daqui a pouco e isso complica muito a vida do jornalista, que precisa redigir depressa, sob pressão, e isso condiciona, tem que ser levado em conta. De modo geral, diria que há altos e baixos, existem textos bons e textos ruins, muito pobres e textos bem feitos, redondos.
Mas, de forma geral, focando o uso da língua portuguesa pelos que começam agora na profissão, que análise pode ser feita?
A coisa está mais para baixo do que para cima. Existe uma pobreza muito grande, não só de expressividade como também de conhecimento. O pessoal não lê. Jornalista que não lê é como médico que não põe a mão no paciente, como dentista que tem medo do barulho da broca.
Há um debate posto sobre a necessidade de alterar o currículo do ensino do Jornalismo no Brasil. O senhor considera que um foco mais pesado sobre a leitura, sobre a literatura, poderia melhorar a qualidade do texto jornalístico no país?
Poderia ajudar sim. A leitura dos clássicos, mas não só da literatura, pois o jornalista pode e deve ler outras coisas, deve ser informado sobre tudo. Tudo isso ajuda. Só que a gente vê hoje um mundo de faz de conta. Ta bom, vai... Vamos exigir a leitura, aí o sujeito vem com um resumo que ele pegou da internet. É preciso que haja uma cobrança efetiva disso e não um faz de conta. Se não houver uma cobrança efetiva, uma avaliação, fica tudo naquele esquema: eu finjo que faço, você finge que acredita e pronto.
Dentro destas modificações que vão ocorrer na língua portuguesa a partir do ano que vem, qual influirá mais no dia a dia do jornalista?
O uso do hífen talvez. Mas acho que isso é o de menos. Estas mudanças não vão influir em nada com a estrutura do texto, com a clareza dele, ou seja, não vai mudar nada. Quem sabe escrever continuará escrevendo bem.
Hoje, há profissionais que se fiam muito no corretor ortográfico do Word. O que o senhor pensa disso?
Desliguem o corretor. Com as mudanças que serão implementadas ele se tornará pouco confiável.
Em sua palestra o senhor disse que seu aprendizado da língua portuguesa, seu aprendizado profissional, se deu de forma mais concreta no dia a dia, na prática e não na universidade. O senhor acha que esta afirmação se aplica ao Jornalismo?
Acho. Do jeito que a coisa está, acho. Poderia não ser assim, mas do jeito que a coisa está, é assim que funciona. Vejo isso na minha prática diária.
Ah, tá, agora entendi - V
Quer dizer que no Brasil os membros dos Tribunais de Contas, cuja função é fiscalizar o executivo e o legislativo, são indicados pelos membros do executivo e do legislativo?
Sim.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Falta do que fazer
Mas... eles não têm tempo para isso. Estão muito atarefados infernizando a vida de 1500 mulheres cujos nomes constavam da agenda da anestesiologista Neide Motta Machado, proprietária de um estabelecimento especializado em abortos em Campo Grande.
O resultado da caça as bruxas é que entre julho e novembro 150 mulheres já foram indiciadas, 37 já foram julgadas e 26 condenadas a penas alternativas. A maioria tem idade variando entre 20 e 35 anos
O caso veio à tona em abril do ano passado, quando o MPE denunciou 10 mil mulheres acusadas de terem feito aborto entre 2000 e 2002 sob os cuidados de Neide. Como até 1999 não existia fichário das clientes, o número de mulheres que passou pelo local deve ser bem maior. A clínica funcionou por 20 anos.
Parabéns aos hipócritas de plantão.
Tremendo na base
Veja
Gênesis (Parto)
Tinha uma vaca, um burro e um louco
Que recebeu seu sete
Quando ele nasceu foi de teimoso
Com a manha e a baba do tinhoso
Chovia canivete
Quando ele nasceu, nasceu de birra
Barro ao invés de incenso e mirra
Cordão cortado com gilete
Quando ele nasceu sacaram o berro
Meteram faca, ergueram ferro
E Exu falou: ninguém se mete
Quando ele nasceu tomaram cana
Um partideiro puxou samba
Aí Oxum falou: esse aí promete
Promete Oxum falou esse promete
Promete Oxum falou esse promete
Promete Oxum falou
Promete Oxum falou
João Bosco e Aldir Blanc
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Cidadão Kane
Welles parece vislumbrar o jornalismo eletrônico – em especial o realizado por meio da internet – através da boca de Kane (interpretado pelo próprio Welles). “As notícias acontecem 24h por dia”, diz ele ao editor do Inquirer, Herbert Carter. Ou: “Irão ter a verdade de forma rápida, simples e divertida”, uma referência que beira a premonição se pensarmos ainda na internet e no jornalismo de entretenimento que se espalha pela TV.
