"Não vou desperdiçar meu voto...”. Confesso que toda vez que ouço esta frase infeliz sinto um arrepio percorrer minha espinha dorsal. Não há nada mais estúpido, mais ideologicamente incorreto, mais politicamente idiota do que condicionar seu voto a algum fim que não seja a simples representação da sua convicção política.
“Vou votar em fulano porque ele já está na frente das pesquisas e vai ganhar mesmo...”, ou “não vou votar em sicrano porque ele não tem chances de ganhar mesmo...”. Ora, eleição não é corrida de cavalos. O eleitor não vota com o objetivo de, no final, se vangloriar com os amigos como se o seu time de futebil tivesse ganho a final do campeonato: “Meu candidato ganhou, o seu não, lá, lá, lá, la, lá...”.
O voto é uma das muitas expressões da cidadania e, sendo ou não vencedor, àquele candidato que incorpora as convicções do eleitor terá construído sua representatividade de acordo com o número de votos que recebeu. É assim que funciona a democracia representativa.
Infelizmente, o analfabetismo político que impera no Brasil permite que a lógica capenga do chamado "voto útil" seja decisiva nas eleições. Este fenômeno pernicioso é parcialmente resultante do uso abusivo das pesquisas eleitorais.
O argumento para a sua utilização é justificado pela necessidade de nortear as campanhas políticas, dar um direcionamento as estratégias. Na prática, porém, a função é outra. As campanhas são utilizadas não apenas internamente pelos comitês eleitorais, mas também na mídia, como forma de persuadir o eleitorado. O cientista político chileno Xosé Rúas diz que o abuso dos institutos de pesquisa faz delas uma perigosa arma de informação, que exerce pressão sobre o eleitorado e desestabiliza os adversários. No Brasil não é diferente.
De forma geral, as pesquisas favorecem o candidato que aparece em primeiro lugar nas intenções de voto do eleitorado. Eventualmente, o segundo e até o terceiro colocados podem delas se beneficiar, quando a diferença para o primeiro for pequena ou quando demonstrarem ascensão. Saem inevitavelmente prejudicados os demais candidatos, àqueles que “não vão ganhar as eleições mesmo”.
A Constituição Federal garante que todo o poder emana do povo. Para o exercício desse poder, elegem-se os representantes, cuja escolha deve ser embasada não pela influência coletiva, mas pelos valores e princípios defendidos pelo candidato, por suas propostas e seu histórico.
Nada substitui a vontade do eleitor diante da urna, mas é inegável a influência que as pesquisas exercem na decisão de voto e nos espaços que os candidatos têm na mídia.
Para combater este mal, é preciso ter em mente que cada voto faz diferença no processo eleitoral.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Nesta edição da revista Semana Online, um retrato do trabalhador brasileiro por meio do levantamento do Pnad, uma entrevista com o candidato do PT a Prefeitura de Campo Grande (MS), Vander Loubet, e muito mais. Confira.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Há monstros entre nós
Há monstros entre nós
Volta e meia somos despertados de nossa apatia por casos de violência extrema como o assassinato dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, ocorrido na noite do último dia 30 de agosto, em Campo Grande (MS). Primeiro há uma sensação de incredulidade diante do horror, depois a revolta, seguida por campanhas nas mídias sociais, passeatas pela paz. Finalmente vem o medo de que o impensável aconteça conosco, com nossos entes queridos.
É exatamente este pavor que nos move. O pavor de sermos vítimas dos monstros. E então, nos perguntamos, apavorados, o que podemos fazer para que nossos filhos, nossas esposas e maridos não caiam nas mãos de gente para quem a vida humana vale pouco ou nada. Clamamos por prisão perpétua, desafiamos uma cláusula pétrea da Constituição pedindo por pena de morte. Mas, lá no fundo, sabemos muito bem que isso não resolverá o problema.
Sabemos que a solução está em uma educação de qualidade, em distribuição de renda, no despertar da consciência cívica dos brasileiros, na criação de perspectivas políticas que nos possibilitem vislumbrar um futuro de verdade para este país. Somente assim, casos como o assassinato destes dois jovens serão momentos muito raros em nossas vidas.
Todos nós sabemos disso, e ainda assim não podemos fechar os olhos. Nos trancamos em nossas casas, olhamos de soslaio de dentro de carros selados, rezamos para que alguém ou algo afaste de nós todos os males. Pois há monstros entre nós.
O discurso inócuo e paternalista de nossa herança humanista nos transformou em vítimas de nossa própria civilidade. A política de “passar a mão na cabeça” de menores infratores – muitos facínoras sem recuperação, de privilegiar os direitos humanos do criminoso e não os da vítima está invertendo valores e tornando possível e permissível qualquer tipo de perversidade.
