Semana On

sábado, 11 de abril de 2009

Genocídio armênio

Trata-se de cumprir promessas de campanha. Barack Obama não prometeu discursar de uma "capital muçulmana" antes de completados seus 100 primeiros dias? Teria de ser país moderado, seguro. Onde melhor, se não da nação islâmica/secular de Mustafa Kemal Ataturk, a Turquia, cujos governantes conversam tanto com Síria quanto com Israel, com o Iran tanto quanto com o Iraque? Mas quando a cavalaria de Obama tomou o rumo do coração do Império Otomano, na noite de ontem, ele e seus pomposos corneteiros iam rezando para que o presidente não tenha de usar a palavra-G, G, de genocídios.”

Trecho do artigo “Will Obama honour pledge on genocide of Armenians?”, de Robert Fisk, publicado dia 6 no The Independent, a respeito do genocídio armênio. Vale a leitura (em português no blog do Azenha).

Fotojornalismo

O fotógrafo Donald Miralle (Getty Images) foi premiado no concurso Best of Photojournalism 2008 com esta foto de luta livre em Tijuana, Mexico.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Resumiu a ópera

“Eu sei bem o que devia estar fazendo neste momento: calar a boca. Deveria ser um blogueiro de direita e, como eles, fazer ironias mais ou menos grosseiras enquanto busco uma desculpa para bater no governo. Ou, então, deveria vestir meu manto de blogueiro de esquerda, defensor dos oprimidos, fazer de Protógenes santo padroeiro e ‘do orelhudo’ o vilão incorrigível que deve ser posto em cana, lei e procedimentos são apenas um detalhe vago. Deveria censurar comentários que não são favoráveis, deveria falar em código – imprensa golpista, chapa branca, o que for. Basta cair a um dos extremos, na blogosfera política, que os leitores vêm e os links brotam.”
Pedro Doria, analisando Protógenes e, de tabela, colocando a blogosfera no divã.

Público britânico não confia em jornalistas

Apenas 3% do público britânico confia em jornalistas, segundo pesquisa feita pelas companhias de pesquisa KRC Research/YouGov a pedido do Bar Standards Board, ordem dos advogados do Reino Unido. A popularidade dos profissionais de imprensa é parecida com a de políticos (1%) e banqueiros (2%). Foram entrevistadas 2.044 pessoas. Em comparação, advogados são considerados confiáveis por 24% dos pesquisados, e contadores, por 14%. Mas talvez o resultado mais assustador é o de que 57% dos entrevistados dizem não confiar em nenhum destes profissionais. Informações de Roy Greenslade [Guardian.co.uk, 31/3/09]. Pinçado do Monitor da Imprensa.

Fotojornalismo

O fotógrafo James Gregg (Arizona Daily Star), ficou em segundo lugar na categoria Photojournalist of the Year do concurso Best of Photojournalism 2008 com esta foto de Emmanuel Ochoa Jr., 9, tentando escapar das garras de sua irmã menor, Barbara Ochoa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Protógenes acusou jornalistas... ou não?

A lista de jornalistas supostamente corrompidos pelo banqueiro Daniel Dantas, pinçada das transcrições de grampos efetuados pelo delegado Protógenes Queiroz e publicada segunda-feira no site Consultor Jurídico pelo jornalista Cláudio Julio Tognolli, em reportagem intitulada “Quem são os jornalistas perseguidos por Protógenes”, é um exemplo de como a leitura política pode ser variada, dependendo dos humores ideológicos de cada um. Se não é assim, me perdoe quem está com a verdade nas mãos. Confesso que não consigo decifrar onde ela (a tal verdade) se esconde.

O fato é que Protógenes Queiroz cita em seu relatório (relatório ou anotações?) o nome de 25 jornalistas. Em que contexto estes nomes são citados?

