Nosso novo, velho jornalismo...
Relendo o primeiro volume do “Teorias do Jornalismo”, do Nelson
Traquina, me deparei com duas passagens curiosas sob o ponto de vista do
jornalismo que se pratica hoje no Brasil, especialmente nos grotões
onde os poucos leitores e anunciantes são disputados no tapa por jornais
com tiragem indigente e emissoras de TV e rádio onde a notícia é mera
coadjuvante na programação.
A
primeira passagem é uma reflexão sobre “The image of the Journalists in
France, Germany, and England, 1845-1848”, de Leonor O’Boyle, segundo a
qual a nova classe média inglesa no século 19 formou um público que
queria notícias políticas e econômicas, de modo que foi possível a um
jornal diário atrair leitores e anunciantes suficientes para se
auto-sustentarem, sem qualquer dependência de subsídios políticos.
Na segunda passagem, Traquina cita estudos segundo os quais havia, na
França do século 19, pouca publicidade paga e escasso público leitor.
Como consequência, os jornais franceses não conseguiam se transformar em
negócio lucrativos e auto-suficientes. “Permaneciam dependentes
financeiramente dos vários partidos políticos, e assim altamente
politizados e partidários”, afirma o acadêmico português.
Ora,
substituindo a geografia de ambas as citações pelo Mato Grosso do Sul da
atualidade chego a conclusão de que ainda praticamos um jornalismo ao
etilo do século 19.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Humanos de índole torta
Humanos de índole torta
"O que fazer com um cidadão que dispara uma arma de fogo no rosto de uma mulher grávida?"
O corpo da secretária Daniela Oliveira, de 25 anos, que morreu após ser baleada durante uma tentativa de assalto, foi enterrado ontem (11) em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Daniela, que estava grávida de nove meses, foi atingida por um disparo de arma de fogo no rosto logo após descer de um Ford Fiesta na frente do condomínio em que morava. Ela foi abordada por dois criminosos em uma moto, que atiraram nela e fugiram sem levar nada.
Seis minutos após a entrada de Daniela no Hospital do Campo Limpo, os médicos decidiram pela realização da cesariana, para salvar o bebê. A criança, chamada Gabriela, nasceu com 2,2 quilos e saudável. A família decidiu doar os órgãos de Daniela.
Assunto encerrado.
Daniela Oliveira em breve sairá dos noticiários, se transformará em apenas uma fração dos índices que medem a violência desenfreada que assola o país.
Recente relatório sobre o Peso Mundial da Violência Armada aponta que, entre os anos de 2004 e 2007, os doze maiores conflitos armados, provocados por disputas territoriais, guerras civis e movimentos libertários, em diferentes partes do mundo, mataram 169.574 pessoas. No mesmo período, 192.804 pessoas foram assassinadas no Brasil.
Entre 1992 e 2009, de acordo com o IBGE, a taxa de homicídios no Brasil cresceu 41%, com a média de assassinatos saltando de 19,2 para 27,1 mortes em cada cem mil habitantes. Nos últimos trinta anos, houve aumento de 83,1% na taxa de homicídios no Brasil.
Em 2010 ocorreram quase 50 mil assassinatos no Brasil, ao ritmo de 137 homicídios por dia, número superior ao de “um massacre do Carandiru por dia”, como assevera o pesquisador Julio Jacobo Waisefisz, do Instituto Sangari.
Estes números assustadores têm causas diversas, em especial a desigualdade social, o absurdo desequilíbrio na distribuição de renda, a educação de qualidade indigente oferecida aos jovens, o naufrágio da cidadania diante da cultura de consumo desenfreado entre outras mazelas de cunho social.
Podemos atribuir uma parcela de responsabilidade sobre a escalada da violência a todos estes tristes aspectos da sociedade brasileira. Há um, no entanto, que costuma ficar de fora das análises, dos programas de governo, dos discursos políticos: a maldade.
Nossa cultura de classe média culpada, propensa a paternalismos e ao acalanto do mito do bom selvagem, tende a “passar a mão na cabeça” do criminoso, a exigir direitos humanos para humanos de índole torta, deformada.
Ao iniciar este artigo, apenas uma questão se colocava em minha mente, insistente... O que fazer com um cidadão que dispara uma arma de fogo contra o rosto de uma mulher grávida?
"O que fazer com um cidadão que dispara uma arma de fogo no rosto de uma mulher grávida?"
O corpo da secretária Daniela Oliveira, de 25 anos, que morreu após ser baleada durante uma tentativa de assalto, foi enterrado ontem (11) em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Daniela, que estava grávida de nove meses, foi atingida por um disparo de arma de fogo no rosto logo após descer de um Ford Fiesta na frente do condomínio em que morava. Ela foi abordada por dois criminosos em uma moto, que atiraram nela e fugiram sem levar nada.
Seis minutos após a entrada de Daniela no Hospital do Campo Limpo, os médicos decidiram pela realização da cesariana, para salvar o bebê. A criança, chamada Gabriela, nasceu com 2,2 quilos e saudável. A família decidiu doar os órgãos de Daniela.
Assunto encerrado.
Daniela Oliveira em breve sairá dos noticiários, se transformará em apenas uma fração dos índices que medem a violência desenfreada que assola o país.
Recente relatório sobre o Peso Mundial da Violência Armada aponta que, entre os anos de 2004 e 2007, os doze maiores conflitos armados, provocados por disputas territoriais, guerras civis e movimentos libertários, em diferentes partes do mundo, mataram 169.574 pessoas. No mesmo período, 192.804 pessoas foram assassinadas no Brasil.
Entre 1992 e 2009, de acordo com o IBGE, a taxa de homicídios no Brasil cresceu 41%, com a média de assassinatos saltando de 19,2 para 27,1 mortes em cada cem mil habitantes. Nos últimos trinta anos, houve aumento de 83,1% na taxa de homicídios no Brasil.
Em 2010 ocorreram quase 50 mil assassinatos no Brasil, ao ritmo de 137 homicídios por dia, número superior ao de “um massacre do Carandiru por dia”, como assevera o pesquisador Julio Jacobo Waisefisz, do Instituto Sangari.
Estes números assustadores têm causas diversas, em especial a desigualdade social, o absurdo desequilíbrio na distribuição de renda, a educação de qualidade indigente oferecida aos jovens, o naufrágio da cidadania diante da cultura de consumo desenfreado entre outras mazelas de cunho social.
