Semana On

quarta-feira, 17 de junho de 2009

STF deve julgar hoje obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo

Depois de derrubar a Lei de Imprensa, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesta quarta-feira a obrigatoriedade do diploma específico de Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil.

A TV Justiça (canal 53-UHF, em Brasí­lia; SKY, canal 117) e a Rádio Justiça (104.7 FM, em Brasília) transmitem os julgamentos ao vivo, inclusive pela internet (veja como sintonizar a TV Justiça nos estados). Horário: a partir das 14h. O sinal da TV Justiça está liberado para as emissoras de TV interessadas.

Leia mais sobre o tema:
- Na semana em que pedi a colação de grau o STF pode derrubar o diploma
- Diploma: lucidez em meio ao obscurantismo
- A desqualificação como argumento
- Com ou sem diploma?
- Priscila, Greenpeace e o canudo
- Os defensores do diploma e seus debates imaginários
- Debate sobre o diploma de jornalismo... que debate?

Irã e Ocidente: um erro justifica o outro?

Um erro justifica o outro? A pergunta é antiga, mas extremamente pertinente em todos os aspectos das relações humanas, em especial na política. Podemos desrespeitar a lei para alcançarmos os criminosos? Devemos torturar para salvar vidas? Devemos espezinhar a ética para combatê-la? Ontem, na seara do debate sobre as eleições do Irã, o leitor Jaime fez o seguinte comentário sobre as críticas que têm sido feitas a eleição de Mahmoud Ahmadinejad.

Engraçado, o Irã é muito mais democrático que a Arábia Saudita e que os Emirados Árabes mas ninguém reclama.Deve ser porque a Arábia Saudita é aliada dos americanos. Ahmadinejad faz um governo para os pobres e por isso foi eleito, democraticamente e não como foi aquela eleição, num certo país do norte, num estado chamado Flórida, de um certo Bush sobre um tal de Al Gore.”

Arábia Saudita e Emirados são ditaduras brutais que devem ser denunciadas. Também são ditaduras brutais outros países da região não alinhados ao Ocidente, como a Líbia e a Síria – para citar apenas dois. Em cada um destes países a democracia é apenas um vislumbre e pode ser medida em níveis muito insossos. O Irã é um país mais democrático que os anteriormente citados? Questionável.

Democracia não se mede apenas pelo ato de votar, mas, principalmente, pelo poder de ingerir sobre os aspectos fundamentais que regem o dia a dia dos cidadãos. Isso não acontece no Irã de Ahmadinejad – que não faz um governo para s “pobres”, mas para os ignorantes. O Irã é uma teocracia controlada por clérigos cujos valores incluem a segregação de homossexuais e o rebaixamento da mulher a níveis medievais. O que os impede de estabelecer estes valores de forma violenta, hoje, são exatamente as águas rasas de sua democracia e a voz dos grupos reformistas que, em uma sociedade que possui 70% de pessoas com idade até 33 anos, ressoa fortemente.

Apesar do jogo de interesses e da ingerência do Ocidente na região – questões óbvias – limitar a busca pela democracia no Irã ao interesse dos Estados Unidos é nivelar a inteligência e as aspirações dos iranianos por baixo. Portanto, a questão que se coloca é a seguinte: para combater a ingerência ocidental no oriente é necessário (ou válido) fazer vista grossa a quem aposta no obscurantismo?

Gonzaguinha

Hoje acordei com Gonzaguinha na ponta da língua. Que falta faz um poeta desta estirpe na nossa música popular.


Petroblog no OI

Publicado aqui no dia 10, meu artigo Blog da Petrobras: o Jornalismo precisa se reinventar” foi reproduzido ontem no Observatório da Imprensa. Aqui.

Fotojornalismo

"A crise do senado não é minha, a crise é do Senado. É essa instituição que devemos preservar, ninguém tem mais interesse nisso do que eu", disse o senador José Sarney ontem, em pronunciamento no Congresso, querendo dividir com todos a pouca vergonha que, de fato, não é só dele. Foto de Geraldo Magela/Agência Senado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Guia para a Cyberguerra das eleições no Irã

Postado originalmente por Cory Doctorow no BoingBoing e traduzido pelo amigo Luiz Felipe.

O propósito deste guia é ajudar você a participar construtivamente nos protestos da eleição iraniana pelo Twitter.