Sim, é preciso evitar que novos monstros nos engulam e para isso é necessário educação e cidadania. Não há dúvidas quanto a isso. Mas enquanto isso, o que faremos com as aberrações que já estão entre nós? O que faremos com estas pessoas capazes de torturar dois jovens, fazê-los deitar em uma vala e simplesmente atirar contra suas cabeças?
Não há mais limites para esta turba de degenerados que, na verdade, são humanos como nós: o que é mais assustador. Ainda que não seja a solução para o problema, a sociedade precisa sentir que a mão do Estado pode vingar-se por ela. Prisão perpétua e pena de morte são vinganças a altura? Muitos as rejeitam, seja por excesso de civilidade ou por questões de cunho religioso. Muitos a aceitam, pois precisam tirar de dentro de si e entregar ao Estado aquela centelha de mal que pode levá-los a se transformarem, eles próprios, em algozes de suas próprias consciências.
Volta e meia somos despertados de nossa apatia por casos de violência extrema como o assassinato dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo e Leonardo Batista Fernandes, ocorrido na noite do último dia 30 de agosto, em Campo Grande (MS). Primeiro há uma sensação de incredulidade diante do horror, depois a revolta, seguida por campanhas nas mídias sociais, passeatas pela paz. Finalmente vem o medo de que o impensável aconteça conosco, com nossos entes queridos.
É exatamente este pavor que nos move. O pavor de sermos vítimas dos monstros. E então, nos perguntamos, apavorados, o que podemos fazer para que nossos filhos, nossas esposas e maridos não caiam nas mãos de gente para quem a vida humana vale pouco ou nada. Clamamos por prisão perpétua, desafiamos uma cláusula pétrea da Constituição pedindo por pena de morte. Mas, lá no fundo, sabemos muito bem que isso não resolverá o problema.
Sabemos que a solução está em uma educação de qualidade, em distribuição de renda, no despertar da consciência cívica dos brasileiros, na criação de perspectivas políticas que nos possibilitem vislumbrar um futuro de verdade para este país. Somente assim, casos como o assassinato destes dois jovens serão momentos muito raros em nossas vidas.
Todos nós sabemos disso, e ainda assim não podemos fechar os olhos. Nos trancamos em nossas casas, olhamos de soslaio de dentro de carros selados, rezamos para que alguém ou algo afaste de nós todos os males. Pois há monstros entre nós.
O discurso inócuo e paternalista de nossa herança humanista nos transformou em vítimas de nossa própria civilidade. A política de “passar a mão na cabeça” de menores infratores – muitos facínoras sem recuperação, de privilegiar os direitos humanos do criminoso e não os da vítima está invertendo valores e tornando possível e permissível qualquer tipo de perversidade.
Sim, é preciso evitar que novos monstros nos engulam e para isso é necessário educação e cidadania. Não há dúvidas quanto a isso. Mas enquanto isso, o que faremos com as aberrações que já estão entre nós? O que faremos com estas pessoas capazes de torturar dois jovens, fazê-los deitar em uma vala e simplesmente atirar contra suas cabeças?
Não há mais limites para esta turba de degenerados que, na verdade, são humanos como nós: o que é mais assustador. Ainda que não seja a solução para o problema, a sociedade precisa sentir que a mão do Estado pode vingar-se por ela. Prisão perpétua e pena de morte são vinganças a altura? Muitos as rejeitam, seja por excesso de civilidade ou por questões de cunho religioso. Muitos a aceitam, pois precisam tirar de dentro de si e entregar ao Estado aquela centelha de mal que pode levá-los a se transformarem, eles próprios, em algozes de suas próprias consciências.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
O fim da inocência
Durante décadas o PT incorporou a imagem de um partido além de qualquer suspeita, um partido que tinha na ética, na boa condução da coisa pública, no compromisso com um jeito diferente de fazer política os seus maiores e mais importantes cacifes eleitorais. Os muitos escândalos a que governos petistas - especialmente o Governo Lula - se viram enredados nos últimos anos foram sempre escanteados por falta de provas ou contornados com bois de piranha sacrificados nos escalões mais baixos de modo a preservar a cúpula do partido.
Tudo isso caiu por terra nesta semana, com a condenação do deputado federal – e ex-candidato a prefeitura de Osasco (SP) – João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e peculato (desvio de recursos públicos) no julgamento do Mensalão. Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo condenou João Paulo por ter recebido R$ 50 mil para beneficiar agência do empresário Marcos Valério em contrato com a Câmara na época em que presidia a Casa (2003-2004).
A condenação de João Paulo Cunha abre as portas para a confirmação do Mensalão como esquema de barganha política e deixa o ex-presidente Lula em uma saia justa como nunca antes na história deste país outro ex-presidente já esteve.
