Semana On

sábado, 21 de novembro de 2009

Poesia aos sábados

para L.Rafael Nolli, que me ajudou a aparar as arestas do poema.

Só sou sincero no momento do orgasmo.
Para todo o resto na vida há as mentiras.

No jorro de um branco híbrido
Lançamos ao mundo ralas tentativas
De ilustrar divindade.
O sêmen é a alma em estado líquido.

Tive sede de verdades.
Degustei-as antes de engoli-las,
Gota após gota,
Saboreando em minha curiosa língua
Litros e mais litros
Temperados por minha cínica saliva
Tendo os dentes como represas…

A minha busca é fina.
Já percebo a sutileza do que finda
E busco sua perpetuação.
Um aceno de mão, um gesto,
Um giro de tronco,
Um arquear de pernas,
Um dar de ombros,
São movimentos efêmeros,
Como peixe escrevendo na água.
Uma vez feitos
Perdem sua força de intenção,
Esgotam-se no espaço.
Por isso os guardo para mim.
Porque são mais poderosos quando não existem.
Minha busca é neutralizar o supérfluo,
É conter energia avulsa, potencializando-a.
Por isso me sinto tão bem aqui dentro,
É todo o chão que preciso.
A atrofia do corpo dilata a mente.
Fortalece as utopias.

De quase tudo me livrei.
Do verbo ainda não,
Esse movimento invisível
Igual vôo de pássaro riscando horizonte.
Ainda não o sublimei.
Ainda escrevo palavras fantasmagóricas:
Cheias de som, mas sem corpo algum.

Quem sabe quando morrer
Ou então
Quando não forem meus dentes mais represas
Nem minha língua abrigo de cinismo
Nem minha saliva o motivo da minha embriaguez
Quem sabe
(talvez) Eu me cale?

O paraíso foi antes.

Tiago Tenório, esta semana, no Poema Dia

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Poema de fé

Em minha mão direita trago uma pedra
na esquerda um afago
que estendo como sinal de fé.
Meu punho cerrado estendo aos santos vivos,
imaculados.

Aqui deste lado ostento uma reza
do outro um abraço
que ofereço a quem quiser.
Minha boca sedenta ofereço aos mortos vivos,
crucificados.

Fanatismo religioso não atrapalhou a marcha pela diversidade

Mais uma vez a homofobia mostrou a sua cara em Campo Grande, desta vez pelas mãos de gente quer impor suas verdades religiosas ao mundo. Durante a 8ª Parada da Diversidade, realizada hoje na cidade, os participantes foram surpreendidos por enormes pichações pregando a “salvação”. Na Avenida Afonso Pena destacava-se a seguinte frase: “O pecado não se ama. Jesus sim se ama”. No cruzamento com a 14 de julho, letras garrafais diziam: “Jesus Voltará”, e na 14 de julho, em frente ao ponto de ônibus da praça estava escrito: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar”.

Apesar do obscurantismo, a passeata prosseguiu sem incidentes e reuniu cerca de 10 mil pessoas. Até os comerciantes locais, que segundo alguns vereadores campo-grandenses estariam insatisfeitos com a realização do evento em uma sexta-feira, apoiaram a manifestação. A decisão da juíza Katy Braun do Prado, titular da Vara da Infância, Juventude e Idoso da Comarca de Campo Grande, que proibiu a participação de menores no evento foi solenemente ignorada. Famílias inteiras compareceram à festa da diversidade.

