Semana On

sábado, 17 de abril de 2010

Poesia aos sábados

Em frente ao mar,
com sol sem acesso à minha pele.

Só com o vento a fatigá-la,
e o moletom sobre a camisa puída,
o chinelo com areia entre meus dedos,
um café nas mãos,
sob aquele céu nublado.

E mais ninguém,
e mais nada,
além disso.

Além de tudo,
que me basta.

Diego Rodrigues, esta semana, no Poema Dia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um álbum às quartas

NEW YORK
LOU REED
Baixe o álbum AQUI.

1. Romeo Had Juliette
2. Halloween Parade
3. Dirty Blvd.
4. Endless Cycle
5.There Is No Time
6. Last Great American Whale
7. Beginning of a Great Adventure
8. Busload of Faith
9. Sick of You
10. Hold On
11. Good Evening Mr. Waldheim
12. Xmas in February
13. Strawman
14. Dime Store Mystery

Esperamos 3 anos para que Reed, em 1989, nos entregasse sua quarta obra-prima, ‘New York’: outro disco conceitual - que usa a premissa de Tolstói, que diz que ‘basta você falar de sua aldeia para falar do mundo’. Reed fala de sua aldeia, a globalizada Nova Iorque, para falar do mundo todo. Um disco que só não é perfeito para mim porque tem ‘Last American Whale’, música que eu acho um grande porre.”, diz o grande Biajoni em seu blog ao analisar a discografia do compositor e cantor Lou Reed. Concordo com a análise quando ela eleva “New York” ao status de obra-prima, embora discorde de sua análise sobre “Last Great American Whale”, para mim uma das melhores canções do álbum.

Ouvi “New York” pela primeira vez em 1990, entre goles de cerveja e bom papo no Tricopa, o “Mosca”, boteco na Rua Vinícius de Morais, em Ipanema, ponto de encontro dos alunos da antiga Faculdade da Cidade. Fui apresentado ao álbum pelo parceiro de cerveja Adolfinho Stoffel que costumava cantarolar as canções da bolacha no auge da madrugada.

Atarracado, cabelos loiros escorridos, Marlboro aceso em uma mão e uma ampola gelada em outra, ele exercia sua fluência no inglês interpretando os versos que Reed imortalizou.

Pedro lives out of the Wilshire Hotel
He looks out a window without glass
The walls are made of cardboard
Newspapers on his feet
His father beats him
'Cause he's too
tired to beg

Nós, atônitos em plenos 90’s, ouvíamos o alemão sussurrar em meio a névoa entorpecida: “And fly fly away, from this dirty boulevard, I want to fly, from dirty boulevard”

As aventuras de beira de bar regadas à boa música foram importantes para a minha educação musical. Bons tempos. “New York”, até hoje, freqüenta minha vitrolinha e é sempre uma sensação nova quando ouço suas 14 canções. Lançado em 1989, o álbum marcou um retorno de Reed a um estilo mais próximo do “The Velvet Underground”, grupo fundado por ele nos anos 60 e que deixou um poderoso legado.

“New York” alia uma poderosa estrutura melódica a letras ácidas, cuidadosamente trabalhadas, repletas de uma crítica social inteligente, consistente. Os 57 minutos do álbum são como um filme, uma peça teatral cujos capítulos, linkados, transformam o trabalho de Reed em um dos discos mais conceituais dos anos 80. Não foi à toa que a revista Rolling Stone o ranqueou como o 19º melhor álbum daquela década e que a Q magazine o apontasse como o 26º na sua lista dos "40 Best Albums of the '80s".

Abrindo o álbum está “Romeo Had Juliette”, uma “história de amor” shaekspeareana, transportada para a realidade latina. Nesta leitura de Reed, Romeo Rodriguez e Juliette Bell se desencontram nas esquinas violentas da Big Apple.

Romeo Rodriguez
Squares his shoulders and curses Jesus
runs a comb through his black pony-tail
He's thinking of his lonely room
the sink that by his bed gives off a stink
Then smells her perfume in his eyes
And her voice was like a bell

Na faixa seguinte, “Halloween Parade”, quase podemos ver Reed parado em uma esquina do submundo novaiorquino observando os muitos tipos, paródias humanas, drug dealers, vagabundos, prostitutas e travestis desfilando pelas ruas da cidade enquanto ele canta sua saudade. A melodia, uma de minhas prediletas, tem um toque quase melancólico.

