Ridículos tiranos
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. Ela se transformou em um lodaçal
Não há outro tema nesta semana que mereça mais figurar neste espaço do que a sordidez com que os 21 vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande aprovaram, no apagar das luzes, na surdina, o aumento de seus próprios salários em 61,9%.
O presidente da Casa, vereador Paulo Siufi (PMDB) havia garantido aos cidadãos que foram à Câmara protestar contra este reajuste imoral que a votação seria divulgada previamente. Mentiu.
Incrível perceber que apesar de milhares de manifestações indignadas que pulularam pelo Facebook (apenas uma postagem da Semana Online – veja aqui – foi compartilhada quase 1700 vezes), nenhum vereador se dignou a dar uma resposta à população.
Estes, que usam as mídias sociais para fazer proselitismo de suas parcas ações parlamentares e de suas vastas papagaiadas assistencialistas, não se dignaram a escrever uma linha sequer como resposta aos eleitores. São estes os que têm a certeza absoluta de que o eleitor esquecerá este acinte em poucos dias.
Infelizmente eles têm razão. A imensa maioria das pessoas terá esquecido nas próximas semanas tudo o que ocorreu. Restará apenas uma vaga sensação de impotência, um tênue desgosto que se revelará sempre que a palavra política for proferida.
É deste esquecimento, desta inércia, que sobrevivem os políticos profissionais que se apossaram de nossas instâncias políticas. É dela, desta pasmaceira, desta quase tristeza cívica, que eles tiram o sustento para solapar a cada dia a nossa cidadania.
Não se enganem, não há bons moços na política partidária. No Brasil, ela se transformou em um lamaçal no qual chafurdam os imorais de caráter, no qual os bem intencionados desmoronam num piscar de olhos. Esqueçam os bons moços, esqueçam as promessas de oportunidade.
Enquanto a reforma política mofa nas gavetas e se transfigura em arremedos que vão sendo acordados entre os poderosos de modo a que tudo continue como é, vai surgindo um novo campo para a práxis política. Esta nova ágora é digital, anárquica, uma babel.
As redes sociais vão propiciar uma transformação no modo como o cidadão se relacionará com seus representantes. Não, esta revolução ainda não está acontecendo de fato. Estamos arranhando a superfície.
Mas chegará o dia em que a sociedade civil organizada irá aplicar, por meio da rede, ao menos em parte, a democracia direta que alguns trazem na ponta da língua mas que temem aplicar, temerosos por perder suas benesses. É inevitável.
Neste dia, iremos olhar para trás e ficaremos estupefatos com o passado, quando permitiamos que um grupo de cidadãos apontados por nós mesmos para representar-nos nas instâncias políticas se transformassem em ridículos tiranos.
sábado, 8 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Eles merecem 66% de aumento?
Eles merecem 66% de aumento?
"Na fantasia em que vivem os vereadores, reajuste salarial deve ser decidido sem o aval do eleitor"
No mundo real, os trabalhadores tem todo o direito de reivindicar reajustes salariais. Para isso, organizam-se em sindicatos com o fim de fortalecer suas demandas frente às entidades patronais. Trazendo para o microcosmo das relações interpessoais, um aumento salarial é algo a ser negociado diretamente com o patrão, com base em argumentos vários, em especial a excelência do trabalho de quem pleiteia o aumento.
No mundo de fantasia em que vive o grosso dos vereadores de Campo Grande (MS), reajuste salarial é algo a ser definido de acordo com seu próprio interesse, em reuniões fechadas, sem o aval de quem por direito deveria ser tratado como patrão: o povo. Acontece que a contribuição que a maior parte deste pessoal dá à comunidade é rasteira. Eles não merecem aumento salarial. Recente reportagem da Semana Online mostrou isso claramente (veja aqui).
Entre janeiro de 2011 e maio 2012 a engrenagem que faz funcionar o legislativo municipal consumiu R$ 55.936 milhões. Em média, os vereadores campo-grandenses custam R$ 1.942.857,00 por ano aos cofres públicos, incluindo a ajuda de custo nas férias - de R$ 9.288,00 para cada vereador - por recesso. Seguindo a metodologia do site “Excelências.org”, que mapeia o custo individual por parlamentar, no período citado cada um dos 786.797 campo-grandenses gastou R$ 71,09 para custear o trabalho dos seus vereadores.
Toda vez que um vereador resolve homenagear fulano, dar o nome de uma rua a sicrano ou conceder uma honraria a beltrano, esta ação custa ao bolso do trabalhador campo-grandense uma pequena fortuna que, somada ao custo de manutenção dos nobres vereadores, acaba levantando dúvidas sobre se eles realmente valem o salário que recebem.
De janeiro de 2011 até o início de maio de 2012, os vereadores de Campo Grande fizeram o que de melhor fazem: apresentaram projetos que distribuíram 117 medalhas de mérito advocatício, títulos de visitante ilustre e de cidadão campo-grandense. Cada um destes mimos custou aos cofres públicos R$ 111.872,00.
Isso ocorre, pois, para estes vereadores, a população é mera coadjuvante. Um apêndice, um incômodo a ser tolerado nas parcas audiências públicas; claque a ser explorada nas muitas sessões solenes, homenagens e distribuições de medalhas que, como ninguém, eles sabem organizar e divulgar.
Por isso, quando a sociedade se organiza e levanta sua voz contra absurdos como o aumento salarial de 66% que os vereadores campo-grandenses pretendem votar em dezembro, nossos representantes se sentem acuados, atacam ao invés de ouvirem a voz das ruas.
Foi o que aconteceu no último dia 29, quando integrantes do grupo Movimento Voluntário foram tratados com desdém na Câmara. O movimento - formado por cidadãos indignados com o aumento proposto pelos vereadores a si próprios - representa uma imensa massa silenciosa que refuta este reajuste absurdo que, embora legal, é imoral.
"Na fantasia em que vivem os vereadores, reajuste salarial deve ser decidido sem o aval do eleitor"
No mundo real, os trabalhadores tem todo o direito de reivindicar reajustes salariais. Para isso, organizam-se em sindicatos com o fim de fortalecer suas demandas frente às entidades patronais. Trazendo para o microcosmo das relações interpessoais, um aumento salarial é algo a ser negociado diretamente com o patrão, com base em argumentos vários, em especial a excelência do trabalho de quem pleiteia o aumento.
No mundo de fantasia em que vive o grosso dos vereadores de Campo Grande (MS), reajuste salarial é algo a ser definido de acordo com seu próprio interesse, em reuniões fechadas, sem o aval de quem por direito deveria ser tratado como patrão: o povo. Acontece que a contribuição que a maior parte deste pessoal dá à comunidade é rasteira. Eles não merecem aumento salarial. Recente reportagem da Semana Online mostrou isso claramente (veja aqui).
Entre janeiro de 2011 e maio 2012 a engrenagem que faz funcionar o legislativo municipal consumiu R$ 55.936 milhões. Em média, os vereadores campo-grandenses custam R$ 1.942.857,00 por ano aos cofres públicos, incluindo a ajuda de custo nas férias - de R$ 9.288,00 para cada vereador - por recesso. Seguindo a metodologia do site “Excelências.org”, que mapeia o custo individual por parlamentar, no período citado cada um dos 786.797 campo-grandenses gastou R$ 71,09 para custear o trabalho dos seus vereadores.
Toda vez que um vereador resolve homenagear fulano, dar o nome de uma rua a sicrano ou conceder uma honraria a beltrano, esta ação custa ao bolso do trabalhador campo-grandense uma pequena fortuna que, somada ao custo de manutenção dos nobres vereadores, acaba levantando dúvidas sobre se eles realmente valem o salário que recebem.
De janeiro de 2011 até o início de maio de 2012, os vereadores de Campo Grande fizeram o que de melhor fazem: apresentaram projetos que distribuíram 117 medalhas de mérito advocatício, títulos de visitante ilustre e de cidadão campo-grandense. Cada um destes mimos custou aos cofres públicos R$ 111.872,00.
