Semana On

terça-feira, 26 de maio de 2009

Assessoria de imprensa é uma coisa, Jornalismo é outra

Ontem (26) a noite, tive a oportunidade de conversar com os alunos do quarto ano do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O bate-papo, convite do professor Mário Luiz Fernandes, versou sobre o trabalho da assessoria de imprensa em órgãos públicos, em especial sua relação com os veículos de comunicação.

Como nos últimos três anos tenho atuado nesta área (como chefe de redação da equipe de asessoria de imprensa da Câmara Municipal de Campo Grande - 2007/2008 - e chefe de reportagem da assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande - desde janeiro de 2009) me senti à vontade para o desafio. Durante a conversa, um detalhe em especial me chamou atenção: a dificuldade que os alunos tem para separar as atribuições de jornalismo e assessoria de imprensa, tema que tratei aqui em outubro passado no artigo “Jornalismo e assessoria de imprensa: ética e realidade”.

Há – em especial no campo teórico - quem considere ambas as atividades similares. Estou do outro lado. Penso haver diferenças marcantes entre a assessoria de imprensa e o jornalismo. Estas diferenças esbarram, inclusive, no Código de Ética da profissão.

Façamos, portanto, uma análise de alguns pontos do Código sob o ponto de vista de um caso hipotético envolvendo a assessoria de imprensa de, digamos, um governo estadual.

Exemplo de Caso: O Governo do Estado está lançando um conjunto habitacional e há pressão para que a obra seja entregue em tempo da comemoração do aniversário do Estado. O assessor de imprensa conversa com o secretário da pasta responsável pelo projeto, com técnicos, visita o canteiro de obras e apura as informações que considera relevantes para a composição do release. Durante este processo, o assessor descobre que A) as casas não serão entregues no prazo, embora o governador e o secretário insistam em que a data estabelecida seja divulgada. Descobre também que, B) para realizar a obra, algumas famílias foram removidas do local de forma inadequada, com uso de truculência. Ao tocar no assunto com o secretário, recebe uma explicação pouco convincente e um aviso de que este fato deve ser deixado de lado. Finalmente, o assessor apura que C) as unidades habitacionais serão construídas em um local com pouco acesso ao transporte coletivo. Ele procura o secretário responsável pela pasta de Transportes e o governador, e descobre que não há previsão para a ampliação de linhas de ônibus para a região e é alertado para não tocar no assunto.

Diante do caso exposto, veja o que diz o Código de Ética do jornalista e, em vermelho, meus comentários:

Capítulo I - Do direito à informação

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:

I - a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
Ocorre que está no cerne do trabalho de assessoria de imprensa filtrar as informações que são prejudiciais ao seu cliente. Qualquer assessor de imprensa que divulgue uma informação diretamente prejudicial ao seu cliente estará fazendo qualquer coisa, menos assessoria de imprensa. No exemplo acima, o atraso da obra, a remoção truculenta das famílias e a escassez de linhas de ônibus serão sumariamente suprimidas do release, embora sejam ganchos obrigatórios para um jornalista atuando em um veículo de comunicação. O jornalista Ricardo Noblat aponta esta dicotomia de interesses entre jornalismo e assessoria de imprensa em seu artigo “Assim é, se lhe parece”, publicado na revista Comunicação Empresarial nº 47, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje): “... quem paga o salário do jornalista é o público que consome o que ele apura e divulga. Quem paga o salário do assessor de imprensa é a empresa, entidade, governo ou figura pública que o contratou. No dia em que um assessor de imprensa for capaz de distribuir notícias contra seus clientes, estará fazendo jornalismo - e deixará de ser assessor de imprensa...”.

II - a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
Uma assessoria de imprensa de órgão governamental encontra diariamente momentos em que interesse público é deixado de lado a partir da omissão de informações que seriam prejudiciais ao cliente.