Afinal, faz apenas alguns dias que Lula repetiu ao jornal New York Times a ladainha que vem sustentando desde o início do caso: "Eu não acredito que houve mensalão". A justificativa do petista é de que ele, quando presidente, já tinha apoio suficiente do Congresso e não precisaria comprar adesões. Mais de trinta políticos, incluindo alguns dos seus principais assessores, como José Dirceu, estão implicados no escândalo que a cada dia se torna mais claro.
A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação de João Paulo Cunha. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do STF passem a condenar todos os homens do ex-presidente Lula, entre eles José Dirceu.
Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista. Uma eventual punição para o grupo de Lula - e principalmente para Dirceu, considerado "réu símbolo" do processo - representaria a condenação moral do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar dos pesares, não seria honesto demonizar o PT ou Lula. O partido e o ex-presidente não são piores do que os demais partidos e próceres de nossa política. Nada disso. Eles são apenas iguais.
Tudo isso caiu por terra nesta semana, com a condenação do deputado federal – e ex-candidato a prefeitura de Osasco (SP) – João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e peculato (desvio de recursos públicos) no julgamento do Mensalão. Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo condenou João Paulo por ter recebido R$ 50 mil para beneficiar agência do empresário Marcos Valério em contrato com a Câmara na época em que presidia a Casa (2003-2004).
A condenação de João Paulo Cunha abre as portas para a confirmação do Mensalão como esquema de barganha política e deixa o ex-presidente Lula em uma saia justa como nunca antes na história deste país outro ex-presidente já esteve.
Afinal, faz apenas alguns dias que Lula repetiu ao jornal New York Times a ladainha que vem sustentando desde o início do caso: "Eu não acredito que houve mensalão". A justificativa do petista é de que ele, quando presidente, já tinha apoio suficiente do Congresso e não precisaria comprar adesões. Mais de trinta políticos, incluindo alguns dos seus principais assessores, como José Dirceu, estão implicados no escândalo que a cada dia se torna mais claro.
A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação de João Paulo Cunha. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do STF passem a condenar todos os homens do ex-presidente Lula, entre eles José Dirceu.
Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista. Uma eventual punição para o grupo de Lula - e principalmente para Dirceu, considerado "réu símbolo" do processo - representaria a condenação moral do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar dos pesares, não seria honesto demonizar o PT ou Lula. O partido e o ex-presidente não são piores do que os demais partidos e próceres de nossa política. Nada disso. Eles são apenas iguais.
Na SEMANA ONLINE,
- Uma reportagem sobre os malefícios do tabaco.
- Uma entrevista com o candidato do PSDB a prefeito de Campo Grande (MS), Reinaldo Azambuja
- Uma reportagem sobre os malefícios do tabaco.
- Uma entrevista com o candidato do PSDB a prefeito de Campo Grande (MS), Reinaldo Azambuja
domingo, 19 de agosto de 2012
Nesta edição da revista SEMANA ONLINE, uma reportagem aprofundada sobre a maconha e os mitos que cercam a erva. Confira.
A mendicância como arte: a dicotomia entre a beleza e o horror no velho mundo
Em
Roma visitei a Basílica de São João, que abriga a chamada Escada Santa – parte
do palácio de Pilatos, a escada teria sido trazida de Jerusalém, no século IV,
por Santa Helena, mãe do imperador Constantino. Foi por ela, reza a lenda, que
Jesus Cristo subiu, após ser flagelado, para ser apresentado ao povo.
Impressionante. Movidas pela fé, as pessoas sobem de joelhos aqueles degraus
agradecendo por graças recebidas ou clamando por ajuda ou perdão.
Na
escadaria que dá acesso às portas da Basílica deparei-me com uma cena tão
tocante quanto às demonstrações de fé que presenciei em seu interior. Uma cena
comum nos pouco mais de 20 dias que passei na Europa entre julho e agosto. A
mendicância. Uma senhora, apoiada em uma bengala, o corpo trêmulo, mão direita
estendida, suplicava alguns euros aos transeuntes. Havia visto o mesmo em
Florença, Pisa e Atenas. Veria o mesmo em Paris, poucos dias depois. Mas, a
mendicância em Roma, de fronte aos suntuosos palácios levantados pela
religiosidade é especialmente chocante.
Dirigi-me
a um padre ao meu lado e perguntei a ele como a Igreja Católica lidava com esta
dicotomia tão violenta entre a beleza dos monumentos sacros que se espalham
pela cidade e o horror da pobreza às suas portas. Ele balançou a cabeça, me
olhou e disse: “Eu não acredito nisso. Estas pessoas são exploradas por gangues
de ciganos que as obrigam a mendigar. Há quem faça 300 euros em um dia”.