Veja a cobertura do Campo Grande News:
18:10 - Parada Gay reúne 7 mil pessoas no centro de Campo Grande
17:11 - Além de adolescentes, crianças também estão na parada
16:36 - Adolescentes desafiam juíza e lotam Parada Gay no centro
14:30 - Agetran considera lamentável pichação de frase religiosa
10:00 - No dia da Parada Gay, religiosos pregam “salvação”

E do Midiamax:
19h00 - Igualdade: Público contraria ordem de juíza e leva filhos à Parada Gay; PM estima 5 mil pessoas
17h49 - Athayde participa da Parada Gay e dá o tom político ao evento
17h18 - Parada da Diversidade para o Centro da Capital
16h46 - Começa a Parada Gay, PM estima que 15 mil participam
16h42 - Crianças só podem ficar na praça, não vão à Parada, avisa PM
16h02 - Famílias ignoram Justiça e levam crianças à Parada
11h03 - Ruas em volta da praça amanhecem pichadas com frases contra a Parada da Diversidade

Leia mais sobre este tema:
- 8ª Parada da Diversidade Sexual acontece hoje em Campo Grande, apesar da Intolerância
- Imprensa precisa ajustar o foco ao tratar da homossexualidade
- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay
- Eles eram mais livres
- Preconceito e cidadania
- Imprensa fecha os olhos e fortalece homofobia em MS
- Obscurantismo ganha espaço em Campo Grande
- Campo Grande pode dar exemplo contra homofobia
- Melhor ser ladrão que viado

8ª Parada da Diversidade Sexual acontece hoje em Campo Grande, apesar da intolerância

A 8ª Parada da Diversidade Sexual de Campo Grande, conhecida popularmente como Parada Gay, será realizada nesta sexta-feira, com programação ao longo de todo o dia, a partir das 8h, na Ary Coelho, com a entrega de preservativos e materiais didáticos, pedagógicos e preventivos. No ano passado a parada reuniu 30 mil pessoas.

Organizado pela Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS), o evento contará, ainda, com a 1ª Gincana da Diversidade, com a arrecadação de alimentos não-perecíveis, além de coleta de sangue para teste de HIV.

Às 15 horas, também na praça, começa a concentração para a marcha pela cidadania e pela diversidade com início previsto para uma hora depois. A passeata irá percorrer as ruas 14 de Julho, Marechal Rondon, 13 de Maio e Barão, terminando a Praça do Rádio Clube.

O evento continua às 18h com o show na Praça do Rádio Clube com drags de São Paulo, go-go boys, Michele e Banda, Unidos da Vila Cruzeiro e Banda Fascínio. O último evento será a festa oficial no Bistrot, na rua Pimenta Bueno, 127.

O governador André Puccinelli, que recentemente chamou o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de viado e disse que, se caso o encontrasse, o estupraria em praça pública, está entre os convidados e patrocinadores.

Campo Grande tem um histórico de homofobia pouco honroso. No ano passado, a Câmara Municipal, inflamada pelas bancadas evangélica e católica, negou a concessão de um título de utilidade pública para a ATMS. Agora, a mesma histeria surge em ações que procuram “proteger” o cidadão.

A juíza da Vara da Infância, Juventude e Idoso, Katy Braun do Prado, por exemplo, proibiu a participação de crianças e adolescentes menores de 16 anos de idade na parada.

A Câmara Municipal, que poderia ter evoluído, volta a mostrar que permanece na idade das trevas. O presidente da Casa, Paulo Siufi (PMDB), criticou a realização do evento, afirmando que o mesmo vai prejudicar o comércio. Em aparte, o vereador Carlão (PSB) criticou o apoio da Fundação Municipal de Cultura, afirmando que o movimento “não vai agregar em nada” e que “pode virar baderna”. Paulo Pedra (PDT) e Flávio César (PT do B) afirmaram que são favoráveis a manifestações, mas que são contra a realização do evento em dias da semana. “Aqui nesta Casa nenhum vereador esta se posicionando de forma preconceituosa, mas está defendendo o interesse do comércio da cidade”, disse Flávio César.

Pois sim... Falta verdade interior para assumir que a preocupação tem fundamento no preconceito e na intolerância. Lamentável.


