Semana On

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O fim da inocência

Durante décadas o PT incorporou a imagem de um partido além de qualquer suspeita, um partido que tinha na ética, na boa condução da coisa pública, no compromisso com um jeito diferente de fazer política os seus maiores e mais importantes cacifes eleitorais. Os muitos escândalos a que governos petistas - especialmente o Governo Lula - se viram enredados nos últimos anos foram sempre escanteados por falta de provas ou contornados com bois de piranha sacrificados nos escalões mais baixos de modo a preservar a cúpula do partido.

Tudo isso caiu por terra nesta semana, com a condenação do deputado federal – e ex-candidato a prefeitura de Osasco (SP) – João Paulo Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e peculato (desvio de recursos públicos) no julgamento do Mensalão. Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo condenou João Paulo por ter recebido R$ 50 mil para beneficiar agência do empresário Marcos Valério em contrato com a Câmara na época em que presidia a Casa (2003-2004).

A condenação de João Paulo Cunha abre as portas para a confirmação do Mensalão como esquema de barganha política e deixa o ex-presidente Lula em uma saia justa como nunca antes na história deste país outro ex-presidente já esteve.

Afinal, faz apenas alguns dias que Lula repetiu ao jornal New York Times a ladainha que vem sustentando desde o início do caso: "Eu não acredito que houve mensalão". A justificativa do petista é de que ele, quando presidente, já tinha apoio suficiente do Congresso e não precisaria comprar adesões. Mais de trinta políticos, incluindo alguns dos seus principais assessores, como José Dirceu, estão implicados no escândalo que a cada dia se torna mais claro.

A cúpula do PT e o governo da presidente Dilma Rousseff temem o "efeito dominó" da condenação de João Paulo Cunha. A preocupação é que, se for por terra o argumento do caixa 2 petista para alimentar campanhas políticas de aliados, ministros do STF passem a condenar todos os homens do ex-presidente Lula, entre eles José Dirceu.

Braço direito de Lula na Casa Civil, entre 2003 e 2005, Dirceu foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como "chefe de organização criminosa" instalada no governo àquela época. Amigo do então presidente, João Paulo comandava a Câmara dos Deputados, José Genoino dirigia o PT e Delúbio Soares cuidava do cofre petista. Uma eventual punição para o grupo de Lula - e principalmente para Dirceu, considerado "réu símbolo" do processo - representaria a condenação moral do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar dos pesares, não seria honesto demonizar o PT ou Lula. O partido e o ex-presidente não são piores do que os demais partidos e próceres de nossa política. Nada disso. Eles são apenas iguais.
Na SEMANA ONLINE,
- Uma reportagem sobre os malefícios do tabaco.
- Uma entrevista com o candidato do PSDB a prefeito de Campo Grande (MS), Reinaldo Azambuja

domingo, 19 de agosto de 2012

Nesta edição da revista SEMANA ONLINE, uma reportagem aprofundada sobre a maconha e os mitos que cercam a erva. Confira.

A mendicância como arte: a dicotomia entre a beleza e o horror no velho mundo


Em Roma visitei a Basílica de São João, que abriga a chamada Escada Santa – parte do palácio de Pilatos, a escada teria sido trazida de Jerusalém, no século IV, por Santa Helena, mãe do imperador Constantino. Foi por ela, reza a lenda, que Jesus Cristo subiu, após ser flagelado, para ser apresentado ao povo. Impressionante. Movidas pela fé, as pessoas sobem de joelhos aqueles degraus agradecendo por graças recebidas ou clamando por ajuda ou perdão.

Na escadaria que dá acesso às portas da Basílica deparei-me com uma cena tão tocante quanto às demonstrações de fé que presenciei em seu interior. Uma cena comum nos pouco mais de 20 dias que passei na Europa entre julho e agosto. A mendicância. Uma senhora, apoiada em uma bengala, o corpo trêmulo, mão direita estendida, suplicava alguns euros aos transeuntes. Havia visto o mesmo em Florença, Pisa e Atenas. Veria o mesmo em Paris, poucos dias depois. Mas, a mendicância em Roma, de fronte aos suntuosos palácios levantados pela religiosidade é especialmente chocante.