Isso ocorre, pois, para estes vereadores, a população é mera coadjuvante. Um apêndice, um incômodo a ser tolerado nas parcas audiências públicas; claque a ser explorada nas muitas sessões solenes, homenagens e distribuições de medalhas que, como ninguém, eles sabem organizar e divulgar.
Por isso, quando a sociedade se organiza e levanta sua voz contra absurdos como o aumento salarial de 66% que os vereadores campo-grandenses pretendem votar em dezembro, nossos representantes se sentem acuados, atacam ao invés de ouvirem a voz das ruas.
Foi o que aconteceu no último dia 29, quando integrantes do grupo Movimento Voluntário foram tratados com desdém na Câmara. O movimento - formado por cidadãos indignados com o aumento proposto pelos vereadores a si próprios - representa uma imensa massa silenciosa que refuta este reajuste absurdo que, embora legal, é imoral.
domingo, 25 de novembro de 2012
Últimas leituras, resenhas e dicas literárias
2014
- Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
2013
- Ponto de impacto - Dan Brown
- Inferno - Dan Brown
- Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos - Luis Fernando Veríssimo
- Getúlio: 1930-1945. Do governo provisório à ditadura do Estado Novo - Lira Neto
- O vento pela fechadura - Stephen King
- O contrário da morte - Roberto Saviano
- Gomorra - Roberto Saviano
- A Ira dos Justos - Manel Loureiro
- Os dias escuros - Manel Loureiro
- A passagem - Justin Cronin
- Dirceu: a Biografia - Otávio Cabral
- Deixa ela entrar - John Ajvide Lindqvist
- Apocalipse Z - Manel Loureiro
- 50 anos a mil - Lobão
- Getúlio: 1882-1930. Dos anos de formação à conquista do poder – Lira Neto
- World War Z - Max Brooks
- O começo do tempo - Zecharia Sitchin
- Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo - Mário Magalhães
- O ciberespaço como fonte para jornalistas - Elias Machado
- Lincoln - Doris Kearns Goodwin
- A conversação em rede - Raquel Recuero
- O caminho para Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Lendo Lolita em Teerã - Azar Nafisi
- Duma Key - Stephen King
- Diálogos Impossíveis - Luis Fernando Veríssimo
- O segredo da pirâmide - Adelmo Genro Filho
- A identidade cultural na pós-modernidade - Stuart Hall
- Opinião Pública - Walter Lippmann
- A mesa voadora - Luis Fernando Veríssimo
- Livros de sangue V - Clive Barker
- O sol também se levanta - Ernest Hemingway
- Mortos entre vivos - John Ajvide Lindqvist
- Grandes Esperanças - Charles Dickens
2012
- Redes sociais na internet - Raquel Recuero
- Teorias do Jornalismo: porque as notícias são como são - Nelson Traquina
- Livros de sangue IV - Clive Barker
- O rei da montanha - Farah
- A zona morta - Stephen King
- Notícia de um sequestro - Gabriel García Márquez
- Guerra dos Tronos 5: A dança dos dragões - George R.R. Martin
- Os filhos dos dias - Eduardo Galeano
- Deuses Americanos - Neil Gaiman
- A morte da luz - George R.R. Martin
- A auto-estrada - Stephen King
- Nova Antologia do Conto Russo - Organizado por Bruno Barreto Gomide
- Che Guevara: uma biografia - Jon Lee Anderson
- Ao cair da noite - Stephen King
- Jack Kerouac: king of the beats - Barry Miles
- Guia politicamente incorreto da história do Brasil - Leandro Narloch
- Band of Brothers - Stephen E. Ambrose
- Dia D - Antony Beevor
- Animal Tropical - Pedro Juan Gutiérrez
- O Rei de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Lancaster & York: The War of the Roses - Alison Weir
- A ascenção do Governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Love - Stephen King
- De Cuba, com Carinho - Yoani Sánchez
- Chatô: o Rei do Brasil - Fernando Morais
- No coração do mar - Nathaniel Philbrick
- O caminho para o céu - Zecharia Sitchin
- Moby Dick - Herman Melville
- Devoradores de Mortos - Michael Crichton
- Coisas Frágeis - Neil Gaiman
- O Lobo do Mar - Jack London
- Guerra dos Tronos 4: O Festim dos Corvos - George R.R. Martin
- Almas Mortas - Nikolai Gógol
- O 12º Planeta - Zecharia Sitchin
- O Duplo - Fiódor Dostoievski
- Battle Cry of Freedom: The Civil War Era - James M. McPershon
2011
- Guerra dos Tronos 3: A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 2: A Fúria dos Reis - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 1: As Crônicas de Gelo e Fogo - George R.R. Martin
- Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
- The Last Full Measure - Jeff Shaara
- The Killer Angels - Michael Shaara
- Gods and Generals - Jeff Shaara
- Cidades da Planície - Cormac McCarthy
- A Travessia - Cormac McCarthy
- Todos os belos cavalos - Cormac McCarthy
- O emblema vermelho da coragem - Stephen Crane
- O Capote e outras histórias - Nikolai Gógol
- Os Irmãos Karamázov - Fiódor Dostoiévski
2013
- Ponto de impacto - Dan Brown
- Inferno - Dan Brown
- Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos - Luis Fernando Veríssimo
- Getúlio: 1930-1945. Do governo provisório à ditadura do Estado Novo - Lira Neto
- O vento pela fechadura - Stephen King
- O contrário da morte - Roberto Saviano
- Gomorra - Roberto Saviano
- A Ira dos Justos - Manel Loureiro
- Os dias escuros - Manel Loureiro
- A passagem - Justin Cronin
- Dirceu: a Biografia - Otávio Cabral
- Deixa ela entrar - John Ajvide Lindqvist
- Apocalipse Z - Manel Loureiro
- 50 anos a mil - Lobão
- Getúlio: 1882-1930. Dos anos de formação à conquista do poder – Lira Neto
- World War Z - Max Brooks
- O começo do tempo - Zecharia Sitchin
- Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo - Mário Magalhães
- O ciberespaço como fonte para jornalistas - Elias Machado
- Lincoln - Doris Kearns Goodwin
- A conversação em rede - Raquel Recuero
- O caminho para Woodbury - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Lendo Lolita em Teerã - Azar Nafisi
- Duma Key - Stephen King
- Diálogos Impossíveis - Luis Fernando Veríssimo
- O segredo da pirâmide - Adelmo Genro Filho
- A identidade cultural na pós-modernidade - Stuart Hall
- Opinião Pública - Walter Lippmann
- A mesa voadora - Luis Fernando Veríssimo
- Livros de sangue V - Clive Barker
- O sol também se levanta - Ernest Hemingway
- Mortos entre vivos - John Ajvide Lindqvist
- Grandes Esperanças - Charles Dickens
2012
- Redes sociais na internet - Raquel Recuero
- Teorias do Jornalismo: porque as notícias são como são - Nelson Traquina
- Livros de sangue IV - Clive Barker
- O rei da montanha - Farah
- A zona morta - Stephen King
- Notícia de um sequestro - Gabriel García Márquez
- Guerra dos Tronos 5: A dança dos dragões - George R.R. Martin
- Os filhos dos dias - Eduardo Galeano
- Deuses Americanos - Neil Gaiman
- A morte da luz - George R.R. Martin
- A auto-estrada - Stephen King
- Nova Antologia do Conto Russo - Organizado por Bruno Barreto Gomide
- Che Guevara: uma biografia - Jon Lee Anderson
- Ao cair da noite - Stephen King
- Jack Kerouac: king of the beats - Barry Miles
- Guia politicamente incorreto da história do Brasil - Leandro Narloch
- Band of Brothers - Stephen E. Ambrose
- Dia D - Antony Beevor
- Animal Tropical - Pedro Juan Gutiérrez
- O Rei de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
- Lancaster & York: The War of the Roses - Alison Weir
- A ascenção do Governador - Robert Kirkman e Jay Bonansinga
- Love - Stephen King
- De Cuba, com Carinho - Yoani Sánchez
- Chatô: o Rei do Brasil - Fernando Morais
- No coração do mar - Nathaniel Philbrick