Podemos atribuir uma parcela de responsabilidade sobre a escalada da violência a todos estes tristes aspectos da sociedade brasileira. Há um, no entanto, que costuma ficar de fora das análises, dos programas de governo, dos discursos políticos: a maldade.
Nossa cultura de classe média culpada, propensa a paternalismos e ao acalanto do mito do bom selvagem, tende a “passar a mão na cabeça” do criminoso, a exigir direitos humanos para humanos de índole torta, deformada.
Ao iniciar este artigo, apenas uma questão se colocava em minha mente, insistente... O que fazer com um cidadão que dispara uma arma de fogo contra o rosto de uma mulher grávida?
domingo, 23 de dezembro de 2012
Poema
Como uma tarde indo embora
Me calo
Enrubesço
Me encho de azul
Como uma tarde indo embora
Me visto de nuvens
Amanheço pássaros
Transbordo em lilás
Procuro teus olhos
No céu que desmonta
Na tarde que vai
Me calo
Enrubesço
Me encho de azul
Como uma tarde indo embora
Me visto de nuvens
Amanheço pássaros
Transbordo em lilás
Procuro teus olhos
No céu que desmonta
Na tarde que vai
Marco Maia: o alcoviteiro
Marco Maia: o alcoviteiro
Ao cogitar acoitar deputados condenados presidente da Câmara expõe seu lado totalitário
O presidente da Câmara Federal, deputado Marco Maia (PT-RS), pirou de vez. Em um típico arroubo de quem enxerga no estado democrático de direito apenas uma janela de oportunidade para exercer interesses privados ou político-partidários, afirmou que não descartava a possibilidade de oferecer “abrigo” no prédio da Casa aos parlamentares condenados no mensalão, caso a prisão imediata deles fosse decretada pelo ministro Joaquim Barbosa.
Sim, ele poderia fazer isso, já que o pedido de prisão só poderia ser cumprido no prédio com autorização da Polícia Legislativa.
Marco Maia parece enxergar a coisa pública como esfera particular ao cogitar tamanho absurdo. Pior, em um jogo de palavras obsceno, tentou construir um argumento segundo o qual a possibilidade de a Câmara abrigar criminosos condenados pela mais alta corte de justiça do País seria um ato democrático. "Em regimes totalitários e autoritários, a primeira coisa que se faz é atacar o Parlamento”, disse, distorcendo a questão.
Nos pensamentos estapafúrdios, na mente confusa de integrantes de um setor da esquerda, ainda viceja a teoria de que os mensaleiros condenados foram vítimas de uma grande armação coordenada pela “mídia golpista”, pela CIA e pelo Tio Sam. Vivem em um mundo de ilusão no qual toda e qualquer ignomínia contra o erário público lhes é permitida diante do “bem maior” (suas contas bancárias, certamente), imaginam-se acima do bem e do mal. Não percebem que a aura de "santidade" que os envolvia e que emcobria seus muitos descalabros esmaeceu.
Dos três deputados condenados, apenas João Paulo Cunha deve ir para o regime fechado, já que foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão. Pedro Henry (PP), que foi sentenciado a 7 anos e 2 meses, e Valdemar da Costa Neto (PR-SP), condenado a 7 anos e 10 meses, devem cumprir a pena em regime semiaberto.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel – uma ilha de lucidez em meio à tormenta obscurantista que tenta tragar o Governo Dilma – pediu a prisão imediata dos três, e dos demais réus condenados no processo do mensalão, entre eles o de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e homem forte do primeiro governo Lula.
Enquanto este artigo era escrito, o ministro Joaquim Barbosa optava por negar o pedido de Gurgel. O assunto seria letra morta nesta página. No entanto, a simples cogitação por parte do presidente da Câmara Federal da possibilidade de patrolar a decisão do Supremo Tribunal Federal mostra até que ponto a banda podre da esquerda brasileira é capaz de ir para defender seus próprios interesses.
Não se enganem, estes que maculam a bandeira de um partido construído sobre as esperanças de uma nação, são capazes de incitar os mais humildes e desinformados a demonstrações de força em prol de seus mais sórdidos interesses privados, em apoio a um projeto político que de republicano tem bem pouco, ou quase nada.
Ao cogitar acoitar deputados condenados presidente da Câmara expõe seu lado totalitário
O presidente da Câmara Federal, deputado Marco Maia (PT-RS), pirou de vez. Em um típico arroubo de quem enxerga no estado democrático de direito apenas uma janela de oportunidade para exercer interesses privados ou político-partidários, afirmou que não descartava a possibilidade de oferecer “abrigo” no prédio da Casa aos parlamentares condenados no mensalão, caso a prisão imediata deles fosse decretada pelo ministro Joaquim Barbosa.
Sim, ele poderia fazer isso, já que o pedido de prisão só poderia ser cumprido no prédio com autorização da Polícia Legislativa.
Marco Maia parece enxergar a coisa pública como esfera particular ao cogitar tamanho absurdo. Pior, em um jogo de palavras obsceno, tentou construir um argumento segundo o qual a possibilidade de a Câmara abrigar criminosos condenados pela mais alta corte de justiça do País seria um ato democrático. "Em regimes totalitários e autoritários, a primeira coisa que se faz é atacar o Parlamento”, disse, distorcendo a questão.
Nos pensamentos estapafúrdios, na mente confusa de integrantes de um setor da esquerda, ainda viceja a teoria de que os mensaleiros condenados foram vítimas de uma grande armação coordenada pela “mídia golpista”, pela CIA e pelo Tio Sam. Vivem em um mundo de ilusão no qual toda e qualquer ignomínia contra o erário público lhes é permitida diante do “bem maior” (suas contas bancárias, certamente), imaginam-se acima do bem e do mal. Não percebem que a aura de "santidade" que os envolvia e que emcobria seus muitos descalabros esmaeceu.
Dos três deputados condenados, apenas João Paulo Cunha deve ir para o regime fechado, já que foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão. Pedro Henry (PP), que foi sentenciado a 7 anos e 2 meses, e Valdemar da Costa Neto (PR-SP), condenado a 7 anos e 10 meses, devem cumprir a pena em regime semiaberto.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel – uma ilha de lucidez em meio à tormenta obscurantista que tenta tragar o Governo Dilma – pediu a prisão imediata dos três, e dos demais réus condenados no processo do mensalão, entre eles o de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e homem forte do primeiro governo Lula.