Ainda conversando com Carter, Charles Foster Kane emite uma pérola que bem poderia ser aplicada para definir as estratégias editoriais de nossos jornalões (e “inhos”): “Se a manchete for grande, a notícia se tornará (grande)”.
Outro personagem de quem se pode pinçar uma fala interessante ligada ao jornalismo é Jedediah Leland (vivido por Joseph Cotten) que, conversando com Bernstein (Everett Sloane), pergunta referindo-se a equipe de jornalistas originários do Chronicle e levados ao Inquirer por Kane: "Estes homens que trabalhavam no Chronicle até ontem acreditavam na política do Chronicle? Como, agora, acreditam na nossa política?". A que Bernstein responde: "Eles são como qualquer pessoa. Eles têm um trabalho e o fazem".
Os 80 mais
Economia faria maioria dos brasileiros trocar democracia por ditadura
Uma comparação entre as pesquisas de 2001 e 2008 mostra que os índices de banalização da democracia frente a uma opção autoritária vem se mantendo em níveis próximos na América Latina. Em 2001 o percentual de entrevistados que trocaria a democracia por uma ditadura, caso esta fosse mais competente para guiar a economia de seu País, era de 51%, contra 55% em 2004 e 53% em 2008.
Outro aspecto que diferencia o Brasil de seus vizinhos no continente é a pouca importância atribuída pelos brasileiros aos partidos políticos e ao Congresso. Enquanto 56% dos latino-americanos disseram que “não pode haver democracia sem partidos políticos”, o índice entre os brasileiros ficou em 46%. A mesma afirmação feita em relação ao Congresso Nacional reuniu 57% dos latino-americanos e 45% dos brasileiros. Deve-se citar, no entanto, que em 2001 o percentual de latino-americanos que dizia não poder haver democracia sem a presença do Congresso era de apenas 49%.
O estudo promovido pela Economist (conduzido pelo IBOPE no Brasil, que ouviu 1204 pessoas entre os dias 1º de setembro e 11 de outubro) faz uma relação profunda entre o apoio concedido pelos latino-americanos à democracia e a situação econômica da região. Em 1997, por exemplo, ano em que o crescimento econômico na região foi de 6.6%, o espírito democrático contagiou 63% dos latino-americanos enquanto, em 2001, com a crise asiática e um crescimento de apenas 0,3%, o apoio à democracia foi de 48%.
O peso da economia sobre o apoio à democracia na América Latina pode ser observado com mais propriedade (sob os dados do Latinobarómetro) ao analisarmos o que ocorreu a partir de 2001, quando a democracia começa a ganhar mais apoio popular mantendo-se em 53% até 2005, passando a 58% em 2006, caindo para 54% em 2007 e indo a 57% em 2008. Em outras palavras, a crise asiática produziu mais variação negativa sobre o apoio à democracia do que o impacto positivo de cinco anos de crescimento econômico (o maior dos últimos 40 anos na região). Resumindo, a economia produz mais castigos do que recompensas para a democracia.
Os resultados da pesquisa deste ano sugerem que os latino-americanos têm, ainda, um forte viés autoritário, fruto do caudilhismo e paternalismo histórico de seus governos. Por exemplo: segundo o Latinobarómetro, 70% dos latino-americanos (e 60% dos brasileiros) considera que os Governos não governam para a maioria, mas para os interesses de poucos. Por outro lado, o desempenho dos governantes é visto com mais complacência, sendo aprovado por 52% dos entrevistados (79% dos brasileiros ouvidos aprova o Governo Lula). Interessante perceber o paradoxo que reside no fato de a pesquisa apontar que os governantes gozam de melhor avaliação que as democracias nas quais estão inseridos.
Nesta incongruência entre o olhar do latino-americano sobre democracia e governo, o caso brasileiro se mostra intrigante: apenas 38% dos entrevistados se disseram satisfeitos com a democracia e só 27% afirmaram que a economia do País vai bem (contra 37% e 23% dos demais latino-americanos, respectivamente), apesar dos altos índices de aprovação ao presidente.