- O caminho para o céu - Zecharia Sitchin
- Moby Dick - Herman Melville
- Devoradores de Mortos - Michael Crichton
- Coisas Frágeis - Neil Gaiman
- O Lobo do Mar - Jack London
- Guerra dos Tronos 4: O Festim dos Corvos - George R.R. Martin
- Almas Mortas - Nikolai Gógol
- O 12º Planeta - Zecharia Sitchin
- O Duplo - Fiódor Dostoievski
- Battle Cry of Freedom: The Civil War Era - James M. McPershon
2011
- Guerra dos Tronos 3: A Tormenta de Espadas - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 2: A Fúria dos Reis - George R.R. Martin
- Guerra dos Tronos 1: As Crônicas de Gelo e Fogo - George R.R. Martin
- Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
- The Last Full Measure - Jeff Shaara
- The Killer Angels - Michael Shaara
- Gods and Generals - Jeff Shaara
- Cidades da Planície - Cormac McCarthy
- A Travessia - Cormac McCarthy
- Todos os belos cavalos - Cormac McCarthy
- O emblema vermelho da coragem - Stephen Crane
- O Capote e outras histórias - Nikolai Gógol
- Napoleão: uma biografia política - Steave Englund
- O Messias de Duna - Frank Herbert
- Under the Dome - Stephen King
2010
- Duna - Frank Herbert
- Crime e Castigo - Fiódor Dostoievski
- O concorrente - Stephen King
- Meridiano de sangue - Cormac McCarthy
- Onde os velhos não têm vez - Cormac McCarthy
- Deuses, espaçonaves e terra: Provas de Dänichen - Erich Von Dänichen
- Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa
- Uma vida - Guy de Maupassant
- O Messias de Duna - Frank Herbert
- Under the Dome - Stephen King
2010
- Duna - Frank Herbert
- Crime e Castigo - Fiódor Dostoievski
- O concorrente - Stephen King
- Meridiano de sangue - Cormac McCarthy
- Onde os velhos não têm vez - Cormac McCarthy
- Deuses, espaçonaves e terra: Provas de Dänichen - Erich Von Dänichen
- Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa
- Uma vida - Guy de Maupassant
- Dänichen em julgamento - Erich Von Dänichen
- De volta às estrelas - Erich Von Däniken
- Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken
- A Estrada – Cormac McCarthy
- Pobre Nação – Robert Fisk
- História da Palestina moderna – Ilan Pappe
- A menina que roubava livros – Markus Zusak
- O Tradutor – Daoud Hari
- Numa fria – Charles Bukowski
- Crônica de um amor louco – Charles Bukowski
- A Estrada – Cormac McCarthy
- Pobre Nação – Robert Fisk
- História da Palestina moderna – Ilan Pappe
- A menina que roubava livros – Markus Zusak
- O Tradutor – Daoud Hari
- Numa fria – Charles Bukowski
- Crônica de um amor louco – Charles Bukowski
2009
- O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
- Guerra e Paz – Leon Tolstoi
- Vidas Secas - Graciliano Ramos
- Adeus Robinson e outras peças curtas - Júlio Cortazar
- Leoa ou gazela – Flávia Perez
- As ruínas - Scott Smith
- O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
- 1808 - Laurentino Gomes
- Confissões de um assassino econômico - John Perkins
- O mundo sem nós - Alan Weisman
- Vigiar e Punir - Michel Foucault
- O Silmarillion - JRR Tolkien
- A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
- 29 Fragmentos - Alyne Costa
- Drácula - Bram Stoker
- Tarás Bulba - Nikolai Gógol
- O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
- Guerra e Paz – Leon Tolstoi
- Vidas Secas - Graciliano Ramos
- Adeus Robinson e outras peças curtas - Júlio Cortazar
- Leoa ou gazela – Flávia Perez
- As ruínas - Scott Smith
- O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
- 1808 - Laurentino Gomes
- Confissões de um assassino econômico - John Perkins
- O mundo sem nós - Alan Weisman
- Vigiar e Punir - Michel Foucault
- O Silmarillion - JRR Tolkien
- A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
- 29 Fragmentos - Alyne Costa
- Drácula - Bram Stoker
- Tarás Bulba - Nikolai Gógol
Morte anunciada?
Morte anunciada?
"Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa morto em Mato Grosso do Sul este ano"
Gravíssimo o assassinato do proprietário do jornal UH News, Eduardo Carvalho, na noite do último dia 22, em Campo Grande (MS). Além da violência inerente ao crime, Mato Grosso do Sul fica caracterizado como um dos Estados mais perigosos para o exercício do Jornalismo.
Não cabem agora argumentos sobre que tipo de Jornalismo era praticado por Carvalhinho, se ele tinha ou não DRT, se ele era ou não jornalista de fato. Estamos diante de um crime bárbaro que, em consequência, estimula os donos do poder a imporem a lei do silêncio entre jornalistas e veículos de comunicação.
Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa assassinado em Mato Grosso do Sul neste ano. No dia 14 de fevereiro, o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, de 51 anos, foi morto com 12 tiros em Ponta Porã. Ele era fundador do site de notícias "Mercosulnews" e editor-chefe do diário "Jornal da Praça". No dia 5 de outubro, Luiz Henrique Georges, empresário e também diretor do Jornal da Praça, foi executado com vários tiros de fuzil em Ponta Porã.
Parafraseando o jornalista Eser Cáceres, “já passou do momento dos jornalistas, sem maniqueísmos de coloração ideológica-partidária, se manifestarem contra a facilidade dos crimes de pistolagem em Mato Grosso do Sul”. Ele tem razão.
Mato Grosso do Sul avança rumo à modernidade a passo de cágado, mas é ainda mais lento na resolução de crimes cujas autorias e motivações circulam a boca miúda nas esquinas, nas mesas de bar e mesmo dentro das redações de nossos periódicos.
Após o assassinato de Eduardo Carvalho, houve quem chegasse ao cúmulo de atribuir a culpa da morte ao próprio morto. Volto a dizer: não acabem aqui elucubrações sobre a qualidade do Jornalismo praticado por ele em seu site de notícias.
Recentemente, um levantamento do Committee to Protect Journalists (CPJ) mostrou que o Brasil é o 11º país do mundo onde os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes. De acordo com o CPJ, cinco mortes de jornalistas nos últimos dez anos não resultaram em nenhuma condenação no país.
Duas dessas mortes aconteceram no ano passado: a do dirigente petista e editor Edinaldo Filgueira do jornal "O Serrano", que foi assassinado em Serra do Mel (252 km de Natal-RN). Também não foi solucionada a morte do apresentador de TV e radialista Luciano Leitão Pedrosa, de Pernambuco, morto em abril do ano passado na cidade de Vitória de Santo Antão (47 km de Recife-PE).
As mortes de Eduardo Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Henrique Georges irão emoldurar o próximo levantamento do CPJ?
Calar diante destes crimes é colaborar diretamente para que continuemos sepultando jornalistas. Para fazer parte desta estatística basta incomodar os donos do poder político e econômico. Tarefa do bom Jornalismo, certo?
"Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa morto em Mato Grosso do Sul este ano"
Gravíssimo o assassinato do proprietário do jornal UH News, Eduardo Carvalho, na noite do último dia 22, em Campo Grande (MS). Além da violência inerente ao crime, Mato Grosso do Sul fica caracterizado como um dos Estados mais perigosos para o exercício do Jornalismo.
Não cabem agora argumentos sobre que tipo de Jornalismo era praticado por Carvalhinho, se ele tinha ou não DRT, se ele era ou não jornalista de fato. Estamos diante de um crime bárbaro que, em consequência, estimula os donos do poder a imporem a lei do silêncio entre jornalistas e veículos de comunicação.
