Semana On

terça-feira, 17 de março de 2009

Frases

“Graças a Deus, fui excomungada por ter feito a coisa certa”.
Fátima Maia, diretora do centro médico que realizou o aborto em uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos, violentada pelo padrasto. Fátima, os demais profissionais de saúde que participaram da intervenção e a mãe da menina foram excomungados pelo bispo de Olinda, dom José Cardoso Sobrinho.

Fotojornalismo

Olivier Laban Mattei, fotógrafo da AFP baseado na França, recebeu a terceira colocação da categoria General News Stories do 2008 World Press Photo of the Year conteste com esta foto da passagem de um ciclone em Burma.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Palestinos tentam aproximação nacional

As próximas eleições presidenciais e legislativas palestinas acontecerão em 25 de janeiro de 2010, conforme reunião realizada na segunda-feira (16) entre os partidos da região, entre eles o Hamas (de orientação islâmica) e o Fatah (laico), do líder da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas.

Desde o dia 10, várias lideranças da região estão reunidas no Cairo (Egito) para negociar a reconciliação entre os partidos para a formação de um governo de união nacional. As conversas, que transcorrem em cinco mesas de diálogo, devem terminar antes do fim do mês, segundo o combinado pelas facções em 26 de fevereiro.

A aproximação entre aos grupos palestinos e o abrandamento das propostas posições mais radicais, como o não reconhecimento do Estado de Israel, é condição básica para que canais de negociação possam ser abertos com o mundo exterior e com Israel. O conflito entre o Hamas e o Fatah tem sido um entrave – assim como as propostas extremistas do primeiro grupo – tem fornecido subsídios mais que concretos para os que apostam na perpetuação da situação na região e na impossibilidade de um Estado Palestino.

A solidão do excomungador

O tratamento que a revista Veja deu nesta semana para o caso da menina pernambucana de 9 anos que passou por um aborto após ter sido estuprada pelo padrasto - e que levou a excomunhão da mãe da menina e da equipe médica que realizou o procedimento - foi elucidativa para analisar o ponto de vista dos que, mesmo diante do anacronismo que representa a imposição de dogmas religiosos sobre uma sociedade laica, insistem em encontrar pontos de apoio para a atitude hedionda do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho.

O tratamento ambíguo de Veja começa em sua Carta ao Leitor, onde, após explicar que no Brasil a lei “permite o aborto em caso de estupro e quando o feto põe em risco a vida da mãe”, diz que o Arcebispo foi “alvo da fúria dos grupos pró-legalização do aborto em todas as circunstâncias”. Trata-se de uma informação falsa, posta ali com o propósito claro de preparar o leitor para o que viria em seguida, na entrevista das páginas amarelas, onde Sobrinho despejou obscurantismo sobre os leitores do semanário.

Na verdade, ao comunicar a excomunhão da equipe médica e da mãe da menina e não se pronunciar sobre o agressor, o estuprador – este sim merecedor de qualquer penalidade eclesiástica que os donos do saber divino julgassem apropriada – Sobrinho suscitou a ira de gente de todos os credos religiosos, de todos os matizes sociais e raciais e não apenas dos que defendem o aborto em todas as circunstâncias, como quis fazer crer a revista.

Na entrevista – conduzida pela jornalista Juliana Linhares - um Dom José Cardoso Sobrinho acuado, encastelado sob a proteção dos energúmenos, tenta explicar o inexplicável. De início apela para Roma ao dizer que, apesar do maremoto de indignação popular (vinda de todo o mundo) gerada por sua atitude, recebeu o apoio de Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos em Roma, de quem teria recebido uma carta elogiosa.

Ocorre que nem mesmo em Roma o gatilho rápido de Sobrinho em aplicar o dogma recebeu apoio incondicional. No sábado, em artigo publicado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Monsenhor Rino Fisichella afirma que os médicos que praticaram o aborto não mereciam a excomunhão. “São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos", diz Fisichella.

