Todos que ali viviam estão mortos
Mortos como os olhos do menino na esquina
Como a palavra não dita
O canto calado
Todos estão mortos em vidas ausentes
Como a menina sem voz, sem chama
Como pássaro sem céu
Engaiolado
Vagam aprisionados em corpos
Como se gente fossem
Mas não são
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Poesia aos sábados
Desci ao porão
pra rever
monstros antigos
- mas fui em vão.
Descobri
que se tornaram
meus amigos
- logo, somem na escuridão.
De companhia,
restaram-me
vinhos
- a uns poucos degraus do chão.
Embriaguei-me
de apatia
aos golinhos
- subsolo da solidão.
Renata de Aragão Lopes, esta semana, no Poema Dia.
pra rever
monstros antigos
- mas fui em vão.
Descobri
que se tornaram
meus amigos
- logo, somem na escuridão.
De companhia,
restaram-me
vinhos
- a uns poucos degraus do chão.
Embriaguei-me
de apatia
aos golinhos
- subsolo da solidão.
Renata de Aragão Lopes, esta semana, no Poema Dia.
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Poesia aos sábados
amores platônicos
quereres utópicos
tumores malígnos
viroses atípicas
testes tsunamis tremores
:
a Terra dando o troco
na base do olho por olho
- e humor negro mode on -
estamos em transe
entre o tatibitati
o terror atômico
o pandemônio
satélites sondam
a rotina das formigas
e há agentes no amálgama
da [podre] boca da noite
- daí a fuga
para não sei onde-
tocs vem
tiques vão
truques variam
conforme o chip
enxertado no chope do dia
poesia é choque
prosa é chilique
o mundo fica mudo
quando a mente
não dá tilti
veja
[mais próximo da lente que aumenta
o pé da letra]
:
há um psicotrópico ultravioleta
no menu de ofertas
rimas brancas
rosas negras
riso tatuado de cor pimenta
para a[r] dor de cabeça
líricas demãos
do velho verniz
que adoça ideias suicidas
psiu, ouça
:
todos os cachorros
são azuis
e plutão, coração
não é mais planeta
- disse uma voz -
Valéria Tarelho, esta semana, no Poema Dia
quereres utópicos
tumores malígnos
viroses atípicas
testes tsunamis tremores
:
a Terra dando o troco
na base do olho por olho
- e humor negro mode on -
estamos em transe
entre o tatibitati
o terror atômico
o pandemônio
satélites sondam
a rotina das formigas
e há agentes no amálgama
da [podre] boca da noite
- daí a fuga
para não sei onde-
tocs vem
tiques vão
truques variam
conforme o chip
enxertado no chope do dia
poesia é choque
prosa é chilique
o mundo fica mudo
quando a mente
não dá tilti
veja
[mais próximo da lente que aumenta
o pé da letra]
:
há um psicotrópico ultravioleta
no menu de ofertas
rimas brancas
rosas negras
riso tatuado de cor pimenta
para a[r] dor de cabeça
líricas demãos
do velho verniz
que adoça ideias suicidas
psiu, ouça
:
todos os cachorros
são azuis
e plutão, coração
não é mais planeta
- disse uma voz -
Valéria Tarelho, esta semana, no Poema Dia
domingo, 14 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
Poesia aos sábados
calminórias cintilantes
sem razão
meu coração fala
minha alma
permanece surda.
sem palavras
no breve azul do agora
escrever um poema, sem nome
um poema, senhora.
sem sombras
com toda calma que há
palavras pousam, suavemente
nas costas do papel em branco.
Cleber Camargo Rodrigues, esta semana, no Poema Dia.
sem razão
meu coração fala
minha alma
permanece surda.
sem palavras
no breve azul do agora
escrever um poema, sem nome
um poema, senhora.
sem sombras
com toda calma que há
palavras pousam, suavemente
nas costas do papel em branco.
Cleber Camargo Rodrigues, esta semana, no Poema Dia.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Poema
Vazios de palavras
Meus lábios são garras
Que me aprisionam em mim
Secos de sentidos
Meus olhos são silos
Que me anoitecem a alma
Meus lábios são garras
Que me aprisionam em mim
Secos de sentidos
Meus olhos são silos
Que me anoitecem a alma
Glauco
Sexta-feira triste. O assassinato do cartunista Glauco e de seu filho, ontem, em Osasco (SP), é o tipo de notícia que me faz manter a decisão de nunca mais voltar a viver em um grande centro. Horror, horror, horror... Para além das perdas humanas, que destroçam os familiares que ficam, resta também a perda para todos nós que nas últimas duas décadas apreciamos a arte inteligente de Glauco.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Olho de cão
Ando cansado do ser humano. Tão cansado que raramente me emociono com a condição humana a ponto de desmontar minha carapaça auto-protetora que ostento em meio ao desfile de hipocrisias do dia a dia. Há, no entanto, algo que me desconcerta, me desmorona, me faz criança de novo, me eriça os pelos do corpo e faz brotar a lágrima que guardo: a nobre resignação no olhar dos animais abandonados.
Hoje, caminhando as três quadras que separam minha casa de meu trabalho, deparei-me novamente com este olhar e com o que jamais deveria ter perdido: a capacidade de me emocionar, de simplesmente parar, observar e deixar a emoção fluir.
Um pastor alemão, maltratado, as ancas traseiras ensangüentadas, mas ainda exibindo uma bela pelagem de manto negro, vinha, incerto, pela calçada. Parei para observar sua passagem. Ele veio cambaleante, me olhando como quem pedisse um afago. Ao passar por mim, apertou o passo como se temesse um chute, um grito de desprezo.
E eu fiquei ali, parado, inundado por aquele olhar, sentindo apenas um vazio, uma lágrima que assustou as pessoas que por mim cruzavam seus destinos rasos. Queria poder colher todos estes nobres olhares que vagam por nossas esquinas vazias de sentidos, recolhê-los e guardá-los com cuidado, mantê-los longe da nossa pequenez humana.
Hoje, caminhando as três quadras que separam minha casa de meu trabalho, deparei-me novamente com este olhar e com o que jamais deveria ter perdido: a capacidade de me emocionar, de simplesmente parar, observar e deixar a emoção fluir.
Um pastor alemão, maltratado, as ancas traseiras ensangüentadas, mas ainda exibindo uma bela pelagem de manto negro, vinha, incerto, pela calçada. Parei para observar sua passagem. Ele veio cambaleante, me olhando como quem pedisse um afago. Ao passar por mim, apertou o passo como se temesse um chute, um grito de desprezo.
E eu fiquei ali, parado, inundado por aquele olhar, sentindo apenas um vazio, uma lágrima que assustou as pessoas que por mim cruzavam seus destinos rasos. Queria poder colher todos estes nobres olhares que vagam por nossas esquinas vazias de sentidos, recolhê-los e guardá-los com cuidado, mantê-los longe da nossa pequenez humana.
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