Semana On

quarta-feira, 25 de março de 2009

Quer um emprego? Crie um blog

Criar e manter um blog pode ajudar você a conseguir um emprego. É o que afirma um texto da Forbes, Blogging Your Way Into A Job. Vale a leitura. Dica pinçada no Gjol.

Fotojornalismo

Soldados do exército dos Estados Unidos caminham nas proximidades de duas grandes estátuas de bronze do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, em Baghdad.

terça-feira, 24 de março de 2009

Ativista americano ferido por israelenses luta pela vida


O ativista estadunidente pelos direitos humanos Tristan Anderson, 38, permanece em condições críticas após três operações no cérebro, realizadas no hospital Tel Hashomer, em Israel. Ele foi atingido na cabeça por um projétil de gás de alta velocidade, disparado por forças de segurança israelenses, durante uma demonstração de árabes e judeus no dia 13, contra a construção do Muro de Israel na região da vila Ni'lin, na Cisjordânia.

Testemunhas disseram que o projétil – que tem um alcance de 400 metros – foi disparado diretamente contra Anderson de uma distância de 60 metros, enquanto ele conversava com outros três ativistas no centro da vila. Anderson sofreu múltiplas fraturas cranianas, ferimento severo no lóbulo frontal e no cérebro além de ter um globo ocular destruído. Seus pais apelaram ontem por uma investigação aprofundada sobre o caso.

STF marca para 1º de abril o julgamento sobre a Lei de Imprensa

O Supremo Tribunal Federal julga na próxima quarta-feira, dia 1º de abril, a revogação da Lei de Imprensa e, em conseqüência, a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo no Brasil. Em fevereiro de 2008, os ministros da Suprema Corte concederam liminar (decisão provisória) que suspendeu a aplicação de boa parte da lei.

Leia mais sobre o tema:
- Priscila, Greenpeace e o canudo
- Os defensores do diploma e seus debates imaginários
- Debate sobre o diploma de jornalismo... que debate?
- Jornalismo e assessoria de imprensa: ética e realidade
- Manifestações contra a exigência de diploma de jornalismo

A visão distorcida de Nonie Darwish sobre islamismo e palestinos

Autora do recém lançado livro “Cruel and Usual Punishment”, Nonie Darwish publicou na semana passada, no The Wall Street Journal, o artigo “An Arab-Made Misery”. Festejado por alguns, o artigo lança sobre os árabes a responsabilidade exclusiva pelas injustiças e atrocidades aos quais os palestinos têm sido vítimas nos últimos 60 anos. O cerne do artigo de Darwish – que é fundadora da organização “Arabs for Israel” e autora do livro “Now they call me infidel” - pode ser resumido no seu último parágrafo: “É hora de os 22 países árabes abrirem suas fronteiras e absorverem os palestinos de Gaza que desejarem começar uma nova vida. É tempo de o mundo árabe realmente ajudar os palestinos, não usá-los”.

Nonie Darwish nasceu no Cairo (Egito) e, em 1950, estabeleceu-se com a famíla em Gaza (então ocupada pelo Egito). Seu pai o general Mustafa Hafez, comandou a inteligência do exército egípcio e fundou o grupo fedayeen, que combateu os israelenses na década de 50. Em julho de 1956, quando Nonie tinha oito anos de idade, seu pai foi assassinado por forças especiais do exército israelense. Em 1978, ela mudou-se com o marido para os Estados Unidos, onde converteu-se ao cristianismo por meio da fé evangélica.

Segundo Darwish, o drama palestino em Gaza decorre de “60 anos de uma política árabe no sentido de fortalecer o status de refugiados apátridas aos palestinos para usar seu sofrimento como arma contra Israel”. Ela cita o que classificou como uma “política de refugiados políticos” na qual países árabes estabeleceram leis “tornando impossível a integração dos refugiados palestinos da guerra de 1948 contra Israel”; “proibindo que os filhos dos palestinos nascidos em países árabes e que neles viveram a vida inteira obtenham a nacionalidade” deste país e estendendo esta proibição aos “cônjuges palestinos de cidadãos de outros países árabes”.

Eles precisam permanecer ‘Palestinos’, mesmo que nunca tenham posto os pés na Cisjordânia ou em Gaza... Essa política, que força a identidade, condena os palestinos à miséria, eternizando os campos”, diz a escritora.

Resumindo a ópera: os palestinos são massa de manobra dos países árabes e de organizações fundamentalistas islâmicas em sua guerra secreta contra o Estado de Israel. A saída? Os palestinos devem ser “absorvidos” pelos países árabes para que Israel possa “absorver” a Faixa de Gaza.

