Ópera-rock sobre o cárcere de Abaetetuba
1 – os fatos
Tinha quinze anos e subtraíra um Rolex made
in China ou um CD by Zona Franca de Manaus.
Por isso fora jogada
numa cela úmida de suor e porra.
Uma cela ocupada por homens exemplares,
educados na arte da pederastia e da extorsão
– onde trocava um copo d’água por uma chupada.
Tinha quinze anos e roubara pouco mais
de uns reais, que não lhe pagavam a fome.
Por isso fora jogada
numa cela feita de aço, músculo, testosterona.
Uma cela abarrotada de orações sinceras,
de sífilis, de gonorréia
– onde trocava fiapos de colchão por tapas na cara.
Tinha quinze anos e roubara um pedaço de pão
ou uma carteira de couro de avestruz.
Por isso fora jogada
numa cela fedendo a desinfetante de menta e cu.
Uma cela decorada com frases de ódio
e estelares bocetas globais
– onde trocava um prato de comida por uma trepada.
2 – o carcereiro
Nada perturba o seu sono.
O canto da navalha, no pescoço de quem dorme,
não lhe tira o apetite
– treta de cigarro, mulher ou cocaína:
é com sangue que se assina esses contratos.
(O trânsito é um problema que o incomoda:
busina, semáforo, lhe tiram do sério.)
Nada perturba o seu sono.
O choro noturno de quem será enforcado
não lhe rouba a disposição
– o cinto e o cadarço cumprem o papel
que Deus lhe designou.
(O chuvisco na TV é um empecilho:
não há riso sem o programa, sem o comercial.)
Nada perturba o seu sono.
A emboscada que culmina em desgraça
não lhe inibe o descanso
– ordem natural das coisas:
quatro homens no banheiro, outro que não é mais.
(Futebol é algo que o desconcerta:
o empate é inadmissível; a derrota, insuportável.)
Nada perturba o seu sono.
3 – os detentos
Um cultivou o seu amor com agrotóxico,
enterrou o corpo na horta,
onde nunca mais nasceu couve.
Outro, em nome da honra da filha,
cortou o pinto do vizinho e jogou na rua
– ali, brincavam de varinha atrás.
Mais ao fundo, um unha-de-fome
que têm o estômago como mentor
intelectual de seus atos
– roubava supermercados
com a prudência de ser preso: nada lhe
era melhor que a comida sem sal do Estado.
Alguns, resignados, assumiram crimes alheios
afim de quitarem carnês de jogatina e tráfico:
confessaram uma degola, adotaram umas fraturas
– em sua maioria ritualísticos ladrões de galinha
e usuários recreativos de cola de sapateiro,
que não teriam mesmo outro lugar para irem.
Há aqueles que não possuem crime algum
senão terem nascidos inclinados ao soco,
atraídos pelo grito, propensos ao ódio.
Aqui o sol é o mesmo para todos
e o interruptor o apaga.
4 – fim
cada casa é uma trincheira
que se defende de um inimigo invisível
(talvez seja o vizinho
ou nós mesmos – algo nos diz)
e rua a rua a guerra é perdida
pelo avanço de exército nenhum
Rafael Nolli, esta semana, no Poema Dia
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Israel usa água como arma de submissão
Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran disse, no seminário "Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra", que a água substituiria o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo, em especial no Oriente Médio. Este prognóstico foi reforçado pelo estudo divulgado em 2007 pelo Banco Mundial (Bird), segundo o qual a disponibilidade de água per capita no Oriente Médio vai cair pela metade até 2050.Uma das faces mais dramáticas deste conflito pode ser vista nos territórios palestinos ocupados por Israel.
Hoje, Israel exerce controle sobre a bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão, além dos grandes sistemas de aqüíferos da região: o da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), o de Basin e o Costeiro, que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.
Nesta semana, um relatório da ONG Anistia Internacional acusou Israel de privar os palestinos do direito à água. Segundo a ONG, Israel usa 80% dos recursos, deixando aos palestinos apenas 20%. Mas, esta não é uma denúncia nova, vem se arrastando há anos sem que o mundo tome conhecimento.