Eduardo Carvalho foi o terceiro homem de imprensa assassinado em Mato Grosso do Sul neste ano. No dia 14 de fevereiro, o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, de 51 anos, foi morto com 12 tiros em Ponta Porã. Ele era fundador do site de notícias "Mercosulnews" e editor-chefe do diário "Jornal da Praça". No dia 5 de outubro, Luiz Henrique Georges, empresário e também diretor do Jornal da Praça, foi executado com vários tiros de fuzil em Ponta Porã.
Parafraseando o jornalista Eser Cáceres, “já passou do momento dos jornalistas, sem maniqueísmos de coloração ideológica-partidária, se manifestarem contra a facilidade dos crimes de pistolagem em Mato Grosso do Sul”. Ele tem razão.
Mato Grosso do Sul avança rumo à modernidade a passo de cágado, mas é ainda mais lento na resolução de crimes cujas autorias e motivações circulam a boca miúda nas esquinas, nas mesas de bar e mesmo dentro das redações de nossos periódicos.
Após o assassinato de Eduardo Carvalho, houve quem chegasse ao cúmulo de atribuir a culpa da morte ao próprio morto. Volto a dizer: não acabem aqui elucubrações sobre a qualidade do Jornalismo praticado por ele em seu site de notícias.
Recentemente, um levantamento do Committee to Protect Journalists (CPJ) mostrou que o Brasil é o 11º país do mundo onde os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes. De acordo com o CPJ, cinco mortes de jornalistas nos últimos dez anos não resultaram em nenhuma condenação no país.
Duas dessas mortes aconteceram no ano passado: a do dirigente petista e editor Edinaldo Filgueira do jornal "O Serrano", que foi assassinado em Serra do Mel (252 km de Natal-RN). Também não foi solucionada a morte do apresentador de TV e radialista Luciano Leitão Pedrosa, de Pernambuco, morto em abril do ano passado na cidade de Vitória de Santo Antão (47 km de Recife-PE).
As mortes de Eduardo Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Henrique Georges irão emoldurar o próximo levantamento do CPJ?
Calar diante destes crimes é colaborar diretamente para que continuemos sepultando jornalistas. Para fazer parte desta estatística basta incomodar os donos do poder político e econômico. Tarefa do bom Jornalismo, certo?
Holocausto Palestino
Holocausto Palestino
"Novamente, a negação de Israel a um Estado Palestino leva a região a uma explosão de ódio"
Mais uma vez o medo prevalece na tênue fronteira que divide israelenses e palestinos. A fórmula é sempre a mesma. O Exército israelense iniciou os bombardeios à Gaza no dia 14 atacando vários alvos e matando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, 52. Ele foi atingido por um míssil enquanto circulava de carro. O ataque foi seguido por dezenas de outros, contra “instalações militares”, “depósitos de armas” e “plataformas de lançamento de foguetes”. Outros 15 palestinos morreram durante a operação batizada de "Pilar de Defesa", entre eles seis crianças...
Na manhã seguinte, o Hamas lançou um foguete que matou três israelenses a norte de Gaza. Horas depois, pelo menos um foguete foi lançado com direção à capital Tel Aviv, fazendo soarem os alarmes antiaéreos pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Houve pânico, e a TV israelense exibiu imagens de pessoas jogadas no chão, no centro de Tel Aviv, enquanto as sirenes soavam. Informações preliminares da polícia israelense dão conta de que o projétil caiu no mar. Não houve vítimas.
Este cenário de horror é o resultado direto da política de intransigência israelense, que nos últimos 40 anos têm transformado os palestinos em estrangeiros em sua própria terra. Esta política, que tem base na construção de assentamentos - que a ONU já classificou como ilegais – e na negação da identidade palestina, cria, do outro lado, o terreno ideal para o florescimento do radicalismo islâmico, tão pernicioso quando o sionismo.
A solução para este conflito não virá enquanto Israel não abrir mão do sonho sionista de estabelecer Eretez Israel, a grande Israel bíblica. A única saída possível está na convivência entre israelenses e palestinos a partir do estabelecimento de um Estado Palestino autônomo e independente e do estabelecimento de fronteiras entre estas duas nações soberanas. Ninguém em sã consciência condenaria Israel pela violação de suas fronteiras legais. Ninguém em sã consciência pode deixar de condenar o país diante da política de esfacelamento econômico e cultural que promove contra a populações de Gaza e da Cisjordância.
Enquanto o bom senso não prevalece, o mundo, mais uma vez, assiste de sua confortável poltrona o pavoroso espetáculo da guerra. Os números traduzem o holocausto palestino. Dá última vez que o exército israelense cruzou a “fronteira”, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, deixou para trás mais de 1.300 palestinos mortos e 5.000 feridos na faixa de Gaza. Segundo o Centro Palestino para Direitos Humanos - e muitas outras instituições internacionais sólidas e confiáveis - metade destas vítimas era civil. Morreram também 13 israelenses, sendo três civis.
Estamos, agora, às portas de um novo massacre? Diante de um novo cessar-fogo? De novas declarações unilaterais? De novos apelos contra o "terrorismo islâmico"? Depois que os mortos forem enterrados e esquecidos ouviremos dos próceres do Ocidente novas exortações à paz? O ciclo se repetirá com a eterna cantilena dos vitoriosos, com o constante lamento dos derrotados?
"Novamente, a negação de Israel a um Estado Palestino leva a região a uma explosão de ódio"
Mais uma vez o medo prevalece na tênue fronteira que divide israelenses e palestinos. A fórmula é sempre a mesma. O Exército israelense iniciou os bombardeios à Gaza no dia 14 atacando vários alvos e matando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, 52. Ele foi atingido por um míssil enquanto circulava de carro. O ataque foi seguido por dezenas de outros, contra “instalações militares”, “depósitos de armas” e “plataformas de lançamento de foguetes”. Outros 15 palestinos morreram durante a operação batizada de "Pilar de Defesa", entre eles seis crianças...
Na manhã seguinte, o Hamas lançou um foguete que matou três israelenses a norte de Gaza. Horas depois, pelo menos um foguete foi lançado com direção à capital Tel Aviv, fazendo soarem os alarmes antiaéreos pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Houve pânico, e a TV israelense exibiu imagens de pessoas jogadas no chão, no centro de Tel Aviv, enquanto as sirenes soavam. Informações preliminares da polícia israelense dão conta de que o projétil caiu no mar. Não houve vítimas.
Este cenário de horror é o resultado direto da política de intransigência israelense, que nos últimos 40 anos têm transformado os palestinos em estrangeiros em sua própria terra. Esta política, que tem base na construção de assentamentos - que a ONU já classificou como ilegais – e na negação da identidade palestina, cria, do outro lado, o terreno ideal para o florescimento do radicalismo islâmico, tão pernicioso quando o sionismo.
A solução para este conflito não virá enquanto Israel não abrir mão do sonho sionista de estabelecer Eretez Israel, a grande Israel bíblica. A única saída possível está na convivência entre israelenses e palestinos a partir do estabelecimento de um Estado Palestino autônomo e independente e do estabelecimento de fronteiras entre estas duas nações soberanas. Ninguém em sã consciência condenaria Israel pela violação de suas fronteiras legais. Ninguém em sã consciência pode deixar de condenar o país diante da política de esfacelamento econômico e cultural que promove contra a populações de Gaza e da Cisjordância.
Enquanto o bom senso não prevalece, o mundo, mais uma vez, assiste de sua confortável poltrona o pavoroso espetáculo da guerra. Os números traduzem o holocausto palestino. Dá última vez que o exército israelense cruzou a “fronteira”, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, deixou para trás mais de 1.300 palestinos mortos e 5.000 feridos na faixa de Gaza. Segundo o Centro Palestino para Direitos Humanos - e muitas outras instituições internacionais sólidas e confiáveis - metade destas vítimas era civil. Morreram também 13 israelenses, sendo três civis.
