Desde junho de 2008 tenho postado diariamente no Escrevinhamentos. Vou desacelerar. Pretendo postar com menos freqüência e quebrar algumas rotinas que desenvolvi no blog. Espero que a qualidade do material se sobressaia sobre a quantidade.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
As três faces obscuras do regime de Mahmoud Ahmadinejad
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chega ao Brasil nesta segunda-feira para uma visita oficial de um dia. Além de encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Ahmadinejad virá acompanhado de 200 empresários. Mas não é o roteiro de Ahmadinejad que chama a atenção. O que tem eriçado a opinião pública são as políticas adotadas pelo presidente iraniano. Ahmadinejad executa homossexuais, frauda eleições, tortura opositores políticos, sustenta economicamente países falidos como Cuba e Nicarágua, para transformá-los em massa de manobra geopolítica. Ahmadinejad preside um país onde os direitos humanos não são respeitados, onde minorias religiosas e as mulheres são discriminadas.
De todas as questões que podem ser levantadas contra o regime de Ahmadinejad, entre elas o desenvolvimento de armas nucleares e a negação do holocausto judeu, três são irrefutáveis e odiosas: a perseguição aos homossexuais, a discriminação das mulheres e o cerceamento da liberdade de expressão e de pensamento.
Na entrevista concedida ao jornalista William Waack, quando indagado sobre suas declarações contra homossexuais, Ahmadinejad sorriu e disparou a seguinte insanidade: “Eu não espero que todas as pessoas do mundo concordem com minhas opiniões. As pessoas têm visões diferentes. Mas pensamos que homossexualidade é contra a natureza. Penso que se a homossexualidade se expandir a humanidade vai deixar de existir. É o caminho errado. É perverso. Todas as profecias divinas condenam esse caminho. Isso vai causar uma série de doenças físicas e sociais.”
Não foi a primeira vez que o presidente do Irã expôs de forma tão clara sua posição totalitarista. Em 2007, durante um evento na Universidade Columbia, em Nova York, ele já havia desafiado a lógica ao dizer que não existem homossexuais no Irã. “Nós não temos isto em nosso país. No Irã, nós não temos homossexuais como no seu país (os EUA).”
Em entrevista à BBC Brasil, pouco depois das declarações de Ahmadinejad em Columbia, o ativista Arsham Parsi, diretor executivo da IRQO (Iranian Queer Organization), uma organização iraniana que luta pelos direitos dos homossexuais, disse que os gays do Irã vivem sob constante ameaça não apenas da polícia e do governo, como também da sociedade: “A vida para um gay iraniano é muito dura, por falta de informação sobre o assunto e falta de segurança também. Ele tem que usar uma máscara 24 horas por dia. Você não pode ser jovem e gay no Irã.”
Vivendo atualmente no Canadá, Parsi fugiu do Irã em 2005 quando descobriu que a polícia pretendia prendê-lo por suas atividades em devesa dos homossexuais: “Comecei a organização no Irã através de uma rede de e-mails. Ela foi crescendo e em 2005 recebi ameaças por ser ativista. Eu trabalhava em casa, tinha meu telefone divulgado, e a polícia havia me rastreado. Quando descobri, deixei o Irã em dois dias, e nunca mais voltei.”
Segundo Parsi, de acordo com a sharia (conjunto de leis e regras de comportamento prescritas para os muçulmanos), os homossexuais podem ser perseguidos e condenados à morte por apedrejamento, forca, corte por espada ou sendo jogados do alto de um penhasco. Um juiz da corte islâmica decide como ele deve ser morto. “É impossível saber os números de execuções por homossexualidade, porque eles não são divulgados pelo Ministério da Justiça.”