Democracia representativa e ceticismo – O peso do voto tem se fortalecido entre os latino-americanos. A pesquisa aponta que 59% deles (58% dos brasileiros) apostam na democracia representativa como a melhor forma de “mudar as coisas”. A participação em movimentos sociais que protestam e exigem as mudanças de forma direta encontra apoio de apenas 16% dos latino-americanos (e de 22% dos brasileiros). Há, também, os céticos, os que não crêem ser possível que a população possa influenciar em qualquer tipo de mudança: são 14% dos latino-americanos ouvidos (11% dos brasileiros).
Gotas poéticas - II
Pinçado de poema de Bárbara Leite
domingo, 16 de novembro de 2008
Lula e Obama: a visão lá de fora
Frases - XI
Carlos Manhanelli
sábado, 15 de novembro de 2008
Frases - X
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Obama incentiva a democracia participativa?
O uso da internet como ferramenta de participação popular na administração pública – tratada aqui no artigo Ciberespaço e democracia direta – pode ter um papel importante no Governo Obama. Logo depois da eleição, o presidente eleito lançou o site Change.gov, onde convida os usuários a emitirem suas sugestões e propostas.
Há outros sites fazendo o mesmo, como whitehouse2.org, o BigDialog.org e o ObamaCTO.org. Este último apresenta as propostas populares mais votadas. As três primeiras – em ordem – são: tornar a internet mais acessível (8.965 votos até o momento desta postagem), assegurar a privacidade do cidadão e repelir o Ato Patriótico (6.962 votos) e anular a lei sobre os direitos da propriedade digital, promulgada em 1998 (5.781 votos).
Interessante perceber também que entre as 20 propostas mais votadas, duas referem-se diretamente a mecanismos de democracia direta. Uma delas (Allow the public to comment on all legislation) sugere que a população tenha cinco dias para comentar qualquer proposta de Lei antes que ela seja colocada em votação. Outra – em moldes similares a proposta do Voto Contìnuo – (Public online bidding process for government projects) propõe a criação de um website no qual projetos governamentais estejam abertos a votação por parte da população, companhias privadas e organizações.
Resta saber se a aproximação entre Obama e a população - tão decantada pelos apoiadores do presidente eleito - é fato ou apenas retórica de campanha.
Iniciativa
Afro isso e aquilo
Mais um "debate a favor"
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Os homens do presidente - I
Donos do mundo
Cuba, até quando?
Mas, voltando a Cuba. Que vergonha ver Lula massageando o ego de Fidel e demonstrando apoio ao ditador da vez, Raul. Que vergonha.
Contudo, é de se esperar que um presidente que não conhece o papel da imprensa tome como exemplo outra nação que mantém jornalistas encarcerados (a maioria com penas de mais de 20 anos) em condições desumanas, por terem exposto visões políticas diversas das que professam os senhores de Cuba.
Coca Cola é isso aí!
A Coca-Cola Femsa Brasil, empresa responsável pelo envasamento dos produtos Coca Cola - que mantém em Campo Grande (MS) uma de suas plantas – está distribuindo brindes para seus consumidores na capital do MS. Na terça-feira (11), o pedreiro Erenildo Ludegero Silva, 29, encontrou uma embalagem do remédio Salicin (com um comprimido intacto) dentro de uma garrafa de 1 litro de Coca Cola (É isso aí!). Na quarta (12), a dona de uma padaria apresentou na Delegacia do Consumidor (Decon) uma garrafa de Fanta com insetos e larvas em seu interior. A empresa prontificou-se a trocar o produto... os consumidores querem mais e, se não rolar um “acordo” neste meio tempo, devem ir à justiça. O mais curioso é imaginar que corpos estranhos já engolimos em talagadas ávidas.Anistiando a fraude
Frases - VIII
Leonardo Boff
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Poema
Que nos agachamos, apavorados,
Em pequenos escritórios
Que vomitamos mentiras
A troco de afagos
Que nos violentamos como
Putas em becos distantes
Nós que conhecemos seu nome,
Que nos contentamos com pouco
E ainda assim erguermos as mãos
Em súplica por um naco de luz
Que nos entregamos todos os dias
Sem ao menos um grito de dentes,
Como cheiro de nada que somos
Nós que conhecemos seu nome
Que nos violentamos dia após dia
Escancarando sorrisos, saudando
Hipocrisias e gargalhadas
Que fugimos de nós mesmos
Em troca de migalhas,
Que nos prostramos, imundos,
Perante reis que apodrecem.