IV - a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as nãogovernamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
Deveria, mesmo. Mas, neste caso, o salário destes assessores deveria ser pago diretamente pela sociedade a fim de garantir o cumprimento desta obrigação. Se for pago através do intermédio do poder público a obrigação deste assessor passar a ser com seu patrão e não com o leitor. A outra saída para quem quer manter-se dentro de uma ética jornalísitica estrita é pedir demissão e mudar de emprego.

V - a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Somos todos passíveis de um processo ético. Todo assessor de imprensa obstrui informações que não são do interesse do contratante.

Capítulo II - Da conduta profissional do jornalista

Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
O compromisso fundamental do assessor de imprensa é com o interesse e a preservação da imagem de seu cliente. A verdade acaba sendo uma questão secundária no processo.

Art. 6º É dever do jornalista:

II - divulgar os fatos e as informações de interesse público;

VII - combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
Ora, ambos os artigos acima são nobres e corretos, embora quixotescos na prática cotidiana de assessoria de imprensa. A saída, mais uma vez é a demissão.

XI - defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;

XIV - combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
Recentemente, a Câmara Municipal de Campo Grande perdeu a oportunidade de dar um exemplo de tolerância aprovando o projeto de Lei 6353/07, de autoria do vereador Athayde Nery (PPS), que concederia o título de utilidade pública para a Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS) - que já possui o mesmo título nos âmbitos estadual e federal. Integrantes da bancada evangélica e católica da Casa impediram a aprovação do projeto sem nenhum argumento técnico. Prevaleceu a homofobia. Durante este episódio eu integrava a assessoria de imprensa da Casa. Obviamente não pude dizer o que de fato estava acontecendo ali, embora tenha feito isso em meu blog (aqui, aqui e aqui).

Art. 7º O jornalista não pode:

II - submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
Diante do que já foi dito acima não há motivo para comentar este parágrafo.

III - impedir a manifestação de opiniões divergentes
Não cabe a assessoria de imprensa dar espaço ao contraponto. Quando isso ocorre, serve apenas de gancho para uma seqüência que reforce o ponto de vista do cliente.

O que foi dito acima pode chocar muitos colegas, mas este é um choque recheado de uma falsa inocência. Pode também confundir a cabeça de quem gostaria de ver a ética jornalística aplicada à assessoria de imprensa, embora este seja um desejo repleto de equívocos. O jornalista Ricardo Kotscho, por exemplo, diz o seguinte em seu artigo “1964-2009: 45 anos de reportagem”:

Não é a função ou o cargo que faz o profissional, é o contrário: em qualquer cargo ou função, seja numa redação ou numa assessoria de imprensa, a nossa ética tem que ser a mesma. Era assim que pensava e agia quando trabalhei como Secretário de Imprensa no governo. Nós, afinal, prestamos um serviço ao público, para o conjunto da sociedade, e não para quem eventualmente nos paga o salário, seja uma empresa privada ou o governo.”.

Em outro artigo, “Imprensa: os dois lados do balcão”, Kotscho faz uma defesa de fé da ética jornalística estendida a assessoria de imprensa para no final jogar uma pá de cal sobre tudo o que falou.

Segundo ele: “Na função de Secretário de Imprensa e Divulgação (no Governo Lula), procurei agir exatamente como esperava que os assessores agissem comigo quando era repórter: nunca tirá-los do caminho certo, mesmo quando a pauta era inconveniente ao governo, e ajudá-los na apuração das suas matérias. Posso não ter sido muito eficiente neste meu papel de assessor-repórter, não fornecendo todas as informações que eles queriam, mas posso garantir a vocês que nunca passei uma informação errada a nenhum deles.

Kotscho diz também que: “Não devemos nunca confundir divulgação jornalística com propaganda, um erro muito comum em todos os meios e latitudes... Jornalismo é, por natureza, uma atividade crítica, investigativa, que procura denunciar o que há de errado para que seja consertado.".

E que: “Toda informação passada a um jornalista não pode ser de interesse apenas do governo ou da empresa. Esta informação tem que ser, necessariamente, de interesse de toda a sociedade. Precisa apresentar um fato de interesse jornalístico.”.