A QUESTÃO FEMININA
A questão feminina no Irã é outro ponto importante quando analisamos o regime representando por Ahmadinejad. Poucas são as mulheres iranianas que ousam desafiar as leis impostas desde a Revolução Islâmica. Algumas, no entanto, levantaram sua voz, como Azar Nafisi. Professora de literatura inglesa na Universidade Johns Hopkins, em Washington, ela é autora do livro Lendo Lolita em Teerã, um retrato sensível e chocante da situação das mulheres no Irã no início do século 21, que relata a experiência de Nafisi e de sete alunas da época em que ela lecionava na Universidade de Teerã. Por dois anos elas desafiaram a repressão do regime em encontros semanais onde discutiam autores proibidos no país, como Henry James e Vladimir Nabokov.
Os relatos de Nasifi sobre as condições do Irã logo após a revolução são um retrato melhorado do que ocorreu em outros países nos quais o fundamentalismo islâmico assumiu o poder, como o Afeganistão, onde um grupelho transformou em lei uma versão tacanha da sharia.
"A idade mínima para o casamento passou de 18 para 9 anos. O apedrejamento até a morte se tornou o castigo para o adultério e a prostituição. Nos ônibus, adotou-se a segregação. Destinaram-se às mulheres a porta traseira e os assentos no fundo do veículo… Um vestígio de maquiagem, uma mecha de cabelo para fora do véu e eles vinham, implacáveis. Prendiam-nos, arremessavam-nos para dentro de carros, deixavam-nos em prisões imundas, chicoteavam-nos. Por fim, jogavam-nos nas ruas. A situação era pior para as solteiras. Muitas de minhas alunas tiveram de passar por coisa pior, como o teste de virgindade. Não havia nada mais humilhante e nojento do que aquilo, feito em qualquer lugar, sem nenhuma assepsia, a qualquer hora. Quantas jovens não foram presas e chicoteadas só porque, sem querer, cruzaram o olhar com o de um guarda?"
A situação iraniana hoje é menos sufocante, as mulheres podem se dar ao luxo de usar véus coloridos e batom – mas as leis discriminatórias continuam as mesmas. Uma mulher vale a metade de um homem em depoimentos no tribunal e em casos de indenização. Na divisão da herança, uma filha pode levar apenas metade da quantia recebida por seus irmãos. Uma menina pode ser forçada a se casar a partir dos 13 anos, e seu marido pode proibi-la de trabalhar fora de casa ou estudar quando quiser. Para viajar ao exterior, é necessária uma permissão por escrito do marido. Caso se divorciem, ele ganha a custódia dos filhos com mais de 7 anos. Elas são proibidas de ser magistradas e não ocupam o posto de ministra há três décadas.
REPRESSÃO
O ex-vice-presidente reformista do Irã, Mohammad Ali Abtahi, acusado de fomentar protestos de rua após a eleição presidencial de junho, foi solto ontem (domingo, 22) depois do pagamento de uma fiança de 700 mil dólares. Ele havia sido condenado a seis anos de prisão. O Judiciário do Irã disse na semana passada que cinco pessoas foram condenadas à pena de morte e 81 à permanência de até 15 anos na prisão devido aos protestos e atos violentos após as eleições.
Esta é uma faceta macabra do regime iraniano, a total ausência de liberdade de exprimir convicções. Teerã não tolera a diferença. Durante os protestos de junho, o Twitter foi uma importante ferramenta de interação e de manifestação política, sustentando os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, driblando a censura e levando ao mundo imagens da repressão.
Incapaz de conter as manifestações em massa da oposição, o governo iraniano ampliou o cerco à veiculação dos protestos. A Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e usuários de outras ferramentas de mídia online exigindo que todo conteúdo que “crie tensão” fosse eliminado de suas páginas na Internet. O ambiente virtual foi o refúgio das centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.
De todas as questões que podem ser levantadas contra o regime de Ahmadinejad, entre elas o desenvolvimento de armas nucleares e a negação do holocausto judeu, três são irrefutáveis e odiosas: a perseguição aos homossexuais, a discriminação das mulheres e o cerceamento da liberdade de expressão e de pensamento.
