sexta-feira, 3 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Nós, os psicopatas
Interessante a entrevista do psicólogo canadense Robert Hare, 74, na Veja desta semana. Suas pesquisas levaram, em 1991, a identificação dos critérios que hoje diagnosticam os portadores desse transtorno de personalidade. Na entrevista, conduzida pela jornalista Laura Diniz, ele recorda os estudos realizados na década de 60, segundo as quais as condições sociais não têm mais influência sobre a formação de uma psicopatia do que os genes que cada um de nós carrega. “Hoje sabemos que, ainda que vivêssemos uma utopia social, haveria psicopatas”, afirma Hare.
Esta leitura se confrontou com as linhas de pensamento em voga desde a década de 20, em especial focadas no trabalho de John B. Watson, que dizia que ao nascer, nós somos como páginas em branco: o ambiente determina tudo. Daí surgiu o termo sociopata, sugerindo que a patologia do indivíduo era fruto do ambiente – ou seja, das suas condições sociais, econômicas, psicológicas e físicas. “Isso incluía o tratamento que ele recebeu dos pais, como foi educado, com que tipo de amigos cresceu, se foi bem alimentado ou se teve problemas de nutrição. Os adeptos dessa corrente defendiam a tese de que bastava injetar dinheiro em programas sociais, dar comida e trabalho às pessoas, para que os problemas psicológicos e criminais se resolvessem.”.
O ambiente familiar, segundo o pesquisador, tem influência sobre a formação destes indivíduos, mas não de forma determinante. “O ambiente tem um grande peso, mas não mais do que a genética. Na verdade, ambos atuam em conjunto. Os pais podem colaborar para o desenvolvimento da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá lá na frente, visto que os traços de personalidade podem ser atenuados, mas não apagados. O que um ambiente com influências positivas proporciona é um melhor gerenciamento dos riscos.”
Nesta roleta russa há, no entanto, formas de identificar comportamentos que indiquem a propensão de um indivíduo desenvolver a psicopatia desde a infância: “Não há nada que indique que uma criança forçosamente se transformará num psicopata, mas é possível notar que algo pode não estar funcionando bem. Se a criança apresenta comportamentos cruéis em relação a outras crianças e animais, é hábil em mentir olhando nos olhos do interlocutor, mostra ausência de remorso e de gratidão e falta de empatia de maneira geral, isso sinaliza um comportamento problemático no futuro.”
Segundo Hare, a estimativa é que cerca de 1% da população mundial preencheria os critérios para o diagnóstico de psicopatia. No Brasil, haveria, então, cerca de 1,8 milhões de psicopatas.
Esta leitura se confrontou com as linhas de pensamento em voga desde a década de 20, em especial focadas no trabalho de John B. Watson, que dizia que ao nascer, nós somos como páginas em branco: o ambiente determina tudo. Daí surgiu o termo sociopata, sugerindo que a patologia do indivíduo era fruto do ambiente – ou seja, das suas condições sociais, econômicas, psicológicas e físicas. “Isso incluía o tratamento que ele recebeu dos pais, como foi educado, com que tipo de amigos cresceu, se foi bem alimentado ou se teve problemas de nutrição. Os adeptos dessa corrente defendiam a tese de que bastava injetar dinheiro em programas sociais, dar comida e trabalho às pessoas, para que os problemas psicológicos e criminais se resolvessem.”.
O ambiente familiar, segundo o pesquisador, tem influência sobre a formação destes indivíduos, mas não de forma determinante. “O ambiente tem um grande peso, mas não mais do que a genética. Na verdade, ambos atuam em conjunto. Os pais podem colaborar para o desenvolvimento da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá lá na frente, visto que os traços de personalidade podem ser atenuados, mas não apagados. O que um ambiente com influências positivas proporciona é um melhor gerenciamento dos riscos.”
Nesta roleta russa há, no entanto, formas de identificar comportamentos que indiquem a propensão de um indivíduo desenvolver a psicopatia desde a infância: “Não há nada que indique que uma criança forçosamente se transformará num psicopata, mas é possível notar que algo pode não estar funcionando bem. Se a criança apresenta comportamentos cruéis em relação a outras crianças e animais, é hábil em mentir olhando nos olhos do interlocutor, mostra ausência de remorso e de gratidão e falta de empatia de maneira geral, isso sinaliza um comportamento problemático no futuro.”
Segundo Hare, a estimativa é que cerca de 1% da população mundial preencheria os critérios para o diagnóstico de psicopatia. No Brasil, haveria, então, cerca de 1,8 milhões de psicopatas.
