Semana On

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Atire a primeira pedra quem apóia a burca

“Os submissos e as submissas, os crentes e as crentes, os homens obedientes e as mulheres obedientes, os homens leais e as mulheres leais, os homens perseverantes e as mulheres perseverantes, os homens humildes e as mulheres humildes, os homens caridosos e as mulheres caridosas, os homens que jejuam e as mulheres que jejuam, os homens castos e as mulheres castas, os homens que invocam a Deus com freqüência e as mulheres que invocam a Deus com freqüência – para todos eles, Deus preparou a indulgência e grandes recompensas.” (Sura 33:35)

por Victor Barone — Uma derrota militar pode ter sido a origem de práticas que colocam a mulher em um patamar de inferioridade no islamismo fundamentalista. Quando Aisha – a mais querida e respeitada das mulheres de Maomé – caiu em desgraça após ter sido derrotada nas convulsões religiosas que se seguiram à sucessão do profeta, muitos de seus comentários e correções sobre importantes Hadith foram suprimidos ou ignorados. Desde então, os Hadith tornaram-se a principal justificativa para a inferioridade feminina imposta pelos que interpretam o Corão a ferro e fogo, embora esta visão não estivesse presente nas origens do islamismo.

Mais de 1400 anos depois, quando o presidente da França Nicolas Sarkozy afirmou que o uso da burca representava “subserviência” e “humilhação” para as mulheres, muita gente se apressou em condená-lo sob o argumento de que a prática é parte de uma visão de mundo ancorada em bases religiosas, cuja existência não nos cabe negar. Devemos reconhecer a existência do outro, sua cultura complexa e diferente da nossa, dizem os que se apóiam no relativismo cultural para validar práticas que degradam o ser humano: como o uso da burca.

LEIA O ARTIGO COMPLETO NO AMÁLGAMA

Ideólogos da farsa

No último dia 21 publiquei aqui uma reflexão sobre o julgamento ideológico que se faz hoje sobre quem “ousa” criticar o Governo Lula e o PT. Muita gente não consegue digerir posicionamento críticos sobre a atuação destas duas “entidades” do imaginário político do país. Esta patrulha ideológica se apropriou ilegitimamente dos conceitos de esquerda, atribuindo aos seus adversários a pecha de direitistas ou reacionários.

Na verdade, entre os que colocam o dedo na ferida do populismo, há muitos que conservam vivas noções muito aprofundadas do pensamento libertário de esquerda e, por isso mesmo, não pactuam com a pérfida idéia de que os fins justificam os meios, de que tudo é válido em busca um objetivo final, de que a arma do adversário pode ser usada sem conseqüências funestas.

Ética, igualdade, cooperativismo, democracia direta, mecanismos que permitam um despertar de consciência que levem o cidadão a tomar as rédeas de seu futuro, não são ferramentas a serem colocadas ao serviço de projetos de poder. Os que se apoderam destes conceitos, aplicando-os sobre o imaginário de gente sofrida, com o objetivo de perpetuar-se no poder não são piores do que os que “se lixam para a opinião pública”, ou àqueles que enriquecem às custas da população. São todos feitores de almas.

Trazendo esta reflexão para a nossa realidade política, destaco um trecho do artigo de J.R. Guzzo, publicado nesta semana na Veja.

“O que poderia haver de mais avançado em matéria de falsificação, por exemplo, do que sustentar, como fazem os mestres de doutrina do PT, que são de direita todos os que discordam do governo Lula e de esquerda todos os que são a favor? O resultado prático dessa maneira de separar os lados na política brasileira é a criação de um tumulto mental em modo extremo, no qual não se entende rigorosamente nada. Cada caso, aí, é mais esquisito que o outro. O governador José Serra, que foi presidente da UNE, teve de fugir da polícia no golpe militar de 1964 e ficou anos exilado, é o principal nome da oposição para disputar as eleições presidenciais de 2010 contra a candidatura do governo; é apontado pelo PT, por isso, como o grande líder da "direita" brasileira. O presidente do Senado, José Sarney, foi um dos principais servidores do regime militar, esse mesmo que queria colocar Serra no xadrez; hoje está a favor do governo Lula e é defendido até a morte pelo PT, como um herói daquilo que o partido descreve como sendo o campo progressista, popular e de "esquerda". Qual o nexo de uma coisa dessas? Pela mesma visão, o deputado Fernando Gabeira, que quando jovem fez tudo o que a esquerda mais radical podia fazer, e hoje é um opositor aberto da ladroagem no governo Lula, é excomungado como homem de "direita". Já o senador Romeu Tuma, que fez carreira durante a ditadura como delegado do Dops e andava atrás, justamente, de subversivos como Gabeira, hoje é um dos destaques da "base aliada" e se vê premiado pelo PT como participante ativo do "projeto de esquerda" neste país. A senadora Marina Silva, que até outro dia estava para ser canonizada pelo governo, tornou-se suspeita de ajudar a "aliança conservadora" no dia seguinte ao seu rompimento com o PT; é uma questão de tempo até ser enfiada sem maior cerimônia no balaio geral da "direita". O deputado Paulo Maluf, que o PT sempre tratou como uma espécie de King Kong do direitismo nacional, foi promovido, pelos serviços que fornece ao governo, a associado emérito das forças de "esquerda". Fica assim, então: Serra, Gabeira e Marina, entre dezenas de nomes semelhantes, estão na direita; Sarney, Tuma e Maluf, entre outros tantos, estão na esquerda. É nisso que veio dar, no Brasil atual, a distinção entre ideologias.”