Na entrevista concedida ao jornalista William Waack, quando indagado sobre suas declarações contra homossexuais, Ahmadinejad sorriu e disparou a seguinte insanidade: “Eu não espero que todas as pessoas do mundo concordem com minhas opiniões. As pessoas têm visões diferentes. Mas pensamos que homossexualidade é contra a natureza. Penso que se a homossexualidade se expandir a humanidade vai deixar de existir. É o caminho errado. É perverso. Todas as profecias divinas condenam esse caminho. Isso vai causar uma série de doenças físicas e sociais.”Não foi a primeira vez que o presidente do Irã expôs de forma tão clara sua posição totalitarista. Em 2007, durante um evento na Universidade Columbia, em Nova York, ele já havia desafiado a lógica ao dizer que não existem homossexuais no Irã. “Nós não temos isto em nosso país. No Irã, nós não temos homossexuais como no seu país (os EUA).”
Em entrevista à BBC Brasil, pouco depois das declarações de Ahmadinejad em Columbia, o ativista Arsham Parsi, diretor executivo da IRQO (Iranian Queer Organization), uma organização iraniana que luta pelos direitos dos homossexuais, disse que os gays do Irã vivem sob constante ameaça não apenas da polícia e do governo, como também da sociedade: “A vida para um gay iraniano é muito dura, por falta de informação sobre o assunto e falta de segurança também. Ele tem que usar uma máscara 24 horas por dia. Você não pode ser jovem e gay no Irã.”
Vivendo atualmente no Canadá, Parsi fugiu do Irã em 2005 quando descobriu que a polícia pretendia prendê-lo por suas atividades em devesa dos homossexuais: “Comecei a organização no Irã através de uma rede de e-mails. Ela foi crescendo e em 2005 recebi ameaças por ser ativista. Eu trabalhava em casa, tinha meu telefone divulgado, e a polícia havia me rastreado. Quando descobri, deixei o Irã em dois dias, e nunca mais voltei.”
Segundo Parsi, de acordo com a sharia (conjunto de leis e regras de comportamento prescritas para os muçulmanos), os homossexuais podem ser perseguidos e condenados à morte por apedrejamento, forca, corte por espada ou sendo jogados do alto de um penhasco. Um juiz da corte islâmica decide como ele deve ser morto. “É impossível saber os números de execuções por homossexualidade, porque eles não são divulgados pelo Ministério da Justiça.”
A QUESTÃO FEMININA
A questão feminina no Irã é outro ponto importante quando analisamos o regime representando por Ahmadinejad. Poucas são as mulheres iranianas que ousam desafiar as leis impostas desde a Revolução Islâmica. Algumas, no entanto, levantaram sua voz, como Azar Nafisi. Professora de literatura inglesa na Universidade Johns Hopkins, em Washington, ela é autora do livro Lendo Lolita em Teerã, um retrato sensível e chocante da situação das mulheres no Irã no início do século 21, que relata a experiência de Nafisi e de sete alunas da época em que ela lecionava na Universidade de Teerã. Por dois anos elas desafiaram a repressão do regime em encontros semanais onde discutiam autores proibidos no país, como Henry James e Vladimir Nabokov.Os relatos de Nasifi sobre as condições do Irã logo após a revolução são um retrato melhorado do que ocorreu em outros países nos quais o fundamentalismo islâmico assumiu o poder, como o Afeganistão, onde um grupelho transformou em lei uma versão tacanha da sharia.
"A idade mínima para o casamento passou de 18 para 9 anos. O apedrejamento até a morte se tornou o castigo para o adultério e a prostituição. Nos ônibus, adotou-se a segregação. Destinaram-se às mulheres a porta traseira e os assentos no fundo do veículo… Um vestígio de maquiagem, uma mecha de cabelo para fora do véu e eles vinham, implacáveis. Prendiam-nos, arremessavam-nos para dentro de carros, deixavam-nos em prisões imundas, chicoteavam-nos. Por fim, jogavam-nos nas ruas. A situação era pior para as solteiras. Muitas de minhas alunas tiveram de passar por coisa pior, como o teste de virgindade. Não havia nada mais humilhante e nojento do que aquilo, feito em qualquer lugar, sem nenhuma assepsia, a qualquer hora. Quantas jovens não foram presas e chicoteadas só porque, sem querer, cruzaram o olhar com o de um guarda?"
