Semana On

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Papa deveria abrir arquivos da 2ª Guerra e cobrar justiça para palestinos

A visita do Papa Bento XVI ao Oriente Médio, em especial a Israel e aos territórios palestinos ocupados pelo exército israelense, pode terminar sem acrescentar muita coisa ao panorama local. Se assumisse um compromisso de transparência e de coragem, no entanto, o Papa poderia colaborar para a pavimentação de um caminho que levasse a solução do conflito.

Em Março de 2000, João Paulo II preparou o caminho da reconciliação e visitou Israel. Apresentou desculpas por séculos de difamação e de perseguição perpetrada pela igreja e pelos cristãos (ou com a sua cumplicidade ativa ou passiva). Este passo foi importante e necessário. No entanto, como disse o acadêmico suíço Tariq Said Ramadan, “o que tanto a comunidade internacional como o Oriente Médio precisam é de um Papa que avance um passo para além da expressão de desculpas para assumir a responsabilidade”.

Seria muito importante que Bento XVI se comprometesse em abrir os arquivos do Vaticano, dando mais transparência ao passado e assumindo uma postura de autocrítica quanto à política da Igreja Católica para com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, o Papa deveria deixar claro que os direitos de todos os crentes devem ser igualmente respeitados. Judeus, cristãos e muçulmanos devem ter o mesmo direito de praticar a sua religião e igualdade de acesso aos lugares santos.

Ao ser omisso quanto a esta questão, o Papa, e muitos cristãos ao redor do mundo, confirmam a idéia de que há um antagonismo judeu-muçulmano, transformando uma questão política em um conflito entre duas religiões.

Além disso, precisamos que o Papa seja coerente com os valores cristãos e que fale a verdade: como chefe da Igreja Católica, ele tem um dever moral de estar do lado dos pobres e oprimidos. Os palestinos são os oprimidos, que estão sofrendo sob um intolerável bloqueio em Gaza.”, afirma Ramadan.

Seria de bom tom se o Papa lembre ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (cujo partido não reconhece o Estado palestino) e ao seu ministro das relações estrangeiros, Avigdor Lieberman que não haverá paz sem justiça e que o sangue dos palestinos tem o mesmo valor que o dos israelenses.

O silêncio sobre esta questão seria, implicitamente, apoiar Israel: numa época de repressão, evitar a política, é política.”, conclui Ramadan.

Papa visita Israel e imprensa palestina é impedida de trabalhar

Foto: Reuters
O Papa Bento XVI desembarcou em Tel-Aviv na manhã desta segunda-feira, iniciando uma visita de cinco dias a Israel e aos territórios palestinos, definida pelo Vaticano como "peregrinação pela paz".

Uma das primeiras ações do esquema de segurança israelense foi o de fechar o centro de imprensa instalado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Jerusalém Oriental. Segundo a Agência Efe, no começo da manhã "policiais armados entraram no Hotel Ambassador (no bairro de Sheikh Jarrah e onde se tinha instalado o escritório) levaram documentos e material, e ordenaram o seu fechamento".

Questionado pela imprensa, o porta-voz da Polícia israelense, Miki Rosenfeld, disse que o Ministério de Segurança Interna de Israel "tem autoridade para encerrar qualquer evento" organizado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) em Jerusalém.

É a democracia israelense em ação.

Fotojornalismo

Neste ano comemora-se os 40 anos do protesto contra a Guerra do Vietnã que John Lennon e Yoko Ono fizeram na cama de um hotel na Holanda. Para comemorar a data, está sendo lançado um livro com fotos inéditas do fotógrafo Nico Koster. Para a galeria de fotos, aqui.

domingo, 10 de maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

Bento XVI, AIDS e Tio Rei

Lembra quando o Papa Bento XVI cometeu a bobagem de condenar o uso de preservativos como prevenção ao contagio da AIDS em sua recente viagem à África? Lembra das barbaridades escritas por Reinaldo Azevedo em seu blog, apoiando a fala de “sua santidade”? Lembrando ou não, vale muito a pena ler os artigos “Reinaldo Azevedo, malabarista” e The Lancet: a ‘estupidez militante’ strikes again”, de Leonardo Cruz.

"The Hunt for Gollum" na net, legendado

Para quem curte a obra de JRR Tolkien: o filme The Hunt for Gollum já está disponível na internet, com legendas em português. O filme é uma produção independente, feita por fãs para fãs. Veja mais sobre o filme aqui.

Fotojornalismo

Rodrigo Cabrita (Diário de Notícias) venceu no ano passado a categoria Reportagem Quotidiano do Grande Prêmio Fotojornalismo Visão/BES (Portugal) com esta foto do trabalho da organização Comunidade Vida e Paz, que tira sem-teto das ruas dando-lhes formação profissional.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Imagens de tortura do set do filme Standard Operation Procedure recontam a história de Abu Ghraib

Publicado originalmente no The Huffington Post no dia 5
Fotografias:
Nubar Alexanian
Texto: Katharine Thomas
Tradução: Victor Barone


Uma das primeiras decisões do presidente Barack Obama foi a proibição do uso de técnicas de tortura em prisioneiros suspeitos de terrorismo, até então permitidas pelo Departamento de Justiça sob a administração Bush.

