Semana On

domingo, 31 de maio de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Susan Boyle

Susan Boyle subiu ao palco do “Britain’s got talent” neste sábado (30) para a grande final do programa de calouros que a tornou na maior celebridade recente da música mundial. Vestindo um elegante longo prateado –bem diferente do estilo simples apresentado na primeira etapa da da competição–, ela cantou a mesma música que a consagrou: “I dreamed a dream”, do musical “Les misérables” (veja a apresentação no site oficial do programa). O resultado do "Britain’s got talent" sai a qualquer momento.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Obama fala sério ou endurecimento com Israel é para "palestino ver"?

Ao fim de sua primeira reunião com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que Israel deve deter os assentamentos na Cisjordânia como parte de um acordo amplo para garantir a paz no Oriente Médio. Obama disse também que os palestinos devem fazer sua parte, proporcionando segurança na Cisjordânia e reduzindo o sentimento anti-israelense em escolas e mesquitas.

A reunião foi realizada um dia depois que Israel rejeitou o pedido americano para que fossem congeladas todas as construções nos assentamentos judaicos da Cisjordânia. O governo israelense argumenta que precisa permitir a construção de novas casas para abrigar o crescimento natural das famílias judaicas que moram na região, apesar de os assentamentos serem considerados ilegais pela comunidade internacional e pala ONU.

Obama tem sido menos explícito que seu antecessor, George W. Bush (2001-2009), quanto ao apoio estadunidense a Israel. No entanto, o presidente dos Estados Unidos tem marcado a primeira fase de sua gestão por posicionamentos dúbios, como ocorreu em relação às denúncias de tortura e desrespeito a direitos civis básicos sob o manto do combate ao terror.

Conversando com o jornalista palestino Sameh Akram Habeeb há pouco pelo MSN, fiquei sabendo que o sentimento que impera entre os ativistas palestinos é de pessimismo quanto aos resultados do encontro entre Abbas e Obama. Para Habbeb, que coordena de Londres o jornal eletrônico The Palestine Telegraph, o motivo é simples: “Obama não tem como pressionar os israelenses”.

O jornalista Gustavo Chacra, no entanto, apontou em seu blog uma situação contrária, citando outros ativistas palestinos que têm expressado confiança no novo discurso de Washington, como Walid Salim, diretor do Centro de Disseminação da Democracia, em Jerusalém Oriental, que se disse “encorajado” pelo discurso de Obama após o encontro com o premiê israelense, Binyamin “Bibi” Netanyahu. Outra fonte citada por Chacra foi o analista político Ali Jarbawi, “um dos principais intelectuais palestinos, morador de Ramallah”, para quem "as palavras de Obama fizeram os palestinos ficarem otimistas”. Apesar das boas perspectivas, Jarbawi afrima que é “hora de ele agir para que sejam desmantelados os assentamentos na Cisjordânia".

O jornal israelense Haaretz sustenta o mesmo otimismo. Reportagem publicada hoje cita o negociador palestino Saeb Erakat, segundo quem os “palestinos fora encorajados pelos compromissos que o presidente Obama e sua administração tem assumido para com a paz no Oriente Médio”.

No entanto, outras leituras estão mais carregadas de um sentimento de suspeita para com as intenções dos Estados Unidos. O discurso de endurecimento para com as políticas israelenses de expansão territorial seria apenas fachada? O escritor Ali Abunima, co-fundador do site The Electronic Intifada, aponta algumas questões importantes que colocam em suspeição as intenções de Washington .

Segundo ele, assim como seu antecessor, Obama tem expressado apoio pela criação de um Estado Palestino, no entanto vêm se eximindo de criticar o bombardeio de janeiro sobre a Faixa de Gaza – quando mais de 1.400 palestinos morreram, a maioria civis – apesar das evidencias de crimes de guerra cometidos pelos militares israelenses segundo a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e as Nações Unidas. Obama também se calou a respeito do bloqueio imposto sobre a Faixa de Gaza, onde um milhão e meio de palestinos, grande parte crianças e adolescentes, vive como prisioneiros, privados de suas necessidades básicas.

Obama exortou firmemente Netanyahu a interromper a implantação e ampliação de assentamentos em terras expropriadas de palestinos na Cisjordânia, mas estas palavras já foram pronunciadas por seus antecessores e não se transformaram em ações concretas. “A menos que estas posições sejam seguidas por ações decisivas – talvez limitando os subsídios estadunidenses a Israel – não há razão para acreditarmos que posturas que falharam no passado serão efetivas agora”, afirmou Abunima.

Somos obrigados a aceitar o catolicismo como religião oficial?

O Knesset (Parlamento de Israel) aprovou inicialmente uma lei que punirá com um ano de prisão os cidadãos israelenses que negarem o direito de Israel de existir como um Estado judaico, segundo o diário Haaretz. É como se o governo brasileiro tenta-se obrigar todos os cidadãos – e os punisse com prisão caso negassem - a adotarem o catolicismo como religião oficial do Estado, independente de sas crenças. Que tal?