A situação iraniana hoje é menos sufocante, as mulheres podem se dar ao luxo de usar véus coloridos e batom – mas as leis discriminatórias continuam as mesmas. Uma mulher vale a metade de um homem em depoimentos no tribunal e em casos de indenização. Na divisão da herança, uma filha pode levar apenas metade da quantia recebida por seus irmãos. Uma menina pode ser forçada a se casar a partir dos 13 anos, e seu marido pode proibi-la de trabalhar fora de casa ou estudar quando quiser. Para viajar ao exterior, é necessária uma permissão por escrito do marido. Caso se divorciem, ele ganha a custódia dos filhos com mais de 7 anos. Elas são proibidas de ser magistradas e não ocupam o posto de ministra há três décadas.
REPRESSÃO
O ex-vice-presidente reformista do Irã, Mohammad Ali Abtahi, acusado de fomentar protestos de rua após a eleição presidencial de junho, foi solto ontem (domingo, 22) depois do pagamento de uma fiança de 700 mil dólares. Ele havia sido condenado a seis anos de prisão. O Judiciário do Irã disse na semana passada que cinco pessoas foram condenadas à pena de morte e 81 à permanência de até 15 anos na prisão devido aos protestos e atos violentos após as eleições.Esta é uma faceta macabra do regime iraniano, a total ausência de liberdade de exprimir convicções. Teerã não tolera a diferença. Durante os protestos de junho, o Twitter foi uma importante ferramenta de interação e de manifestação política, sustentando os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, driblando a censura e levando ao mundo imagens da repressão.
Incapaz de conter as manifestações em massa da oposição, o governo iraniano ampliou o cerco à veiculação dos protestos. A Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e usuários de outras ferramentas de mídia online exigindo que todo conteúdo que “crie tensão” fosse eliminado de suas páginas na Internet. O ambiente virtual foi o refúgio das centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.
Leia mais sobre este tema:
domingo, 22 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Poesia aos sábados
para L.Rafael Nolli, que me ajudou a aparar as arestas do poema.
Só sou sincero no momento do orgasmo.
Para todo o resto na vida há as mentiras.
No jorro de um branco híbrido
Lançamos ao mundo ralas tentativas
De ilustrar divindade.
O sêmen é a alma em estado líquido.
Tive sede de verdades.
Degustei-as antes de engoli-las,
Gota após gota,
Saboreando em minha curiosa língua
Litros e mais litros
Temperados por minha cínica saliva
Tendo os dentes como represas…
A minha busca é fina.
Já percebo a sutileza do que finda
E busco sua perpetuação.
Um aceno de mão, um gesto,
Um giro de tronco,
Um arquear de pernas,
Um dar de ombros,
São movimentos efêmeros,
Como peixe escrevendo na água.
Uma vez feitos
Perdem sua força de intenção,
Esgotam-se no espaço.
Por isso os guardo para mim.
Porque são mais poderosos quando não existem.
Minha busca é neutralizar o supérfluo,
É conter energia avulsa, potencializando-a.
Por isso me sinto tão bem aqui dentro,
É todo o chão que preciso.
A atrofia do corpo dilata a mente.
Fortalece as utopias.
De quase tudo me livrei.
Do verbo ainda não,
Esse movimento invisível
Igual vôo de pássaro riscando horizonte.
Ainda não o sublimei.
Ainda escrevo palavras fantasmagóricas:
Cheias de som, mas sem corpo algum.
Quem sabe quando morrer
Ou então
Quando não forem meus dentes mais represas
Nem minha língua abrigo de cinismo
Nem minha saliva o motivo da minha embriaguez
Quem sabe
(talvez) Eu me cale?
O paraíso foi antes.