Tudo isso para, no final, contradizer o que dissera antes ao concluir o artigo da seguinte forma: “Antes que me perguntem se no governo poderia fornecer todas as informações de que dispunha, inclusive as que eram contra os interesses do governo, já vou logo respondendo que não. Também nunca escrevi nada contra os interesses do Estadão, do JB, da revista Istoé, da Folha, da Globo, da Bandeirantes, do SBT, da revista Época, nem de nenhum outro veículo onde já tenha trabalhado. Por isso é que continuo amigo de todo mundo dos dois lados do balcão e sei que tenho as portas abertas para voltar quando quiser.

Ora bolas...

Esta confusão entre o fazer jornalístico e o ofício de assessorar não atinge apenas gente graúda com Kotscho (cuja trajetória profissional, diga-se, é invejável e digna de nota), mas todos os jornalistas que porventura tenham sido lançados em uma assessoria de imprensa achando que ali fariam jornalismo.

Diante disso é bom lembrar o professor Eugênio Bucci. Em seu artigo “Profissões diferentes requerem códigos de ética diferentes” ele vai direto ao ponto: “Jornalismo e assessoria de imprensa são duas profissões diferentes e não podem ser regidas por um mesmo Código de Ética.”.

Citando o Código de Ética e a afirmação de que “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautará pela abertura às mais variadas opiniões sobre os fatos, pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação", Bucci questiona:

Em se tratando de uma equipe de repórteres e editores de uma revista ou de uma emissora de rádio ou de qualquer instituição jornalística, cumprir à risca esse artigo é um dever óbvio, não há o que se discutir. Mas, aí vem a pergunta: isso vale para um assessor de imprensa? Será que um assessor de imprensa da Coca-Cola deve ouvir a Pepsi-Cola antes de divulgar um release? E um assessor da Igreja Universal do Reino de Deus, terá de ouvir sempre a Assembléia de Deus quando preparar notas sobre o fenômeno evangélico no Brasil? Se alguém aqui me disser que esse artigo vale para os que trabalham em redações, mas vale ‘mais ou menos’ para quem é assessor de imprensa, pois é isso o que se diz nos corredores, eu pergunto: como uma categoria pode pretender ter um código de ética cujos artigos valem para alguns de seus integrantes e não valem para outros?

E finaliza de forma que eu não poderia superar e, portanto, cito na íntegra para encerrar este artigo:

A profissão de jornalista tem como cliente o cidadão, o leitor, o telespectador. Nesse sentido, o jornalista se obriga – em virtude da qualidade do trabalho que vai oferecer – a ouvir, por exemplo, lados distintos que tenham participação numa mesma história. Ouvir todos os envolvidos, buscar a verdade, fazer as perguntas mais incômodas para as suas fontes em nome da busca da verdade é um dever de todo jornalista.

O assessor de imprensa, cuja atividade, eu repito, é digna, necessária, ética e legítima, tem como cliente não o cidadão, não o leitor, mas aquele que o emprega ou aquele que contrata os seus serviços. O que o assessor procura, com toda a legitimidade, é veicular a mensagem que interessa àquele que é o seu cliente, àquele que o contrata, e não há nada de errado com isso. É um ofício igualmente digno, mas não é jornalismo. A distinção entre os dois clientes estabelece uma distinção que corta de cima a baixo os dois fazeres.
”.

Fotojornalismo

Gartotos filipinos tentam trazer moedas até a boca sem usar as mãos durante um jogo realizado domingo, em festa em Baclaran, subúrbio de Manila.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tenho medo da Coréia do Norte, mas também de Israel, da Índia, do Paquistão, dos Estados Unidos, da Rússia, etc, etc...

Durante a eclosão da crise atômica iraniana, em 2007, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um infográfico no qual pretendia dar aos seus leitores respostas para questões pertinentes ao tema. Uma destas respostas explicava o motivo pelo qual “a comunidade internacional tem uma posição diferente em relação a Israel”, que possui armamentos nucleares. Segundo o Estadão, isso ocorreria, pois “Israel não é membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP - que permite aos países signatários enriquecerem seu próprio combustível nuclear apenas para fins de geração de energia) e, portanto, não tem obrigação de obedecê-lo”.