Leia mais sobre este tema:

Fotojornalismo

Jovens palestinos fixam uma bandeira nos escombros de uma casa demolida por Israel. O governo israelense continua permitindo que novas casas sejam construídas nos territórios ocupados, este mês 900 foram liberadas em Jerusalém. Foto do The New York Times.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A banalidade da violência no trânsito

A morte do menino Rogério Mendonça, de apenas 2 anos, baleado ontem durante uma briga de trânsito no centro de Campo Grande (MS), traz à tona uma questão que atormenta a sociedade: a violência gratuita. Rogério foi morto pelo jornalista Agnaldo Ferreira Gonçalves, de 60 anos, que disparou 5 vezes contra a camionete onde estava o menino, e também pelo próprio tio, Aldemir Pedra Neto, 22, que, ao usar seu veículo de forma irresponsável (não pela primeira vez) e agredir Gonçalves a chutes e socos, desencadeou uma seqüência de acontecimentos que levou a morte do único inocente nesta história: o pequeno Rogério.

Apesar do horror, este tipo de tragédia ocorre frequentemente nas ruas e estradas do país. Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas são mortas a tiros no Brasil. Somos, segundo a Unesco, um dos países em que mais se mata com arma de fogo no mundo. O Brasil responde, aproximadamente, por 3% da população mundial, mas ao mesmo tempo responde por 8% das mortes por arma de fogo no mundo.

Ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, entre todas as mortes por armas de fogo, apenas 5% são o resultado de latrocínio (roubo seguido de morte). A maioria destes homicídios é cometida por desentendimentos banais que desencadeiam agressões no trânsito, boates, bares, torcidas de futebol ou mesmo em casa. Qualquer um pode perder a cabeça e, com uma arma ao alcance da mão, se transformar em um assassino.

Números do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, por exemplo, mostram que foram registrados de janeiro a maio deste ano 1.015 casos de homicídio culposo nas ruas do estado. Houve ainda, no mesmo período, 16.534 casos de lesão corporal. Os números impressionam e não se referem apenas a acidentes entre veículos, mas também ao resultado de agressões entre motoristas, muitas vezes armados. Em São Paulo, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o 190, registra 20 brigas por dia entre motoristas de trânsito. É dessa maneira violenta que eles reagem à fechadas, colisões, buzinadas, palavrões e gestos ofensivos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Motoristas (ABM), Antônio Carlos da Costa, a experiência mostra que, na maioria das vezes, esses poucos segundos de fúria, causados pelo estresse ao volante, podem levar o motorista a se tornar um criminoso. “O motorista das grandes cidades do país se sente acuado, amedrontado, assim que ele se posiciona em frente ao volante. Por causa disso, muitas vezes, motivos banais ganham uma proporção absurda e terminam aumentando as estatísticas da violência no país” analisa.

Pesquisa realizada pelo Instituto Gallup em 23 países, há seis anos (o Brasil não foi incluído) aponta que 66% dos americanos e 48% dos europeus já se envolveram em incidentes relacionados à direção agressiva. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle Eletrônico de Trânsito (Abramcet), divulgado em recente reportagem da Veja, os engarrafamentos são a fonte número 1 de irritação para 61% dos 1.500 motoristas de oito capitais brasileiras. A mesma reportagem cita um estudo recente do psicólogo americano Jerry Deffenbacher, da Universidade do Colorado, segundo o qual, quem está irritado se envolve duas vezes mais em situações de risco e comete até quatro vezes mais agressões ao volante de um carro.

No entanto, nada justifica a violência gratuita, e ela se reflete em uma rápida pesquisa no Google.

Em fevereiro, Jefferson Leite, 23, foi assassinado no Paraná após uma leve batida em um carro. Em abril, Edson Luiz Lopo, 41, foi baleado em Campo Grande (MS) após ter encostado seu Monza em um Gol ao estacionar o veículo. No mesmo mês, também no Paraná, Marcio José Marçal levou dois tiros na perna e Lucília Santos Marçal foi atingida nas nádegas após intervirem em uma briga de trânsito. Em junho, em Curitiba, um motorista de caminhão e sua família envolveram-se em um confronto contra um motorista exaltado armado com uma caneta (e se fosse uma pistola?). Em agosto, dois motoristas perderam a cabeça na Mooca e protagonizaram uma cena que por pouco não terminou em tragédia. No último dia 8, também em Curitiba, Adilson dos Santos, 28, levou dois tiros após discutir com um homem que estava em um Gol. O autor dos disparos fugiu, mas voltou minutos depois e deu mais dois tiros na cabeça vítima.