There's a girl from Soho
With a teeshirt saying "I Blow"
She's with the "jive five 2 plus 3"
And the girls for pay dates
Are giving cut rates
Or else doing it for free
The past keeps knock
knock knocking on my door
And I don't want to hear it anymore

Uma das melhores faixas do álbum, “Dirty Blvd.” é uma verdadeira porrada nos sentidos. Por quatro semanas encabeçando a lista Billboard Modern Rock Tracks, a canção conta a história de Pedro, um jovem pobre que vive com sua família em um cortiço, enquanto sonha com uma vida melhor em meio a cultura do consumo norte-americana. Com referências jocosas sobre a Estátua da Liberdade e ao conceito de sociedade livre que permeia o inconsciente coletivo da nação, “Dirty Blvd.” é como uma bofetada estalada na cara da hipocrisia.

Pedro lives out of the Wilshire Hotel
He looks out a window without glass
The walls are made of cardboard
Newspapers on his feet
His father beats him
'Cause he's too
tired to beg

Sétima faixa do álbum, “Beginning of a Great Adventure” tem uma batida fantástica que, aliada a voz rascante de Lou Reed e a letra inteligente e crítica, a transforma em uma das melhores canções do álbum. A música fala da paternidade de um jeito muito próprio, uma análise seca e sem nenhum romantismo barato da grande aventura que é colocar neste mundo doido mais um ser humano. Mais uma vez, Reed dispara a sua metralhadora giratória para todos os lados, atingindo múltiplos alvos em meio a caretice norte-americana.

Why stop at one,
I might have ten, a regular TV brood
I'd breed a little liberal army in the wood
Just like these redneck lunatics
I see at the local bar
With their tribe of mutant inbred piglets
With cloven hoovers

Finalmente, outra canção que elenco entre minhas prediletas em “New York” é “Last Great American Whale”. Para mim, uma das mais instigantes letras de Lou Reed, aliada a uma melodia hipnótica. Ouvir “Last...”, assim como diversas outras canções deste álbum, transmite a sensação de conteúdo, como um bom filme, um bom livro. A verve poética de Reed está afiada. Seu gume, cortante. “Last Great American Whale” é uma crítica feroz à pasmaceira do estadunidense comum, tendo como pano de fundo questões ecológicas. Os últimos versos da canção são, para mim, antológicos.

Americans don't care too much for beauty
They'll shit in a river, dump battery acid in a stream
They'll watch dead rats wash up on the beach
and complain if they can't swim

They say things are done for the majority
Don't believe half of what you see,
And none of what you hear
It's a lot like what my painter friend Donald said to me
"Stick a fork in their ass and turn them over,
They're done"

domingo, 11 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

Poesia aos sábados

Lapela dos paradoxos impotentes

1 – Lá ao longe
na lapela dos paradoxos impotentes
o deserto esticado
e os arbustos natimortos dos umbrais favelados
de homens com macieza arrefecida
― Nas ventas dos tumores malignos
o pouso aéreo das borboletas de programa,
o trajeto das coisas redivivas,
o transe das pessoas dormindo
com o cobertor em pane...

2 – Lá no quaradouro dos astros cômodos
a renque de estalos de palavras
vomitando sob o dormitório da memória
― A prima face da relva
rende a súbita resposta dos óbolos metafísicos
esculpindo o rugido com hálito
e útero sem dobra.

3 – Há e há o cio geométrico
por traz dos olhares imbuídos de milagre
resguardando o suspirar da faca
― Na boca
os restos de alimentos reconvexos
hesitam em endeusar o avesso da vida
para saborear a partida à noite.

4 – Na hesitação das falas obscenas
a física do trajeto
e o vinhedo clandestino dos mortos
fazendo sexo de mãos à cabeça
― Eu sei: há no gozar sem cautela
a armadinha de reinventar
feita de mendicâncias.

5 – Ai! Rogo à vida
as súmulas dos pastos,
as fagulhas de umbigos cálidos,
os mantos de escolhas e vindas,
o sim dos homens insones
― Eu sei: há desperdícios de tardes ocas
gotejando
gotejando
as ondinas gramaticais dos poetas
em lágrimas.