Estamos, agora, às portas de um novo massacre? Diante de um novo cessar-fogo? De novas declarações unilaterais? De novos apelos contra o "terrorismo islâmico"? Depois que os mortos forem enterrados e esquecidos ouviremos dos próceres do Ocidente novas exortações à paz? O ciclo se repetirá com a eterna cantilena dos vitoriosos, com o constante lamento dos derrotados?
Controle social da mídia?
Controle social da mídia?
"Este tipo de instância reguladora é incompatível com a liberdade de expressão"
A Constituição de 1988 deixou vários artigos sem regulamentação, muitos deles na área de comunicações. No Legislativo Federal, essa regulamentação vem sendo empurrada com a barriga durante as últimas décadas, seja por covardia de encarar um tema tão complexo, seja por falta de capacidade de abordá-lo e debate-lo, ou por simples descaso.
Enquanto isso, a sociedade fica a mercê da desinformação. Quando falam em “regulação da mídia”, setores da sociedade têm colocado na mesma panela a necessidade indiscutível de um marco regulatório das comunicações e a funesta ameaça de interferência em conteúdos jornalísticos. Estes temas não são a mesma coisa. Pelo contrário, são muito diferentes.
Não se questiona em debates sérios a necessidade de combater a propriedade cruzada de meios de comunicação. Este combate é necessário e salutar para a democracia.
Nos EUA, por exemplo, uma empresa não pode ser proprietária de uma emissora de rádio ou TV e de um jornal na mesma cidade. Na França, é vedada a propriedade de mais do que duas empresas de TV com 4 milhões de telespectadores, ou de duas emissoras de rádio com audiência potencial acima de 30 milhões de ouvintes, ou ainda de jornais com mais de 20% de participação no mercado.
Estes mecanismos devem ser discutidos pela sociedade e implementados no Brasil. O problema é que, no rastro desta necessidade, mal intencionados têm tentado inserir no debate questões ideológicas como o malfadado “controle social da mídia”.
Esse tipo de instância reguladora é incompatível com a liberdade de expressão. Um conselho ou um órgão fiscalizador nos termos do que tem sido proposto por setores do Governo Federal e do PT implicará em interferência nos conteúdos jornalísticos, o que fere frontalmente o princípio da liberdade de expressão previsto na Constituição. O controle social já existe, nos termos da Constituição e de toda a legislação. Há o direito de resposta e a legislação sobre danos morais. E o Poder Judiciário para julgar questões relacionadas ao direito de resposta e à legislação sobre danos morais.
Um dos pilares da convivência democrática é o de que ninguém tem o direito de determinar aos outros o que é mais ou menos adequado para ser dito, para ser expresso. Numa democracia, todos são absolutamente livres para expressar aquilo que querem, sem nenhuma limitação prévia. Isso não significa impunidade, pois nos casos de mentira ou calúnia, sempre haverá a possibilidade da punição posterior.
Um órgão regulador da mídia pode acarretar em censura porque agirá necessariamente de acordo com o que pensam os seus integrantes, com suas convicções e ideologia. Eles terão o poder de julgar que tal ou qual informação ou opinião é mais ou menos adequada. Para evitar esse dirigismo é que existe a plena liberdade de expressão, sem nenhum controle prévio, mas com eventuais penalidades posteriores.
"Este tipo de instância reguladora é incompatível com a liberdade de expressão"
A Constituição de 1988 deixou vários artigos sem regulamentação, muitos deles na área de comunicações. No Legislativo Federal, essa regulamentação vem sendo empurrada com a barriga durante as últimas décadas, seja por covardia de encarar um tema tão complexo, seja por falta de capacidade de abordá-lo e debate-lo, ou por simples descaso.
Enquanto isso, a sociedade fica a mercê da desinformação. Quando falam em “regulação da mídia”, setores da sociedade têm colocado na mesma panela a necessidade indiscutível de um marco regulatório das comunicações e a funesta ameaça de interferência em conteúdos jornalísticos. Estes temas não são a mesma coisa. Pelo contrário, são muito diferentes.
Não se questiona em debates sérios a necessidade de combater a propriedade cruzada de meios de comunicação. Este combate é necessário e salutar para a democracia.
Nos EUA, por exemplo, uma empresa não pode ser proprietária de uma emissora de rádio ou TV e de um jornal na mesma cidade. Na França, é vedada a propriedade de mais do que duas empresas de TV com 4 milhões de telespectadores, ou de duas emissoras de rádio com audiência potencial acima de 30 milhões de ouvintes, ou ainda de jornais com mais de 20% de participação no mercado.
Estes mecanismos devem ser discutidos pela sociedade e implementados no Brasil. O problema é que, no rastro desta necessidade, mal intencionados têm tentado inserir no debate questões ideológicas como o malfadado “controle social da mídia”.
Esse tipo de instância reguladora é incompatível com a liberdade de expressão. Um conselho ou um órgão fiscalizador nos termos do que tem sido proposto por setores do Governo Federal e do PT implicará em interferência nos conteúdos jornalísticos, o que fere frontalmente o princípio da liberdade de expressão previsto na Constituição. O controle social já existe, nos termos da Constituição e de toda a legislação. Há o direito de resposta e a legislação sobre danos morais. E o Poder Judiciário para julgar questões relacionadas ao direito de resposta e à legislação sobre danos morais.
Um dos pilares da convivência democrática é o de que ninguém tem o direito de determinar aos outros o que é mais ou menos adequado para ser dito, para ser expresso. Numa democracia, todos são absolutamente livres para expressar aquilo que querem, sem nenhuma limitação prévia. Isso não significa impunidade, pois nos casos de mentira ou calúnia, sempre haverá a possibilidade da punição posterior.
Um órgão regulador da mídia pode acarretar em censura porque agirá necessariamente de acordo com o que pensam os seus integrantes, com suas convicções e ideologia. Eles terão o poder de julgar que tal ou qual informação ou opinião é mais ou menos adequada. Para evitar esse dirigismo é que existe a plena liberdade de expressão, sem nenhum controle prévio, mas com eventuais penalidades posteriores.
Recado dado?
Recado dado?
"População rejeita vereador que legisla em causa própria e diz não ao aumento de 66% "
Vereadores não são remunerados em boa parte do mundo. Em algumas cidades, eles recebem apenas um auxílio financeiro simbólico. Em outras, no entanto, a atividade pode exigir dedicação exclusiva e remunerada. Umm vereador de Los Angeles, Estados Unidos, por exemplo, ganha em média R$ 24 mil por mês. Isso representa 116% a mais do que o salário de um vereador de São Paulo ou do Rio de Janeiro, que, hoje, recebe R$ 9 mil mensais.
Na Cidade do México, o cargo de vereador é honorário e não existe nenhum tipo de contribuição. Há cerca de 1,8 mil comitês de bairros, organizados em torno de nove vereadores nomeados para servir durante três anos. Enquanto um assalariado médio americano ganha R$ 3,9 mil por mês, um vereador nova-iorquino recebe R$ 16 mil, ou seja, 7 vezes mais. A Câmara é composta por 51 membros e o cargo não exige dedicação exclusiva.
Na capital da Suécia, Estocolmo, o salário de um vereador é apenas uma ajuda de custo, cerca de R$ 350. Se ele fizer parte de um comitê, pode subir para R$ 790. O valor representa apenas 10% da renda de um assalariado médio sueco, que ganha R$ 7,5 mil mensais. Em Paris o salário varia muito, porque depende do tamanho da área da cidade em que o vereador atua. Mesmo oscilando, o valor é próximo do salário médio de um francês, que ganha R$ 5 mil mensais.
Enquanto o salário médio de um canadense é R$ 5,2 mil por mês, um vereador de Toronto, a maior cidade do país, ganha R$ 4,3 mil. A lei não determina uma carga horária a cumprir, mas a função exige dedicação exclusiva.
Em Campo Grande (MS), onde – como em todo o país – o cargo de vereador não exige dedicação exclusiva, os parlamentares pretendem conceder-se um módico aumento salarial até dezembro. Hoje, eles ganham R$ 9,2 mil por mês. Querem passar a ganhar R$ 15 mil. Um reajuste de 66%.