A medida precisará passar por mais três votações e uma revisão antes de se tornar lei. Integrantes do partido do ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, também querem transformar em crime as comemorações do que os palestinos chamam de Nakba (tragédia), que marca a expulsão de cerca de 700 mil refugiados palestinos – incluindo cristãos e muçulmanos – quando foi criado o Estado de Israel, em maio de 1948.

Sammi Michael, presidente da Associação para Direitos Civis de Israel, condenou a atitude em entrevista ao Financial Times. “É uma opressão brutal do direito de livre expressão. Celebrar a Nakba não ameaça a segurança do Estado de Israel. É um direito humano de qualquer pessoa expressar dor diante de um desastre que eles experimentaram”, afirmou.

A informação foi pinçada do blog Diário do Oriente Médio.

Fotojornalismo

Foto de André Leão mostra a barragem de Algodões I, no município de Cocal, no Piauí, cujo rompimento, ontem, causou a morte de pelo menos quatro pessoas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Israel insiste no erro e se recusa a desmantelar assentamentos ilegais

O Governo de Israel rejeitou o pedido do governo estadunidense para dar um basta aos assentamentos judaicos na Cisjordânia (território palestino ocupado desde 1967) e vai permitir a continuidade de obras de ampliação destes locais, segundo afirmou hoje o porta-voz do governo israelense, Mark Regev. Segundo ele, o futuro dos assentamentos judaicos na Cisjordânia deverá ser decidido somente quando forem feitas negociações de paz com os palestinos.

Cerca de 500 mil colonos judeus vivem em mais de 500 assentamentos (segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU – OCHA) espalhados pela Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Alguns são verdadeiras cidades, como Maaleh Adumim e Ariel. Outros são menores, com centenas de moradores. Ainda há os "postos avançados" - trailers estacionados em pontos isolados.

Os assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional, mas Israel rejeita essa determinação. De acordo com o plano de paz para a região apresentado pelos Estados Unidos em 2003, Israel é obrigado a interromper todas as atividades relacionadas aos assentamentos, incluindo o crescimento natural.

Hoje, Israel exerce um controle total sobre mais de 40% da Cisjordânia. O território é dividido em áreas A, B e C. Somente a área A está sob controle absoluto da Autoridade Nacional Palestina (ANP). A área B fica sob jurisdição israelense e - ainda que limitada - palestina. A área C, por sua vez, é totalmente controlada por Israel.

Os israelenses controlam também cerca de 87% do aqüífero da Cisjordânia, deixando 2,5 milhões de palestinos sobrevivendo com o restante, o que representa uma ameaça para a saúde das duas nações. “Os colonos judeus consomem até 200 litros diários de água por pessoa, enquanto os palestinos da Cisjordânia sobrevivem com 30 a 60 litros”, afirma Jamil Mtoor, subdiretor da Autoridade Ambiental Palestina.

Legais e Ilegais

Hoje Israel tem dois tipos de assentamentos os ilegais e os autorizados pelo Estado. Os ilegais são um dos grandes problemas do governo, porque nos últimos anos surgiram mais de duas dúzias de novos assentamentos não reconhecidos pelo Estado de Israel. Os assentamentos autorizados pelo governo israelense, por sua vez, também são ilegais, porque foram erigidos no território palestino.

No entanto, mesmo nos assentamentos “legais”, há abusos. Cerca de 75% das construções nos assentamentos judaicos na Cisjordânia foram erguidas sem licença ou em desacordo com as permissões emitidas pelas autoridades israelenses, segundo um relatório secreto do Ministério da Defesa de Israel publicado pelo jornal Haaretz. Segundo o estudo, em 30 colônias a construção de "prédios e infraestrutura, incluindo estradas, escolas e delegacias, foram realizadas em terras privadas de palestinos".

O pensador Noam Chomski, assim define a situação: “Os assentamentos ilegais na Margem Ocidental são construídos para a criação dos batustan (‘guetos’ para os palestinos, a exemplo do modelo da África do Sul, durante o período do apartheid), de acordo com o termo utilizado por Ariel Sharon, arquiteto da política colonialista. Isso significa que Israel toma o que quer, tornando o que sobrou da Palestina em regiões não viáveis.”.

Em janeiro passado, o jornalista Gustavo Chacra fez por duas vezes o trajeto entre as cidades de Nablus e Ramallah, e sentiu na pele as dificuldades que os palestinos têm para circular em suas próprias terras retalhadas por pontos de checagem e pelo Muro da Cisjordânia.

Em suas palavras:

Os palestinos que viajem de Nablus para Ramallah precisam passar todos os dias cerca de duas horas no checkpoint de Hawara. Após esperar na fila, abrir a mochila e passar por um detector de metal, os palestinos são obrigados a apresentar documentos para soldados israelenses. Alguns falam hebraico melhor do que os militares, muitas vezes recém chegados a Israel, enquanto estes jovens de Nablus são de famílias árabes que há séculos habitam o território. E, mesmo assim, correm o risco de ser mandados de volta, sem poder completar a viagem até Ramallah, que seria feita o tempo todo dentro da Cisjordânia, que é uma área palestina.