Enquanto este artigo era escrito, o ministro Joaquim Barbosa optava por negar o pedido de Gurgel. O assunto seria letra morta nesta página. No entanto, a simples cogitação por parte do presidente da Câmara Federal da possibilidade de patrolar a decisão do Supremo Tribunal Federal mostra até que ponto a banda podre da esquerda brasileira é capaz de ir para defender seus próprios interesses.
Não se enganem, estes que maculam a bandeira de um partido construído sobre as esperanças de uma nação, são capazes de incitar os mais humildes e desinformados a demonstrações de força em prol de seus mais sórdidos interesses privados, em apoio a um projeto político que de republicano tem bem pouco, ou quase nada.
Eles não queriam matar... mas mataram
Eles não queriam matar... mas mataram
Enquanto a lei não for draconiana, combinação álcool e direção
continuará matando no Brasil
Clarice da Costa, 56 anos, e sua filha, Camila Turolla, 27
anos, aguardavam um táxi na madrugada do último dia 8, em um dos portões de
saída do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando se
transformaram em estatísticas da guerra do trânsito no Brasil. Foram
atropeladas pelo assistente técnico Wagner Gomes Alvarenga, 23 anos, que
voltava de uma confraternização no serviço.
Clarice morreu e Camila encontra-se hospitalizada em estado
grave. Wagner cotizou R$ 12 mil com a família e foi posto em liberdade. Ao se preparar para ir para casa, disse à
imprensa que não teve intenção de cometer o crime, alegou que teve um "mal
súbito" após "beber um pouco", pediu perdão.
Também não teve intenção de cometer crime algum o estudante
de Direito Richard Ildvan Gomides Lima, 22 anos, que na madrugada do dia 31 de
maio ultrapassou em alta velocidade um sinal vermelho na Avenida Afonso Pena,
em Campo Grande (MS), matando na hora o segurança David Del Vale Antunes, 31
anos, que voltava para casa após um dia de trabalho. Assim como Alvarenga,
Ildvan já está em casa. Foi posto em liberdade esta semana.
Ildvan se negou a realizar o teste do bafômetro na
delegacia, apesar das evidências de estar alcoolizado. Os exames toxicológicos mostraram
que Wagner tinha uma concentração de 0,28 miligramas de álcool por litro de ar
expelido (mg/l), índice pouco abaixo do limite para imputar a ele uma sanção
criminal (0,3 mg/l), mas que ainda o impedia legalmente de dirigir. Ambos
aguardarão julgamento e, até lá, suas defesas farão o possível para transformar
crimes em fatalidades.
Nenhum deles pretendia cometer crime algum dizem os
advogados. Ocorre que as coisas não são assim tão simples. O fato é que quem
bebe – seja lá que quantidade for – e dirige assume o risco de colocar em
perigo a vida de terceiros. Deveria, a priori, ser encarado pela justiça como
um criminoso.
De nada adianta o pedido de perdão feito por Wagner diante
das câmeras de TV. Perdão não vai trazer Clarice de volta, não vai amenizar o
choque de Camila. Nenhum pedido de perdão feito por gente que mistura álcool e
direção pode ser levado a sério. Nenhum argumento hipócrita de advogados vai
amenizar a dor da família do segurança David.
O Senado brasileiro perdeu uma oportunidade no último dia
12, ao aprovar a lei complementar que aumenta a multa, além da apreensão da
carteira de habilitação, como punição para quem for flagrado dirigindo sob o
efeito de álcool. O texto aprovado representa quase nada em comparação ao
relatório original do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que estipulava
"tolerância zero" para associação entre álcool e direção e detenção
mínima de seis meses a três anos.
Enquanto a lei não for draconiana contra os que fazem pouco
da vida alheia, Clarices, Camilas e Davids continuarão engrossando as tristes
estatísticas e confirmando a nossa irresponsabilidade diante da vida.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Ridículos tiranos
Ridículos tiranos
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. Ela se transformou em um lodaçal
Não há outro tema nesta semana que mereça mais figurar neste espaço do que a sordidez com que os 21 vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande aprovaram, no apagar das luzes, na surdina, o aumento de seus próprios salários em 61,9%.
O presidente da Casa, vereador Paulo Siufi (PMDB) havia garantido aos cidadãos que foram à Câmara protestar contra este reajuste imoral que a votação seria divulgada previamente. Mentiu.
Incrível perceber que apesar de milhares de manifestações indignadas que pulularam pelo Facebook (apenas uma postagem da Semana Online – veja aqui – foi compartilhada quase 1700 vezes), nenhum vereador se dignou a dar uma resposta à população.
Estes, que usam as mídias sociais para fazer proselitismo de suas parcas ações parlamentares e de suas vastas papagaiadas assistencialistas, não se dignaram a escrever uma linha sequer como resposta aos eleitores. São estes os que têm a certeza absoluta de que o eleitor esquecerá este acinte em poucos dias.
Infelizmente eles têm razão. A imensa maioria das pessoas terá esquecido nas próximas semanas tudo o que ocorreu. Restará apenas uma vaga sensação de impotência, um tênue desgosto que se revelará sempre que a palavra política for proferida.
É deste esquecimento, desta inércia, que sobrevivem os políticos profissionais que se apossaram de nossas instâncias políticas. É dela, desta pasmaceira, desta quase tristeza cívica, que eles tiram o sustento para solapar a cada dia a nossa cidadania.
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. No Brasil, ela se transformou em um lamaçal no qual chafurdam os imorais de caráter, no qual os bem intencionados desmoronam num piscar de olhos. Esqueçam os bons moços, esqueçam as promessas de oportunidade.
Enquanto a reforma política mofa nas gavetas e se transfigura em arremedos que vão sendo acordados entre os poderosos de modo a que tudo continue como é, vai surgindo um novo campo para a práxis política. Esta nova ágora é digital, anárquica, uma babel.
As redes sociais vão propiciar uma transformação no modo como o cidadão se relacionará com seus representantes. Não, esta revolução ainda não está acontecendo de fato. Estamos arranhando a superfície.
Mas chegará o dia em que a sociedade civil organizada irá aplicar, por meio da rede, ao menos em parte, a democracia direta que alguns trazem na ponta da língua mas que temem aplicar, temerosos por perder suas benesses. É inevitável.
Neste dia, iremos olhar para trás e ficaremos estupefatos com o passado, quando permitiamos que um grupo de cidadãos apontados por nós mesmos para representar-nos nas instâncias políticas se transformassem em ridículos tiranos.
