Semana On

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Baladas Nemurianas

Sou um apaixonado pela literatura de fantasia, ficção científica e horror. Autores com JRR Tolkien, Michael Morcoock, CS Lewis, Isaac Assimov, HP Lovecraft, Edgard Alan Poe, Robert E. Howard, Stephen King, Anne Rice, Peter Straub, Clive Barker (entre outros) me encantam há algumas décadas. Volta e meia retorno ao gênero e é sempre um prazer navegar pela imaginação destes autores maravilhosos.

A paixão por estes instigantes “subgêneros” literários me levou, ano passado, a iniciar um conto que logo se transformou em algo maior. Hoje, penso que estou escrevendo um romance de fantasia medieval. Chama-se “Baladas Nemurianas”.

Resolvi publicá-lo na internet conforme escrevo os capítulos. Há três deles finalizados e disponíveis no site do projeto, além de um apêndice dedicado às raças que habitam este meu mundo imaginário e um segundo, contendo um dicionário de termos.

Bom, é isso. Se você curte o gênero, faça uma visita e me dê um feedback sobre a ambientação, a história, os personagens. Estou finalizando o quarto capítulo que, em breve, será publicado.

Fotojornalismo

Lula dá uma camisa da seleção brasileira para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em encontro em L´Áquila, na Itália. Foto de Haraz N. Ghanbari/AP.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Para ler, refletir e lamentar

para refletir: Se um jornalista diplomado for preso, perde o direito a sela especial?? já que o diploma não serve pra mais nada mesmo

A pérola acima, publicada no twitter, é de autoria de um “jornalista diplomado”. Que tal?

Apesar do golpe, quem apóia Zelaya?

Um golpe que põe abaixo um governo eleito democraticamente não pode ser legitimado. Ponto pacífico. O que segue é apenas uma curiosidade: quem apóia Manuel Zelaya em Honduras?

Segundo o jornalista Gustavo Chacra, que está cobrindo os eventos em Tegucigalpa, “os participantes das manifestações pró-Zelaya são integrantes de sindicatos, movimentos estudantis, professores e simpatizantes de diferentes classes sociais”. Estas manifestações, segundo o jornalista, não reúnem mais participantes do que reúnem as manifestações pró-governo. Ou seja: não se pode dizer que há uma mobilização popular majoritariamente anti-golpista. Na imprensa local, o presidente deposto conta apenas com o “apoio de algumas rádios”.

Por outro lado, o presidente empossado pelos golpistas, Roberto Micheletti, conta com o apoio “da Suprema Corte, das Forças Armadas, do Congresso, da Igreja Católica, da Evangélica, de empresários e da maior parte da imprensa... Os parlamentares, incluindo os integrantes do Partido Liberal, ao qual pertencia Zelaya, permanecem leais a Micheletti, que faz parte da mesma legenda. O Partido Nacional, outra força política em Honduras, tampouco se solidariza com a posição do presidente”, diz Chacra.

Afinal - independente da ilegitimidade do golpe – será que a sociedade hondurenha (e aí falo da sociedade enquanto conjunto, não de setores) quer mesmo a volta de Zelaya? E se ela não quiser? Quem somos nós para impor isso a ela?

Feras-humanas do RPG

EXTRA! EXTRA! EXTRA! Jogadores de RPG são, mesmo, maníacos assassinos. Confira as fotos das feras-humanas em plena sessão demoníaca. AQUI.

O Jornalismo não pode ser dispensável

"O desafio do jornalismo tradicional, portanto, é se fazer indispensável não porque seja o primeiro com as últimas, o que é página virada na sua história, mas porque seja capaz de dizer, convincentemente, o que elas significam.

A captura da informação exclusiva – esse superpoderoso estimulante que corre na veia das redações – deve cada vez menos dar conta do recado. O destino da imprensa organizada depende da sua aptidão para persuadir as novas gerações de potenciais leitores de que, no dia a dia, ela é imbatível em destrinchar o funcionamento do mundo.
"

Do jornalista Luis Weiss, em recente artigo no qual analisa o futuro do Jornalismo.

Vigiar e Punir - Michel Foucault

Terminei ontem Vigiar e Punir de Michel Foucault. Publicada em 1975, a obra alterou o modo de pensar e fazer política social no mundo ocidental por meio de um aprofundado exame dos mecanismos sociais e teóricos que desembocaram nas mudanças promovidas sobre os sistemas penais ocidentais durante a era moderna.