Há quem diga tratar-se de uma acusação. “Pelo menos 25 jornalistas de renome, que atuam em grandes veículos de comunicação, foram acusados pelo delegado federal Protógenes Queiroz de fazer parte de um esquema conspiratório a favor do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, investigado pela Polícia Federal por supostos crimes financeiros, na chamada Operação Satiagraha.”, atesta Tognolli logo no início de sua reportagem.

Há quem acredite tratar-se apenas de rascunhos, anotações que dariam base a um futuro relatório, portanto, sem fundo acusatório. “... se você ler os rascunhos, verá que não há acusações contra ‘25 jornalistas’. Há suspeitas contra alguns, mera menção de outros, utilização de reportagens feitas por outros na sustentação dos fatos etc. O Consultor Jurídico, em manobra retórica de extrema pobreza, tenta confundir tudo sugerindo que há ‘acusações’ contra 25 jornalistas. Não há. É só ler o texto.”, afirma Idelber Avelar, no post “Consultor Jurídico e suas mentiras”.

No blog Imprensa Marrom, Gravataí Merengue garante - em post intitulado “Jornalistas grampeados: Tognolli divulga e analisa o relatório de Protógenes sobre os jornalistas vigiados pela PF” - que “O relato de Tognolli é lúcido e reflete exatamente a bobagem de Protógenes. O que ele fez foi pura e simples perseguição.”.

Avelar rebate dizendo que “Não há obsessão em perseguir nenhum jornalista em particular, só tentativas de compilar e analisar informações que sustentem uma hipótese que vai se mostrando, aliás, bem verossímil na medida em que se avança na leitura: a de que Dantas usou setores da imprensa como cúmplices.”.

Apelando para a ausência de legitimidade das informações contidas nos documentos e acusando o caráter especulativo do relatório/rascunho de Protógenes, Pedro Dória diz o seguinte:

Polícia não tem por função ficar bisbilhotando conversas de cidadãos livres que não foram acusados de nenhum crime e muito menos deve teorizar a respeito do que pode ser e o que pode não ser. Polícia investiga para levantar provas. Se levanta, leva à Justiça. Se não levanta, se cala. O delegado não levantou qualquer prova, inventou suspeitas de sua própria cabeça e delas extrapolou conclusões.

A afirmação de Dória está contida no post “A lista de jornalistas de Protógenes Queiroz”, assim classificado por Avelar: “E assim caminha a farsa armada pelos representantes de Gilmar Mendes na internet jurídica, ao ritmo de uma mentira por frase. Tomados de pânico corporativo, os jornalistas da grande mídia repercutem a manobra acriticamente, linkando a mentirada do ConJur e não oferecendo sequer o link direto às páginas confiscadas do computador de Protógenes, onde, diga-se, não existe ‘lista’nenhuma.”.

Não sei... não sei mesmo. Lendo o relatório/rascunho de Protógenes Queiroz me deparo com a sua “contextualização”, que, apesar de ressaltar que "tais acusações ainda estão sendo investigadas", deixa claro seus objetivos. Diz o delegado (grifo meu):

O Departamento de Polícia Federal (DPF) vem investigando as atividades de Daniel Dantas, proprietário do Banco Opportunity, com o objetivo de desvendar suspeitas da prática de ações criminosas nas esferas civil e penal. Uma das vertentes da investigação é a influência do banqueiro na mídia, notadamente a impressa e a eletrônica.

Há indícios de que Dantas tenha certa ascendência sobre alguns jornalistas e editores. Isso pode ocorrer mediante o pagamento de subornos, embora não se descarte a possibilidade de recurso à chantagem ou coação, com base em informações pessoais de seus alvos de interesse, as quais ele obteria por meio de atos de espionagem clandestina. Ressalta-se que tais acusações ainda estão sendo investigadas.
”.

Ou seja, a investigação dos jornalistas citados no documento era, sim, um dos objetivos da investigação. Tudo ok, até então. O problema está nas conclusões que Protógenes tira dos grampos, conclusões que finalizam o documento, e que, entre outras coisas dizem que:

As análises das interceptações telefônicas mostraram claramente a forma como profissionais de mídia são cooptados, orientados e remunerados para levar ao conhecimento do público as versões que interessam ao grupo de Dantas sobre os mais variados assuntos. Neste processo, Naji Nahas parece ser o intermediário entre jornalistas de Dantas.