Benny Franklin, esta semana, no Poema Dia

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Comidinhas: Carreteiro de Costelinha de Porco Defumada

Carreteiro de Costelinha de Porco Defumada

Para começar:
Esta receita começou a ser desenvolvida há alguns anos atrás como uma alternativa para o arroz de carreteiro tradicional. Com o tempo foi sendo aperfeiçoada e hoje é uma das paneladas mais apreciadas pelos amigos que volta e meia nos visitam nos finais de semana. As fotos que acompanham a receita foram tiradas no último sábado, durante o aniversário de um grande amigo, aqui em casa. Deliciaram-se cerca de 12 pessoas.

Ingredientes:
- 1 pacote de Costelinha Defumada para cada 3 pessoas (eu uso a costelinha do Mister Pig)
- 1 cebola grande para cada 3 pessoas
- 1 cabeça de alho para cada 3 pessoas
- 1 chícara de chá de arroz para cada 2 pessoas
- 1 maço de salsa e cebolinha
- NÃO leva gordura alguma a não ser a da própria costelinha
- NÃO leva sal

Mão na massa:
1- Primeiro, corte as costelinhas em pedaços e reserve.









2- Corte a cebola grosseiramente e pique o alho. Reserve.









3- Coloque a costelinha em uma panela grande e deixe fritar em fogo alto mexendo sempre com uma colher de haste longa. Atenção: Não acrescente nenhum tipo de óleo pois a própria carne soltará gordura suficiente para a fritura.









4- Quando a costelinha estiver bem frita você vai precisar retirar o excesso de gordura. Incline a panela, afaste a costelinha e retire o óleo com uma concha até que reste apenas um pouco de gordura no fundo da panela.









5- Retirado o excesso de gordura, jogue a cebola e o alho sobre a costelinha e continue mexendo com a colher para que ambas se misturem bem à carne enquanto douram.









6- Quando a cebola e o alho estiverem bem dourados, jogue o arroz e frite-o por alguns minutos, sempre mexendo bem a mistura para não queimar.









7- Agora despeje água fervente de modo que toda a mistura seja coberta com pelo menos dois dedos de água. Abaixe o fogo ao mínimo e deixe o arroz cozinhar. Não é preciso acrecentar sal pois a costelinha é salgada suficientemente para a necessidade da receita.









8 - Quando o arroz estiver cozido desligue o fogo e lance sobre ele a salsa e a cebolinha bem picadinhas.









9 - Agora é meter uma pimentinha e degustar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um álbum às quartas

Olá pessoal. A partir desta quarta-feira iniciarei uma nova brincadeira aqui no Escrevinhamentos, comentando e disponibilizando para download os meus álbuns prediletos. Começo com o disco de debut dos Talking Heads, “Talking Heads: 77”. Aproveitem.

TALKING HEADS: 77

Baixe o disco AQUI

1. Uh-Oh, Love Comes to Town
2. New Feeling
3. Tentative Decisions
4. Happy Day
5. Who Is It?
6. No Compassion
7. The Book I Read
8. Don’t Worry About the Government
9. First Week/Last Week…Carefree
10. Psycho Killer
11. Pulled Up
12. Love → Building on Fire
13. I Wish You Wouldn’t Say That
14. Psycho Killer (Versão Acústica)
15. I Feel It in My Heart
16. Sugar On My Tongue

TALKING HEADS: 77 (1977) é o primeiro álbum da banda nova-iorquina Talking Heads. Atingiu a #97 posição na Bilboard e teve o single "Psycho Killer" alçado ao #92 lugar. Em 2003, a revista Rolling Stone nomeou o álbum como o 290ª maior de todos os tempos, como parte da Lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. Em seu livro "The Alternative Music Almanac" (1995), Alan Cross cravou o álbum na quinta posição em sua lista dos “10 Classic Alternative Albums”.

Produzido pela banda, em parceria com Lance Quinn e Tony Bongiovi, TALKING HEADS: 77 foi lançado nos Estados Unidos e na Inglaterra pela Sire Records e no restante do continente europeu pela Philips Records. Em 2005 foi remasterizado e relançado pelo Warner Music Group com cinco faixas bonificadas no CD ("Love → Building on Fire," "I Wish You Wouldn't Say That," "Psycho Killer (Versão Acústica)," "I Feel It in My Heart," e "Sugar on My Tongue.")

O que torna TALKING HEADS: 77 um clássico é a sonoridade consistente, suingada e vibrante, sustentada por David Byrne (guitarra e vocal), Jerry Harrison (guitarra, teclados e vocal), Chris Frantz (bateria) e Tina Weymouth (baixo). O álbum traz faixas que se tornariam clássicos da banda, como “Psycho Killer” e “Happy Day”, além de outras composições com a marca registrada dos Talking Heads. É daqueles discos que, do início ao fim, impossibilitam a pasmaceira.

