Mais uma edição da Semana Online. No destaque, uma reportagem sobre a Aids no Brasil e uma entrevista com o prefeito de Campo Grande (MS) - e pré-candidato ao governo do Estado - Nelson Trad Filho.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Che Guevara: uma biografia - Jon Lee Anderson
O anjo e o
demônio
“Ali, onde o
amor desperta, morre o eu, déspota sombrio”
O ser humano
é multifacetado e esta é a beleza da humanidade Não somos nem anjos e nem
demônios, mas um amálgama de desejos, sonhos e ações. Ainda assim, tendemos a
cair na armadilha do maniqueísmo. A forma como analisamos a vida e a morte do
revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara é um exemplo disso.
Quarenta e
cinco anos após sua execução na Bolívia, sua imagem ainda divide opiniões,
apaixonadamente. Endeusado por setores da esquerda como exemplo da pureza
socialista, de homem de bem. Execrado por setores da direita como um assassino
sanguinário, personificação do mal. Ambas as leituras deixam de lado o ser
humano Ernesto. Menino, adolescente, homem repleto de virtudes e de defeitos,
desejos e esperanças.
A maioria das
obras sobre sua vida é formada por hagiografias oficiais cubanas ou
demonizações montadas por inimigos políticos. É fato que Che encarnou todo o
horror proveniente da cegueira ideológica que justifica os atos mais
monstruosos em nome de uma causa superior, de uma verdade absoluta. É fato,
também, que abriu mão de tudo o que estimava para lutar e morrer em um campo de
batalha estrangeiro tendo em mente a construção de um mundo melhor.
Fruto de um
trabalho hercúleo do escritor Jon Lee Anderson, o livro “Che Guevara: uma
biografia” – cuja edição revisada foi lançada recentemente e cuja leitura
finalizei esta semana – aborda com maestria esta dicotomia em uma viagem fascinante
pela vida e pensamento de Che.
O livro de
Anderson nos leva a uma jornada que aponta os caminhos que concretizaram a
formação de seu caráter e, posteriormente, a construção de sua base
político-ideológica que desagua em uma série de acontecimentos que
transformaram um jovem argentino de classe privilegiada em um revolucionário
internacional, revelando, ainda, como, no choque entre a bigorna e o martelo, surgiu um
homem apaixonado por uma ideia e disposto a matar e morrer por ela.
Confrontado
pelas marcantes diferenças sociais com que se deparou em suas andanças pelas
Américas do Sul e Central na década de 50, e pela constante e despótica
ingerência norte-americana na região durante o início da Guerra Fria, Che alimentou
pouco a pouco uma concepção de mundo na qual o enfrentamento entre as massas
exploradas do continente e o imperialismo norte-americano seria inevitável.
Posteriormente, esta concepção encontrou o respaldo teórico no marxismo e, em
última instância, na luta armada.
Para Che, a
política era um mecanismo para as mudanças sociais e eram elas, e não o poder
em si, que o impeliam. Mas é exatamente na manipulação prática do poder, em uma opção ideológica focada no
marxismo, que repousa o principal equivoco de Che (e dos demais movimentos revolucionários
de esquerda que irromperam no entre as décadas de 60 e 70): a supressão do
indivíduo e da individualidade pela força e pela coerção, a adoção da “fé
socialista” em detrimento das mais básicas noções de humanidade. Em suas
próprias palavras: “Não lhe posso dizer, nem aproximadamente, em que momento
deixei o caminho da razão e adotei algo parecido com a fé, porque o caminho foi
muito longo e com muitos passos para trás.”.
Este caminho,
cujo início é marcado por “Nota al Margen”, texto escrito por Che em Buenos
Aires retratando suas experiências na Guatemala, levou-o a uma encruzilhada
que, alguns anos depois, culminou em sua morte.
“O futuro
pertence ao povo e, pouco a pouco, ou de um só golpe, ele vai tomar o poder,
aqui e no mundo inteiro. O ruim é que eles têm de se civilizar e isso não pode
acontecer antes, mas só depois que tomarem o poder. Eles se tornarão
civilizados somente aprendendo às custas de seus próprios erros, que serão
graves, e que custarão muitas vidas inocentes. Ou talvez não, talvez não sejam
inocentes, porque terão cometido o imenso crime contra natura, que significa
sua falta de capacidade de se adaptar. Todos eles, todos os que não forem
adaptáveis, você e eu, por exemplo, morrerão amaldiçoando o poder que nós, com
enorme sacrifício, ajudamos a criar”.
O texto acima
é a primeira expressão de Che da abstração do “eu”
em prol do “nós”. Ocorre que não existe “nós” sem o “eu”.
