“Vai, vai, avança, corre! Volta, volta, volta! Mandei voltar!!”, gritava ele, enquanto da arquibancada alguns subversivos provocavam: “Cala a boca, tira o microfone deste cara”.Sem se importar com a reação da platéia, ele comandava o time usando o sistema de som do evento, como se não bastasse o gogó. Microfone sem fio em mãos, corria pela beirada do campo, ensandecido, embalado pelos gritos de guerra proferidos pelos gatos pingados da raça rubro-negra campo-grandense: “Oh, meu mengão, eu gosto de você...”.
Em campo, os ex-craques Adílio e Rondineli (ele mesmo, o Deus da Raça), se esforçavam para fazer jus ao cachê.
Os provocadores, confortavelmente sentados a menos de 10 metros do alambrado, não perdoavam: “Este goleiro é seu sobrinho?”, e ele não perdia a pose. Sem tirar os olhos da movimentação de seu excrete de ouro, rebateu, correndo pelo gramado, sua voz reverberando pelas caixas de som: “Ele é nosso goleiro titular, em mais de 300 jogos perdemos apenas seis, é goleiro profissional”.
“Tira o microfone deste mala”, rebatiam alguns, na réplica.
E a charanga da Raça insistia: “Olê, olá, a raça vem aí e o bicho vai pegar”.
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Reminiscências de uma pelada de fim de semana (Foto de Denilsion Secreta)