As barbaridades do arcebispo de Olinda e Recife vão ficando mais evidentes a partir do momento em que ele comenta o nonsense de condenar os médicos e a mãe da menina sem sequer citar o verdadeiro criminoso que estuprou uma criança. Argüido sobre o motivo pelo qual o estuprador não foi excomungado tal qual a mãe e os médicos, saiu-se com esta: “estupro é um pecado gravíssimo para a Igreja, assim como o homicídio. Agora, a Igreja diz que o aborto, isto é, o ato de tirar a vida de um inocente indefeso, é muito mais grave que o estupro, que o homicídio de um adulto. Qualquer pessoa inteligente é capaz de compreender isso.”. É, é preciso ter uma inteligência azevediana para entender o argumento.

Fica claro, ainda, que longe de se preocupar com o bem estar da menina, o objetivo da Igreja Católica representada por Sobrinho é tão somente o de impor sua visão moral aos demais. Quando a jornalista o questiona sobre se a Igreja ofereceu abrigo, sustento material ou mesmo uma eventual família adotiva para as crianças que poderiam ser geradas pelo estupro, o arcebispo mostrou ao que veio: “Repito mais uma vez: essa menina é residente em outra cidade, portanto, em outra diocese. O bispo de Pesqueira foi quem acompanhou tudo de perto.”, afirmou, passando a bola para outro colega de batina e completando numa total abstração da realidade: “E, se acontecesse o parto, a cidade de Alagoinha iria ajudar. A menina não ficaria abandonada”.

Diga-se que Juliana Linhares, dentro do que seria possível diante dos objetivos de Veja com a entrevista, conseguiu acuar Sobrinho em alguns momentos, expondo a ignomínia de seus atos. Ela escavucou o entrevistado para saber se, ao menos, ele tinha algum conhecimento sobre a vida da menina, sobre como era o seu dia a dia na casa onde era molestada. Conseguiu a seguinte resposta: “Com licença, esses detalhes eu não sei. Se alguém tiver interesse, o caminho mais curto é ligar para o padre da cidade de Alagoinha e perguntar.”. Para completar, Linhares lhe pergunta o nome da menina. Mal estar generalizado. O religioso não soube responder.

Sabia apenas que precisava impor a sharia católica sobre uma mãe (de certo desesperada) e uma equipe médica que fez o que pode para atenuar o trauma inimaginável que seria para uma criança de 9 anos parir outras duas crianças geradas por uma violência sem limites.

Poesia e artes plásticas

Sol

Se sol se refletir no seu olhar,
então um sorriso eclodirá
como uma flor.
E se ele brilhar em seu rosto,
então pássaros em bando.

Se o sol brilhar no teu olhar,
então ouvirei mil cantos
como calor.
E se ele se refletir no teu rosto
então uma noite clara.

E ainda sim haverá sorrisos
a sorrir.
Ainda assim sonharei palavras
a dizer.
E mesmo assim uma flor surgirá,
e eu sentirei seu calor
sob clareza da lua.

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No dia 26 de setembro de 2008 lancei o livro Outros Sentidos no Rio de janeiro, em uma noite bastante eclética no Espaço Bora Bora. Eclética, pois, mesclado ao lançamento do livro, propriamente dito, os presentes puderam curtir boa música e artes plásticas.

Poder editar meu primeiro livro foi uma experiência emocionante. Mais emocionante, porém, foi ver um grupo de artistas plásticos, veteranos e novatos, pintando inspirados nos poemas do livro. Sou eternamente grato aos que me proporcionaram estes momentos naquela noite de setembro.

No domingo passado, esta experiência foi reavivada em cada detalhe com o recebimento de um e-mail da artista plástica Rosane Colbert Pacheco, que me enviou a imagem de uma tela de sua autoria baseada no poema Sol.