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. Ela se transformou em um lodaçal
Não há outro tema nesta semana que mereça mais figurar neste espaço do que a sordidez com que os 21 vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande aprovaram, no apagar das luzes, na surdina, o aumento de seus próprios salários em 61,9%.
O presidente da Casa, vereador Paulo Siufi (PMDB) havia garantido aos cidadãos que foram à Câmara protestar contra este reajuste imoral que a votação seria divulgada previamente. Mentiu.
Incrível perceber que apesar de milhares de manifestações indignadas que pulularam pelo Facebook (apenas uma postagem da Semana Online – veja aqui – foi compartilhada quase 1700 vezes), nenhum vereador se dignou a dar uma resposta à população.
Estes, que usam as mídias sociais para fazer proselitismo de suas parcas ações parlamentares e de suas vastas papagaiadas assistencialistas, não se dignaram a escrever uma linha sequer como resposta aos eleitores. São estes os que têm a certeza absoluta de que o eleitor esquecerá este acinte em poucos dias.
Infelizmente eles têm razão. A imensa maioria das pessoas terá esquecido nas próximas semanas tudo o que ocorreu. Restará apenas uma vaga sensação de impotência, um tênue desgosto que se revelará sempre que a palavra política for proferida.
É deste esquecimento, desta inércia, que sobrevivem os políticos profissionais que se apossaram de nossas instâncias políticas. É dela, desta pasmaceira, desta quase tristeza cívica, que eles tiram o sustento para solapar a cada dia a nossa cidadania.
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. No Brasil, ela se transformou em um lamaçal no qual chafurdam os imorais de caráter, no qual os bem intencionados desmoronam num piscar de olhos. Esqueçam os bons moços, esqueçam as promessas de oportunidade.
Enquanto a reforma política mofa nas gavetas e se transfigura em arremedos que vão sendo acordados entre os poderosos de modo a que tudo continue como é, vai surgindo um novo campo para a práxis política. Esta nova ágora é digital, anárquica, uma babel.
As redes sociais vão propiciar uma transformação no modo como o cidadão se relacionará com seus representantes. Não, esta revolução ainda não está acontecendo de fato. Estamos arranhando a superfície.
Mas chegará o dia em que a sociedade civil organizada irá aplicar, por meio da rede, ao menos em parte, a democracia direta que alguns trazem na ponta da língua mas que temem aplicar, temerosos por perder suas benesses. É inevitável.
Neste dia, iremos olhar para trás e ficaremos estupefatos com o passado, quando permitiamos que um grupo de cidadãos apontados por nós mesmos para representar-nos nas instâncias políticas se transformassem em ridículos tiranos.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Eles merecem 66% de aumento?
Eles merecem 66% de aumento?
"Na fantasia em que vivem os vereadores, reajuste salarial deve ser decidido sem o aval do eleitor"
No mundo real, os trabalhadores tem todo o direito de reivindicar reajustes salariais. Para isso, organizam-se em sindicatos com o fim de fortalecer suas demandas frente às entidades patronais. Trazendo para o microcosmo das relações interpessoais, um aumento salarial é algo a ser negociado diretamente com o patrão, com base em argumentos vários, em especial a excelência do trabalho de quem pleiteia o aumento.
No mundo de fantasia em que vive o grosso dos vereadores de Campo Grande (MS), reajuste salarial é algo a ser definido de acordo com seu próprio interesse, em reuniões fechadas, sem o aval de quem por direito deveria ser tratado como patrão: o povo. Acontece que a contribuição que a maior parte deste pessoal dá à comunidade é rasteira. Eles não merecem aumento salarial. Recente reportagem da Semana Online mostrou isso claramente (veja aqui).
Entre janeiro de 2011 e maio 2012 a engrenagem que faz funcionar o legislativo municipal consumiu R$ 55.936 milhões. Em média, os vereadores campo-grandenses custam R$ 1.942.857,00 por ano aos cofres públicos, incluindo a ajuda de custo nas férias - de R$ 9.288,00 para cada vereador - por recesso. Seguindo a metodologia do site “Excelências.org”, que mapeia o custo individual por parlamentar, no período citado cada um dos 786.797 campo-grandenses gastou R$ 71,09 para custear o trabalho dos seus vereadores.
Toda vez que um vereador resolve homenagear fulano, dar o nome de uma rua a sicrano ou conceder uma honraria a beltrano, esta ação custa ao bolso do trabalhador campo-grandense uma pequena fortuna que, somada ao custo de manutenção dos nobres vereadores, acaba levantando dúvidas sobre se eles realmente valem o salário que recebem.
De janeiro de 2011 até o início de maio de 2012, os vereadores de Campo Grande fizeram o que de melhor fazem: apresentaram projetos que distribuíram 117 medalhas de mérito advocatício, títulos de visitante ilustre e de cidadão campo-grandense. Cada um destes mimos custou aos cofres públicos R$ 111.872,00.
Isso ocorre, pois, para estes vereadores, a população é mera coadjuvante. Um apêndice, um incômodo a ser tolerado nas parcas audiências públicas; claque a ser explorada nas muitas sessões solenes, homenagens e distribuições de medalhas que, como ninguém, eles sabem organizar e divulgar.
Por isso, quando a sociedade se organiza e levanta sua voz contra absurdos como o aumento salarial de 66% que os vereadores campo-grandenses pretendem votar em dezembro, nossos representantes se sentem acuados, atacam ao invés de ouvirem a voz das ruas.
Foi o que aconteceu no último dia 29, quando integrantes do grupo Movimento Voluntário foram tratados com desdém na Câmara. O movimento - formado por cidadãos indignados com o aumento proposto pelos vereadores a si próprios - representa uma imensa massa silenciosa que refuta este reajuste absurdo que, embora legal, é imoral.
"Na fantasia em que vivem os vereadores, reajuste salarial deve ser decidido sem o aval do eleitor"
No mundo real, os trabalhadores tem todo o direito de reivindicar reajustes salariais. Para isso, organizam-se em sindicatos com o fim de fortalecer suas demandas frente às entidades patronais. Trazendo para o microcosmo das relações interpessoais, um aumento salarial é algo a ser negociado diretamente com o patrão, com base em argumentos vários, em especial a excelência do trabalho de quem pleiteia o aumento.