Em setembro, a Assistência Humanitária das Nações Unidas para Territórios Palestinos, denunciou que 10 mil moradores estavam sem acesso à água encanada na Faixa de Gaza, enquanto 60% dos 1,5 milhão de habitantes da região teriam apenas acesso esporádico.
Em julho de 2008, a ONG israelense B'Tselem, que atua nos territórios ocupados palestinos, afirmou a existência uma grave falta de água na Cisjordânia, provocada por uma "política discriminatória de Israel".
"A escassez terá sérias conseqüências na economia e na saúde de dezenas de milhares de palestinos. A falta crônica de água é resultado em grande parte da política discriminatória de Israel na distribuição dos recursos hídricos conjuntos na Cisjordânia, e às reservas que impõe à Autoridade Palestina para cavar novos poços", sustentava o documento.
O relatório da Anistia estima que o consumo diário entre os israelenses seja de 300 litros de água, enquanto entre os palestinos é de apenas 70 - volume que cai para 20 litros entre palestinos residentes em áreas rurais.
O relatório da ONG diz que "os 450 mil colonos israelenses na Cisjordânia têm piscinas e irrigação intensiva em suas fazendas", com mais água do que os 2,3 milhões de palestinos, forçados a pagar mais pela água trazida em caminhões, de higiene duvidosa. A situação é pior em Gaza, mantida sob rígido bloqueio israelense.
“Há uma injusta divisão da água, deixando muitas famílias (palestinas) com apenas duas horas de água por semana no verão. Ao lado você tem um assentamento com piscinas e estufas. O que você espera que estas pessoas pensem?”, questiona o Rabbi Arik Ascherman, do grupo israelense Rabbis for Human Rights, argumentando que este tipo de estratégia colabora para acirrar os ânimos dos palestinos contra os israelenses que ocupam suas terras.
Apesar das alegações israelenses de que a escassez é responsabilidade dos palestinos, que não reciclariam a água, seriam ineficientes na sua distribuição e não perfurariam poços já autorizados, a Anistia Internacional sustenta que "40 anos de ocupação e de restrições impediram o desenvolvimento de uma infraestrutura [de tratamento] de água nos territórios palestinos, negando a milhões de pessoas o direito a comida, saúde e desenvolvimento econômico".
Advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente da ONG Ambiental Acqua Bios e da Academia Livre das Águas, Ana Echevenguá garante que Israel desenvolve uma estratégia agressiva sobre os recursos hídricos na região como parte de uma estratégia de domínio. No artigo “A água (que ninguém vê) na guerra”, ela sustenta que Israel não cumpre as leis internacionais relativas ao compartilhamento de águas transfronteiriças, recursos naturais que devem ser compartilhados, segundo a UNESCO, por pelo menos dois países.
“Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos. Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais”, afirma.
Em seu artigo, Echevenguá cita um trecho do livro “Novas e Velhas Ordens Mundiais”, de Noam Chomsky, no qual o então ministro da agricultura de Israel é entrevistado pelo jornal Jerusalém Post (em 1990), expondo de forma clara a estratégia israelense para o tema: “é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade", disse o ministro.
Em 1993, o Acordo de Paz de Oslo estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região. Um levantamento feito na ocasião pelo professor Haim Gvirtzman, da Hebrew University, concluiu que dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Cisjordânia, cerca de 500 milhões eram usados pelos israelenses, o que teria gerado um “direito adquirido sobre a água”.
Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu: "Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para que eles supram as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza".
Sim, a água é questão vital na disputa política entre as forças de ocupação israelenses e os palestinos. Um exemplo de como esta relação conflituosa pode ultrapassar os limites da razão é a vila de Beit Ula, na Cisjordânia, cujas nove cisternas - construídas com dinheiro da União Européia e dos moradores locais, palestinos - foram destruídas pelo Exército israelense, sob a alegação de que a vila estava em "área militar restrita".