Casos como estes são apenas a ponta do iceberg. Diariamente pessoas são agredidas no trânsito mundo afora. Casos como a covarde agressão de três homens contra um casal (a mulher grávida de sete meses), em 2007, a explosão de fúria de uma mulher em um engarrafamento mostram o ponto em que chegamos. A imensa maioria dos casos poderia ser evitada apenas com bom senso e respeito ao próximo.

Fotojornalismo

Deputados paulistas sentem na pele o risco de cruzar uma autopista para vistoriar a para onde ocorreu o desabamento de três vigas do Rodoanel Mário Covas, na Região Metropolitana de São Paulo. Foto de Reinaldo Marques/Terra.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo"

Quem vê a cubana Yoani Sánchez, blogueira conhecida por driblar a censura, automaticamente se contrai só de pensar no sofrimento a que seu corpo frágil, de apenas 49 quilos, foi submetido enquanto era surrada por três brutamontes dentro de um carro. Na tarde da sexta-feira 6, Yoani estava a caminho de uma quase impossível manifestação de protesto em Havana quando foi atacada por agentes da polícia política. Sofreu ameaças e espancamentos antes de ser jogada na calçada de um bairro longínquo. Yoani escreve há dois anos sobre as dificuldades de viver na ilha no blog Generación Y e é autora do livro De Cuba, com Carinho (Contexto). Vive sob vigilância, mas nunca havia sido fisicamente atacada. Aqui, ela descreve o ocorrido e, com a habitual coragem, manda um recado ao "general" Raúl Castro. De muletas, sequela do espancamento que a imobilizou em casa, pediu a uma amiga que levasse o relato em um pen drive até um ponto de acesso à internet para enviá-lo por e-mail.

"Não era uma sexta-feira qualquer. As comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim se aproximavam e um grupo de jovens artistas cubanos planejava uma passeata contra a violência naquele dia. A tarde era cinza em uma cidade onde quase sempre brilha um sol inclemente, que nos faz caminhar colados às paredes para nos beneficiarmos da sombra. Estavam comigo Claudia Cadelo e Orlando Luís Pardo, dois autores de blogs que recebem milhares de visitas a cada semana. Enquanto andávamos, contei a eles sobre uma desconhecida que, dias antes, havia se aproximado e me perguntado: "Você não tem medo?", em referência, claro, ao fato de que digo livremente minhas opiniões em um país onde o governo detém o monopólio da verdade. Meus amigos sorriram quando narrei a eles a resposta que dei à transeunte angustiada: "Meu maior temor é ter de viver com medo". Não imaginava que em poucos minutos eu viveria o terror de um sequestro e enxergaria o rosto da impunidade policial em sua forma mais dura.

Eu caminhava pela Avenida dos Presidentes, em Havana, com a intenção de participar da demonstração pacifista convocada pelos jovens. À altura da Rua 29, a uns 300 metros de onde estavam os manifestantes, um carro da marca Geely, de fabricação chinesa, cor preta e placa amarela, de uso privado, parou diante de nós. Três homens em trajes civis nos mandaram entrar no automóvel. Não se identificaram nem mostraram um mandado de prisão. Eu me recusei a obedecer. Disse que, como não tinham ordem judicial, seria um sequestro. Depois de uma breve discussão, um deles chamou alguém pelo celular, pedindo orientações. Imediatamente, os três começaram a nos tratar com violência para que entrássemos no carro. Enquanto nos empurravam, os homens do automóvel negro usaram o celular outra vez e uma viatura da polícia se aproximou. Pensei que os policiais nos salvariam. Pedi ajuda a eles, explicando que estávamos sendo atacados por supostos sequestradores. Os homens que estavam à paisana então deram ordens aos policiais para levar Claudia Cadelo e outra amiga que estava conosco. Eles obedeceram e ignoraram o pedido de ajuda que eu e Orlando fazíamos. As pessoas que observavam a cena foram impedidas de prestar ajuda, com uma frase que resumia todo o pano de fundo ideológico da cena: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários". Fazendo uso de toda a força física e de um evidente conhecimento de artes marciais para nos dominar, obrigaram-nos a entrar no carro. Comigo empregaram especial violência, enfiando-me de cabeça para baixo e me mantendo imobilizada com um joelho sobre o peito.