“Quando a
sociedade chega a certo estágio de desenvolvimento e é capaz de iniciar a dura
luta de destruir o poder opressor, de destruir seu braço forte, o Exército, e
de tomar o poder, então o homem recupera uma vez mais a antiga sensação de
felicidade no trabalho, a felicidade de cumprir com um dever, de se sentir
importante dentro do mecanismo social. Torna-se feliz por se sentir um dente na
engrenagem, um dente que tem suas próprias características e é necessário,
embora não indispensável, para o processo produtivo, um dente consciente, um
dente que tem seu motor próprio, e que tenta conscientemente esforçar-se mais e
mais a fim de levar a um feliz desfecho uma das premissas da construção do
socialismo: a criação de uma quantidade suficiente de bens de consumo para toda
a população.”
O hábito de
Che de se referir ao povo, aos trabalhadores, como peças de maquinaria permite
vislumbrar seu distanciamento emocional da realidade individual. Ele tinha a mentalidade
friamente analítica do pesquisador médico e do jogador de xadrez. Os termos que
empregava para os indivíduos eram redutores, enquanto o valor do trabalho no
contexto social era idealizado, apresentado liricamente.
Em carta a
mãe, disse: “A noção do ‘eu’ desapareceu inteiramente, para dar lugar a noção
do ‘nós’. Era um ponto da moral comunista e, naturalmente, pode parecer um
exagero doutrinário, porém realmente foi (e é) maravilhoso ser capaz de sentir
a remoção do ‘eu’”.
“Che Guevara
agora estava em guerra, tentando criar uma revolução. Fizera um salto
consciente de fé e entrara em um domínio no qual se podiam tomar vidas por um
ideal e os fins de fato justificavam os meios. As pessoas não eram mais apenas
pessoas. Cada uma representava um lugar dentro de um esquema global das coisas
e poderia ser vista, na maioria das vezes, como amiga ou inimiga”, reflete
Anderson.
Che abraçara
a revolução como a encarnação definitiva das lições da história e como o
caminho correto para o futuro. Agora, convencido de que estava certo, olhava em
volta com os olhos de um inquisidor em busca daqueles que poderiam pôr em
perigo sua sobrevivência.
É exatamente este ponto da personalidade de Che, a capacidade abstrair-se do indivíduo, da micro-humanidade, em prol de uma visão macro do homem é que mais me fascina, de uma forma negativa, porém. Seu pai, geralmente tão míope em relação ao filho, escreveu: “Ernesto tinha brutalizado sua própria sensibilidade” para se tornar um revolucionário.
Alberto
Granado – que percorreu a América Latina com Che em 1952 - recordou uma
conversa em que assinalou o que, na sua opinião, era a diferença fundamental
entre os dois. Che era capaz de olhar pela luneta de um fuzil para um soldado e
puxar o gatilho, sabendo que, ao mata-lo, estava “salvando 30 mil futuras
crianças de viver na fome”, enquanto ele, Granado, veria um homem com esposa e
filhos.
Este afastamento
da realidade – mesmo que em prol de um ilusório bem maior – é o grande símbolo
dos totalitarismos de esquerda, a vala na qual todas as experiências do
socialismo real atolaram e sucumbiram.
O trecho a
seguir é um exemplo da frieza cortante do revolucionário.
-
Alguns dias
depois, os irmãos testemunharam um exemplo da justiça sumária de Che. Enrique
Acevedo relembrou essa ocasião de forma vívida: “De madrugada, trouxeram um
homem grande, com uma farda verde, cabeça raspada como os militares, bigodes
grandes: é [René] Cuervo, que anda causando encrencas na zona de San Pablo de
Yao e de Veja la Yua. Cometeu abusos sob a bandeira do 26 de Julho (...). Che o
recebe deitado na rede. O prisioneiro lhe estende a mão, mas não encontra
resposta. O que dizem não chega aos nossos ouvidos, embora se perceba que o tom
é duro. Parece ser um julgamento sumário. No final, [Che] o manda embora com um
gesto de desprezo com a mão. Levam-no para uma ravina e o executam com um rifle
de calibre 22, tendo que dar três tiros. [Finalmente] Che salta da rede e
berra: Basta!
-
A banalização
da vida também é marcada por este trecho do
diário de Che no qual ele se admoesta por uma “fraqueza” durante os combates. “Houve
um pequeno combate e recuamos com muita rapidez. A posição era ruim e eles nos
cercavam, mas oferecemos uma pequena resistência. Pessoalmente, notei algo que
nunca sentira antes: a necessidade de viver. Isso precisa ser corrigido na
próxima oportunidade.”.
Ora, nada mais
amedrontador. Um homem capaz de suprimir sua própria necessidade de viver,
fatalmente ampliará esta exigência aos demais. Não seria incorreto imaginar que
Fidel Castro usou esta faceta de Che para que o argentino fizesse o trabalho sujo enquanto Castro tratava de assegurar
sua liderança frente aos muitos grupos políticos envolvidos na vitória da
revolução sob a bandeira do Movimento 26 de Julho.
