O discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, realizado hoje durante a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Outras Formas Relacionadas de Intolerância - conhecida como Durban 2 -, em Genebra (Suíça), e a reação dos delegados de países membros da União Européia – que deixaram a reunião assim que Ahmadinejad começou a falar, aprofundam a hipocrisia que domina o debate sobre o Oriente Médio.
O que disse Ahmadinejad?
Afirmou que "depois do final da Segunda Guerra Mundial, (os aliados) recorreram à agressão militar para privar de terras a uma nação inteira (os palestinos), sob o pretexto do sofrimento judeu". Disse também que "(os aliados) enviaram imigrantes da Europa, dos Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada", fez referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", e, finalmente, atestou que a ONU "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza".
Pode-se discordar de suas afirmações, mas não há nelas nenhuma agressão odiosa a Israel ou ao judaísmo, como querem fazer crer o governo de Barack Obama e seus prepostos no Oriente Médio.
Ora, porque o presidente do Irã não pode acusar Israel de adotar políticas racistas contra os palestinos se a própria ONU é humilhada diariamente por Israel ao ver desobedecidas pelo país as suas duas resoluções sobre o conflito na Palestina ocupada; se a União Européia reconhece que Israel está ampliando os assentamentos nos territórios ocupados de forma ilegal para forçar os donos da terra, os palestinos, a migrarem; se os próprios soldados israelenses confessam assassinatos a sangue frio em Gaza; se a lógica do sionismo nega abertamente um país aos palestinos; se o racismo e a intolerância têm sido a tônica da política israelense?
Ainda, porque Ahmadinejad não deve dizer estas coisas se hoje pela manhã o ministro de Assuntos Exteriores de Israel, o racista Avigdor Liberman, líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu (Nossa Casa), referiu-se da mesma forma ao presidente do Irã e seu país?
Liberman, parceiro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, é autor desta tirada: "Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno". Quem é ele para falar em racismo?
Devemos cobrar sobriedade e civilidade apenas dos iranianos?
OBS: Representantes do Vaticano, embora tenham criticado as declarações de Ahmadinejad, permaneceram na Conferência. Ponto para o Papa Bento XVI. "Discursos como o do presidente iraniano não vão na direção certa, já que embora não tenha negado o Holocausto ou o direito à existência de Israel, usou expressões extremistas e inaceitáveis", afirmou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, à Rádio Vaticano. Faltou apenas criticar as “expressões extremistas e inaceitáveis” dos israelenses.
Leia mais sobre este tema:
- Os "mocinhos" abandonaram a Conferência
- Boa fonte sobre a Conferência Mundial contra o Racismo
O que disse Ahmadinejad?
Afirmou que "depois do final da Segunda Guerra Mundial, (os aliados) recorreram à agressão militar para privar de terras a uma nação inteira (os palestinos), sob o pretexto do sofrimento judeu". Disse também que "(os aliados) enviaram imigrantes da Europa, dos Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada", fez referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", e, finalmente, atestou que a ONU "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza".
Pode-se discordar de suas afirmações, mas não há nelas nenhuma agressão odiosa a Israel ou ao judaísmo, como querem fazer crer o governo de Barack Obama e seus prepostos no Oriente Médio.
Ora, porque o presidente do Irã não pode acusar Israel de adotar políticas racistas contra os palestinos se a própria ONU é humilhada diariamente por Israel ao ver desobedecidas pelo país as suas duas resoluções sobre o conflito na Palestina ocupada; se a União Européia reconhece que Israel está ampliando os assentamentos nos territórios ocupados de forma ilegal para forçar os donos da terra, os palestinos, a migrarem; se os próprios soldados israelenses confessam assassinatos a sangue frio em Gaza; se a lógica do sionismo nega abertamente um país aos palestinos; se o racismo e a intolerância têm sido a tônica da política israelense?
Ainda, porque Ahmadinejad não deve dizer estas coisas se hoje pela manhã o ministro de Assuntos Exteriores de Israel, o racista Avigdor Liberman, líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu (Nossa Casa), referiu-se da mesma forma ao presidente do Irã e seu país?
Liberman, parceiro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, é autor desta tirada: "Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno". Quem é ele para falar em racismo?
Devemos cobrar sobriedade e civilidade apenas dos iranianos?
OBS: Representantes do Vaticano, embora tenham criticado as declarações de Ahmadinejad, permaneceram na Conferência. Ponto para o Papa Bento XVI. "Discursos como o do presidente iraniano não vão na direção certa, já que embora não tenha negado o Holocausto ou o direito à existência de Israel, usou expressões extremistas e inaceitáveis", afirmou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, à Rádio Vaticano. Faltou apenas criticar as “expressões extremistas e inaceitáveis” dos israelenses.
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