Memorandos (do governo estadunidense) publicados em 16 de abril de 2009 descrevem em detalhes “técnicas avançadas de interrogatório” usadas nestas pessoas. Apesar de alguns americanos terem tido contato com a controvérsia que cercava os abusos cometidos contra as pessoas detidas na prisão de Abu Ghraib, poucos tinham noção, de fato, do tipo de técnicas que eram usadas pelas autoridades.

Estas fotos foram criadas no set de Standard Operating Procedure, um filme de Errol Morris que conta o que aconteceu em Abu Ghraib.

As imagens são remontagens acuradas dos acontecimentos que ocorreram naquela prisão. O objetivo é o de tornar clara a idéia do que é a tortura e provocar o observador para que se coloque no lugar das pessoas que foram torturadas.

Em um memorando, John Rizzo, assistente do advogado geral Jay S. Bybee, escreveu: "...A prancha d’água não causa dor ou danos reais, não causa, em nossa opinião, ‘dor forte ou sofrimento’... A prancha d’água é uma intervenção controlada e não se pode dizer que, mesmo em um longo período de tempo, gere sofrimento”.
Algumas pessoas que não acreditavam que a prancha d’água fosse uma forma de tortura, mudaram suas opiniões após experimentarem elas mesmas o procedimento. Escritor e analista político, Christopher Hitchens foi desafiado a passar pela experiência, depois do que disse o seguinte: “Se a prancha d’água não se constitui em uma tortura, então não existe nada que possa ser descrito como tortura”.

A prancha d’água é um procedimento no qual um pano é colocado sobre o nariz e a boca de um indivíduo enquanto água é derramada sobre sua face por um período inferior a um minuto. A maca em que o indivíduo é amarrado é colocada em uma posição inclinada, mantendo a cabeça do detento em nível inferior de modo a impedir que a água vá para os pulmões e cause um afogamento de fato.

Juntamente a técnicas coercitivas como a prancha d’água, o Gabinete de Conselho Jurídico (do Governo estadunidense) prescreveu o uso de outras técnicas destinadas a mostrar aos detentos que eles não tinham "qualquer controle sobre suas necessidades humanas básicas”. Entre estas técnicas, estavam a nudez forçada, manipulação da dieta e privação de sono. Cães foram usados para intimidar os prisioneiros. Em um caso, um detido sofreu múltiplas mordidas.

Tratadores destes cães relataram uma competição para ver quem poderia fazer os prisioneiros urinarem devido ao medo.

Uma das imagens mais infames documentadas por soldados em Abu Ghraib mostra um homem encapuzado, de pé sobre uma caixa. As mãos do detido foram presas a fios e lhe disseram que se ele as baixasse ou descesse da caixa, seria eletrocutado.

Sacos de cimento foram usados muitas vezes como capuz para cobrir o rosto dos detentos, uma de muitas técnicas utilizadas para fazê-los se sentirem sem controle sobre os acontecimentos.

Os detentos eram constantemente deixados por horas em posições desconfortáveis. Posições estressantes e privação de sono eram usadas para amaciá-los antes dos interrogatórios.

A imagem que mostra militares se beijando em uma sala de interrogatório junto a um detento amarrado, explicita o abuso sexual e o comportamento desregrado dos militares, documentados em fotografias tiradas pelos próprios soldados.

Esta fotografia foi tirada de um monitor ligado a uma mini-câmera posicionada no fundo de um tambor de 50 litros com fundo de vidro. Ela mostra o rosto de um indivíduo cuja cabeça foi afundada na água para simular afogamento.

Na descrição das técnicas de tortura com água, usadas na guerra filipino-americana, o tenente Grover Flint disse, "seu sofrimento deve ser o de um homem que está se afogando, mas sem que ele se afogue”.

Diversidade sexual em Campo Grande

O Conselho Municipal de Juventude e o Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia/Setas (CENTRHO) realizam no próximo dia 15, em Campo Grande (MS), o 1º Seminário Juventude, Direitos Humanos e Diversidade Sexual. O objetivo é valorizar a livre orientação afetivo-sexual e de identidade de gênero, criar intercâmbio entre entidades e produzir referências de atuação para profissionais da área. Inscrições pelo e-mail caoc.cmj@pmcg.ms.gov.br e mais informações com Karol (67) 9291-6087. Pinçadpo do blog do meu amigo Marcos Euzébio.

Leia mais sober este tema:
- Orientação sexual em MS
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay- Eles eram mais livres
- Preconceito e cidadania
- Imprensa fecha os olhos e fortalece homofobia em MS
- Obscurantismo ganha espaço em Campo Grande
- Campo Grande pode dar exemplo contra homofobia
- Melhor ser ladrão que viado

Frases

“... o baixo clero hoje é majoritário e não liga para a opinião pública”.
O cientista político David Flescher, analisando o nível de comprometimento moral do Congresso.