Nós, que permitimos o que não se devia
Que acariciamos a face da besta
E ainda assim rezamos escondidos
Em nossas camas cobertas
Que olhamos com olhos de pedra
E damos as costas todos os dias
Que fazemos ouvidos moucos
exibindo nossa preguiça repleta de culpa
Nós, que conhecemos seu nome,
Mas esquecemos a face de nossos pais
Somos nós os culpados por tudo
Somos nós os vermes escuros,
Somos nós, os que arrastam a fera
Por correntes de seda,
Embevecidos por nos permitirem
Uma nesga de ar.
Eike pressiona
Na surdina
Obama e o biocombustível
Esta possibilidade gera expectativas promissoras para a produção de fontes de energia alternativas, como os biocombustíveis, setor que tem sido alvo de pesquisas de ponta no Brasil com o etanol proveniente da cana de açúcar, por exemplo. Os otimistas acham que a vitória dos democratas deve fortalecer políticas públicas de incentivo ao uso de combustíveis limpos, o que poderá beneficiar o Brasil com a diminuição de tarifas de importação. Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), entidade que representa os produtores brasileiros de etanol, concorda: “Durante a campanha ele (Obama) levantou a hipótese de ampliar o volume de etanol utilizado no país para 225 bilhões de litros até 2030 e investir US$ 150 bilhões em energia renovável durante 10 anos”, aponta.
Ocorre que, diferente de seu oponente nas eleições, o senador republicano Jonh McCain, que disse literalmente que "eliminaria a tarifa sobre o etanol de cana-de-açúcar importada do Brasil", Obama terá dificuldades em fazer o mesmo. Para isso, teria que enfrentar o poderoso lobby dos produtores de milho de Iowa e Illinois (Barack Obama é senador por Illinois), Estados fundamentais para a sua eleição e que tem no futuro presidente um aliado de primeira hora. É o que aponta David Verge Fleischer, cientista político e professor da Universidade de Brasília, para quem “o Brasil não pode alimentar esperanças porque não sabemos como os lobbies vão tratar essa questão no Congresso (americano)".
E o Congresso americano não costuma prejudicar os interesses na nação, sugere Shannon O´Neill: “Será interessante ver de que maneira o novo governo vai lidar com essa tarifa, especialmente em face da agenda maior que Obama tem para segurança energética. É verdade que essa questão é bastante difícil de ser superada em função de nosso processo legislativo. Vocês brasileiros também sabem como é difícil ver matérias importantes aprovadas em seu Congresso”, afirma.
Para Jaime Finguerut, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), será difícil para Obama contrariar os interesses locais nesta questão: "Barack Obama é de Illinois, um estado da região produtora de milho naquele país, e o foco do Partido Democrata é manter esse esquema de suporte à produção. No entanto, a produção de álcool via milho, apesar de ser a maior do mundo, não é sustentável, pois depende de recursos governamentais".
Uma estratégia que os americanos podem usar para driblar este empecilho parece estar escondida no fortalecimento de uma política de energia limpa, em especial para outros países. Esta bandeira, ligada à slogans fáceis da agenda verde, pode ser vista nas propostas de Obama para a Amazônia – onde sugere que a produção de etanol no Brasil pode contribuir para a devastação amazônica (veja em português aqui) - e nas entrelinhas de estudiosos do tema como Daniel Esty, diretor do Centro de Leis e Políticas da Universidade de Yale, para quem o potencial brasileiro em liderar a produção de energia limpa só será possível caso o País “se mostre comprometido com seu próprio território”. Diz Esty: “Creio que o compromisso real é ver o Brasil realmente empenhado no compromisso global de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. No momento o Brasil não está comprometido com reduções obrigatórias de emissões em seu próprio território”.
Daniel Esty foi um dos principais consultores da campanha de Obama no setor de energia e garante que o novo presidente americano trará “mudanças dramáticas” para o setor ambiental. Será que o etanol de milho será apresentado como carro chefe destas guinadas?
Provável se levarmos em conta a identidade de alguns dos principais colaboradores e investidores da campanha do democrata. O ex-senador Tom Daschle, por exemplo, que foi assessor de campanha de Obama, é diretor de três dos maiores grupos produtores de biocombustíveis dos Estados Unidos. O conselheiro para assuntos de energia, que acompanhou o presidente eleito durante o embate eleitoral, é Jason Grumet, conhecido lobista de produtores de etanol de milho. Ainda, é fato que os produtores de biocombustíveis estiveram entre os maiores financiadores da campanha de Obama. O próprio Obama disse recentemente que “a substituição do petróleo importado pelo etanol brasileiro não serviria aos interesses de segurança nacional e econômica dos Estados Unidos”.