Dentro do veículo e durante cerca vinte minutos, os sequestradores nos espancararam sem parar. Frases de mau presságio saíam da boca daqueles três profissionais da intimidação: "Yoani, isso é o seu fim", "Você não vai mais fazer palhaçadas", ou "Acabou a brincadeira". Achei que não sairia viva. Tentei escapar pela porta, mas não havia maçaneta para acionar. A certa altura, o carro parou. Eu já tinha perdido a noção do tempo. Do lado de fora, caía a noite. Finalmente, ambos fomos jogados em plena via pública, longe do lugar onde se realizava a passeata contra a violência.

Por causa dos golpes desferidos por esses profissionais da repressão, estou com a face esquerda inflamada. Tenho contusões na cabeça, nas pernas, nos glúteos e nos braços, além de uma forte dor na coluna, que me obriga a caminhar com muletas. Na noite de 7 de novembro, um sábado, fiz uma consulta médica, mas não quiseram redigir um exame de corpo de delito sobre os maus-tratos físicos. A médica teve de me atender na presença de um funcionário que estava ali apenas para me vigiar. Uma radiografia mostrou que não havia traumas internos, apesar dos sinais exteriores das pancadas. Recebi apenas algumas recomendações para minha recuperação.

Eu já me sinto fisicamente melhor e desde sexta-feira tenho uma ideia constante. As autoridades cubanas acabam de compreender que, para silenciar uma blogueira, não podem usar os mesmos métodos com os quais conseguiram calar tantos jornalistas. Ninguém pode despedir os impertinentes da web nem lhes prometer umas semanas na Praia de Varadero ou presenteá-los com um Lada. Muito menos podem ser cooptados com uma viagem para o Leste Europeu. Para calar um blogueiro, é preciso eliminá-lo ou intimidá-lo. Essa equação já começou a ser entendida pelo estado, pelo partido e pelo general."

O texto acima foi publicado originalmente na revista Veja.

Leia mais sobre este tema aqui:

Fotojornalismo


A blogueira cubana Yoani Sánchez, em casa, depois de ser agredida pela políciam dos Castro: "Durante vinte minutos, nos espancaram sem parar". Foto de Enrique de la Osa/Reuters. Veja o post acima.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Não tem jeito...

Não tem jeito. Chegar no poder é mudar a ordem de valores, seja qual for o partido. Segundo os políticos, quase tudo é justificável na política e somos nós que não entendemos como as coisas funcionam lá. Aprovar desvios e favorecimentos justifica-se para não perder o apoio da maioria. Votar pelo arquivamento de casos que incluem réus confessos, justifica-se pelo fato de ser do mesmo partido.

Onde está aquele PT que não tolerava falcatruas, favorecimentos e desvios de verba pública? Onde está aquele PSDB que recentemente discursou na tribuna do senado contra Sarney em nome da lisura? Onde está aquele PMDB de Ulysses e das diretas? Enfim… onde está o PDT dos discursos inflamados de Brizola, o PCdoB que luta contra as elites privilegiadas? E o que são os políticos hoje? Nao fazem parte de uma elite privilegiada em meio a milhões de miseráveis? Um POLITBURO tupiniquim?

Então, já que na política justifica-se quase tudo, vamos ser compreensivos e tentar entender. Mas você, político, que estiver lendo também tentará nos entender como eleitor, combinado? Considere isto como um teste e o percentual que atingir na somatória do “SIM” será proporcional ao caráter. Isto valerá também para você, eleitor. O fato de ter havido escândalos em outros governos não justifica os do governo atual. A intenção não é a de descobrir quem foi menos desonesto, concorda?