Para
Anderson, Fidel precisava de Che para a indispensável tarefa de expurgo do
antigo Exército, para consolidar a vitória aplicando a justiça revolucionária
contra os traidores, os chivatos (informantes do regime) e os criminosos de
guerra de Batista. Che se transformou no promotor supremo, aquele que tomava a
decisão final sobre o destino dos homens. E, pela revolução, não se furtou
desta incumbência.
Em Janeiro de
1960 o arquiteto Nicolás Quintana teve um encontro marcante com Che – já um
prócere da revolução. “Ele me disse: ‘Olhe, as revoluções são feias, porém
necessárias, e parte desse processo revolucionário é a injustiça a serviço da
justiça futura’”, recordou Quintana. “Jamais conseguirei esquecer essa frase.
Repliquei que isso era a Utopia de Thomas Moore. Disse que nós tínhamos ficado
na merda por causa dessa história durante muito tempo, por acreditarmos que conseguiríamos
alguma coisa, não agora, mas no futuro.
Che ficou olhando para mim por um tempo
e falou: ‘Bem. Você não acredita no futuro da revolução.’ Eu lhe disse que não
acreditava em nada que fosse baseado na injustiça."
Che então lhe
perguntou: “Mesmo que a injustiça seja salutar?”
Ao que Quintana
retrucou: “Não creio que, para os que morrem, você possa falar em injustiça
salutar.”
A resposta de
Che foi imediata: “Você tem que deixar Cuba. Tem três opções: vai embora de
Cuba e não há problema nenhum comigo, ou trinta anos [na prisão] no futuro
próximo, ou o pelotão de fuzilamento.”
É fascinante
perceber que por detrás desta frieza havia também um homem amoroso, ainda que este
amor estivesse profundamente contaminado pela ideologia.
Em sua carta
de despedida aos cubanos ao embarcar secretamente a Bolívia, Che diz: “Deixem-me
dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é
guiado por fortes sentimentos de amor. É impossível pensar em um revolucionário
autêntico sem essa característica. Este é, talvez, um dos maiores dramas de um
líder: ele precisa combinar um espírito apaixonado com uma mente fria, e tomar
decisões dolorosas sem mexer um músculo. Nossos revolucionários de vanguarda
precisam idealizar seu amor pelo povo, pelas causas mais sagradas, e torna-lo
uno e indivisível. Eles não podem se rebaixar, com pequenas doses de afeto
diário, aos lugares onde os homens comuns põem seu amor em prática”.
Em Che, a
nossa dicotomia humana está presente, à flor da pele, escancarada. Eles estão
ali, visíveis, o anjo ao lado do demônio.
“O que o levou
a resolver operar em nosso país?”, perguntou o Coronel Andrés Selich ao seu
prisioneiro, Che Guevara, em La Higuera, na Bolívia, sete anos depois do
encontro com Quintana.
“O senhor não
vê o estado em que vivem os camponeses?”, perguntou Che. “São quase como
selvagens, vivendo em um estado de pobreza que deprime o coração, tendo apenas
um aposento no qual dormem e comem, sem roupas para vestir, abandonados como
animais (...).”
É terrível
observar uma de suas últimas fotos,
na qual Che aparece como uma fera selvagem subjugada, o rosto magro voltado
sombriamente para baixo, os cabelos compridos emaranhados, os braços amarrados
na frente do corpo, ao lado do agente cubano-norte americano Félix Rodriguez,
da CIA, logo após a execução de Willy (Simeón
Cuba Sarabia).
Seus últimos momentos, narrados por Anderson, são de uma força emocional
estupenda e nos fazem conjecturar se no fim ele pensou em si mesmo como um
homem, um indivíduo real em meio à coletividade subjetiva.
-
Rodriguez
levou Che de volta para dentro da escola e retomaram a conversa, mas foram
interrompidos por mais disparos. Dessa vez o executado foi, ao que consta, Juan
Pablo Chang, que fora capturado, ferido, e trazido com vida naquela manhã. A
essa altura, os corpos de Aniceto e Pancho, que tinham sido abatidos na ravina,
também estavam ali. “Che parou de falar”, recordou Rodriguez. “Não disse nada
sobre os tiros, mas seu rosto espelhava tristeza e ele sacudiu a cabeça várias
vezes, lentamente, de um lado para o outro. Talvez tenha sido nessa instante
que se deu conta de que ele também estava condenado, embora eu não lhe tenha
dito nada até pouco antes de uma da tarde”.
Rodriguez viu
que não podia retardar mais e voltou para dentro da escola. Entrou na sala de
Che e disse que estava triste, que fizera tudo que podia, mas as ordens tinham
vindo do alto-comando boliviano. Ele não terminou a frase, mas Che entendeu.
Seguindo Rodríguez, o rosto de Che ficou momentaneamente pálido, e ele disse: “É
melhor assim (...). Eu nunca deveria ter sido capturado vivo”.
