A morte de 492 crianças na Faixa de Gaza levou o Tribunal Internacional sobre a Infância condenar Israel por crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia, denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense. Veja o relatório completo aqui.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Frases - LXIII
“Há um conceito novo de revolução de esquerda sendo testado na América Latina, uma revolução constitucional idealizada por um ex-fascista tornado comunista.”
Pedro Doria
Pedro Doria
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Famílias alternativas
No livro do Genesis, encontramos uma linda e educativa história de amor, procriação e fidelidade. Uma história acerca de um homem que se vê casado com duas irmãs em simultâneo, usa escravas sexuais para ter filhos, tudo com a bênção de um Deus então menos preocupado em montar baias à volta dos seus fiéis. O arranjinho correu tão bem que o bom do Jacó acabou por ter 12 filhos e uma filha. A dúzia de varões deu origem às 12 tribos de Israel, prova de que na base da querida civilização judáico-cristã está afinal um modelo bem “alternativo” de família.
A sacação acima foi pinçada do blog português 5dias.
A sacação acima foi pinçada do blog português 5dias.
Sicko: vendendo saúde
Assisti estes dias ao documentário “Sicko”, do cineasta estadunidense Michael Moore. Estarrecedor. O documentário expõe as vísceras do sistema de saúde dos Estados Unidos, de uma forma que nunca vimos nos seriados que pipocam pela TV a cabo. Chocante a máfia que se apoderou da saúde naquele país por meio dos planos de saúde, transformando o setor em comércio puro e simples. O documentário mostra também as vantagens de países como Inglaterra, Canadá, França e Cuba, onde a saúde é gratuita e universal (como propõe o SUS).Sim, apesar dos problemas e falhas, o SUS é uma tentativa de romper com o modelo estadunidense de saúde adotado pelo Brasil. Há muito a caminhar, mas a realidade inglesa e canadense, especialmente, é um objetivo que pode ser alcançado a longo prazo com o SUS, desde que a visão mercantilista da saúde – em voga ainda hoje no imaginário dos profissionais da área – seja substituído, de fato, por uma visão social.
O documentário traz trechos emocionantes, como a ida de voluntários que atuaram no resgate às vítimas do 11 de setembro (rejeitados pelos planos de saúde estadunidenses) a Cuba (isso mesmo!), onde obtiveram tratamento digno e gratuito.
Outro momento marcante é a entrevista com Tony Benn, antigo deputado britânico, uma aula de cidadania. “Quando surgiu esta idéia de que qualquer cidadão britânico deveria ter direito a cuidados de saúde?”, pergunta Moore, e Benn responde:
“Se voltarmos atrás, tudo começou com a democracia. Antes de podermos votar, todo o poder estava nas mãos dos ricos. Se tivesse dinheiro, podia ter cuidados de saúde, educação, prevenir-se para a velhice... E o que a democracia fez foi dar o voto aos pobres, e passou o poder do mercado para a cabine de voto, da carteira, para o voto.
E o que as pessoas disseram foi muito simples, elas disseram: "Na década de 1930, tivemos desemprego em massa, mas não houve desemprego durante a guerra. Se se pode ter emprego pleno por matar Alemães, por que não se pode ter emprego pleno para construir hospitais, para construir escolas, contratando enfermeiras, contratando professores?" Se conseguimos arranjar dinheiro para matar pessoas, conseguimos arranjar dinheiro para ajudar as pessoas. Este panfleto foi lançado em 1948 de uma forma muito direta.
‘O seu novo Serviço Nacional de Saúde começa a 5 de Julho. Ele irá fornecer-lhe todos os cuidados médicos, dentários e de enfermagem. Qualquer pessoa, rica ou pobre, homem, mulher ou criança pode utilizá-lo, qualquer parte dele. Não tem custos, exceto para alguns casos especiais, não há obrigações de seguro, mas não é uma caridade. Estão pagando quando são contribuintes, e irá aliviar as suas preocupações financeiras em tempos de doença.’
De alguma forma, estas poucas palavras resumem tudo.”
Luxo e Lixo
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, comemora hoje seu aniversário de 85 anos com uma festa que terá, entre outros luxos, 2 mil garrafas de champagne Moët & Chandon, 500 garrafas de whisky Johnny Walker Blue Label e Chivas de 22 anos, 8 mil lagostas, 4 mil porções de caviar, 3 mil patos, 10 mil ovos e 8 mil caixas de chocolate Ferrero Rocher.