Concluindo, Protógenes dá-se por satisfeito com os resultados da investigação/anotação: “Finalmente, convém dizer que a proposta inicial da análise – identificar a manipulação da mídia por grupos econômicos – foi alcançada.

Bom, daí conclui-se que há contra os jornalistas citados elementos suficientes para ligá-los às ilações entre imprensa e poder econômico feitas pelo delegado, certo? Errado.

Lendo o documento que resume as transcrições, o máximo que se pode sugerir é algum pecadilho ético de um ou outro coleguinha, mas nada que indique relação escusa entre estes e Daniel Dantas. O Consultor Jurídico, no entanto, diz claramente que “Pelo menos 25 jornalistas de renome, que atuam em grandes veículos de comunicação, foram acusados pelo delegado federal Protógenes Queiroz...”. Um destes 25 já se manifestou oficialmente, trata-se de Luiz Antonio Cintra (Carta Capital), segundo quem o site “terá de responder na Justiça”.

É óbvio que muita coisa fedorenta se esconde nos cantinhos das redações brasileiras, mas para expor esta sujeira é preciso responsabilidade. Pedro Doria disse e eu assino embaixo: “Não se pode ameaçar a imprensa para desenvolver ‘teorias’ – e, em seu relatório, era só isso que Protógenes Queiroz diz querer: teorizar a respeito da corrupção da imprensa. Não faz uma única acusação. Não diz que um único jornalista ganhou um centavo para publicar algo. Não mostra um único favor. Insinua, denigre, bisbilhota ameaçador, quebra a privacidade de cidadãos livres arrogantemente. Não levantou um único fato. Mas o delegado não precisa de fatos. Basta insinuar.”.

Dito isso, me recuso a escolher um lado. Simplesmente estamos (nós os leitores) atolados em um mar de alegações, insinuações, provas e contraprovas que são usadas como base argumentativa para apontar as maldades ou heroísmos de Protógenes. A tal da verdade, aquela que citei lá no primeiro parágrafo, esta se encontra enterrada bem fundo, sob os escombros de nossa política e de nossa mídia.

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Tire suas próprias conclusões. Veja aqui as considerações sobre os jornalistas grampeados por Protógenes e aqui os comentários sobre os grampos da jornalista Andréa Michael.

Frases

"O primeiro problema para o jornalismo de precisão no Brasil será superar um sistema muito rígido que é feito para resistir à inovação. A maior barreira que vejo, de minha perspectiva norte-americana, é a lei que exige que os jornalistas sejam formados em escolas de jornalismo. Essa lei dá às escolas um mercado garantido e as priva do incentivo de fazer melhor as coisas. Sem a lei, as escolas teriam que visivelmente adicionar valor às habilidades existentes de seus estudantes para que pudessem sobreviver. Uma escola profissional deve ser a fonte da inovação e do desenvolvimento para a profissão a que serve. Mas, com um mercado cativo, não há necessidade de que ela faça nada além de assinar certificados de conclusão."

Fotojornalismo

O fotógrafo Chris Schneider (Rocky Mountain News) venceu a categoria Serial Portrait do concurso Best of Photojournalism 2008 com esta foto de Bruce Ford, lenda do rodeio norte-americano e sobrevivente de um noticiado acidente entre um trem e um ônibus em 1961.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Diploma: lucidez em meio ao obscurantismo

Em meio à confusão ideológica e argumentativa proposta pelos que defendem a obrigatoriedade do diploma específico de Jornalismo para o exercício da profissão no País – anacronismo dos tempos da ditadura que pode ser definitivamente derrubado ainda neste mês pelo Supremo Tribunal Federal – alguns textos de gente antenada com o tema me chamaram a atenção ontem.