Trata-se de uma afronta, quando sabemos que este reajuste será nove vezes maior do que o anunciado para o trabalhador comum, que deve ter 7% de aumento em 2013, quando o salário mínimo passará a R$ 667,75.
É preciso muita "coragem" para buscar argumentos que justifiquem um reajuste tão escandaloso. Dizer que o salário de um vereador pode ser calculado em até 75% do salário de um deputado estadual e que, por isso, o reajuste seria legal é fazer uma brincadeira perigosa com a paciência da população.
O fato é que a população rejeita o vereador que legisla em causa própria. Em uma enquete (aqui) feita entre seus leitores no Facebook - entre o dias 28 de outubro e 1º de novembro - a revista Semana Online pode mensurar isso de forma clara. Dos 1.726 leitores que responderam à enquete neste período, 1.520 (88.1%) se disseram contra o aumento. Apenas 108 participantes (6.3%) concordam com o reajuste e 97 (5.7%) disseram não ter opinião formada. Recado dado?
"População rejeita vereador que legisla em causa própria e diz não ao aumento de 66% "
Vereadores não são remunerados em boa parte do mundo. Em algumas cidades, eles recebem apenas um auxílio financeiro simbólico. Em outras, no entanto, a atividade pode exigir dedicação exclusiva e remunerada. Umm vereador de Los Angeles, Estados Unidos, por exemplo, ganha em média R$ 24 mil por mês. Isso representa 116% a mais do que o salário de um vereador de São Paulo ou do Rio de Janeiro, que, hoje, recebe R$ 9 mil mensais.
Na Cidade do México, o cargo de vereador é honorário e não existe nenhum tipo de contribuição. Há cerca de 1,8 mil comitês de bairros, organizados em torno de nove vereadores nomeados para servir durante três anos. Enquanto um assalariado médio americano ganha R$ 3,9 mil por mês, um vereador nova-iorquino recebe R$ 16 mil, ou seja, 7 vezes mais. A Câmara é composta por 51 membros e o cargo não exige dedicação exclusiva.
Na capital da Suécia, Estocolmo, o salário de um vereador é apenas uma ajuda de custo, cerca de R$ 350. Se ele fizer parte de um comitê, pode subir para R$ 790. O valor representa apenas 10% da renda de um assalariado médio sueco, que ganha R$ 7,5 mil mensais. Em Paris o salário varia muito, porque depende do tamanho da área da cidade em que o vereador atua. Mesmo oscilando, o valor é próximo do salário médio de um francês, que ganha R$ 5 mil mensais.
Enquanto o salário médio de um canadense é R$ 5,2 mil por mês, um vereador de Toronto, a maior cidade do país, ganha R$ 4,3 mil. A lei não determina uma carga horária a cumprir, mas a função exige dedicação exclusiva.
Em Campo Grande (MS), onde – como em todo o país – o cargo de vereador não exige dedicação exclusiva, os parlamentares pretendem conceder-se um módico aumento salarial até dezembro. Hoje, eles ganham R$ 9,2 mil por mês. Querem passar a ganhar R$ 15 mil. Um reajuste de 66%.
Trata-se de uma afronta, quando sabemos que este reajuste será nove vezes maior do que o anunciado para o trabalhador comum, que deve ter 7% de aumento em 2013, quando o salário mínimo passará a R$ 667,75.
É preciso muita "coragem" para buscar argumentos que justifiquem um reajuste tão escandaloso. Dizer que o salário de um vereador pode ser calculado em até 75% do salário de um deputado estadual e que, por isso, o reajuste seria legal é fazer uma brincadeira perigosa com a paciência da população.
O fato é que a população rejeita o vereador que legisla em causa própria. Em uma enquete (aqui) feita entre seus leitores no Facebook - entre o dias 28 de outubro e 1º de novembro - a revista Semana Online pode mensurar isso de forma clara. Dos 1.726 leitores que responderam à enquete neste período, 1.520 (88.1%) se disseram contra o aumento. Apenas 108 participantes (6.3%) concordam com o reajuste e 97 (5.7%) disseram não ter opinião formada. Recado dado?
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O que ocorre em Gaza é genocídio?
Para começar, o que é genocídio? O termo foi criado por Raphael Lemkin,
um judeu de origem polonesa, em 1944, a partir da junção da raiz grega
génos (família, tribo ou raça) e - caedere (Latim - matar). Após o
assassinato em massa de judeus, ciganos, testemunhas de jeová,
comunistas, homossexuais e prisioneiros de guerra eslavos pelos
nazistas, Lemkin iniciou uma campanha pela criação de leis
internacionais que definissem e punissem o genocídio. Esta pretensão
tornou-se realidade em 1951, com a Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, da qual o Brasil é signatário.
A Convenção define por genocídio os seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso:
a) Assassinato de membros do grupo;
b) Atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo;
c) Submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial;
d) Medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo.
No meu entender, a política de bombardeio contínuo dos centros urbanos palestinos e de isolamento desta população em guetos é um “atentado grave à integridade física e mental” dos seus habitantes, portanto, deve ser classificado como genocídio.
O acadêmico e escritor palestino-libanês Saree Makdisi afirma que uma geração inteira de palestinos cresce com deficiências físicas e nutricionais geradas por falta de alimentos e alterações emocionais, por viver no cárcere virtual criado pelo bloqueio israelense, que se estende desde junho de 2007.
Em meio à violência, as crianças palestinas são as principais vítimas. Cerca de 50% dos 1,5 milhão de palestinos em Gaza têm até 15 anos de idade. O número de mortos nos conflitos sazonais que assolam a região é sempre recheado por um contingente expressivo de crianças e adolescentes.
Um estudo da Queen"s University revelou que 90% das crianças em Gaza já foram vítimas do uso de gás lacrimogêneo, presenciaram cenas de violência em suas casas ou testemunharam tiroteios e explosões. O estudo demonstra, também, que o risco de desordem emocional em uma criança ferida nessa região se multiplica por quatro. Do mesmo modo, aquelas que presenciaram uma morte têm o risco de estresse pós-traumático multiplicado por 13. “É como se as crianças palestinas de alguma maneira não merecessem as proteções garantidas pela Convenção de Genebra e o Direito Humanitário”, conclui o estudo.
Levantamento feito pelo Gaza Community Mental Health Programme, realizado após a segunda Intifada, em 2000, indica que 70% das crianças palestinas na região não conseguem se concentrar, 96% têm medo do escuro, 35% se isolam e 45% sofrem altos níveis de ansiedade e estresse.
Da mesma forma, o bloqueio israelense construído por meio do isolamento das comunidades palestinas em Gaza e na Cisjordânia aprofundou de forma avassaladora às dificuldades econômicas, sociais e sanitárias da população, configurando-se em “submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial”.
O drama se traduz nos indicadores da região: mais de 80% dos 1,5 milhão de habitantes do território são pobres, e metade da população ativa não tem renda fixa. Dois terços dos cerca de 110 mil empregos que existiam no comércio desapareceram nos últimos anos. Com o colapso do sistema de esgoto, os dejetos acabam despejados no mar, tornando insalubres as praias mediterrâneas e aniquilando a fonte de lazer preferida da juventude local. Só há eletricidade durante metade do dia no território, que se assemelha em tamanho e população ao município de Guarulhos (SP) - na prática, duas das áreas mais densamente povoadas no mundo, com mais de 4.000 habitantes/km2.