A Banda

A trajetória do Talking Heads começou em Nova Iorque (EUA), no dia 8 de setembro de 1974, entre os movimentos punk e new wave. No início, o grupo – batizado de "The Artistics" mas jocosamente chamado de "The Autistics" - era formado apenas por Byrne e Frantz, então colegas na “Rhode Island School of Design”. Pouco depois, a namorada de Chris, Tina, juntou-se a eles e então David mudou o nome da banda para Talking Heads.

A primeira grande apresentação ocorreu no dia 8 de junho de 1975, quando fizeram a abertura do show dos Ramones no lendário “CBGB's Club”, em Nova Iorque. Em 1976 acrescentaram mais um membro, Harrison, ex-membro dos "The Modern Lovers" outra grande referência do rock’n’roll novaiorquino. Rapidamente o grupo se articulou e conseguiu fechar um contrato como a “Sire Records” (associada alemã da Warner Bros).

“TALKING HEADS: 77” surgiu neste caldeirão cultural, misturando rock e punk a outras sonoridades. Em 1978 chegou o segundo trabalho do grupo, “More Songs about Buildings and Food”, numa colaboração com o produtor ingles Brian Eno (conhecido pelo seu trabalho com os Roxy Music, David Bowie e Robert Fripp). Eno se tornou uma espécie de “quinto elemento virtual” do grupo, sucitando experiências musicais que continuaram com o trabalho de 1979, “Fear Of Music”, cujo foco estava no flerte com o clima dark do pós-punk rock.

A partir de 1980 o grupo passa a ter uma maior influência da world music. O trabalho “Once in a Lifetime” marca esse processo. Após lançar quatro LPs em 4 anos o Talking Heads fica 3 anos produzindo apenas um e nesse ínterim lançam o trabalho ao vivo “The Name of This Band Is Talking Heads”.

Neste período, David Byrne lança dois trabalhos solo: "My Life in the Bush with Ghosts", com Brian Eno; e a trilha sonora do espetáculo de balé "The Catherine Wheel". Chris Frantz e Tina Weymouth, influenciados pelo soul, dance e funk também formam um projeto alternativo, o Tom Tom Club, e lançam o primeiro álbum, que leva o nome da banda.

Nessa época o grupo perde o produtor Brian Eno, que passa a se dedicar à banda irlandesa U2. Em 1983 lançam o CD Speaking in Tongues, um trabalho mais comercial que gerou o seu primeiro grande sucesso no Top 10 americano, "Burning Down the House". A turnê desse trabalho, intitulada "Stop Making Sense" e considerada uma das melhores da história do rock, foi a última da banda. O documentário da tour foi filmado pelo então novato Jonathan Demme que anos depois ganharia o Oscar de melhor diretor por O Silêncio dos Inocentes. Em Stop Making Sense além de Burning Down The House temos uma poderosa versão para PsychoKiller. Em 1985 lançam “Little Creatures”, em 1986 “True Stories” e em 1988 “Naked”.

No dia 2 de dezembro de 1991 David Byrne anunciou o fim do grupo durante uma entrevista ao Los Angeles Times.

David Byrne

Byrne nasceu em Dumbarton, Escócia, no dia 14 de maio de 1952, e além do trabalho com o grupo, compôs trilhas para artistas como Twyla Tharp e Robert Wilson, nomes da dança e do drama respectivamente, além do filme “O Último Imperador” (de 1987, realizado por Bernardo Bertolucci) pelo qual ganhou um Oscar. Também dirigiu o filme “True Stories” (de 1986) e produziu diversos álbuns de música caribenha e brasileira (incluindo trabalho com Tom Zé e Margareth Menezes), notadamente “Rei Momo” (de 1989) e um vídeo documentário sobre o candomblé chamado “The House of Life” (também de 1989).

domingo, 4 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Poesia aos sábados

alguns pássaros são monogâmicos

Um canto
ao faro sabor,
no relé labor
do manto:

A similar
tentação
do coração
a falar.

Nos desapegos
de apaixonar
-voar o momento-

esquecimento
sempre aproximar
o casal de pregos.

Felipe Marques, esta semana, no Poema Dia

terça-feira, 30 de março de 2010

...

How does it feel?
How does it feel?
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone