Semana On

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fotojornalismo

A tropa de choque do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) deu início ontem às manobras para livrá-lo da cassação. O senador Paulo Duque, aliado e encarregado de analisar as denúncias no Conselho de Ética, já arquivou quatro delas. Ele aproveitou o embalo para engavetar também uma quinta denúncia, desta vez contra o atual líder do PMBD no Senado, Renan Calheiros (AL). Foto de Geraldo Magela (Agência Senado)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ezra Nawi e o totalitarismo israelense

Em recente artigo publicado no jornal The Nation (29 de junho) o ativista israelense Ezra Nawi fez um veemente protesto contra sua condenação - foi considerado culpado de agredir dois policiais em 2007, enquanto lutava contra a demolição de casas palestinas em Um El Hir, na parte sudoeste da Cisjordânia - e denunciou uma campanha de perseguição patrocinada pelos colonos sionistas, pela polícia e exército israelenses com o apoio do sistema de justiça do país. No próximo dia 16, ele será sentenciado. Uma campanha internacional já reuniu cerca de 140 mil cartas de repúdio à decisão da justiça de Israel. Entre os signatários, gente do porte de Naomi Klein, Neve Gordon e Noam Chomsky. Confira o artigo.

-

Meu nome é Ezra Nawi. Sou um cidadão judeu de Israel.

Serei sentenciado após ter sido considerado culpado de agredir dois policiais em 2007 enquanto lutava contra a demolição de casas palestinas em Um El Hir, localizada na parte sudoeste da Cisjordânia.

Obviamente, os policiais que me acusam de agressão estão mentindo. De fato, esta tem sido uma conduta comum à força policial e militar israelense assim como entre os colonos judeus.

Após cerca de 140 mil cartas enviadas às autoridades israelenses em suporte as minhas atividades nos territórios ocupados da Cisjordânia, o Ministro da Justiça respondeu dizendo que eu “provoquei os moradores locais”.

Esta resposta reflete a estratégia quem tem dominado o discurso oficial relacionado aos Territórios Palestinos Ocupados.

No fim das contas, fui eu quem envenenou e destruiu os poços de água palestinos?

Eu agredi idosos?

Eu envenenei os rebanhos de ovelhas dos palestinos?

Eu demoli suas casas ou destruí seus tratores?

Eu bloqueei estradas e restringi sua movimentação?

Fui eu quem proibiu que as pessoas conectassem suas casas a rede de eletricidade e água encanada?

Eu proibi os palestinos de construírem casas?

Nos últimos oito anos, vi com meus próprios olhos centenas de abusos como estes e os expus ao público. Ainda assim sou considerado um provocador. Posso dizer apenas que tenho orgulho em ser um provocador.

Por eu ser um provocador, a polícia e seus aliados me ameaçaram, espancaram e encarceraram em diversas ocasiões. E quando, ainda assim, eu continuei “provocando”, eles não hesitaram em me classificar como gay, em espalhar rumores de que eu teria o vírus da AIDS entre os palestinos com quem trabalho.

Por ser um judeu Mizrahi (descendente de comunidades judaicas no mundo árabe e muçulmano), gay e encanador, não pertenço a elite da sociedade israelense, não ostento o estereótipo dos pacifistas israelenses (intelectuais de descendência Ashkenazi). Os policiais - que constantemente me prendem - e eu somos parte do mesmo estrato social. Eu fui programado como eles, temos sotaques parecidos, conheço sua gíria, nosso passado é comparável. E, portanto, aos seus olhos estou “do outro lado”, o lado dos palestinos.

Este simples fato parece perturbá-los tanto que eles têm que me acossar. É a única forma pela qual seu modo de ver o mundo possa continuar fazendo sentido. Eu os ameaço precisamente por minar as categorias e estereótipos a partir dos quais eles compreendem o mundo.

Mas, os policiais não são os únicos atores neste palco. Os militares, a administração civil e o sistema judicial trabalham com a polícia e, juntos, seguem o comando de seus mestres, os colonos judeus.

Esta aliança ímpia é extremamente perigosa, pois para ela os fins – obter controle total sobre as Terras de Israel – justificam os meios. Com o objetivo de atingir este fim, eles desumanizam os palestinos e, por não considerarem os palestinos humanos, tudo é permitido.

Eles podem roubar suas terras, demolir suas casas, roubar sua água, aprisioná-los sem razão, e às vezes, até mesmo matá-los. Em hebreu nós dizemos damam mutar, tomar seu sangue é permissível.

É importante ter em mente, no entanto, que o mal que eu confronto diariamente na Cisjordânia não poderia ser mantido sem o sistema judicial israelense. A juíza Eilata Ziskind não apenas errou ao me julgar culpado, mas instruiu a corte a convidar um tradutor para a sentença, como se eu não falasse hebreu. Para ela, um judeu Mizrahi é um palestino árabe – e árabes são, quase que por definição, culpados. Meu caso é apenas parte deste padrão. Todos os crimes cometidos pelo estado e seus próceres nos territórios nos últimos 40 anos foram feitos kosher pelas cortes israelenses. Portanto, as cortes são tão culpados quanto os demais pela manutenção da crueldade.

Por eu ser um provocador, o estado me condiciona a um constante assédio, e ainda assim eu persisto. O que me fortalece e me dá energias é o heterogêneo e constante apoio que sempre recebi de aliados políticos. Quando fui espancado por colonos, quando meu carro foi roubado, enquanto estive preso, nunca me senti só. Sei que milhares de pessoas, tanto em Israel quanto em outros lugares, apóiam o que nós do Ta'ayush (Parceria Judaico-Árabe) estamos fazendo contra a ocupação.

"Ezra" em hebreu, significa socorro, e eu sei que em tempos atribulados posso contar com o socorro de meus amigos.