Dirigi-me a um padre ao meu lado e perguntei a ele como a Igreja Católica lidava com esta dicotomia tão violenta entre a beleza dos monumentos sacros que se espalham pela cidade e o horror da pobreza às suas portas. Ele balançou a cabeça, me olhou e disse: “Eu não acredito nisso. Estas pessoas são exploradas por gangues de ciganos que as obrigam a mendigar. Há quem faça 300 euros em um dia”.

É fato que o tráfico de seres humanos é um problema grave na Europa, tanto para fins de exploração sexual como para a mendicância organizada. O tráfico humano para fins de mendicância têm como alvo principal os grupos de ciganos ROM, provenientes da ex-Iugoslávia e da Romênia, mas também pessoas vindas de Bangladesh, do Marrocos e da África Subsaariana.

É fato também que a maior parte da mendicância com que me deparei na Europa é estilizada ao extremo. Caminhando por Florença me deparei com uma senhora deitada sobre um meio fio. A metade inferior do corpo entre dois carros estacionados, a outra metade na calçada. A mão esticada, trêmula. Aquilo me atingiu violentamente. Tirei um euro do boldo e ofertei. Um dia depois, passando pela mesma rua, encontrei a mesma senhora, na mesma posição. Desconfiei. A maior parte dos mendigos europeus adota uma postura quase “artística”. Postam-se de joelhos, deitados, o rosto coberto, mãos esticadas, trêmulas, o restante do corpo imóvel. Um amálgama de expressão corporal e arquiteturas que se mesclam.

A pobreza é visível na Europa. Parte ou não de um esquema orquestrado, aquelas pessoas são vítimas, de qualquer forma. Vítimas de gangues organizadas e do caos econômico que as obriga a mendigar. De um jeito ou de outro, sua condição me agride a alma. Diante de tanta beleza e história, entre as imagens que mais marcaram minha viagem ao Velho Mundo está a destas pessoas anônimas.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nosso voto

Nosso voto
A democracia não se re­sume ao voto, ela exige muito mais para gerar bons re­sul­tados

Começou. Desde a última sexta-feira, 6, candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador estão livres para colocar suas campanhas nas ruas. Haverá muitos sorrisos, muitas palavras simpáticas, muito tapinha nas costas. Todos faceiros e saltitantes em busca do tão disputado voto.

Na internet, onde pululam assessores passando por candidatos, esta tempestade de bom mocismo será violenta. Todos querem deixar transparesser seu compromisso com a população, com o diálogo, com ideias. No campo virtual, a campanha será especialmente interessante. Por detrás de retratos sorridentes e imagens bem trabalhadas, escondido sob frases de efeito, promessas solenes e posicionamentos incisivos em prol do bem comum, acoitados pela pele de ovelha da àgora digital se esconderão alguns lobos. Famintos.

Não é a primeira vez que a internet se transformará em palanque eleitoral no Brasil. Nas últimas eleições isso já havia ocorrido. Neste ano, no entanto, o éter virtual será muito mais importante. O fenômeno das mídias sociais está mais fincado no dia a dia das pessoas que se acostumaram a interagir (ou tentar) com seus representantes e “lideranças”. O fato é que seja nas ruas ou na frente do computador, cada voto será disputado a tapa.

Por mais imperfeita que seja, a democracia tem se mostrado, de longe, o melhor sistema político que fomos capazes de criar. Por meio do voto, cada cidadão tem o direito de elevar sua voz e seu posicionamento aos mais altos níveis da coisa pública. Apesar disso, temos o costume de maltratá-la. Em grotões interioranos - como o Mato Grosso do Sul - ainda se troca voto por dinheiro, cesta básica e até por uns segundos de simpatia. Um aperto de mão, um sorriso automático, duas ou três palavrinhas são o suficiente para convencer os mais humildes (financeira ou intelectualmente) de que aquele candidato é "gente como a gente".

Tenhamos cuidado. É preciso mais que isso para que alguém mereça nosso voto. Muito mais.