Pesos e medidas
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Brasis
USP debateu obrigatoriedade do diploma
Frases - VII
Protógenes Queiroz
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
O Chefe
Mapas do Google para pesquisas
Corporativismo de branco
O médico Wesley Giovany Pereira, que acompanhava o idoso, disse ter sido insultado por José Pedro, responsável pela chefia do Hospital, que avaliou que o paciente apresentava um quadro estável e não precisava ser internado. Revoltado, Pereira acionou a Polícia Militar que encaminhou o exaltado José Pedro para o 1° DP, onde prestou depoimento e foi liberado no início da madrugada de hoje.
O caso gerou desconforto generalizado em um Estado governado por um médico, cuja capital é administrada por um médico e que tem médicos espalhados por muitos pontos chave da administração pública. O secretário municipal de Saúde de Dourados, João Paulo Esteves (odontologista), o deputado federal Geraldo Resende (médico) e vários outros colegas de trabalho de José Pedro foram à delegacia protestar contra o ocorrido. Para completar, a Associação Médica de Dourados ameaçou interromper o atendimento no Hospital de Urgência e Trauma em protesto contra a ação da polícia.
Que belo exemplo. Mesmo que a ação da polícia tivesse sido equivocada quem pagaria por isso seria a população...
Este caso é um exemplo claro da sensação de impunidade que graça entre uma generosa fatia dos profissionais da medicina no Brasil. No País do corporativismo, olha-se o próprio interesse ao invés dos interesses públicos e entre a classe médica esta prática supera todos os níveis aceitáveis. O corporativismo médico no Brasil é um dos mais retrógrados e anti-sociais. Os médicos brasileiros jamais se dispuseram a discutir abertamente os descaminhos para os quais muitos colegas empurraram a profissão. Parceiros de Deus, arrogantes, sua infalibilidade não pode ser posta em questão.
Em 1976 o jornal O Pasquim já denunciava o que batizou à época como a Máfia de Branco no Brasil. De lá para cá pouco mudou. Médicos continuam protegendo médicos ainda que, para isso, prejudiquem a população.
Criaram uma fantasia segundo a qual os médicos são seres sacrificados, que trabalham como camelos mal remunerados em prol da população. Seria interessante checar os plantões nos postos de saúde, onde estes profissionais organizam escalas ilegais, ou a “sala da morte” da Santa Casa de Campo Grande, onde pacientes que deveriam estar em UTI´s são abandonados para morrer em silêncio.
Infelizmente a máscara da hipocrisia cabe bem na face de boa parte destes semi-deuses de branco.
Fica aqui a proposta do norte-americano Michael Moore ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que muito bem se adaptaria ao Brasil: “Quem tente lucrar com a assistência de saúde será detido pelas forças da ordem. Ir ao médico quando alguém está doente deveria ser um dos direitos humanos. É a nossa vida que está em jogo, da mesma forma que se nossa casa tivesse sido incendiada ou se fossemos vitimas de um delito. Da mesma forma que a proteção oferecida a qualquer cidadão pelos bombeiros e pela policia é completamente grátis e universal, a assistência de saúde deveria ser proporcionada GRATUITAMENTE PARA TODO MUNDO.” “...não será permitido que uma empresa obtenha lucros às custas da doença alheia”.
Violência em MS aumentou em outubro
O município de Ponta Porã – na fronteira com o Paraguai – figurou nas reportagens dos dois sites de notícia como palco de 6 homicídios e 3 tentativas no mês passado, contra 1 homicídio e 1 tentativa em setembro, um aumento de 500% nos casos de morte violenta – a maior variação registrada entre os municípios sul-mato-grossenses. Ponta Porã possui pouco mais de 72 mil habitantes.
Três Lagoas – na divida entre MS e SP – também registrou aumento significativo no número de assassinatos na comparação entre setembro e outubro. Foram 4 homicídios no mês passado (e 2 tentativas) contra 1 homicídio e 3 tentativas em setembro. Um aumento de 300% no número de mortes violentas no município, que tem cerca de 85 mil habitantes.
A violência manteve-se em patamares equilibrados (apesar de elevados) em Dourados, segunda maior cidade do estado, com mais de 180 mil habitantes. No mês passado o Midiamax e o Campo Grande News haviam registrado 9 homicídios e 9 tentativas de homicídio na cidade. Em outubro, foram 5 homicídios e 13 tentativas.
