Semana On

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Afinal, que horrores disse o presidente do Irã?

O discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, realizado hoje durante a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Outras Formas Relacionadas de Intolerância - conhecida como Durban 2 -, em Genebra (Suíça), e a reação dos delegados de países membros da União Européia – que deixaram a reunião assim que Ahmadinejad começou a falar, aprofundam a hipocrisia que domina o debate sobre o Oriente Médio.

O que disse Ahmadinejad?

Afirmou que "depois do final da Segunda Guerra Mundial, (os aliados) recorreram à agressão militar para privar de terras a uma nação inteira (os palestinos), sob o pretexto do sofrimento judeu". Disse também que "(os aliados) enviaram imigrantes da Europa, dos Estados Unidos e do mundo do Holocausto para estabelecer um governo racista na Palestina ocupada", fez referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", e, finalmente, atestou que a ONU "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza".

Pode-se discordar de suas afirmações, mas não há nelas nenhuma agressão odiosa a Israel ou ao judaísmo, como querem fazer crer o governo de Barack Obama e seus prepostos no Oriente Médio.

Ora, porque o presidente do Irã não pode acusar Israel de adotar políticas racistas contra os palestinos se a própria ONU é humilhada diariamente por Israel ao ver desobedecidas pelo país as suas duas resoluções sobre o conflito na Palestina ocupada; se a União Européia reconhece que Israel está ampliando os assentamentos nos territórios ocupados de forma ilegal para forçar os donos da terra, os palestinos, a migrarem; se os próprios soldados israelenses confessam assassinatos a sangue frio em Gaza; se a lógica do sionismo nega abertamente um país aos palestinos; se o racismo e a intolerância têm sido a tônica da política israelense?

Ainda, porque Ahmadinejad não deve dizer estas coisas se hoje pela manhã o ministro de Assuntos Exteriores de Israel, o racista Avigdor Liberman, líder do partido de extrema-direita Israel Beiteinu (Nossa Casa), referiu-se da mesma forma ao presidente do Irã e seu país?

Liberman, parceiro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, é autor desta tirada: "Os árabes israelenses são um problema ainda maior do que os palestinos e a separação entre os dois povos deverá incluir também os árabes de Israel... por mim eles podem pegar a baklawa (doce árabe típico) deles e ir para o inferno". Quem é ele para falar em racismo?

Devemos cobrar sobriedade e civilidade apenas dos iranianos?

OBS: Representantes do Vaticano, embora tenham criticado as declarações de Ahmadinejad, permaneceram na Conferência. Ponto para o Papa Bento XVI. "Discursos como o do presidente iraniano não vão na direção certa, já que embora não tenha negado o Holocausto ou o direito à existência de Israel, usou expressões extremistas e inaceitáveis", afirmou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, à Rádio Vaticano. Faltou apenas criticar as “expressões extremistas e inaceitáveis” dos israelenses.

Leia mais sobre este tema:
- Os "mocinhos" abandonaram a Conferência
- Boa fonte sobre a Conferência Mundial contra o Racismo

Boa fonte sobre a Conferência Mundial contra o Racismo

O grupo Jewish Voice for Peace (JVP) enviou sua diretora de comunicação, Cecilie Surasky, para a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Outras Formas Relacionadas de Intolerância - conhecida como Durban 2 -, que teve início hoje, em Genebra (Suíça).

Fundado em 1996, o JVP tem como objetivo primordial incentivar uma política estadunidense voltada para a paz, a democracia, os direitos humanos e o respeito às leis internacionais no Oriente Médio. A cobertura de Cecilie é garantia de boa informação e pode ser acompanha pelo blog Muzzlewatch ou pelo Twitter.

Os "mocinhos" abandonaram a Conferência

Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia e Alemanha estão muito preocupados com o racismo e a intolerância. Por isso, boicotaram a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Outras Formas Relacionadas de Intolerância - conhecida como Durban 2 -, que teve início hoje, em Genebra (Suíça) e durante cinco dias examinará questões como o racismo, a xenofobia e a intolerância.

Ok, agora vamos falar sério.

Esta é a quarta vez que os Estados Unidos deixam uma Conferência da ONU sobre o Racismo, sempre pela mesma razão: a condenação das políticas israelenses para com os palestinos nos debates e, até mesmo, nos documentos oficiais destes encontros. Preocupado com uma linguagem que condena as políticas de Israel, Washington já havia boicotado as duas primeiras Conferências, em 1978 e 1983, e retirou-se da terceira, em 2001.

A questão de fundo é que Estados Unidos e seus aliados – e Israel, obviamente – não aceitam qualquer relação entre sionismo e racismo. No entanto, uma resolução da ONU, de 1975, considerou racistas os fundamentos ideológicos do sionismo. Esta resolução foi revogada em 1991 por pressões políticas de Washington e Cia. As mesmas pressões políticas que vigoram ainda nas Nações Unidas, transformando-a em um teatro de marionetes cuja voz se perde em meio ao poderio ocidental.