A análise do Estadão continua argumentando que “O mesmo ocorre com a Índia e o Paquistão, que também desenvolveram armas nucleares”, e finaliza dizendo que “A Coréia do Norte deixou o tratado e anunciou que adquiriu capacidade de produzir armas nucleares no final do ano passado (2006)”.

Ao justificar o motivo pelo qual o Brasil, que também enriquece urânio (condição básica para o desenvolvimento armas nucleares), e, assim como o Irã, é signatário do TNP, receberia um tratamento diferente do oferecido aos iranianos, o Estadão diz que “o Brasil não é visto como uma ameaça e todos acreditam no propósito pacífico deste projeto”.

O infográfico diz também que os iranianos garantem estar enriquecendo o urânio para fins pacíficos, dentro do que apregoa o TNP, mas que, segundo as potências ocidentais, “não é possível confiar no Irã”.

Resumindo, Israel não é signatário do TNP, portanto não precisa seguir suas orientações e restrições. Ora, a Coréia do Norte também não é signatária do tratado, no que ela se difere de Israel? A leitura feita pelo jornalão paulista é a síntese do pensamento ocidental: nós somos confiáveis, eles não. Ora, a noção de quem somos “nós” e de quem são “eles” varia de acordo com as alianças. De fato, a confiabilidade depende exclusivamente de que lado do tabuleiro geopolítico cada nação se encontra.

Hoje, a Coréia do Norte anunciou ter realizado com sucesso um novo teste nuclear, provocando reações alarmadas dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, Japão, China, Alemanha, Coréia do Sul e União Européia. Na onda dos protestos já surgiram ilações sobre uma possível relação entre o programa nuclear norte-coreano e o do Irã, dando – apesar das negações do presidente do Irã, Mamhoud Ahmadinejad - munição para que Israel volte a alimentar planos de um ataque “preventivo” contra os iranianos.

A proliferação de armas nucleares é preocupante. Em 2007, o Boletim de Cientistas Nucleares afirmava que “o fim do mundo pode estar próximo”. Segundo os especialistas, a humanidade está à beira de uma segunda era nuclear e terá que tomar rapidamente as decisões mais drásticas desde o lançamento das bombas de Hiroxima e Nagasaki. A organização também apontava os perigos de um terrorismo nuclear e a existência de um mercado negro de material físsil que poderia armar grupos radicais mundo afora.

Esta questão não é nova. Em novembro de 2001 – em plena onda de pavor gerada após o 11 de setembro - a revista Veja destacava uma reportagem intitulada “Ameaça nuclear do Islã” (aqui para assinantes), onde alertava para o perigo de o Paquistão, um dos poucos “aliados” muçulmanos dos Estados Unidos, servir de arsenal atômico para grupos fundamentalistas islâmicos que porventura viessem a tomar as rédeas do país.

No entanto, a questão é mais ampla, e não pode estar restrita a demonização deste ou daquele país baseando-se apenas nos temores do ocidente. O fato é que a questão nuclear envolve todos os países que mantém ogivas nucleares.

De acordo com o relatório “Global nuclear stockpiles, 1945-2006” (Estoques nucleares globais, 1945-2006), a distribuição das armas nucleares no mundo é atualmente a seguinte:

EUA – aproximadamente 10.000 ogivas, das quais mais de 5.000 operacionais
Rússia – aproximadamente 5.000 ogivas operacionais
França – cerca de 350 ogivas operacionais
Grã-Bretanha - cerca de 200 ogivas operacionais;
China – aproximadamente 200 ogivas operacionais;
Índia e Paquistão – cerca de 110 ogivas operacionais, considerados os dois arsenais;
Israel* – entre 150 e 190 ogivas operacionais;
Coréia do Norte – cerca de 10 ogivas operacionais.