A linha argumentativa de Darwish é recheada de todos os clichês que Israel e o Ocidente têm usado para desqualificar o que é simples e claro: que o povo palestino vem sendo privado de suas terras por Israel desde a fundação deste Estado e que Israel precisa cumprir as resoluções 181 e 242 da ONU.

Um destes argumentos mais que batidos é que a ocupação israelense exercida por meio de assentamentos ilegais, barreiras físicas e econômicas, controle sobre o direito de ir e vir além da presença militar são conseqüências exclusivas do “terrorismo”. Outro argumento que está sempre no bolso do paletó dos pró-sionistas é que a retirada militar dos israelenses da Faixa de Gaza, em 2005, teria sido uma chance desperdiçada pelos palestinos de construir sua soberania.

Ambas as leituras são superficiais e, em grande parte, falseadas.

A política de ocupação israelense, de estabelecimento de assentamentos ilegais, de controle do direito de ir e vir e de todos os âmbitos da vida civil dos palestinos não é causada pelo “terrorismo”. O “terrorismo”, isso sim, é usado como desculpa pelos israelenses para dar continuidade a apropriação indevida de terras palestinas e inviabilizar a construção de um Estado Palestino soberano. A retirada israelense de 2005 não levantou as barreiras de terra, ar e mar impostas sobre Gaza. Israel continuou exercendo seu poder através da corrupção que se espalhou pela estrutura falida da Autoridade Palestina, estimulando a divisão político-ideológica entre o Hamas e o Fatah, encurralando um vencido Yasser Arafat e regozijando-se da ausência de lideranças palestinas que pudessem, de fato, estabelecer um governo independente e factível.

Não, os países árabes não são sacrossantos e nem exemplos a serem seguidos. A maioria é composta por ditaduras personalistas ou monarquias ferozes. Sim, muitos deles usam os palestinos como arma contra Israel. No entanto, estes fatos nem de longe são as únicas ou primordiais causas do drama palestino.

Devemos perguntar, também, se a solução para a questão é que os palestinos abram mão de suas terras. Migrar para o Egito, para a Jordânia? Porque fariam isso? Os palestinos foram privados de sua nação na década de 40, estigmatizados, acuados, agredidos e, ao responderem a isso, taxados de “terroristas”. Para completar devem desistir de suas terras? O que virá a seguir? Expulsar os palestinos da Cisjordânia para que os israelenses possam “viver em paz”?

Seja na construção de um Estado Palestino vizinho a Israel ou no estabelecimento de um estado único que englobe árabes e israelenses sob a bandeira de Israel, o fato é que nenhuma solução pode vingar sem que os palestinos sejam vistos como povo e, como tal, respeitados.

Intolerância

Não é a primeira vez que Darwish desfia sua visão deturpada da realidade política na região. No artigo “The Gaza Conflict Rooted in Sharia” ela chega a dizer que em 2005 os palestinos haviam perdido a oportunidade de transformar Gaza em “outra Hong Kong; um brilhante centro comercial” ao optarem “pela Jihad islâmica”.

Jihad, radicais islâmicos, terroristas... Como é fácil reduzir tudo a isso.

Um dos principais pilares dos argumentos de Nonie Darwish em seus libelos pró-israelenses é a crítica ao islamismo. Ela acredita que se trata de uma religião retrógrada e autoritária que tenta impor ao mundo normas culturais milenares. Segundo ela, o Islã é “uma força sinistra que deve ser confrontada e contida”, e, ainda, que é difícil “entender como uma religião inteira e sua cultua acredita que Deus ordena o assassinato de infiéis”.

Leitura mais preconceituosa seria difícil de ser expressa. Quando o primeiro homem-bomba explodiu seu corpo no Líbano, durante a invasão israelense àquele país, na década de 80, deu-se início a uma descaracterização do islamismo que, vinte anos depois, seria radicalizada com os atentados de 11 de setembro. No entanto, a interpretação radical do islamismo não pode ser imputada a esta religião de forma generalista. De acordo com a esmagadora maioria dos especialistas, religiosos e fiéis, a verdadeira face do Islã é a de uma fé que estimula o entendimento e desencoraja o conflito (leia a interessante reportagem de Veja sobre o tema).

A própria origem do termo Islã - ou ‘rendição’, em árabe - está ligada à palavra salam, que significa ‘paz’. O fundador do islamismo, o profeta Maomé, dedicou sua vida à tentativa de promover a paz em sua terra, a Arábia. Antes do Islã, as tribos árabes estavam presas num círculo vicioso de ataques, revides e vinganças. O próprio Maomé e seus primeiros seguidores escaparam de dezenas de tentativas de assassinato e de uma grande ofensiva para exterminá-los em Meca. O profeta teve de lutar, mas em nome da própria sobrevivência - quando acreditou estar a salvo, passou a dedicar-se exclusivamente à reconciliação das tribos, através de uma grande campanha ideológica de não-violência. Quando morreu, no ano de 632, a meta havia sido cumprida - e justamente em função de seus ensinamentos sobre paz e tolerância.”, afirma a reportagem citada acima.