Tiago Tenório, esta semana, no Poema Dia
Só sou sincero no momento do orgasmo.
Para todo o resto na vida há as mentiras.
No jorro de um branco híbrido
Lançamos ao mundo ralas tentativas
De ilustrar divindade.
O sêmen é a alma em estado líquido.
Tive sede de verdades.
Degustei-as antes de engoli-las,
Gota após gota,
Saboreando em minha curiosa língua
Litros e mais litros
Temperados por minha cínica saliva
Tendo os dentes como represas…
A minha busca é fina.
Já percebo a sutileza do que finda
E busco sua perpetuação.
Um aceno de mão, um gesto,
Um giro de tronco,
Um arquear de pernas,
Um dar de ombros,
São movimentos efêmeros,
Como peixe escrevendo na água.
Uma vez feitos
Perdem sua força de intenção,
Esgotam-se no espaço.
Por isso os guardo para mim.
Porque são mais poderosos quando não existem.
Minha busca é neutralizar o supérfluo,
É conter energia avulsa, potencializando-a.
Por isso me sinto tão bem aqui dentro,
É todo o chão que preciso.
A atrofia do corpo dilata a mente.
Fortalece as utopias.
De quase tudo me livrei.
Do verbo ainda não,
Esse movimento invisível
Igual vôo de pássaro riscando horizonte.
Ainda não o sublimei.
Ainda escrevo palavras fantasmagóricas:
Cheias de som, mas sem corpo algum.
Quem sabe quando morrer
Ou então
Quando não forem meus dentes mais represas
Nem minha língua abrigo de cinismo
Nem minha saliva o motivo da minha embriaguez
Quem sabe
(talvez) Eu me cale?
O paraíso foi antes.
Tiago Tenório, esta semana, no Poema Dia
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Poema de fé
Em minha mão direita trago uma pedra
na esquerda um afago
que estendo como sinal de fé.
Meu punho cerrado estendo aos santos vivos,
imaculados.
Aqui deste lado ostento uma reza
do outro um abraço
que ofereço a quem quiser.
Minha boca sedenta ofereço aos mortos vivos,
crucificados.
na esquerda um afago
que estendo como sinal de fé.
Meu punho cerrado estendo aos santos vivos,
imaculados.
Aqui deste lado ostento uma reza
do outro um abraço
que ofereço a quem quiser.
Minha boca sedenta ofereço aos mortos vivos,
crucificados.
Fanatismo religioso não atrapalhou a marcha pela diversidade
Mais uma vez a homofobia mostrou a sua cara em Campo Grande, desta vez pelas mãos de gente quer impor suas verdades religiosas ao mundo. Durante a 8ª Parada da Diversidade, realizada hoje na cidade, os participantes foram surpreendidos por enormes pichações pregando a “salvação”. Na Avenida Afonso Pena destacava-se a seguinte frase: “O pecado não se ama. Jesus sim se ama”. No cruzamento com a 14 de julho, letras garrafais diziam: “Jesus Voltará”, e na 14 de julho, em frente ao ponto de ônibus da praça estava escrito: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar”.
Apesar do obscurantismo, a passeata prosseguiu sem incidentes e reuniu cerca de 10 mil pessoas. Até os comerciantes locais, que segundo alguns vereadores campo-grandenses estariam insatisfeitos com a realização do evento em uma sexta-feira, apoiaram a manifestação. A decisão da juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, Juventude e Idoso da Comarca de Campo Grande, que proibiu a participação de menores no evento foi solenemente ignorada. Famílias inteiras compareceram à festa da diversidade.