A relação abaixo encontra-se na UOL e foi levantado por Fernando Rodrigues em seu Blog. Para saber detalhes é só clicar no link do ítem correspondente. A pergunta é simples: Você acha que existem justificativas para os 102 escândalos abaixo?

01. Verba indenizatória secreta na Câmara e no Senado
02. Castelogate, o deputado Edmar Moreira e sua segurança privada
03. Agaciel Maia, diretor-geral do Senado, e sua mansão
04. Horas extras nas férias para funcionários da Câmara e do Senado
05. Chico Alencar (PSOL-RJ) contrata correligionário
06. Diretor do Senado usava apartamento funcional para família
07. Sarney utiliza seguranças do Senado no Maranhão
08. Empresas terceiras abrigam parentes de diretores e funcionários do Senado
09. Tião Viana empresta celular à filha em viagem ao México
10. Diretores no Senado: eram 181
11. Assessora de Roseana Sarney também era diretora
12. Renan emprega sogra de assessor, filho, fantasmas e aliado em AL
13. Filha de FHC trabalha de casa para senador
14. Diretora de comunicação do Senado em campanha
15. Deputado Alberto Fraga (DEM-DF) contrata empregada doméstica
16. Deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) contrata empregada doméstica
17. Deputado José Paulo Tóffano (PV-SP) contrata empregada doméstica
18. Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os loucos por jatinhos
19. Gráfica do Senado imprime material de campanha
20. Funcionários do sen. Adelmir Santana prestam serviço a vice-governador
21. Ministro Hélio Costa usa serviço de secretária paga por Wellington Salgado
22. Terceirização irregular no Senado
23. Dep. Fábio Faria pagou viagens para Carnatal e incluiu Adriane Galisteu
24. Ministros-deputados usam passagens da Câmara
25. Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara
26. Câmara e Senado perdoam todos delitos da farra aérea e fingem cortar gastos
27. Viúva do senador Jefferson Péres recebe sobra de passagens em dinheiro
28. Min. do Supremo Tribunal Federal entram na cota de passagens da Câmara
29. Senador Gerson Camata (PMDB-ES) acusado de uso de caixa dois
30. Delegado Protógenes Queiroz voou com passagens do PSOL
31. Membros Cons. de Ética usam passagens e ajudam financiadores de campanhas
32. Fernando Gabeira deu passagens para família ir ao exterior e contratou mulher
33. Michel Temer, pres. da Câmara, usou passagens para “familiares e terceiros”
34. Ministro do TCU Augusto Nardes (ex-dep.) voa na cota do dep. Otávio Germano
35. Câmara pagou 42 passagens para ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e família
36.Senado paga motorista de ministro Hélio Costa (Comunicações) em BH
37. Ciro Gomes (PSB-CE) reage à reportagem sobre passagens com xingamentos
38. Gabinetes da Câmara negociam bilhetes de deputados com agências
39. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família
40. Sen. Mozarildo Cavalcanti usou assessor do Senado para compras particulares
41. Ex-diretor de RH do Senado João Carlos Zoghbi usava empresas de fachada
42. Deputado Eugênio Rabelo (PP-CE) usa cota aérea com time de futebol
43. Deputados “clonam” prestação de contas
44. Dep. Geraldo Resende pagou com verba inden. advogado que atuou em sua defesa
45. 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara
46. Sen. Magno Malta (PR-ES) passou quatro dias em Dubai com dinheiro do Senado
47. Sen. Alvaro Dias, Geraldo Mesquita, Paulo Paim e O. Dias usaram cota voos exterior
48. Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cedeu passagens a primo e a 2 assessores
49. Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deu passagem para namorada ir ao exterior
50. Senadores vivos ‘ganham’ ruas e avenidas em reduto eleitoral
51. Funcionário preso do Senado recebeu salário por 5 anos