Os israelenses bombardeiam tanques de água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados das casas), confiscam as bombas de água, destroem poços, proíbem a exploração de novos poços e novas fontes (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização.
Antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. Até hoje, os sistemas não foram re-implantados. Achim Steiner, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que visitou Gaza no primeiro semestre, afirmou que a situação já era séria antes da última ofensiva israelense (entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009), devido à inadequada infra-estrutura e à falta de reparos nas unidades de tratamento de esgoto e água. “Agora é muito pior”, garante.
O embargo de Israel bloqueou o fornecimento de material de construção necessário para reparar a devastada infra-estrutura de Gaza e de combustível suficiente para fazer funcionar as unidades de tratamento de água e resíduos. “Os dejetos perigosos e hospitalares não recebem tratamento. Esgoto, também sem tratar, foi bombeado ao mar e atingiu as camadas subterrâneas e o fornecimento de água potável, criando uma ameaça sanitária”, disse Steiner. O exército israelense tem mais de 600 postos de controle e barreiras rodoviárias em toda a Cisjordânia, o que prejudica o tráfego de caminhões-tanque que transportam esgoto das aldeias e dos povoados. Por isso, “os palestinos não têm acesso suficiente aos lixões ou capacidade para tratar o lixo adequadamente”, acrescentou.
Depósito de lixo
Outra estratégia macabra de Israel para impossibilitar o desenvolvimento da sociedade civil palestina é transformar os territórios ocupados em lixeiras a céu aberto. A destruição da infra-estrutura básica de distribuição de água potável e de saneamento na Faixa de Gaza faz com que entre 50 e 80 milhões de litros de esgoto sejam despejados diariamente no mar.
Em maio, o jornalista Mel Frykberg publicou um artigo arrepiante mostrando como esta estratégia de destruição da auto-estima e de empastelamento das condições básicas de higiene ocorre na prática.
Segundo ele, empresas israelenses usam as terras palestinas como depósitos de lixo a apenas US$ 30 a tonelada, muito mais barato do que utilizar lixões israelenses. Empresas israelenses que fabricam produtos potencialmente perigosos se instalam em territórios palestinos para evitar as rígidas leis que controlam as operações em Israel. Em Hebron, foram descobertos recentemente 500 barris de inseticida de procedência israelense.
Além disso, os moradores dos assentamentos judeus ilegais na Cisjordânia costumam jogar seu lixo e esgoto em rios e outras fontes de água. Segundo o Instituto de Pesquisa Aplicada de Jerusalém “o esgoto dos assentamentos não se restringe aos afluentes domestico, mas incluem pesticidas, asbesto, baterias, cimento e alumínio, que contêm compostos cancerígenos e perigosos”.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Fotojornalismo
Homem carrega o corpo de um menino morto em ataque a um mercado em Peshawar, no Paquistão. Cerca de 100 pessoas, a maioria mulheres e crianças, perderam a vida no atentado que aconteceu cerca de três horas após a chegada da secretária de estado dos EUA, Hillary Clinton ao país. Foto de Fayaz Aziz/Reuters.quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Comercial e editorial
“Temos uma separação bem clara entre Igreja e Estado, o ‘cara do comercial’ é um cara com quem eu tenho uma boa relação, mas brigo. É melhor por em risco a viabilidade comercial do veículo do que a boa informação”
Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, hoje, no Media On 09.
Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, hoje, no Media On 09.
BBC Online investirá forte em mídias sociais
Interessante a entrevista com a editora-executiva da BBC News Online, Nathalie Malinarich, conduzida por Beth Saad (Professora titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP e diretora de estratégia da Digital Happenings) no Media On 09.
Malinarich é responsável pela área internacional do site bbc.com/news e há nove anos ela participa do dia-a-dia do serviço online, atuando em programação interativa, infográficos, reportagem e edição da primeira página.