Frases

“Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independente de cargos, poder e vantagens?”
Lya Luft

Fotojornalismo

Brenda Ann Kenneally, fotógrafa do The New York Times Magazine, recebeu o segundo lkugar na categoria Daily Life Stories do 2008 World Press Photo of the Year contest com esta foto.

sábado, 14 de março de 2009

The Palestine Telegraph

Entrou no ar neste sábado o jornal virtual The Palestine Telegraph. Trata-se de uma iniciativa do jornalista e ativista palestino Sameh Akram Habeeb, 23, que pretende cobrir diariamente os fatos relacionados ao conflito que tem condenado milhões de pessoas a uma vida pela metade.

Habbeb já havia freqüentado o Escrevinhamentos recentemente com seu maravilhoso acervo de fotografias sobre o dia-a-dia da população palestina na Faixa de Gaza. As fotografias de Habbeb retratam momentos do cotidiano dos 1,5 milhões de pessoas que se espremem entre o mar e Israel e expressam a sua tentativa de imprimir um tom de normalidade em suas vidas.

Durante a última investida israelense sobre a Faixa de Gaza, o jornalista cobriu o conflito em seu blogue Gaza Strip, The Untold Story.

Meio século de ocupação do Tibete

Candida Borges Lemos, jornalista e doutoranda em História e Estudos Políticos Internacionais, é autora do texto a seguir (pinçado do blog de Paulo Moreira Leite).

Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, era um adolescente quando as vitoriosas tropas da revolução socialista chegaram ao seu país em 1950. Até o exílio na Índia, em 1959, Dalai Lama e seu povo viram as estátuas de Buda serem destruídas e substituídas por outras de Mao Tsé-Tung.

Em Dharamsala, Índia, onde funciona o governo do Tibet no exílio, o líder do budismo mundial perdeu a calma ontem (N. do R.: dia 10): “A China transformou o Tibet em um inferno da Terra”. No ano passado, na mesma época, 14 de março, a capital tibetana Lhasa foi palco de manifestações anti-China, lideradas por monges, que tiveram um saldo de cerca de 200 mortos.

Com receio de uma repetição dos protestos em 2009, há semanas o governo chinês intensificou a presença militar no Tibet e nas províncias vizinhas, onde vivem milhares de tibetanos e budistas. O turismo na região foi paralisado, a imprensa internacional não consegue ter acesso à região do Himalaia e as estradas estão sob controle. Na reunião do Parlamento Chinês, dia 9, o presidente do país pediu aos parlamentares do PCC que lutem contra o separatismo tibetano e conclamou a todos a erguer uma “grande muralha” para defender o território.

Dalai Lama denunciou que há mais de meio século o povo tibetano está sob ameaça de ver extinta sua religião, sua cultura, sua língua e identidade nacional. Após o período inicial de repressão intensa que se inaugurou a partir de 1950, a perseguição se agravou entre 1987 e 1989. Dez anos depois, o terceiro na hierarquia do budismo, Kamapa Lama, foi obrigado a deixar o Tibet.

Dalai Lama, em suas conferências mundo afora, sempre comenta que o Budismo deve muito ao governo chinês, pois foi pelo fato de ele estar exilado que foi possível que a religião tenha sido mais difundida no Ocidente e a doutrina ganhasse novos adeptos, para além do Sudeste Asiático, Ásia Central e tremo Oriente. Hoje são cerca de 400 milhões de budistas no mundo.

Depois que Dalai Lama ganhou o Premio Nobel da Paz, em 1989, a questão da independência do Tibet ganhou um número sempre maior de simpatizantes. Celebridades e atores de Holywood, como Sharon Stone e Richard Gere, engrossam as fileiras dos ativistas. Dalai Lama conseguiu que a causa tibetana extrapolasse a mera luta da independência de um país aos pés do Himalaia. Hoje, está inserida na luta pelos direitos humanos, que reúne gente de todos os continentes, independente de credo e raça.

O líder budista defende hoje uma via intermediária de independência, uma proposta pacífica que prevê maior autonomia do território, principalmente a liberdade religiosa, que poderia permanecer como parte da República Popular da China. Porém, a ala mais radical, liderada pela juventude tibetana, que se articula em vários países, acredita que não há como descartar a violência e quer a independência completa.