A democracia tem valor por si só, mas os avanços que ela possibilita não ocorrem com o simples apertar de um botão no dia das eleições. É preciso mais, muito mais. Hoje, nossa voz está ampliada graças ao meio digital. Podemos fazer nossas reivindicações ecoarem de forma mais rápida e mais ampla. Mas até as mais justas e coerentes reivindicações se tornam obsoletas se imaginarmos que o bem maior da democracia é o voto. Não é.

Façamos assim. Durante esta campanha tenhamos sempre em mente que o bem maior da democracia é a possibilidade de gerir os nossos destinos. Para isso, é preciso que compreendamos que política não se faz apenas nos enclaves e porões partidários, mas diariamente, em cada pequeno momento da nossa vida.

Nesta edição da SEMANA ONLINE
- Uma reportagem sobre o cooperativismo no Brasil.
- Uma entrevista com o o procurador geral do MPE-MS, Humberto de Matos Brittes sobre a PEC 37.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Tempo fechado
Com a definição do início do julgamento dos envolvidos no escândalo do "Mensalão", o país fica na expectativa da punição dos acusados.
Confira na SEMANA ONLINE.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nesta edição da SEMANA ONLINE
- Leishmaniuose tem cura. Tudo sobre a doença e como tratá-la.
- Uma entrevista com o diretor geral  do campus de Campo Grande do IFMS, Joelson Maschio, que enumerou os desafios e perspectivas do instituto.
- Além de tecnologia, design, moda, cultura, política, comportamento, economia, mundo LGBT e muito mais.

Animais: consumidos e descartados

Estes dias a jornalista Denise Del Farra usou o Facebook para desabafar. Estava indignada com os inúmeros casos de abandono de animais de estimação a que estava se deparando em sua atividade de voluntária da ONG Abrigo dos Bichos. O abandono a que Denise se referiu, extrapola os limites da covardia de quem se desfaz de um animal como se desfaz de um móvel velho. Ela falava de um abandono mais cruel – se é que isso é possível: àquele que ocorre com o animal ainda em posse de um dono irresponsável.

Hoje, milhares de animais – especialmente cães e gatos - encontram-se abandonados à própria sorte, padecendo de fome e doenças, apodrecendo em vida devido ao descaso de seus "proprietários". Casos como o do pit bull amarrado por dias a uma árvore, de modo que lhe era impossível até mesmo se deitar foi um dos citados pela jornalista.

A resposta que a "dona" deste animal deu aos ativistas da defesa dos animais que lhe abordaram foi emblemática: "o cão é meu e vocês não tem nada a ver com isso". Este tipo de raciocínio - o de que os animais são bens a serem adquiridos, consumidos e descartados ao bel prazer do ser humano - está por detrás de inúmeras barbaridades cometidas contra seres indefesos. Não há equívoco maior. Tratar um animal como um objeto é um erro, uma das grandes demonstrações de irracionalidade cometidas pelo ser humano. Serve de matéria para a psicologia - mostrando até que ponto pode ir o recalque de quem desconta nestas criaturas suas frustrações e pequenezas. Serve de estudo para a filosofia - apontando a sordidez de quem precisa se impor à força sobre outra criatura para compensar sua pobreza de espírito.

O comércio desenfreado de animais tem sua parcela de culpa neste processo que transforma animais em vítimas e seres humanos em monstros. Ora, cães e gatos não são presentes fofinhos a serem endereçados a crianças ou a adultos. Eles são criaturas que acompanharão uma pessoa por anos e que devem receber cuidados mínimos que garantam seu bem estar. A posse responsável deve ser a tônica para quem quer manter estes animais como companheiros de vida.

Aos que insistem nos maus-tratos, que prevaleça a força de lei. Embora a maioria das pessoas - e das autoridades policiais - não saiba, a denúncia destes casos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), segundo a qual "É considerado crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, doméstico ou domesticados, nativos ou exóticos".

Se falta humanidade a algumas pessoas, que elas sejam expostas aos rigores da Lei, que sua monstruosidade seja exposta. Para isso, no entanto, não basta a indignação da Denise, a minha ou a sua. É preciso ação. É necessário que cada um cobre dos poderes constituídos que a lei seja aplicada, que a irracionalidade seja punida.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Na edição 28 da revista SEMANA ONLINE, uma reportagem aprofundada sobre a economia verde.
Confira.