Ela disse que a BBC News investirá forte em mídias sociais e que em breve terá um editor de mídias sociais trabalhando lado a lado com a equipe de jornalistas, na redação. “Esta pessoa não apenas utilizará e ajudará a utilizar a mídia social como ferramenta, mas ajudará a pensar nos investimentos no setor”, afirmou.
Malinarich é responsável pela área internacional do site bbc.com/news e há nove anos ela participa do dia-a-dia do serviço online, atuando em programação interativa, infográficos, reportagem e edição da primeira página.
Ela disse que a BBC News investirá forte em mídias sociais e que em breve terá um editor de mídias sociais trabalhando lado a lado com a equipe de jornalistas, na redação. “Esta pessoa não apenas utilizará e ajudará a utilizar a mídia social como ferramenta, mas ajudará a pensar nos investimentos no setor”, afirmou.
O jornalismo nasceu para servir uma comunidade e alimentar ela de informação
“O jornalismo nasceu para servir uma comunidade e alimentar ela de informação. A Internet foi feita para jornalismo, ainda que não profissional. A informação bem apurada continua sendo absolutamente necessária para que o mundo continue coeso.”
Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, hoje, no Media On 09.
Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado, hoje, no Media On 09.
Se quer permanecer jornalista, viva online o quanto puder
“Infelizmente, falo do ponto de vista americano. Você não terá esse trabalho (de jornalista) para sempre. Não conheço as especificidades do Brasil. Nos Estados Unidos, muitos migraram para organizações públicas, para o governo. Muitos atuam como detetives particulares. Se quer permanecer jornalista, viva online o quanto puder. Esse é o conselho mais valioso que posso dar. Faça um blog sobre aquilo que você se interessa, dissemine isso no Twitter. Aprenda a trabalhar com multimídia, aprenda a usar flash, programação. O número de pessoas que fazem isso hoje é pequeno. Se você conseguir isso, estará um passo à frente”.
Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, ontem, no Media On 09. Interessante também a entrevista concedida por ele ao jornal Folha de S.Paulo, sobre o jornalismo contemporâneo.
Joshua Benton, jornalista investigativo e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, ontem, no Media On 09. Interessante também a entrevista concedida por ele ao jornal Folha de S.Paulo, sobre o jornalismo contemporâneo.
Câmara insiste no obscurantismo e vota hoje obrigatoriedade do diploma
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara deve votar nesta quarta-feira a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece a necessidade de curso superior para o exercício da profissão de jornalista. A PEC, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), foi apresentada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a exigência de diploma para o exercício da profissão e visa incluir na Constituição um dispositivo que estabelece a necessidade do curso superior. A PEC também estabelece que nenhuma lei poderá conter dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação.
Na hipótese de ser aprovada, a PEC será julgada inconstitucional pelo Supremo, que já definiu categoricamente a questão. O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, descartou no final de junho a hipótese de o Congresso reverter a decisão da Suprema Corte.
"Não há possibilidade de o Congresso regular isto, porque a matéria decorre de uma interpretação do texto constitucional. Não há solução para isso. Na verdade, essa é uma decisão que vai repercutir, inclusive sobre outras profissões. Em verdade, a regra da profissão regulamentada é excepcional, no mundo todo e também no modelo brasileiro", disse Gilmar Mendes.
Na avaliação do presidente do STF, o decreto-lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, não atende aos critérios da Constituição de 1988 para a regulamentação de profissões.
A presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Britto, explica: “O processo legislativo de emenda constitucional não pode ser uma instância a mais de recurso contra decisões do Poder Judiciário. E seria esdrúxulo ter na Constituição uma regulamentação para o exercício da profissão de jornalista, como para qualquer outra atividade profissional. A Carta Maior é um documento de princípios gerais, filosóficos mesmo, e por isso não contém absolutamente nenhum tipo de regulamentação profissional.”