Se tiverem permissão para cruzar a barreira israelense, ainda passarão de carro ou ônibus por outros checkpoints de Israel no trajeto de carro até a cidade sede da Autoridade Palestina. Obviamente, um deles pode estar fechado por motivos nunca divulgados e os palestinos terão que buscar caminhos alternativos para chegar a Ramallah, aumentando em uma hora o tempo da viagem. Em algumas partes, os palestinos são impedidos de usar as mesmas estradas dos colonos judeus.

Ao longo do trecho Nablus-Ramallah, o palestino poderá observar ao menos dez assentamentos israelenses. De acordo com a ONU, todos são ilegais. Nenhuma construção de Israel na Cisjordânia está dentro das leis internacionais. E também são um desrespeito aos acordos firmados por governos israelenses desde Oslo, no início dos anos 1990. E as colônias não param de crescer.

O grupo pacifista israelense Paz Agora afirma em relatório divulgado ontem que 1.257 estruturas foram construídas na Cisjordânia em 2008, um crescimento de 57% em relação a 2007. Alguns dirão que Israel retirou 7.000 colonos da Faixa de Gaza. Mas este número equivale a 2% do total da Cisjordânia. O correto era ter retirado todos os assentamentos. Ocupação civil de forma alguma justifica questões de segurança. Na verdade, apenas prejudica.
”.

Fotojornalismo

O líder norte-coreano, Kim Jong-Il, que apavora o mundo com a ameaça nuclear, passa tropas em revista em foto divulgada em 2007. (Foto: AFP)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Israel divulga mapa turístico incorporando territórios palestinos: mas não foi a primeira vez

Navegando pelos meus ancoradouros prediletos na noite de ontem me deparei com uma notícia de arregalar os olhos no blog Fronteira Livre: uma campanha deliberada do Ministério do Turismo israelense para tirar os territórios palestinos do mapa. Isso mesmo.

A propaganda (você já viu a foto acima), afixada no metrô londrino, incentivava o turismo em Israel mostrando um mapa do país englobando os territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, além das Colinas de Golã, território sírio ocupado durante a guerra de 1967.

Os cartazes foram retirados após uma série de protestos feitos junto à Britain’s Advertising Standards Authority (ASA), que regulamenta a publicidade na Inglaterra. Os grupos The Palestine Solidarity Campaign (PSC) e Jews for Justice for Palestinians comemoraram a decisão diante da tentativa do Ministério do Turismo israelense de “deliberadamente negar a existência da Palestina”.

As propagandas tiravam a Palestina do mapa. É particularmente grotesco usar este tipo de mapa em uma propaganda turística, visto que, sob o bloqueio israelense, nem mesmo ajuda humanitária pode entrar nos territórios ocupados”, disse o PSC em comunicado oficial.

Os cartazes, que começaram a aparecer em Londres há menos de duas semanas - onde foram encontrados em pelo menos 150 localidades - custaram cerca de 40 mil libras, segundo o jornal Jewish Chronicle.

Vale lembrar que o Ministério do Turismo israelense tem no comando Stas Misezhnikov, membro do partido Yisrael Beitenu, cujo líder, o ministro das Relações Exteriores de Israel Avigdor Liberman (que deve visitar o Brasil em julho), defende, entre outras barbaridades, a segregação dos árabes. Coincidência?

Não foi a primeira vez

Para quem acha que o caso não passou de um mal entendido, como quis fazer crer o Governo de Israel, é bom não esquecer que esta não foi a primeira vez que o Ministério do Turismo israelense tenta promover o turismo na terra dos outros.

Em 2007, um anúncio na Radio Times magazine também divulgava mapas onde os territórios palestinos ocupados eram apresentados como parte de Israel.

Em 2002, uma reportagem da BBC denunciava o incremento dos investimentos em turismo feitos pelo Governo israelense nos territórios ocupados, apesar de protestos de palestinos e israelenses antenados: “Parece que nem balas, nem bombas – e nem a lei internacional – podem deter os planos do Ministério do Turismo de incrementar o turismo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza”, afirmava a reportagem. Suspeito que nada mudou nestes sete anos.

Ahmadinejad, não. Karimov também. E Liberman?

Pedro Doria levanta em seu blog uma questão pertinente: Ahmadinejad, não. Mas Karimov pode? Ele quer saber o motivo pelo qual alguns se levantaram contra a visita (abortada) do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, mas nada falam sobre o encontro que o presidente Lula terá com o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, na próxima quinta-feira. Islam, pelo que circula, costumava ferver seus adversários políticos além de ordenar massacres de civis.

Assim como Doria quis saber sobre o uzbeque, eu tento entender por que ninguém se manifestou até o momento sobre a visita que o racista ministro das relações exteriores de Israel, Avigdor Liberman, fará ao Brasil em julho. Escrevi sobre o tema recentemente no artiguito “Liberman vem aí... em que ele se difere de Ahmadinejad?”.

Fotojornalismo

Ativista suja com sangue falso, protesta contra as touradas diante de uma arena, em Madri.