Rodriguez
perguntou se ele tinha alguma mensagem para sua família, e Che lhe pediu para “dizer
a Fidel que ele logo verá uma revolução triunfante na América (...) E diga à
minha mulher que se case de novo e tente ser feliz”.
Diante disso,
Rodríguez contou, ele deu um passo à frente para abraçar Che. “Foi um momento
tremendamente emocionante para mim. Não o odiava mais. Sua hora da verdade
tinha chegado e ele estava se portando como homem. Estava encarando sua morte
com coragem e elegância.”
Pouco depois
Che foi fuzilado pelo sargento Mario Terán, era uma e dez da tarde do dia 9 de
outubro de 1967. Ele tinha 39 anos.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Política, partidos e voto
A democracia costuma nos levar a crer que a política é uma atividade de massas. No entanto, o voto que cometemos a cada eleição não é um indicador confiável da participação efetiva na política, mas, isso sim, apenas o exercício de um dever, posto que é obrigatório. Enquanto isso, a maior parte da população brasileira não incorpora a política institucionalizada. Para ela, política é “coisa de político” e, a ela, cabe apenas o ato de votar.
A consequência é o crescente descrédito em relação à política e aos políticos. No fim das contas, o que o eleitor espera é apenas que os políticos não atrapalhem sua vida. A política passa desapercebida de suas vidas, quase como parte do mundo da ficção, mais uma telenovela em que há capítulos mais emocionantes e outros mais xoxos. No fundo, ele não se sente pertencente aquele mundo. Os políticos estão em outro nível de existência.
Classificado como alienado, analfabeto político, este eleitor se encaixa perfeitamente nas fatias do conservadorismo, são a delícia dos políticos profissionais, tão dependentes do voto desqualificado.
Mas espere aí... Há uma diferença entre ser apolítico e anti-político (contra os políticos e a política partidária). Não participar da política institucional não significa não fazer política: a negação é também uma ação política.
É fato que o ser humano age por interesse. Somos cãezinhos a espera de uma recompensa. É exatamente a expectativa deste afago que gira as engrenagens da política partidária. Até mesmo aqueles militantes idealistas esperam alcançar algo, mesmo que seja apenas o simples reconhecimento de que são timoneiros de uma nova sociedade.
De origem latina, a palavra interesse significa “estar entre”, “no meio”, “participar”. Nada mais inerente a um partido político, organizações cuja essência é exatamente a construção de mecanismos que viabilizem a conquista de interesses, e de um lugar entre os que têm acesso a determinados bens simbólicos e materiais inacessíveis à maioria dos representados e governados.
O objetivo principal de um partido político é chegar ao poder, o que acaba significando a conquista do governo e de espaços dentro da máquina pública. É exatamente aí que a mula empaca. Neste momento ocorre uma inversão na qual são as instituições do Estado que acabam por conquistar os partidos. Projetos e propostas caem por terra e o objetivo primal se reduz simplesmente à garantia dos cargos conquistados e, em consequência, na construção de uma estrutura que transfira estes espaços a membros do mesmo grupo nos governos seguintes.
É exatamente por isso que todos os partidos soam iguais. Os discursos pré-eleitorais e as ações pós-eleições não são diferentes para PT, PMDB, PSDB, PP ou seja lá que sigla for. A única forma de quebrar este paradigma obsceno é entender que política não se limita a partido. Ela se faz diariamente, em cada decisão que tomamos.
A consequência é o crescente descrédito em relação à política e aos políticos. No fim das contas, o que o eleitor espera é apenas que os políticos não atrapalhem sua vida. A política passa desapercebida de suas vidas, quase como parte do mundo da ficção, mais uma telenovela em que há capítulos mais emocionantes e outros mais xoxos. No fundo, ele não se sente pertencente aquele mundo. Os políticos estão em outro nível de existência.
Classificado como alienado, analfabeto político, este eleitor se encaixa perfeitamente nas fatias do conservadorismo, são a delícia dos políticos profissionais, tão dependentes do voto desqualificado.
Mas espere aí... Há uma diferença entre ser apolítico e anti-político (contra os políticos e a política partidária). Não participar da política institucional não significa não fazer política: a negação é também uma ação política.
É fato que o ser humano age por interesse. Somos cãezinhos a espera de uma recompensa. É exatamente a expectativa deste afago que gira as engrenagens da política partidária. Até mesmo aqueles militantes idealistas esperam alcançar algo, mesmo que seja apenas o simples reconhecimento de que são timoneiros de uma nova sociedade.
De origem latina, a palavra interesse significa “estar entre”, “no meio”, “participar”. Nada mais inerente a um partido político, organizações cuja essência é exatamente a construção de mecanismos que viabilizem a conquista de interesses, e de um lugar entre os que têm acesso a determinados bens simbólicos e materiais inacessíveis à maioria dos representados e governados.