Desgovernos
“Em Gaza, o governo nas mãos dos fundamentalistas islâmicos do Hamas. Na Cisjordânia, o desmoralizado governo do secular Fatah. E, agora, em Jerusalém, o espetáculo fisiológico da posse de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro de Israel, em uma das mais obscenas distribuições de cargos já vistas no país. Nada para brindar. Israel toma um perigoso caminho mais para a direita e os palestinos estão desgovernados.”
Interessante artigo de Caio Blinder sobre a situação política em Israel e nos territórios palestinos ocupados.
Interessante artigo de Caio Blinder sobre a situação política em Israel e nos territórios palestinos ocupados.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Mantido ou não o diploma, algo muda no nosso Jornalismo?
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje, dia 1º de abril, a revogação da Lei de Imprensa e, em conseqüência, a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo no Brasil. Tratei do tema ontem, no artigo “Com ou sem diploma?”, embora o tempo dos debates tenha passado.
O fato é que, mantida ou não a exigência do diploma específico para o exercício do Jornalismo no Brasil, os graves problemas éticos, econômicos e profissionais que permeiam o ofício se manterão inalterados. A manutenção ou queda desta exigência não mudará o fato de que nos encontramos em um momento no qual até mesmo a existência da profissão está em jogo diante das novas tecnologias e – em conseqüência – das novas formas do fazer jornalístico que aproximam o cidadão comum das ferramentas necessárias para tal.
A exigência ou não do canudo nada modificará na relação promíscua que mantemos com os donos do poder, na nossa subserviência que transforma jornalistas em “assessores de imprensa” dos barões da mídia. Não é o diploma que garantirá uma ética de base sólida, que formará cidadãos conscientes de seu papel social, que apontará os caminhos de um Jornalismo transformador ao invés de um jornalismo circense no qual o sensacionalismo, o entretenimento e a superficialidade tomaram o espaço da informação relevante.
Para mudar tudo isso e transformar o Jornalismo em algo mais que um amontoado de apresentadores perfumados e escribas de aluguel será preciso que enxerguemos nesta bela profissão uma ferramenta de avanço social, de combate à corrupção, de transformação. E isso exige uma formação muito mais complexa do que oferem as centenas de cursos de Jornalismo que se espalham hoje pelo país.
O fato é que, mantida ou não a exigência do diploma específico para o exercício do Jornalismo no Brasil, os graves problemas éticos, econômicos e profissionais que permeiam o ofício se manterão inalterados. A manutenção ou queda desta exigência não mudará o fato de que nos encontramos em um momento no qual até mesmo a existência da profissão está em jogo diante das novas tecnologias e – em conseqüência – das novas formas do fazer jornalístico que aproximam o cidadão comum das ferramentas necessárias para tal.
A exigência ou não do canudo nada modificará na relação promíscua que mantemos com os donos do poder, na nossa subserviência que transforma jornalistas em “assessores de imprensa” dos barões da mídia. Não é o diploma que garantirá uma ética de base sólida, que formará cidadãos conscientes de seu papel social, que apontará os caminhos de um Jornalismo transformador ao invés de um jornalismo circense no qual o sensacionalismo, o entretenimento e a superficialidade tomaram o espaço da informação relevante.
Para mudar tudo isso e transformar o Jornalismo em algo mais que um amontoado de apresentadores perfumados e escribas de aluguel será preciso que enxerguemos nesta bela profissão uma ferramenta de avanço social, de combate à corrupção, de transformação. E isso exige uma formação muito mais complexa do que oferem as centenas de cursos de Jornalismo que se espalham hoje pelo país.
Lovecraft no cinema
A obra de H. P. Lovecraft vai para o cinema pela Universal, segundo o Omelete. O artigo "H.P. Lovecraft e monstros da Universal juntos em novo filme de Ron Howard" atesta que o roteiro será baseado na história em quadrinho The Strange Adventures of H.P. Lovecraft, escrita por Mac Carter e Jeff Blitz, que será lançada no dia 08 de abril. Dica pinçada do blog Mausoléu do Gárgula, onde o feliz proprietário, Daniel Braga, já falou do autor aqui e aqui. Sujeito a chuvas
em cinza e vento
espreguiça-se a manhã
e já vai a meio
chove
nem parece fevereiro
entre livros e discos
me aconchego
e sonho sonhos de junho
se adormeço
Poema de Márcia Maia
espreguiça-se a manhã
e já vai a meio
chove
nem parece fevereiro
entre livros e discos
me aconchego
e sonho sonhos de junho
se adormeço
Poema de Márcia Maia
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