No mundo de fantasia em que vive o grosso dos vereadores de Campo Grande (MS), reajuste salarial é algo a ser definido de acordo com seu próprio interesse, em reuniões fechadas, sem o aval de quem por direito deveria ser tratado como patrão: o povo. Acontece que a contribuição que a maior parte deste pessoal dá à comunidade é rasteira. Eles não merecem aumento salarial. Recente reportagem da Semana Online mostrou isso claramente (veja aqui).
Entre janeiro de 2011 e maio 2012 a engrenagem que faz funcionar o legislativo municipal consumiu R$ 55.936 milhões. Em média, os vereadores campo-grandenses custam R$ 1.942.857,00 por ano aos cofres públicos, incluindo a ajuda de custo nas férias - de R$ 9.288,00 para cada vereador - por recesso. Seguindo a metodologia do site “Excelências.org”, que mapeia o custo individual por parlamentar, no período citado cada um dos 786.797 campo-grandenses gastou R$ 71,09 para custear o trabalho dos seus vereadores.
Toda vez que um vereador resolve homenagear fulano, dar o nome de uma rua a sicrano ou conceder uma honraria a beltrano, esta ação custa ao bolso do trabalhador campo-grandense uma pequena fortuna que, somada ao custo de manutenção dos nobres vereadores, acaba levantando dúvidas sobre se eles realmente valem o salário que recebem.
De janeiro de 2011 até o início de maio de 2012, os vereadores de Campo Grande fizeram o que de melhor fazem: apresentaram projetos que distribuíram 117 medalhas de mérito advocatício, títulos de visitante ilustre e de cidadão campo-grandense. Cada um destes mimos custou aos cofres públicos R$ 111.872,00.
Isso ocorre, pois, para estes vereadores, a população é mera coadjuvante. Um apêndice, um incômodo a ser tolerado nas parcas audiências públicas; claque a ser explorada nas muitas sessões solenes, homenagens e distribuições de medalhas que, como ninguém, eles sabem organizar e divulgar.
Por isso, quando a sociedade se organiza e levanta sua voz contra absurdos como o aumento salarial de 66% que os vereadores campo-grandenses pretendem votar em dezembro, nossos representantes se sentem acuados, atacam ao invés de ouvirem a voz das ruas.
Foi o que aconteceu no último dia 29, quando integrantes do grupo Movimento Voluntário foram tratados com desdém na Câmara. O movimento - formado por cidadãos indignados com o aumento proposto pelos vereadores a si próprios - representa uma imensa massa silenciosa que refuta este reajuste absurdo que, embora legal, é imoral.
domingo, 25 de novembro de 2012
Últimas leituras, resenhas e dicas literárias
2014
- Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
2013
- Ponto de impacto - Dan Brown
- Inferno - Dan Brown
- Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos - Luis Fernando Veríssimo
- Getúlio: 1930-1945. Do governo provisório à ditadura do Estado Novo - Lira Neto
- O vento pela fechadura - Stephen King
- O contrário da morte - Roberto Saviano
- Gomorra - Roberto Saviano
- A Ira dos Justos - Manel Loureiro
- Os dias escuros - Manel Loureiro
- A passagem - Justin Cronin
- Dirceu: a Biografia - Otávio Cabral
- Deixa ela entrar - John Ajvide Lindqvist
- Apocalipse Z - Manel Loureiro
- 50 anos a mil - Lobão
- Getúlio: 1882-1930. Dos anos de formação à conquista do poder – Lira Neto
- World War Z - Max Brooks
- O começo do tempo - Zecharia Sitchin
- Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo - Mário Magalhães
- O ciberespaço como fonte para jornalistas - Elias Machado
- Lincoln - Doris Kearns Goodwin
- A conversação em rede - Raquel Recuero
- O caminho para Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Lendo Lolita em Teerã - Azar Nafisi
- Duma Key - Stephen King
- Diálogos Impossíveis - Luis Fernando Veríssimo
- O segredo da pirâmide - Adelmo Genro Filho
- A identidade cultural na pós-modernidade - Stuart Hall
- Opinião Pública - Walter Lippmann
- A mesa voadora - Luis Fernando Veríssimo
- Livros de sangue V - Clive Barker
- O sol também se levanta - Ernest Hemingway
- Mortos entre vivos - John Ajvide Lindqvist
- Grandes Esperanças - Charles Dickens
2012
- Redes sociais na internet - Raquel Recuero
- Teorias do Jornalismo: porque as notícias são como são - Nelson Traquina
- Livros de sangue IV - Clive Barker
- O rei da montanha - Farah
- A zona morta - Stephen King
- Notícia de um sequestro - Gabriel García Márquez
- Guerra dos Tronos 5: A dança dos dragões - George R.R. Martin
- Os filhos dos dias - Eduardo Galeano
- Deuses Americanos - Neil Gaiman
- A morte da luz - George R.R. Martin
- A auto-estrada - Stephen King
- Nova Antologia do Conto Russo - Organizado por Bruno Barreto Gomide
- Che Guevara: uma biografia - Jon Lee Anderson
- Ao cair da noite - Stephen King
- Jack Kerouac: king of the beats - Barry Miles
- Guia politicamente incorreto da história do Brasil - Leandro Narloch
- Band of Brothers - Stephen E. Ambrose
- Dia D - Antony Beevor
- Animal Tropical - Pedro Juan Gutiérrez
- O Rei de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Lancaster & York: The War of the Roses - Alison Weir
- A ascenção do Governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Love - Stephen King
- De Cuba, com Carinho - Yoani Sánchez
- Chatô: o Rei do Brasil - Fernando Morais
- No coração do mar - Nathaniel Philbrick
- O caminho para o céu - Zecharia Sitchin
- Moby Dick - Herman Melville
- Devoradores de Mortos - Michael Crichton
- Coisas Frágeis - Neil Gaiman
- O Lobo do Mar - Jack London
- Guerra dos Tronos 4: O Festim dos Corvos - George R.R. Martin
- Almas Mortas - Nikolai Gógol
- O 12º Planeta - Zecharia Sitchin
- O Duplo - Fiódor Dostoievski
- Battle Cry of Freedom: The Civil War Era - James M. McPershon
2011
- Guerra dos Tronos 3: A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 2: A Fúria dos Reis - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 1: As Crônicas de Gelo e Fogo - George R.R. Martin
- Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
- The Last Full Measure - Jeff Shaara
- The Killer Angels - Michael Shaara
- Gods and Generals - Jeff Shaara
- Cidades da Planície - Cormac McCarthy
- A Travessia - Cormac McCarthy
- Todos os belos cavalos - Cormac McCarthy
- O emblema vermelho da coragem - Stephen Crane
- O Capote e outras histórias - Nikolai Gógol
- Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
2013
- Ponto de impacto - Dan Brown
- Inferno - Dan Brown
- Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos - Luis Fernando Veríssimo
- Getúlio: 1930-1945. Do governo provisório à ditadura do Estado Novo - Lira Neto
- O vento pela fechadura - Stephen King
- O contrário da morte - Roberto Saviano
- Gomorra - Roberto Saviano
- A Ira dos Justos - Manel Loureiro
- Os dias escuros - Manel Loureiro
- A passagem - Justin Cronin
- Dirceu: a Biografia - Otávio Cabral
- Deixa ela entrar - John Ajvide Lindqvist
- Apocalipse Z - Manel Loureiro
- 50 anos a mil - Lobão
- Getúlio: 1882-1930. Dos anos de formação à conquista do poder – Lira Neto
- World War Z - Max Brooks
- O começo do tempo - Zecharia Sitchin
- Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo - Mário Magalhães
- O ciberespaço como fonte para jornalistas - Elias Machado
- Lincoln - Doris Kearns Goodwin
- A conversação em rede - Raquel Recuero
- O caminho para Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Lendo Lolita em Teerã - Azar Nafisi
- Duma Key - Stephen King
- Diálogos Impossíveis - Luis Fernando Veríssimo
- O segredo da pirâmide - Adelmo Genro Filho
- A identidade cultural na pós-modernidade - Stuart Hall
- Opinião Pública - Walter Lippmann
- A mesa voadora - Luis Fernando Veríssimo
- Livros de sangue V - Clive Barker
- O sol também se levanta - Ernest Hemingway
- Mortos entre vivos - John Ajvide Lindqvist
- Grandes Esperanças - Charles Dickens
2012
- Redes sociais na internet - Raquel Recuero
- Teorias do Jornalismo: porque as notícias são como são - Nelson Traquina
- Livros de sangue IV - Clive Barker
- O rei da montanha - Farah
- A zona morta - Stephen King
- Notícia de um sequestro - Gabriel García Márquez
- Guerra dos Tronos 5: A dança dos dragões - George R.R. Martin
- Os filhos dos dias - Eduardo Galeano
- Deuses Americanos - Neil Gaiman
- A morte da luz - George R.R. Martin
- A auto-estrada - Stephen King
- Nova Antologia do Conto Russo - Organizado por Bruno Barreto Gomide
- Che Guevara: uma biografia - Jon Lee Anderson
- Ao cair da noite - Stephen King
- Jack Kerouac: king of the beats - Barry Miles
- Guia politicamente incorreto da história do Brasil - Leandro Narloch
- Band of Brothers - Stephen E. Ambrose
- Dia D - Antony Beevor
- Animal Tropical - Pedro Juan Gutiérrez
- O Rei de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Lancaster & York: The War of the Roses - Alison Weir
- A ascenção do Governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Love - Stephen King
- De Cuba, com Carinho - Yoani Sánchez
- Chatô: o Rei do Brasil - Fernando Morais
- No coração do mar - Nathaniel Philbrick
- O caminho para o céu - Zecharia Sitchin
- Moby Dick - Herman Melville
- Devoradores de Mortos - Michael Crichton
- Coisas Frágeis - Neil Gaiman
- O Lobo do Mar - Jack London
- Guerra dos Tronos 4: O Festim dos Corvos - George R.R. Martin
- Almas Mortas - Nikolai Gógol
- O 12º Planeta - Zecharia Sitchin
- O Duplo - Fiódor Dostoievski
- Battle Cry of Freedom: The Civil War Era - James M. McPershon
2011
- Guerra dos Tronos 3: A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 2: A Fúria dos Reis - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 1: As Crônicas de Gelo e Fogo - George R.R. Martin
- Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
- The Last Full Measure - Jeff Shaara
- The Killer Angels - Michael Shaara
- Gods and Generals - Jeff Shaara
- Cidades da Planície - Cormac McCarthy
- A Travessia - Cormac McCarthy
- Todos os belos cavalos - Cormac McCarthy
- O emblema vermelho da coragem - Stephen Crane
- O Capote e outras histórias - Nikolai Gógol
- Napoleão: uma biografia política - Steave Englund
- O Messias de Duna - Frank Herbert
- Under the Dome - Stephen King
2010
- Duna - Frank Herbert
- Crime e Castigo - Fiódor Dostoievski
- O concorrente - Stephen King
- Meridiano de sangue - Cormac McCarthy
- Onde os velhos não têm vez - Cormac McCarthy
- Deuses, espaçonaves e terra: Provas de Dänichen - Erich Von Dänichen
- Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa
- Uma vida - Guy de Maupassant
- O Messias de Duna - Frank Herbert
- Under the Dome - Stephen King
2010
- Duna - Frank Herbert
- Crime e Castigo - Fiódor Dostoievski
- O concorrente - Stephen King
- Meridiano de sangue - Cormac McCarthy
- Onde os velhos não têm vez - Cormac McCarthy
- Deuses, espaçonaves e terra: Provas de Dänichen - Erich Von Dänichen
- Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa
- Uma vida - Guy de Maupassant
- Dänichen em julgamento - Erich Von Dänichen
- De volta às estrelas - Erich Von Däniken
- Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken
- A Estrada – Cormac McCarthy
- Pobre Nação – Robert Fisk
- História da Palestina moderna – Ilan Pappe
- A menina que roubava livros – Markus Zusak
- O Tradutor – Daoud Hari
- Numa fria – Charles Bukowski
- Crônica de um amor louco – Charles Bukowski
- A Estrada – Cormac McCarthy
- Pobre Nação – Robert Fisk
- História da Palestina moderna – Ilan Pappe
- A menina que roubava livros – Markus Zusak
- O Tradutor – Daoud Hari
- Numa fria – Charles Bukowski
- Crônica de um amor louco – Charles Bukowski
2009
- O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
- Guerra e Paz – Leon Tolstoi
- Vidas Secas - Graciliano Ramos
- Adeus Robinson e outras peças curtas - Júlio Cortazar
- Leoa ou gazela – Flávia Perez
- As ruínas - Scott Smith
- O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
- 1808 - Laurentino Gomes
- Confissões de um assassino econômico - John Perkins
- O mundo sem nós - Alan Weisman
- Vigiar e Punir - Michel Foucault
- O Silmarillion - JRR Tolkien
- A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
- 29 Fragmentos - Alyne Costa
- Drácula - Bram Stoker
- Tarás Bulba - Nikolai Gógol
- O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
- Guerra e Paz – Leon Tolstoi
- Vidas Secas - Graciliano Ramos
- Adeus Robinson e outras peças curtas - Júlio Cortazar
- Leoa ou gazela – Flávia Perez
- As ruínas - Scott Smith
- O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
- 1808 - Laurentino Gomes
- Confissões de um assassino econômico - John Perkins
- O mundo sem nós - Alan Weisman
- Vigiar e Punir - Michel Foucault
- O Silmarillion - JRR Tolkien
- A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
- 29 Fragmentos - Alyne Costa
- Drácula - Bram Stoker
- Tarás Bulba - Nikolai Gógol
Morte anunciada?