Condenar o islamismo e seus seguidores pelos atos de radicais que fazem uma leitura equivocada de seus preceitos é o mesmo que condenar toda a igreja católica e os cristãos pelas barbaridades cometidas pelos cruzados, pela inquisição, pelas milícias maronitas cristãs do Líbano etc, etc.

Pelas redações estadunidenses

A Columbia Journalism Review está levando você para conhecer algumas redações dos noticiosos dos Estados Unidos. São 32 imagens sob diversas perspectivas: redações, estúdios, reuniões, entre outras. A imagem do post é do The New York Post. O autor é Sean Hemmerle. Dica pinçada do Gjol.

No dia em que a poesia vier ao mundo

No dia em que a poesia vier ao mundo

Na biblioteca, sobre a bancada
Páginas serão derramadas
Brancas de espanto

Talvez, num canto
Algum ponto de interrogação:
Para onde (es)correram
As palavras então?

No dia em que a poesia vier ao mundo

Vai ter poema sendo encontrado
Violentado no mato, dentro do rio
Brotando suado nos muros

Esquecido na seção de frios
Vai ter poema em hortifruti
Maduro entre as tangerinas

E ao invés da caixa registradora
Bater cifras assustadoras
A nota fiscal vai imprimir rimas.

No terreiro, o caboclo
Não vai baixar Orixá
Mas versos roucos,
Sonetos oxalá.

No dia em que a poesia vier ao mundo

Pacientes obturados
Obedecerão boquiabertos
Dentistas inspirados.

Suportarão suas dores
Para não interromper, de certo,
Os arroubos dos doutores.

Mulheres em parto
Iluminarão todo quarto
Pelo cordão umbilical:

Do ventre escuro
Surgirá o poema prematuro
Com fome gramatical

No dia em que a poesia vier ao mundo

Da repartição
Ao chefe de nação
Antologia poética:

Todo cidadão
Em qualquer profissão
Só vai dizer com métrica.

No dia em que a poesia vier ao mundo
Vai cair de boca, na boca do mundo
Vai cair da boca de todo mundo
No dia em que a poesia vier ao mundo.

Belíssimo poema de Tiago Cavalcanti, postado no Poema Dia

Fotojornalismo

Uma pilha de 2,426 armas ilegais é incinerada em Uhuru Gardens, em Nairobi. Foto da Reuters.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ativista palestino pelos direitos humanos é proibido por Israel de receber prêmio na Holanda

Adri Nieuwhof e Jeff Handmaker, traduzido por Victor Barone. Publicado originalmente no The Electronic Intifada

Mesmo diante da atenção da mídia internacional e de considerável pressão diplomática da Holanda, Israel não permitiu que o diretor geral da organização não governamental palestina Al-Haq, Shawan Jabarin, viajasse para a Holanda onde receberia o conceituado prêmio Geuzenpenning – concedido aos defensores dos direitos humanos – no dia 13 de março. A proibição da viagem de Jabarin e de outros ativistas pelos direitos humanos, sem motivo declarado, é flagrante violação dos princípios de julgamento justo e do direito humano básico de ir e vir, assemelhando-se, ainda, ao comportamento do regime do apartheid sul-africano.

A Al-Haq é uma organização não governamental palestina dedicada aos direitos humanos, baseada na cidade de Ramallah, no território palestino ocupado pelos israelenses na Cisjordânia. O prêmio Geuzenpenning honra o histórico grupo de resistência Geuzen, que lutou contra a ocupação nazista na Holanda durante a Segunda Guerra Mundial. O prêmio mantém acesa a chama de um ideal de resistência à opressão e promoção da democracia, assim como significa um forte alerta – na Holanda e em todo o mundo - contra todas as formas de ditadura, discriminação e racismo.

O governo de Israel proíbe que Shawan Jabarin deixe a Cisjordânia desde que ele foi apontado diretor da Al-Haq, em 2006. Antes disso, o ativista visitou diversos países, inclusive a Irlanda, onde concluiu um mestrado em direitos humanos, em 2005.