1. NÃO divulgue IPs de proxys no twitter, e especialmente não utilizando a hashtag #iranelection. Forças de segurança estão monitorando esta hashtag, e no momento em que elas identificam o IP de um proxy eles o bloqueiam no Irã. Se você estiver criando novos proxies para os blogueiros do Irã, mande por Direct Message para @stopAhmadi ou @iran09 e eles serão distribuídos discretamente a blogueiros no Irã.

2.Hashtags, as duas únicas legítimas hashtags sendo usadas por blogueiros no Irã são #iranelection e #gr88, outras hashtags inventadas correm o risco de diluir a conversação.

3. Mantenha seus critérios! Forças de segurança estão agora criando contas no Twitter para espalhar desinformação se passando por iranianos protestando. Por favor, não retwitte impetuosamente, tente confirmar a informação com fontes confiáveis antes de retwittar. As fontes legítimas não são difíceis de encontrar e seguir.

4. Ajude a proteger os blogueiros: mude seu setting no Twitter para que sua localização seja TEHRAN e seu fuso horário GMT +3.30. Forças de segurança estão à procura de blogueiros usando esta localização e fuso horário. Se todos nos tornarmos "iranianos", ficará bem mais difícil de encontrá-los.

5. Não revele seu disfarce! Se você descobrir uma fonte genuína, por favor não divulgue seu nome ou localização em um website. Estes blogueiros estão em perigo REAL. Espalhe discretamente através de suas próprias redes mas não os sinalize para as forças de segurança. Pessoas estão morrendo lá, de verdade, por favor sempre lembre-se disso...

Iranianos apelam para a internet

,Interessante a reportagem da BBC Brasil sobre o uso das redes sociais, em especial o twitter, durante a crise institucional no Irã. O jornalista Tariq Saleh (que escreve de Beirute) mostra que os “iranianos adotaram a postura de utilizar ferramentas online para tentar driblar a censura do governo e propagar informações, imagens e vídeos do clima de tensão no país”. Vale a leitura.

A longa noite iraniana

Na noite de ontem, ruas, avenidas e praças de Teerã estavam vazias devido ao toque de recolher e a disposição das tropas iranianas de disparar contra a população civil. No entanto, o silêncio na capital persa foi interrompido por gritos vindos de dentro das casas em diversos bairros da cidade: “Allah o Akbar" (Deus é grande), foi o brado que quebrou o silêncio na noite de Teerã, o mesmo grito de guerra que embalou a Revolução Islâmica de 1979 (que derrubou o regime do xá Reza Pahlevi, um monarca apoiado pelos Estados Unidos que liderou uma modernização ocidentalizante e autoritária no país). O relato, feito pela professora de matemática Vida Ladan, 52, à Folha de S.Paulo, mostra os ânimos dos iranianos diante da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad (que está na Rússia, em visita oficial) na sexta-feira.

Os protestos, que chegam hoje ao quarto dia, são os mais violentos distúrbios da capital desde a revolução de 79. A rádio e a TV estatal do país noticiam que ao menos sete pessoas foram mortas durante as manifestações de ontem (no twitter fala-se em mais mortes hoje), quando milhares de manifestantes (algumas fontes falam em um milhão) favoráveis ao candidato opositor reformista Mir Hossein Mousavi foram às ruas de Teerã para denunciar uma possível fraude. Hoje, Mousavi pediu que a população não volte às ruas, temendo um banho de sangue. No entanto, o movimento popular parece ter transbordado e mihares de iranianos voltaram a protestar pelas ruas e praças de Teerã após Mousavi ter recusado a proposta de recontagem de votos feita pelo regime.


As manifestações da oposição levaram o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei a pedir uma investigação sobre as denúncias. O Conselho dos Guardiões (um corpo de 12 integrantes que é pilar da teocracia iraniana) anunciou hoje que está disposto a recontar os votos. O anúncio representa uma mudança radical de posição. O porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodai, ressaltou, contudo, que a recontagem será apenas das urnas em que existam denúncias de irregularidades. A proposta não agradou os reformistas, que queriam a anulação das eleições.

Com ou sem fraude, o apoio fiel do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, a Ahmadinejad é o maior perigo para os reformistas. Khamenei vê qualquer tipo de abertura - seja na política externa ou nos costumes - como ameaça à própria teocracia que lidera desde 1989, quando substituiu o fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989).