52. Senado pagou 291 passagens para ex-senadores e até para dois senadores já mortos
53. Câmara paga piloto de avião de ministro Geddel Vieira Lima (PMDB, Integração)
54. Câmara paga 8 voos para investigado pela PF, colaborador de Fernando Sarney
55. STF abre processo contra deputado acusado de atentado violento ao pudor
56. Auxílio-moradia utilizado por dep. e sen. que não precisariampara comprar apto – Clique
57. Efraim Morais (DEM-PB): 52 funcionários fantasmas e carro oficial para uso particular
58. Servidor do PMDB no Senado que ganha R$ 15 mil mensais dá expediente em loja de móveis
59. Funcionário envolvido em operação da PF é indicado para comissão no Senado
60. José Sarney tem amigos, aliados e parentes contratados pelo Senado
61. Senado usa mais de mil atos secretos para criar cargos e aumentar benefícios
62. Senado indeniza empresa suspeita de irregularidade com R$700 mil
63. Deputados ignoram regras da Câmara para pagar alimentação
64. 350 funcionários do Senado têm salário maior que o de ministros do STF
65. Valdir Raupp (PMDB-RO) aprova concessão de rádio que tem como sócio seu assessor
66. Arthur Virgílio (PSDB-AM) mantém fantasma em seu gabinete
67. Neto de Sarney opera no Senado crédito consignado, que é alvo da PF
68. Fernando Collor usa verba indenizatória para vigiar Casa da Dinda e comprar quentinhas
69. Nova diretora de RH do Senado entrou no emprego em trem da alegria
70. Sarney oculta da Justiça casa de R$ 4 milhões e a usa para reunião com lobistas
71. Senado tem contas secretas
72. Ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) emprega mulher na Câmara
73. Senado ignora decisão do STF e mantém nepotismo
74. Fundação Sarney é suspeita de desviar verba de estatal
75. Sarney é acusado de ter conta bancária no exterior
76. Senadores inflam gabinetes com afilhados políticos
77. Fabricante de caças pagou viagem de deputados a Paris
78.Trem da alegria secreto efetivou 82 servidores do Senado sem concurso
79. Comissões do Senado empregam fantasmas
80. Senado usou quase R$ 1 milhão de verba de fundo sem licitação
81. Paulo Roberto e Eugênio Rabelo (PP-CE) são acusados de reter salários de assessores
82. Roseana Sarney (PMDB-MA) pagou secretária com verba indenizatória
83. Rosalba Ciarlini (DEM-RN) usou cota de passagens aéreas para turismo
84. Álvaro Dias (PSDB-PR) não declarou R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral
85. Sérgio Guerra (PSDB-PE) bancou viagem de filha à Nova York com dinheiro do Senado
86. Senador Roberto Cavalcanti dá emprego a filha do secretário da Receita
87. Empreiteira pagou dois imóveis para família Sarney em SP
88.Senado gastou R$ 25 mil em acordo que ficou só no papel
89.Tião Viana (PT-AC) ocultou casa de R$ 600 mil da Justiça Eleitoral
90. Senado ignora sobrepreço em obra de prédio
91. Papaléo Paes quis contratar mulher de Agaciel Maia para trabalhar em seu gabinete
92. Câmara perdoa 85% das faltas dos deputados
93. Senado gastou R$ 70 mil em curso de Ideli Salvatti (PT-SC) em 3 países
94. Ministro do PR usa emendas de orçamento para atrair deputados ao seu partido
95. Marco Maciel tinha funcionário presidiário recebendo salário
96. 98 servidores do Senado fizeram cursos no exterior em 2007 e 2008
97. Dos 3.413 funcionários efetivos do Senado, só 300 não recebem complem. salarial
98. José Sarney (PMDB-AP) e Michel Temer (PMDB-SP) mantém supersalários
99. Senado custeia despesas da Polícia Militar do Distrito Federal
100. Sem resultados, Parlasul gasta R$ 580 mil do Congresso Nacional em diárias
101. 828 servidores ignoram censo interno do Senado
102.Câmara cede imóvel funcional a Gastão Vieira, secret. de Roseana Sarney no MA

O texto acima foi pinçado do blog "Os Pensadores Falam"