O objetivo principal de um partido político é chegar ao poder, o que acaba significando a conquista do governo e de espaços dentro da máquina pública. É exatamente aí que a mula empaca. Neste momento ocorre uma inversão na qual são as instituições do Estado que acabam por conquistar os partidos. Projetos e propostas caem por terra e o objetivo primal se reduz simplesmente à garantia dos cargos conquistados e, em consequência, na construção de uma estrutura que transfira estes espaços a membros do mesmo grupo nos governos seguintes.
É exatamente por isso que todos os partidos soam iguais. Os discursos pré-eleitorais e as ações pós-eleições não são diferentes para PT, PMDB, PSDB, PP ou seja lá que sigla for. A única forma de quebrar este paradigma obsceno é entender que política não se limita a partido. Ela se faz diariamente, em cada decisão que tomamos.
Ainda não conferiu esta edição da Semana Online?
No destaque: o terror do bullying cibernético e uma entrevista com o advogado e ex-juiz eleitoral André Borges.
Confira na SEMANA ONLINE - www.semanaonline.com.br
No destaque: o terror do bullying cibernético e uma entrevista com o advogado e ex-juiz eleitoral André Borges.
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Liberdade x Anonimato
Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.
Pilar fundamental de uma sociedade livre, a liberdade de expressão é base, também, para o anonimato. Alguns defendem que ele é vital para a liberdade de expressão. Afinal, em um mundo dominado pelo poder político e econômico, a sustentação de opiniões e de denúncias graves pode, fatalmente, condenar uma pessoa ao ostracismo profissional, ou a coisa pior, dependendo do alvo da denúncia e do nível de garantias civis vigentes.
Há, também, quem execre esta prática sob o argumento de que, ainda que a intenção seja proteger a liberdade de expressão, o anonimato é vedado pela nossa Constituição, com o objetivo de evitar os abusos que podem surgir através dele.
No cerne deste pensamento está a noção de que não se assegura a liberdade a quem não assume suas opiniões. Até porque o exercício desta liberdade implica determinados ônus como, por exemplo, responder por eventuais injúrias ou difamações, que não seriam assegurados pelo anonimato. Resumindo: você pode se manifestar, mas não pode se esconder.
Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.
Pilar fundamental de uma sociedade livre, a liberdade de expressão é base, também, para o anonimato. Alguns defendem que ele é vital para a liberdade de expressão. Afinal, em um mundo dominado pelo poder político e econômico, a sustentação de opiniões e de denúncias graves pode, fatalmente, condenar uma pessoa ao ostracismo profissional, ou a coisa pior, dependendo do alvo da denúncia e do nível de garantias civis vigentes.
Há, também, quem execre esta prática sob o argumento de que, ainda que a intenção seja proteger a liberdade de expressão, o anonimato é vedado pela nossa Constituição, com o objetivo de evitar os abusos que podem surgir através dele.
No cerne deste pensamento está a noção de que não se assegura a liberdade a quem não assume suas opiniões. Até porque o exercício desta liberdade implica determinados ônus como, por exemplo, responder por eventuais injúrias ou difamações, que não seriam assegurados pelo anonimato. Resumindo: você pode se manifestar, mas não pode se esconder.
Pilar fundamental de uma sociedade livre, a liberdade de expressão é base, também, para o anonimato. Alguns defendem que ele é vital para a liberdade de expressão. Afinal, em um mundo dominado pelo poder político e econômico, a sustentação de opiniões e de denúncias graves pode, fatalmente, condenar uma pessoa ao ostracismo profissional, ou a coisa pior, dependendo do alvo da denúncia e do nível de garantias civis vigentes.
Há, também, quem execre esta prática sob o argumento de que, ainda que a intenção seja proteger a liberdade de expressão, o anonimato é vedado pela nossa Constituição, com o objetivo de evitar os abusos que podem surgir através dele.
No cerne deste pensamento está a noção de que não se assegura a liberdade a quem não assume suas opiniões. Até porque o exercício desta liberdade implica determinados ônus como, por exemplo, responder por eventuais injúrias ou difamações, que não seriam assegurados pelo anonimato. Resumindo: você pode se manifestar, mas não pode se esconder.
Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.
Pilar fundamental de uma sociedade livre, a liberdade de expressão é base, também, para o anonimato. Alguns defendem que ele é vital para a liberdade de expressão. Afinal, em um mundo dominado pelo poder político e econômico, a sustentação de opiniões e de denúncias graves pode, fatalmente, condenar uma pessoa ao ostracismo profissional, ou a coisa pior, dependendo do alvo da denúncia e do nível de garantias civis vigentes.
Há, também, quem execre esta prática sob o argumento de que, ainda que a intenção seja proteger a liberdade de expressão, o anonimato é vedado pela nossa Constituição, com o objetivo de evitar os abusos que podem surgir através dele.