É óbvio que há entre os países árabes, e entre as entidades civis ao seu redor, àqueles que intensificam a intolerância religiosa, em especial quando questionam o direito de o Estado de Israel existir. Os israelenses têm tanto direito a ter seu país quanto qualquer outro povo, inclusive os palestinos. Qualquer ataque contra este direito básico deve ser condenado e combatido.

No entanto, é preciso dizer à exaustão que questionar o sionismo não é o mesmo que questionar o judaísmo ou o Estado de Israel. Questionar o sionismo é, na verdade, perguntar por que diabos a Palestina deve conter uma maioria judaica (questão de fundo do sionismo) se, além dos judeus, outros povos também tem sua herança histórica ligada à região. No entanto, a desonestidade intelectual que domina este debate dá voz aos oportunistas que querem linkar qualquer crítica às políticas israelenses a uma forma de anti-semitismo.

É sobre a condenação das conseqüências do sionismo que repousa o conflito: as políticas israelenses de domínio, limpeza étnica e ocupação ilegal do território palestino (condenada pela ONU nas resoluções 181 e 242, que os israelenses se recusam a cumprir). Estados Unidos e Israel se recusam a discutir estas questões e, sob a égide do “anti-semitismo”, desqualificam qualquer posicionamento crítico em relação às políticas que adotam.

Em 2001, por exemplo, o relatório final da Conferência (veja o esboço) ressaltava o horror do holocausto judeu, mas, também a opressão contra os palestinos.

Estamos preocupados com o sofrimento imposto ao povo palestino que vive sob ocupação estrangeira. Reconhecemos o direito inalienável do povo palestino à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado independente e reconhecemos o direito à segurança de todos os Estados da região, entre os quais Israel.

O relatório expressava, ainda, inquietação com a intolerância religiosa, de ambos os lados.

Também reconhecemos com grande preocupação o aumento do anti-semitismo e da islamofobia em várias partes do mundo, bem como a emergência de movimentos raciais e violentos inspirados no racismo e nas idéias discriminatórias contra judeus, muçulmanos, árabes e outras comunidades.

É exatamente este caráter de nivelamento do sofrimento que o Estado de Israel não admite. Israel quer ter o monopólio da dor, usando os horrores da Segunda Guerra Mundial como eterno argumento para perpetrar sua política de expansão sobre outros povos.

Leia mais sobre este tema:
- Quem é Lieberman, Ministro das Relações Exteriores de Israel? 13/04/09
- Soldados israelenses falam de abusos em Gaza 26/03/09
- A visão distorcida de Nonie Darwish sobre islamismo 24/03/09
- Jornal israelense denuncia assassinatos de civis na Faixa de Gaza 20/03/09
- Império Israelense 19/03/09
- É lícito aos israelenses apoiarem o racismo e a intolerância? 18/03/09
- A questão humanitária definitiva do nosso tempo 03/03/09

Empreiteiras e Poder Público

Um levantamento feito pela revista Veja com base nas doações eleitorais de 2002 a 2008 e em repasses feitos aos diretórios nacionais dos partidos em 2006 e 2007 revela que as cinco maiores empreiteiras do país – Camargo Corrêa, OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão - doaram de forma legal pelo menos 114 milhões de reais a políticos no período. Em troca da generosidade, as mesmas cinco empreiteiras assinaram dezenas de contratos públicos. Só em obras do PAC, desde 2007, levaram 1,4 bilhão de reais.

Fotojornalismo

Brett Sturton flagrou a remoção do corpo de um gorila morto na Montanha dos Gorilas, Congo.

sábado, 18 de abril de 2009

Poema

O que me apavora
É despertar
Esquecido do sorriso
Adormecer
Repleto de lógica
Sonhar sonho sem lágrima

O que me enche de medo
É olhar no espelho
E descobrir-me
Senhor de certezas

É o que temo

Transplantes pelo SUS

Cerca de 92% de todos os transplantes feitos no Brasil são pagos através do Sistema Único de Saúde, o SUS. As operações custam 530 milhões de reais por ano, provendo o maior programa público de transplantes do mundo. E tem gente que acha o SUS ruim.

Leia mais sobre o tema:
- O SUS como patrimônio da humanidade
- Saúde
- Sicko: vendendo saúde

Fotojornalismo

Overdose é uma ocorrência incomum para Derrick e Cheryl, mas neste dia Cheryl passou por esta experiência. Após hiperventilar, ela bebeu vários copos de água, que lançou em um jato por sobre a cerca. Foto de Carl Kiilsgaard para a Western Kentucky University, premiada no Best of Photojournalism 2009.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amigo Pimenta de molho

Fiquei sabendo agora que o amigo Henrique Pimenta, grande poeta, professor e titular do blog Bar do Bardo está internado no Hospital Militar de Campo Grande. Ele sofreu um acidente de carro na semana passada após uma reunião de blogueiros da cidade. Liguei para o hospital e a informação é de que ele está bem, embora não tenham me passado detalhes. Visitarei o amigo hoje ou amanhã.