Um deles, o artigo “Por causa do diploma, fui obrigado a cursar Jornalismo”, do jornalista (e professor universitário) Alec Duarte, é um resumo autobiográfico da trajetória profissional do autor. Em poucos parágrafos, Duarte relembra sua paixão precoce pelo Jornalismo, sua iniciação profissional e a obrigatoriedade de ter de procurar um curso específico para legitimar-se como “jornalista profissional”. Singelo, o artigo lança por terra os argumentos de quem apóia a exigência.

Quando chegou o vestibular, já sabia o que fazer. História teria de esperar. Claro, para se trabalhar em jornalismo (uma atividade intelectual que exige basicamente observação e contato com o noticiário, além de conhecimentos específicos que um curso técnico de curta duração dá a qualquer um) era necessário ter o malfadado diploma.”, diz Alec, concluindo o artigo com um questionamento: “Agora imagine essa história sem uma faculdade de jornalismo no meio. As coisas teriam sido muito diferentes? Mais: fosse hoje, na era da publicação pessoal, seria necessário começar numa redação de jornal diário?”.

Outros dois textos, da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, responsável pelo programa de treinamento em jornalismo diário da Folha de S.Paulo e pelo blog Novo em Folha, são inspirações para quem acredita que há vida inteligente entre os coleguinhas.

No primeiro artigo, “Cinco argumentos contra a obrigatoriedade do diploma”, postado no dia 1º de abril, Ana – como diz o título – elenca questões lógicas para refutar a obrigatoriedade e, ao mesmo tempo, descartar os preconceitos lançados sobre quem defende a não obrigatoriedade. Macaca velha na formação de profissionais para as selvas das redações, ela aponta três coisas que um jornalista precisa dominar, de fato:

a) entender do assunto que vai cobrir, para não ser usado pelas fontes;
b) saber levantar informações relevantes que os poderes querem esconder;
c) transformar as informações numa história articulada e compreensível.

Escolas de jornalismo não resolvem o ponto a. Poderiam até ajudar muito no b e no c, mas minha experiência mostra que não fazem isso. Os pontos b e c podem ser aprendidos em cursos de especialização ou até na prática”, afirma Ana. E eu assino embaixo.

No segundo texto, Arrumando os argumentos”, postado dois dias após o primeiro, Ana responde aos comentários favoráveis a obrigatoriedade, lançando mais um pouco de luz sobre o obscurantismo reinante.

Em poucas linhas ela resume a ópera:

- É fato, não opinião, que a faculdade de jornalismo não é imprescindível para formar bons jornalistas. Isso está comprovado, não há como argumentar contra isso:

. dezenas de países com excelente jornalismo não exigem o diploma nem qualquer outro tipo de exame ou comprovação. Se a faculdade fosse realmente fundamental, isso seria impossível, certo?

. no Brasil houve inúmeros exemplos de bom jornalismo - vou só citar o "Jornal do Brasil" e a "Realidade" - feitos antes da lei da ditadura que tornou o diploma obrigatório. Eram feitos por muita gente sem formação universitária em jornalismo. Se fosse fundamental fazer a faculdade, isso seria impossível, certo?

. ainda hoje, há em atuação centenas de jornalistas que não têm o diploma.

- Não sendo imprescindível a graduação em jornalismo, me parece um absurdo obrigar garotos em uma das fases mais produtivas da vida a cursar essa faculdade. Se eles acharem que é no curso de jornalismo que encontrarão a melhor preparação para a profissão que escolheram, ótimo! Ninguém vai impedir as faculdades de existirem. Em países de bom jornalismo sem diploma obrigatório existem excelentes cursos de jornalismo, e saem dos seus bancos ótimos profissionais. Mas isso deve ser uma escolha, não uma obrigação.

Fotojornalismo

A fotógrafa Emily Rasinski (The Evening Sun) ficou com a terceira colocação da categoria Photojournalist do Ano do concurso Best of Photojournalism 2008 com esta foto de cheerleaders do Moul Field Complex, em Hanover.