No cerne deste pensamento está a noção de que não se assegura a liberdade a quem não assume suas opiniões. Até porque o exercício desta liberdade implica determinados ônus como, por exemplo, responder por eventuais injúrias ou difamações, que não seriam assegurados pelo anonimato. Resumindo: você pode se manifestar, mas não pode se esconder.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O voto inútil
"Não vou desperdiçar meu voto...”. Confesso que toda vez que ouço esta frase infeliz sinto um arrepio percorrer minha espinha dorsal. Não há nada mais estúpido, mais ideologicamente incorreto, mais politicamente idiota do que condicionar seu voto a algum fim que não seja a simples representação da sua convicção política.
“Vou votar em fulano porque ele já está na frente das pesquisas e vai ganhar mesmo...”, ou “não vou votar em sicrano porque ele não tem chances de ganhar mesmo...”. Ora, eleição não é corrida de cavalos. O eleitor não vota com o objetivo de, no final, se vangloriar com os amigos como se o seu time de futebil tivesse ganho a final do campeonato: “Meu candidato ganhou, o seu não, lá, lá, lá, la, lá...”.
O voto é uma das muitas expressões da cidadania e, sendo ou não vencedor, àquele candidato que incorpora as convicções do eleitor terá construído sua representatividade de acordo com o número de votos que recebeu. É assim que funciona a democracia representativa.
Infelizmente, o analfabetismo político que impera no Brasil permite que a lógica capenga do chamado "voto útil" seja decisiva nas eleições. Este fenômeno pernicioso é parcialmente resultante do uso abusivo das pesquisas eleitorais.
O argumento para a sua utilização é justificado pela necessidade de nortear as campanhas políticas, dar um direcionamento as estratégias. Na prática, porém, a função é outra. As campanhas são utilizadas não apenas internamente pelos comitês eleitorais, mas também na mídia, como forma de persuadir o eleitorado. O cientista político chileno Xosé Rúas diz que o abuso dos institutos de pesquisa faz delas uma perigosa arma de informação, que exerce pressão sobre o eleitorado e desestabiliza os adversários. No Brasil não é diferente.
De forma geral, as pesquisas favorecem o candidato que aparece em primeiro lugar nas intenções de voto do eleitorado. Eventualmente, o segundo e até o terceiro colocados podem delas se beneficiar, quando a diferença para o primeiro for pequena ou quando demonstrarem ascensão. Saem inevitavelmente prejudicados os demais candidatos, àqueles que “não vão ganhar as eleições mesmo”.
A Constituição Federal garante que todo o poder emana do povo. Para o exercício desse poder, elegem-se os representantes, cuja escolha deve ser embasada não pela influência coletiva, mas pelos valores e princípios defendidos pelo candidato, por suas propostas e seu histórico.
Nada substitui a vontade do eleitor diante da urna, mas é inegável a influência que as pesquisas exercem na decisão de voto e nos espaços que os candidatos têm na mídia.
Para combater este mal, é preciso ter em mente que cada voto faz diferença no processo eleitoral.
“Vou votar em fulano porque ele já está na frente das pesquisas e vai ganhar mesmo...”, ou “não vou votar em sicrano porque ele não tem chances de ganhar mesmo...”. Ora, eleição não é corrida de cavalos. O eleitor não vota com o objetivo de, no final, se vangloriar com os amigos como se o seu time de futebil tivesse ganho a final do campeonato: “Meu candidato ganhou, o seu não, lá, lá, lá, la, lá...”.
O voto é uma das muitas expressões da cidadania e, sendo ou não vencedor, àquele candidato que incorpora as convicções do eleitor terá construído sua representatividade de acordo com o número de votos que recebeu. É assim que funciona a democracia representativa.
Infelizmente, o analfabetismo político que impera no Brasil permite que a lógica capenga do chamado "voto útil" seja decisiva nas eleições. Este fenômeno pernicioso é parcialmente resultante do uso abusivo das pesquisas eleitorais.
O argumento para a sua utilização é justificado pela necessidade de nortear as campanhas políticas, dar um direcionamento as estratégias. Na prática, porém, a função é outra. As campanhas são utilizadas não apenas internamente pelos comitês eleitorais, mas também na mídia, como forma de persuadir o eleitorado. O cientista político chileno Xosé Rúas diz que o abuso dos institutos de pesquisa faz delas uma perigosa arma de informação, que exerce pressão sobre o eleitorado e desestabiliza os adversários. No Brasil não é diferente.
De forma geral, as pesquisas favorecem o candidato que aparece em primeiro lugar nas intenções de voto do eleitorado. Eventualmente, o segundo e até o terceiro colocados podem delas se beneficiar, quando a diferença para o primeiro for pequena ou quando demonstrarem ascensão. Saem inevitavelmente prejudicados os demais candidatos, àqueles que “não vão ganhar as eleições mesmo”.