Veja a cobertura do Campo Grande News:
18:10 - Parada Gay reúne 7 mil pessoas no centro de Campo Grande
17:11 - Além de adolescentes, crianças também estão na parada
16:36 - Adolescentes desafiam juíza e lotam Parada Gay no centro
14:30 - Agetran considera lamentável pichação de frase religiosa
10:00 - No dia da Parada Gay, religiosos pregam “salvação”
E do Midiamax:
19h00 - Igualdade: Público contraria ordem de juíza e leva filhos à Parada Gay; PM estima 5 mil pessoas
17h49 - Athayde participa da Parada Gay e dá o tom político ao evento
17h18 - Parada da Diversidade para o Centro da Capital
16h46 - Começa a Parada Gay, PM estima que 15 mil participam
16h42 - Crianças só podem ficar na praça, não vão à Parada, avisa PM
16h02 - Famílias ignoram Justiça e levam crianças à Parada
11h03 - Ruas em volta da praça amanhecem pichadas com frases contra a Parada da Diversidade
Leia mais sobre este tema:
- 8ª Parada da Diversidade Sexual acontece hoje em Campo Grande, apesar da Intolerância
- Imprensa precisa ajustar o foco ao tratar da homossexualidade
- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay
- Eles eram mais livres
- Preconceito e cidadania
- Imprensa fecha os olhos e fortalece homofobia em MS
- Obscurantismo ganha espaço em Campo Grande
- Campo Grande pode dar exemplo contra homofobia
- Melhor ser ladrão que viado
Apesar do obscurantismo, a passeata prosseguiu sem incidentes e reuniu cerca de 10 mil pessoas. Até os comerciantes locais, que segundo alguns vereadores campo-grandenses estariam insatisfeitos com a realização do evento em uma sexta-feira, apoiaram a manifestação. A decisão da juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, Juventude e Idoso da Comarca de Campo Grande, que proibiu a participação de menores no evento foi solenemente ignorada. Famílias inteiras compareceram à festa da diversidade.Veja a cobertura do Campo Grande News:
18:10 - Parada Gay reúne 7 mil pessoas no centro de Campo Grande
17:11 - Além de adolescentes, crianças também estão na parada
16:36 - Adolescentes desafiam juíza e lotam Parada Gay no centro
14:30 - Agetran considera lamentável pichação de frase religiosa
10:00 - No dia da Parada Gay, religiosos pregam “salvação”
E do Midiamax:
19h00 - Igualdade: Público contraria ordem de juíza e leva filhos à Parada Gay; PM estima 5 mil pessoas
17h49 - Athayde participa da Parada Gay e dá o tom político ao evento
17h18 - Parada da Diversidade para o Centro da Capital
16h46 - Começa a Parada Gay, PM estima que 15 mil participam
16h42 - Crianças só podem ficar na praça, não vão à Parada, avisa PM
16h02 - Famílias ignoram Justiça e levam crianças à Parada
11h03 - Ruas em volta da praça amanhecem pichadas com frases contra a Parada da Diversidade
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- Imprensa precisa ajustar o foco ao tratar da homossexualidade
- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay
- Eles eram mais livres
- Preconceito e cidadania
- Imprensa fecha os olhos e fortalece homofobia em MS
- Obscurantismo ganha espaço em Campo Grande
- Campo Grande pode dar exemplo contra homofobia
- Melhor ser ladrão que viado
8ª Parada da Diversidade Sexual acontece hoje em Campo Grande, apesar da intolerância
A 8ª Parada da Diversidade Sexual de Campo Grande, conhecida popularmente como Parada Gay, será realizada nesta sexta-feira, com programação ao longo de todo o dia, a partir das 8h, na Ary Coelho, com a entrega de preservativos e materiais didáticos, pedagógicos e preventivos. No ano passado a parada reuniu 30 mil pessoas.
Organizado pela Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS), o evento contará, ainda, com a 1ª Gincana da Diversidade, com a arrecadação de alimentos não-perecíveis, além de coleta de sangue para teste de HIV.
Às 15 horas, também na praça, começa a concentração para a marcha pela cidadania e pela diversidade com início previsto para uma hora depois. A passeata irá percorrer as ruas 14 de Julho, Marechal Rondon, 13 de Maio e Barão, terminando a Praça do Rádio Clube.