A advogada Nasrin Sotodeh, que participou da campanha de Mousavi e é especialista em direitos humanos (e integrante da entidade Iran Humans Rights Voice), aponta – em entrevista à Folha, para o perigo de um endurecimento do regime: "Parece que estamos vivendo um golpe militar, com mais repressão e tiros que nos últimos anos, nunca tivemos uma situação parecida. Se a batalha sobre o resultado da eleição for perdida, acho que mais e mais jovens ficarão céticos sobre o desejo do regime de se abrir e seguirão o caminho de outros 5 milhões de iranianos, deixar o país.".

Um sinal deste recrudescimento ocorreu hoje com a decisão do Ministério de Guia e Orientação Islâmica que anulou todas as permissões de trabalho de jornalistas estrangeiros e agências de notícia no país e advertiu que não podem cobrir nenhuma manifestação ou concentração popular que não conte com a autorização do órgão. Em nota oficial, o Ministério explica que os jornalistas podem continuar trabalhando de seus escritórios, mas não terão credenciais para cobrir os protestos in loco. "Nenhum jornalista tem permissão para reportar, filmar ou tirar fotografias na cidade", disse um funcionário do ministério à agência de notícias Reuters.

Outro sinal é a prisão do ex-vice-presidente reformista Mohammad Ali Abtahi, que foi braço direito do ex-presidente Mohammad Khatami. Ele foi detido nesta terça-feira, em sua própria casa, em Teerã, por um grupo de homens que o levou a um lugar desconhecido. Um funcionário do político confirmou a notícia à agência de notícias Efe. Abtahi escrevia em um blog usado para fazer campanha a favor do candidato reformista Mehdi Karroubi.

O protesto na rede

Manifestantes estão usando o Twitter para disseminar informações sobre os protestos, apesar dos esforços das autoridades iranianas em bloquear notícias e dados sobre o assunto. Houve, por exemplo, bloqueio das mensagens de texto dos sites que apóiam Mousavie e do site de relacionamentos Facebook. Quando finalizei este artigo, o tag "#iranelection" dava conta de que as ligações por celular haviam sido bloqueadas em Teerã.

Tags como "#iranelection", "#Tehran", "#Iranians" e #Change_for_Iran estão entre os mais comentados do Twitter. Segundo medição do site twist.flaptor.com, na manhã desta terça-feira a tag "iranelection" estava presente em 1,29% dos textos publicados no Twitter - no pico, esse índice já foi de 2,03%. Já "Teheran" chegou a 0,95% dos posts e "Iranians", a 0,8%. Por meio destes tags é possível acompanhar momento a momento o confronto no Irã.

Para onde vai o Irã?

Pedro Doria nos oferece um panorama interessante. Gustavo Chacra, por sua vez, pensa que Ahmedinejad e Khamanei devem estar se perguntando sobre a longevidade do regime islâmico e cita o veteraníssimo Robert Fisk, correspondente do The Independent no Oriente Médio, “que comparou, na rede de TV Al Jazeera, as manifestações de ontem com as ocorridas durante a Revolução Islâmica, em 1979, que ele cobriu. Mas o repórter afirma que os atos são apenas contra Ahmadinejad e o resultado eleitoral, considerado uma fraude. Os manifestantes não buscam, segundo Fisk, derrubar o regime.”.

Fisk está em Teerã. Seu artigo publicado hoje no The Independent é um testemunho da febre renovadora que tomou conta dos iranianos e que pode, sim, dar um novo caminho ao país caso consiga escapar do punho forte do regime. Em meio ao milhão de pessoas que – degundo o jornalista - foram para as ruas da capital iraniana, Fisk pergunta: “Poderá (os protestos) mudar a arrogância do poder demonstrado por Mahmoud Ahmadinejad?”.

Frases

“Em países comunistas como a Coréia do Norte, só quem sai enriquecido é o urânio.”
Fernanda Brigatti

Fotojornalismo

Milhares de seguidores de Mir Hossein Mousavi participaram ontem de protesto contra reeleição (possivelmente fraudulenta) do presidente Mahmoud Ahmadinejad no Irã. Foto de Abedin Taherkenareh/Efe.