Foucault elabora, nas 280 páginas que compõem o livro, uma análise sobre os mecanismos de vigilância e punição adotados pelos vários níveis de poder, investiga os meandros do direito penal nos regimes absolutistas europeus, comparando-os com suas aplicação nos regimes democráticos que surgem a partir do século XVIII e, finalmente, fazendo uma análise sobre a maneira pela qual os delitos penais são assimilados.

O objetivo de Foucault é expor o exercício do poder sob a ótica do direito penal e compará-las. A primeira análise se refere aos regimes absolutistas, onde o poder, centralizado na figura do rei, se afirmava por meio de uma dinâmica de punição violenta, na qual o corpo era supliciado para afirmar e referendar este poder. A barbaridade da tortura, do espetáculo público do suplício, da afirmação da autoridade e do poder por meio da destruição do corpo como ente político é uma característica deste momento. O objetivo era punir o crime e dar aos demais um aviso claro sobre o que ocorreria caso o poder fosse questionado.

Esta estratégia, segundo Foucault, começa a ser questionada no século XVIII, quando juristas e filósofos repudiam sua desumanidade, ao mesmo tempo em que uma nova filosofia de punição começa a ser construída com base no seu abrandamento. Foucault se refere a este momento como o nascimento da “sociedade disciplinar” e considera que, a partir daí, o poder passa a se manifestar por meio do controle estrito do tempo e do indivíduo por meio da organização do espaço. É o “poder panóptico”, no qual o individuo é permanentemente controlado, vigiado, corrigido, prática que se estende para diversas instâncias sociais.

Em Vigiar e Punir, este momento é apresentado como uma mudança na prática do poder na qual a punição é substituída por uma vigilância e controle permanente e pela definição para cidadão do que é ou não é aceitável socialmente. Esta “orientação”, esta “correção” dos indivíduos se daria a partir de modelos que seguem o padrão do “panóptico” como a fábrica, a prisão, o hospital, a escola, instâncias sociais que se apossariam do indivíduo, adaptando-o às necessidades do sistema de produção.

Seqüestrando os indivíduos e subtraindo-lhes o tempo de suas vidas, o poder “panóptico” possibilita que à sociedade se aposse dos corpos de seus integrantes, reforçando o poder econômico e produzindo um conjunto de saberes (pedagogia, psicologia, psiquiatria – que definem, qualificam e classificam o indivíduo).

Portanto, em Foucault, o conhecimento se transforma em uma ferramenta para a legitimização de um poder construído a partir das práticas sociais. O conhecimento não seria uma referência, um objetivo, mas um mecanismo para auxiliar o homem em sua busca pelo poder, pelo domínio, um mecanismo essencial para a manutenção desta modalidade de poder.

Pode-se, então, traçar uma oposição entre o pensamento de Foucault - para quem as instâncias das práticas sociais, como, por exemplo, a religião, são as incubadoras de nossas noções de sujeito, de verdade, de conhecimento – e Marx, para quem o conhecimento é travado por estas mesmas instâncias. Entre estas práticas sociais, Foucault destaca – em Vigiar e Punir - o direito penal, mostrando, ainda, que a forma com que uma sociedade se posiciona diante de determinados temas é conseqüência direta do exercício de poder que incide sobre ela.

Vigiar e Punir não é um livro facilmente digerível. Sua leitura exige reflexões constantes, nos incita uma análise crítica sobre o mundo em que estamos inseridos, aponta pistas que nos fazem concluir que qualquer postura adotada por um indivíduo, no tecido social em que está imerso, pode ser o resultado direto de um conjunto de mecanismos de poder que opera em todos os âmbitos de nossa vida. E isso é assustador.

Fotojornalismo

Mulher desafia tropas das forças de segurança, em Urumqi, durante novos protestos de muçulmanos uigures na China. Foto de David Gray/Reuters.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Futuro do Jornalismo e entrevista com Idelber Avelar no OI

Meu artigo “Novos rumos para o ensino do Jornalismo” e a entrevista que realizei com o professor e blogeiro Idelber Avelar foram publicados hoje no Observatório da Imprensa. Quem não leu aqui, pode ler o artigo e a entrevista por lá.

Messeder e Gandour apontam melhorias para os cursos de Jornalismo

Foi interessante o bate papo entre a jornalista Miriam Leitão, o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, e o diretor do curso de Comunicação Social da ESPM-RJ, Carlos Alberto Messeder, no programa Espaço Aberto - da Globo News – exibido no último dia 2. Miriam e seus convidados conversaram sobre a formação dos jornalistas diante da queda da obrigatoriedade do diploma específico em Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil, suas conseqüências sobre a qualidade dos cursos e os novos rumos da formação.