Escrevinhamentos no programa Blog da Vez

O Escrevinhamentos será o destaque do programa Blog da Vez na próxima sexta-feira (4). Ouça o programa ao vivo às 8h, ou a reprise, às 14h, no EloFM. Grato ao Alexandre Lana Lins, apresentador e produtor do Blog da Vez.

Fotojornalismo

O caudilhismo populista sul-americano volta a ameaçar a liberdade de expressão. No sábado, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que pedirá o fechamento do canal de televisão Teleamazonas, por ter divulgado uma gravação clandestina de uma reunião em seu escritório. Está virando moda. Foto da AFP.

domingo, 30 de agosto de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

Poesia aos sábados

Vento

Peguei o lampião, auscultei a alma.
Marido dormia no sofá quando o vento veio.
Perfume de homem, com canela.
Entrou pelas narinas, percorreu o ventre.
Abri porta, pernas, montei no seu cavalo de cheiros, me perdi.
Quando voltei, marido se acordou.
- Você está diferente.
- Bestagem. Dorme.
No meio das pernas latejava, borboleta negra da lembrança.

Maria Helena Bandeira, esta semana, no Poema Dia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Coluna do Capssa - "Eugénie Grandet e Thérèse Raquin"

Duas Senhoras” tem como pano de fundo a França de hoje, onde uma jovem enfermeira árabe, cansada dos comentários racistas, resolve trabalhar como enfermeira de uma judia idosa.

Apesar de interessante o tema, não falarei sobre o filme, embora tenha sentido na pele este tipo de preconceito. Em 1988, como médico, participei de um congresso em Palma de Mallorca. Éramos cinco brasileiros. Fui o único barrado no aeroporto de Orly. Na ocasião, tinha o cabelo e bigodes negros e essa inconfundível expressão árabe. Depois de muita conversação e apresentação de documentos fui liberado com um certo olhar de desconfiança, é claro.

A introdução se fez necessária, uma vez que fiquei traumatizado com os franceses. Trauma que resolvi combater neste mês de agosto, quando, entre exames médicos de rotina, preocupações com a saúde e, ainda, de férias, resolvi ler duas interessantes obras de autores franceses: uma de Honoré de Balzac, outra de Émile Zola (cujo “Germinal”, lido na juventude, me marcou profundamente como uma das mais instigantes obras com que tive contato).

Eugénie de Grandet” e “Thérèse de Raquin” são, na verdade, duas jovens que persistiram, teimosamente, em viver, embora antagônicas em sua maneira de pensar e agir. Em “Eugénie de Grandet”, Balzac faz um amplo estudo ficcional sobre a futilidade pequeno-burguesa, ressaltando o poder que o dinheiro exerce sobre a vida e o caráter das pessoas, a frustração amorosa e a índole humana, personificada pela figura do seu pai, o velho Grandet, avarento da mais perfeita repugnância.

Em “Thérèse Raquin”, Zola, por sua vez, nos mostra uma jovem - de maneira extremamente realista - que vai do adultério ao crime, sofrendo todas as conseqüências morais de seus atos. Embora Zola seja um naturalista - “cada capítulo constitui o estudo de um caso curioso de fisiologia” - parece-me que vai mais longe do que o simples retrato do fisiologismo (atuando o meio como fator preponderante sobre as ações do ser humano) na justificativa de seus atos.

Concluindo, penso que Balzac era, definitivamente, um crítico voraz da sociedade francesa. Zola subestimou-se. Assim como o grande Dostoievski, dissecou a alma humana. Nenhum outro autor teve a capacidade de explorar o ser humano na plenitude de suas mentes inquietas como eles.
Luiz Carlos Capssa Lima
25/08/09

Fotojornalismo

O caseiro Francenildo dos Santos Costa no STF, em Brasília,ontem, aguardando o julgamento da ação do MP contra o ex-ministro da Fazenda e atual deputado Antonio Palocci (PT-SP), que foi inocentado. Foto de Celso Junior/AE.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mercenárias

As Mercenárias: Me perco neste tempo
Ouça no volume máximo!

Fotojornalismo

"Abre os olhos!!!", dizem cartazes espalhados em Bogotá. Recado ao presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Foto da AP