Estas políticas de esmagamento da população palestina vêm sendo perpetradas há anos e registradas em detalhes por observadores de todo o planeta. No artigo “Genocide in Gaza” (2006), Ilan Pappe – escritor, conferencista sênior no Departamento de Ciência Política da Universidade de Haifa e Presidente do Instituto Touma para Estudos Palestinos em Haifa – esmiúça em detalhes os métodos do terror estatal israelense:
“A estratégia anterior em Gaza foi colocar os palestinos lá como se fosse um gueto, mas isso não está funcionando. A comunidade posta no gueto continua a expressar sua vontade de viver através do lançamento de mísseis primitivos para dentro de Israel. Isolar em guetos ou quarentena comunidades indesejadas, mesmo se elas forem consideradas subumanas ou perigosas, nunca funcionou na história como solução. Os judeus sabem melhor que ninguém por sua própria história. O próximo estágio contra tais comunidades no passado foram ainda mais horrendos e bárbaros. É difícil dizer o que guarda o futuro para a população de Gaza, confinada em um gueto, posta em quarentena, indesejada e demonizada. Será uma repetição de exemplos históricos funestos ou ainda é possível um destino melhor?”
Fausto Wolff, no artigo “Protejam as crianças”, coloca o dedo na ferida ao denunciar que tanto Israel quanto os Estados Unidos têm violado constantemente a Convenção de Genebra, cujos artigos 55 e 56 tratam da proteção que os invasores devem prover para a população civil do país invadido: acomodações, comida, bebida, assistência ambulatória e hospitalar.
“O artigo 56 enfatiza a obrigação do poder invasor de, em cooperação com as autoridades locais, providenciar rigorosos padrões higiênicos e fiscalizar bens perecíveis para evitar a propagação de epidemias, adotando medidas de profilaxia. E a todos os médicos e enfermeiras do país ocupado deve ser dada a liberdade de cumprir seus deveres.”
Um trecho do artigo “Israel vive paradoxo aos 60 anos”, de Daniela Kresch, é esclarecedor no que se refere a transformação de Israel em um país que trai as suas origens ao reproduzir sobre seus vizinhos os horrores que estão na origem de sua criação: “Para o cientista político Shlomo Zener, os traumas e temores nacionais não podem justificar a severidade no modo como são tratados os palestinos. Para ele, a ocupação da Cisjordânia e de Gaza corrompeu o espírito libertário dos primeiros israelenses, que lutaram para criar um Estado moderno, sem perseguições, que servisse de modelo ético depois do extermínio de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra.”.
Psicanalista e professor da Universidade Estadual de Maringá (PR), Raymundo de Lima traça, no artigo “É ‘barbárie’, ‘genocídio’, ‘holocausto’, ou ‘massacre’?”, um perfil bem reconhecível dos que tentam racionalizar a prática do genocídio. Segundo ele, o genocida tende a utilizar mecanismos de defesa psíquica como a racionalização e a intelectualização para justificar o seu ato como de “legítima defesa”, proteção contra o “intruso”. Qualquer similaridade com os argumentos usados por Israel em sua política belicista contra os palestinos não é mera coincidência.
Diz ele: “...ou seja, o outro é sempre visto como ‘perigoso’, ‘inferior’, ‘estrangeiro’, ‘infiel’, ‘selvagem’, ‘coisa’ ou ‘objeto’, enfim, o ‘outro’, o ‘diferente’ é sempre considerado um problema para a existência do genocida; como é marcado na sua singularidade, o ‘outro’ não é visto como ser humano total, não é ‘humanizado’ em sua condição de ser existente.”.
Em seu artigo, Lima sustenta, ainda, que o crime de genocídio do Estado ou de qualquer ato de barbárie de grupos extremistas, embora pareçam ser irracionais, na verdade são cometidos em nome de alguma causa “justa”. Ele explica: “O ato monstruoso sempre recorre a uma moral tosca cuja razão cínica satisfaz aos irmãozinhos que compartilham com a mesma crença, que acreditam nas sombras dogmáticas projetadas por um psiquismo esclerosado. Muitas vezes quem pratica o grande massacre se coloca como vítima...”.
Encerro citando o trecho final de “Genocide in Gaza”, no qual Pappe analisa de forma cáustica (e premonitória) os caminhos e descaminhos do holocausto palestino e as alternativas que restam para conter o autoritarismo com que os israelenses conduzem a questão.
“Ainda não há outra forma de parar Israel exceto boicote, desinvestimento (NT: retirada de investimentos, participação em sociedades etc.) e sanções. Todos nós deveríamos apoiar tais medidas clara, aberta e incondicionalmente, não importando o que os gurus de nosso mundo nos digam sobre a eficiência ou razão de ser de tais ações. A ONU não interviria em Gaza como faz na África; os ganhadores do prêmio Nobel não se interessarão em defendê-la, como fazem por causas no Sudeste Asiático. O número de pessoas mortas não é estonteante se comparado com outras calamidades, e não é uma história nova - é perigosamente velha e complicada. O único ponto suave dessa máquina de matar são suas linhas de oxigênio com a civilização 'ocidental' e a opinião pública. Ainda é possível perfurá-las e, pelo menos, tornar mais difícil para os israelenses implementar sua estratégia futura de eliminação do povo palestino, ou pela limpeza deles na Cisjordânia, ou pelo genocídio na Faixa de Gaza.”
A Convenção define por genocídio os seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso:
a) Assassinato de membros do grupo;
b) Atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo;
c) Submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial;
d) Medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo.
No meu entender, a política de bombardeio contínuo dos centros urbanos palestinos e de isolamento desta população em guetos é um “atentado grave à integridade física e mental” dos seus habitantes, portanto, deve ser classificado como genocídio.
O acadêmico e escritor palestino-libanês Saree Makdisi afirma que uma geração inteira de palestinos cresce com deficiências físicas e nutricionais geradas por falta de alimentos e alterações emocionais, por viver no cárcere virtual criado pelo bloqueio israelense, que se estende desde junho de 2007.
Em meio à violência, as crianças palestinas são as principais vítimas. Cerca de 50% dos 1,5 milhão de palestinos em Gaza têm até 15 anos de idade. O número de mortos nos conflitos sazonais que assolam a região é sempre recheado por um contingente expressivo de crianças e adolescentes.
Um estudo da Queen"s University revelou que 90% das crianças em Gaza já foram vítimas do uso de gás lacrimogêneo, presenciaram cenas de violência em suas casas ou testemunharam tiroteios e explosões. O estudo demonstra, também, que o risco de desordem emocional em uma criança ferida nessa região se multiplica por quatro. Do mesmo modo, aquelas que presenciaram uma morte têm o risco de estresse pós-traumático multiplicado por 13. “É como se as crianças palestinas de alguma maneira não merecessem as proteções garantidas pela Convenção de Genebra e o Direito Humanitário”, conclui o estudo.
Levantamento feito pelo Gaza Community Mental Health Programme, realizado após a segunda Intifada, em 2000, indica que 70% das crianças palestinas na região não conseguem se concentrar, 96% têm medo do escuro, 35% se isolam e 45% sofrem altos níveis de ansiedade e estresse.
Da mesma forma, o bloqueio israelense construído por meio do isolamento das comunidades palestinas em Gaza e na Cisjordânia aprofundou de forma avassaladora às dificuldades econômicas, sociais e sanitárias da população, configurando-se em “submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial”.
O drama se traduz nos indicadores da região: mais de 80% dos 1,5 milhão de habitantes do território são pobres, e metade da população ativa não tem renda fixa. Dois terços dos cerca de 110 mil empregos que existiam no comércio desapareceram nos últimos anos. Com o colapso do sistema de esgoto, os dejetos acabam despejados no mar, tornando insalubres as praias mediterrâneas e aniquilando a fonte de lazer preferida da juventude local. Só há eletricidade durante metade do dia no território, que se assemelha em tamanho e população ao município de Guarulhos (SP) - na prática, duas das áreas mais densamente povoadas no mundo, com mais de 4.000 habitantes/km2.