Ambos os convidados de Leitão consideraram que as perspectivas de futuro para a formação do jornalista daqui para frente serão melhores do que eram.

"O que está em questão é o fim de uma reserva de mercado, de um cartorialismo e de um espaço onde faculdades mal preparadas para uma formação que é complexa estavam sobrevivendo apenas da emissão de um pedaço de papel."

Opina Gandour: “A queda da exigência do diploma não deve significar que as pessoas devam abandonar a qualificação. A boa formação será sempre valorizada, tendo o sujeito estudado Jornalismo ou outra área. Há uma confusão, pois a decisão do STF ocorreu anos depois desta discussão ter sido colocada na sociedade. O que está em questão é o fim de uma reserva de mercado, de um cartorialismo e de um espaço onde faculdades mal preparadas para uma formação que é complexa estavam sobrevivendo apenas da emissão de um pedaço de papel. Isso deve mudar. O nível das faculdades vai melhorar, surgirão ciclos de pós-graduação para que profissionais de outras áreas possam se especializar em Jornalismo. Quem está cursando Jornalismo deve abraçar ainda mais esta formação. No caso do mercado de trabalho, um bom diploma de Jornalismo pode ser até um diferencial. Não há motivo para pânico. O que se fez foi apenas desregulamentar uma profissão que não podia ser protegida por um instrumento cartorial.

"Muitas escolas viveram até hoje de bons diplomas e péssimos cursos. Acho que isso acaba."

Messender, por sua vez, vislumbra duas fortes tendências para o futuro do ensino do Jornalismo no Brasil, ambas melhores do que o modelo em vigência até então: “Nos próximos anos, duas grandes tendências surgirão. Uma á nível dos cursos de graduação, onde teremos uma melhora enorme dos cursos. Muitas escolas viveram até hoje de bons diplomas e péssimos cursos. Acho que isso acaba. A oportunidade é para as escolas que queiram oferecer cursos focados, muito bem construídos. O curso de comunicação será um dos caminhos. O outro caminho será a pós-graduação, cursos que formem jornalistas de várias áreas. Isso vai ser uma coisa muito forte. Teremos um foco maior nos cursos de graduação e o surgimento de excelentes especializações em nível de pós-graduação, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos.”.

Mercado x Academia

Para Messender, o futuro trará, obrigatoriamente, uma aproximação maior entre a academia e o mercado, e acha que isso se dará “por iniciativa das próprias escolas, que terão que ter interesse maior em procurar as grandes cadeias de mídia... Talvez estejamos evoluindo para um modelo de maior interação entre escolas e mercado”, afirma.

"Do ponto de vista das escolas, o ideal é preparar um jornalista que seja contra o mercado. O ideal para elas seria um mundo de comunicação sem empresas de comunicação, o que seria impossível."

Ele aponta, ainda, que esta aproximação será fundamental neste novo momento do ensino do Jornalismo no país. “O que você vê muito são as escolas tendo um enorme preconceito em relação ao mercado. Do ponto de vista das escolas, o ideal é preparar um jornalista que seja contra o mercado. O ideal para elas seria um mundo de comunicação sem empresas de comunicação, o que seria impossível.”.

Messender sustenta também que esta presença das escolas de Jornalismo no mercado fará com que elas se destaquem uma das outras de modo que “o aluno vai dizer ‘bom, se eu quero fazer Jornalismo, talvez o melhor seja eu fazer uma escola de comunicação, um curso de jornalismo, ou fazer uma outra área e procurar uma pós-graduação em Jornalismo’”.

Pós-Graduação

A possibilidade de profissionais egressos de outras áreas poderem fazer uma pós-graduação em Jornalismo foi bem recebida pelos debatedores e por Miriam Leitão, que lembrou a excelência da Columbia Journalism School – escola de Jornalismo estadunidense que oferece o curso em pós-graduação. Gandur complementou dizendo que a abertura das pós-graduações será “um avanço para o setor”.

Estágio

Ganduar afirmou que o estágio oferecido pelo Grupo Estado, que até então era focado apenas em graduados em Jornalismo, deve ser aberto, a partir de 2010, a profissionais egressos de outras áreas.

Leia mais sobre este tema:
- Novos rumos para o ensino do Jornalismo