Enquanto isso, a população sofre com a fome e a falta de condições mínimas de higiene que ajudam a propagar uma epidemia de cólera que já afetou mais de 65 mil pessoas, das quais 3.323 morreram desde agosto do ano passado. A situação de crise humanitária da população do Zimbábue é uma das mais grafes do mundo e a economia é assolada por uma hiperinflação que fez com que 350 milhões de dólares do país valham apenas 1 dólar americano. A taxa de desemprego é de 94% e 7 milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária para sobreviver.
Enquanto isso, a população sofre com a fome e a falta de condições mínimas de higiene que ajudam a propagar uma epidemia de cólera que já afetou mais de 65 mil pessoas, das quais 3.323 morreram desde agosto do ano passado. A situação de crise humanitária da população do Zimbábue é uma das mais grafes do mundo e a economia é assolada por uma hiperinflação que fez com que 350 milhões de dólares do país valham apenas 1 dólar americano. A taxa de desemprego é de 94% e 7 milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária para sobreviver.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Orientação sexual em MS
As questões de orientação sexual voltaram à pauta em Mato Grosso do Sul nesta semana, por meio de dois episódios: um envolvendo uma escola de samba de Campo Grande e outro a secretaria estadual de Educação.
Com o enredo “O Mundo Adverso do Planeta Cor-de-Rosa”, a escola de samba Unidos do São Francisco pretendia “rasgar a fantasia do preconceito” na avenida, mas teve que mudar o enredo devido à ação da Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS).
Segundo a presidente da entidade, Cris Stefanny, o enredo trazia “erros de terminologia” que poderiam reforçar o preconceito: “O enredo falava de borboleta, enrustido, ala da bolsinha. A maioria dos homossexuais tem trabalho como qualquer cidadão e não vive nas esquinas. Muitos são vítimas sim da exclusão social”, explicou, em entrevista ao site de notícias Midiamax.
Banheiro
A Coordenadoria de Políticas para a Diversidade – ligada a Secretaria Estadual de Educação – orientou, por meio de um comunicado, as escolas da rede estadual de ensino a destinar às estudantes travestis e transgêneros os banheiros dos professores e das meninas. Segundo o documento, “o uso do banheiro masculino pode implicar em risco para estes estudantes, sujeitos ao preconceito”.
A proposta contou com o apoio da ATMS, mas esbarrou na Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), cujo presidente, Jaime Teixeira, disse em entrevista ao site de notícias Campo Grande News que o Estado deveria criar banheiros próprios para as travestis. “Não dá para aceitar isso. Tem criança de seis anos que vai usar o mesmo banheiro público... Construir espaços específicos não é garantir a exclusão, mas a privacidade”, opinou.
Pouco depois, a secretaria estadual de Educação anunciou um lapso no comunicado enviado às escolas: “a determinação valia apenas para uso do banheiro dos professores,e não o banheiro das meninas”.
Preconceito
No ano passado, as bancadas católica e evangélica da Câmara Municipal de Campo Grande barraram a votação da concessão do título de utilidade pública para a Associação dos Travestis de Mato Grosso do Sul. Cobri a notícia mostrando, ainda, a omissão da imprensa local. Confira os links a seguir
Leia mais sobre o mesmo tema:
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay
- Eles eram mais livres
Com o enredo “O Mundo Adverso do Planeta Cor-de-Rosa”, a escola de samba Unidos do São Francisco pretendia “rasgar a fantasia do preconceito” na avenida, mas teve que mudar o enredo devido à ação da Associação das Travestis de Mato Grosso do Sul (ATMS).
Segundo a presidente da entidade, Cris Stefanny, o enredo trazia “erros de terminologia” que poderiam reforçar o preconceito: “O enredo falava de borboleta, enrustido, ala da bolsinha. A maioria dos homossexuais tem trabalho como qualquer cidadão e não vive nas esquinas. Muitos são vítimas sim da exclusão social”, explicou, em entrevista ao site de notícias Midiamax.
Banheiro
A Coordenadoria de Políticas para a Diversidade – ligada a Secretaria Estadual de Educação – orientou, por meio de um comunicado, as escolas da rede estadual de ensino a destinar às estudantes travestis e transgêneros os banheiros dos professores e das meninas. Segundo o documento, “o uso do banheiro masculino pode implicar em risco para estes estudantes, sujeitos ao preconceito”.