A insistência do sindicato em manter este debate em detrimento de outros mais importantes para a profissão, como a qualidade dos próprios cursos de Jornalismo que se espelham pelo País e vomitam anualmente uma massa de graduados despreparados para exercerem a profissão – salvo exceções – é resultado da política que se apóia única e exclusivamente no corporativismo, na reserva de mercado, em uma visão burra da profissão.
O sindicato, assim como grande parte da academia, passou anos evitando um debate honesto sobre o assunto, propagando uma visão distorcida sobre o tema. Diziam que a não exigência do diploma inundaria o mercado com profissionais sem capacitação, que haveria desvalorização salarial e profissional. Balela. Hoje estes argumentos caíram por terra, nada disso ocorreu. Mesmo antes da decisão do Supremo, mas quando já vigorava liminar que desobrigava as empresas jornalísticas de contratarem exclusivamente os formados em escolas de jornalismo, elas prosseguiram na contratação de profissionais com essa qualificação. É assim na maior parte das democracias do mundo, onde não há a exigência do diploma universitário de jornalista para o exercício da profissão, mas existem excelentes cursos de jornalismo.
O fato é que ninguém é contra a qualificação dos jornalistas por meio de cursos universitários, o problema é que não se pode impor esta exigência sem ferir o princípio da liberdade de expressão. Além disso, e principalmente, para o horror dos jornalistas de sala de aula, não há nem mesmo um currículo mínimo consensual para a formação jornalística.
Leia mais sobre este tema
- Gay Talese: "Um diploma não torna você um jornalista"
- Diploma e Jornalismo: visões inglesas e argentinas
- Ainda, o diploma
- Diploma: algumas leituras sobre o tema
- Caiu a exigência do diploma: viva o Jornalismo
- Na semana em que pedi a colação de grau o STF pode derrubar o diploma
- Ainda o diploma para jornalistas
- Sobre o diploma para jornalistas
- Diploma: lucidez em meio ao obscurantismo
- A desqualificação como argumento
- Mantido ou não o diploma, algo muda no nosso Jornalismo?
- Com ou sem diploma?
- Priscila, Greenpeace e o canudo
- Os defensores do diploma e seus debates imaginários
- Debate sobre o diploma de jornalismo... que debate?
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Na avaliação do presidente do STF, o decreto-lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, não atende aos critérios da Constituição de 1988 para a regulamentação de profissões.
A presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Britto, explica: “O processo legislativo de emenda constitucional não pode ser uma instância a mais de recurso contra decisões do Poder Judiciário. E seria esdrúxulo ter na Constituição uma regulamentação para o exercício da profissão de jornalista, como para qualquer outra atividade profissional. A Carta Maior é um documento de princípios gerais, filosóficos mesmo, e por isso não contém absolutamente nenhum tipo de regulamentação profissional.”
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O fato é que ninguém é contra a qualificação dos jornalistas por meio de cursos universitários, o problema é que não se pode impor esta exigência sem ferir o princípio da liberdade de expressão. Além disso, e principalmente, para o horror dos jornalistas de sala de aula, não há nem mesmo um currículo mínimo consensual para a formação jornalística.
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Resenhas para todos os gostos
Para quem gosta de resenhas, seguem as minhas últimas leituras. É um material diversificado, que inicia por Gogol, passa por Robert Fisk, JRR Tolkien, Foucault, Laurentino Gomes, Cortazar e afins.
Adeus Robinson e outras peças curtas - Júlio Cortazar
Leoa ou gazela – Flávia Perez
As ruínas - Scott Smith
O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
1808 - Laurentino Gomes
Confissões de um assassino econômico - John Perkins
O mundo sem nós - Alan Weisman
Vigiar e Punir - Michel Foucault
O Silmarillion - JRR Tolkien
A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
29 Fragmentos - Alyne Costa
Drácula - Bram Stoker
Tarás Bulba - Nikolai Gógol
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Leoa ou gazela – Flávia Perez
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O Chamado de Cthulhu e outros contos - H.P. Lovecraft
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Vigiar e Punir - Michel Foucault
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A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio - Robert Fisk
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