Morte anunciada?
"Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa morto em Mato Grosso do Sul este ano"
Gravíssimo o assassinato do proprietário do jornal UH News, Eduardo Carvalho, na noite do último dia 22, em Campo Grande (MS). Além da violência inerente ao crime, Mato Grosso do Sul fica caracterizado como um dos Estados mais perigosos para o exercício do Jornalismo.
Não cabem agora argumentos sobre que tipo de Jornalismo era praticado por Carvalhinho, se ele tinha ou não DRT, se ele era ou não jornalista de fato. Estamos diante de um crime bárbaro que, em consequência, estimula os donos do poder a imporem a lei do silêncio entre jornalistas e veículos de comunicação.
Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa assassinado em Mato Grosso do Sul neste ano. No dia 14 de fevereiro, o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, de 51 anos, foi morto com 12 tiros em Ponta Porã. Ele era fundador do site de notícias "Mercosulnews" e editor-chefe do diário "Jornal da Praça". No dia 5 de outubro, Luiz Henrique Georges, empresário e também diretor do Jornal da Praça, foi executado com vários tiros de fuzil em Ponta Porã.
Parafraseando o jornalista Eser Cáceres, “já passou do momento dos jornalistas, sem maniqueísmos de coloração ideológica-partidária, se manifestarem contra a facilidade dos crimes de pistolagem em Mato Grosso do Sul”. Ele tem razão.
Mato Grosso do Sul avança rumo à modernidade a passo de cágado, mas é ainda mais lento na resolução de crimes cujas autorias e motivações circulam a boca miúda nas esquinas, nas mesas de bar e mesmo dentro das redações de nossos periódicos.
Após o assassinato de Eduardo Carvalho, houve quem chegasse ao cúmulo de atribuir a culpa da morte ao próprio morto. Volto a dizer: não acabem aqui elucubrações sobre a qualidade do Jornalismo praticado por ele em seu site de notícias.
Recentemente, um levantamento do Committee to Protect Journalists (CPJ) mostrou que o Brasil é o 11º país do mundo onde os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes. De acordo com o CPJ, cinco mortes de jornalistas nos últimos dez anos não resultaram em nenhuma condenação no país.
Duas dessas mortes aconteceram no ano passado: a do dirigente petista e editor Edinaldo Filgueira do jornal "O Serrano", que foi assassinado em Serra do Mel (252 km de Natal-RN). Também não foi solucionada a morte do apresentador de TV e radialista Luciano Leitão Pedrosa, de Pernambuco, morto em abril do ano passado na cidade de Vitória de Santo Antão (47 km de Recife-PE).
As mortes de Eduardo Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Henrique Georges irão emoldurar o próximo levantamento do CPJ?
Calar diante destes crimes é colaborar diretamente para que continuemos sepultando jornalistas. Para fazer parte desta estatística basta incomodar os donos do poder político e econômico. Tarefa do bom Jornalismo, certo?
"Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa morto em Mato Grosso do Sul este ano"
Gravíssimo o assassinato do proprietário do jornal UH News, Eduardo Carvalho, na noite do último dia 22, em Campo Grande (MS). Além da violência inerente ao crime, Mato Grosso do Sul fica caracterizado como um dos Estados mais perigosos para o exercício do Jornalismo.
Não cabem agora argumentos sobre que tipo de Jornalismo era praticado por Carvalhinho, se ele tinha ou não DRT, se ele era ou não jornalista de fato. Estamos diante de um crime bárbaro que, em consequência, estimula os donos do poder a imporem a lei do silêncio entre jornalistas e veículos de comunicação.
Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa assassinado em Mato Grosso do Sul neste ano. No dia 14 de fevereiro, o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, de 51 anos, foi morto com 12 tiros em Ponta Porã. Ele era fundador do site de notícias "Mercosulnews" e editor-chefe do diário "Jornal da Praça". No dia 5 de outubro, Luiz Henrique Georges, empresário e também diretor do Jornal da Praça, foi executado com vários tiros de fuzil em Ponta Porã.
Parafraseando o jornalista Eser Cáceres, “já passou do momento dos jornalistas, sem maniqueísmos de coloração ideológica-partidária, se manifestarem contra a facilidade dos crimes de pistolagem em Mato Grosso do Sul”. Ele tem razão.
Mato Grosso do Sul avança rumo à modernidade a passo de cágado, mas é ainda mais lento na resolução de crimes cujas autorias e motivações circulam a boca miúda nas esquinas, nas mesas de bar e mesmo dentro das redações de nossos periódicos.
Após o assassinato de Eduardo Carvalho, houve quem chegasse ao cúmulo de atribuir a culpa da morte ao próprio morto. Volto a dizer: não acabem aqui elucubrações sobre a qualidade do Jornalismo praticado por ele em seu site de notícias.
Recentemente, um levantamento do Committee to Protect Journalists (CPJ) mostrou que o Brasil é o 11º país do mundo onde os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes. De acordo com o CPJ, cinco mortes de jornalistas nos últimos dez anos não resultaram em nenhuma condenação no país.
Duas dessas mortes aconteceram no ano passado: a do dirigente petista e editor Edinaldo Filgueira do jornal "O Serrano", que foi assassinado em Serra do Mel (252 km de Natal-RN). Também não foi solucionada a morte do apresentador de TV e radialista Luciano Leitão Pedrosa, de Pernambuco, morto em abril do ano passado na cidade de Vitória de Santo Antão (47 km de Recife-PE).