Fotojornalismo

O Irã reelegeu Mahmoud Ahmadinejad presidente. A oposição alegou fraude. Teerã virou palco de confrontos que mataram pelo menos 20 pessoas. Nesta quarta-feira Ahmadinejad assume o novo mandato. Foto da AFP.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nossos poços de dignidade

Os próceres da República, nossos senadores, são mesmo poços de seriedade, de dignidade, repletos de ética norteadora de suas ações. Gente imbuída de espírito público, pronta a externar sua indignação, a inflar os brios quando se depara com injustiças e hipocrisia. Pelo menos é o que deixaram transparecer para o cidadão desavisado, na segunda-feira (3), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL) em debate com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Quem sintonizasse a TV Senado durante o confronto poderia pensar que algum assunto relevante para o bem estar da nação estava em questão naquele momento. Ledo engano. O que se viu ali foi uma troca de acusações, de leviandades que mostra apenas a ponta da montanha de esterco que se deposita sobre o Congresso Nacional.

Leia o artigo completo AQUI, no Amálgama.

No Amálgama

A partir de hoje integro a equipe do Amálgama a convite de Daniel Lopes (e por indicação do excelente Diego Viana). Uma honra integrar um time tão talentoso e comprometido com questões fundamentais de nosso tempo. Pretendo publicar por lá de dois a quatro artigos e comentários por mês. Aviso aqui.

Fotojornalismo

O senador Fernando Collor de Mello em aparte ao discurso de Pedro Simon. Muita indignação para pouca ética. Foto de Geraldo Magela (Agência Senado).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Os 10 + de Julho

Os 10 mais de Julho
Confira a lista dos 10 posts de Julho com mais acessos.

O mundo sem nós - Alan Weisman
Hotel em ruínas mostra fosso entre discursos de Obama e Israel
Preconceito de opção sexual se reflete nas salas de aula
Obama e o biocombustível II
Vigiar e Punir - Michel Foucault
Baladas Nemurianas
Fervor casto
Maquiavel, Obama e os assentamentos que não encolhem
Coluna do Capssa - "Edward W. Said: o verdadeiro arabista"
Cardiovascular

Open Thread: a sexualização da mulher brasileira na mídia e na publicidade prejudica sua imagem no exterior?

Vamos debater?
Use os comentários e solte o primeiro rojão.
Vote na enquete AQUI.

Pão ou liberdade? Podemos escolher entre ambos?

Noventa e quatro por cento dos 68 freqüentadores do Escrevinhamentos que votaram na enquete que perguntava “você apoiaria um governo pouco democrático caso ele fosse bem sucedido na economia?” disseram que não. Mesmo que significasse avanço econômico e melhoria nas condições de vida da população estes 64 internautas não aceitariam passivamente um governo que agredisse as instituições democráticas e o estado de direito. Cinco leitores (06% dos participantes), no entanto, disseram que sim.

Trata-se de um debate interessante. Muita gente apoiaria, por exemplo, uma intervenção federal no Maranhão, onde a família Sarney “controla” boa parte da imprensa e das demais instituições. Ocorre que o estado de direito e a democracia não estão sendo agredidas por lá. As eleições ocorreram legalmente e as pessoas votaram em quem quiseram votar (é claro que há currais eleitorais, compra de votos, troca de interesses, mas isso pode e deve ser investigado e punido dentro das regras democráticas).

Me chama a atenção que muita gente que apoiaria uma intervenção no Maranhão brada contra a deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Ora. Zelaya quer se transformar em um Chavez, em um Morales. Pode-se ser simpático a eles, mas não se pode negar que são populistas que manipulam a democracia para seus interesses.

Ainda assim, apesar de querer modificar a constituição para se perpetuar no poder, Zelaya foi eleito democraticamente. É inconcebível que se compactue com o golpe em Honduras. Mas, e quanto a Sarney e sua oligarquia maranhense? O bigodudo é um anacronismo político, mas não foi, também, eleito democraticamente (assim como sua filha foi empossada dentro das regras que regem a democracia)?

Ou democracia vale para uns e não para outros? O conceito de democracia é algo permutável? Que se adapta mediante a ideologia de quem está no poder e na oposição? Ou é um conceito sobre o qual não se aplica senãos?

No final do ano passado, o Latinobarómetro - pesquisa anual da Economist sobre o pensamento político dos cidadãos latino-americanos - concluiu que 57% dos brasileiros não se importariam em ter um governo não democrático desde que este resolvesse problemas econômicos.

Reflexo de um imobilismo ideológico? Na China, por exemplo, o totalitarismo é mascarado pelo crescimento econômico que pinçou milhões de pessoas da linha de pobreza. Da mesma forma, Chavez (Venezuela), Morales (Bolívia) e Duarte (Equador) representam um conceito novo de revolução de esquerda – baseada no populismo assistencialista - que tem na América Latina seu campo de provas: uma revolução constitucional que, posteriormente, adota medidas que restringem as liberdades individuais por meio de plebiscitos.

Sou um entusiasta dos plebiscitos (aqui e aqui), desde que os cidadãos tenham informações adequadas sobre o que estão votando e estejam livres das amarras populistas que os subjugam tanto quanto o chicote do capital. Ocorre que há situações em que a ignorância, o embrutecimento, o obscurantismo chegam a tal ponto que os que estão sob o tacão não conseguem mais olhar além da chibata, do pão e do circo. Nestes casos, os plebiscitos se transformam em cruéis armas de manipulação.

Pão ou liberdade? É possível escolher entre os dois?

Frases

"E nenhuma reforma política é capaz de substituir a fiscalização de uma opinião pública que se mostre cada vez mais consciente, além de enojada com os desmandos que vê."
Editorial de hoje da Folha de S.Paulo