O evento continua às 18h com o show na Praça do Rádio Clube com drags de São Paulo, go-go boys, Michele e Banda, Unidos da Vila Cruzeiro e Banda Fascínio. O último evento será a festa oficial no Bistrot, na rua Pimenta Bueno, 127.
O governador André Puccinelli, que recentemente chamou o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de viado e disse que, se caso o encontrasse, o estupraria em praça pública, está entre os convidados e patrocinadores.
Campo Grande tem um histórico de homofobia pouco honroso. No ano passado, a Câmara Municipal, inflamada pelas bancadas evangélica e católica, negou a concessão de um título de utilidade pública para a ATMS. Agora, a mesma histeria surge em ações que procuram “proteger” o cidadão.
A juíza da Vara da Infância, Juventude e Idoso, Katy Braun do Prado, por exemplo, proibiu a participação de crianças e adolescentes menores de 16 anos de idade na parada.
A Câmara Municipal, que poderia ter evoluído, volta a mostrar que permanece na idade das trevas. O presidente da Casa, Paulo Siufi (PMDB), criticou a realização do evento, afirmando que o mesmo vai prejudicar o comércio. Em aparte, o vereador Carlão (PSB) criticou o apoio da Fundação Municipal de Cultura, afirmando que o movimento “não vai agregar em nada” e que “pode virar baderna”. Paulo Pedra (PDT) e Flávio César (PT do B) afirmaram que são favoráveis a manifestações, mas que são contra a realização do evento em dias da semana. “Aqui nesta Casa nenhum vereador esta se posicionando de forma preconceituosa, mas está defendendo o interesse do comércio da cidade”, disse Flávio César.
Pois sim... Falta verdade interior para assumir que a preocupação tem fundamento no preconceito e na intolerância. Lamentável.
Organizado pela Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS), o evento contará, ainda, com a 1ª Gincana da Diversidade, com a arrecadação de alimentos não-perecíveis, além de coleta de sangue para teste de HIV.
Às 15 horas, também na praça, começa a concentração para a marcha pela cidadania e pela diversidade com início previsto para uma hora depois. A passeata irá percorrer as ruas 14 de Julho, Marechal Rondon, 13 de Maio e Barão, terminando a Praça do Rádio Clube.
O evento continua às 18h com o show na Praça do Rádio Clube com drags de São Paulo, go-go boys, Michele e Banda, Unidos da Vila Cruzeiro e Banda Fascínio. O último evento será a festa oficial no Bistrot, na rua Pimenta Bueno, 127.
O governador André Puccinelli, que recentemente chamou o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de viado e disse que, se caso o encontrasse, o estupraria em praça pública, está entre os convidados e patrocinadores.
Campo Grande tem um histórico de homofobia pouco honroso. No ano passado, a Câmara Municipal, inflamada pelas bancadas evangélica e católica, negou a concessão de um título de utilidade pública para a ATMS. Agora, a mesma histeria surge em ações que procuram “proteger” o cidadão.
A juíza da Vara da Infância, Juventude e Idoso, Katy Braun do Prado, por exemplo, proibiu a participação de crianças e adolescentes menores de 16 anos de idade na parada.
A Câmara Municipal, que poderia ter evoluído, volta a mostrar que permanece na idade das trevas. O presidente da Casa, Paulo Siufi (PMDB), criticou a realização do evento, afirmando que o mesmo vai prejudicar o comércio. Em aparte, o vereador Carlão (PSB) criticou o apoio da Fundação Municipal de Cultura, afirmando que o movimento “não vai agregar em nada” e que “pode virar baderna”. Paulo Pedra (PDT) e Flávio César (PT do B) afirmaram que são favoráveis a manifestações, mas que são contra a realização do evento em dias da semana. “Aqui nesta Casa nenhum vereador esta se posicionando de forma preconceituosa, mas está defendendo o interesse do comércio da cidade”, disse Flávio César.
Pois sim... Falta verdade interior para assumir que a preocupação tem fundamento no preconceito e na intolerância. Lamentável.
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- Preconceito e cidadania
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- Melhor ser ladrão que viado
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