As mortes de Eduardo Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Henrique Georges irão emoldurar o próximo levantamento do CPJ?
Calar diante destes crimes é colaborar diretamente para que continuemos sepultando jornalistas. Para fazer parte desta estatística basta incomodar os donos do poder político e econômico. Tarefa do bom Jornalismo, certo?
Holocausto Palestino
Holocausto Palestino
"Novamente, a negação de Israel a um Estado Palestino leva a região a uma explosão de ódio"
Mais uma vez o medo prevalece na tênue fronteira que divide israelenses e palestinos. A fórmula é sempre a mesma. O Exército israelense iniciou os bombardeios à Gaza no dia 14 atacando vários alvos e matando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, 52. Ele foi atingido por um míssil enquanto circulava de carro. O ataque foi seguido por dezenas de outros, contra “instalações militares”, “depósitos de armas” e “plataformas de lançamento de foguetes”. Outros 15 palestinos morreram durante a operação batizada de "Pilar de Defesa", entre eles seis crianças...
Na manhã seguinte, o Hamas lançou um foguete que matou três israelenses a norte de Gaza. Horas depois, pelo menos um foguete foi lançado com direção à capital Tel Aviv, fazendo soarem os alarmes antiaéreos pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Houve pânico, e a TV israelense exibiu imagens de pessoas jogadas no chão, no centro de Tel Aviv, enquanto as sirenes soavam. Informações preliminares da polícia israelense dão conta de que o projétil caiu no mar. Não houve vítimas.
Este cenário de horror é o resultado direto da política de intransigência israelense, que nos últimos 40 anos têm transformado os palestinos em estrangeiros em sua própria terra. Esta política, que tem base na construção de assentamentos - que a ONU já classificou como ilegais – e na negação da identidade palestina, cria, do outro lado, o terreno ideal para o florescimento do radicalismo islâmico, tão pernicioso quando o sionismo.
A solução para este conflito não virá enquanto Israel não abrir mão do sonho sionista de estabelecer Eretez Israel, a grande Israel bíblica. A única saída possível está na convivência entre israelenses e palestinos a partir do estabelecimento de um Estado Palestino autônomo e independente e do estabelecimento de fronteiras entre estas duas nações soberanas. Ninguém em sã consciência condenaria Israel pela violação de suas fronteiras legais. Ninguém em sã consciência pode deixar de condenar o país diante da política de esfacelamento econômico e cultural que promove contra a populações de Gaza e da Cisjordância.
Enquanto o bom senso não prevalece, o mundo, mais uma vez, assiste de sua confortável poltrona o pavoroso espetáculo da guerra. Os números traduzem o holocausto palestino. Dá última vez que o exército israelense cruzou a “fronteira”, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, deixou para trás mais de 1.300 palestinos mortos e 5.000 feridos na faixa de Gaza. Segundo o Centro Palestino para Direitos Humanos - e muitas outras instituições internacionais sólidas e confiáveis - metade destas vítimas era civil. Morreram também 13 israelenses, sendo três civis.
Estamos, agora, às portas de um novo massacre? Diante de um novo cessar-fogo? De novas declarações unilaterais? De novos apelos contra o "terrorismo islâmico"? Depois que os mortos forem enterrados e esquecidos ouviremos dos próceres do Ocidente novas exortações à paz? O ciclo se repetirá com a eterna cantilena dos vitoriosos, com o constante lamento dos derrotados?
"Novamente, a negação de Israel a um Estado Palestino leva a região a uma explosão de ódio"
Mais uma vez o medo prevalece na tênue fronteira que divide israelenses e palestinos. A fórmula é sempre a mesma. O Exército israelense iniciou os bombardeios à Gaza no dia 14 atacando vários alvos e matando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, 52. Ele foi atingido por um míssil enquanto circulava de carro. O ataque foi seguido por dezenas de outros, contra “instalações militares”, “depósitos de armas” e “plataformas de lançamento de foguetes”. Outros 15 palestinos morreram durante a operação batizada de "Pilar de Defesa", entre eles seis crianças...
Na manhã seguinte, o Hamas lançou um foguete que matou três israelenses a norte de Gaza. Horas depois, pelo menos um foguete foi lançado com direção à capital Tel Aviv, fazendo soarem os alarmes antiaéreos pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Houve pânico, e a TV israelense exibiu imagens de pessoas jogadas no chão, no centro de Tel Aviv, enquanto as sirenes soavam. Informações preliminares da polícia israelense dão conta de que o projétil caiu no mar. Não houve vítimas.
Este cenário de horror é o resultado direto da política de intransigência israelense, que nos últimos 40 anos têm transformado os palestinos em estrangeiros em sua própria terra. Esta política, que tem base na construção de assentamentos - que a ONU já classificou como ilegais – e na negação da identidade palestina, cria, do outro lado, o terreno ideal para o florescimento do radicalismo islâmico, tão pernicioso quando o sionismo.
A solução para este conflito não virá enquanto Israel não abrir mão do sonho sionista de estabelecer Eretez Israel, a grande Israel bíblica. A única saída possível está na convivência entre israelenses e palestinos a partir do estabelecimento de um Estado Palestino autônomo e independente e do estabelecimento de fronteiras entre estas duas nações soberanas. Ninguém em sã consciência condenaria Israel pela violação de suas fronteiras legais. Ninguém em sã consciência pode deixar de condenar o país diante da política de esfacelamento econômico e cultural que promove contra a populações de Gaza e da Cisjordância.
Enquanto o bom senso não prevalece, o mundo, mais uma vez, assiste de sua confortável poltrona o pavoroso espetáculo da guerra. Os números traduzem o holocausto palestino. Dá última vez que o exército israelense cruzou a “fronteira”, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, deixou para trás mais de 1.300 palestinos mortos e 5.000 feridos na faixa de Gaza. Segundo o Centro Palestino para Direitos Humanos - e muitas outras instituições internacionais sólidas e confiáveis - metade destas vítimas era civil. Morreram também 13 israelenses, sendo três civis.
Estamos, agora, às portas de um novo massacre? Diante de um novo cessar-fogo? De novas declarações unilaterais? De novos apelos contra o "terrorismo islâmico"? Depois que os mortos forem enterrados e esquecidos ouviremos dos próceres do Ocidente novas exortações à paz? O ciclo se repetirá com a eterna cantilena dos vitoriosos, com o constante lamento dos derrotados?
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