O ministro das Relações Exteriores da Holanda, Maxime Verhagen, fez pressão sobre a ministra Tzipi Livni, que em Israel ocupa o mesmo cargo, sem, no entanto, obter sucesso em seu intento. Em uma audiência perante o Supremo Tribunal israelense que violou vários princípios universais de um julgamento justo, uma audiência a qual Jabarin também não pôde comparecer devido ao seu confinamento na Cisjordânia, um grupo de três juízes mostrou mais uma vez sua impotência face à absurdas “medidas de segurança”. Após retirar todos do tribunal, exceto o advogado do Governo de Israel e um representante do Serviço de Segurança Geral de Israel (GSS), que apresentou evidências que nunca foram mostradas a Jabarin ou aos seus advogados, os juízes decidiram manter a proibição. O escrivão presente descreveu o seguinte:

O fato que não pode ser ignorado é que a Cisjordânia é uma zona militar fechada, da qual entrada e saída exigem permissão. A liberdade de ir e vir é examinada sob a ótica de uma legislação (N.R.: israelense) especial para a área... O material apontando o envolvimento de Jabarin com atividades de entidades terroristas é concreto e inegável. A não permissão para deixar o país não é uma punição por suas atividades proibidas, mas se dá devido a relevantes considerações sobre segurança.

Falando em uma coletiva de imprensa, o ministro Verhagen disse: “É frustrante e inquietante que se tenha negado (N.R.: a Jabarin) a oportunidade de receber a Medalha Geuzen”. Verhagen expressou publicamente sua crítica ao fato da corte israelense ter estabelecido que Jabarin é ou foi membro de uma organização terrorista com base em evidências as quais nem Jabarin ou seus advogados tiveram acesso.

Apesar de ter sido impedido de receber o prêmio Geuzenpenning pessoalmente, o ativista participou da cerimônia através de um link de vídeo direto de Ramallah. Em resposta a decisão da suprema corte israelense de manter a proibição imposta pelo GSS, a ONG Al-Haq distribuiu um informe em 11 de março: “Mais uma vez o judiciário israelense demonstrou sua subserviência às autoridades militares e de segurança”, dizia a nota.

O tratamento dispensado por Israel a ativistas dos direitos humanos como Jabarin, remete ao bispo Desmond Tutu protestando contra “a falange de leis draconianas como a legislação de segurança” que violava os direitos daqueles que se opunham ao apartheid na África do Sul. Durante este regime, pessoas consideradas pelo ministro da Lei e da Ordem como ameaças a segurança do Estado eram detidas indefinidamente em confinamento solitário, sem contato com suas famílias ou advogados. Além disso, pessoas eram colocadas arbitrariamente sob a proibição de deixar o país, devido à “evidências” nunca julgadas em uma corte aberta.

Estas proibições do apartheid sul-africano remetem preocupantemente ao comportamento da GSS e da suprema corte israelense. Na África do Sul, estas medidas eram tomadas para silenciar pessoas que resistiam ao apartheid. Indivíduos não podiam ser ouvidos durante estas proibições. Não podiam participar de “reuniões”, o que significava qualquer encontro com mais de uma pessoa, e não podiam viajar para fora da área jurisdicional à qual estavam confinados. Tutu protestou veementemente dizendo que estas “punições eram impostas sem as evidências que as justificavam terem sido apresentadas a quem sofria as punições, ou ao escrutínio de uma corte”.

Como Jabarin e muitos outros defensores palestinos dos direitos humanos, os líderes sul-africanos anti-apartheid e ativistas dos direitos humanos também foram proibidos de deixar o país pelos longos anos das décadas de 70 e 80, por falarem contra o governo. Entre eles Chief Albert Luthuli, Albertina Sisulu, Nelson Mandela, Steve Biko e o reverendo Beyers Naude.

Argumentos à parte, já que um suposto envolvimento com um grupo particular justificou medidas tão draconianas, é importante ter em mente o fato de que o Congresso Nacional Africano, movimento de libertação que lutou contra o apartheid na África do Sul, foi durante muitas décadas considerado pelo Ocidente como uma organização "terrorista". Ao mesmo tempo, o Ocidente, na maior parte das vezes, tolerou as políticas do apartheid sul-africano. No entanto, nem esta atitude unilateral do Ocidente, nem a feroz opressão exercida pelo regime racista da África do Sul, puderam colocar um fim na resistência ao apartheid.

Adri Nieuwhof é consultor e advogado especializado em direitos humanos na Suiça. Jeff Handmaker é advogado especializado em direitos humanos, pesquisador e professor de direitos humanos do Instituto de Estudos Sociais de em The Hague, na Holanda.

Chernobil, 23 anos depois

Impressionante essa coleção de fotos de Prypiat, a cidade na Ucrânia onde moravam os trabalhadores do reator nuclear de Chernobil. Já se passaram 23 anos e ela continua como território proibido, que gradualmente se transforma em ruínas. Dica pinçada do blog O sempre nunca.