Estas políticas de esmagamento da população palestina vêm sendo perpetradas há anos e registradas em detalhes por observadores de todo o planeta. No artigo “Genocide in Gaza” (2006), Ilan Pappe – escritor, conferencista sênior no Departamento de Ciência Política da Universidade de Haifa e Presidente do Instituto Touma para Estudos Palestinos em Haifa – esmiúça em detalhes os métodos do terror estatal israelense:
“A estratégia anterior em Gaza foi colocar os palestinos lá como se fosse um gueto, mas isso não está funcionando. A comunidade posta no gueto continua a expressar sua vontade de viver através do lançamento de mísseis primitivos para dentro de Israel. Isolar em guetos ou quarentena comunidades indesejadas, mesmo se elas forem consideradas subumanas ou perigosas, nunca funcionou na história como solução. Os judeus sabem melhor que ninguém por sua própria história. O próximo estágio contra tais comunidades no passado foram ainda mais horrendos e bárbaros. É difícil dizer o que guarda o futuro para a população de Gaza, confinada em um gueto, posta em quarentena, indesejada e demonizada. Será uma repetição de exemplos históricos funestos ou ainda é possível um destino melhor?”
Fausto Wolff, no artigo “Protejam as crianças”, coloca o dedo na ferida ao denunciar que tanto Israel quanto os Estados Unidos têm violado constantemente a Convenção de Genebra, cujos artigos 55 e 56 tratam da proteção que os invasores devem prover para a população civil do país invadido: acomodações, comida, bebida, assistência ambulatória e hospitalar.
“O artigo 56 enfatiza a obrigação do poder invasor de, em cooperação com as autoridades locais, providenciar rigorosos padrões higiênicos e fiscalizar bens perecíveis para evitar a propagação de epidemias, adotando medidas de profilaxia. E a todos os médicos e enfermeiras do país ocupado deve ser dada a liberdade de cumprir seus deveres.”
Um trecho do artigo “Israel vive paradoxo aos 60 anos”, de Daniela Kresch, é esclarecedor no que se refere a transformação de Israel em um país que trai as suas origens ao reproduzir sobre seus vizinhos os horrores que estão na origem de sua criação: “Para o cientista político Shlomo Zener, os traumas e temores nacionais não podem justificar a severidade no modo como são tratados os palestinos. Para ele, a ocupação da Cisjordânia e de Gaza corrompeu o espírito libertário dos primeiros israelenses, que lutaram para criar um Estado moderno, sem perseguições, que servisse de modelo ético depois do extermínio de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra.”.
Psicanalista e professor da Universidade Estadual de Maringá (PR), Raymundo de Lima traça, no artigo “É ‘barbárie’, ‘genocídio’, ‘holocausto’, ou ‘massacre’?”, um perfil bem reconhecível dos que tentam racionalizar a prática do genocídio. Segundo ele, o genocida tende a utilizar mecanismos de defesa psíquica como a racionalização e a intelectualização para justificar o seu ato como de “legítima defesa”, proteção contra o “intruso”. Qualquer similaridade com os argumentos usados por Israel em sua política belicista contra os palestinos não é mera coincidência.
Diz ele: “...ou seja, o outro é sempre visto como ‘perigoso’, ‘inferior’, ‘estrangeiro’, ‘infiel’, ‘selvagem’, ‘coisa’ ou ‘objeto’, enfim, o ‘outro’, o ‘diferente’ é sempre considerado um problema para a existência do genocida; como é marcado na sua singularidade, o ‘outro’ não é visto como ser humano total, não é ‘humanizado’ em sua condição de ser existente.”.
Em seu artigo, Lima sustenta, ainda, que o crime de genocídio do Estado ou de qualquer ato de barbárie de grupos extremistas, embora pareçam ser irracionais, na verdade são cometidos em nome de alguma causa “justa”. Ele explica: “O ato monstruoso sempre recorre a uma moral tosca cuja razão cínica satisfaz aos irmãozinhos que compartilham com a mesma crença, que acreditam nas sombras dogmáticas projetadas por um psiquismo esclerosado. Muitas vezes quem pratica o grande massacre se coloca como vítima...”.
Encerro citando o trecho final de “Genocide in Gaza”, no qual Pappe analisa de forma cáustica (e premonitória) os caminhos e descaminhos do holocausto palestino e as alternativas que restam para conter o autoritarismo com que os israelenses conduzem a questão.
“Ainda não há outra forma de parar Israel exceto boicote, desinvestimento (NT: retirada de investimentos, participação em sociedades etc.) e sanções. Todos nós deveríamos apoiar tais medidas clara, aberta e incondicionalmente, não importando o que os gurus de nosso mundo nos digam sobre a eficiência ou razão de ser de tais ações. A ONU não interviria em Gaza como faz na África; os ganhadores do prêmio Nobel não se interessarão em defendê-la, como fazem por causas no Sudeste Asiático. O número de pessoas mortas não é estonteante se comparado com outras calamidades, e não é uma história nova - é perigosamente velha e complicada. O único ponto suave dessa máquina de matar são suas linhas de oxigênio com a civilização 'ocidental' e a opinião pública. Ainda é possível perfurá-las e, pelo menos, tornar mais difícil para os israelenses implementar sua estratégia futura de eliminação do povo palestino, ou pela limpeza deles na Cisjordânia, ou pelo genocídio na Faixa de Gaza.”
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Tropeços na net
O candidato do PP a Prefeitura de Campo Grande (MS), Alcides
Bernal, tornou-se um ícone regional na internet. Não tanto pelas suas
qualidades políticas quanto pelo fenômeno gerado por meio da campanha de seu
adversário, o peemedebista Edson Giroto (PMDB), cujos marqueteiros resolveram
comparar o currículo de “feitos” dos dois. Como resultado, uma paródia da
campanha de Giroto virou meme (Não sabe o que é? Pergunte ao Google) no
Facebook transformando o que seria uma estratégia infalível num tremendo tiro pela
culatra com dezenas de peças nas quais se atribui a Giroto desde a construção
das pirâmides do Egito até uma foto ao lado do palhaço Bozo.
Também em Campo Grande, o vereador Marcos Alex (PT) pode
atribuir – ainda que parcialmente - ao mal uso das mídias sociais sua derrota
nas eleições deste ano. Alex deixou de ser eleito por apenas oito votos,
cedendo a vaga a um colega de partido calouro e com desenvoltura eleitoral
muito menor que a sua.
Vice-presidente da Câmara de Vereadores, Alex protagonizou
nas mídias sociais um debate acalorado com a equipe da revista Semana Online
após a reportagem publicada na nossa edição de número 25, na qual mostrávamos o
custo e a produção de cada vereador campo-grandense.
Em certo momento do debate, Marcos Alex deu a entender que
não deveria responder a reportagem pois, segundo a assessoria de imprensa da
Casa, a revista não tinha leitores... Não é preciso dizer que a lambança gerou
dezenas de respostas indignadas de nossos leitores que, é óbvio, se julgam
dignos de serem ouvidos e de terem suas dúvidas sanadas pelos vereadores. Quem
sabe estes oito votos não foram perdidos ali, entre nossos leitores?
Estes dois casos, recentes, mostram o quanto os políticos –
e parte dos assessores que os cercam – estão despreparados para lidar com a
selva da internet. Hoje, uma palavra equivocada, uma postura condenável, pode
ser a diferença entre ser festejado ou execrado, entre ser eleito ou não.
O eleitor, por sua vez, está mais exigente, mais ciente de
seu poder. Não considera um favor ou uma benesse ter uma pergunta respondida
por um político que se arrisca nas mídias sociais. O espaço virtual arrebentou
as “barreiras protocolares” que separavam político e eleitor. É como se
fossemos todos habitantes de uma cidadezinha do interior onde o prefeito
esbarra com o barbeiro na praça, onde o vereador senta-se no banco da praça com
o taxista.
Não há mais espaço para amadorismo na internet. Resta aos
políticos encararem este novo ambiente com seriedade. Aos seus assessores cabe
o dever de estarem preparados para fazer frente a uma guerra diária contra a
omissão. Em um ambiente como este qualquer tropeço pode ser fatal.
Mais uma edição da Semana Online. No destaque, uma reportagem sobre a Aids no Brasil e uma entrevista com o prefeito de Campo Grande (MS) - e pré-candidato ao governo do Estado - Nelson Trad Filho.
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