* Outras fontes estimam que Israel possui entre 200 e 500 ogivas, além de um sofisticado sistema de lançamento. Para saber mais sobre o programa nuclear israelense, leia o artigo de John Steinbach, “Israeli Weapons of Mass Destruction, A Threat to Peace: Israel's Nuclear Arsenal”.

Limitar a questão ao medo do terrorismo e ampliá-la para o temor quanto ao destino que este ou aquele país pode dar ao seu arsenal nuclear devido ao seu posicionamento político é limitar a questão. O debate deve ser focado na eliminação total das ogivas nucleares, este sim um argumento de peso para proibir o desenvolvimento de armas nucleares por qualquer país. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu recentemente um passo nesta direção, ao menos no discurso.

A eliminação da ameaça nuclear não será possível enquanto prevalecer o discurso que divide os países quanto a sua confiabilidade, como defende Oliver Meier, representante internacional da Associação de Controle Armamentista, segundo quem não é possível juntar num mesmo grupo todos os países que possuem armas nucleares.

Uma primeira categoria incluiria a França, o Reino Unido e a China, nações reconhecidas pelo TNP e com as quais seria mais fácil negociar. Outro grupo incluiria Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte, países não reconhecidos formalmente pelo mesmo tratado. Das potências nucleares oficiais, o Reino Unido e a China tendem a ser mais abertos ao desarmamento nuclear global, enquanto a França tem uma postura mais relutante. A coisa muda de figura quando se trata das potências nucleares não oficiais. “Nesse caso, trata-se de um assunto de segurança regional. Em se tratando de Israel, haverá naturalmente o problema do Oriente Médio, do Irã, e tudo vai depender dos progressos na região. A Índia e o Paquistão têm o problema da rivalidade entre si. E, no caso da Coreia do Norte, ninguém sabe que política eles estão seguindo no momento", afirma Meier.

No entanto, quem é confiável quando o assunto é a ameaça nuclear? Melhor, quem é mais confiável? Os Estados Unidos ou a Rússia? Israel ou o Irã? Paquistão ou a índia? A Coréia do Norte ou a China? A Inglaterra, a França ou a Alemanha?

Não há como apostar as fichas neste o aquele país, pois tudo se resume a quem tem nas mãos o poder de escrever a história. Aos derrotados caberá apenas as cinzas de um inverno nuclear. Devemos acreditar em um deles, ou brigar pela eliminação total das armas nucleares em médio e longo prazo?

Fotojornalismo

Garota japonesa lê edição extra de jornal que informa sobre o teste nuclear norte-coreano

domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

Fotojornalismo

Imigrante atira pedra em policiais em protesto em Atenas (Grécia) contra suposta profanação do Alcorão. Foto de Simela Pantzartzi/Efe.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Soldados israelenses acham normal agredir palestinos

Reportagem da agência Efe publicada quarta-feira (e reproduzida na Folha Online) – com base em uma reportagem do jornal israelense Yedioth Ahronoth - expôs a brutalidade do exército de Israel contra os palestinos. A matéria reproduz depoimentos de soldados e oficiais sobre seus procedimentos nos territórios palestinos ocupados ilegalmente por Israel.

Entre os procedimentos considerados normais pelos militares citados na reportagem estão:

- Tapas no rosto, para que o palestino "entenda e fique quieto".
- Agressões como safanões, chutes e socos durante interrogatórios a civis suspeitos (o que pode ser qualquer um).

Além da brutalidade física, há a brutalidade contra a cidadania, como ocorreu recentemente durante a visita do Papa Bento XVI à Cisjordânia, quando menores de 35 anos foram proibidos pelos israelenses de participar dos eventos. Esta brutalidade se repete também na proibição que palestinos viajem para fora dos territórios ou quando cidadãos (e jornalistas) israelenses são impedidos de entrar nos territórios palestinos.

Um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra pessoas LGBT

Um em cada quatro brasileiros tem preconceito contra pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneras (LGBT) e assume sua rejeição às identidades que compõem esta população, revelou a pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil: intolerância e respeito às diferenças sexuais”, realizada pela Fundação Perseu Abramo em pareceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung, e apresentada pelo sociólogo da USP Gustavo Venturi, no Rio de Janeiro, no último dia 15, durante lançamento da pesquisa na Academia de Polícia do Rio de Janeiro (ACADEPOL).