A Constituição Federal garante que todo o poder emana do povo. Para o exercício desse poder, elegem-se os representantes, cuja escolha deve ser embasada não pela influência coletiva, mas pelos valores e princípios defendidos pelo candidato, por suas propostas e seu histórico.
Nada substitui a vontade do eleitor diante da urna, mas é inegável a influência que as pesquisas exercem na decisão de voto e nos espaços que os candidatos têm na mídia.
Para combater este mal, é preciso ter em mente que cada voto faz diferença no processo eleitoral.
Nesta edição da revista Semana Online, um retrato do trabalhador brasileiro por meio do levantamento do Pnad, uma entrevista com o candidato do PT a Prefeitura de Campo Grande (MS), Vander Loubet, e muito mais. Confira.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Há monstros entre nós
Há monstros entre nós
Volta e meia somos despertados de nossa apatia por casos de violência extrema como o assassinato dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, ocorrido na noite do último dia 30 de agosto, em Campo Grande (MS). Primeiro há uma sensação de incredulidade diante do horror, depois a revolta, seguida por campanhas nas mídias sociais, passeatas pela paz. Finalmente vem o medo de que o impensável aconteça conosco, com nossos entes queridos.
É exatamente este pavor que nos move. O pavor de sermos vítimas dos monstros. E então, nos perguntamos, apavorados, o que podemos fazer para que nossos filhos, nossas esposas e maridos não caiam nas mãos de gente para quem a vida humana vale pouco ou nada. Clamamos por prisão perpétua, desafiamos uma cláusula pétrea da Constituição pedindo por pena de morte. Mas, lá no fundo, sabemos muito bem que isso não resolverá o problema.
Sabemos que a solução está em uma educação de qualidade, em distribuição de renda, no despertar da consciência cívica dos brasileiros, na criação de perspectivas políticas que nos possibilitem vislumbrar um futuro de verdade para este país. Somente assim, casos como o assassinato destes dois jovens serão momentos muito raros em nossas vidas.
Todos nós sabemos disso, e ainda assim não podemos fechar os olhos. Nos trancamos em nossas casas, olhamos de soslaio de dentro de carros selados, rezamos para que alguém ou algo afaste de nós todos os males. Pois há monstros entre nós.
O discurso inócuo e paternalista de nossa herança humanista nos transformou em vítimas de nossa própria civilidade. A política de “passar a mão na cabeça” de menores infratores – muitos facínoras sem recuperação, de privilegiar os direitos humanos do criminoso e não os da vítima está invertendo valores e tornando possível e permissível qualquer tipo de perversidade.
Sim, é preciso evitar que novos monstros nos engulam e para isso é necessário educação e cidadania. Não há dúvidas quanto a isso. Mas enquanto isso, o que faremos com as aberrações que já estão entre nós? O que faremos com estas pessoas capazes de torturar dois jovens, fazê-los deitar em uma vala e simplesmente atirar contra suas cabeças?
Não há mais limites para esta turba de degenerados que, na verdade, são humanos como nós: o que é mais assustador. Ainda que não seja a solução para o problema, a sociedade precisa sentir que a mão do Estado pode vingar-se por ela. Prisão perpétua e pena de morte são vinganças a altura? Muitos as rejeitam, seja por excesso de civilidade ou por questões de cunho religioso. Muitos a aceitam, pois precisam tirar de dentro de si e entregar ao Estado aquela centelha de mal que pode levá-los a se transformarem, eles próprios, em algozes de suas próprias consciências.
Volta e meia somos despertados de nossa apatia por casos de violência extrema como o assassinato dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, ocorrido na noite do último dia 30 de agosto, em Campo Grande (MS). Primeiro há uma sensação de incredulidade diante do horror, depois a revolta, seguida por campanhas nas mídias sociais, passeatas pela paz. Finalmente vem o medo de que o impensável aconteça conosco, com nossos entes queridos.
É exatamente este pavor que nos move. O pavor de sermos vítimas dos monstros. E então, nos perguntamos, apavorados, o que podemos fazer para que nossos filhos, nossas esposas e maridos não caiam nas mãos de gente para quem a vida humana vale pouco ou nada. Clamamos por prisão perpétua, desafiamos uma cláusula pétrea da Constituição pedindo por pena de morte. Mas, lá no fundo, sabemos muito bem que isso não resolverá o problema.
Sabemos que a solução está em uma educação de qualidade, em distribuição de renda, no despertar da consciência cívica dos brasileiros, na criação de perspectivas políticas que nos possibilitem vislumbrar um futuro de verdade para este país. Somente assim, casos como o assassinato destes dois jovens serão momentos muito raros em nossas vidas.
Todos nós sabemos disso, e ainda assim não podemos fechar os olhos. Nos trancamos em nossas casas, olhamos de soslaio de dentro de carros selados, rezamos para que alguém ou algo afaste de nós todos os males. Pois há monstros entre nós.