É
fato que o tráfico de seres humanos é um problema grave na Europa, tanto para
fins de exploração sexual como para a mendicância organizada. O tráfico humano
para fins de mendicância têm como alvo principal os grupos de ciganos ROM,
provenientes da ex-Iugoslávia e da Romênia, mas também pessoas vindas de
Bangladesh, do Marrocos e da África Subsaariana.
É
fato também que a maior parte da mendicância com que me deparei na Europa é
estilizada ao extremo. Caminhando por Florença me deparei com uma senhora
deitada sobre um meio fio. A metade inferior do corpo entre dois carros
estacionados, a outra metade na calçada. A mão esticada, trêmula. Aquilo me
atingiu violentamente. Tirei um euro do boldo e ofertei. Um dia depois,
passando pela mesma rua, encontrei a mesma senhora, na mesma posição. Desconfiei.
A maior parte dos mendigos europeus adota uma postura quase “artística”.
Postam-se de joelhos, deitados, o rosto coberto, mãos esticadas, trêmulas, o
restante do corpo imóvel. Um amálgama de expressão corporal e arquiteturas que
se mesclam.
A pobreza é
visível na Europa. Parte ou não de um esquema orquestrado, aquelas pessoas são
vítimas, de qualquer forma. Vítimas de gangues organizadas e do caos econômico
que as obriga a mendigar. De um jeito ou de outro, sua condição me agride a
alma. Diante de tanta beleza e história, entre as imagens que mais marcaram
minha viagem ao Velho Mundo está a destas pessoas anônimas.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Nosso voto
Nosso voto
A democracia não se resume ao
voto, ela exige muito mais para gerar bons resultados
Começou. Desde a última sexta-feira,
6, candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador estão livres para
colocar suas campanhas nas ruas. Haverá muitos sorrisos, muitas
palavras simpáticas, muito tapinha nas costas. Todos faceiros e
saltitantes em busca do tão disputado voto.
Na internet, onde pululam assessores
passando por candidatos, esta tempestade de bom mocismo será
violenta. Todos querem deixar transparesser seu compromisso com a
população, com o diálogo, com ideias. No campo virtual, a campanha
será especialmente interessante. Por detrás de retratos sorridentes
e imagens bem trabalhadas, escondido sob frases de efeito, promessas
solenes e posicionamentos incisivos em prol do bem comum, acoitados
pela pele de ovelha da àgora digital se esconderão alguns lobos.
Famintos.
Não é a primeira vez que a internet
se transformará em palanque eleitoral no Brasil. Nas últimas
eleições isso já havia ocorrido. Neste ano, no entanto, o éter
virtual será muito mais importante. O fenômeno das mídias sociais
está mais fincado no dia a dia das pessoas que se acostumaram a
interagir (ou tentar) com seus representantes e “lideranças”. O
fato é que seja nas ruas ou na frente do computador, cada voto será
disputado a tapa.
Por mais imperfeita que seja, a
democracia tem se mostrado, de longe, o melhor sistema político que
fomos capazes de criar. Por meio do voto, cada cidadão tem o direito
de elevar sua voz e seu posicionamento aos mais altos níveis da
coisa pública. Apesar disso, temos o costume de maltratá-la. Em
grotões interioranos - como o Mato Grosso do Sul - ainda se troca
voto por dinheiro, cesta básica e até por uns segundos de simpatia.
Um aperto de mão, um sorriso automático, duas ou três palavrinhas
são o suficiente para convencer os mais humildes (financeira ou
intelectualmente) de que aquele candidato é "gente como a
gente".
Tenhamos cuidado. É preciso mais que
isso para que alguém mereça nosso voto. Muito mais.
A democracia tem valor por si só, mas
os avanços que ela possibilita não ocorrem com o simples apertar de
um botão no dia das eleições. É preciso mais, muito mais. Hoje,
nossa voz está ampliada graças ao meio digital. Podemos fazer
nossas reivindicações ecoarem de forma mais rápida e mais ampla.
Mas até as mais justas e coerentes reivindicações se tornam
obsoletas se imaginarmos que o bem maior da democracia é o voto. Não
é.
Façamos assim. Durante esta campanha
tenhamos sempre em mente que o bem maior da democracia é a
possibilidade de gerir os nossos destinos. Para isso, é preciso que
compreendamos que política não se faz apenas nos enclaves e porões
partidários, mas diariamente, em cada pequeno momento da nossa vida.
Nesta edição da SEMANA ONLINE
- Uma reportagem sobre o cooperativismo no Brasil.
- Uma entrevista com o o procurador geral do MPE-MS, Humberto de Matos Brittes sobre a PEC 37.
- Uma reportagem sobre o cooperativismo no Brasil.
- Uma entrevista com o o procurador geral do MPE-MS, Humberto de Matos Brittes sobre a PEC 37.
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