O estudo foi realizado entre os dias 7 e 22 de junho de 2008 em 150 municípios brasileiros. Foram feitas 2014 entrevistas domiciliares, com aplicação de questionários estruturados, somando 92 perguntas. A primeira delas buscou medir o grau de aversão ou intolerância a diversos grupos sociais, como gente que não acredita em Deus (42%), usuários de drogas (41%), garotos de programa (26%), transexuais (24%), travestis (22%), fanáticos religiosos (22%), ex-presidiários (21%), gente muito rica (20%), lésbicas (20%), gays (19%), pessoas com Aids (9%), judeus (11%), muçulmanos (10%) e índios (2%), entre outros.

A partir daí a pesquisa centrou-se no tema do preconceito contra LGBTs, a partir de conhecidas afirmações preconceituosas, formuladas para medir o grau de concordância ou discordância dos entrevistados:

84% concordaram que “Deus fez o homem e a mulher com sexos diferentes para que cumpram seu papel e tenham filhos

58% concordaram que “A homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus

38% concordaram que “Casais de gays ou de lésbicas não deveriam criar filhos

29% concordaram que “Quase sempre os homossexuais são promíscuos

29% concordaram que “A homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada

26% concordaram que “A homossexualidade é safadeza e falta de caráter

23% concordaram que a “Mulher que vira lésbica é porque não conheceu um homem de verdade

21% concordaram que “Os gays são os principais culpados pelo fato da Aids estar se espalhando pelo mundo” (neste último, embora 21% das pessoas entrevistadas tenham concordado plenamente, outros 12% concordaram em parte, o que alcança um índice de concordância de 33%. Há também um aumento em relação às outras perguntas se levado em conta os que afirmaram “concordar em parte”).

A pesquisa mediu ainda o grau de tolerância para a convivência com gays e lésbicas nas relações de trabalho e vizinhança, nas relações pessoais, com médicos e com professores.

Ao medir o grau de tolerância entre os pais, 72% afirmaram que não gostariam de ter um filho gay, mas procurariam aceitar, enquanto 7% afirmaram que o expulsariam de casa.

O estudo enfocou ainda o preconceito assumido versus o chamado preconceito velado. Embora entre 69% e 72% das pessoas entrevistadas tenham afirmado não ter preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, 26% admitiram preconceito contra o primeiro grupo, 27% contra o segundo e o terceiro e 29% contra os dois últimos.

Ao medir o índice de homofobia por sexo (um para cada 3 homens e uma para cada 5 mulheres), o estudo dá conta de que os homens são mais homofóbicos do que as mulheres.

Entre os LGBTs, foi perguntado como estes se sentem em relação a sua identidade sexual: 65% afirmaram se sentir à vontade, 26% orgulhosos. Perguntados se alguma vez já sofreram discriminação, 22% afirmaram já terem sido discriminados pelos pais, 27% na escola, 31% na família, 24% por amigos, 11% por policiais na rua, 9% por policiais na delegacia e 7% por professores.

Para o antropólogo Sergio Carrara (IMS/CLAM), a pesquisa pode ser lida como uma espécie de termômetro de como as cosias estão acontecendo no Brasil atual. “Os dados revelam a presença forte da homofobia, mas também revela uma sociedade mais tolerante. Podemos olhar esses dados com um pouco mais de otimismo”, analisou.

Leia mais sobre este tema:

- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay

Fotojornalismo

James Maki, 59, que passou por um transplante de face devido a acidente de metrô que desfigurou-lhe o rosto, em 2005, em Boston, em sua primeira aparição em público. Foto de Josh Reynolds/AP.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hackers

O Escrevinhamentos foi alvo nesta quinta-feira da ação de hackers. Muitos elementos do blog foram danificados. Vou demorar um pouco para acertar os ponteiros. Peço desculpas aos meus dois ou três leitores.