O discurso inócuo e paternalista de nossa herança humanista nos transformou em vítimas de nossa própria civilidade. A política de “passar a mão na cabeça” de menores infratores – muitos facínoras sem recuperação, de privilegiar os direitos humanos do criminoso e não os da vítima está invertendo valores e tornando possível e permissível qualquer tipo de perversidade.
Sim, é preciso evitar que novos monstros nos engulam e para isso é necessário educação e cidadania. Não há dúvidas quanto a isso. Mas enquanto isso, o que faremos com as aberrações que já estão entre nós? O que faremos com estas pessoas capazes de torturar dois jovens, fazê-los deitar em uma vala e simplesmente atirar contra suas cabeças?
Não há mais limites para esta turba de degenerados que, na verdade, são humanos como nós: o que é mais assustador. Ainda que não seja a solução para o problema, a sociedade precisa sentir que a mão do Estado pode vingar-se por ela. Prisão perpétua e pena de morte são vinganças a altura? Muitos as rejeitam, seja por excesso de civilidade ou por questões de cunho religioso. Muitos a aceitam, pois precisam tirar de dentro de si e entregar ao Estado aquela centelha de mal que pode levá-los a se transformarem, eles próprios, em algozes de suas próprias consciências.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
O fim da inocência
Durante décadas o PT incorporou a imagem de um partido além de qualquer suspeita, um partido que tinha na ética, na boa condução da coisa pública, no compromisso com um jeito diferente de fazer política os seus maiores e mais importantes cacifes eleitorais. Os muitos escândalos a que governos petistas - especialmente o Governo Lula - se viram enredados nos últimos anos foram sempre escanteados por falta de provas ou contornados com bois de piranha sacrificados nos escalões mais baixos de modo a preservar a cúpula do partido.
Tudo isso caiu por terra nesta semana, com a condenação do deputado federal – e ex-candidato a prefeitura de Osasco (SP) – João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e peculato (desvio de recursos públicos) no julgamento do Mensalão. Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo condenou João Paulo por ter recebido R$ 50 mil para beneficiar agência do empresário Marcos Valério em contrato com a Câmara na época em que presidia a Casa (2003-2004).
A condenação de João Paulo Cunha abre as portas para a confirmação do Mensalão como esquema de barganha política e deixa o ex-presidente Lula em uma saia justa como nunca antes na história deste país outro ex-presidente já esteve.
Afinal, faz apenas alguns dias que Lula repetiu ao jornal New York Times a ladainha que vem sustentando desde o início do caso: "Eu não acredito que houve mensalão". A justificativa do petista é de que ele, quando presidente, já tinha apoio suficiente do Congresso e não precisaria comprar adesões. Mais de trinta políticos, incluindo alguns dos seus principais assessores, como José Dirceu, estão implicados no escândalo que a cada dia se torna mais claro.
A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação de João Paulo Cunha. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do STF passem a condenar todos os homens do ex-presidente Lula, entre eles José Dirceu.
Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista. Uma eventual punição para o grupo de Lula - e principalmente para Dirceu, considerado "réu símbolo" do processo - representaria a condenação moral do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar dos pesares, não seria honesto demonizar o PT ou Lula. O partido e o ex-presidente não são piores do que os demais partidos e próceres de nossa política. Nada disso. Eles são apenas iguais.
Tudo isso caiu por terra nesta semana, com a condenação do deputado federal – e ex-candidato a prefeitura de Osasco (SP) – João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e peculato (desvio de recursos públicos) no julgamento do Mensalão. Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo condenou João Paulo por ter recebido R$ 50 mil para beneficiar agência do empresário Marcos Valério em contrato com a Câmara na época em que presidia a Casa (2003-2004).
A condenação de João Paulo Cunha abre as portas para a confirmação do Mensalão como esquema de barganha política e deixa o ex-presidente Lula em uma saia justa como nunca antes na história deste país outro ex-presidente já esteve.
Afinal, faz apenas alguns dias que Lula repetiu ao jornal New York Times a ladainha que vem sustentando desde o início do caso: "Eu não acredito que houve mensalão". A justificativa do petista é de que ele, quando presidente, já tinha apoio suficiente do Congresso e não precisaria comprar adesões. Mais de trinta políticos, incluindo alguns dos seus principais assessores, como José Dirceu, estão implicados no escândalo que a cada dia se torna mais claro.
A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação de João Paulo Cunha. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do STF passem a condenar todos os homens do ex-presidente Lula, entre eles José Dirceu.
Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista. Uma eventual punição para o grupo de Lula - e principalmente para Dirceu, considerado "réu símbolo" do processo - representaria a condenação moral do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar dos pesares, não seria honesto demonizar o PT ou Lula. O partido e o ex-presidente não são piores do que os demais partidos e próceres de nossa política. Nada disso. Eles são apenas iguais.
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