A proposta contou com o apoio da ATMS, mas esbarrou na Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), cujo presidente, Jaime Teixeira, disse em entrevista ao site de notícias Campo Grande News que o Estado deveria criar banheiros próprios para as travestis. “Não dá para aceitar isso. Tem criança de seis anos que vai usar o mesmo banheiro público... Construir espaços específicos não é garantir a exclusão, mas a privacidade”, opinou.
Pouco depois, a secretaria estadual de Educação anunciou um lapso no comunicado enviado às escolas: “a determinação valia apenas para uso do banheiro dos professores,e não o banheiro das meninas”.
Preconceito
No ano passado, as bancadas católica e evangélica da Câmara Municipal de Campo Grande barraram a votação da concessão do título de utilidade pública para a Associação dos Travestis de Mato Grosso do Sul. Cobri a notícia mostrando, ainda, a omissão da imprensa local. Confira os links a seguir
Leia mais sobre o mesmo tema:
- Entrevista: André Fischer fala da mídia e da comunidade gay
- Eles eram mais livres
Futuro do Jornalismo
Vale a pena ler o post “O futuro do jornalismo. (Que futuro?)”, de Pedro Doria. Uma análise contundente da profissão e de seu futuro nestes tempos de incertezas e mudanças de paradigmas.
Quem são os traídos?
Jornalista, professor-doutor da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade, Eugênio Bucci fez, no artigo “Considerações éticas sobre a repercussão da entrevista”, a análise mais lúcida e ácida que li até o momento sobre o “desabafo” do senador Jarbas Vasconcelos a respeito do PMDB.
Diz que “embora Jarbas Vasconcelos não tenha ‘entregado’ o nome de ninguém, será chamado de traidor pelos caciques”, e questiona: “...se olharmos essa confusão por outro ângulo, quem é o traidor? É o que denuncia, mesmo que tardiamente, ou o que mercadeja votos, o que acoberta os apaniguados, o que comete crimes em nome de uma tortuosa alegação de justiça social, ou em nome do partido? Quem é o traidor?...”.
Ele mesmo responde poucos parágrafos depois: “Nesse mundo, o antigo deglute a aspiração de emancipação e a devolve como farsa carnívora. Para sobreviver dentro dele, o sujeito precisa reproduzi-lo para além do seu próprio corpo. A isso nós assistimos impassíveis. Sim, somos nós os traídos. Nós, atônitos, atordoados, sem ter para onde correr, sem ter como desativar a besta.”.
E não nos sentimos exatamente desta forma em nosso cotidiano? Condenados a reproduzir as mesmas práticas que criticamos, imersos em um redemoinho no qual tudo que nos resta é vagar de acordo com a corrente? O artigo de Bucci é desafiador na medida em que cobra de todos nós posturas éticas que podem colocar-nos em dificuldades práticas como, por exemplo, manter um emprego.
Como reunir coragem suficiente para ser um traidor?
Diz que “embora Jarbas Vasconcelos não tenha ‘entregado’ o nome de ninguém, será chamado de traidor pelos caciques”, e questiona: “...se olharmos essa confusão por outro ângulo, quem é o traidor? É o que denuncia, mesmo que tardiamente, ou o que mercadeja votos, o que acoberta os apaniguados, o que comete crimes em nome de uma tortuosa alegação de justiça social, ou em nome do partido? Quem é o traidor?...”.
Ele mesmo responde poucos parágrafos depois: “Nesse mundo, o antigo deglute a aspiração de emancipação e a devolve como farsa carnívora. Para sobreviver dentro dele, o sujeito precisa reproduzi-lo para além do seu próprio corpo. A isso nós assistimos impassíveis. Sim, somos nós os traídos. Nós, atônitos, atordoados, sem ter para onde correr, sem ter como desativar a besta.”.
E não nos sentimos exatamente desta forma em nosso cotidiano? Condenados a reproduzir as mesmas práticas que criticamos, imersos em um redemoinho no qual tudo que nos resta é vagar de acordo com a corrente? O artigo de Bucci é desafiador na medida em que cobra de todos nós posturas éticas que podem colocar-nos em dificuldades práticas como, por exemplo, manter um emprego.
Como reunir coragem suficiente para ser um traidor?
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