O levantamento feito pelo blog Escrevinhamentos apontou a ocorrência de 56 homicídios e 49 tentativas de homicídio nos 78 municípios de Mato Grosso do Sul durante o mês de outubro.
Juventude na mira – Das 105 pessoas que foram assassinadas ou sobreviveram a tentativas de homicídio em Mato Grosso do Sul no mês de outubro, segundo o levantamento, 87 tiveram a sua idade informada nas reportagens checadas pela pesquisa. Destas, cerca de 66% apresentavam idade variando entre 10 e 29 anos. Cerca de 46% dos casos vitimaram pessoas com idade variando entre 20 e 29 anos e 20% das ocorrências (17) foram protagonizadas por jovens entre 10 e 19 anos de idade (veja a lista completa dos casos por idade mais abaixo).
Estes percentuais chocantes apontam para um problema típico dos grandes centros no País, a falta de perspectivas dos jovens, que acaba levando-os a situações extremas que colocam em risco as suas vidas e as vidas de outras pessoas.
Este fato não é novidade e tem sido confirmado por diversos estudos e pesquisas de campo nos últimos 20 anos, como o Mapa da Violência IV: os jovens do Brasil da Unesco, que analisou as causas da mortalidade juvenil na década de 1993/2002 no Brasil e concluiu que quase 30% destas mortes são causadas por armas de fogo.
Melhoras? - Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o governo do Mato Grosso do Sul gastou no ano passado 30% a mais com segurança em relação a 2006, com investimentos de R$ 540 milhões, contra R$ 415 milhões.
O Anuário aponta, ainda, redução de 1,6% na taxa de homicídios dolosos no período (24,29 para 24,05 por 100 mil habitantes) - em 2006 foram registrados 572 casos de homicídios dolosos no estado, contra 571 no ano passado. O total de latrocínios - roubo seguido de morte – aumentou significativamente (de 10, em 2006, para 22, em 2007 – para cada 100 mil habitantes) e as ocorrências de lesão corporal seguida de morte foram reduzidas de 13 para 7 (para cada 100 mil habitantes).
Nesta semana, o governador do estado, André Puccinelli (PMDB), disse que a segurança pública é prioridade em seu governo. Que, de fato, possamos checar isso em números.
Para ver as estatísticas da violência em MS em setembro e uma análise sobre a violência no estado clique aqui.
Casos de homicídio e tentativas de homicídio registrados em MS no mês de outubro, relacionados à idade das vítimas
1-9 (00) – 0%
10-19 (17) – 20%
20-29 (40) – 46%
30-39 (12) – 14%
40-49 (9) – 10%
50-59 (3) – 3%
60 + (6) – 7%
Idade não revelada (18)
Casos de homicídio e tentativas de homicídio registrados em MS no mês de outubro, relacionados aos municípios.
Amambaí (33.396 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 2
Aquidauana (44.904 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Bataguassu (18.679 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 3
Bataiporã (10.559 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Caarapó (22.705 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Camapuã (13.193 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Campo Grande (724.638 habitantes)
Homicídios: 19
Tentativa de Homicídio: 13
Chapadão do Sul (16.194 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 1
Coronel Sapucaia (13.912 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Corumbá (96.343 habitantes)
Homicídios: 3
Tentativa de Homicídio: 3
Dourados (182.747 habitantes)
Homicídios: 5
Tentativa de Homicídio: 13
Eldorado (11.947 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Glória de Dourados (9.646 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 2
Guia Lopes da Laguna (10.182 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Ivinhema (20.583 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 2
Juti (5.358 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Maracajú (30.924 habitantes)
Homicídios: 4
Tentativa de Homicídio: 2
Mundo Novo (15.968 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Naviraí (43.404 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Nova Alvorada do Sul (12.121 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Paranaíba (38.692 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Ponta Porã (72.206 habitantes)
Homicídios: 6
Tentativa de Homicídio: 3
Rio Brilhante (26.560 habitantes)
Homicídios: 3
Tentativa de Homicídio: 0
São Gabriel do Oeste (21.052 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Sidrolândia (38.139 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Sete Quedas (10.659 habitantes)
Homicídios: 1
Tentativa de Homicídio: 0
Tacuru (9.271 habitantes)
Homicídios: 0
Tentativa de Homicídio: 1
Três Lagoas (85.376 habitantes)
Homicídios: 4
